Fim da crise ou começo do fim? Aproxima-se a hora da Negação da Negação… a hora da liberdade!

Após alguma aparente recuperação da economia mundial, quando as bolsas pararam provisoriamente de cair, logo veio um relativo optimismo. Os economistas lacaios do capital já chegavam a anunciar um fim próximo para a atual crise do capitalismo mundial.
Por exemplo: no Brasil, o economista da ditadura, Delfim Neto (hoje “companheiro” de Lula, ontem, no período entre 1967 e 1974, ministro da Fazenda, e depois, entre 1979 e 1985, ministro do Planeamento), logo se manifestou profetizando a recuperação breve do capitalismo brasileiro e de todo o mundo.
Fazendo coro com o “psicologismo” económico optimista de Delfim, muitos outros economistas lacaios se manifestaram na mesma direção.
No entanto, o optimismo psicológico dos economistas lacaios do capital e aliados de ditadores não é capaz ou suficiente para transformar os factos da realidade material.
A Bolsa de Valores de São Paulo, a Bovespa, na sexta-feira, dia 15 de maio de 2009, fechou em queda de 0,89%, terminando a semana com uma baixa total de 4.65%, interrompendo uma sequência de nove semanas de alta.
Na economia mundial, a situação não é muito diferente. Apesar de certas calmarias breves e das declarações pseudo-optimistas dos diversos economistas burgueses, nada mudou no rumo geral da barbárie capitalista que avança e avança. Palavras e prognósticos positivos não são capazes de mudar a realidade do movimento do capital a deteriorar-se e não conseguindo mais valorizar-se.
Na economia mundial, destaca-se como modelo o caso da GM. Sendo uma das maiores empresas automobilísticas do mundo, a GM anunciou o fecho de perto de 2.400 concessionárias nos Estados Unidos da América até o próximo ano de 2010. Só esse dado mostra a gravidade e profundidade da crise do sistema capitalista, hoje um sistema produtivo montado sobre rodas…
No entanto, as rodas já não conseguem girar. As múltiplas contradições de uma economia embasada, em grande parte, na irracionalidade da indústria automobilística e, mais, profundamente, no valor como sujeito, manifestam-se de maneira irreversível.
O capital cava a sua cova, pouco a pouco, como profetizou Marx. Na economia mundial, aprofundam-se os processos de compra ou fusão de empresas, tanto à escala nacional como a nível mundial. Aproxima-se a hora final!
No Brasil, por exemplo, a Perdigão e a Sadia negoceiam a unificação, que, na verdade, deve ser a expropriação da Perdigão pela Sadia, empresa beneficiada pelo governo desde que Furlan, ligado à Sadia, foi ministro de Lula. Neste caso, o Estado aparece como co-participante na “fusão”, expropriação, ou concentração de capital. Nada diferente ocorre à escala mundial: hoje, a Fiat negocia a absorção da Opel, filial alemã da GM. Múltiplos processos similares poderiam ser citados. Diversas grandes corporações estão a ser expropriadas pelas suas rivais. Esta é uma lei do sistema capitalista. Sobretudo em grandes crises, os capitalistas expropriam os próprios capitalistas e aumenta a concentração de capital. Mas, ao mesmo tempo e na mesma relação, aumenta o processo contraditório.
A expropriação dos capitalistas, pelos próprios capitalistas, só aumenta a concentração de capital e prepara uma nova expropriação, aquela realizada pela classe trabalhadora, a expropriação definitiva. Trata-se da expropriação feita pela classe trabalhadora contra aqueles que dominam os meios de produção.
Trata-se da Negação da Negação! Trata-se de negar os capitalistas negadores da vida! Trata-se de negar aqueles que poluem o mundo! Trata-se de negar aqueles que destroem a vida no planeta Terra, trata-se de negar aqueles que negam a vida, o trabalho e o amor de forma livre e libertária!

MNN – Movimento da Negação da Negação
http://www.movimentonn.org/

De volta ao mar


O hypercluster a criar pode ser o novo motor da actividade empresarial nacional, gerar emprego e criar riqueza.
O potencial económico relacionado com a zona marítima foi avaliado em 20 000 milhões de euros, ou seja, 12% do PIB! (in “Hypercluster da Economia do Mar”, de Ernâni Lopes). Este potencial pode ser atingido em 2025. Estas actividades abrangem vários sectores, desde os portos ao turismo, passando pelas pescas e pela energia até à biotecnologia.
Portugal já pediu nas Nações Unidas o alargamento da Zona Marítima Portuguesa, o que daria a Portugal a soberania sobre mais de dois milhões de quilómetros quadrados (23 vezes a área continental). A estratégia passa por:
i) reestruturar rede portuária
ii) centros de mar para náutica
iii) concessão de quintas marítimas
lV) observatório do mar
V) exploração energética
Vl) registo internacional
Vll) criação de estaleiros
Vlll) investigação aplicada
lX)monitorização do litoral
X) Marinha forma civis
Xl) áreas protegidas marinhas.
Iremos ao longo da semana desenvolver cada um destes conceitos. Oxalá o Governo tenha a coragem de colocar esta matéria com prioridade absoluta e deixar-se de TGV. Não há dinheiro para tudo e governar é optar. Esperemos então!

Orgias na sala de aula?

Do nosso comentador Nabor, o Príncipe Submarino, em comentário ao «post» do José Magalhães sobre Educação Sexual:

«Com muitos anos de profissão que já tenho, e permitindo-me também especular um pouco dado não conhecer este contexto (mas conhecendo o contexto das nossas escolas), os pedacinhos de gravações que ouvimos parecem-me, repito, uma reacção a palavras e comportamentos escabrosos dos alunos.
Não vejo ninguém a chegar à sala e dizer sem mais nem menos: “Já agora não querem contar também como perderam a virgindade para eu contar aos vossos paizinhos???”.
Os meninos desta idade, em algumas escolas, já fazem as tais “orgias” que se diz que a professora referiu. Já assisti a sexo oral em plena sala de aula, e perante a minha reacção de procedimento disciplinar, os alunos empertigarem-se todos e expeliram o grande clássico do:
“Que é que tem???”.
Pessoalmente, estou-me nas tintas para que a “Carla Vanessa” esteja mais que 2 minutos de joelhos debaixo da secretária do “Bruno Vandereleite” à procura da borracha, e que afinal esteja a fazer-lhe o dito acto.
Mas se eu o permitisse, é claro que estava na SIC a abrir telejornais com a seguinte parangona:

“PROFESSOR ORGANIZA ORGIAS NA SALA DE AULA”.

Só que a Carla Vanessa e o Bruno Vanderleite, primeiro desatam no “que é que tem”, passados 5 minutos já estão a negar.
E uma Carla Vanessa e um Bruno Vanderleite, que papam Morangos com Açúcar e fazem auto-abortos nas casas de banho com agulhas de crochet, dá-me o telemóvel já, etc., são evidentemente uns senhores cuja palavra não se questiona. Ao contrário de uma reles professorazeca que só teve que estudar 12 anos + 4 anos + 2 anos + tudo o que sabemos!
E deve ter sido qualquer coisa como isso que sucedeu aqui, pois a indignação da professora parece ir no sentido de os meninos se comportarem escabrosamente e negarem perante os pais.
O direito à indignação, quando nasce, não é para “professorzecos”!
O direito à presunção da inocência, idem!»

Não, comentador Nabor. O direito à presunção da inocência é só para o dr. Lopes da Mota e para o sr. José Sócrates.

