In limine

(desenho de Manel Cruz)

 Pelos caminhos de prantos e sorrisos, dentro de um tempo farto de horas sem minutos, a vida vai colhendo flores que murcham, por não serem simples flores ou flores simples, sem exigências de estufa ou jardim, flores de terra húmida, céu por cima e sol de permeio.

 Em tudo o que me é vida interfere a vergonha de ser adulto. Descortino as janelas que me disseram haver dentro dos homens e só vejo muralhas. Nada de crianças. Os homens comeram as crianças, os homens comeram-se crianças, os homens pariram-se adultos.

 Os pongídeos chegaram a homens. Quinze milhões de anos para o homem ser bicho. Bicho erecto. Rastejo de púrpura.

 Eu nasci na erva e dormi no feno, e acordei com a voz dos melros e rouxinóis e saltitei com os pardais. Vesti-me de sol e despi-me de luar. Estreei o mundo no abraço das árvores e no beijo dos rios. Meus olhos dormidos casavam a noite e o dia no mesmo silêncio de sonho-menino. A vida viveu em mim crescendo todos os tamanhos e medindo todos os céus. Também eu fui criança e matei em mim a criança que procuro, ao pensar que eram de amor as mãos que a mataram.

 Passei a vida a correr tropeçando nas sombras. Arrumei ao canto da luz mil horas vazias, sangradas a curricular futuros para ser gente na praça dos homens. Pisei os passos pequeninos nos avessos da verdade e palmilhei léguas vagarosas a tossir poeira.

 Vestido de ausências fui renascendo de amor pela vida fora, nos infinitos da fantasia que outros foram lentamente matando com fruído prazer.

A capa do «Sol» – O Sócrates devia dar uma sticada na gaja


«Dar uma sticada na gaja»?
Não me parece bem. O primeiro-ministro é um senhor comprometido, a Secretária de Estado também…

Pinto Monteiro ao Sol

Depois da Sábado, agora a suspeita apanhará Sol. E desconfio que ainda chega a Expresso.

Poemas do ser e não ser

Passei o dia a ouvir música

sempre a mesma

alternando Madredeus e Erik Satie.

Como foi possível

parecerem-me tão semelhantes?

Que percebe de sons

este monocórdico espírito?

Mas foi o mesmo

o que produziram em mim:

a sensação amarga

de ter atirado fora uma paveia de sentimentos.

Como vou misturar

é quase certo que nada existe

nada está perto nem eu estou triste

com Embryons desséchés

e Peccadilles importunes? [Read more…]

O ser e o parecer da liberdade de expressão

Parece-me incontestável que uns palermas do PS, com a complacência, a anuência, o apoio, do primeiro-ministro urdiram uma teia destinada a eliminar da comunicação social vozes dissonantes dos muitos predicados do chefe do executivo.

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Parece inegável que, além de imprudente, José Sócrates fez uma triste figura ao abordar, num restaurante cheio, responsáveis de uma estação televisiva acerca do “problema Mário Crespo”. Mais uma vez pôs-se a jeito. É repetitiva esta habilidade de se comportar como um elefante numa loja de porcelana.

É indiscutível que o chefe do Governo aldrabou o país no caso PT / TVI. A confusão entre o saber de forma oficiosa ou por via oficial não abonou a favor do primeiro-ministro. O cargo exige que nada do que lhe chegue ao conhecimento seja oficioso. Tudo o que lhe chega ao conhecimento é oficial. Ponto.

Parece-me absurdo que o país grite “censura” no caso da publicação, pelo semanário Sol, das escutas do processo “Face Oculta”, sem conhecer os fundamentos invocados na providência cautelar apresentada pelo agora famoso administrador da PT.

Parece-me absurdo que se fale em censura e “algo nunca visto em Portugal desde o 25 de Abril” quando, em diversos jornais, revistas, estações de rádio e televisão, Manuela Moura Guedes, por exemplo, tenha possibilidade de dizer e repetir que há censura em Portugal.

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O Sol em formato pdf

O Sol quando nasce que seja para todos.

As primeiras 7 páginas da tal edição. http://d1.scribdassets.com/ScribdViewer.swf

Crónicas de um governo sem receio que já  levam um granadeiro a sentir-se encornado.

