Freeport 5 – BPN 5

O Freeport a jogar em casa apresenta-se de vermelho mortiço, e cansado pelos últimas contendas. Nunca mais foi o mesmo depois da abada de 7 de Julho.                                              O BPN de equipamento alternativo, cinzento com umas dobras aqui e ali laranja. Tem vindo a ganhar confiança nos últimos tempos depois da vitória folgada sobre o adversário. O árbitro é o internacional PGR habituado a empates. Apita cada vez mais frequentemente e não deixa as equipas jogar. Quando uma das equipas ganha vantagem de imediato, o árbitro, arranja um livre perigoso junto da área. Penalties é que não há , mesmo quando são cometidos nas “barbas” das assistência.                                                                                                                               Ao intervalo o Freeport perdia por 3 a 0 mas o BPN não tem conseguido aguentar o ritmo de jogo. Depois de um golo óbvio e fácil, o segundo golo foi muito dificil de obter, com ressaltos e fintas esquesitas mas acabou por entrar. Estava o resultado em 3 a 2 quando num repente se chega a 5 a 5 com 3 golos nos últimos cinco minutos. Espera-se para esta última parte uma variação de resultado que tudo indica vai deixar o jogo ir para penalties .                                  Se formos para uma finalíssima é muito possível que se contrate um árbitro lá fora, o internacional Eurojust, que poderá ver, o seu principal elemento, ser renegado por uma das equipas ou mesmo por ambas!                                                                                                    O outro jogo épico prolonga-se há cinco anos, e o árbitro aguenta tudo e todos a ver se morre alguem para apitar para o final do desafio. Diz-se que esse resultado pode ter grande influência neste que se joga até às eleições de Setembro. Grandes jogos, com fintas de corpo, cotoveladas e perónios e tíbias partidas…

O Aventar é Obra…

Em menos de 4 meses:

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Nada mau!

Gays dadores de sangue -processo de decisão

A abordagem a estas questões dos homossexuais coloca-se sempre em termos de discriminação. Esta é a forma mais simples de afastar argumentos, porque coloca de imediato os homossexuais na posição do “coitadinho que esta a ser discriminado”.

Depois adianta-se que um processo assente numa análise custo/benefício não passa de economicismo. E em vez de se aplicarem modelos estatísticos na tomada de decisão, vai “tudo para o molhe e fé em Deus”. Acresce que não há base nenhuma médico-cientifica nesta tomada de decisão quanto à maior ou menor probabilidade de transmissão. Não se afastam os homossexuais por serem mais promiscuos ou por terem maior incidência de doenças sexualmente transmíssiveis. Afastam-se porque se sabe que há um certo número de casos que podem ser evitados com um procedimento seguro, barato e não colocando em causa as necessidades de recolha.

Por isso os meus amigos e amigas, deveriam perceber pelas tomadas de posição que tenho em relação aos homossexuais que nada tenho contra os homossexuais, e que não vale a pena insistir com argumentos que não vêm à colação. Eu não me basiei em nenhum argumento que credibilize os argumentos com que me brindaram.

O que eu disse e repito, é que numa tomada de decisão (que tem regras, já agora, porque se não tivesse seria discriminatória) o mais seguro, mais fácil e mais barato é afastar “de principio” um grupo de pessoas que se sabe, com a certeza absoluta, que tem X casos positivos e que o seu número(do grupo afastado) não coloca em risco as necessidades de recolha de sangue.

Há outros grupos de pessoas que são afastadas “por principio” como sejam as que sofreram transfusões, padecem de certas doenças, tomam determinados medicamentos e as que têm menos de 18 anos e mais de 65 anos.

A aplicar estes principios aos 5/6 milhões de pessoas restantes(afastá-las de principio) desde logo se percebe que não restariam dadores, e por consequência, sangue!

É só uma razão estatística, sem juízos de valor, sem discriminação, sem preconceitos…

Para fazer as pazes com o Dalby


Para fazer as pazes com o nosso Dalby, aqui deixo uma pequena amostra da suave e melodiosa voz de Sade Adu, de que ele tanto gosta. Abraços, Dalby!

Não baixo os impostos!

Há muito que temo que esta seja a única promessa que Sócrates cumpra se tiver oportunidade. Foi ele que subiu os impostos depois de ter prometido na campanha que não os subiria. Com um Estado cada vez mais disforme e anafado que já come 50% da riqueza produzida é óbvio que ninguem espera que os impostos baixem por iniciativa de quem os aumentou.

No entanto, há muita gente com provas dadas e muito mais capaz que Sócrates, que afirma que baixar os impostos seria um factor de dinamização das actividades económicas. Mas como em outras frentes, tambem aqui Portugal não tem margem de manobra. Isto é mais uma afirmação de impotência perante os factos que uma política conscientemente aplicada.

Sabemos que as contas públicas estão num estado muito mau, que a receita dos impostos não cresce porque diminuiu a criação de riqueza, que o crédito está cada vez mais dificil de obter e mais caro, resta o quê a Sócrates?

Meteu dinheiro às carradas nos bancos e nos grandes grupos económicos, não apoiou as PMEs, insiste em grandes projectos não tendo dinheiro, resta o quê a Sócrates?

Ser substituído, e depressa!

A CAMINHO DO AFUNDANÇO TOTAL

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A SRA D ELISA, MANTÉM AS SUAS INTENÇÕES, QUE NÃO PASSAM PELO PORTO
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A sra d Elisa, continua a dizer-nos que mantém um pé no Porto e outro em Bruxelas, e que se não ganhar (coitada da sra que ainda sonha com essa impossibilidade) não fica cá. Pudera, pois que o que a sra quer é ganhar um dinheirito bom, e ganhar protagonismo, como se compreenderia que aceitasse ficar como vereadora?
É uma tristeza continuar a verificar a razão que muitos têm, ao dizer que a d Elisa se está a borrifar para o Porto.
Enfim, nem vale a pena gastar mais tempo com esta senhora derrotada à partida por culpa própria.

