O debate de hoje era uma versão de Direita do debate Francisco Louçã – Jerónimo de Sousa, com a diferença que, desta vez, os contendores usavam saias. Paulo Portas bramiu o perigo do Bloco Central, como que querendo dizer que PSD – CDS é muito melhor do que PS – PSD. Manuela Ferreira Leite soube responder-lhe, perguntando se o CDs estaria disposto a apoiar o PS no caso de vitória deste.
De resto, Ferreira Leite salientou que, apesar das semelhanças, há divergências em determinado tipo de aspectos. Mais concreta não podia ter sido. Ainda assim, apontou o Rendimento Social de Inserção como algo que divide os dois Partidos, atacando Paulo Portas por estigmatizar aqueles que recebem o subsídio. «Atribuir preguiça a quem recebe o rendimento social de inserção, genericamente, é algo que eu repudio genuinamente» – só por esta frase, que aplaudo de forma delirante, esta senhora merece ganhar as eleições.
E é sem rancores que digo que Paulo Portas perdeu claramente este debate.
O debate Paulo Portas – Manuela Ferreira Leite, ou uma luta de saias
A Rita, Sócrates e o Aventar
Foi a Rita que deu o sinal. No chat do Aventar lançado para o debate entre José Sócrates e Francisco Louçã, Rita apareceu com uma frase onde dava a indicação de estar o líder do PS a portar-se bem. Um aventador João José Cardoso recomendou-lhe, de forma humorada, que mudasse de canal. Rita não assimilou a frase pela via humorística e tomou uma decisão. Se naquele chat só se podia falar mal de Sócrates ela ia pregar para outra freguesia. E foi. No chat não apareceu mais.
No mesmo chat e nos post de comentários acerca do debate, Louçã era apontado, no final, como claro vencedor do debate.
Nos dias seguintes a generalidade dos comentadores dos jornais indicava Sócrates como o vencedor e apresentava, como uma das razões, ter passado ao ataque e colocado o temível líder do Bloco de Esquerda à defesa e sem capacidade de lançar o contra-ataque. Se ganhou votos não o saberemos, mas pode não os ter perdido naquele que seria, à partida, o debate mais perigoso, com pouco a ganhar e muito a perder. Segurou-se.
No Aventar, Sócrates perdeu. Por muitos. Não é difícil perceber que neste blogue há uma esmagadora maioria de anti-Sócrates. Terão as suas razões. Respeitáveis, claro. Eu, que não sou pró mas também não sou anti, registo apenas que, muitas vezes, os nossos rancores acabam por nos toldar a análise. Também já me aconteceu.
Sócrates e a TVI . Quem está a mentir?
Hoje, na Sábado revela-se, em todo o seu esplendor, o desconhecimento de Sócrates quanto ao que se passava na TVI. Desde telefonemas directos para os jornalistas da redacção, às pressões sobre os administradores.
Convidou Eduardo Moniz para almoçar, almoço que durou duas horas e no qual devem ter falado sobre “o perigo de calar vozes independentes”. As pressões eram de tal ordem que se sabe hoje que o Pina Moura, então Presidente não executivo da Media Capital, abandonou o lugar incapaz de suportar a controvérsia.
Ora José Sócrates garantiu que nos últimos quatro anos e meio estivera apenas uma vez, em 2005 com representantes da Prisa e nem sabia quem eram os administradores. Pelo meio discutia-se a atribuição da licença do canal TVI24 que não avançava, o que, evidentemente, não era mais que uma coincidência.
No meio disto tudo, convem não esquecer que antes deste afastamento de Moura Guedes, a jornalista já estivera largos meses afastada da apresentação dos jornais informativos, esta é, pois, a segunda saída do ar da pivot.
Na tentativa de compra por parte da PT, quem esteve envolvido foi o administrador e militante do PS, ex-conselheiro nacional do PS, Rui Pedro Soares que se deslocou nos últimos tempos duas vezes a Madrid para ultimar o negócio. Negócio desconhecido por Sócrates e abortado por ele quando percebeu a celeuma que vinha a caminho
Fica claro que nada disto tem a ver com as notícias e a investigação do processo Freeport e que Sócrates não conhece nem nunca falou com gente da Prisa e da redacção da TVI.
Mais uma vez. Quem mente?
