O “caso” João Soares/António Lamas

Agora que a poeira parece começar a assentar, vamos ao “caso”.

O governo anterior (PSD/CDS) nomeou António Lamas Presidente do Centro Cultural de Belém em inícios de Novembro de 2014. O então recém-nomeado, (CV aqui, pág. 10 e 11), em entrevista ao jornal Público, já dizia ao que vinha. Vale a pena ler, mas realço isto, quando se refere a  receitas e despesas:  “A redistribuição entre os Jerónimos e Freixo-de-Espada-à-Cinta não faz sentido”.

Ainda quando se refere a investimento: “Há necessidade de investir? Não se faça um perímetro que vá até Bragança.”

Para António Lamas o que interessa é Lisboa, e o dinheiro arrecadado pelo Estado (em Lisboa) não é para ser investido no resto do País. Mais, essa receita é também para investir (em Lisboa e para ir aos fundos comunitários!). Ponto. Pela mesma lógica, a electricidade produzida em Freixo-de-Espada-à-Cinta, no Douro, não deveria ser redistribuída, e muito menos em Lisboa! [Read more…]

Andar por aí

De bandeirinha na lapela e aquele ar de permanente obstipação, Passos Coelho, deslocando-se pelo país – vamos ver o povo, ai que lindo que ele é – visita coisas, inaugura (!) coisas, diz coisas. E o que diz é ouvido pelos repórteres televisivos de serviço com os cuidados de quem colhe pepitas de ouro. Assim, o ex ocupa mais tempo televisivo que todos os ministros e lideres da oposição juntos. Os jornalistas, já que é seu mister dar notícias, podiam informar o Passos de que já não é primeiro-ministro; o problema é que tenho dúvidas de que eles próprios saibam dessa feliz novidade.

Fachos de Coelho não chegam ao céu

fachoOuvi finalmente o seu discurso  a propósito da proposta de orçamento de Estado para 2016 e tive uma epifania: Passos Coelho é um facho confesso. O homem está perfeitamente a borrifar-se para as pessoas, para o povo. Para o povo que o elegeu, embalado pelas suas aldrabices, cegas de ambição pelo “pote”, no mais vergonhoso assalto ao poder de que há memória em democracia, e para o povo que 4 anos depois não o elegeu, retirando-lhe categoricamente a confiança traída. De facto, como os seus apaniguados o classificaram, um discurso brilhante. Brilhante como um facho a queimar mentiras.

Depois de, como é hábito, recalcitrar na mentira, desta vez a de que a proposta de OE apresentada pelo Governo se limita a dar com uma mão o que tira com outra, mantendo incólume a austeridade, e depois de insistir na facécia de que o poder lhe foi usurpado pelo parlamento, Passos Coelho, para justificar o anúncio de que votaria contra o orçamento – o que só lhe fica bem -, sintetizou exemplarmente as razões pelas quais o povo, que despreza, lhe retribuiu o chuto no cú com desprezo.

Diz ele, a partir do minuto 12′ 30”, o seguinte:

O país inteiro sabe qual era a estratégia orçamental que nós executaríamos se estivéssemos no Governo. Defenderíamos uma mais gradual, mas permanente remoção da austeridade para não tropeçar no excesso de voluntarismo e não obrigar os portugueses a ter que pagar no futuro, novamente com mais sacrifícios, a imprudência do presente“.

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Sinais de esperança

Se um ex-PM que precisou de 8 (oito) orçamentos rectificativos diz que “este OE não tem arranjo possível” deve ser bom sinal.

Bilhete do Canadá: Ginástica do pendura

Autor desconhecido

Autor desconhecido

Um dia destes Passos disse que António Costa ajoelhou diante da Comissão Europeia. Como se não fosse essa a transitória, mas nem por isso menos infeliz posição de todos os estados da Europa do Sul conduzidos à escravatura financeira por uma clique dirigente que se amesendou em Bruxelas sem ter sido eleita.

Passos, a fazer o pino na sua actual carreira de cómico, vê o mundo a partir da sua cabeça para baixo e pés no ar. No tempo em que tinha a cabeça no ar e os pés no chão, esteve gloriosamente de cócoras.  Primeiro como gestor dos dinheiros europeus a fundo perdido via Tecnoforma, sempre de braço dado com Relvas; depois, a babar-se, quando foi primeiro ministro para ir além da troika, pondo Portugal na penúria.

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É preciso lá ter passado para o reconhecer

Passos acusa PS de “ajoelhar” perante a Europa, lê-se no Público.

Não importa o que Costa faça, haverá uma tirada azeda, que nem precisa de ter paralelo com a realidade, por parte do vitorioso de Pirro.