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Para o Dalby, com amizade

Sim, é possível!

Um aluno passar de ano tendo negativa a tudo… ou quase!
Mas, ainda não tinham percebido o que nos andam a obrigar a fazer?
Depois é o paleio do rigor, da exigência…. blá…blá…blá…

Eu continuo nesta: a política de educação de Sócrates é um desastre com efeitos terrivelmente maus para o futuro do nosso país…
E finalmente começam a abrir os olhos!

Gostaria de ouvir, ver ou ler agora os queques de Cascais com filhos nos colégios privados que durante 4 anos andaram a bater palmas à Dª Lurdes.

Para o infinito e além dele

Carl_Sagan_2007

Cheguei ao espaço pela mão de Carl Sagan. Era ele que aos sábados à tarde, se bem me recordo, me pegava na mão, me dizia para não ter medo e me transportava (tipo ‘beam up, Scooty’) para o seu e o meu Cosmos.

Como eu era um miúdo e ele uma pessoa crescida, limitava-me a olhar para ele esticando o pescoço o mais que podia, para escutar cada palavra dita lá no alto da sua sabedoria. Os sábados (se era mesmo aos sábados que a RTP transmitia Cosmos) eram os melhores dias das semanas.

Era nessa altura que partia à descoberta de novos mundos, de tudo aquilo que existia no nosso planeta, na nossa via láctea, na nossa galáxia, no nosso universo. Eram viagens fantásticas. Mas demasiado rápidas. Mal descolávamos já estávamos de regresso. Mas valiam todos os minutos que nelas aplicava.

Pouco tempo depois, o mesmo Carl Sagan estava ao meu lado a sussurrar as palavras dos seus livros. Li, de fio a pavio, mais de uma vez, ‘Cosmos’, ‘O cérebro de Broca’, ‘Os dragões do Edén’ e a ficção ‘Contacto’, onde me contava uma história acerca da descoberta de vida extraterrestre.

Foi graças a Sagan que descobri o espaço, as suas belezas e os seus mistérios. Os seus grandiosos mistérios. Apesar de toda a dedicação que ele me prestou, falhei. A terrível matemática atirou-me, em perfeito KO, para fora do ringue. Tentei resistir mas foi sol de pouca dura. Como um derrotado, atirei a tolha ao chão. Assumi o desaire e abandonei. A matemática ergue os braços, em sinal de vitória para com mais um incapaz de resolver equações.

Apesar de tudo, de vez em quando, ainda sonho com o espaço. Ainda Sagan, sempre ele, a tentar levar-me, como um Buzz Lightyear, “para o infinito e além dele”.

Pedro Abrunhosa #2

O Concerto do Pedro Abrunhosa foi muito bom, como quase sempre.

Claro que passou toda a noite a criticar o Rui Rio, o que me deu um gozo especial por ver o ar atrapalhado de um ilustre sentado ao meu lado. Pois que não havia necessidade, eheheheheh. Pelo caminho fez o favor de apresentar uma música do seu novo trabalho, previsto para este ano. Muito boa e mexida. O PA é um provocador e fez jus a essa característica ao longo de todo o concerto que, por sinal, teve momentos absolutamente geniais.

O Pedro é um dos meus “cantautores” preferidos e aqui incluo os internacionais. Claro que já sei que me vão dizer que não tem voz, que é um facínora e mais do género. Como não o conheço pessoalmente nem tive hipótese do contraditório (as coisas que me pintam sobre o homem!), fico-me pelo autor de letras e músicas magníficas. Que canta como ninguém a minha amada cidade do Porto, que criou um dos melhores álbuns da história da moderna música portuguesa (Viagens). Que cantou Gisberta de uma forma comovente e corajosa; que defendeu o Coliseu como poucos se atreveram e lembrando que nós somos assim, de antes quebrar que torcer e muito senhores do nosso nariz, da nossa cidade, do que é nosso.

A música de Abrunhosa é poesia, é um cantar sentido, vindo das profundezas do ser e que nos toca, que nos leva rumo aos nossos fantasmas. É um génio. Uma vez, num artigo de opinião, escrevi que ele é o nosso Brel, o nosso Chico Buarque. Aqui “D´el Rey” gritaram alguns e insultaram-me outros tantos. Caguei. Só discuto com quem quero e no tocante a música, a poucos reconheço validade para uma discussão. Quem escreve músicas como “Será”, “Momento”, “Quem me leva os meus fantasmas”, “Se eu fosse um dia o teu olhar” ou “Balada de Gisberta” merece o Olimpo.

Aliás, “Balada de Gisberta” é uma das mais comoventes músicas algum vez escritas e cantadas em língua portuguesa e ficará, estou certo, na história. A coragem de Pedro ao criar este verdadeiro hino ao direito à diferença, ao chamar a atenção para esta profunda injustiça e para esta vergonha que se passou na nossa cidade merece mais que palavras. Fico-me com as suas “O Amor é tão longe e a dor é tão perto”.

Obrigado Pedro.

Momentos históricos íncriveis

Não há muitos momentos históricos na vida de uma pessoa. Eu tive a sorte de viver numa época fantástica, embora o salazarento me tenha roubado 28 anos de vida. Vivi o Maio de 68, o 25 de Abril, a ida à lua, e o primeiro transplante cardíaco.

Não resisto a contar-vos, na sequência da bem apanhada incredulidade do Zé, que me lembro perfeitamente, da primeira página dos jornais a anunciaream o primeiro transplante cardíaco.

