Depois do silêncio, os Panama Papers estão de volta ao Expresso

Como diria o outro, “que passou-se”? Depois do silêncio constrangedor, terão os papéis finalmente saído do armário, para revelar a verdade aos portugueses, um ano e meio após o anúncio bombástico? Será que é desta que vamos saber que jornalistas, e em que jornais, eram corrompidos com dinheiro sujo para servir Ricardo Salgado, ao invés de servir o dever de informar e o rigor jornalístico?

Lamento informá-lo, caro leitor, mas não foi esse o motivo que trouxe os Panama Papers de volta ao Expresso. Ainda não é desta que ficamos a conhecer a lista com mais de uma centena jornalistas avençados pelo saco azul do GES, que o semanário do Sr. Bilderberg prometeu revelar em Abril de 2016, e que continha pagamentos elevados e outros de poucos milhares. Sim, os pagamentos de “poucos milhares” eram os pequenos. [Read more…]

Mapas e desinformação

_incendiosNelson Zagalo

Para compreender o descalabro da desinformação que acontece quando não há Sistemas de Informação e Comunicação no terreno e com equipas preparadas para triar rapidamente o que vai sendo veiculado, fica aqui uma imagem que foi massivamente partilhada, chegando a surgir em vários orgãos nacionais de comunicação social.

A imagem de cima não é falsa, o problema é que não diz respeito a Incêndios ativos na Europa. Inicialmente tinham-me passado a informação de que seria um mapa de Previsão (forecast) de zonas de incêndio, mas essa informação não se confirmou. Não consegui ainda confirmar o local de extração do mapa, contudo ele parece surgir a partir da simulação dos últimos 7 dias passados no EFFIS, tendo depois sido tratada em termos contraste de cor para garantir melhor visualização das manchas de fogo.

Mas, abaixo têm a imagem dos fogos verdadeiramente ativos na Europa, entre 15 e 16, e pode ver-se a diferença abismal do que aconteceu realmente na Europa e em Portugal e na Galiza.
Falta sistemas de Comunicação efetiva às populações que possam garantir informação triada, segura, e evitem os alarmismos como os que foram acontecendo um pouco toda a noite.

PS2: Entretanto adicionei um novo mapa nos comentários com o cruzamento das informações do EFFIS com as Notícias de Incêndios veículadas pela comunicação social europeia, e o mapa reforça o enfoque no Centro e Norte de Portugal assim como Galiza (link direto: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10155063977618602&set=p.10155063977618602&type=3&theater).

FONTES:

O primeiro mapa anda a circular na rede, não se conhece a origem em concreto, mas acredita-se poder ser também do EFFIS mas relativo aos 7 dias passados, depois alterado em cor e contraste para tornar mais visível os focos de fogo durante 7 dias.
O segundo mapa, do EFFIS, diz respeito apenas a 15/16 Outubro 2017.

Texto politicamente incorrecto

Na SICn o tema da noite é a “falha do Estado”. O que é curioso é que esta gentinha confunde Estado com Governo de um modo que está longe de ser inocente. Chegaram ao ponto de tentar que Pacheco Pereira afirmasse que Portugal era um “Estado falhado”! Claro que o sr. José – dotado de mais neurónios que o par de entrevistadores juntos – não foi na conversa e deu-lhes uma palmada no ego. Mas o tema atravessa a noite. Os convidados especiais estão, na sua maioria, na onda. O presidente da Câmara de Viseu bradava contra a falha do Estado, como se o Estado fosse uma entidade longínqua e com a qual ele próprio nada tivesse. Tem! Ele é Estado também e tem obrigações. Ele e todos os autarcas. E, por muito que isso seja doloroso, é bom que alguém, tarde ou cedo, dê um murro na mesa e pergunte pelas responsabilidades dos que, nas suas terras, têm obrigações a que muitos se furtam sistematicamente para não perder a popularidade e os votos. Essas obrigações estão claras na lei e são, em tantos lugares, sistematicamente incumpridas por acção ou omissão. Elas são descritas no famoso relatório da comissão independente, mas não se fala nelas para que não se pense que se está a culpar as vítimas de que alguns autarcas se fazem lídimos representantes, tentando esconder a sua parte da responsabilidade. Compreendo, mas não aceito. Como compreendo o embaraço dos partidos e governantes em tocarem neste assunto. Por isso aqui deixo esta palavra. Por ela só eu respondo. Sim, os governantes têm mais responsabilidade – eu não digo culpa – do que afirmam os seus representantes. Mas quem autorizou o fogo de artifício dos srs. padres não deve ter sido nenhum ministro. Para citar um micro-exemplo…

A antiga casa do guarda florestal ainda não ardeu este ano

Há muitos anos, ainda Vila Real de Santo António tinha um parque de campismo onde era possível passar uma semana agradável no Verão, ardia outro parque de campismo no Algarve, que isto de incêndios não é de agora, apesar de ter piorado. Um cavalheiro com idade para ter netos tinha deitado à minha frente uma beata de cigarro para o chão, ainda acesa, ali mesmo no meio do parque, abundante de caruma e pronto para um belo incêndio. Chamei-o à atenção, até porque se aquilo ardesse seria a minha preciosa tenda canadiana que se perderia. O que eu fui fazer. Só não houve porrada porque o cavalheiro, ao contrário de mim, era pessoa educada. 
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“Os políticos não se educam, pressionam-se”

Fotografia LUSA/Paulo Novais

Uma expressão como “época de incêndios” poderia ser cómica, não fosse enorme a tragédia. Faz tanto sentido como “época de inundações”, como se houvesse uma obrigatoriedade de haver fogo e água por toda a terra, dentro dos períodos respectivos, como se tudo, no fundo, fizesse parte de um planeamento. São expressões que transformam probabilidades em inevitabilidades e que são o retrato de um país ou de um mundo por civilizar.

O professor Jorge Paiva, um especialista em floresta, ao contrário de gente mais mediática e sem vergonha, anda, há anos, a chamar a atenção para vários problemas que poderão estar na origem dos fogos, nomeadamente a falta de guardas florestais. [Read more…]

O país real…

O Estado de forma coerciva apropria-se de praticamente metade dos rendimentos do país, mas não consegue proteger território nem cidadãos, como mais uma vez ontem desgraçadamente os portugueses puderam constatar. E ninguém assume responsabilidade política, no governo estão entretidos com as negociações junto dos interesses corporativos que permitam a manutenção do poder à geringonça. É o que temos e pelos vistos o povo até gosta…

“As comunidades têm de se mostrar mais resilientes”

Não sei se está a decorrer algum concurso que tenha por objectivo premiar a frase mais idiota do Ministério da Administração Interna. Se sim, o campeonato está renhido. Depois do secretário de Estado, e colocando a hipótese de o contexto poder dar outro sentido à declaração, esta frase da ministra reúne condições para alcançar uma belíssima classificação.

Passos Coelho e Luís Montenegro sentem o (des)prestígio, alcançado a duras penas, a ser posto em causa. Há gente que, calada, poderia chegar a poeta ou mesmo gravar um disco.