De rosa ao peito, em forma de pin patriótico, lá vai ele em alegre campanha eleitoral, a mesma que dura há quase dois anos. Há que fazer pela vida, mesmo quando Portugal está à frente.

Bilhete do Canadá: Ui que medo


Nas jornadas para lamentar do PSD houve duas tiradas de génio.

Uma foi do podengo da maçonaria que corre ao chamado de Montenegro: se a esquerda falhar, o governo deixa de existir.

Outra foi dum tal Passos que foi empregado duma dita Tecnoforma que pescava dinheiros europeus sem fazer uma única obra, de parceria com o Relvas, tarefa hercúlea que o levou a esquecer-se de pagar à segurança social uns anos. Disse o artista: ninguém acredita que esta maioria dure. E não será por causa do PSD.

Aos dois assenta como uma luva o ditado ribatejano: quem com porcos sonha até o mato lhe ronca.

A grande lata

passos coelho lata sem fim

Poucochinho governo, algumas trapalhadas e muita aldrabice…

António Costa personifica o que de pior existe em política, o apego ao poder. Só assim é possível compreender o repto que lança ao PSD na entrevista ao Expresso, desafiando Passos para consensos políticos. Derrotado eleitoralmente em Outubro, o actual P.M. conseguiu sobreviver politicamente graças a um inédito acordo parlamentar com os partidos à esquerda do PS, cuja legitimidade não estou a contestar, mas colocou o governo de Portugal refém de corporações que parasitam o Estado, tornando-o ineficiente ou inoperante, garantindo assim o apoio do PCP, para além de ceder à agenda despesista, irresponsável e populista do BE.

Haverá quem discorde e não faltarão aí em baixo comentários discordando do que afirmo, é caso para dizer, daqui a uns meses veremos quem tinha razão, nestas matérias os números são como o algodão… [Read more…]

TAP uma sociedade a 50% em que ninguém manda

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O Estado, conforme o negócio político feito entre o PS, BE e PCP que sustenta o actual governo, voltou a ter 50 por cento da TAP, sendo que a gestão da empresa vai continuar a ser efectuada pelo consórcio Atlantic Gateway.

Esta reversão do negócio polémico feito pelo anterior governo, no final da legislatura, vai custar agora quase dois milhões de euros .

Mas este negócio pode vir a tornar-se ruinoso porque a factura a pagar nos próximos anos pode vir a ser muito pesada, podendo vir a custar muitos milhões de euros ao País.

A isto acresce ainda que estamos agora numa sociedade a 50% em ninguém manda!

O BE, mas sobretudo o PCP, não aprovam o negócio por razões político/ideológicas, que pode vir a ter repercussões ao nível da CGTP. Por outro lado Passos Coelho pede esclarecimentos.

Agora a palavra é de António Costa e do seu governo.

O Pivot

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Passos Coelho vende BPN ao BIC por 40 M€. Estado aumenta o capital do Efisa, banco de investimento do universo SLN/BPN, em 90M€. Efisa é vendido por 38,5 M€ à Pivot SGPS, uma sociedade de capitais portugueses e angolanos da qual faz parte o ex-ministro do PSD Miguel Relvas.

Destruir foi muito pouco para um programa de governo

Passos Coelho: “Reverter e destruir é muito pouco para um programa de Governo”. Agora reverte-se o que a direita destruiu. Alguém teria que limpar o cocó.

Limpem a porcaria que fizemos, mas depois acabou

David Dinis, acérrimo defensor do anterior governo PSD/CDS, escreve no seu observador dos sucessos da direita que Passos está “pronto a viabilizar Retificativo. Mas isto que não se repita, ouve-se no PSD.” Não vai tão longe quanto outros, como João Miguel Tavares e Paulo Baldaia, só para apontar dois, que antes também defenderam o anterior governo de direita e que agora se mostram revoltados, como se esperassem algo diferente de quem tinha mentido com unhas e dentes em 2011.

Está iniciado o processo de troca de Passos Coelho, pois alguém tem que pagar a fava e a direita que quer voltar ao poder é que não há-de ser.

Os rostos da falência do BANIF: Passos Coelho, Portas, Maria Luís e Carlos Costa

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Após os escândalos do BPP, do BPN e do BES os portugueses tinham a legítima expectativa que os políticos e a supervisão bancária tivessem aprendido a lição, mas afinal não, esta gente continua a brincar com o dinheiro dos portugueses.

Mais uma vez neste caso do BANIF a culpa tem caras e as caras têm nomes. Mas, mais uma vez, parece-me que os ex-governantes tudo estão a fazer para que a culpa morra solteira. Mas sublinho esta falência tem caras, responsáveis e motivações.