Diana ou Filipe – o «Sol» sabe quem vai ganhar os Ídolos


O «Sol» sabe, através de escutas feitas a funcionários de «call center», quem vai ganhar os «Idolos» no próximo Domingo. José António Saraiva e Felícia Cabrita já estão a preparar uma edição extra para amanhã.
Meus senhores: ganhe a Sofia, ganhe o Filipe, ganhe o raio que os parta. Mas ganhe alguém e acabem de vez com isso. Já não posso ouvir falar da porcaria dos «Ídolos». Foda-se!
Eh já agora, a família da Sofia podia parar de telefonar aos milhares para os «call center», porque ganhar assim não é justo. Como diz um dos seus familiares no Facebook, Tiago Mendes», «Famíla. Vou-me ausentar. Logo à tarde regresso. Mas não parem de votar, porque eu também não paro. 760 300 507.»
Se é que percebem o que eu estou a dizer…

O Novo Pastorzinho

Minha Nossa Senhora, isto está complicado, ajudai-me e dai-me mais um ou dois apêndices não segmentados, geralmente flexíveis para resolver de vez estas chatices.

Como sabeis, minha Nossa Senhora, tudo isto não passa de uma cabala contra mim. São tudo mentiras ditas por meia dúzia de garotos!

Vá lá, ajudai-me, safai-me desta que eu prometo não falar mais ao telemóvel.

Ao nascer, o Sol também deveria ser para mim, mas não desta maneira.

Polvo seco ao Sol

Preparação:

Sova-se o polvo para amolecer,

escala-se,

passa-se por salmoura e seca-se ao sol.

Mais escutas do «Sol» (II)

continuação daqui

TRANSCRIÇÃO DAS ESCUTAS REVELADAS NA EDIÇÃO DE 12 DE FEVEREIRO DO «SOL»

[Vê se podes] «dar um pontapé para cima em relação ao Paulo Fernandes, porque a CGD borregou um bocado. Está previsto uma compra da parte dele da informação pela empresa do Nuno Vasconcelos com conhecimento do amigo do Vara, ou melhor, por indução do amigo.» (Fernando Soares Carneiro, representante do Estado na PT, para Armando Vara).

– «Por indução de cima foi acordado que se tentaria comprar o Correio da Manhã ou mesmo a Cofina e que isso foi colocado na empresa [PT] como objectivo». (Fernando Soares Carneiro para Armando Vara)

– «Quem falou foi do gabinete do amigo de Vara lá de cima.» (Armando Vara para Fernando Soares Carneiro sobre se já tinham falado com um administrador da Caixa Geral de Depósitos)

– «Já começaram as negociações, a Caixa não está a ajudar e esse assunto foi comunicado a quem de direito e que queria alguma pressão a alguém de cima.» (Fernando Soares Carneiro para Armando Vara) [Read more…]

Todas as escutas do «Sol» (I)

TRANSCRIÇÃO DAS ESCUTAS PUBLICADAS NA EDIÇÃO DE 12 DE FEVEREIRO

«- Não querendo fazer perguntas inconvenientes, só uma questãozinha: o Henrique [Granadeiro] chegou a ir lá?
– Esse é o problema… Não estou a pedir para o receber. Ele recebeu-o sozinho e isso já está em todos os jornais. Lembras-te da minha conversa com ele. Foi o Henrique que o deu à morte.» (Paulo Penedos e Ruii Pedro Soares)

– «O Henrique já disse à Lusa que não falou com o Governo.» (Paulo Penedos para Rui Pedro Soares)

– «[Liguei-lhe] 5 vezes e exigi que ele falasse com o chefe, que já estava aos berros.» (João Carlos Silva para Paulo Penedos)

– «Então são vocês que recebem ordens para fazer, mas recebem ordens para desfazer?»
— «Sócrates não se quer ver embrulhado numa guerra… isto tinha um tempo para se fazer, agora…,» (João Carlos Silva para Paulo Penedos)

– «A senhora vai ficar lá devidamente espaldada. Ninguém lhe toca, ninguém lhe chega. Iam ter de trucidar tudo e todos.» (Joaquim Oliveira para Armando Vaqra sobre o que Júlio Magalhães lhe terá dito sobre Manuela Moura Guedes)

– «Tenham cuidado com as perguntas que andam a fazer!» (Joaquim Oliveira para José Leite Pereira sobre jornalistas novos que andam a investigar o fim do Jornal de Sexta da TVI)

continua aqui

Ver mais notícias sobre o caso aqui, aqui e aqui.

Eis a primeira página do «Sol» de amanhã


Ver mais aqui, aqui e aqui.

O Polvo

O polvo é um ser dotado da capacidade de camuflagem

…da classe Cephalopoda e da ordem Octopoda, que significa “oito pés”. Possuem oito braços com fortes ventosas dispostos à volta da boca. Como o resto dos cefalópodes, o polvo tem um corpo mole mas não tem esqueleto interno…

leia-se coluna vertebral.