Um professor enxovalhado: Testemunho de um docente da Escola E B 2 3 de Miragaia*

O recente livro do professor francês Nicolas Revol veio dar-me uma certa alegria. Chama-se esse livro “Maldito Prófe” e relata as traumatizantes experiências do autor numa escola secundária dos subúrbios de Paris. É irónico dizer que me deu alegria saber da existência de um jovem professor que, durante seis meses e até “meter” atestado médico, sofreu as mais graves ofensas psicológicas e até agressões físicas. Senti-me reconfortado por saber que não estou sozinho e que, ao contrário do que eu pensei, ainda há casos piores do que o meu.
Sou professor contratado da escola dos 2º e 3 º Ciclos de Miragaia, no Porto, como substituto de uma docente que partiu um pé. Lecciono o 7º e 8º anos de escolaridade a alunos entre os 12 e os 17 anos, que vêm maioritariamente de zonas socialmente mais degradadas da cidade, como é o caso de Miragaia, da Ribeira ou da Sé.
Cheguei apenas em meados de Novembro, mas vou ficar desempregado já em Janeiro, com o regresso da professora da turma. Com casa para pagar e familia para sustentar, sem nenhuma fonte de rendimento, estou quase satisfeito por ficar sem escola. É que vai ser um alivio, o fim de um pesadelo, o regresso à vida normal, a fuga de um mundo paralelo que a generalidade das pessoas não imagina sequer que existe.
Tudo aquilo que descrevo nesta página é a mais pura verdade. Omito apenas os nomes por questões éticas, mas principalmente por questões de segurança. Exagero? Quem convive diariamente com esta comunidade escolar, sabe que não é exagero; aceito que quem está de fora, pense que sim.
Se os senhores da politica, que afinal de contas nunca tiveram que lidar com situações práticas dentro de uma sala de aula, fossem obrigados a ouvir diariamente frases do tipo “não me chateie” ou “você pensa que me põe fora da sala?” e não pudessem fazer nada, não considerariam isto um exagero. Se os senhores da politica fossem cuspidos nas costas sempre que se virassem para o quadro, decerto que já teriam tomado alguma atitude.
Afinal, os problemas desta escola-modelo (as suas instalações, que incluem elevadores e cacifos individuais para os alunos, ganharam um prémio internacional de Arquitectura) são os problemas dos grandes centros urbanos. No Porto ou em Lisboa, em Miragaia ou na Trafaria, os meus alunos são, não raras vezes, filhos de toxicodependentes, alcoólicos ou presidiários. São meninos e meninas que não comem bem, não vestem direito nem habitam em segurança. São rapazes e raparigas que a vida tornou adultos, rapazes e raparigas que em crianças foram amarrados com cordas para estarem quietos, queimados com pontas de cigarros para estarem calados ou, pura e simplesmente, violados. São adolescentes que andam ao “Deus dará” sem o menor respeito pelas normas sociais, no fundo, sem qualquer futuro.
Os meus alunos, afinal, são vítimas. É por isso que eu até posso compreender algumas das suas atitudes, mas nunca aceitá-las. É que, agora, a principal vítima sou eu! Quando não consigo dar uma aula, quando consigo mas fico sem voz, quando sou insultado por um aluno, quando faço participação disciplinar e nada acontece, quando me sinto um zero dentro da sala, quando anseio (ilogicamente) pelo desemprego, quando vejo muitos dos meus colegas de atestado médico por não aguentarem a pressão, quando eu próprio começo a sentir-me perturbado.
Lecciono há 7 anos (9 contratos). Neste ano lectivo, já estive noutro estabelecimento de ensino. Passei por todo o tipo de alunos. Não sou um professor inexperiente. Foi por isso que, avisado em relação ao meio social que ia encontrar, entrei com firmeza e mantendo a autoridade; como sempre fiz, mas desta vez por razões maiores. Não deu resultado! Outros colegas entraram com simpatia e muitos sorrisos (“são putos carentes, precisam de carinho”), mas ainda foi pior. Eu também tentei levá-los a bem, mas não deu resultado. Não acredito que alguma estratégia tivesse êxito com estes alunos. Teorias, há muitas. A prática, sou eu que estou a vivê-la. É verdade que há alguns professores que aguentam anos seguidos, mas esses acomodam-se. É um deixar andar e deixar fazer.

1º dia – turma W. A aluna J entra na sala aos gritos, virada para mim. “Quem é o prof.?” ; como o seu comportamento é arrogante e mal-educado, peço-lhe calma. Minutos depois, como tudo continua igual, dou-lhe uma ordem de saída da sala. Acto contínuo, a aluna recusa-se a sair e começa a vociferar contra mim. Mantenho-me calado, volto a pedir-lhe para sair da sala e recuso-me a continuar. Chamo um funcionário para a retirar da sala, mas enquanto não vem, tenho de ouvir as frases que se seguem:
– “Está maluco! (faz o respectivo sinal)
– Calai-vos, pá!
– Você está a substituir a perneta?
– Dê a aula, foda-se!
– Você pensa que eu saio? Lá para fora é que eu não vou! Eu sou de apetites.”
Depois destas frases, levanta-se e vai ver a lindíssima paisagem pela janela. Chega finalmente o funcionário e retira a aluna à força.

2º dia – turma X, a aluna H cola nos olhos uns papeis cor de laranja e ri-se para mim sempre que eu olho. Finjo que não vejo. A certa altura, abre o guarda-chuva e começa a brincar com ele. Ao mesmo tempo, pega numa luva e coloca-a em pé virada para mim, com o dedo do meio em riste. Peço-lhe que pare. Não pára. Mando-a sair da sala.

3º dia – turma Y. A aluna F está sempre a bater na cabeça do colega do lado, que se irrita e lhe berra. Ela dá-lhe duas estaladas em plena aula e adverte-o, aos gritos e de cabeça perdida, de que a última pessoa que lhe falou assim foi parar ao hospital. Quando finalmente consigo pô-la fora da sala, minutos depois, agarra-se a mim a rir-se e começa a mexer-me na barriga. Já fora da sala, dá gritos estridentes e faz gestos obscenos através do vidro, esfregando nele as partes sexuais.

4º dia – Turma Z. Entro numa sala e vejo um aluno aos gritos com a minha colega. Ela tenta acalmá-lo, mas só se ouve a voz do aluno. Dou-lhe um berro e ordeno que se cale; pergunta-me porquê com maus modos, respondo-lhe que não se fala assim com os professores e ele acaba a discussão com a frase: “Não me chateie” – dou-lhe ordem de expulsão, mas a outra professora desautoriza-me dizendo que já é costume “ele falar assim” e “não tem assim tanto mal”.

Foram os meus primeiros quatro dias na escola de Miragaia. Alucinantes! Os registos deste género continuam diariamente, mas agora quase que me habituei. Quando um aluno mastiga pastilha elástica na aula, quando um aluno não tira o boné, quando um aluno me trata por você, quando um aluno se levanta sem autorização, eu acho normal. Quando um aluno é chamado à atenção e me responde: “espere aí!” ou “vou ali, já venho!”, quando um aluno vai ao WC sem pedir autorização, quando um aluno de outra turma entra na sala e dá um murro a um aluno meu, quando eu conto tudo isto à Directora e nada acontece, eu acho normal. Quando ouço os professores mais velhos dizerem: “Nós não podemos ter amor-próprio, nós somos enxovalhados e temos de calar!”, então eu compreendo como é que eles aguentam e eu não!
Eles acomodam-se à situação, eu não! Mas se calhar, como já não estou muito bom da cabeça, vou fazer o mesmo.
Quanto aos senhores da política, que continuem a legislar no mesmo sentido. Enquanto um professor não for morto em plena escola, eles não vão parar.

