Repensar, defender e reforçar o SNS

SNS

Umas das lições que (já) podemos tirar desta pandemia, e que para muitos não é novidade nenhuma, tem a ver com o carácter imprescindível e vital do Serviço Nacional de Saúde no nosso modelo de sociedade. Como dizia Ricardo Araújo Pereira, numa recente intervenção no Governo Sombra, “não há ateus na cova do lobo e também não há grandes críticos do SNS em tempos de pandemia”.

O SNS, na minha opinião, e na de muitos portugueses, é o maior avanço civilizacional do pós-25 de Abril, a par da Educação e das liberdades a garantias fundamentais conquistadas. E, por muito que o critiquem, ele está entre os melhores. O Euro Health Consumer Index 2018 (não encontrei o de 2019, presumo que ainda não tenha sido publicado), o ranking de SNSs europeus elaborado pelo think tank sueco Health Consumer Powerhouse, coloca Portugal no 13° posto, entre 35 serviços nacionais de saúde analisados no continente europeu, atrás dos óbvios mas à frente de países como o Reino Unido, Espanha, Itália ou Irlanda. [Read more…]

Mário Centeno permanece no Governo

Efectivamente. Apesar de o OE2020 ser uma mentira e uma vergonha.

Diálogo em Bruxelas (13 de Maio de 2020)

An alternative to the nativist theory of language learning, this theory [Newport, 1990] states that immature language learners grasp only small fragments of language at a time, which helps them to break up a complex language structure into smaller parts.
— Nelson Cowan (2001)

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ACTO ÚNICO

F. Faz hoje três anos que:

S. Quatro anos? Já?

FIM

Observação: a segunda referência numérica (tetra), mesmo sob forma prefixada grega, prevalece sobre a primeira, aliás, cardinal e portuguesíssima (três).

Jackson Pollock, NUMBER 4, 1951 (https://bit.ly/2zEGqVm)

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D. Sebastião

Mais um anunciado regresso d’O Desejado.

John Peel Sessions

Lista actualizada pelo blogue Formally Known As The Bollocks. Ainda falta, por exemplo, a sessão dos SDC, com Fatman, Today, False Faces e All Glory.

Por favor, não matem os velhinhos (a menos que a “economia” exija o seu sacrifício)

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Rodrigo Constantino é um dos opinion makers mais influentes e seguidos do Brasil. Apresenta-se como “Economista, jornalista, liberal com viés conservador contra extremistas de todos os lados“, e é um dos mais fervorosos apoiantes de Jair Bolsonaro nas redes sociais. O debate político no Brasil atingiu um patamar de surrealidade tal, que um tipo que se assume “contra extremistas de todos os lados”, pode apoiar um extremista como Bolsonaro, sem se transformar numa anedota nacional.

Segundo este jornalista, em suma e sem perder muito tempo, os idosos devem estar preparados para se oferecer em sacrifício pela economia, tal como os jovens de 20 anos que vão para a guerra, como se a esses jovens fosse dada a possibilidade de escolher. No fundo, é aquilo que defendem inúmeros políticos conservadores e liberais, no Brasil, nos EUA e noutros pontos do globo, apesar da hipocrisia compulsiva que não lhes permite verbalizar que o modelo de sociedade que realmente defendem é o que melhor serve os interesses da elite económica e financeira, com a qual, regra geral, andam de mão dada. Morra quem tiver que morrer. [Read more…]

O banco dos cartéis

Durante décadas, o HSBC, um dos maiores bancos do mundo, lavou centenas de milhões de dólares para cartéis mexicanos de drogas. [Netflix, série 1, episódio 4]

7 anos

O tempo vai passando, o momento continua inesquecível. Há 7 anos, o Futebol Clube do Porto marcava o golo mais marcante da história do campeonato português. Um golo que despertou aquilo que o futebol melhor sabe fazer: despertar emoções.

