Compulsões

OMS avisa que a Europa pode enfrentar uma segunda vaga letal de covid-19 a partir do Outono”

Hans Kluge recomendou que os países europeus que estão a começar a levantar as restrições de circulação e actividade económica olhem para os exemplos de Singapura e do Japão, queentenderam desde cedo que este não é o momento para celebrações, mas sim um momento para preparativos”.

Ninguém previu que esta segunda vaga surgisse tão cedo

Marcelo deu o exemplo e garante que há vacinas da gripe para todos

DGS garante que não há racionamento da vacina da gripe

DGS alerta que vacina da gripe não chegará para todos devido à elevada procura

 

É notória a tendência compulsiva que esta coligação Governo/PR tem pela mentira.

Claro está que se pode sempre contra-argumentar que todos os Governos mentem.

A questão é como essa mentira é lidada pelos instrumentos de controlo de poder e de contra-poder.

E aqui reside o maior perigo dos efeitos da mentira: a impunidade que a legitima.

Foi prometida uma vacina da gripe, que afinal não chegará sequer a todos os que fazem parte do grupo de risco. Repare-se que a DGS fala que chegará “à maioria as pessoas de grupos de risco”. Ou seja, nem sequer todos os que pertencem aos grupos de risco, serão vacinados.

E a desculpa é que houve um demanda por vacinas superior ao previsto.

Como se as mesmas, não fossem receitadas por indicações expressas da DGS e do Ministério da Saúde. Pois que não se compram vacinas, como quem compra máscaras no hiper.

Na Primavera e no Verão, não faltaram alertas sobre a necessidade de preparação para a segunda vaga que chegaria no Outono. Foi, inclusivamente pela voz de Hans Kluge que é nada mais nada menos do que o Director Regional para a Europa da OMS.

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Acabaram os Eders gordos!

Finalmente, acabou o tempo em que jogávamos à grande e à francesa e voltamos a jogar à “quase que era” e à portuguesa. Confesso, tinha saudades!

Assédio moral será abjecto ou desagradável?

Tribunal Constitucional confirma assédio moral a empregada de corticeira

 

Aguarda-se, a qualquer momento, que João Miguel Tavares (JMT) escolha o adjectivo apropriado. Será que o assédio moral a que foi sujeita Cristina Tavares poderá ser qualificado como “abjecto”? Será vil ou aborrecido? Talvez amargo, talvez desprezível. Há a possibilidade de ser asqueroso, mas JMT poderá escolher enfadonho. O patrão de Cristina Tavares, autor do assédio moral, merecerá ser considerado antipático ou infame? No máximo, será displicente, nunca ríspido.

Repelente, nojento ou horrendo? Que exagero! Isso serve apenas para a quantidade pornográfica de horas que os funcionários públicos trabalham. E pornográfico vem, aliás, a propósito: porque são os funcionários públicos que, de horário imoral em riste, andam a fornicar os trabalhadores do sector privado, jamais os autores de assédio moral.

Os patrões que cometem assédio moral, coitados, são como os violadores que, no fundo, são vítimas da própria violação: explorar empregados é uma coisa que lhes acontece – iam a passar por ali e, de repente, estavam a explorar pessoas. Os empregados, aliás, estavam mesmo a pedi-las, porque não há nada que peça mais um assédio moral do que a condição proletária. «Iam agora ser proletários e não íamos explorá-los? Até parecia mal!», declarou, à nossa reportagem, um patrão mais afável, como diria JMT.

Felizmente, segundo JMT, temos o Chega, de onde nos chegam propostas jocosas, porque os seus militantes são pessoas chistosas, trocistas, divertidas, sempre prontas a brincar com ovários e testículos, mas seriamente preocupadas com coisas importantes, úteis, necessárias, essenciais, como retirar dinheiro aos mais pobres, porque só há uma coisa mais abjecta do que um indigente, um miserável, um pedinte, um necessitado: essa coisa é o número de horas semanais de trabalho de um funcionário público.

Abjecção de consciência

“A democracia é precisamente o regime onde posições abjectas podem ser defendidas de forma legítima, da castração química de pedófilos às 35 horas de trabalho na função pública.” – João Miguel Tavares

 

Há quem use o adjectivo “genial” a propósito de tudo e, portanto, de nada. O uso excessivo desgasta qualquer material e as palavras não são excepção. Se tudo for genial, o que poderemos dizer de um génio?