Cartazes das Autárquicas (Montemor)

Maria de Lurdes Vacas de Carvalho, PSD, Montemor-o-Novo (enviado por Maria Monteiro).
Apontamentos & desapontamentos: A defesa da palavra
Porque escrevemos? Porque usamos a palavra como utensílio de eleição? Eduardo Galeano responde: – «Escrevemos a partir de uma necessidade de comunicação e de comunhão com os outros, para denunciar o que dói e partilhar o que dá alegria. Escrevemos contra a própria solidão e contra a solidão dos outros. Supõe-se que a literatura transmite conhecimento e actua sobre a linguagem e o comportamento de quem a recebe; que nos ajuda a conhecermo-nos melhor para nos salvarmos juntos. Mas «os outros» é um termo demasiado vago; e em tempos de crise, tempos de definição, a ambiguidade pode assemelhar-se demasiado com a mentira. Na realidade, escrevemos para pessoas com cuja sorte, ou má sorte, nos sentimos identificados, os mal alimentados, os sem abrigo, os rebeldes e os humilhados desta terra, e a maioria deles não sabe ler. Entre a minoria que sabe, quantos dispõem de dinheiro para comprar livros? Galeano responde: – Resolve-se esta contradição proclamando que escrevemos para essa cómoda abstracção chamada “massas”?»
Eduardo Galeano (Montevideu, 1940), é um escritor e jornalista uruguaio. Autor de mais de 40 obras traduzidas em diversos idiomas, a mais conhecida das quais é «Las venas abiertas de América Latina», 1971 («As Veias abertas da América Latina»,com prefácio de Isabel Allende, edição de Paz e Terra, São Paulo, 2007).Preso em 1973, quando do golpe militar, exilou-se depois na Argentina, de onde, em 1976, com a criminosa ditadura de Videla, teve também de fugir, pois estava nas listas dos esquadrões da morte. Refugiou-se em Espanha, regressando ao Uruguai quando, em 1985, a democracia voltou. No seu livro «Crónicas 1963-1988», publicou o texto «Defensa de la palabra», no qual inspiro a presente crónica – aconselhando vivamente a leitura das obras deste lúcido escritor latino-americano). Este texto mereceria uma análise mais aprofundada, porque referindo-se à América Latina, tem um alcance universal, abordando problemas que afectam e afligem todos os que usam a palavra como arma e como ferramenta de trabalho.
Lançado o tema eterno do abismo que se abre entre o escritor e os destinatários da sua escrita, Galeano aborda a questão da miséria na América Latina, seu tema de eleição, concluindo que os países pobres pagam para que seis por cento da população mundial possa impunemente consumir metade da riqueza que o mundo inteiro gera. Assinala o desenvolvimento de uma indústria restritiva e dependente, assente sobre velhas estruturas agrárias, agudizando as contradições sociais em vez de as atenuar. Referindo-se sempre á sua América Latina (embora, com já disse, os pressupostos que apresenta assumam uma validade universal), pergunta: «por que não reconhecer um certo mérito de sinceridade nas ditaduras que oprimem, hoje em dia, a maioria dos nossos países? A liberdade das empresas implica, em tempo de crise, a prisão das pessoas.» Refere também a desertificação que a miséria provoca no tecido cultural dos países latino-americanos, com a fuga dos cientistas em particular e dos intelectuais em geral, abandonando laboratórios e universidades sem recursos.
Eduardo Galeano passa em revista toda a contradição que resulta do contraste entre a liberdade de expressão dos escritores, que podem dizer o que queiram, e o cárcere de limitações das necessidades mais básicas em que vivem aqueles a quem as suas palavras se destinam. Defende algo que os defensores da pureza da arte, sempre condenaram – a escrita como instrumento. Para esses, o objecto da arte é a própria arte. Mas Galeano termina o seu extenso discurso em defesa da palavra, afirmando que «Lentamente vai ganhando força e forma, na América Latina, uma literatura que não ajuda os outros a dormir e que, pelo contrário, lhes rouba o sono; que não se propõe enterrar os nossos mortos, mas perpetuá-los; que se nega a varrer as cinzas e procura, em contrapartida, acender o fogo. Essa literatura continua e enriquece uma formidável tradição de palavras lutadoras.» Curiosamente, este discurso em louvor da palavra, vem reacender uma controvérsia que, sobretudo nos anos sessenta, fez correr muita tinta – a dicotomia entre a forma e o conteúdo.