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Um português, um indiano e um cigano…

O título deste texto parece o início de uma anedota, mas também se adapta a um dos últimos episódios da política portuguesa e tiveram como protagonistas André Ventura, António Costa e Ricardo Quaresma. Achei melhor dizer, pois há quem se dê mal ao brincar com estereótipos. Ai se os Gato Fedorento fossem dos dias de hoje…

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Eu e Augusto Santos Silva temos duas qualidades em comum:

somos do Porto e temos aversão ao azul. Só falta saber se, como eu, Santos Silva tem a terceira qualidade: ser mouro. Ser mouro é a suprema virtude do verdadeiro Portuense.

André Ventura acha que André Ventura não tem razão

André Ventura, como Trump e Bolsonaro, é exímio na arte da mentira, da deturpação de factos e da instigação do ódio, do medo e da divisão. E, como bom demagogo que é, contradiz-se quase todos os dias. O que verão os seus eleitores neste político, que tem todos os defeitos dos restantes, não acrescenta nada de novo e ainda vem acompanhado por uma horda de neo-nazis, determinados em derrubar a democracia?

História? Verdade? Não são importantes

Uns pândegos, estes gajos do PCP. Bem, pândegos, é capaz de ser pouco. São, mais, uns trafulhas nojentos. Para quem a verdade é um conceito tão plástico que pode ser, interesseira e cobardemente, moldada de maneira a servir o que se quer demonstrar.

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Ajustes directos, máfias partidárias e corrupção

Concordo com a proposta do CDS para a criação de uma comissão eventual de inquérito à compra de material médico para combate à pandemia, na sequência de uma série de dúvidas levantadas sobre os ajustes directos efectuados nesse contexto.

Bem sei que a urgência da situação implica decisões rápidas, e que a abertura de um concurso público seria incompatível com a celeridade necessária, mas é importante que se dissipem todas as dúvidas, nomeadamente aquelas que gravitam em torno dos contratos que envolvem João Cotta, antigo sócio do Secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo, e o Grupo Mello. [Read more…]

A mentira

A nova direita tem na mentira a sua maior arma actual, potenciada por uma imensidão de gente que lê as gordas dos jornais e dos facebooks ou que ouve as intermináveis “reportagens” das cmtvês que por aí abundam, onde se incluem as respeitáveis sics, tvis e rtps, e que se contenta com este info-entretenimento camuflado de informação.

É por isso que sujeitos como o Trump conseguem dizer, até na mesma sessão verborreica, uma coisa e o seu oposto. E também porque um braço armado mediático fermenta a mensagem.

É igualmente por esta razão que o cónego melo fez um chinfrim baseado na mentira de o Rui Tavares ter dado uma suposta aula na nova tele-escola. E que o miúdo que se senta lá à frente do partido que é deste ou daquele grupo, como pensionistas e agricultores, consoante o vento eleitoral, engrossou a voz e cavalgou a mentira em forma de pergunta ao governo.

Entre diversos spins sobre o tema, é inevitavelmente lançada ao ar a ideia de que, se fosse o ventura que é levado ao colo pelas respeitáveis televisões, estaria a esquerda aos gritos. É possível que estivesse, mas não foi isso que aconteceu. Rui Tavares não deu uma aula na tele-escola e incendiar o tema nesses facebooks e twitters do costume não passa do uso da mentira como arma, particularmente eficaz entre quem não quer saber.

Estou completamente farto de comunistas e quejandos

Acho, sinceramente, que está na altura de dizer “basta” (não, não é “chega” porque nem suporto o “cartilheiro” nem dou cobertura a um partido que não diz o que pensa, mas sim o que acha que as pessoas querem ouvir, apresentando soluções estapafúrdias ou nem sequer apresentando o que quer que seja).

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Trivelas?

Em quatro anos e meio, o momento em que o primeiro-ministro foi mais elogiado pela opinião pública foi por uma piada foleira a um deputado único.