Eu trabalhava na Baixa e ouviam-se os ardinas a gritarem a notícia. Parei para comprar o jornal, e um gajo que estava ali ao meu lado e que eu não conhecia de lado nenhum, diz-me: estes gajos são uns mentirosos. Então o tamanho do coração não é igual como é que cabe na caixa toráxica de outro gajo? Eu fiquei com aquela a moer-me a cabeça. Então há pessoas que passam uma vida a correr atrás de um sonho, trabalham duramente, e nunca viram o que este gajo, que nunca tinha sequer pensado nisto, viu logo à primeira?

Há duas formas de olhar para estes momentos que valem uma vida. Outra história para explicar esta ideia.

O Imperador Carlos V foi visitar as obras da Catedral de Rems (não vale a pena ir ver porque eu não tenho a certeza) e perguntou a um pedreiro. Tu que fazes aqui? E o pedreiro respondeu. Parto pedra. A seguir pergunta a outro pedreiro. E tu, o que fazes aqui? responde o pedreiro. Construo uma Catedral!

Se não sonharmos nunca iremos à lua, não teríamos feito o transplante cardíaco e nunca teríamos construído uma Catedral!

Entre o fabuloso e o horroroso

40 anos depois, porque é que nunca mais houve nenhum homem na Lua?

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O pé de Buzz Aldrin na Lua, há quarenta anos.

Foto: Nasa

Crianças vs. restaurantes

Uma escapadela de fim de semana, a criança já vai quase nos três anos e a gente começa a devanear com um tímida recuperação de uma coisa parecida com uma vida social.

Como uma ida a um restaurante decente, por exemplo. A esperança ilumina-se quando espreitando a carta descobrimos que milagrosamente, entre o creme de espargos, o carpaccio de novilho e o crocante de frutos silvestres existe um inesperado esparguete à bolonhesa. Ah, isto vai agradar-lhe. O restaurante, sendo carote e de aspecto cuidado, tem poucos clientes a esta hora. Tudo parece bem encaminhado.

Conduzem-nos a uma mesa um pouco mais afastada, como aliás é comum quando levamos crianças ainda por civilizar, o que, de resto, os pais agradecem. Uma revista do Ruca até aí escondida é o trunfo que a ferinha não esperava e que parece suficiente para entretê-la.

Há um número alarmante de copos e talheres sobre a mesa que nos fazem lembrar a última experiência num restaurante semelhante em que a ferinha, sonolenta e desesperada com a lentidão da cozinha que nunca mais lhe fazia chegar o leite creme, resolveu usar os pãezinhos de sete cereais como arma de arremesso e os copos de água como alvo. Mas isso foi há uns meses e a ferinha já não faz essas coisas.

A música ambiente é agradável, ainda que um pouco pedante, como parecem ser, aliás, os ocupantes das outras mesas. Esboço uma tentativa de dar início a um diálogo adulto e interessante, agora que a ferinha se mostra contente com a revista. O meu par aceita o desafio e conseguimos, por segundos, sustentar a aparência de que mantemos um diálogo inteligente e adulto. E então ouve-se aquela vozinha, tão melodiosa e, ainda assim, capaz de se fazer ouvir a uma distância de um quilómetro. “Mamã, o Ruca fazeu chichi nas cuecuas”.

O chefe de sala olha com horror para nós, antevendo o desastre, mas todos respiramos de alívio quando constatamos que, de facto, apenas a revista do Ruca, sobre a qual tombou o copo da água, parece ter tido um acidente.

Tem, então, início uma sucessão de desastres de magnitude vária. Talheres que caem ao chão emitindo o máximo ruído possível, guardanapos de linho mergulhados no prato da sopa, arroz saltitante e que se gruda à cobertura aveludada e aparentemente caríssima dos estofos das cadeiras, saleiros avant-garde transformados em carrinhos que se lançam em loucas perseguições pela mesa, a nossa refeição devorada às pressas e à vez para que possamos conter a espiral de destruição que está em marcha.

Finalmente, ante a visão do prato de arroz doce, as tréguas parecem chegar. A cada colherada que leva a boca a ferinha parece tranquilizar-se. Respiramos fundo, os olhares afastam-se por fim de nós. Talvez ainda nos atrevamos a pedir café. Nesse momento de paz, irrompe um som inconfundível, escandalosamente inconfundível.

“Mamã, dei um pum”.

Pedimos a conta e vamos passar a tarde ao parque. A partir de amanhã voltamos à pizzaria.

Mais uma promessa socrática

A promessa Socrática de hoje é que o Estado dará um subsídio de cinco mil euros a quem comprar um carro eléctrico, perdão, um carro movido a energia electrica.

O carro dificilmente se moverá, não há estrutura logística de apoio de carregamento das baterias, mas isso não vale nada para Sócrates. Não interessa nada. Quem comprar, já sabe, cinco mil euros.

As promessas socráticas são diárias, por volta das 12.30 horas para chegar a tempo dos noticiários das 13 horas. Algumas são já conhecidas por repetidas, outras são um portento de imaginação, outras ainda foram-lhe sugeridas por mil vezes com Sócrates a dizer que não prestavam.

Mas aguenta-se o sacríficio diário. A gente percebe que isto está muito mau mas divertimo-nos à brava. Um Primeiro Ministro que está há quatro anos em maioria absoluta vem agora prometer o que nunca quiz fazer. O mesmo que prometeu 150 000 postos de trabalho e que não aumentaria os impostos.

Proponho aqui no aventar um jogo que se chamará Sopromessa. Qual será a promessa de amanhã de Sócrates?

O primeiro prémio será para quem conseguir acertar na promessa. O segundo prémio será para quem conseguir acertar na área da governação e o terceiro prémio para quem conseguir acertar no valor do subsídio.

Jogue e verá que acerta. Pelo menos promessa há todos os dias.

Space Oddity também faz 40 anos

Terá o Major Tom rompido o silêncio fantasmagórico do Mar da Tranquilidade?