Um texto lúcido e escrito numa linguagem límpida e que merece ser lido e estudado com atenção, demonstrando que a palavra não pode estar dissociada da vida. Talvez volte a este tema e a esta preocupação que, afinal, está na base de um poema, com mais de trinta anos, que há semanas atrás aqui publiquei – «Natureza morta» – há discussões que são eternas. Esta é uma delas.
Dalby – Um final feliz?

Aquele braço de mar, aquela cidade cintilante, aquele vestido curto que se ousou usar pela 1ª vez, aquele «romantic glance», aquela garota jovial que lhe lançou o olhar e o ‘killing smile’ mesmo tendo ele a idade já avançada, aquela promessa que eles fizeram na bela ilha, de madrugada, e que a água do mar levou ao invadir a areia, aquela corrida de cavalos no deserto, aquele sossegado final de tarde na montanha fresca e longe da cidade,…aquele esperado durante todo o ano, «I STILL LOVE YOU», SÃO TODOS JÁ memórias do ‘SUMMERTIME’s gone’, do vento quente e seco, ou do frio distante, ou mesmo sem vento algum, que fizeram das vossas férias (digo ‘vossas’ porque por milhões, biliões de motivos, este ano não fui, não tive e realmente , bem no fundo, NÂO QUIS férias no sentido de ausência do país!)….
Foi um verão desconsolado no tempo, cá, mas onde quer que vocês possam ter ido, foi sempre um momento de descompressão, de ilusão, de bem estar, de calma e de fragrâncias orais e visuais, de revisão da vida, e de anular o stress do momento louco que se vive no país, na Europa, no mundo, na SELVA…Somente quando estamos apaixonados e a coisa corre mal é que mesmo ausentados , não estamos bem em lugar algum..a mim aconteceu-me duas vezes na vida..no Norte de África, quando me zanguei lá com uma das minhas históricas cara-metades, e na minha tragédia-grega, quando em Madrid, ia para a cama às 21h e 22h (tinha partido para Madrid para esquecer ou tentar esquecer..funcionava sempre mas, nessa vez, NÃO!), era realmente a tragédia no pleno sentido da palavra e Madrid comparada com Atenas parecia-me algo como a «Bela adormecida (ATENAS) e a bruxa má (Madrid!)»!… Hard times that are gone, gone , gone blown with the wind…
As férias foram a mais recente e boa invenção da humanidade.. Na verdade os Ricos e os Nobres já viajavam há muitos séculos atrás e nem que fosse para ir matar em nome de Deus, como nas Cruzadas, ou numa febre de fugir-se aos seus próprios fantasmas e procurar alguém do seu próprio sexo, dando novos mundos ao mundo (Alexandre o Grande), a HUMANIDADE inventou as férias, pagas e merecidas e atribuídas legalmente…pouco a pouco… torna-se algo tão vital como os empréstimos para se poder viver e comprar… Biarritz e a costa francesa ali no noroeste foi o «DÉBUT»!!!
Para mim, férias ( conceito para o ano inteiro) é símbolo de reinventar a vida, com cor..temos de nos distanciarmos de nós mesmos e «dos nossos», para poder compreender o que se passa, ou o que queremos ou queríamos que se passasse.. Para mim, férias é combate, combater conhecendo outras dimensões psicológicas e geográficas ( e sexuais/sensuais também…para quem pode.)Para mim, há anos atrás, ‘Férias’ eram os quartos de hotel onde passava a CNN , era o 30º andar do ‘Brussels Sheraton Hotel’ ou o Berlim Penta Hotel, ou o Boston Ritz Carlton e os pecados bilionários, os riscos, e os banhos de espuma na banheira, e dizer, «ah assim chega-se mais depressa ao ideário de vida»… Férias era ouvir outras línguas…ou