Ricardo Santos Pinto

* Publicado no jornal «Público» em 21 de Dezembro de 2000.
—–
Nota: Nunca fui um pofessor autoritário, do tipo «quero, posso e mando». Nunca precisei de reagir da forma que reagi em Miragaia. Mas poucas vezes tive de lidar com marginais.
Os meus primeiros alunos, do ano de Estágio, em Rio Tinto, foram todos ao meu casamento, provocando um problema familiar – convidei os meus alunos e não convidei os meus primos. Lembro-me que, na altura, juntaram-se e deram-me uma salva em prata e 50 contos – na altura, era dinhei
ro
. Ainda hoje janto com alguns deles de vez em quando.
Em S. Romão do Coronado, fui uma semana para o campismo, em Sines, com a minha Direcção de Turma. Depois de as aulas acabarem e assumindo pessoalmente toda a responsabilidade por tudo o que viesse a acontecer. Empenhei-me pesssoalmente para garantir patrocínios que possibilitassem a viagem – alguns dos putos nunca tinham visto o mar. Nesse mesmo ano, cheguei a estar na escola até à meia-noite para que os alunos pudessem receber o Jornal da Escola em tempo útil. Continuo a encontrar-me com eles.
Neste mesmo ano lectivo, 2008/2009, agora efectivo no distrito de Viseu, criei blogues para as minhas turmas do Secundário e rapidamente a nossa relação se tornou muito mais do que uma simples relação professor -aluno. Correspondo-me com eles dessa forma, sobre as matérias e não só. Com estes meninos, não preciso sequer de levantar a voz.
O mais extraordinário nisto tudo é ver que, nove anos depois deste texto, que escrevi para o «Público», ele continua tão actual. Quanto a Miragaia, parece que está como o costume.

A lente da velha e cinzenta senhora

Fortemente afectado pela crise financeira e económica, um dos mais importantes e influentes jornais de todo o mundo luta pela sobrevivência. Ainda não há muito tempo, alguns especialista norte-americanos em questões relacionadas com a comunicação social, diziam que o New York Times poderia fechar as portas em Maio. Não vai fechar. Mas nunca se saberá se essa profecia não se iria realizar se não tivesse chegado um empréstimo salvador. O milionário mexicano Carlos Slim, já accionista do jornal, injectou 250 milhões de dólares, o dinheiro necessário para manter o grupo em funcionamento.

O New York Times foi uma das primeiras e mais significativas vítimas da nova era informativa. Demorou a reagir, como muitas vezes acontece em estruturas pesadas e tradicionalistas. A “velha e cinzenta senhora” fez jus ao epíteto e tardou em mexer as pernas, os braços e, sobretudo, a cabeça. Se todos os jornais, sobretudo os mais antigos, tiveram dificuldades em perceber que algo estava a mudar, o NYT fez pior. Tentou remar contra a maré, pensando que, com o tempo, tudo voltaria a ser como já foi.

O tempo perdido neste processo foi fatal. Quando perceberam que nada havia a fazer, os administradores do NYT tentaram reagir. No entanto, demonstraram que entre o entender e o compreender há uma certa diferença. A reacção foi a pior possível. O jornal bloqueou diversas áreas do site da internet a utilizadores pagantes. Uma medida que não teve resposta junto dos leitores regulares do jornal em papel e afastou os novos consumidores de informação, que não estavam, e ainda não estão, habituados a pagar por aquilo que consomem na Internet. A estratégia não resultou e houve que voltar a acertar o passo.

Aos poucos, as empresas jornalísticas do grupo começaram a aproveitar as ideias de alguns jornalistas adeptos da inovação, num lento acordar para a realidade. Nasceram novas secções, novos projectos.

Um deles surgiu nos últimos dias. O NYT lançou no seu site uma nova faceta que representa mais um passo nesse processo. O jornal acaba de lançar Lens (Lentes). É um blogue de fotojornalismo que se propõe apresentar algum dos jornalismo mais interessante do ponto de vista visual e de multimédia. Apesar de ainda estar ‘verde’ é já um regalo para os olhos de toda a gente e, sobretudo, daqueles que gostam de fotojornalismo.

FMI – cinco regras contra a crise

Os países que seguiram os conselhos do FMI tiveram maus resultados no passado. Tudo se resumia à contenção orçamental o que levou, muitas vezes, à morte do doente por inacção. Agora,não desiste de dar conselhos,mas melhora: i)investir em infraestruturas tem um maior impacto do que cortes de impostos ou transferências de rendimento para o sector privado (não são as mesmas que o governo está a lançar.
São investimentos de proximidade que têm efeitos imediatos); ii) Cortes de impostos e transferências dirigidos às famílias e empresas mais afectadas podem tornar-se mais eficazes do que o habitual, porque deparam com a dificuldade em obter empréstimos bancários (O nosso governo meteu o que tinha e não tinha nos bancos à espera que o dinheiro chegasse à economia real; iii) Apresentar uma estratégia credível de sustentabilidade orçamental para o futuro(por cá nem vê-la); lV) governos devem assegurar a recapitalização das instituições viáveis e assegurar um fecho ordeiro das que que não são (O BPP e o BPN são dois grandes buracos onde o Estado meteu milhões); V ) Coordenação entre os países europeus é essencial.
Resumindo e concluindo, por cá à luz das receitas do FMI, já temos aí um par de falhas que leva o governo a não querer apresentar o Orçamento Rectificativo porque isso vai mostrar que “sustentabilidade Orçamental” não há, o que nos vai derreter o pouco que temos a pagar enormes empréstimos externos a preços elevadíssimos!

O bico ao prego

O texto de João Paulo (aqui abaixo) deixou-me espantado. O professor João Paulo, elemento activo de uma classe profissional que é das mais importantes de todas ao longa da história, prefere não julgar por antecipação, dado que não tem todos os elementos ao seu dispor sobre o caso da professora de Espinho. Aceito. Tem toda a lógica.

No entanto, aproveita o momento para analisar a riqueza linguística da letra de uma das bandas da moda. Uma letra cujo teor incomoda. Bem sei que a ideia não é desculpar o eventual erro da senhora professora. Acho, pelo menos é a minha ideia, que João Paulo quer dizer não haver grande mal, se o houver, em falar de sexo nas aulas, porque a miudagem está farta de ouvir falar disso.

Só que este é um argumento pouco consistente. A letra de Da Weasel hoje é tão agressiva como os gingares de anca do Elvis nos anos 50, as letras de alguns temas dos Beatles, Pink Floyd ou Deep Purple nos anos 60, para não falar de Sex Pistols nos anos 70, entre muitos outros. Será que o incómodo acontece porque, desta vez, a professora não é, não pode ser, considerada vítima, mesmo que possa não ser uma culpada? Será que é por, desta vez, a haver responsabilidades, não se pode atirar a culpa para cima do ministério ou da DREN?

É claro que os jovens, mesmo os acabados de chegar à adolescência, sabem mais de sexo, ou da palavra sexo, do que há uns anos atrás. É a evolução. Há sexo a toda a hora na televisão, nos programas juvenis, na publicidade, nas notícias, em conversas de café, em ‘bocas’ que se mandam em reuniões de família. Está lá, ponto.

O problema, aqui, não está apenas nos comentários impróprios. Está também, e sobretudo, na atitude, nas ameaças e intimidações que terão sido feitas. E, neste aspecto, não vale iludir as palavras.

Dialectos de Ternura – uma professora de História em Espinho

“Yoo
Ela diz que me adora quando a noite vai a meio
Eu sinto-me melhor pessoa, menos fraco, feio
Passa o dedo na rasta com a mão bem suave
Encosta o lábio no ouvido e diz-me: queres que a lave?
Vamos para o chuveiro e ela flui com a água,
Lava-me a cabeça, a alma e qualquer réstia de mágoa
Diz que o meu amor lhe dá um certo calor na barriga
É aí que eu sei que quero ser para sempre aquele
nigga
Que lhe mete a rir, rir, quando eu lhe faço vir
Da terra até à lua mano, é sempre a subir… “

[Dialectos de Ternura, Da Weasel]

Não quero correr e não vou correr o risco de “falar sem saber”. Não sou como o Grancho que disse que não gostou de ouvir.

Uma coisa eu sei – está tudo virado ao contrário! Tudo!
Continuem assim e o caos é o que nos resta.
Podem, por exemplo atentar na letra de uma das bandas que os meninos andam a ouvir. Isto só para começar conversa, tipo desbloqueador de conversa de elevador.
Eu sei que não tem nada a ver, mas é também por isto que dia 30 lá estarei em Lisboa!