Os gays não devem doar sangue

Estou completamente de acordo que os gays sejam impedidos de doar sangue. Como estaria de acordo se os casados promíscuos fossem impedidos, ou os solteiros com várias namoradas, ou quem, por uma vez que fosse, não tivesse utilizado o preservativo.

Não é uma questão de discriminação. É uma questão de segurança.

Se fosse possível isolar comportamentos de risco individuais seria por aí o caminho, mas não é possível. Mas é possível definir grupos onde a prevalência é alta, tão alta como noutros grupos, mas alta.

Todos os grupos de pessoas que pelas suas características possam ser isoladas, contribuem de uma forma fácil, simples e segura de diminuir a probabilidade de transmissão, mesmo que isso acarrete injustiças várias. Para o grupo e para os individuos!

Não é possível fazer o mesmo com o resto da população, mas a ser possível, devia fazer-se em nome da segurança. Sem juízos de valor pelas suas opções de vida.

Diminuir a probabilidade de transmissão é o objectivo, tem que ser o objectivo, das autoridades de Saúde. É preciso não esquecer que com a diminuição probabilistica de transmissão, procura-se não só o despiste do HIV mas tambem outras doenças como sejam as hepatites, estas com elevada incidência entre os homosexuais.

As autoridades de Saúde não podem seguir outro caminho que não seja diminuir a probabilidade de transmissão. Se fosse possível fazer rastreio prévio a todos os dadores seria obrigatório esse procedimento, em nome da segurança.

Isolar grupos, diminuindo as probabilidades de transmissão, é procedimento obrigatório de segurança, não tem a ver com discriminação. Com este procedimento controlo 500 000 pessoas ? número irrelevante para as necessidades de colheita, e afasto de certeza absoluta, vários casos de comportamento duvidoso individual. Um que fosse, já teria valido a pena.

Não posso fazer o mesmo a 5 000 000 de pessoas casadas sob pena de não ter “massa crítica” de colheita!

É só uma questão de bom senso!

Nel Monteiro: falar em merda hoje já não é um palavrão

a merda é realmente uma porcaria onde milhões de pessoas vivem.

Já gostava do Edgar Pêra. Agora por sua conta e risco começo a gostar do Nel Monteiro. Sim, desse mesmo. Estou completamente sóbrio. Juro.

Chegou-me isto por via do António Luís Catarino, um velho amigo que já leva décadas a encontrar grandes merdas. Boa Luís.

ATÉ ONDE IREMOS?

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QUANDO IREMOS?
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Ainda há quem se divirta a não acreditar na ida do Homem à Lua.
Há quarenta anos, estive especado frente ao televisor, a preto e branco, a ver, a imaginar, a sonhar.
Hoje, a minha capacidade de sonho, continua, felizmente intacta. Continuo a gostar dos livros de literatura fantástica, dos livros de ficção científica, dos filmes que ao longo dos anos se foram produzindo.
Até onde seremos capazes de ir? Até onde conseguiremos enviar homens, para descobrir o que suspeitamos existir?
Quando daremos nós, outros pequenos passos, pequenos para o Homem, mas enormes para a Humanidade?

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Apollo 11, a alunagem

AS11-40-5886

Foi a primeira vez que me deixaram ver a radiotelevisão portuguesa até tão tarde houston era mais rádio que televisão

(ouvejam aqui a recriação em directo)

e bem portuguesa com os comentários e locução em estúdio roger viouvi o gajo com o escafandro branco a descer houston eagle o segundo Aldrin roger se calhar nem foi nessa noite que se viu e a frase houston eagle lua mal deram uns passos após a alunagem foram logo meter a bandeira e neste caso Armstrong a humanidade não tem razões de queixa. A lua não sei mas sempre foram uns dias com uma emoção do caraças.

Vi-vos a chegar lá da Nazaré, que tem um céu cheio de carapaus a secar, e depois fui dizer ao meu avô que não estava lá ninguém na lua a apanhar silvas por ter trabalhado a um domingo. Ele riu-se. De certeza que já desconfiava.

Adenda: e quem duvidar que faça a sua google alunagem…

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Mau sinal – promessas diárias socráticas

Alguem devia dizer a Sócrates que é feio andar a prometer o que não fez em quatro anos de maioria absoluta. E promessas que não está em condições de cumprir. Mesmo sabendo, por experiência própria, que há promessas que não se podem cumprir (ninguem se esquece dos 150 000 postos de trabalho e do aumento de impostos) Sócrates, de cabeça perdida, todos os dias aparece a prometer.

Estas promessas estão todas voltadas para as pessoas, as mesmas, que ele e o seu governo ignoraram durante a mais longa legislatura de maioria absoluta. Foram os Bancos, os negócios, as causas, os grandes investimentos, os grandes grupos económicos, mas as pessoas e as PMEs, onde se contam 70% dos empregos, Sócrates descobriu-as agora.

E agora é “um fartar vilanagem”, todos os dias há subsídios, ajudas à exportação, ao emprego, aos pobres, às PMEs, aos alunos, aos idosos…

Ninguem lembra a Sócrates que se ele precisa de andar a prometer e a criar ( só na sua cabeça não no terreno) é porque não as criou antes? E não foi ele que disse que estava no caminho certo, que o país estava muito melhor preparado que todos os outros para enfrentar a crise? Que já havia sinais de fim de crise ? Que até estava convencido que ía vencer as eleições por maioria absoluta?

Alguem diga a Sócrates que ao menos se despeça com dignidade, ninguem acredita em promessas vindas de quem vem, é bem melhor o Sócrates convicto , embora errado, do que o Sócrates vulgar e cheio de truques, de Xico esperto!

O que se sabe da sua vida está aí e não dá espaço a dúvidas, quanto às promessas e à dura realidade em que meteu o país.

Além de tudo o mais dá sinais inequívocos que está desesperado com o que aí vem!