João Miguel Tavares (JMT) exerce o seu direito ao uso da palavra “abjecção para classificar a proposta de castração química do Chega e do regresso a um horário de 35 horas semanais na função pública em 2015. Nada de novo: a direita, por crença ou por conveniência, segue a moda das falsas equivalências, andando numa esquizofrenia perigosa: ai, não gosto nada do Chega, mas o Chega tem os mesmos direitos que os outros, a esquerda é tão abjecta (ora cá está) como o Chega e o Chega cresce por culpa da esquerda.

Aproveitando o seu espaço no Público, JMT renova o seu direito ao uso de “abjecção” para classificar a injustiça das 35 horas semanais da administração pública, face às 40 dos privados. De qualquer modo, há mais histórias nesta história. [Read more…]

A vacina muçulmana


Os dois cientistas por trás da vacina da Pfizer são filhos de imigrantes turcos na Alemanha. Ugur Sahin e Özlem Türeci, da BioNtech, começaram a estudar o vírus ainda a Europa não sabia o que a esperava, em meados de Janeiro, e são os parceiros da farmacêutica que, aparentemente, está mais próxima de disponibilizar a tão ansiada vacina.

Sublinho a ironia de sermos “salvos” da pandemia do século por filhos de imigrantes, ainda por cima muçulmanos, enquanto outros, com menos sorte, se afogam no Mediterrâneo, numa outra pandemia sem fim. Ou são perseguidos e espancados por grupos de extrema-direita. Ou são estigmatizados e enfiados no mesmo saco que a minoria terrorista. Ou são usados como arma de arremesso por demagogos oportunistas com agendas totalitárias. Não sei quanto a vós, mas eu vi aqui um belo raio de sol neste 2020 sombrio. Quanto à extrema-direita xenófoba e racista, bem, é lidar.

Vai demorar muito, América?

and lock that thug up!

A democracia ganhou, mas não se livrou do trumpismo

Quando penso naquilo que me move, politicamente falando, a resposta é tão simples quanto a genial Sophia a colocou: movem-me os dias iniciais inteiros e limpos. Dias que fazem renascer a esperança na construção de um mundo e de um futuro um bocadinho melhor. Dias como estes. Dias em que abrimos a janela e sentimos aquela brisa boa da democracia a bater-nos nas trombas, entretanto transformadas em caras felizes, aliviadas pelo ponto final que os Estados Unidos da América decidiram colocaram na era sombria do neofascismo trumpista. Já temos problemas que cheguem no Ocidente, não precisamos de mais quatro anos desse idoso trafulha, com idade mental insuficiente para frequentar um jardim de infância.
A queda de Donald Trump é um balão de oxigénio para o mundo democrático, e isso explica, a meu ver, a forma como, por todo o mundo, mulheres e homens de esquerda e de direita, liberais e conservadores, festejaram a eleição de um candidato de centro-direita, que a narrativa mais fundamentalista acusava de ser um socialista, termo que, nos EUA, ainda significa, para milhões de pessoas, União Soviética (uma espécie de Venezuela, versão old school). Houve mesmo quem afirmasse que Biden tinha um programa comunista, só para termos a noção do patamar de absurdo em que nos situamos. A risota que não terá sido em Wall Street.

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A Hidra

Imagem: PÚBLICO

 

O mal não acontece por acaso.

A Hidra começou com Passos Coelho a promover Ventura ao palco nacional, em 2017, através de um candidatura autárquica. Nos Açores ensaia-se um Governo Regional. E agora já se admite alargamento ao plano nacional.

A situação do Chega e PSD nos Açores é um dos momentos em que há ruptura. Alguns tentam comparar esta gerinçonça de direita com a geringonça do PS/PCP/BE. Mas são situações completamente distintas. O PSD tem toda a legitimidade para conseguir uma maioria no parlamento, mesmo que não tenha ganho a eleição. Já aliar-se a um partido de extrema-direita, defensor de ignomínias sem igual no PCP ou BE, faz toda a diferença.

Não faltará muito para se falar de Chega de PSD.

Narciso Yepes no Japão

https://www.dailymotion.com/video/x1aqs0

Em português

Exactamente.

Informação versus Democracia

Não sou muito dado a teorias da conspiração, embora algumas façam pensar e outras sejam de uma criatividade digna de apreço.