Educação Sexual

ORGIAS E OUTRAS PRÁTICAS

A senhora Professora  entendeu dar uma aula de educação sexual. Seja qual foram as razões que a nortearam, entendeu também falar de orgias. Num País que entende que a educação sexual é muito importante, tão importante que se propõe distribuir preservativos nas escolas, deverá ser normal falar de todas e quaisquer práticas sexuais.
A professora falou para alunos de doze e treze anos. Inocentes, virgens de todo e qualquer acto menos “normal”, como se sabe que alunos dessa idade ainda são, sem nunca terem feito seja o que for neste nível, ou ouvido falar de tais coisas, seja pelos amigos, seja pela televisão em horário nobre, seja por quaisquer outros meios.
Será possível que a srª Professora tenha empregue palavras menos correctas e que não estejam escritas na cartilha do ME? Será possível que a srª Professora tenha feita a apologia de tais actos pervertidos? Será possível ter educação sexual sem falar em todas as práticas que existem?
Uma aluna gravou o delito!
A professora foi suspensa pela DREN, após a denuncia de encarregados de educação.
A gravação não foi premeditada (!).
A moral foi beliscada.
A hipocrisia veio ao de cima como certos dejectos.
Querem ou não querem educação sexual?
Suspende-se uma Professora por via disto?
Mais um acto a seguir-se a tantos outros em que este ano lectivo foi pródigo.
A minh’alma está parva!
E é que nunca mais é Outubro, caramba!

O Lince


O plano de introdução do Lince Ibérico está a todo o gás. O centro de acolhimento está pronto e será entregue pelas Águas de Portugal ao Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade. O dia internacional da Biodiversidade, 22 de Maio, foi o dia escolhido. Já foi feita a recuperação dos habitats e lançada uma campanha junto das populações para as sensibilizar para a importância do Lince.
O repovoamento vai ser feito até final do ano com importação de animais de Espanha!
Como sabem trata-se de um animal bonito, esquivo, ágil, furtivo que necessita de habitats próprios e que sem condições excepcionais de protecção ao mais alto nível e de equipas de gestão devidamente colocadas no terreno, tem tendências para a extinção!

Os 10 mais influentes de Portugal


A partir de hoje e até ao dia 31 de Maio, o Aventar quer saber quem são os 10 portugueses mais influentes da actualidade. Todos estão convidados a responder, classificando de 1 a 10 aqueles que, em seu entender, influenciam mais os destinos do país.
As votações, por motivos óbvios, deverão ser enviadas para o mail blogueaventar@gmail.com e não para esta caixa de comentários. Nesta, podem falar da iniciativa (que de inédito não tem muito, valha a verdade!) e de outras questões com ela relacionada.
Os resultados serão apresentados, aqui no Aventar, em forma de «post», no dia 1 de Junho. E aí, todos estarão convidados a comentar os resultados.
Neste tipo de votações, geralmente feita a nível internacional, costumam ser estabelecidos critérios para aferir o potencial de influência de determinada personalidade da vida política, económica, cultural ou desportiva. Não o faremos: a escolha é totalmente livre e, como é lógico, totalmente subjectiva.
A nós, caber-nos-á apenas, para além de votarmos individualmente, fazermos a soma dos votos e apresentar os resultados.
Vamos a isso! Aventem-se!

Não é sobre um alegado apoio a associação de jovens

Ainda pensei em escrever sobre o belo gesto de alegada protecção e apoio a uma associação de jovens por parte de um dirigente desportivo. Mas prefiro não o fazer. Tenho medo de ser processado. Não por mim, mas porque se podem lembrar de fazer o mesmo a todos os aventadores.

Tenham em atenção que escrevi ‘alegada’. Só ‘alegada’. Não vá o diabo tece-las.

FALHAS E ERROS, SÓ MESMO NO QUE CONVÉM!

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15 000 APAGADOS
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Só mesmo quando interessa para compor os números, ou alguma outra coisas, é que as falhas pontuais, os erros inadvertidos, os enganos sem culpados, ou os apagões de nomes e números , não são considerados uma práctica reiterada, mas antes um enganozinho de nada.
O governos que nos (des)governa é useiro e vezeiro em atitudes destas e quejandas.
Por mais esta razão, a de 15 000 mil desempregados terem sido apagados do Instituto de Emprego, eu volto a dizer…
E é que nunca mais é Outubro, para que, já que não saem pelo seu pé, saírem a pontapé!

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Anjos do norte

Nunca se sabe que aspecto esperar de um enviado dos deuses. Alguns contam com uma criatura seráfica, de sorriso bondoso e olhar brilhante, levemente humedecido. Outros imaginarão um neo-hippie, cabeludo e de casaco de malha. E outros haverá ainda que pensarão num guru bem-falante, todo janota, com ar de sonso e conversa de charlatão, uma versão doméstica do senhor Paulo Coelho.

Mas eu sou tripeira, estou habituada a gente de fala grossa, e sei que os enviados dos deuses nem sempre são o que deles se espera. Vem isto a propósito de uma conversa próxima do delírio que tive há dias com um amigo, e na qual eu lhe dizia, admito que apenas pelo prazer indecente de provocá-lo, que imaginava que, a haver anjos da guarda, o meu seria um cromo portuense, com pronúncia do norte, que resmungaria de cada pedido que eu lhe fizesse, mas não deixaria de atender-me com aquela generosidade rezingona das gentes de cá de cima. Ele riu, mas não ficou convencido. O que ele não sabe é que eu tenho provas do que estou a dizer.

Há uns anos, estava eu a caminho do trabalho, atrasada como sempre, subia uma rua no centro do Porto a passo de corrida, quando me deparei com uma rapariga vagarosa, que caminhava à minha frente com uma lentidão exasperante. Como o passeio era estreito, olhei para trás, para a faixa de rodagem, para ver se podia descer e assim ultrapassá-la. Passava um carro, esperei um instante, desci, apressei o passo, retomei o passeio, deixando-a para trás. E então, a uns escassos dois ou três metros à minha frente, caiu um pedregulho enorme, ainda com dois pedaços de telha agarrados, vindo do cimo de um edifício decrépito. Fez-se um silêncio aterrador à nossa volta quando a pedra se estatelou no chão e se fragmentou em inúmeros pedaços pontiagudos. Atrás de mim, ouviu-se o vozeirão da rapariga indolente: “Foooodaaa-sse…”

Assim, mesmo, com uma cadência sonolenta, porque nela até um susto se processava ao retardador. Não sei se ela se deu conta, mas salvou-me a vida. Não estivesse ela a enlentecer-me o passo e eu não estaria aqui a contar a história. Poderia ela ter aproveitado a solenidade do momento e proferido um já batido “hoje é o primeiro dia do resto da tua vida” ou um cristianorro “foi-te dada uma nova oportunidade, aproveita-a, minha filha” ou um literário “Carpe Diem”.

Mas não, o meu anjo pessoal, nortenho, bonacheirão, abençoou-me com a sua particular graça e continuou a subir a rua com aquele passo pesado, as ancas largas e o linguajar apimentado.

Delação?

o Dr. António Arnauld, a quem devemos a criação do Serviço Nacional de saúde, saiu-se com uma tirada que é de certeza uma das melhores da década! Então, não é, que acusa de terem praticado delação os magistrados que se queixaram do Lopes da Mota, por este os ter pressionado, em nome do Primeiro Ministro e do Ministro da Justiça, para apressarem o arquivamennto do processo Freeport? E eu a julgar que os magistrados tinham como função a denúncia de crimes !!

A destruição dos solos agrícolas (RAN)

A alteração ao regime da reserva agrícola (RAN) facilitando a sua destruição, revela bem que nada pára este governo na sua sanha de encher o país de obras e mais obras! Contra os protestos de todas as associações do sector o Governo põe em perigo as terras que deveriam estar reservadas à produção agrícola e preservação da paisagem.
Constitui uma espécie de “Simplex para uma mais rápida desanexação, transformação e destruição dos solos agrícolas”! Vai ser possível a substituição das especies índigenas por espécies importadas como eucaliptos para alimentar a indústria das celuloses! Siga esta questão e assine as petições que circulam contra mais este atentado à nossa vida colectiva! Comem tudo…

O problema da Torre do Tombo nacional

Eu queria dizer isto, mas João Miranda, no Blasfémias, antecipou-se e deixou-me sem argumentos. Os dele bastam.

