O futuro do PS

Medina é apoiado pela corda Maçónica lisboeta, vendida e estrangeirada. É necessário derrotá-lo politicamente. Não estritamente por ser apoiado pela corda Maçónica lisboeta, vendida e estrangeirada, mas por ser nulo. Absolutamente nulo. E pernicioso por isso.

Medina não defenderá Portugal.

Este sujeito

Observador

Já percebeu como é que lhe vão aumum terço do empréstimo da troika foi parar à banentar o IRS?

by José Manuel Fernandes / Hoje, 00:21

Entre aumentos do IRS “para os ricos” (vulgo classe média) e mais impostos politicamente correctos, o futuro do nosso socialismo é o de todos os socialismos: durar até acabar com o dinheiro dos outros

Não merece respeito quem a ele não se dá. O artigo deste sujeito pinta um cenário onde os impostos aumentam por causa de um suposto socialismo. Mas a realidade é que, até agora, um terço do empréstimo da “troika” foi parar à banca. Chamar socialismo a isto equivale a insultar a inteligência de quem o leia.

Não é voz isolada, contudo. O seu jornal até publicou um tira teimas onde quase se conclui que foi bom negócio enterrar dinheiro na banca. E nem refere, nesse “estudo”, porque razão a CGD tem precisado de injecções de capital – precisamente, ter que emprestar dinheiro aos outros bancos.

O dinheiro dos outros tem tido um destino bem específico e José Manuel Fernandes faria melhor figura se se limitasse ao papel de jornalista.

[editado]

A música portuguesa ficou hoje mais pobre…

José Mário Branco foi um músico excepcional.
R.I.P.

Os anos excepcionais

La palabra “jubileo” proviene del término hebreo “yobel”que era el cuerno de cordero que anunciaba a los judíos el comienzo de un año excepcional dedicado a Dios.

González, González & Brunner

Como se mencionó en el primer informe, 1998 fue un año excepcional para la construcción naval en el mundo, ya que la crisis financiera de Corea del Sur bloqueó la producción y la aceptación de pedidos en Corea.

Comissão Europeia

O respeitinho é muito lindo e nós somos um povo de respeito, né filho?

José Mário Branco (1942-2019), “FMI” [“por determinação expressa do autor, fica proibida a audição pública parcial ou total desta obra“]

***

De facto, os fatos do Diário da República vieram para ficar.

Embora hoje não haja contatos no sítio do costume, podemos sempre contar com a colaboração desse maravilhoso espaço de resistência silenciosa cercado por liberdade de expressão (os meus agradecimentos ao muito atento e excelente leitor do costume): [Read more…]

O grande demagogo

É preciso evitar que este demagogo chegue a Secretário-Geral.

A primeira fila

A primeira fila do grupo parlamentar do PS é pungente. Não admira que tenham medo do Dr. Ventura.

Assembleia (in)útil

[Francisco Salvador Figueiredo]

 

Na última semana, na Assembleia da República, foi rejeitado o voto de congratulação da Iniciativa Liberal pela aprovação, no Parlamento Europeu, da Resolução que condena de igual forma os regimes totalitários do fascismo e do comunismo. Não vale a pena declarar a minha opinião, pois ela é óbvia. A partir do momento que é totalitário e retira a liberdade às pessoas é igualmente mau. E aqui não importa se o comunismo matou mais ou os nazis mataram assim e assim. O que importa é a atitude e a motivação. Não se trata de um número, mas sim de uma forma de pensar. Se eu entrar numa confeitaria e roubar 5 pães, mas outro roubar 7 pães, isso não faz de mim melhor ou pior. A atitude de ambos está errada.

Agora vamos falar do assunto tendo em conta os nossos interesses como país. A Iniciativa Liberal entrou muito bem, com uma ótima proposta e que se revelará na vida dos portugueses. Seguem-se 3 pontos das vantagens desta proposta:

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Deixem as crianças em paz

V

Recorte: Visão, via Uma Página Numa Rede Social

Depois de meses (anos?) de furiosa perseguição de uma certa direita a qualquer tipo de iniciativa relacionada com igualdade de género nos recintos escolares, que, asseguram, estão tomados pelo marxismo cultural – o que me leva a crer que esta nova direita vive fechada numa bolha na capital, sem nunca ter colocado os pés numa escola do norte do pais, privada ou pública, onde a ligação com a igreja, directa e indirecta, é a regra, não a excepção – eis que nos deparamos com um episódio peculiar.