E esses responsáveis são Pedro Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e todo o anterior governo de coligação PSD / CDS, estendendo-se a responsabilidade ao Governador do Banco de Portugal.

carlos costa

Ninguém tem dúvidas que em 2013 a intervenção no BANIF era necessária, mas tudo o que se seguiu foram opções políticas E a manutenção da gestão do BANIF, como a nomeação para um novo mandato de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal, foram opções políticas. Aliás, ainda há dias o ex-primeiro-ministro, Passos Coelho afirmava ter toda a confiança no Governador do Banco de Portugal e como a supervisão estava a acompanhar a situação do BANIF. [Read more…]

Saída limpa? Vai um BANIF para debaixo do tapete.

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“Estou consciente que tempo adicional foi repetidamente dado para que o banco [BANIF] endereçasse os problemas. Isto foi motivado por considerações de estabilidade financeira e, recentemente, por considerações de não colocar em perigo a saída do país do Programa de Ajustamento Económico.” Margrethe Vestager, Membro da Comissão Europeia, 12 de Dezembro de 2014, via TSF

Preto no branco, a Comissária afirma que o problema do BANIF não foi resolvido para não estragar a saída limpa. Houve um conluio entre a CE e o Governo Português, de Passos Coelho/Paulo Portas, para fabricar um sucesso que não era real. Com que objectivo? À CE interessava ter um caso em que a austeridade tivesse “funcionado” e o governo construiu uma teia de medo/sucesso baseada nesta falsidade. Medo reflectido no, ainda hoje, usado pregão “não estraguem” e sucesso ficcionado com argumentos inventados.

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PàF contra PàF

PassosPortas

Ora deixa cá ver se entendi bem: quando há umas semanas se discutia o programa da coligação PSD/CDS-PP, que se sabia de antemão que seria chumbado, a direita parlamentar criticou António Costa por não ter participado no primeiro dia de debate e por se ter resguardado para o segundo dia, acusando-o de cobardia e de fugir ao confronto de ideias. Hoje, no primeiro de dois dias em que se discute o programa do PS apoiado pelos partidos de esquerda, Passos Coelho e Paulo Portas remeteram-se, tal como Costa tinha feito, ao silêncio. Para quando as críticas da direita parlamentar a estes dois cobardes que fugiram ao confronto de ideias e se resguardaram para considerações finais no segundo dia?

Devolução sobretaxa de IRS: O que disse Passos Coelho na campanha eleitoral

Ouvir ao minuto 10:00:

Num almoço comício da coligação PSD/CDS-PP em Guimarães, Pedro Passos Coelho, (…) dirigiu-se aos contribuintes que “fizeram realmente um esforço muito grande”, e referiu-se à sobretaxa de IRS. “Assumimos este compromisso: se a receita fiscal no IVA e no IRS ficar acima do que nós projectamos, então tudo o que vier a mais será devolvido aos contribuintes. E sabemos hoje que estamos em condições em 2016 de cumprir essa norma do Orçamento e que eles irão receber uma parte importante dessa sobretaxa“, afirmou. [JN, 27/09/2015]

Preto no branco, foi uma promessa eleitoral. Portanto, ó sr. Paulo Núncio e sr.ª Cecília Meireles, olhem que ainda vos caem os dentes com a mentira descarada quando afirmam o contrário.

Aceitam-se apostas

Quanto durará o “Amigos para siempre”?

Abaixo a estabilidade governativa!

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Miguel A.Lopes,EPA

É evidente que não basta que os nossos defeitos sejam iguais aos dos outros para que sejamos melhores. Ser igual a outro que padeça dos mesmos vícios deveria ser fraco consolo, especialmente se o outro for agressivo, desonesto ou mesmo portista.

Ainda assim, não deixa de ser divertido assistir ao triste espectáculo de ouvir e ver gente como Passos Coelho e Paulo Portas a acusar outros de falta de seriedade e de desonestidade e de golpadas. É importante não esquecer, por exemplo, que Passos Coelho ganhou eleições com base em mentiras.: não ia aumentar impostos, não ia cortar salários, não ia sobrecarregar a classe média.

É igualmente tocante a enorme preocupação de Cavaco com a solidez das propostas de António Costa, já que, apesar de ser Presidente da República, conseguiu desprezar a Constituição de que deveria ser o primeiro garante, explicando que não há nada mais importante que o Orçamento de Estado. Além disso, manteve em funções um primeiro-ministro que fez exactamente o contrário do que prometeu e não tem um comentário a fazer ao facto de esse mesmo primeiro-ministro, sem surpresas, ter anunciado, antes das eleições, que devolveria 35% da sobretaxa de IRS cobrada em 2015, devolução essa reduzida a zero menos de dois meses depois. [Read more…]

Concordo.