Em 30 de Maio, agora sim!, «jugulai» a Ministra da Educação

O texto tem três meses e foi escrito noutras circunstâncias. Mas o contexto é o mesmo – a luta dos professores. E quando se aproxima a terceira grande Manifestação Nacional, a repetição faz todo o sentido. Mesmo que já não vá mudar nada, os professores têm de dar mais um sinal. Em defesa da escola pública.
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Sei que muitos professores nos lêem. Ainda não temos os leitores do «Umbigo», mas lá chegaremos.
É para eles este texto.
Com todo o respeito, chegou a hora de «decapitar» a senhora ministra. «Jugulai-a» de vez! É agora ou nunca. Mesmo que hoje em dia já não seja ministra de nada, que simbolicamente tenha morrido há muito, a carcaça do simbólico cadáver, com o devido respeito, continua por aí. Envergonhada. Escondida. Inexistente. Fantasmagórica. Mas continua por aí.
É preciso, pois, dar a estocada final.
Chega de humilhações públicas. Chega de maus-tratos constantes. Chega de todo um programa que só visou partir a espinha da classe docente.
Não partiu, reforçou-a. Conseguindo transformar pequenas reuniões de professores em mega-manifestações de 25 mil pessoas. De 100 mil. De 120 mil. Conseguindo adesões de 90% a greves habitualmente pouco concorridas. Conseguindo unir uma classe tradicionalmente pouco activa.
Afinal, o que é que está em questão? Sinceramente, já não interessa. Foram anos a ouvir que «quando se dá uma bolacha a um rato, ele a seguir quer um copo de leite!» (Jorge Pedreira, Auditório da Estalagem do Sado, 16/11/2008); que «vocês [deputados do PS] estão a dar ouvidos a esses professorzecos» (Valter Lemos, Assembleia da República, 24/01/2008); que «caso haja grande número de professores a abandonar o ensino, sempre se poderiam recrutar novos no Brasil» (Jorge Pedreira, Novembro/2008); que “admito que perdi os professores, mas ganhei a opinião pública” (Maria de Lurdes Rodrigues, Junho/2006); que
«[os professores são] arruaceiros, covardes, são como o esparguete (depois de esticados, partem), só são valentes quando estão em grupo!» (Margarida Moreira – DREN, Viana do Castelo, 28/11/2008).
No que me diz respeito, estou completamente à vontade. Na blogosfera em geral, no meu blogue e no «5 Dias», já disse o que tinha a dizer sobre a senhora ministra, já fiz as críticas e já propus as alternativas. Percebo mais destas coisas do que a senhora ministra, que, à excepção dos anos em que fez o Curso do Magistério para poder ser professora primária com o 9.º ano, nunca entrou numa sala de aulas. Nunca teve trinta miúdos problemáticos à sua frente. Nunca se viu entregue à sua própria sorte. Nunca foi insultada olhos nos olhos.
A senhora ministra não aguentava uma semana.
Por isso é que digo que, chegados a este ponto, nada interessa. Mil propostas pode a senhora ministra fazer e mil propostas os professores recusarão. Pode a senhora ministra cobrir-se de ouro que os professores irão ver não mais do que latão.
É a guerra. A guerra total. E, por mais que digam, não há maneira de salvar a face das duas partes. Não há. Ou os professores ou a senhora ministra.
Quanto aos professores, nada têm a perder. Após uma campanha de intoxicação da opinião pública de quatro longos anos, os portugueses continuam a confiar muito mais nos professores (42%) do que nos políticos (7%). E os alunos confiam nos seus professores. É o que interessa. Podem ameaçar com processos disciplinares e com tudo o que quiserem – todos sabem que a lei nada prevê para quem não entregar os objectivos individuais.
Mas se os professores não têm nada a perder, já os senhores da governação estão aflitos. Há eleições daqui a cinco meses e aquela gente, que nunca fez mais nada na vida, não sabe viver sem o poder. Adoece. Definha. Morre.
O exemplo vem de cima e a melhor escola pública do país, a Infanta D. Maria, de Coimbra, voltou a reunir e voltou a decidir que o processo de avaliação vai continuar suspenso. As 458 escolas e agrupamentos que já tinham decidido a suspensão da avaliação irão certamente reafirmar a sua posição. Irão certamente manter a suspensão.
E no Sábado, na reunião dos Presidentes dos Conselhos Executivos, estou em crer que vai sair uma nova posição de força. De muita força. A demissão em bloco se necessário for. E os professores, acredito, sairão em socorro dos seus Presidentes.
Chegou a altura de acabar com isto de uma vez por todas. Antes que os alunos saiam prejudicados. Antes que isto se torne completamente ingovernável.
Os próximos dez dias serão decisivos. Os professores vencerão se não se amedrontarem. Se continuarem unidos. «Há momentos em que a única solução é desobedecer», disse em Abril de 74 aquele que nunca quis cargos. Nem poder. Nem dinheiro. E que pagou por isso. Sigam o seu exemplo.

dinheiro vivo, morto ou doente

Já há uns tempos atrás, uma sueca ficou milionária sem querer. Hoje, diz o Público, que uma mulher tentou fazer uma transferência bancária de 50 mil milhões de euros dos EUA para Portugal. Que é que se passa com as mulheres e o dinheiro? Quem será esta mulher enigmática que além de ter 50 mil milhões de euros, os ia transferir para Portugal? Será algo relacionado com as obras megalómanas do nosso governo? Intriga-me. Ainda ontem tinha andado a ver se a gripe A/suína/mexicana/nova se transmitia através do dinheiro. Não há problemas de transmissão relevantes, a não ser que aparentemente se junte muco nasal, porque nesse caso pode haver alegadamente a hipótese de transmissão. Admito que estou com alguns problemas porque estou constipado, estou com o “pingo” no nariz e normalmente uso dinheiro vivo…
ainda acho que também os partidos políticos vão desistir daquela ideia de receber dinheiro vivo… é que só 3% do dinheiro existe fisicamente.
Quem diria que o “vil metal” se tornaria também abstracto.

Como o mundo está a ficar totalmente paranóico, deixo o link para a respectiva teoria da conspiração envolvendo o fim do dinheiro vivo. MONDEX.

A CARTILHA, A PARVOÍCE AO SEU MAIS ALTO NÍVEL

MANUAL DE PALAVRAS E FRASES

Os senhores professores receberam uma cartilha, chamada pomposamente Manual do Aplicador, com instruções precisas sobre as palavras e frases a dizer aos alunos no início, no meio e no fim das provas de aferição dos quarto e sexto anos de escolaridade.
Como o Ministério entende que são uns patetas (os professores), sem capacidades para saber o que dizer aos alunos sobre as normas a que estão sujeitos e outras coisas menores, decidiu (o Ministério) enviar as palavras e frases exactas, que os professores deverão proferir em cada uma das ocasiões. Nem uma vírgula nem uma vogal a mais ou a menos. Tudo muito direitinho. E o mais engraçado, é que os Professores serão “castigados” se não cumprirem estas ordens à risca.
São oito páginas de um guião, que muitas vezes é confuso e entediante.
Só se pode dizer que esta situação, a juntar a tantas outras, só pode vir de uma mente parva e de um nível (muito alto, já que vem da srª ministra) muito baixo, e de quem nada entenderá do assunto. E ainda se julga cheia de razão ao dizer que a cartilha é muito útil aos senhores professores. E eu, que não entendo nada disto, até posso perceber a utilidade, já que com a falta de dinheiro que as escolas têm, por certo haverá muita falta de papel, para as mais diversas funções.