ver um noticiário e sentir que «aquilo não nos atingia» porque não era a nossa realidade de momento….era um faits-divers no nosso estádio de no-bad-feelings-at-all…Madrid e aquelas poltronas e camas eléctricas no Gran Via H. Hotel, e as fugidas das amizades domésticas, o thrill e a adrenalina de escapar-me da família no canto escuro da noite e ir pecar, pecar, pecar, amar, amar e ADORAR……Londres começava à hora que queríamos, Nova Iorque não tinha ‘TERROR Twiin Towers’, Boston era o barco para Province Town e Cape Cod, Madrid era uma fúria sexual de manhã à noite e continuamente sempre o restaurante, o museu, o ‘picar’, o banho turco sensual, o bar, o olhar dengoso, o toque corporal, os bares underground dirty heavy but so fucking erotical… o liquido pré-coitoral e a selva amazónico-sexual…Barcelona era um pouco mais do mesmo, mas com más fuerza e Sevilha um pouco mais discreta…Paris era um erguer de egos e de preços e Berlim, os exageros de couro…..Ibiza era fugaz mas quente e desvairada e por aí fora…
TODOS TROUXEMOS UM «CAFÉ-DEL-MAR» sonoro, para casa, um cheiro, uma visão e uma palavra, um olfacto e até uma marca física, de noites quentes, ou frias, mas fogosas…um oceano de emoções eternas até ao dia em que morrermos..um bálsamo para a tristeza do Inverno..casais que se recompuseram, ou mesmo uma mera mãe de família que levou a casa às costas para cozinhar numa qualquer alforreca de Caparica ou Praia da Rocha, traz um sonho, uma esperança, um desejo… ou mesmo um olhar de um homem outro que não o seu velho-mesmo de sempre marido, que a olhou de desejo para ela nos areais…TODOS TROUXERAM ESPERANÇA, SONHO, COR, APETITE, OU VONTADE DE VOLTAR..de repetir….E de pensar-se, nostalgicamente, que a vida voltará a ser melhor.» PARA TER FORÇA PARA O REPETIR DE UMA OUTRA FORMA NUM FUTURO.
As doenças e outros desvarios da vida são implacáveis, a palavra metafórica ‘I.P.O’ é o horror, mas temos de combater a tristeza..e combater esse tal retorno, esquecer que o Almeida Santos ainda pronuncia as palavras com a sua sibilante beirã e que o Sócrates ainda tem o mesmo nariz ou que a Patrocínio ainda não morreu ou que a Jacques ainda insiste que só vale a pena viver até aos 50’s!:
FAZER COISAS QUE NUNCA FIZEMOS, TER ESPERANÇA QUE AS CONSEGUIREMOS FAZER, ALTERNAR, ALTERNATIVAS, OUSAR RUPTURAS, RECRIAR O QUE TEMOS, RELATIVIZAR A POBREZA E A MONOTONIA, REDESCOBRIR PAIXÕES E AMORES, FAZER GINÁSTICA E NATAÇÃO E ANDAR DE BICICLETA, coisas simples mas tão importantes para o amor..ver fotos actuais antigas e modernas e relativizar a máxima das Cláudias Jacques todas que pululam por aí, e para quem a máxima é manter-se ‘jovem e jovial’ toda a vida, senão não VALE A PENA! NÃO NÃO VÂO POR AÍ..A vida evolui, e se agora o MUST é ser e parecer jovem, há poucas dezenas de décadas os’ VELHOS’ detinham o poder de tudo…ambos estão errados..cada idade tem um imenso valor e as trocas e intercâmbios têm de voltar..A velhice não é para se deitar fora…E ironicamente, de que vale aos novos serem novos, se os velhos têm as regalias e o poder, e obrigam os principiantes no status quo do trabalho a levarem uma vida miserável, a suplicar tudo por um emprego, e a levarem um ordenado miserável para casa? ANDA TUDO TÃO ERRADO E ÀS AVESSAS..A SOCIEDADE E O EMPREGO PEDEM JUVENTUDE, MAS SIMULTANEAMENTE QUEREM «KNOW HOW E EXPERIÊNCIA» E ISSO NÃO SE COMPRA NA UNIVERSIDADE, OS GRANDES MANIPULADORES DE TODA ESTA MÁQUINA MOSTRUOSA ECONÓMICA NÃO SÃO JOVENS, SÃO VELHOS, E A MÁQUINA DIZ QUE «SER JOVEM É UM ESTATUTO E VELHO UM DESPERDÍCIO A VOMITAR», É ESTA A MENSAGEM..MAS HÁ ALGO SUJO E ERRADO NA MÁQUINA INCONGRUENTE….E incoerente…