O quão inútil é preciso ser para isto acontecer…

Vem aí mais globalização selvagem

Por mais que o desequilíbrio e a insustentabilidade do actual modelo de globalização venham sendo demonstrados e denunciados, nunca foram motivo de desaceleração da mesma. A presente pandemia desmascarou, mesmo para quem nunca quis ver, o seu lado absurdo.

Poder-se-ia ingenuamente esperar que a visibilidade desse absurdo forçasse o início da urgente mudança de rumo da política comercial e de investimento da UE. Mas o contrário é o caso.

Segundo o Comissário do comércio Phil Hogan, “embora ultimamente a maioria dos nossos esforços se tenha concentrado na resolução da crise do coronavírus, também temos trabalhado para fazer avançar a nossa agenda de comércio aberto e justo, que continua a ser muito importante. A abertura, as parcerias e a cooperação serão ainda mais essenciais à medida que reconstruirmos as nossas economias após esta pandemia“. Para Hogen, devido à pandemia,  “precisamos de ainda mais acordos de comércio livre!”.

A conclusão, no passado dia 28 de Abril, das negociações com o México, o EU-Mercosul, UE-Nova Zelândia, UE-China, UE-Austrália, UE-Indonésia, para não falar nos secretos arranjinhos que estão a decorrer com os EUA, vão continuar a expandir pelo mundo a rede de tratados que a Comissão, com o beneplácito dos estados-membros, continua a negociar e assinar. [Read more…]

Reabrir as escolas: um mal desnecessário

Entre os entusiastas que passaram a acreditar que este momento de excepção até poderia passar a ser regra e os que defendiam que deveríamos ficar quietos sem fazer nada, a comunidade educativa foi conseguindo o possível, não sem problemas, nunca sem defeitos e com algumas virtudes. Problemas, defeitos e virtudes, todos aprofundados, curiosamente.

Neste momento, a proximidade social ainda acarreta demasiados riscos. Ainda assim, com muita prudência, será possível ir (re)pondo a economia a funcionar. Calculo que, na medida do possível, muitos profissionais irão manter o teletrabalho, minimizando riscos.

A reabertura das escolas só deveria acontecer se fosse absolutamente indispensável e há muitas razões para considerar que não é, mesmo nesta versão minimalista de limitar o acesso aos alunos com disciplina de exame. Por muitos cuidados que se tomem, o risco de propagação aumenta. Além disso, este regresso forçado resulta de um problema que continua por resolver: a subordinação do ensino básico e secundário à Universidade, devido a um sistema de acesso ao Ensino Superior que tarda em ser alterado.

O documento emanado do Ministério da Educação serve para demonstrar, mais uma vez, que se trata de uma instituição governada por pessoas fechadas em gabinetes que não sabem e não querem saber o que é a vida de uma escola, dando ordens que poderão ser difíceis ou impossíveis de cumprir. Seria o momento ideal para que encarregados de educação e/ou directores tomassem posições conjuntas, à semelhança do que já aconteceu com a Escola Secundária Camões.

Aqui ficam algumas leituras: [Read more…]

A burocratização dos adeptos

Hoje vamos falar de JPR. Infelizmente, não é João Paulo Rodrigues, mas sim João Paulo Rebelo. Se fosse o primeiro, podíamos rir por competência do próprio nas suas funções. Quer dizer, com o segundo também podemos rir, mas por incompetência do próprio nas suas funções.

João Paulo Rebelo é Secretário de Estado do Desporto. Depois de uma breve pesquisa, vim a saber que o deputado socialista é licenciado em Gestão. Bem, isto é o mesmo que ser muçulmano e trabalhar numa rulote de bifanas. João Paulo Rebelo, na verdade, pode ser excelente a gestão, no entanto, não faz a mínima ideia do que é melhor para o desporto. Na sua entrevista ao Record sobre a implementação do Cartão do Adepto para membros de claques, JPR diz que vem em linha com o que são as melhores experiências a nível internacional. O típico “lá fora é que é bom”, não apresentando qualquer argumento concreto. Mas o melhor é ir a factos, visto que o Secretário de Estado do Desporto não pode ter falado sem a certeza absoluta.