Exemplos das instruções/ordens encontradas na cartilha (Manual do Aplicador):

Primeira parte:

“Leia em voz alta: ‘Agora vou distribuir as provas. Deixem as provas com as capas para baixo’; ‘Podem voltar as provas. Escrevam o vosso nome no espaço destinado ao nome’; ‘Querem perguntar alguma coisa?'”

“Desloque-se pela sala, com frequência”, “Rubrique o enunciado no local reservado para o efeito”.

“Leia em voz alta: ‘Ainda têm 15 minutos’; ‘Acabou o tempo’. ‘Estejam à porta da sala às 11h e 20 minutos em ponto’. ‘Podem sair'”.

Segunda parte:

“Leia em voz alta o seguinte: ‘Agora vão iniciar a segunda parte da prova. Podem começar. Bom trabalho!'”

“Recolha as provas e os rascunhos”. “Mande sair os alunos, lendo em voz alta: ‘Podem sair. Obrigado pela vossa colaboração!'”

Se isto tudo não fosse uma idiotice pegada, e não prejudicasse os alunos e os professores, talvez que até tivesse graça.

Cavaco já teve as suas Seychelles

Há alguns anos atrás, Mário Soares, enquanto Presidente da República, decidiu ir passear até às Seychelles à custa do Estado, fazendo para tal um desvio à viagem oficial que o levara até à Ásia. Nada que na altura tenha surpreendido, vindo de alguém que, nos últimos 35 anos, nada mais fez senão parasitar o Erário público. Vindo de alguém que, ao fim de dois mandatos, subtraiu vergonhosamente ao Estado um valioso património que lhe foi oferecido como Presidente da República e que acabou na Casa-Museu João Soares em Leiria.
Tantos anos depois, Cavaco Silva também quis ter o seu momento Seychelles. Aproveitando uma viagem oficial à Turquia, fez um desvio de centenas de quilómetros, à custa do Estado, até à Capadócia. E por quê? Simplesmente porque a D. Maria (sim, tal como Salazar, Cavaco também tem a sua D. Maria) gostava de conhecer a Capadócia.
Quer conhecer a Capadócia, D. Maria? Pois está claro, conhece e os contribuintes pagam. Eu pago para que Suas Excelências vão passear até à Capadócia. Por acaso, até já lá fui, mas, veja-se lá, tive de pagar do meu próprio bolso.
Não é possível meter esta gente em tribunal? Não é possível conseguir que esta gente sinta um pingo de vergonha?
E a seguir, o que é que vamos ver? O Primeiro-Ministro a viajar para a Madeira, à custa do Estado, para ganhar uns trocos na venda de uns Magalhães?

O baile de Elisa Ferreira

Elisa Ferreira mais próxima da Europa… apenas!

Reconversão dos homossexuais

Porque aqui no aventar não há tabus nem ideias preconcebidas eu, que fui o autor do poste “A homossexualidade trata-se ?”, não tenho dúvidas nenhumas em colocar aqui uma petição que vai ao arrepio do que defendo! Continuo a não entender porque razão há quem não queira que homossexuais, “de mal” com a sua condição sexual, procurem um profissional para encontrar ajuda.
Mas aqui fica para o caro leitor aventar como desejar:

http://www.peticao.com.pt/reconversao-da-orientacao-sexual?

Trata-se de um Direito de Cidadania, não tem nada a ver com homossexualidade, embora os nossos amigos gays o esgrimam como estandarte de uma certa ideia “de pecado original”, alguem poder estar “de mal” na sua condição homossexual!Insisto, esta petição é um atropelo aos Direitos Humanos.O que acontecerá sempre que algum homossexual queira mudar de orientação sexual? Estará impedido de procurar um médico? Com o argumento que não é doença e por isso não tem tratamento? Mas esse argumento não é rigorosamente pessoal, por parte do doente e rigorosamente profissional, por parte do médico? A que título é que alguem homossexual feliz com a sua orientação sexual, determina o que é ou deixa de ser numa relação que só diz respeito ao médico e a quem o procura?

Professores voltam à rua II: 16, 23, 30… Lisboa sempre Cheia?

Isto de marcar uma manifestação tem as suas dificuldades.
Não as coloco, as dificuldades, ao nível dos argumentos – felizmente, nesse aspecto o “sinhori inginheiru” tem agraciado todas e todos com muitos, mais que muitos e para todos os gostos e feitios.

Lisboa,1605 (ao melhor estilo americado) é a igreja na rua, com a Imagem (e não a própria) de Nossa Senhora nas ruas e águas de Lisboa a caminho dos 50 anos do Cristo Rei, sei agora, mais pequeno que o irmão do outro lado do atlântico. Não sou dos que considera o tamanho e por isso acredito que o nosso Cristo é tão bom como o Brasileiro.

50 anos do Cristo Rei

50 anos do Cristo Rei


Lisboa, 2305, é a vez do PCP sair à rua numa marcha cujos objectivos são eleitorais e ponto.

23 de Maio de 2009

23 de Maio de 2009

Assim, para nós, meros assalariados docentes sobrava o dia 30 – temos, pois, 3005 para encher as ruas de Lisboa.

30 de Maio de 2009

30 de Maio de 2009

A fazer no dia 16 poderíamos ser acusados de estar a procurar a intervenção divina na resolução dos nossos problemas – mas, isso é hoje algo desnecessário, porque o destino da nossa Ministra está marcado. Pode não pagar cá, mas vai pagar!
Quanto ao dia 23 – se a malta, os Profs, esses comunistas, já são atirados para a militância vermelha, com cartão e tudo, então não vale a pena fazer coincidir a marcha do PCP com a Luta dos Professores – para os fazedores de manchetes do PS, seria um pleonasmo.
No dia 30, seremos mais que muitos e todas as indicações que chegam às direcções sindicais e que vão resultando do que se vai sabendo das escolas levam a ter a certeza que vamos ter mais um ENORME dia. Há autocarros completamente cheios em vários agrupamentos e sente-se novamente a classe a fervilhar.
A exigência de uma escola Pública mais democrática é comum a todos – podemos, todos e cada um de nós, Professoras e Professores, expressar motivos diversos, mas, em última análise o que todos queremos é que nos Deixem Ser Professores e que acabem de uma vez por todas com o clima que se instalou e que está a impedir o nosso trabalho!
Não é uma questão de dinheiro. Não são questões profissionais. É muito mais que isso. É dignidade, é sentimento…
Tudo …pelos Nossos Alunos!
Tudo … pelos Nossos Filhos!

Por 14 500 Euros! Deputados suspensos

Aqueles gajos em Inglaterra têm que passar umas férias cá no burgo. Os tipos andam a estragar a Democracia e o Estado de Direito que dão tanto trabalho a erguer! Então não é que os deputados foram de imediato suspensos por terem recebido uma massas a que não tinham direito? Anda tudo doido! Fucking guys are no well!

Fátima e a sua dimensão humana

Paradoxalmente, nada faz sentido se olharmos para Fátima como um fenómeno religioso! Só a Fé é que pode atribuir significado a três pastorinhos, crianças iliteradas e às sua visões da Senhora numa azinheira.Por mais naíf que seja,por mais belo que nos pareça, por mais luz que jorre…
O fenómeno de Fátima tem que ser olhado para a sua vertente humana.Para os milhões de pessoas que em todo o Mundo depositam ali as suas esperanças,para os peregrinos que ano após ano ali procuram um pedaço de alegria.Quem for a Fátima para ver algo de grandioso naquele lugar vulgar sai de lá profundamente desiludido, ou quem lá for para ver as multidões a acenar, ou a arrastar-se de joelhos, percebe que são liturgias encenadas.Mas quem lá for despido de preconceitos, genuínamente aberto a encontrar verdades, as verdades dos outros, não poderá deixar de sentir profunda compaixão por quem sofre, por quem foi abandonado, por quem procura redenção!Fui lá duas vezes. Na primeira vi quatro jovens mulheres que ali se deslocaram para agradecerem à Virgem a protecção do seu irmão mais novo, que voltara da vida militar são e salvo (mais salvo do que são).Na segunda , vi a silhueta de outra mulher com quem estive face a face no primeiro momento da minha vida! Há cinquenta anos que não a via…

Isto é que são conteúdos…

dame-o-telemovelAproveitem porque parece que agora é oferta!
Se bem que eu ache que a miúda não está nada parecida com a original do filme…

Políticos e Macacos:

Políticos e Macacos

Primeiro li a expressão no “i” e depois voltei a vê-la no Intervenção. Ao que parece, um “Tory”, a propósito de umas facturas de despesas mirabolantes metidas por políticos de todos os partidos da Grã-Bretanha e tendo em conta os baixos salários dos mesmos afirmou:

Se pagas com amendoins, terás macacos”.