Todavia, é interessante o facto da notícia da vacina da Pfizer, ter surgido logo após a confirmação de Biden como vencedor das eleições presidenciais dos EUA.

A tal vacina que Trump garantiu que iria surgir em breve, e que muita gente, na qual me incluo, gozou e zombou. E isso, não porque não se queria a vacina o quanto antes. Mas, pelo facto de que a palavra de Trump, por inegável mérito próprio, tinha o mesmo crédito do Pastorinho Pedro da fábula atribuída a Esopo.

É razoável pensar que se esta notícia tivesse surgido ainda durante a campanha eleitoral, Trump teria ganho uma credibilidade potenciadora de uma vitória, face à importância que teve na decisão dos eleitores, a gestão que a Casa Branca fez da pandemia.

Trump iria conseguir algo inaudito: credibilidade científica.

O mesmo Trump que zombou da ciência quanto lhe apeteceu, desde as alterações climáticas até ao uso da máscara.

Não seria de espantar, que a indústria farmacêutica tivesse decidido dar uma mãozita, ao derrube de um presidente que passou grande tempo do seu mandato num exercício de escárnio e mal-dizer, em relação à ciência e à comunidade científica. Num contínuo e execrável esforço de descredibilização, como foi seu apanágio.

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Coerência?

Aqueles que aplaudem o jornalista da CNN que se emocionou com a vitória de Biden são os mesmos que criticaram o Rodrigo Guedes de Carvalho quando escrutinou ao máximo a ministra da saúde. Haja mínimos.

Sá Carneiro deve estar orgulhoso

Foto: João Miguel Rodrigues@Jornal de Negócios

Foi Rui Rio quem, no início do ano, assumiu abertura para dialogar com a extrema-direita, caso esta se moderasse, impossibilidade que decorre da sua natureza extremista. Rui Rio sabia com quem lidava, ou pelo menos tinha a obrigação de saber, porque não anda nisto há dois dias, como o próprio não se cansa de dizer. Tal não o impediu, contudo, de se comprometer e de fragilizar a sua posição, bem como a do partido que lidera.

Aliás, se recuarmos até Setembro de 2018, verificamos que a narrativa que está na base da criação do Chega aponta precisamente para a necessidade de fazer cair a direcção de Rui Rio. Na altura, e ainda na condição de militante do PSD, André Ventura cria o Chega como um movimento que visava reunir assinaturas suficientes para convocar um congresso extraordinário do PSD, com o qual pretendia derrubar a direcção Rio. [Read more…]

Actos de Trump ultrapassaram fatos do Acordo Ortográfico de 1990

Forcing the factors to be orthogonal often allows extraction of factors that represent only a small number of variables, with each variable loading highly onto one factor or a small number of factors (Abdi & Williams, 2010).
— Ainsworth et al. (2019)

***

Efectivamente, neste preciso momento, “this claim about election fraud is disputed” tem mais ocorrências do que “o candidato declara serem verdadeiros os fatos constantes da candidatura“.

No entanto, até 3 de Novembro de 2020, de facto, ainda não era assim (cf. pdf, p. 7).

Continuação de uma óptima semana.

***

E dizem-se democratas

Está fácil de ver que a solução apresentada pelo Governo para “achatar a curva”, é limitar-nos a liberdade.

Isto quando a curva chegou onde chegou, e o SNS abeirou-se da ruptura, porque o Governo não fez o que lhe competia e permitiu o que não devia.

Milhões terão de ficar em casa, para que umas dezenas de milhar pudessem fazer aquilo que queriam.

Milhões terão de ficar em casa, porque a economia tinha que trabalhar, ao ponto dos hotéis poderem exibir o selo “Clean & Safe” com base em mera declaração de compromisso dos donos, e não numa efectiva avaliação técnica. E as praias tinham semáforos, mas se estivesse vermelho, podia-se ir na mesma.

Não houve uma única campanha nacional de sensibilização digna desse nome. Num país em que constantemente se juntam cantores, actores e afins, em campanhas solidárias. Algo para o que esta pandemia, pelos vistos, não teve dignidade suficiente.

Só tivemos direito às constantes conferências de imprensa a debitar números, por entre disparates que uma DGS, claramente inapta para o cargo, lá ia dizendo por entre a estatística.