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André Ventura, Nuno Melo e o sonho do silêncio

Muito recentemente, Nuno Melo, ao criticar a presença de Rui Tavares na telescola, deixou claro que, para se ser professor, não se pode ter ideias políticas de esquerda ou que um professor não pode citar um especialista, se o especialista for de esquerda. Não foi isto que disse, mas foi isto que quis dizer, fingindo que defende uma imparcialidade que não o seria, mas antes uma assepsia impossível e indesejável. É claro que não desmontou nenhum dos argumentos usados pelo historiador Rui Tavares, mas a grande vantagem de se ser populista é não estar obrigado a argumentar.

Ontem, André Ventura revoltou-se com o facto de Ricardo Quaresma ter criticado o próprio André Ventura. Qualquer pessoa pode ficar insatisfeita ou magoada ou o que se queira quando é criticada. Quando essa pessoa, no entanto, pretende que haja um mecanismo que permita silenciar a crítica, deparamos com alguém que acredita na existência de um “delito de opinião”, chegando ao ponto de pedir a intervenção das autoridades e defendendo, implícita mas claramente, que a Federação Portuguesa de Futebol deveria tomar uma medida qualquer. [Read more…]

Não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu

Apesar da vontade e determinação de Ursula von der Leyen (por quem me é impossível não deixar de sentir simpatia), todos os dias somos confrontados por uma evidência que de tão óbvia se torna inegável e que tem de começar a ser assumidamente considerada em todas estas equações: a Europa não existe. Ponto.

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Semiautomaticamente correcto

MI

Foto: Jeff Kowalsky@Vanity Fair

À porta do capitólio de Lansing, capital do Michigan, um dos Estados mais atingidos pela pandemia, um grupo de manifestantes pró-Trump protesta contra as medidas de confinamento, empunhando armas semiautomáticas que, aqui pelo Velho Continente, apenas vemos nos filmes, normalmente norte-americanos. Ou no serviço militar, se decidirmos fazê-lo. Ou no covil do quadrilha, se optarmos por uma carreira no crime organizado.

Alguns destes manifestantes, que gritavam “Os tiranos devem ser enforcados”, referindo-se aos legisladores estaduais, e que comparavam a governadora democrata Gretchen Whitmer a Adolf Hitler, exigindo a sua prisão, devido às medidas de confinamento impostas naquele Estado, onde vários hospitais entraram já em ruptura, invadiram as galerias do parlamento do Michigan, com as suas AR-15 e AK-47. [Read more…]

A segunda pessoa do plural

Disse-me que pusesse a mesa para dois mas o convidado do senhor engenheiro, a segunda pessoa, vai demorar muito tempo?
— António Lobo Antunes, “A Morte de Carlos Gardel

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Em português, a segunda pessoa do plural tem tanta importância como as primeira, segunda e terceira do singular e as primeira e terceira do plural e esta realidade deve estar reflectida formalmente (ou seja, no ensino). O caso do padre Carlos Cabecinhas, abundantemente divulgado nas redes sociais, é uma prova daquilo que acabo de afirmar. Convém recordar a teoria dominante: a forma vós é “muito rara em Portugal e limitada a registos dialectais (sobretudo no Norte de Portugal), litúrgicos ou muito formais” e tem “géneros textuais específicos (oratória e textos religiosos)” (pdf). Isso não impede que, felizmente, haja quem defenda a “utilidade no ensino destas formas” — contudo, como veremos, o aspecto “textos históricos” para “os alunos (pelo menos os que seguem Humanidades)” aduzido por Ana Martins, sendo verdadeiro, é demasiado redutor. Já agora, no Brasil, a conversa é outra (pdf).