Uma reportagem da jornalista Teresa Campos, publicada ontem na revista Visão, conta-nos a história de Sónia Alves, mãe de uma criança de seis anos que frequenta uma escola pública no concelho do Seixal, onde as visitas de um padre, para falar com os alunos, durante o período lectivo, são normais. Numa dessas visitas, o referido padre terá dito aos alunos, crianças de seis anos de idade, que quem não frequenta a cataquese irá para o Inferno quando morrer. [Read more…]

Lítio do bom

 

 

“O padre insiste em entrar na sala de aula do meu filho e é o miúdo que tem de sair”

ou então é marxismo cultural.

Ainda sobre a Websummit

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Foto via Diário de Notícias Madeira

Há quem defenda que o governo não deve injectar dinheiros públicos na Websummit. Eu sou uma dessas pessoas. Tirando estes 11 milhões de “detalhes”, confesso que não percebo o sentimento anti-Websummit de alguns portugueses. Trata-se de um evento de escala global, que atrai investidores e atenção internacional para o nosso país, e que, segundo a Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, levou a que os participantes no evento cá tivessem deixado qualquer coisa como 64,4 milhões de euros. Portanto quando se lê e ouve por aí que o país não ganha nada com a realização do evento, parece-me muito óbvio que tal crítica parte de um pressuposto falso. Sim, o país ganha com a realização da Websummit. Gostemos ou não dela. [Read more…]

Hong Kong

Que grande aula de Civilização está a ser dada em Hong Kong.

O fato das alianças, a persistência dos contatos e o massacre contínuo

MAÎTRE DE PHILOSOPHIE. La voix U se forme en rapprochant les dents sans les joindre entièrement, et allongeant les deux lèvres en dehors, les approchant aussi l’une de l’autre sans les joindre tout à fait : U.

MONSIEUR JOURDAIN. Il, U. il n’y a rien de plus véritable : U.

MAÎTRE DE PHILOSOPHIE. Vos deux lèvres s’allongent comme si vous faisiez la moue : d’où vient que si vous la voulez faire à quelqu’un, et vous moquer de lui, vous ne sauriez lui dire que : U.

— Molière, “Le Bourgeois gentilhomme

Considering that the sound /y/ is absent from the vowel space of the subjects in the present study, both at the phonemic and allophonic levels, and consequently that /u/ varies freely, beginner L1 American English learners of L2 French should have difficulty establishing contrastive phonemic categories for /y/ and /u/.

Ruellot

Specifically, the study focused on production by native English speakers of the French vowels /u/ and /y/. French /u/ is realized with variants that are similar, yet acoustically non-identical, to the realizations of the /u/ category of English. French /y/, on the other hand, does not correspond directly to an English vowel, and can therefore be regarded as a new sound for English native speakers who learn French as an L2.

Flege

***

Há um importante aspecto — com <c>, que em português do Brasil ilustra /k/ e em português europeu fixa o /ɛ/, impedindo um /ɛ/→[e] (cf. ‘espeto’) — a ter em mente, ao reflectirmos — também com <c>, que ilustra o /k/ subjacente e fixa igualmente o /ɛ/, evitando-se /ɛ/→[ɨ] (cf.repetirmos‘) — sobre a recorrência de grafias como aquela ali à esquerda:

Agora, de forma escorreita.

Há um importante aspecto a ter em mente, [Read more…]

A vida humana

Conheci a história do infame Dr. Petiot através de uma obra do historiador David King, que tem explorado de forma mais ou menos ligeira casos reais da Europa das décadas de 1930-1950. Marcel Petiot foi um médico que, durante a II Guerra Mundial, assassinou cerca de 60 pessoas, em Paris. Um assassino em série cujo número exacto de vítimas nunca foi estabelecido e que confessou não saber ao certo quantos tinham sido.