Ficam na memória as máscaras que davam uma falsa sensação de segurança, e a desnecessidade de distanciamento nos aviões porque as pessoas vão a olhar para a frente.

O SNS está à beira da ruptura, porque, contrariando os apelos dos médicos que estavam no terreno, o Governo não aproveitou a Primavera e o Verão para reforçar os hospitais com recursos humanos nas valências mais sensíveis como a dos cuidados intensivos.

Descurou a segunda vaga, que há meses que a comunidade científica, nacional e internacional, avisou que ia chegar. Mas que pelo vistos o PM nunca ouviu falar, a avaliar pela entrevista que hoje deu a Miguel Sousa Tavares.

Ao contrário, foi-se pelo mais barato: mandar sms para quem tinha consultas agendadas, a desmarcar e a dizer para não ir ao hospital nem sequer telefonar. E, mais tarde umas sms a disponibilizar apoio psicológico gratuito. Enquanto consultas, rastreios, tratamentos e cirurgias eram desmarcados por todo o país.

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Esquerda e Chega é tudo a mesma coisa ou as falsas equivalências

Entre a direita democrática (pergunto-me, tantas vezes, se isto não será um paradoxo), tem surgido um discurso que pretende reduzir os partidos da esquerda parlamentar a gente tão radical como André Ventura, só que de sinal contrário. Daí a dizer que, no fundo, são todos iguais é um passinho de pardal, misturando tudo numa imensa sopa de radicalismo e de sede ditatorial.

Mesmo antes de André Ventura, já pêéssedês e cêdêésses atiravam umas ideias semelhantes: a a esquerda radical, a esquerda que defende ditaduras, a esquerda que tem a mania da superioridade moral (esta é particularmente divertida, por ser tão infantil).

Nota muito importante a propósito de André Ventura: em menos de um fósforo, saiu do passismo para a extrema-direita lepenesca ou trumpiana. Ou será que não saiu verdadeiramente do passismo, mudando apenas de nome e não propriamente de ideias? O que é certo é que Passos Coelho esteve presente no lançamento da candidatura de Ventura à câmara de Loures.

A esquerda parlamentar não está isenta de erros e de más companhias ou de preferências discutíveis. Efectivamente, um dos pecados do PCP está em não ver ou não querer ver o horror de muitos regimes comunistas, incluindo o da Coreia do Norte. [Read more…]

Fascismo Cultural

A democracia não é nem pode ser neutra. A democracia tem valores e princípios sobre a qual foi construída, e deve defendê-los com todos os recursos à sua disposição. Não poderia ser de outra maneira.

A sua natureza plural, contudo, encerra um perigo, que é o de permitir que os seus inimigos, aqueles que a querem destruir, possam ter uma palavra a dizer na sua condução. Alguns deles estão, estiveram e têm perspectivas de chegar ao poder, mas o seu líder acaba de cair. E o espectáculo não está a ser bonito de se ver.

Com Trump em modo meltdown conspiracy, os Proud Boys standing back and by, focos de contestação organizada à porta de estações de contagem de votos nos Estados que ainda continuam por fechar, o Bin Laden da extrema-direita internacional mostrou ao que vinha e acabou banido do Twitter. No seu canal, Steve Bannon, estratega da vitória de Trump em 2016, deixou um recado ao ainda presidente: despedir Fauci e Christopher Wray, director do FBI, mas só porque o “presidente é bondoso”. Se fosse ele, a coisa piava de outra forma:

Eu gostava de voltar atrás e estar nos bons velhos tempos da Inglaterra durante a dinastia Tudor e pôr a cabeça deles em estacas” e colocá-las de “cada lado da Casa Branca como um aviso aos burocratas federais

A democracia não é nem pode ser neutra. A democracia tem limites, linhas vermelhas, e uma delas é não tolerar métodos medievais de terror. Mas é essa, a alternativa que a extrema-direita tem para oferecer. Chamemos-lhes fascismo cultural. E os democratas a procrastinar, armados em Chamberlains, fiados na virgem e no wishful thinking.

Biden não será a alternativa óptima, mas é o analgésico possível para uma América em carne viva. A democracia está estilhaçada, mas sobreviverá para viver mais um dia. Caberá aos democratas decidir se estão verdadeiramente dispostos a lutar por ela, contra a pandemia do nacional-trumpismo.