Quando me dizem que o vós caiu em desuso (pdf), servindo isso de justificação para não ser ensinado, por exemplo, a alunos de português língua estrangeira, instintivamente e, às vezes, admito, um pouco exaltado (ou seja, nem tecnicamente, nem pedagogicamente), alego ter exactamente o mesmo direito à vida que têm outros compatriotas meus, igualmente falantes de português, permanentes utilizadores de vocês (+ terceira pessoa do plural), pronunciadores de dez[ɔ]ito e c[o]mo (“é como queijo”), calçadores de ténis sempre dispostos a fechar as respectivas malas de viagem e os respectivos cacifos com cadeados. Tenho exactamente os mesmos direitos, apesar de pronunciar dez[o]ito (“tens dezoito anos”) ou c[u]mo (“são como divãs”) e de dizer sapatilhas ou aloquete e, para o caso em apreço (o único aqui relevante), recorrer frequentemente ao vós, tendo a minha infância e a dos meus amigos de infância sido fértil em “onde ides?” e “tende cuidado!” dos mais velhos.

E não estou sozinho: há mais meliantes que praticam algumas destas patifarias em português actual. Por exemplo, [Read more…]

Jair Belzebu

BS

Na foto temos Jair Bolsonaro, com a expressão de quem acaba de ser exorcizado por um bispo da IURD, prestes a expelir Belzebu. Ou será Belzebu, encarnando o Messias da extrema-direita evangélico-militar, a tentar vomitar o Bolsonaro que o possuiu? Na dúvida, alguém lhe traga um copo de água do rio Jordão, benzida certificada pelo Edir Macedo. Em princípio, resolve-se o problema de um dos demónios, ficando “apenas” o problema do Brasil por resolver.

Sem nome, ainda

Na quase irrelevância de um Rui Rio bipolar, sobra a evidência de um PS atirado para a extrema-esquerda quer pela vocação da sua actual direcção quer pelas dolorosas, exorbitantes e retrógradas contrapartidas de um apoio parlamentar indispensável à sobrevivência de um governo, muito mais animado pela sede de estar no poder do que, propriamente, pelo talento e intenção da prosperidade.

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Feminismo vs Liberdade Individual

Há certezas absolutas que ninguém pode refutar quando falamos nas desigualdades entre homens e mulheres. Temos o exemplo dos salários ganhos por cada género, sendo que por cada euro ganho por um homem, uma mulher recebe 84 cêntimos. O problema coloca-se quando nos questionamos pela razão desta desigualdade factual. O movimento feminista fala de uma sociedade patriarcal, uma sociedade em que o homem tem predominância apenas pelo género. As feministas, que tanto criticam o capitalismo e aqueles que têm o lucro como algo positivo, são as primeiras a falar das diferenças salariais. Pelos vistos, o dinheiro não é assim tão irrelevante quanto isso. O movimento feminista, que não podemos confundir com as mulheres, não defende a igualdade de oportunidades para os indivíduos de ambos os géneros, mas sim uma igualdade de resultados. Se antes, as pessoas viviam numa ditadura pela ordem, agora vivem numa obsessão pela igualdade. Colocaram essa obsessão à frente da liberdade individual, não permitindo que as mulheres sigam o seu caminho, mas impondo uma luta identitária contra os homens.

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Um molho de Nuno Melo, Salazar e Pavlov

O eurodeputado Nuno Melo criticou a presença de Rui Tavares num dos programas da nova tele-escola, como se pode ler no tuíte que encima esta prosa.

Como ainda não tinha assistido a nenhuma aula, resolvi ir ver, não fosse, por uma vez, Nuno Melo ter razão, algo de que ninguém está livre (peço desculpa pelo adjectivo, porque pode ser visto como uma alusão subliminar ao partido fundado por Rui Tavares).