Com o nome de código de “Dr. Eugéne”, prometia ajudar a fugir de Paris todos os perseguidos pela Gestapo e pelo governo de Vichy, fazendo-os chegar até Espanha, daí a Portugal e, finalmente, de barco até à Argentina. Na realidade, recebia os honorários por este serviço e assassinava os seus clientes, desfazendo-se depois dos corpos num poço de cal, esquartejando-os e queimando os restos numa salamandra. Como as vítimas sabiam que não regressariam a Paris, levavam consigo na bagagem (e até escondidos no forro das roupas) maços de nota, jóias, todos os valores que podiam transportar. Em pouco anos, Petiot acumulou uma fortuna. [Read more…]

O Acordo Ortográfico da Relógio D’Água

Numa passagem por uma livraria, peguei em Pensar Sem Corrimão, de Hannah Arendt, e, como de costume, passei os olhos pela ficha técnica, em busca, também, da opção ortográfica. Pude ler o que se segue:

Espreitei a última página e encontrei isto:

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Podemos começar primeiro pelos rendimentos?

A manha é conhecida: arranjar desculpas para aumentar os impostos. Mas se é para comparar, comecemos pelo outro lado, o dos rendimentos. Ou a hipocrisia não o permite? A pergunta é retórica.

Ainda o Prós e Contras sobre violência na escola

Republica-se aqui a resposta que o Rui Correia deu a um texto publicado na Visão: Testemunho de uma professora: o rei vai nu.

 [Rui Correia]

O professor do ano disse no prós e contras da rtp que nunca mandou nenhum aluno para a rua, em trinta anos de aulas. Ora, esse professor sou eu. E esse professor, quer se queira, quer não se queira, nunca mandou nenhum aluno para a rua. O alvoroço provocado em algumas pessoas, e a que esta revista deu espaço, por ter tido o topete de confessar publicamente um dado que para mim é “concreto e definido, como outra coisa qualquer” da minha vida profissional, gerou em mim uma atenção que não esperava. O programa era sobre violência na escola. E foi-o realmente, com dois colegas que haviam sido agredidos a expor-se publicamente, o que para mim, que os não conhecia, revelou uma amplitude de alma e nobreza de carácter que nem sei como enaltecer devidamente. Misturou-se em vários momentos , entretanto, alhos e bugalhos, indisciplina, faltas de educação, violência, enfim, o normal em situações onde se abordam temas com tanta capilaridade semântica como, de resto, havia sido abertamente expresso no princípio do programa.

Percebendo, com o decorrer das intervenções, que se estava a estabelecer uma espécie de percepção a preto e branco pela qual os professores são meros mártires nas mãos de garotelhos delinquentes e violentos que, todo o professor o sabe, se passeiam, imperturbáveis, por muitas escolas deste país, tornou-se-me poderoso o imperativo de nunca admitir ceder esse poder a esses mesmos fedelhos e contribuir dessa forma clássica para a irrisão da autoridade do professor, da escola, da cultura.

Acredito, como muitos outros professores que, no momento em que baixemos essa guarda, toda a indulgente autoridade da escola e da cultura se desvanecem. Docentes e não docentes não podem deixar-se cair na armadilha da prédica do desgraçado. E protestar a sua “dignidade” não passa por exorbitar realidades nem por esconder o óbvio, pelo simples facto de que a violência acontece. E isto nunca irá significar, arengue-se o que se quiser, uma qualquer reserva na afirmação da náusea que todos sentimos por qualquer acto violento dentro ou fora do espaço escolar e a total e inequívoca solidariedade por todos quantos dela amargam. [Read more…]

Que ele experimente fazer um desses “erros” no Texas

O CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, está muito arrependido pelo que anteriormente disse. Especialmente agora que não é apenas o jornalista a contradizê-lo durante a entrevista. Está muito triste por ter chamado ao assassinato e desmembramento do jornalista Jamal Kashoggi um simples “erro” que deve ser perdoado, tal como com os erros da própria Uber – como por exemplo, no caso de um atropelamento, onde um carro autónomo desta empresa matou uma pessoa (o peão).

Fica aqui uma tradução livre de um trecho do artigo original.