Operação Valquíria (atentado contra Hitler) foi há 65 anos


No dia 20 de Julho de 1944 uma bomba destruiu parcialmente o quartel general de Hitler, cuja sala de reuniões ficou como mostra a fotografia. O conde von Stauffenberg, um oficial conservador, mas antinazi, liderava um movimento de oficiais generais contra Adolf Hitler, movimento que tinha como objectivo a deposição do ditador – era a chamada «operação Valquíria». A bomba, levada para a reunião por von Stauffenberg, explodiu, provocou quatro mortos entre os 24 oficiais reunidos e apenas ligeiros ferimentos em Hitler. O movimento abortou e os seus responsáveis foram executados na noite do próprio dia 20.

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Adriano Teixeira de Sousa (1-05-1955 / 18-07-2009)

Adriano Teixeira de Sousa

Adriano Teixeira de Sousa

Há momentos assim.
Em que tudo parece ter um fim.
Acredito que o fim não pode ser isto, mas a sensação de derrota perante a morte é demolidora.
Morreu o Adriano.
O Adriano é alguém verdadeiramente único. Um Homem Bom.
Um combatente anti-fascista, Professor de Inglês que viveu “aventuras” (reais!) ainda antes do 25 de Abril, quer no âmbito familia quer no plano académico da Universidade do Porto.
Mas, sobre essa época pouco sei – nem sequer tinha nascido.
O Adriano foi o sindicalista que primeiro me convidou para integrar a Direcção do SPN.
Foi com ele que aprendi tudo sobre tanta coisa. As viagens para todo o lado, as conversas sobre música ou sobre futebol, sobre a política ou sobre a literatura… Tantas e tantas coisas boas para recordar.
Por mim a camisola do Adriano é retirada e sobe ao tecto do pavilhão: ninguém mais a vai usar – o nº1.
O nº1 que se destina ao melhor de todos nós!
Amanhã vou despedir-me do teu corpo, esse que te fez sofrer.
Mas, o resto, o verdadeiramente importante continua. Continua dentro de mim porque o que sou, também o devo a ti!
Espero que encontres o meu Pai e o possas ensinar como a mim.
Até um dia!

CUIDADO COM OS REMÉDIOS (3)

CUIDADO COM OS REMÉDIOS (3)

A constante pressão sobre os médicos, por parte dos próprios doentes, e das estonteantes aliciações pseudo-científicas, cria uma tendência e mesmo uma obrigação crescentes de polimedicar e prolongar excessivamente os tratamentos, sem qualquer respeito pela própria dignidade profissional nem pelo cumprimento das regras básicas da farmacologia clínica. Não se têm muitas vezes em linha de conta as alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas próprias do idoso, bem como os seus processos patológicos múltiplos e complexos. Num dos poucos estudos efectuados chegou-se à conclusão de que a iatrogenia medicamentosa era uma importante causa de internamento dos doentes idosos, constituindo uma realidade no dia-a-dia da enfermaria (25%). Um outro estudo recente revelou que um quarto dos americanos com mais de 65 anos toma, por receita médica, medicamentos que nunca lhes deveriam ter sido prescritos. Um simples comprimido pode causar amnésias, confusão mental, desequilíbrios, desmaios, síncopes, hipotensões graves. Um tratamento, ainda que curto, pode ocasionar fadiga, insónias, tosse rebelde, reacções alérgicas difíceis de diagnosticar, vómitos, diarreias, dispepsias duradoiras, lesões tóxicas do rim e do fígado, graves anomalias sanguíneas. Um tratamento mais prolongado, além das consequências atrás descritas, pode originar intoxicações (traduzidas por mal-estar geral, perda de apetite e de forças, náuseas e vómitos), perturbações respiratórias, arritmias ameaçadoras da vida e perigosos bloqueios cardíacos, bem como graves situações de falência cardíaca. Nós médicos, e mesmo os doentes, muitas vezes chegamos ao cúmulo de considerar que os próprios efeitos secundários dos remédios e as suas acções nocivas são sintomas próprios da idade, e zás de aumentar as doses e receitar novas drogas, agravando drasticamente a situação. Tentar apagar o fogo com a própria gasolina.
Apesar de tudo isto, a maneira mais vulgar de terminar uma consulta é passar uma receita. Por vezes, toda a consulta se resume a uma receita. O tempo e a atenção há muito que foram substituídos pelos remédios.
Vale mais não tratar do que tratar mal. Quantas vezes eu prescrevo, com prudência e até algum receio, drogas que vejo receitadas a torto e a direito por dá cá aquela palha. A minha acção, numa boa parte dos pacientes, resume-se a desaconselhar os medicamentos que eles ingerem e que muitas vezes transportam em sacos. A experiência, grande apoio da minha consciência, tem demonstrado que essa é a atitude mais correcta.

          (adao cruz)

(adao cruz)

Mau sinal : intelectuais apoiam Costa

Muito mau ! Isto quer dizer que as sondagens que Costa conhece e nós não, são más.

A última cá em Lisboa foi com João Soares. Todos perceberam que ía perder quando apareceu um apoio de “antifascistas”. E perdeu mesmo.

Quando o pessoal do “subsídio” se junta para apoiar é porque o “modo de vida” corre perigo. Bem sabemos que se trata tão só de substituir uns tantos subsídios por avenças de assessores, adjuntos, secretárias, e amigalhaços. Mas quem deixa de receber, “pia”! E “pia” antes, não vá alguem dizer-lhe “que tarde piaste”. Daí ser de muito mau agoiro, estas manifestações de apoio da Helena, do Zé e dos intelectuais.

Sem hipóteses de se aproximar do PCP e do BE (António, António, se aquele Congresso tivesse sido uns meses mais tarde…) portões encerrados à chave pelo abuso de poder de Sócrates e pelo discurso inflamado de Costa, encerrando pontes futuras e caminhadas juntas, Costa tenta o pleno do PS, chamando a si os Alegristas e as cabeças tresmalhadas.