POR ISSO, NESTE FINAL DE FÉRIAS, FAÇA-ME UM FAVOR, E A SI MESMO…SE FOR CASADO OU CASADA, DIGA AO SEU COMPANHEIRO/ESPOSA que quer estar só uma tarde, que quer passar uma tarde com o seu MP3 nos ouvidos e ler o sol e o vento e a chuva..ou o que lhe der mais prazer..( avance e ouse o impossível…deitar-se num prado e fazer amor com um desconhecido que lhe dê prazer…faça uma loucura…) ou voltando ao «normal»… com a sua música favorita, arranje-se bem e «jovialmente(sem anular a sua real idade)», ponha-se bonito e bonita, porque todos o são pelas leis das naturezas humanas, e vá dar esse passeio ‘all by yourself’, a um qualquer ‘Torrão do Lameiro’, EVITE OS PORTO BEACHES CLUBES OU AS ESPLANDAS DE VILA DO CONDE,EVITE PRAIA COM PATROCINIO OU MARCAS ESTAMPADAS NAS ESPLANADAS..FUJE AO ARTIFICIAL NA NATUREZA… EVITE TER MUITA GENTE À SUA VOLTA, e sinta-se único/única e especial e vá ter o seu «very moment», ‘ease your mind’ e cam
in
he pela areia, ou campo, ou horizonte fora, ou montanha ou sítio ermo, mas seguro , ouça música, deixe o seu vestido levantar-se ao vento, ou o seu cabelo, ou simplesmente levar com o vento e o sol, ou a chuva no rosto, E PENSE COMO VAI SER FELIZ E FAZER FELIZ ALGUMA COISA OU ALGUÉM..MESMO COM TODAS ESSAS AGRURAS DA REALIDADE QUE A ESPERA, OU A SI, HOMEM, E SEJA NESSE MOMENTO SEU INTENSO..SÓ VOCÊ! A REALIDADE VIRÁ BUSCÁ-LO, OU A SI MULHER, DEPOIS, A REALIDADE VIRÁ… FRIA, OBSCURA E CRUEL, MAS CRIE O SEU CUBO MÁGICO ÚNICO, INTOCÁVEL, POR ESSA REALIDADE DURA E CRUA…e crie um horizonte de sonho que o/a proteja….
E DEPOIS, BE WELLCOME BACK TO Reality..E DEPOIS SEJA BEM VINDA OU BEM VINDA À REALIDADE DO ‘PÓS-FÉRIAS’….UMA VEZ MAIS, DESTA EM 2009…TIME GOES ON…TEM DE APROVEITAR A VIDA QUE LHE DÃO..DEPOIS DE MORTO, PODE VIR AOUTRA COISA, MAS TEM DE VIVER ESTA PRIMEIRO….
LEMBRE-SE QUE NA SUA INFÃNCIA, A PUREZA E A INOCÊNCIA PROTEJEU-O/A DO QUE AGORA NÃO PODE…. MAS VOCÊ FOI FEITO/a PARA SER FELIZ…Lembre com nostalgia, seja generoso/a com a VIDA, lembrando-se dos mortos, pode ser o cão, o gato, o pai, a mãe, o irmão, o amigo, a ex esposa, lembre-se dos que partiram com dignidade e felicidade nostálgica, peça-lhes desculpa por não lhes ter dito o que queria ter dito e leve uma flor a uma praia deserta e atire ao mar, olhando sempre o céu azul e o vento falante, a flor para ele, para ela, para eles todos, e inclua sem pecado e sem falta de dignidade os animais que lhe foram também queridos….não são pessoas obviamente mas eram um pedaço da alegria de você também…
Pode não sentir-se feliz pelo regresso da monotonia,,,,mas….
TENTE!
Blue guitar,
Fortune of my ways
Making of my days.
New chord,
Counting up the ways
Happiness is lazy.
If you don’t know the song,
If you can’t put the words to the tune,
Tell the rhyme from the reason,
What should it matter
To the fool or the dreamer?
New hope,
Travellers in a storm,
Finding love is warm.
New day,
The world has just begun,
Our eyes have seen the sun.
If you don’t know the way,
If you can’t see the wood for the trees,
Taste the wine from the water,
Well, what should it matter,
To the fool or the dreamer?
Blue Guitar, 1975
Justin Hayword & John Lodge, ex-Moody Blues.