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Como por encantamento

La Belle et la Bête, Jean Cocteau (1946)

A comunicação digital dos objectos com a internet, que permite que estes possam recolher e transmitir dados – a chamada “internet das coisas” – faz lembrar o castelo do Monstro, cujos portões e portas se abriam sozinhos, e em que os candelabros pairavam no ar sem que alguém os sustivesse, e um espelho permitia ver tudo o que se desejasse, por mais longínquo. Tudo isto era possível porque o castelo do Monstro, como a Bela viria a descobrir, estava sob um poderoso encantamento. Uma vez declarado o amor da Bela pelo Monstro, porém, o encantamento desfez-se, pondo fim à bizarria e inaugurando uma era de felicidade monótona. [Read more…]

Grey New Deal

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Só lhe faltava ser feminista, de esquerda e homossexual

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Chama-se Shafik Mohamed, fala português melhor que muitos puros lusitanos e esteve na Websummit a apresentar uma aplicação para medir a pegada ecológica do utilizador, com selo 100% made in Portugal. Um empreendedor árabe, na Websummit, a apresentar uma aplicação da fabrico nacional que apela indirectamente à consciência de cada um para combater as alterações climáticas. Tenho sérias dúvidas que haja em Portugal uma mistura tão explosiva, com igual potencial para irritar a enraivecida e acéfala turba venturo-bolsonarista. Só lhe faltava ser feminista, de esquerda e homossexual.

Não é *Diretivo,

Expresso. É Directivo. O respeito – e não o respeitinho pelas instruções do poder político – é muito bonito.

O corporativismo impune

[Marco Faria]

Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Zaleucus_-_Louvre_-_D111125.jpg

Várias vezes defendi as acções de agentes da autoridade. Sobre a sentença do Tribunal de Guimarães ontem proferida, tenho de discordar não só do acórdão, mas também do silêncio concertado dos agentes da PSP em fase de julgamento.
“Mais vale absolver do que condenar nessa dúvida”. Os magistrados do Tribunal de Guimarães decidiram com base neste motivo absolver os agentes da PSP que espancaram um adepto do Boavista em 3 de Outubro de 2014. Não podendo apurar os verdadeiros autores – 3 dos 11 elementos, curiosamente do tamanho de uma equipa de futebol! – então deveriam ter condenado os 11 réus. Todos. Três dos agentes empurraram, agrediram com joelhadas, socos, pontapés, cotoveladas e bastonadas até a vítima perder os sentidos. A desproporcionalidade é clara e notória. Cinco longos anos depois, faltou o essencial: a punição.
A decisão do colectivo de juízes é contraditória, incompreensível e inaceitável, apesar de os magistrados darem como provadas as agressões físicas. No fundo, há crimes, há uma vítima, só se desconhecem quem foram os autores dos factos, os agressores.

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Os factos de Câncio e os fatos da CMTV

Avec ses quatre dromadaires
Don Pedro d’Alfaroubeira
Courut le monde et l’admira.
Il fit ce que je voudrais faire
Si j’avais quatre dromadaires.

— Apollinaire, “Le Dromadaire

Sedulo curavi, humanas actiones non ridere, non lugere, neque detestari, sed intelligere.

Espinosa

Woah oh oh oh oh oh oh oh.

Ian Astbury

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Convém sempre lembrar que nem só de fatos se vive no Diário da República:

Seja como for, de fatos efectivamente muito se vive, no Diário da República em particular e na realidade (orto)gráfica portuguesa europeia em geral, desde Janeiro de 2012.

Eis um exemplo, no Diário da República de hoje:

Quanto à realidade (orto)gráfica portuguesa europeia em geral, peguemos na nossa fidelíssima lupa e debrucemo-nos sobre um episódio extremamente interessante. Ao contrário do excelente Público, que traduziuperspectiva‘, para a nossa correcta interpretação da *perspetiva de Daniel Oliveira, a CMTV deturpou factos, indicando fatos,

quando Fernanda Câncio claramente não se refere aos fatos “de roupa” espalhados por Santana Lopes.

Apresentado este meu pequeno relatório, resta-me desejar-vos um óptimo fim-de-semana.

***

Apologia do Voluntariado

O voluntariado, assim como o serviço pro bono, destina-se, geralmente, a prestar ajuda aos necessitados ou a causas frágeis que sem esse auxílio encontrariam inultrapassáveis dificuldades de sobrevivência. É o caso de uma grande parte das “startups” da Web Summit, as quais nascem quase todas de cesariana e com malformações congénitas e desaparecem ao fim de alguns meses em funerais invisíveis.
Por artes misteriosas de metempsicose e transmigração aparecem na Web Summit seguinte com nova “app” andróide revolucionária, daquelas que provam que a água é molhada ou fazem disparar um alarme no smartphone a avisar que é hora de cortar as unhas ou passear o cão.
Acometidas de fatal sucesso, tombam outra vez mortas.
O ciclo, ou melhor dito, o Circo, repete-se em rotina algorítmica. O Estado apõe a sua chancela em camisolas de 800 euros que um “bate-punho” internacional manda urdir no Vietname. Chamam-lhe “futuro”, mas não é.
O futuro pertence ao Deus parido na calçada e salvo do contentor do lixo por um empreendedor de rua que lá tentava matar a fome.