Apertado por uma empresa que depende do Governo e que põe e dispõe na cidade, em que todos percebem que a Câmara é protagonista menor em várias situações que irão descaracterizar a Lisboa que conhecemos, Costa não tem saída.

Por amor de Lisboa contra o governo, por amor do governo contra a cidade, Costa ensaia “pegas de cernelha” que lhe poderão trazer grandes dores de cabeça.

É que em termos de liberdade de actuação a maior fatia já não está nas suas mãos. Está no resultado que sair tres semanas antes nas eleições legislativas. Por isso o PCP e o BE não têm pressa nenhuma.

E nas legislativas o prognóstico é ainda mais sombrio.

A esquerda e o "abraço de urso"

O grande problema da esquerda, hoje no país e mais concretamente em Lisboa, é que o PS é um eucalipto, que sugou tudo à sua volta. O PCP e o BE sentem-no, sabem que juntarem-se ao PS sem se apoderarem de significativas e reconhecidas, publicamente, fatias do poder é entregarem-se “ao abraço de urso” ! Não saem de lá vivos!

Isto tem como primeiro resultado que a esquerda que é maioritária, na prática , deixou de o ser. Em segundo lugar, os interesses em que o PS está envolvido, com milhares de apoiantes em tudo o que é Administração Pública, empresas públicas, instituições , Fundações e mesmos em grandes grupos económicos, impedem o PS de partilhar o poder.

O PS apostou tudo na maioria absoluta, convencido que a economia se desenvolvia por arrasto dos grandes negócios e dos Megainvestimentos públicos. Isto explica a defesa até à exaustão de uma política que não apresenta resultados e que é, para quem queira ver, impraticável, à luz das condições Macro nacionais e internacionais actuais.

Chega a ser pungente ver que Sócrates, há bem poucos meses inquestionável, é hoje um homem só, que faz uns “números de círco diários” na RTP a que ninguem dá atenção, até porque vários exemplos vieram mostrar que não passam de intenções para portuga ver. Os exemplos recentes da fábrica de baterias, dos painéis solares, das contas da educação, são patéticos.

Depois o governo sofre um desgaste diário com o desemprego e com as condições de vida que ninguem quer partilhar. Recua atabalhuadamente, com os professores, com os Mega Projectos. Caem-lhe em cima os exames do Tribunal de Contas, dando razão a quem se opõe a grandes negócios sistematicamente feitos com as empresas amigas.

E o que estará escondido nas intervenções no BCP, no BPN e no BPP? E as Contas Públicas, qual será o seu verdadeiro estado ? Basta, pois, deixar correr o marfim para que o BCP e o BE acumulem quatro anos de governação que aqui e ali, roçou o abuso do poder. Lembram-se da “vitória de Pirro” do estatuto dos Açores?

O PS e Sócrates estarão sós perante os eleitores. Estão a colher o que semearam. Sem maioria absoluta o PS e Sócrates (o PS de Sócrates ?) estão afastados do poder por muitos e bons anos.

Fliscorno – Preços da gasolina, gasóleo e brent 2005-2009 (fim)


Este gráfico mostra o preço do brent e dos combustíveis, com e sem taxas. Permite uma comparação directa. Ver também o 1º gráfico desta série com os preços do brent e dos combustíveis convertidos para base 100.

Como se constata, não é fácil tirar conclusões pela análise do gráfico. Nos posts anteriores apresentei uma possível metodologia para obter conclusões numéricas (ver 2º post da série) mas ao meter as mãos à obra no excel concluí que era pouco prática. Delineei então a seguinte abordagem:

PsT Gasóleo Brent % aumento brent
Preço teórico
(Preço real) – (preço teórico)
G1 B1 — — —
G2 B2 %B = B2/B1 GT = %B * G1 Saldo = G2 – GT
… … … … …

Nesta tabela temos o preço do gasóleo antes de impostos (1ª coluna ) e o preço do brent (2ª coluna). Na 3ª coluna calcula-se a percentagem de variação da linha 1 para a linha 2. Na coluna 4 calcula-se em quanto ficaria o gasóleo se este aumentasse na mesma proporção do brent. E na coluna 5 calcula-se o saldo entre o preço real do gasóleo e o preço calculado teoricamente. Fiz um estudo semelhante para a gasolina.

Na 5ª coluna obtêm-se valores positivos e negativos, consoante o combustível aumente mais ou menos do que o preço teórico. Somando todos os valores da coluna 5 para um período de tempo fica-se a saber se, durante esse período, se se pagou demais ou de menos pelos combustíveis.

Os dados e o resultado dos cálculos estão disponíveis no Google Docs e as duas figuras seguintes mostram-nos graficamente (a escala vertical não se aplica ao brent, a linha amarela).


E, para terminar, as conclusões numéricas. Somando a variação do preço dos combustíveis entre 2005 e Junho 2009, obtêm-se os seguintes valores:

Gasóleo: diferença entre o preço real e o teórico = -0.0731

Gasolina: diferença entre o preço real e o teórico = -0.00354
Conclui-se que neste período de 3 anos e meio, a variação no preços dos combustíveis antes impostos seguiu, em termos médios, a variação do preço do brent. Isto é, os períodos em que se pagou demais e os períodos em que se pagou menos praticamente se anularam (daí os valores 1 e 2 praticamente nulos).

Esta conclusão contraria muito senso comum, inclusivamente o meu, pois há um sentimento de que o preço dos combustíveis não acompanha o preço do brent. No entanto, é preciso ter em conta que olhando apenas para períodos curtos não se têm a visão global. Vejam-se por exemplo os posts 3 e 4 desta série.

Antes de começar esta série pensei que o resultado fosse outro mas mantive a mente aberta para os resultados que viessem. Aliás, nos vários posts onde tenho abordado esta temática salvaguardei a possibilidade de apenas se poder estabelecer conclusões definitivas com um estudo em que se analisasse o histórico das variações.