Silva Lopes, um administrador pouco renovável
O David Fonseca deu-me a dica. Não pensem que é um assunto desactualizado – pelo contrário, a actualidade é imensa. É a «fenómenos» como este que se refere Francisco Louçã quando defende a nacionalização da EDP e de outras empresas do género, como a Galp.
José Silva Lopes, antigo Ministro das Finanças no II e III Governos Provisórios pós-25 de Abril e no III Governo Constitucional, renunciou no mês de Maio de 2008 ao cargo de Presidente do Conselho de Administração do Montepio Geral. Justificou esse abandono com a idade avançada, 76 anos, e com a falta de dianimismo para um cargo tão exigente. Pelos quatro mês de trabalho durante esse ano, recebeu do Banco mais de 400 mil euros.
No mês seguinte, a 4 de Junho, José Silva Lopes foi apresentado como o novo membro do Conselho de Administração da EDP Renováveis. Presume-se que, desta vez, o cargo não seja tão exigente.
José Silva Lopes – e isto para mim é o mais importante de tudo – defende o congelamento dos salários dos portugueses e o não-aumento do salário mínimo como forma de ultrapassar a crise económica. Defende ainda a ajuda aos desempregados e, de forma coerente, começou por ajudar-se a si próprio, empregando-se na EDP Renováveis mal saiu do Montepio.
A propósito da Galp, o Administrador Fernando Gomes recebeu em 2008 4 milhões de euros em remunerações mais um PPR anual de 90 mil euros. PPR com benefícios fiscais, claro – o dono de tão chorudo vencimento certamente precisa de tais benefícios. O Vital Moreira é que tem razão!
Saber educar
Para o Aventar e o seu bloguista Ricardo Santos Pinto, com prazer e em memória do sempre vivo José Paulo Serralheiro, tal como esse outro que não me esperou, Paulo Freire, o meu íntimo fraterno amigo.
Educar não é difícil. Com um pouco de paciência, nós, docentes de qualquer grau, dizemos, reiteramos, tornamos a reiterar o já explicado. Procuramos alternativas, especialmente para as denominadas Ciências Duras, que de duras apenas têm o nome e a eventual falta de memória. Não pode ser dura uma ciência que tem fórmulas, algarismos, teoremas, geometria. Por outras palavras, um mapa que orienta o pensamento. Nunca abandonei o debate com o meu amigo e salvador da minha vida, José Mariano Gago, que entende as ciências sociais por razões familiares. Livro que lhe ofereço, livro que não lê: não tem um mapa de estrada para andar pelos labirintos do que é pensar no ar. As ciências duras, são essas que, eventualmente, obrigam a usar estatísticas, facto que não devia acontecer na Antropologia, Sociologia, Filosofia, História. Ciências de factos, de dados que se aprendem, enquanto se entende, através do que eu designo de mente cultural, conceito criado e provado por mim nos anos 90 do Século XX.
Mente cultural resultante das formas de agir, dos costumes, da história oral, do imaginário que tem uma prova: a economia. Quem sabe economia, mas a economia do povo que calcula em tempos de crise, ao fim do mês há um ordenado à espera: baixo e pouco, não a doutoral que vivemos na academia e não corre perigo. Educar não é difícil. Difícil e muito complexo é saber educar. É preciso encantar a criança como as fadas madrinhas e os Peter Pan, para seduzir a sua atenção, sentar-se não no banco do professor, mas andar quilómetros entre eles, olhar nos olhos, saber brincar no meio de uma frase de forma amável e carinhosa para tornar outra vez à frase cortada por causa da brincadeira. Isso é reiterar, com comentários simpáticos sobre a família, gastar dez minutos para comparar Dom Sebastião com as almas em pena, dizer que a República é do povo, pelo povo e para o povo, enquanto a monarquia é para as famílias que tudo têm e nem precisam aprender. Por acaso, tive por estudante um filho de Isabel Windsor e do seu marido o nosso Reitor, Filipe Mountbatten e o seu primo Constantino Saxo-Coburgo, da Grécia. Saber ensinar estes descendentes de famílias com posse e larga genealogia, pode parecer um problema se nos lembrarmos dos seus outros trabalhos: Rainha, Príncipe Consorte, Monarca destituído. Eles têm apenas um problema: saber governar ou não.