Crónica do Rochedo 39 – Vai ficar tudo bem…

Recentemente, num daqueles momentos alucinados normais na nossa política, o Governo anunciou um plano (escondam a carteira) para investir 43 mil milhões até 2030 em infra-estruturas, o pomposamente chamado PNI 2030.

A apresentação foi em outubro de 2020. Eu pensei que teria sido em 2019 mas não, foi mesmo em 2020 e daí ser a coisa mais alucinada que vi nos últimos meses, o que não é fácil. Em outubro de 2020 já estávamos perante a 2º vaga da pandemia COVID-19. Em março de 2020 escrevi várias “Crónicas do Rochedo” aqui no Aventar sobre a desgraça que estava a caminho em vários sectores da nossa sociedade só por causa da queda com estrondo do turismo, fruto da pandemia. Em março.

Neste momento, os piores cenários estão a ser revistos. Para pior. E no que se dedica o governo (não só o Português, o de Espanha está no mesmo registo)? Em políticas de treta. Metade da verba (virtual…) vai ser aplicada em investimentos na ferrovia, transportes e mobilidade. Temos o desemprego a crescer de forma violenta. Temos sectores da economia em que se contam pelos dedos as empresas que se podem safar (hotelaria, restauração, turismo e similares), temos a pobreza numa escalada sem precedentes e querem apostar em infra-estruturas como o novo aeroporto do Montijo ou TGV Lisboa-Porto? Era cómico se não fosse trágico.

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Costa, a anedota

A gestão política, e política é a palavra certa, que Costa tem aplicado à pandemia é um exemplo escolástico do chamado atirar areia para os olhos.

No fim-de-semana dos finados, assistimos àquele cerco cheio que excepções, que acabou por se reduzir à proibição de se visitar a família.

Nessa sexta-feira, o circo começou logo com uma fila de 17 Km nos acessos ao Porto. Sensibilizar os condutores e, naturalmente, as audiências dos folhetins noticiosos.

A partir de amanhã, a palhaçada atinge outro marco. Recolher obrigatório entre as 23h e as 5h de segunda a sexta e a começar às 13h ao fim-de-semana. Excepções a serem cozinhadas.

Como se sabe, o grosso dos contágios ocorre noite fora, quando já não se pode comprar bebidas alcoólicas e com as discotecas e bares transformados em pastelarias. Não é nas escolas, onde os miúdos se misturam uns com os outros, levando o contágio até à restante família. Nem sequer nos transportes públicos sobrelotados, onde a distância social, no reino das sardinhas enlatadas, é uma anedota. E muito menos no trabalho do dia-a-dia, como a construção civil, onde o uso das ferramentas e a proximidade é o que tem que ser.

Este exercício tem um fim óbvio. Parecer que algo está a ser feito. O capítulo segundo da série Terás Que Mostrar A App do Covid Instalada No Telemóvel.

Sequestradores e carcereiros da liberdade

Suspeito que a maioria dos portugueses sofre síndrome de Estocolmo e se prepara para reeleger Marcelo Rebelo de Sousa, no próximo Janeiro. O Presidente da República é um dos sequestradores e carcereiros do povo português, a par de António Costa, que enquanto vai distraindo as atenções com a novela política em torno dos Açores, anunciou um conjunto de restrições e proibições, capazes de fazer inveja a muito ditador pelo mundo fora. Mas não estão sós, contaram com a cumplicidade do PSD e Rui Rio, que deixaram evidente aos portugueses que não oferecem alternativa, apenas alternância política. O cada vez mais irrelevante CDS/PP também surge neste retrato de família ao lado dos torcionários. [Read more…]

A coalhar é que a gente se entende

Há anos houve o chamado orçamento Limiano. Agora vamos ter o governo Terra Nostra.

Gosto dos dois, dos queijos, entenda-se.

Tremendous*

O merdas que se dá ao luxo de não respeitar as regras da democracia acabou de dizer no país dele, em comunicado, que diversos estados são conhecidos por serem corruptos e que lhe estão a roubar a eleição. Até os acólitos da Fox News dizem que não sabem onde é que ele se baseia para falar em fraude eleitoral.

*o único adjectivo que o coiso conhece

As eleições americanas

Manuel Carvalho resume de forma certeira o que se passa na América.