Eu já sabia que a maioria dos políticos portugueses com cargos executivos é mal paga. Mas desconhecia que caso análogo se passa em terras de Sua Majestade. O mesmo se diga no tocante aos quadros da função pública.

Como se pode resolver tal? Penso que pela conjugação de três factores apensos ao salário: produtividade, competência e redução do número de cargos políticos executivos e do número de quadros na função pública. Concedo, porém, que no caso dos cargos executivos políticos, a avaliação é mais fácil e democrática (de quatro em quatro anos a população, através do voto, afere de tal). Já na função pública, essa avaliação só pode ser feita através de elementos externos e verdadeiramente independentes. O que nunca é fácil nem totalmente fiável mas bem pior é a avaliação pelos seus pares e pela classe política dirigente do organismo em causa.

Sendo certo que temos ministros, secretários de estado, deputados, vereadores e outros que tais em número excessivo, não o é menos que são mal pagos tendo em conta as tarefas e responsabilidades que lhes estão atribuídas.

Japanese Laughing: Estes japoneses são loucos! (II)

Pepe Chaves – Na Pré-História da Colonização Lunar*

HABITAR A LUA É UM SONHO ANTIGO, MAS UMA PRETENSÃO FORA DO ALCANCE NA ACTUALIDADE

NO MUNDO DA LUA – Afirmações da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) acerca da construção de uma base lunar vêm restaurar o sonho da conquista espacial norte-americana, rompido após as explosões de duas das suas espaçonaves tripuladas, as shuttle.
De 1969 a 1972, durante o governo do presidente Richard Nixon, os EUA, através do projecto Apollo, nas suas missões de 11 a 17 (excepto a de 13), levaram o homem até à superfície lunar e depois disso, o satélite não mais recebeu a visita humana.
Único país a enviar seres humanos ao mundo lunar, os EUA venceu a corrida espacial contra a Rússia, país que colocou o primeiro homem “fora da Terra”, ao lançar Yuri Gagarin no espaço em 1958. A conquista lunar colocou os EUA no patamar máximo das nações desenvolvidas da Terra e diversos investimentos internacionais, foram atraídos ao país, graças ao “maior feito da história humana”.
Por tudo isso, actualmente, os EUA não desejam perder “terreno lunar” para outros países que já lançam sondas no espaço e também planeiam viagens tripuladas para um futuro breve. Para tanto, a Nasa já tem articulados diversos projetos e estudos para a efectivação da volta do homem à Lua.
A colonização lunar, representa aos mandatários da Terra, antes de mais nada ascensão e afirmação científico-tecnológica, que se traduzem em supremacia nacional. Por isso, actualmente, e não só somente os EUA, o desejo é aplicar fora da Terra recursos exorbitantes para a exploração e “conquista” da Lua.
Não somente por acções estratégicas ou pela simples afirmação de poderio tecnológico, um país é levado a aplicar recursos na exploração lunar. É sabido que o satélite guarda no seu subsolo, diversos minerais “interessantes” em composições distintas da maioria existente na Terra. Certamente, o subsolo lunar poderá guardar distintas fontes de riquezas e talvez, até mesmo de necessidade e sobrevivência para o homem da Terra no futuro.

BASE NORTE-AMERICANA – Em recentes declarações à imprensa e também no seu site, a Nasa e o governo dos EUA fizeram ventilar interesses em construir uma base lunar que possa vir a dar suporte aos astronautas nas suas missões espaciais.
A declaração vem também “deitar água na fervura” de outros países, como a China (considerada a nova superpotência tecnológica mundial) que também tem “anseios lunares”, bem como a própria União Europeia (UE) que já desenvolve (num consórcio internacional da Agência Espacial Europeia – ESA) diversos projectos voltados à exploração espacial, inclusive de sondagem a partir da órbita lunar.
Nos EUA, o próprio presidente Bush declarou em 2004, que já está em curso a construção de uma espaçonave que faça o trajecto Terra-Lua-Terra eficientemente e viabilize a construção de uma estação fixa no satélite terrestre.
Contudo, apesar das diversas informações que a ciência detém a respeito da Lua, ainda existem muitos aspectos desconhecidos que podem implicar directamente no facto da permanência humana naquele inóspito ambiente.

EQUIPAMENTOS LUNARES – Mas, apesar de todos os contratempos, percalços e redução de verbas, a Nasa já desenvolve equipamentos e veículos que deverão ser utilizados na Lua um dia.
Um projeto chamado de “Constellation” deverá ser o substituto do Apollo e levar o homem novamente à Lua nos próximos anos. As informações são do professor paulista Márcio Rodrigues Mendes, físico e pesquisador em Astronomia e Astronáutica, que falou connosco sobre o assunto.
Desde que abandonou os projetos das viagens lunares os EUA não desistiram de retornar ao nosso satélite natural. Porém, os planos para a volta à Lua são bem mais ousados do que os do projeto Apollo, que levou o homem a pisar somente por cerca de duas horas no solo lunar.
Mendes que acompanha as viagens lunares desde sua adolescência e detém um vasto acervo que vai de maquetes a livros sobre o tema, afirma que, agora, a volta à Lua inclui a possível permanência humana por longos espaços de tempo, na superfície do satélite terrestre.
E para ter sucesso nesta difícil empreitada, será preciso criar diversos acessórios, equipamentos e veículos que dêem suporte à vida humana num ambiente atroz.
Desta forma, o conhecido “jipe lunar” será substituído pela sua mais eficiente versão, chamada de Lunar-mobile-Plataform. É um veículo capaz de trafegar em locais acidentados da superfície lunar, até que se construam estradas por lá.
Estradas em solo lunar poderão existir num futuro breve, conforme nos conta Márcio Mendes, “Imaginando a necessidade de um veículo com lâmina apropriada para trabalhar removendo pedras e nivelando o terreno lunar; bem como trabalhando ao aplainar terrenos para edificações, será usado o LNCE (Lunar Attachement Node for Construction Excavation)”.
Segundo ele, em breve “Haverá trabalhadores no solo lunar que, muitas vezes, estarão longe de seus alojamentos principais. Para tanto, já está desenvolvido o abrigo ideal, para trabalhadores e equipamentos. Trata-se do ATHLETE, um abrigo móvel, também conhecido como Cargo Moving Rovers”.
Mendes informa-nos também que outras gerações de robots da Nasa, a exemplo dos Rover que estão em Marte, também já estão a ser testadas, como o Autonomous Drilling Rover, para pesquisa geral do solo lunar e especialmente desenvolvido para regiões polares, onde as condições de escuridão e frio podem ser extremos.
Mendes também lembra que, caso sejam encontradas entradas para o subsolo lunar o K10, um pequeno veículo teleguiado, poderá adentrar-se e munido de sistema de escaneamento 3-D, poderá criar mapas topográficos com tecnologia avançada.
“Creio que poderemos vivenciar nestes próximos anos, toda essa experiência de exploração, baseada no programa Constellation”, finaliza o optimista professor Márcio Mendes.