Tolentino será Papa

Pedro Bingre do Amaral fez ontem um esforço tremendo, nas declarações que proferiu pelo Canal 2, para evitar dar razão póstuma e apócrifa a Angela Merkel, Passos Coelho e Vítor Gaspar. E, já agora, a António Costa.
É verdade que usou o termo “frugalidade” em vez de “austeridade”, precisão linguística com que procurou contornar o determinismo escatológico e judaico-cristão da Goldman Sachs, inflectindo para uma epistemologia neo-budista, com crescente aceitação, aliás, entre os filhos da encriptação dos dados com que Deus, segundo dizem, nunca jogou.

Concluiu, sem surpresa ou desilusão, que os pobres devem manter-se assim, pobres. E que o seu número deve diminuir por via do controlo vital, ou seja, esperando que os que existem morram e impedindo que, antes disso, se reproduzam. Nem que para tal seja forçoso vaciná-los contra o bicho mau.

Não é certo que não tenha razão.
Não se percebe, aliás, nada disto.

Entretanto a vida, essa brutalidade carbónica, emergiu em Lisboa de um caixote do lixo pelas mãos, precisamente, de um frugal.
Tolentino será Papa.

Não é tarde para um obrigado

[Francisco Salvador Figueiredo]

Penso que num país em que tudo é demorado, me vão perdoar um pequeno atraso em relação ao assunto que abordarei. Hoje, irei debruçar-me principalmente sobre a estreia de três partidos na Assembleia da República. Temos um partido extremista, o Chega e a Iniciativa Liberal. Ah, o partido extremista é, obviamente, o Livre.

Mas antes de tudo, comecemos pelos partidos do costume. Temos um PS a repetir a mesma estratégia, só que com mais gente ainda. O PS faz lembrar aquelas crianças que irritam os pais um bocado e depois vão irritando cada vez mais para ver os limites. Neste caso, o pai é o povo português. Um pai demasiado passivo, diga-se.

Agora, tempo para elogiar uma nova cara na Assembleia, uma verdadeira oposição ao Governo. Estamos a falar do irreverente Rui Rio, que depois de meses a fazer campanha ao PS, assumiu a presidência do PSD e tornou-se numa voz ativa contra o governo. Não gosto de Rui Rio, ideologicamente. Mas tenho de lhe tirar o chapéu. Sempre foi sensato no que disse, sempre seguiu a sua cabeça e nunca teve medo de elogiar algo por não ser do seu partido. Na Assembleia, teve uma postura exemplar, ao tocar em pontos frágeis como, por exemplo, a situação do Hospital S. João, mas mesmo assim não caiu numa tendência populista e demagógica.

O CDS? O CDS pecou pela forma que abordou estas eleições. Quis agradar a todos os lados, não assumindo uma posição de direita firme. Desta forma, perdeu votos para outros partidos de direita. Neste momento, são 5, mas continuam a ser partido do Taxi. No entanto, são aqueles para 6 pessoas. O outro lugar é para chamar a atenção do André Ventura (Chega) ou João Cotrim Figueiredo (IL). Só pode…

Bloco e CDU continuam rigorosamente na mesma, sendo que o Bloco a cada ano que passa está cada vez mais extremista e a revelar a verdadeira pele. Livre? As pessoas que votaram Livre não se podem dar por desiludidas. Queriam aquilo e assim está. Joacine continua fiel às suas ideias, não alterando a forma de estar apenas por ter sido eleita. É de louvar. Mas não é por isso que deixa de ter um discurso ressentido, fraco e inútil. O que Joacine quer não é igualdade de tratamento entre raças, mas sim transformar as raças todas iguais. Há um discurso de ódio contra os portugueses. A minha questão é: Se eu achasse que os negros são contra os brancos, porque razão eu iria para o Ruanda defender uma suposta minoria branca? Não faz sentido. Em relação à gaguez, eu não sou terapeuta, por isso a minha opinião não interessa. No entanto, Joacine faz-me lembrar aqueles jogadores de futebol que fintam meio mundo e depois falham de baliza aberta. Uma pessoa até pensa que ela pode vir a dizer algo bom, mas acaba sempre por dizer algo mal. Em relação a este assunto, a direita, mais uma vez, consegue estar mal. O que tem de ser usado como argumento não é a gaguez da Joacine, mas sim as suas propostas.