Não é a velha clivagem saudável entre esquerda e direita, entre progressismo e conservadorismo que está em causa: é a oposição entre a decência e a falta de escrúpulo. Se a democracia hesita nesta escolha, é porque se tornou uma banal formalidade.

E a causa:

Na procura de uma resposta para a doença da democracia, o efeito Trump pode então ter uma utilidade – a de demonstrar que não há democracia na desigualdade extrema. Quando as classes trabalhadoras dos subúrbios empobrecem, quando 1% dos americanos controla 40% da riqueza nacional, a tolerância acaba, a revolta cresce e a democracia degrada-se.

Atente-se bem no fosso. 1% dos americanos controla 40% da riqueza nacional. Esta disparidade, não sendo novidade, aprofundou-se nos últimos anos.

Piorando o cenário, as pessoas vivem fechadas em bolhas comunicacionais criadas pelas redes de televisão (Fox News e CNN são as proeminentes de cada um dos lados) e pelas redes sociais (sobretudo Facebook, Youtube e WhatsApp). Com o objectivo de manter os seus “clientes” mais tempo a eles ligados, para lhes vender mais publicidade, estes jardins murados apenas lhes mostram aquilo que eles “gostam”, fechando-os na sua opinião pré-concebida, alheios a outros pontos de vista, incluindo o próprio contraditório. Haveremos de voltar a este tema.

A América não votou em Biden. Melhor, alguns votaram em Biden – apesar de Biden, outros em Trump e os restantes votaram contra Trump.

Até sempre

Este é o meu último post como Aventador. 
Mas não quero ir-me embora sem deixar uma palavra para quem, realmente, interessa neste Blogue: os que nele escreveram e escrevem e aqueles que os lêem. 
Para os que lêem, a certeza que são a verdadeira e real razão porque se escreve num blogue. Pensar e redigir um esquisso até pode ser uma boa forma de sublimar emoções, raivas ou alguns demónios que atormentem quem escreve. Mas, verdadeiramente, publicar o texto e saber-se lido, é um prémio, é uma conquista que devemos, exclusivamente, a quem nos lê. Aliás, confesso que essa evidência sempre me surpreendeu. Texto a texto, nunca deixei de me espantar por comprovar que alguém “perdia” tempo a ler o que eu escrevia. Acreditem, não digo isto por falsa modéstia ou hipocrisia. É mesmo uma confissão sentida. 
Mas também não desconheço que para alguns dos que tiveram aquela pachorra, esta não será a pior das notícias. Mas, e pasando por cima de uns escassíssimos momentos em que os comentários ultrapassaram a fronteira do aceitável e se tornaram verdadeiramente ofensivos, sempre apreciei ler o que diziam. Muitas vezes, pura e simplesmente, não os percebia, mas, caramba, tinham dedicado algum do seu tempo para completar a discussão que eu tinha iniciado. Também houve alguns que, quer pelo tipo de argumentos utilizados quer pela distância ideológica que nos separava (e separa), tiveram o condão de me irritar. E confesso, por duas ou três vezes, escrevi só para provocar. Só para tentar igualar no “outro lado” a indignação que me tinham provocado. Mas, e muito mais importante, obrigado a todos os que estiveram e estão aí, principalmente àqueles que tiveram a paciência e a disponibilidade para retorquir. E para vós todos, deixo-vos a mensagem que neste blogue li ou ouvi pela primeira vez e que além de me ter marcado de forma absoluta, define a essência da minha perspectiva política: dou a vida para que aquilo que defendes não prevaleça, mas antes dou a vida para que possas continuar a defender o que defendes. 
Para todos os meus companheiros de blogue, os que ainda estão e os que já o foram, a minha mais profunda gratidão. Pelo respeito, pela consideração, por me terem recebido e aceite e em alguns casos, obrigado pela vossa sincera amizade. Sem querer ofender quem quer que seja (cruzes, canhoto), permitam-me realçar dois nomes: o Fernando Moreira de Sá porque foi ele que me convidou há mais de 10 anos (“prontos”, já sabem quem é o culpado) e o João José Cardoso pelo que significou neste Blogue e pelo vazio que nos deixou e que nunca conseguiremos preencher (#somosPorto, JJ, carago). Mas para todos, obrigado por me terem feito sentir que também pertencia a esta Casa, a esta Família. 
Para todos, mesmo todos, quem leu, quem lê, quem escreveu, quem escreve, a minha eterna gratidão por esta indescritivel oportunidade e insubstituível experiência que nunca esquecerei.
E fico por aqui que já tenho os olhos marejados…
Até sempre 
Carlos Garcez Osório 

Entretanto, na América em ebulição

Quase 24 horas depois do fecho das últimas urnas nos EUA, ainda não sabemos quem será o próximo presidente da nação que dita as regras do jogo internacional. E é possível que ainda não fique tudo fechado hoje, para não falar na mais que provável tentativa de impugnação que se seguirá, caso Biden leve a melhor, e que Donald Trump vem ensaiando desde o segundo debate.