HOLLYWOOD E A LUA – Em 1973 foi produzido por Hollywood uma das obras primas sobre o tema “estação lunar” e ainda hoje, pode ser considerada uma legenda da sci-fi espacial.
A série Espaço 1999 (Space 1999, Carlton Vídeo), de Gerry Anderson e Lew Classe, mostrava uma base lunar no ano de 1999. Era a base lunar Alpha, instalada na Lua por norte-americanos que conseguiram remontar em seu interior um ambiente idêntico ao terrestre.
Porém, na série, havia uma agravante, pois a Lua estava fora da órbita terrestre e os seus habitantes perderam o contato com o planeta. O deslocamento lunar teria ocorrido, devido a explosão de uma bomba nuclear que afastou o satélite terrestre e o fez navegar pelo espaço à deriva.
Espaço 1999, protagonizado por Martin Landau e Barbara Bain, trouxe em 24 episódios detalhes da vida numa colónia lunar, com as suas personagens sobrevivendo numa situação completamente autónoma ao planeta Terra.
Na série, o comandante John Koenig (Landau) ao lado da doutora Helen Russel (Bain), procurava dar o melhor destino às diversas aventuras que a base lunar Alpha passara na superfície do pequeno e agora astro errante.
A tripulação da Alpha utilizava veículos espaciais bastante limitados, chamados de Águias, inclusive, estes veículos (de 1999) tinham bastantes semelhanças com os pré-históricos módulos lunares utilizados pela Missão Apollo no início dos anos de 1970 – em tempo real, a missão foi finalizada pela Nasa pouco antes da produção da Carlton Video.
Durante os 24 episódios, a base Alpha, instalada na Lua (que então vagava pelo espaço sem rumo), enfrentou intempéries diversas na sua jornada sideral. Além dos protagonistas, mais seis actores integravam o elenco original da série, compondo a tripulação da base Alpha que, diferentemente de outras produções (que juntavam membros de múltiplas nacionalidades) era composta somente por norte-americanos.

DISCREPÂNCIAS – Mas, saindo do “mundo da lua” e voltando à realidade, economicamente falando, a viabilidade para a construção de uma estação lunar é praticamente nula para os dias actuais e mesmo para os próximos anos.
No entanto, acreditamos que afirmações actuais acerca da criação de bases lunares pode ser somente um «bluff» político ou tão somente a auto-afirmação de supremacia nacional.
Na realidade, diversos obstáculos ainda precisam ser transpostos para que uma base lunar se torne realidade e tenha um retorno prático que justifique as altas cifras que devem ser empregadas na sua construção.
Se a própria Estação Espacial Internacional (ISS), que emprega esforços económicos de 15 países, anda a passos de tartaruga, como seria possível construir uma complexa estação lunar que comporte a vida humana nos próximos anos?
A bem da verdade, o que separa a afirmação de um líder de Estado da realidade cientifica espacial disponível actualmente pode ser como um abismo de proporções gigantescas, dentro do tempo e do espaço em que estamos inseridos. Em 50 anos praticamente nada mudou em termos de tecnologia espacial, quanto ao modo de se lançar (foguetes) como de trazer os homens de volta à Terra (cápsulas e pára-quedas). Os shuttles deverão ser aposentados em 2010 – na verdade, o Endeavour, o único que restou, já que o Challenger e o Columbia foram destruídos – e, segundo a Nasa, os seus substitutos já estão a ser desenvolvidos.
Portanto, devemos estar cientes de que, actualmente, existem diversos obstáculos que impedem a presença humana no solo lunar por tempo prolongado e ainda não há tecnologia que venham driblar as dificuldades. Para tanto, seria preciso criar ambientes artificiais para que a vida humana pudesse ser desenvolvida dentro dos moldes em que ela se encontra na Terra.
Alguns deles são:
– A superfície lunar recebe fortes descargas radioativas do sol, as quais contêm elementos letais à espécie humana;
– O facto de o satélite não possuir atmosfera (como a Terra) que “filtre” as emissões de raios solares implica problemas diversos para a vida na Lua, pois não há como sobreviver sem trajes especiais para o ambiente agressivo;
– Também a falta de oxigénio natural obrigaria o constante uso de trajes adaptados para se deslocar na superfície lunar, além de um considerável stock artificial desse elemento;
– A superfície lunar é bombardeada constantemente por “tiros” de asteróides, meteoritos e pedregulhos de proporções diversas – já que o satélite não possui atmosfera (como a Terra) para dissolvê-los antes de atingirem o solo;
– A baixa gravidade lunar (seis vezes menor que a da Terra), também é um agravante e, decerto, afectaria o funcionamento de diversos órgãos do corpo humano dentro de pouco tempo; entre outros obstáculos.
Para contornar problemas gravitacionais, é que as bases lunares se mostram interessantes: haveria ambientes lacrados com gravidade artificial. As condições do interior de cada módulo habitacional seriam totalmente “calibradas” às condições terrestres.
Ou seja, criar-se-ia um ambiente onde a gravidade, temperatura e pressão seriam manipuladas dentro dos parâmetros terrestres – exactamente como mostram alguns filmes de ficção, onde seres humanos convivem em estações extraterrestres ou dentro de espaçonaves, andando e não flutuando, já que deveria haver ausência ou o mínimo possível de gravidade nestes locais.

SUBSISTÊNCIA – Devemos assinalar também que, dos factores essenciais para a permanência humana no mundo lunar seria a presença natural de água naquele ambiente. Esta possibilidade é alta, segundo os cientistas, porém ainda não foi confirmada precisamente.
Caso houvesse uma forma de manipular a suposta água lunar, um grande problema da colonização seria contornado. Com água no satélite, poder-se-ião criar culturas em estufas para consumo próprio dos astronautas. Isso já facilitaria muito as coisas por lá, além de criar uma significativa subsistência em relação à Terra.
Um avançado posto de pesquisa lunar, a serviço de diversos projectos terrestres, seria uma conquista para a humanidade como um todo, no bom sentido da exploração e da pesquisa espacial raciocinadas. Da Lua, seriam colhidos dados que, por motivos diversos, não têm condições de obtê-los com isenção a partir da Terra.

ATRASOS – O sonho de conquistar a Lua e construir no satélite uma base para comportar seres humanos, não é novidade e quem sabe, já poderia ser realidade na contemporaneidade (ou estar mais próximo disso), não fossem os dois acidentes fatais com as espaçonaves Challenger (1987) e Columbia (2003), que vitimou as suas tripulações e lançou um balde de água fria nas viagens espaciais.
Os projectos espaciais tiveram uma forte interrupção logo após estes acidentes e com isso, a conquista espacial sofreu notórios atrasos. Para completar o panorama negativo, as verbas federais para o sector espacial tornaram-se escassas, sobretudo, pelos pesados investimentos do governo de George W. Bush em segurança e armamentos.
Recentemente, o astronauta norte-americano Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na Lua, declarou que, se o seu país não fizer mais investimentos na Nasa, deverá perder a corrida espacial para a Rússia e até para a China. Em entrevista ao jornal “Sunday Telegraph”, Aldrin afirmou que tentará convencer os candidatos à Casa Branca, Barack Obama e John McCain, de que o governo dos Estados Unidos deve procurar verbas para implementar uma base permanente na Lua, e enviar a Marte uma missão tripulada.
Apesar de continuar a receber importantes cifras do orçamento norte-americano, os projectos espaciais daquele país (sobretudo, os tripulados) sofreram acentuadas quedas imediatamente após cada um destes citados acidentes, e ainda na actualidade, “curte a ressaca” do desastre com a Columbia, ocorrido há poucos anos, quando esta espaçonave entrava na atmosfera terrestre.
Certamente, não fossem os descaminhos do destino e excessiva preocupação com as guerras e o “terrorismo”, o processo de colonização lunar já poderia se encontrar bastante avançado actualmente.

* Pepe Chaves é pesquisador em ufologia e assuntos aeroespaciais. É editor do diário digital Via Fanzine e do portal UFOVIA – Núcleo de Estudos Telúricos e Celestes. A sua página pessoal é http://www.viafanzine.jor.br/pepe.htm