Na realidade, Rui Tavares é um homem de esquerda, com passagens por alguns partidos. Nunca se sabe se poderia ter aproveitado a oportunidade para catequizar as pobres criancinhas de 5.º e 6.º ano. Por outro lado, Rui Tavares é doutorado em História, com obras publicadas na área, o que, por estranho que possa parecer, faz dele alguém especialmente habilitado para ensinar História. Há pessoas assim multifacetadas: tenho um amigo bancário cuja condição profissional não o impede de conceber uma magnífica carne de porco à alentejana. [Read more…]

Só sei que ninguém sabe

Não tenho o hábito de me informar sobre o vírus da moda, porque não tenho instrumentos e capacidade para saber se a informação distribuída pelos meios de comunicação social ou pelo governo é fidedigna, para não falar na multiplicação de opiniões completamente díspares sobre curvas e contracurvas, testes e infectados, mortos e curados.

Como sou um frequentador assíduo das chamadas redes sociais,

(rede também tem um sentido piscatório. Não chego a saber se sou pescador, se peixe)

tenho assistido, no entanto, a um debate, que digo eu?, um combate entre os que afiançam que Rodrigo Guedes de Carvalho arriou fortemente na ministra da Saúde e os que garantem que Marta Temido goleou o entrevistador. Uma análise muito leviana e suficiente permitir-nos-á perceber que os que elogiam o jornalista são da oposição ao governo; os outros são apoiantes do governo ou, no mínimo, adversários da oposição ao governo, que a política tem matizes que a razão desconhece.

Ou seja: os comentários à entrevista têm a mesma parcialidade e a mesma profundidade que é usada pelos histriões que participam naqueles programas em que hominídeos passam a horas a gritar que é ou que não é penálti, sendo evidente para ambos que é e que não é. [Read more…]

Marcelo Rebelo de Sousa, o 1º de Maio e a direita trauliteira

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Ainda sobre as comemorações do Dia do Trabalhador, aqui vai um excerto do decreto presidencial (Presidente da República = Marcelo Rebelo de Sousa) que renova o estado de emergência para a sua terceira e última fase. A renovação foi aprovada com os votos do PS, PSD, BE, CDS e PAN, as abstenções do PEV e do Chega, e os votos contra do PCP, IL e Joacine Katar Moreira.

O decreto, que não está sujeito a aprovação parlamentar, é da exclusiva responsabilidade de uma pessoa: Marcelo Rebelo de Sousa. Não vou transcrever o que está escrito na imagem, parece-me claro e o destaque é objectivo, mas vou dizer isto: resumir esta situação a uma cedência do governo ao PCP e à CGTP não é apenas um absurdo. É, apenas e só, mais um exercício de manipulação da direita trauliteira do costume, ancorada nos observadores e no Twitter. [Read more…]

Roda livre

A empresa QUILABAN – Química Laboratorial Analítica, SA, cujo Presidente do Conselho de Administração é João Carlos Lombo da Silva Cordeiro, Presidente da  ANF – Associação Nacional das Farmácias durante 32 anos e ex-candidato à Câmara Municipal de Cascais pelo PS, celebrou, desde o início do Estado de Emergência, 46 contratos com o Estado. Estes contratos diferem de todos os outros que anteriormente já tinha celebrado, principalmente, pelo aumento exponencial dos valores envolvidos. 
Um deles, chama particular atenção. Trata-se de um ajuste directo em que a entidade adjudicante é a DGS – Direcção-Geral da Saúde e o valor do contrato maus de 9 (nove) milhões de euros (9.030.000,00€). Para além do valor, há um pormenor muito interessante: a razão apontada para o recurso ao ajuste directo é a URGÊNCIA IMPERIOSA (em maiúsculas no Base) de fornecimento de equipamento médico, mas concede-se um prazo de execução de… 268 (duzentos e sessenta e oito) dias! 
Quando um governo funciona em roda livre sem qualquer escrutínio porque quem o devia assegurar, demitiu-se há muito dessas funções (principal partido da oposição, comunicação social, tribunais e também o PR), tudo se consegue.

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