Então, mas porque é que temos os combustíveis tão caros? Para responder a esta questão há que atender à elevada carga fiscal sobre os combustíveis, em que inclusivamente há impostos sobre impostos (o IVA incide sobre o ISP) – ver ISP e IVA entre 01.01.2004 e 29.02.2008. Aliás, basta olha para o 1º gráfico deste post para ver a diferença entre o preço dos combustíveis antes e depois de impostos.

Posto isto, faz sentido fazer campanha contra as gasolineiras? Do meu ponto de vista, consumidor, claro que sim. Basta ver que as marcas brancas vendem os combustíveis cerca de 10 cêntimos mais barato. Além disso, a pressão dos consumidores é a melhor forma de se evitar que as empresas dêem largas à sua avidez pelo lucro.

Adenda
Depois de ontem publicar as primeiras conclusões, resolvi debruçar-me mais um pouco sobre os números obtidos.

Esta tabela evidencia que em 2008 os combustíveis aumentaram muito a cima das correspondentes variações do brent, tendo a gasolina e o gasóleo em média ficado 16 e 32 cêntimos mais caros respectivamente. Se optarmos por uma lógica de saldo nulo, os combustíveis não deviam ter subido tanto para compensar as perdas anteriores. Em 2009 estamos a ver corrigidos os ganhos adicionais de 2008. Se então não tivéssemos feito a pressão que fizemos sobre as gasolineiras teria isto acontecido?

Por outro lado, é de notar que, no período 2005-2009, a gasolina acompanhou de perto as variações do preço do brent mas o gasóleo esteve, em média, 7 cêntimos mais barato do que estaria se tivesse acompanhado as variações do crude.

Finalmente, apesar de não me ter debruçado sobre esse aspecto, é importante não esquecer entre 60% a 70% do preço dos combustíveis são impostos. Isto explica porque temos combustíveis mais caros do que Espanha e mostra também qual o caminho a seguir para termos combustíveis mais baratos: combater o estado. Aliás, é bem possível que a estratégia do estado tenha sido exactamente desviar as atenções para as gasolineiras, evitando assim que os eleitores exigissem menos impostos nos combustíveis. Isso explica a idiota ideia da Taxa Robin dos Bosques e todo o aparato à volta da Autoridade da Concorrência (AdC) e os seus inconclusivos estudos. Como aqui se viu, a AdC não tinha margem para outras conclusões, o que novamente mostra que o alvo nesta questão do preço dos combustíveis tem que ser o estado e a sua avidez na cobrança de impostos.

No Teu Deserto

“Na verdade, o deserto não existe: se tudo à sua volta deixa de existir e de ter sentido, só resta o nada. E o nada é o nada: conforme se olha, é a ausência de tudo, ou, pelo contrário, o absoluto. Não há cidades, não há mar, não há rios, não há sequer árvores ou animais. Não há música, nem ruído, nem som algum, excepto o do vento de areia quando se vai levantando aos poucos – e esse é assustador. Será assim a morte, também, Cláudia?”

no teu deserto

No Teu Deserto, o quase romance de Miguel Sousa Tavares.

Já passava da meia-noite quando, hoje, o comecei a ler. Foi sem parar, até ao último paragrafo, derradeira linha, definitiva palavra. Nem sei que horas eram quando desliguei a luz e comecei a dormir. O deserto do Miguel e da Cláudia prenderam-me com toda a força, colaram-se como uma lapa da praia das Caxinas às minhas mãos e ao meu cérebro. Só quem conhece o Sahara (ou julga conhecê-lo pois nem mesmo os senhores do deserto, os Tuaregues, o conhecem) pode compreender o fascínio desta obra. O Sahara entrou na minha vida no ano 2000 e ainda hoje suspiro por a ele regressar. Está prometido para 2010. Ainda falta tanto, tanto tempo…

Na capa escreveram que “No Teu Deserto” é um “quase romance”. Não discuto. Pois que seja. Para mim é um livro belo, com uma história fabulosa e um hino ao “nosso” deserto. Procurando fugir aos habituais clichés sobre o deserto, o amor e a sociedade moderna, Miguel Sousa Tavares escreveu uma obra magnífica e que retrata, não sei se intencionalmente, a forma como hoje vivemos, à velocidade da viagem entre Algeciras e Alicante, sempre nos limites e sem olhar para trás. Sempre no fio da navalha.

Claro que eu sou suspeito, eu gosto do Miguel Sousa Tavares, mesmo quando não concordo com ele. O seu “Sul” é um dos meus livros preferidos, a sua “Grande Reportagem” é uma eterna saudade, o seu “Equador” um marco. Mas, “No Teu Deserto”, é uma obra de uma beleza comovente e que nos faz voar. Dei por mim a recordar Abril de 2000 e como fiquei aprisionado ao Deserto, como suspiro pelo meu “cimbalino berbere” de menta que tanto tento replicar em casa sem o conseguir – faltam-me as folhas de menta mal lavadas e as mãos sujas com unhas indescritivelmente pretas daquele estranho no meio do nada.

“Hoje já ninguém vai ao nosso deserto, Cláudia (…) A razão principal é que já não há muita gente que tenha tempo a perder com o deserto. Não sabem para que serve e, quando me perguntam o que há lá e eu respondo ´nada`, eles riscam mentalmente essa viagem dos seus projectos. Viajam antes em massa para onde toda a gente vai e todos se encontram”.

Eu vou, antes, irei novamente, meu caro Miguel e espero conseguir ver a estrela de Cláudia, lá bem no cimo, ao lado de outras estrelas da saudade.