Compramos o "POLVO" e lemos o "SOL"

Uma das estratégias para evitar as acções cautelares é mudar o nome do objecto “acautelado”!

Por exemplo, o tribunal determina uma “accção cautelar” sobre um restaurante, e quando a polícia lá chega o restaurante que se chamava “Rui Pedro” passou a chamar-se “Soares”. Tudo volta ao princípio.

O “SOL”, que naturalmente sabia que seria objecto de uma acção destas, acautelou o assunto e vai usar um dos títulos de que é proprietário. O mais apropriado é o “POLVO”!

E não se esqueçam que o AVENTAR tem um homem em África num dos territórios onde o SOL se publica e onde os tribunais portugueses não têm qualquer poder!

A capa do «Sol» em exclusivo no Aventar


Enquanto isso, continuamos sem saber se a maior acção de censura que já se viu depois do 25 de Abril vai ter êxito ou não

O "SOL" (a)brilhará!

Trinta anos depois aí está novamente a censura como forma de esconder a verdade e de negar aos cidadãos o direito à informação. Porque o que está em jogo não é o segredo de justiça, como nos querem fazer crer, mas sim escutas que foram consideradas por dois magistrados de Aveiro ” revelar um crime contra o Estado através do controlo de orgãos de comunicação social”!

Os socialistas, que são useiros e vezeiros em atingir adversários políticos com todo o tipo de mentiras, fazendo publicar em certos jornais difamações e suspeições nunca confirmadas, aparecem agora como virgens ofendidas. O que está em causa são conversas entre o Primeiro ministro José Sócrates e o Sr. Dr. Administrador Rui Pedro Mendes que com 36 anos é administrador de uma das maiores empresas do país, cotada na Bolsa de NY, sem que se saiba que currículo abona a seu favor a não ser o facto de ser amigo do Sr. Sócrates!                                                                                                                                                     O “Sol” disse-o na última sexta-feira e isso fez soar o verdadeiro caracter desta gente ! Liberdade sim, mas há que defender este povo mentalmente fraco de notícias que não compreende. O mesmo argumento de Salazar!

Agora levaram-me a mim e, quando percebi, já era tarde*

«Primeiro levaram os comunistas, mas eu não me importei, porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários, mas a mim isso não me afectou, porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas, mas eu não me incomodei, porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir, chegou a vez dos padres, mas como eu não sou religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim e, quando percebi, já era tarde.»

Bertolt Brecht

* Este «post» é dedicado a José António Saraiva, Felícia Cabrita e Ana Paula Azevedo.

Rui Pedro Soares

É uma vergonha, anda um gajo a fazer o trabalhinho sujo do chefe e apenas recebe 16 vezes mais que o chefe? Que maldade!

Um tipo fica com a vida num frangalho aos 36 anos, com a fronha espetada em tudo quanto é jornal, blogue e site por meros 2,5 milhões/ano. Mas onde estamos?

Coitadinho. Os trabalhadores da Função Pública na manifestação vão, certamente, ser solidários com este rapaz, o bom samaritano do Rui Pedro Soares

Faltam 428 dias para o Fim do Mundo…

…Mas ontem esteve para ser já, já. Estivemos em baixo quase duas horas em mais um sério aviso – sempre que o Aventar explode em visitas a coisa fica preta. Felizmente, entre mortos e feridos (diga-se: postas perdidas) lá escapamos e continuamos em contagem decrescente.

Em Benavente apareceram OVNIs. Erro, é um objecto perfeitamente identificado: o 5º candidato à liderança do PSD!

Enquanto Sócrates puxa por Rangel, supostamente o seu candidato preferido, a sua tropa de choque luta pela total censura dos temas incómodos. Só falta calar a blogosfera nacional. É já a seguir…

Jornalismo de buraco de fechadura? Excelente!

José António Saraiva diz e diz muito bem. «O grande jornalismo é aquele que vai aos bastidores, que vai atrás da cortina ou do buraco da fechadura. O trabalho jornalístico que verdadeiramente enobrece a imprensa é aquele que consegue desmontar e pôr a nu as coisas que o poder político, económico, judicial ou religioso pretendiam manter escondidas e camufladas e denunciar determinadas actuações ilegítimas do poder, e em que há notória cumplicidade do poder judicial» (via Desabrantizante)
E não venham os moralistas de pacotilha, que sopram para o lado que lhes convém, falar de privacidade e de intimidade. Quem está a cometer um crime não tem direito à privacidade.
Se os jornalistas espreitassem pelo buraco da fechadura para saber quem é a nova namorada de José Sócrates, os defensores do primeiro-ministro teriam toda a razão.
Agora, se os jornalistas espreitam pelo buraco da fechadura para saber se José Sócrates tentou dominar a comunicação social em vésperas de eleições, então não têm razão nenhuma. Porque para os criminosos não há direito à intimidade.