Chega. Começou por parecer um partido de extrema-direita, mas depois desta campanha já se percebeu que é uma simples direita conservadora. Não me parece que tenha uma força construtiva, mas sim uma força destrutiva. A intervenção de André Ventura na Assembleia não foi uma defesa do Chega, mas sim um roast total ao PS. Nesse aspeto, esteve bem, mas parece pouco para um Partido. [Read more…]

Os gajos do apito

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Edward Snowden, o whistleblower, foi ontem saudado por uma multidão em êxtase, na Websummit. Já Rui Pinto, o whistleblower, continua preso e enfrenta a versão mais feroz e célere da frágil justiça portuguesa. Sorte a do Snowden, que não se meteu com o Benfica ou com a Doyen, ou nem por videoconferência o deixavam entrar em Lisboa.

Mundo Web Summit

“Se acordar num colchão Casper, se fizer exercício numa Peloton antes do café da manhã, seguindo de Uber para a sua secretária na WeWork, depois se pedir DoorDash para o almoço, se apanhar um Lyft casa e se jantar através da Postmates, você interagiu com sete empresas que coletivamente vão perder quase 14 mil milhões de dólares só neste ano.”

Derek Thompson, na revista The Atlantic, sobre a estratégia das startups perderem dinheiro para ganharem cota de mercado. Dantes, chamava-se concorrência desleal a esta prática e até há leis a proibi-la. Hoje responde pelo nome de empreendedorismo. Pelo caminho, morre o tecido económico local, incapaz de concorrer com as mesmas vendas com prejuízo. Em simultâneo, desaparecm os empregos que o suportavam – ou trocando-os por relações comerciais frágeis e mais mal pagas.

Não há almoços grátis, costumam os liberais afirmar a propósito do Estado. No entanto, parecem acreditar que estes existem para o caso destas empresas. O que até é verdade, caso apenas olhemos para o imediato. Mas as borlas têm um preço a pagar, em deferido, sendo a respectiva moeda a concentração do mercado em meia dúzia de empresas, com todas as consequências que estes monopólios trarão.

É necessário um novo acordo ortográfico da língua portuguesa

MAÎTRE DE PHILOSOPHIE.- Et l’R, en portant le bout de la langue jusqu’au haut du palais ; de sorte qu’étant frôlée par l’air qui sort avec force, elle lui cède, et revient toujours au même endroit, faisant une manière de tremblement, RRA.

MONSIEUR JOURDAIN.- R, R, RA ; R, R, R, R, R, RA. Cela est vrai. Ah l’habile homme que vous êtes ! et que j’ai perdu de temps ! R, r, r, ra.

MAÎTRE DE PHILOSOPHIE.- Je vous expliquerai à fond toutes ces curiosités.

Molière, Le Bourgeois gentilhomme

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Por muito paradoxal que possa parecer a alguns distraídos, o Acordo Ortográfico de 1990 impede uma límpida leitura brasileira das polémicas portuguesas, logo, deve ser substituído. Ao ler as perspetivas de Daniel Oliveira, um falante/escrevente de português do Brasil fica obviamente escandalizado e profundamente incomodado. Valham-nos os serviços de tradução do Público. De facto. Exactamente.

Efectivamente, a necessidade de um novo instrumento ortográfico para a língua portuguesa justifica-se também por outro motivo: hoje em dia, um falante/escrevente de português europeu fica naturalmente perturbado quer perante os contatos de hoje, no sítio do costume,

quer diante disto (*):

É preciso um instrumento ortográfico que substitua o Acordo Ortográfico de 1990. Como dizia há uns tempos Michel Onfray, nada fazer quando tudo desaba é efectivamente (effectivement) contribuir para a decadência. Para evitar o desabamento e a decadência, a solução é simples: regresse-se a 1945 (pdf).

Desejo-vos uma óptima semana.

(*) Os meus agradecimentos a Manuel Monteiro.

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