Passos Coelho fala de uma “crise política sem precedentes”. E tem razão. É a primeira vez que perde o poder executivo.

Teatro de fantoches

fantochada

Passos e Portas consultam um batalhão de médicos que lhe confirma o diagnóstico: estão efectivamente a ser vítimas. De alucinação. Passos e Portas trocam um olhar cúmplice, gesticulam com movimentos amplos, abrem muito os olhos e saltitam duas vezes, partindo uma enorme lâmpada fundida que se formara sobre as suas cabeças. Com o susto, desatam a correr em grande algazarra e lançam-se para um lamaçal onde encontram um grupo de lesmas. Estas perguntam-lhe em uníssono: “mas, mas, mas, mas… qual é a pressa, qual é a pressa?”. Passos e Portas desenroscam e extraem as respectivas línguas, enroscando no seu lugar duas gordas e luzidias lesmas. Passos experimenta a sua, a rappar em loop: “flato lento em água mole bate mais que rock’n’roll, flato mole em água benta tanto dá que arrebenta”, enquanto Portas vai cantando, com swing: “agora não, que estou em indie gestão; agora não, que estou em indie gestão”. Nisto aparece, a arrastar-se sinuosamente, como um réptil, uma pequena banana madeirense. “É uma canção de engonhaaaaaar, tanto sono, vou dormiiiiiiiiiir, tão bela como as dentolas de uma vaquinha a sorriiiiiiiiiir”. Os médicos, que assistiram a tudo, concordam: “Meninos, afinal, a nossa Constituição é mesmo inconstitucional! Como permitiu que estes malucos sequestrassem Portugal?”. A história termina com um certo boneco do Bordalo a distribuir Pedrada e Paulada às personagens correspondentes. E aos médicos delas carenciados, folhas de beladona q.b….

“O que nós temos prometido em Portugal é o reviralho”, diz Passos

Só para lembrar:
reviralho
Registe-se a insistência na temática da ditadura.

Quem é que forma uma maioria?

Paulo Portas em 2011 procurar convencer Passos Coelho que o que importa é saber como é que se forma uma maioria.

Passos desafia Costa a ir para eleições

Que se lixem as eleições“?  Certo… Depois de resistir ao irrevogável, a presente luta é resistir à AR. Tudo, menos largar o poder.

A casinha ou a porta do cavalo?

Na SIC já se procurava um facto político. Passos Coelho saiu pela porta do cavalo. É um protesto. Afinal, se calhar, foi à casinha. Nada de mais simbólico. #diadadespedida

Passos tem mais encanto na hora da despedida

Ferreira Fernandes, como habitualmente na mouche, despede-se de Passos.

Os outros que saiam da sua zona de conforto

passos coelho abandonar o país

“O Barroso já esgotou as quotas de abandono.”

Eu, há 47 anos sem médico de família, tenho azar

«[…] e referiu que foi garantido um médico de família “a mais 650 mil portugueses”.» Ou então, é mais uma peta no Portugal que está melhor, os portugueses é que não notam.

Passos admite que crise financeira não foi paga por quem a originou

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A crise financeira de 2008

“E seriam mais uma vez os portugueses, os mais desprotegidos e mais vulneráveis, seria uma vez mais a classe média a pagar o preço, como foi pago no passado”, reconheceu Passos Coelho, o primeiro-ministro que aplicou os sofrimentos em causa, ao mesmo tempo que poupava o sector financeiro.

Economists offer numerous reasons for the crisis. The immediate cause was the burst of the housing bubble. However, there are several causes that led to this point. Some proposed causes are risky lending and investments by banks, the rapid growth of the housing bubble, and government deregulation.
From the Economist, the causes of the Financial Crisis

Anti-europeísta em que aspecto?

indexTenho um amigo que responde frequentemente aos interlocutores com um desconcertante “Em que aspecto?” Resulta sempre. Imagine-se uma ameaça de agressão física:

– Vê lá se queres levar na tromba!

– Sim, mas em que aspecto?

Também serve para responder a comunicações inócuas:

– Vou à casa de banho.

– Em que aspecto?

Como vêem, o absurdo pode ser simples e está ao alcance de todos. Fiquem à vontade para usar, porque, no mínimo, será fonte de descontracção.

O absurdo, no entanto, tem um problema: por vezes, faz sentido. Ontem, quando Cavaco Silva, espumando, acusou certos e determinados partidos de serem anti-europeístas, saiu-me um “Mas anti-europeístas em que aspecto?” E a pergunta fez sentido.

Já se sabe que a expressão faz parte de um conjunto de chavões utilizados por pessoas perigosamente destituídas, mas não é má ideia pensar um pouco mais sobre o assunto. [Read more…]