Rapidinhas Aventar #2:

Ok, se estas escutas não são as que foram destinadas a ser destruídas, é só esperar pela próxima edição do Sol para pasmar a ler as ditas…

Hoje fui matar saudades ao Twitter…

…e deu nisto:

lpedromachado: Há tempos,umas virgens queriam a demissão do PR por suspeita de baixa intriga política. O Sol mostra q o PM é criminoso. Onde estão elas agora?

e igualmente nisto:

Mesquita Machado afirma que Ricardo Costa, actual Presidente da Comissão Disciplinar da Liga de Clubes, é “O homem de mão do Benfica. Isso não deixa qualquer tipo de dúvidas a ninguém”, naquele orgão da justiça desportiva.

O SOL …quando nasce é para todos:

A publicação de escutas está na moda:

Um filme sem Sol

Este AntiCrist é um filme que coloca o realizador perante os seus fantasmas. Só podia ser realizado por alguem que vive na penumbra, em regiões onde a luz é sempre escassa, vidas vividas para dentro de si mesmas, não há ponta de esperança e muito menos de alegria.

É uma dor que se compraz a si mesma, sem justificação, sem utilidade, sem refúgio. De degrau em degrau, a culpa leva-o ao inferno, à insanidade.

Afinal pode-se viver sem sermos responsáveis pelos nossos actos ? A memória é o drama do ser humano , mas é tambem o que lhe permite ser mais digno e melhor. . O limite é não sermos capazes de viver com o nosso passado!

Este filme mostra essa verdade, a que não podemos fugir, de uma forma muito dolorosa…

O meu primeiro quadro de 2010

                          (adão cruz)

(adão cruz)

Este é o meu primeiro quadro de 2010. Já não pintava há un meses, depois da minha última exposição. Dedico-o ao amigo Luis Moreira, que não indo muito à minha “liturgia” de pensamento, é, tanto quanto me parece, um ser humano de excelência.
Quando escrevemos um poema ou pintamos um quadro, fazêmo-lo, convencidos de que vai nascer uma obra-prima. Não nasce, nunca nasce a obra-prima que sonhamos. Da próxima vez, sim, chegaremos à obra-prima. Mas a próxima vez nunca é a vez da obra-prima. Há-de ser outra, provavelmente aquela que fica para lá do pensamento.
O quadro mais lindo da minha vida ainda não nasceu. O poema mais lindo da minha vida ainda não nasceu. Eles estão dentro de mim mas não têm asas nem olhos nem sentimento.
Vagueiam no deserto entre as dunas e o sol como um grão de areia ao sabor do vento.
Ninguém os conhece, nem eu, amputados e ateus, assilabados na amargura, escondidos na sombra da ternura que passa ao lado, sem olhos, nem asas nem sentimento.
Que os leve o vento para além do deserto. Que me reste a saudade de por aqui terem passado tão perto.

O meu inverno

Vive-se permanentemente à espera do verão!

José António Saraiva ao CM – é isto que entope o PGR ?

"Não falimos por um milagre"

 

  José António Saraiva, director do semanário ‘Sol’, revela ao CM que o

  Governo o pressionou para não publicar notícias do Freeport e que

  depois passou aos investidores.

 

  Correio da Manhã – O ‘Sol’ foi coagido pelo Governo para não publicar

  notícias do Freeport?

 

  José António Saraiva – Recebemos dois telefonemas, por parte de

  pessoas próximas do primeiro-ministro, dizendo que se não

  publicássemos notícias sobre o Freeport os nossos problemas se

  resolviam.

 

  – Que problemas?

 

  – Estávamos em ruptura de tesouraria, e o BCP, que era nosso sócio, já

  tinha dito que não metia lá mais um tostão. Estávamos em risco de não

  pagar ordenados. Mas dissemos que não, e publicámos as notícias do

  Freeport. Efectivamente uma linha de crédito que tínhamos no BCP foi

  interrompida.

 

  – Depois houve mais alguma pressão política?

 

  – Sim. Entretanto tivemos propostas de investimentos angolanos, e

  quando tentámos que tudo se resolvesse, o BCP levantou problemas.

 

  – Travou o negócio?