Por terras de Sua Majestade (VI)

País de Gales, 2.7 milhões de pessoas com Cardif como capital. Antes uma bela cidade, Chester, parada no tempo, com as suas igrejas e casas ajardinadas. Logo a seguir, Llangollen, onde se fala Galês. No caminho, a região dos lagos e das montanhas, um verde luxuriante, parque protegido.
Betão nem vê-lo. Nao há, casas de madeira e a contar-se pelos dedos, servem de apoio às pessoas que trabalham no parque.
Oscar Wilde, foi aqui que centrou o seu livro – O leque de Lady Winthermere – e que William Wordsorth baseou toda a sua obra romântica.
Lancaster, cidade de onde saiu a nossa Rainha Filipa de Lencastre.
O maior lago tem 2 Kms de largura, Windermere, que vai de Ambleside a Bowness. Proibido pescar e há um serviço de barcos óptimo, bem aprazível, apesar da chuva.
Hoje estou em Londres, com muita chuva.
Começo a perder a paciência com os empregados dos hotéis e restaurantes. Muito maus, por aqui. O nosso turismo trabalha muito melhor.

Apontamentos & Desapontamentos: Viajando por Cuba

cuba
Apesar do desapontamento (que se seguiu ao fascínio), quando em 1962, na sequência da chamada «crise dos mísseis», para se proteger dos Estados Unidos, Cuba foi forçada a transformar-se num satélite da União Soviética, aqueles primeiros três anos da Revolução Cubana, tal como os 18 meses da nossa Revolução dos Cravos, foi algo que marcou os jovens daquela época. Não escapei à regra. Ouvir o verbo emocionado e emocionante de Fidel, lendo na Praça da Revolução, as declarações de Havana, particularmente a segunda, era arrepiante. Daí este apontamento.
Embora as minhas ilusões sobre a Revolução Cubana há muito tivessem morrido, era um projecto meu visitar Cuba, como quem revisita a juventude e algumas das ilusões perdidas (porque há outras que nunca se perdem e é isso que nos mantém vivos). Há poucos anos atrás, com a minha mulher e um casal amigo, metemos mãos à obra. As agências só ofereciam pacotes inaceitáveis – três dias em Havana e quatro em Varadero. Mas nós íamos lá fazer uma viagem de tantas horas, atravessar o Atlântico para ir à praia, com a Caparica, as praias da linha ou o Algarve aqui tão perto? Lá descobrimos uma alternativa aos pacotes usuais. Uma boa alternativa que agora vejo que já está mais divulgada. Um carro de aluguer à nossa espera no aeroporto de Havana, hotéis reservados por um itinerário escolhido por nós, a começar e a acabar na capital – Havana, Matanzas, Cienfuegos, Sancti Spíritus, Camagüey, Ciego de Ávila, Santiago de Cuba, Trinidad, Santa Clara, Havana… Tudo por um preço razoável, pouco acima do que custavam os tais pacotes usuais. Durante duas semanas percorremos quase quatro mil quilómetros, vimos o que queríamos, sem guias turísticos a incomodar-nos. E lá fomos à Baía dos Porcos, ao Quartel de Moncada, à Sierra Maestra, ao museu da Revolução, a todos os lugares de culto. Visitámos Havana em pormenor, fomos aos locais frequentados por Hemingway, e até almoçámos em Varadero. Varadero é um local de veraneio, sem nada de especial (a não ser o mar maravilhoso das Caraíbas) – Hotéis, edifícios de apartamentos, etc. Nada, nesse aspecto, que Vilamoura ou Torre Molinos não tenham – tal como pensávamos, não se justifica ir tão longe. Mas o nosso itinerário foi uma maravilha.
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Falámos com muita gente. Pudemos verificar que, apesar de algum medo à repressão (que inegavelmente existe), as pessoas falaram connosco com à-vontade. Encontrámos mais descontentes nas grandes cidades, Havana e Santiago, principalmente. De facto, as condições de vida são constrangedoras. Racionamento dos bens mais elementares – lâminas de barbear, pensos higiénicos, géneros de primeira necessidade, arroz, ovos, leite, tudo é racionado. As casas de Havana, algumas lindíssimas, estão em ruínas. O turismo é uma das saídas. Cozinha-se em casa para os turistas. São os chamados «paladares», alternativas aos restaurantes. Combina-se previamente, escolhe-se a ementa e à hora combinada lá temos a mesa posta e anfitriões dispostos a deixar-nos sós ou a conversarem connosco, como preferirmos. Pelas ruas andam pessoas das mais diversas idades a cooptar clientes para os paladares. Em Ciego de Ávila um professor universitário de avançada idade andava nesta tarefa, recitando de memória poemas de Nicolás Guillén. Para não falar da prostituição, mais ou menos encoberta, que pessoas normalíssimas, qualificadas, quase todas com cursos superiores, se vêem obrigadas a praticar para completar ordenados baixíssimos. A prostituição em Cuba é, de uma maneira geral, uma forma desesperada de sobrevivência
Nos campos, sobretudo em granjas colectivas, encontrámos mais adeptos do regime, gente saudando-se de punho cerrado. Também é verdade que nos campos a vida não é tão difícil, pois os bens alimentares essenciais são ali criados e, portanto, escasseiam menos. Porém, numa coisa todos estão irmanados, fidelistas, antifidelistas: no ódio ao ianque. Mesmo os opositores ao regime, têm consciência de que sem o bloqueio norte-americano, o povo não sofreria tanto.
É evidente que o bloqueio tem perpetuado a ditadura e impedido o advento da democracia. Toda a gente sabe isso. Só a CIA e a Casa Branca se obstinam em não o reconhecer. E Obama, que parece ser mais inteligente do que a generalidade dos antecessores, poderá, mesmo que queira, contrariar a CIA e os falcões do Pentágono?

«Vamos bien» diz cartaz. Não. Não vão nada bem. Vão até bastante mal. Em todo o caso, vão sobrevivendo, o que só por si já constitui um milagre.