Biden leva uma vantagem confortável, que, à hora que escrevo, é de 39 grandes eleitores. Está a 17 do número mágico dos 270 e é já o candidato presidencial mais votado de sempre em presidenciais nos EUA, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos 70 milhões de votos. Para ser mais preciso, Joe Biden leva neste momento 71,5 milhões de votos, contra os 68 milhões de Donald Trump. O candidato mais votado de sempre era Obama, com 69,5 milhões. Em 2016, Trump ganhou com quase 63 milhões contra Hilary, que conseguiu quase 66. Só para colocarmos as coisas em perspectiva. [Read more…]

GOP elege congressista QAnon

Sim, leram bem: os republicanos meteram uma chalupa no Congresso que acredita que Trump está em guerra com um lobby pedófilo que quer dominar o mundo. RIP, GOP.

…M’ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M’AVERGONHO … *

 

Vamos ter eleições para a Presidência da República. Tal como a Assembleia da República, estes são os dois únicos orgãos de soberania que são eleitos por voto directo dos cidadãos, vulgo sufrágio universal. Daí a sua importância. O actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ir-se-á candidatar, de acordo com o que vamos lendo na comunicação social. Será assim candidato a um segundo mandato (legalmente não poderá candidatar-se a um terceiro). Assumiu-se como independente antes de ser eleito.

Tenho-me lembrado da poetisa Natália Correia Guedes, que lhe tinha dedicado entre outros, este poema:

O Carochinha*

Dos voos de Marcelo, o transformista,
em doméstico dom repousa a asa:
farto de andar ao trapo e ser fadista
torna-se modelar dona de casa.

Na modéstia exemplar dessa roupeta
– Ó eleitoral, virtuosa esfalfadeira     

de ser dono de casa lisboeta! –
vai Marcelo às mercas na Ribeira,

enche a despensa, lava a roupa é cozinheiro,
cose a meia, faz tricot, varre a casinha.
Por fim, põe-se à janela e diz faceiro:
Quem quer casar com a carochinha?

O que recordaremos desse primeiro mandato? As ditas selfies? O dito afecto? A conversa da treta? As aparições na praia? O “colinho” ao actual Governo? Tancos? A não recondução, vergonhosa, diga-se, da  PGR? Os incêndios? Os mortos? O País? Os Portugueses? Fraca herança, comparativamente com qualquer dos anteriores Presidentes.

Será reeleito para o tal segundo mandato.

Regresso a Natália Correia Guedes:

Requiem por Marcelo**

O ingrato que em mim tinha cantora,
torna-se chatamente, sorumbático:
de truão despe o fato e entra agora
na enfadonha pele do catedrático.

Mudos que são os guizos de Marcelo,
já nenhum som que o chiste inspire, escuto;
sepultada a pilhéria no capelo,
meu jocoso cantar visto de luto

Ó ingratidão que já não me entretém,
do riso astro cadente, ó meu enfado!
Adeus Marcelo, aqui deixo um requiem
pelo bubónico artista reformado.

**Natália Correia, O Sol nas Noites e o Luar nos Dias II, Círculo de Leitores, 1993

*Sá de Miranda, Poema “Quando Eu, Senhora, em Vós os Olhos Ponho”

Descubra as diferenças entre

isto:

e aquilo:

América, hoje (2): A eleição de 2020

A América vai a votos amanhã. Concretamente, o que vão os eleitores votar?

Imagem: Washington Post, em Agosto de 2019 (22,247 em Agosto de 2020)

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Uma das possibilidades de “Acordo + Açores” é

Açorda. Enquanto reflectimos acerca da Geringonça açoriana, recomendo um texto do António Fernando Nabais, uma delícia da Banda do Casaco e esta fotografia.