 

  – Quando os angolanos fizeram uma proposta, dificultaram. Inclusive

  perguntaram o que é que nós quatro – eu, José António Lima, Mário

  Ramirez e Vítor Rainho – queríamos pa-ra deixar a direcção. E é quando

  a nossa advogada, Paula Teixeira da Cruz, ameaça fazer uma queixa à

  CMVM, porque achava que já havia uma pressão por parte do banco que

  era totalmente ilegítima.

  E as pressões acabaram?

 

  – Não. Aí eles passaram a fazer pressão ao outro sócio, que era o José

  Paulo Fernandes. E ainda ao Joaquim Coimbra. Não falimos por um

  milagre. E, finalmente, quando os angolanos fizeram uma proposta

  irrecusável e encostaram o BCP à parede, eles desistiram.

 

  – Foi um processo longo…

 

   Foi um processo que se prolongou por três ou quatro meses. O BCP,

  quase ironicamente, perguntava: "Então como é que tiveram dinheiro

  para pagar os salários?" Eles quase que tinham vontade que entrássemos

  em ruptura financeira. Na altura quem tinha o dossiê do ‘Sol’ era o

  Armando Vara, e nós tínhamos a noção de que ele estava em contacto com

  o primeiro-ministro. Portanto, eram ordens directas.

 

  – Do primeiro-ministro?

 

  – Não temos dúvida. Aliás, neste processo ‘Face Oculta’ deve haver

  conversas entre alguns dos nossos sócios, designadamente entre Joaquim

  Coimbra e Armando Vara.

 

  – Houve então uma tentativa de ataque à liberdade de imprensa?

 

  – Houve uma tentativa óbvia de estrangulamento financeiro. Repare–se

 que a Controlinveste tem uma grande dívida do BCP, e portanto aí o

  controlo é fácil. À TVI sabemos o que aconteceu e ao ‘Diário

  Económico’ quando foi comprado pela Ongoing – houve uma mudança de

  orientação. Há de facto uma estratégia do Governo no sentido de

  condicionar a informação. Já não é especulação, é puramente objectiva.

  E no processo ‘Face Oculta’, tanto quanto sabemos, as conversas entre

  o engº Sócrates e Vara são bastante elucidativas sobre disso.

 

  – Os partidos já reagiram e a ERC vai ter de se pronunciar. Qual é a

  sua posição?

 

  – Estou disponível para colaborar.

 

 

Recebido por mail

 

 

 

 

Amordaçar os jornais…

Na Sábado desta última 5 ª feira, vem um texto sobre a publicidade colocada e paga em diversos jornais pelas empresas controladas pelo governo.

 

"Quando o jornal SOL publicou a primeira notícia a revelar a existência de uma investigação britânica ao caso Freeport, em Janeiro de 2009, um dos directores do semanário recebeu um telefonema que podia livrar o jornal da falência….

 

O jornal preparava a segunda notícia com o DVD que refria o nome Sócrates.O telefonema pretendia travar a notícia.

 

" Uma pessoa do círculo próximo do primeiro-ministro e que conhecia muito bem a situação do jornal e a nossa relação com o banco BCP disse-nos que os nossos problemas ficariam resolvidos se não publicássemos a segunda notícia do Freeport" assume à Sábado o director do SOL José António Saraiva.

 

"É evidente que Armando Vara era a pessoa que tinha o pelouro do SOL no BCP e que todos os assuntos relacionados com o SOL passavam directamente por ele, e isso nós sabíamos! acrescenta José António Saraiva.

 

Há mais. Vem nas páginas 75,76 e 77.

Armando Vara era a pessoa que tinha o pelouro do Sol

“Uma pessoa do círculo próximo do primeiro-ministro e que conhecia muito bem a situação do jornal e a nossa relação com o banco BCP disse-nos que os nossos problemas ficariam resolvidos se não publicássemos a segunda notícia do Freeport”, assume à SÁBADO o director do Sol, José António Saraiva – não revelando, porém, a identidade do autor da proposta. “É evidente que Armando Vara era a pessoa que tinha o pelouro do Sol no BCP e que todos os assuntos relacionados com o Sol passavam directamente por ele, e isso nós sabíamos”, acrescenta José António Saraiva.

 

Na Sábado, via Facebook

 

É por estas e por outras que a dimensão jurídica destes casos, onde ganham a vida os melhores advogados portugueses, tem pouca ou nenhuma importância. É por estas que as fugas de informação e violações do segredo de justiça valem mais  do que os processos em tribunal. É pelas outras que o estado de direito me dá vontade de rir, embora fosse mais apropriado chorar.

 E isto não é de hoje, tem exactamente a idade do estado de direito, e não sei porquê mas faz-me sempre lembrar esse grande mestre de seu nome Mário Soares.