O nosso povo tem outro, como em qualquer outro sítio do mundo: trabalhar para estudar de noite. Os Mountbatten, o Azevedo, os Saxo-Coburgo-Gota, os Espírito Santo, os Hohenzollern, os nomeados antes, os Leite, os Vasconcelos, os Porta, custa-lhes estudar. Mas, quem lhes ensina, pode-se ver dentro de uma salada russa: estão a domesticar o poder soberano, que deve, é e será do povo. Apenas se esquecem e não sabem, que as dificuldades de aprendizagem dos descosidos portugueses nascem do facto de terem que encher a barriga antes da cabeça. E quando a cabeça é «cheia» é com letras e livros que não alimentam nem têm mapas para indicar o caminho.
Saber ensinar é transferir a história quotidiana de trabalho, dar dicas como tornar mais leves essas horas desde as sete de manhã até as cinco da tarde, com meia hora para comer um prato de sopa e beber uma cerveja. Desde a mais tenra puberdade. Saber ensinar é conhecer as relações familiares, de amigos e vizinhos para desenhar um conjunto de conceitos que não aparecem nos livros, ficando-se apto para enveredar pela perca do medo da vida e da submissão dos acima nomeados.
Para saber ensinar, o docente deve conhecer primeiro a vida do bairro da escola ou liceu e traduzir os livros Mountbatten, Bragança, para os Coelho, Pires, Pimentel, Redondo e fazer deles cidadãos de bem. Não por respeito à Constituição, mas por respeito a si próprio e à família. Como esse David Machado que criou os seus irmãos, para eles cozinhando sopa de cabaço e batatas, sendo hoje em dia, um excelente pai de família que transmite aos seus filhos a mente cultural, como bom policia que é. Saber ensinar é nunca dizer pega no livro e vai para o teu quarto.
A herança do que eu denomino ensino – aprendizagem é apenas a educação cívica e que nós saibamos que os resultados são da nossa parte e não de um país fatimizado, como é o nosso. Essa herança faz do descosido um bom cidadão, sem pretensões, sem guardar dinheiro que não se investe se beber os poucos cêntimos e nunca, mas nunca, pedir aos docentes que punam os filhos porque a letra com sangue entra na Herança dos ministros com nomes gregos que procuram apoio entre os que não sabem que reuniões a fio e relatórios quotidianos, vão lentamente matando os que devem estar sempre frescos para transferir o saber. A herança que deixa o meu governo actual é para os Vasconcelos, Mounbatten, Espírito Santo e não para o povo que é o proprietário da soberania que apenas a delega entre os que não sabem que em escolas frias e distantes, as crianças fogem. Não do saber, mas sim da miséria em que hoje estamos, herdada desde que um português governa a União Europeia e uma engenheira pretende ensinar a ensinar.
Sou português, amo o meu país, dou aulas na rua ou no mercado, para ver a matéria viva que transfiro e experimento fugir dos fatimizados ou que eles fujam das ideias portuguesas dos irmãos Grimm. Dos Judas Iscariotes.
Raúl Iturra
Catedrático de Enopsicologia do ISCTE-IUL
Membro Activo de Amnistia Internacional, de Human Right’s Watch e do
Projecto de Alice Miller sobre a Criança Natural
Paraíso Socrático: licenciados sem trabalho…
…são o dobro da média da OCDE, diz a organização, que Portugal é dos piores na comparação da passagem de qualificações académicas a lugares no mercado de trabalho.
O desemprego de longa duração afecta 51% dos desempregados portugueses com diploma universitário e idades entre os 25 e os 34 anos. Esta taxa na média dos países da OCDE é de 42%.
Claro, que estes números ainda não beneficiaram das Novas Oportunidades o que deverá resultar numa subida imparável da nossa posição no concerto das estatísticas, porque criar emprego só com muito trabalho , e capacidade política junto das PMEs, que como se sabe, são ignoradas pelo nosso primeiro. Mas nas estatísticas estamos aqui estamos no topo da tabela. Enfim, milagres.
O relatório aponta Portugal como o único país da OCDE que não registou um aumento, entre 1995 e 2007, na frequência do sistema de ensino por parte dos jovens entre os 20 e os 29 anos, ou seja com idade para frequentar a universidade. Outra maneira, bem eficaz, de diminuir o desemprego entre licenciados, não há licenciados deixa de haver desemprego entre eles.
Como sempre de vento em popa!
Mãe – Rodrigo Leão
Desde que ando pela blogosfera, publico sempre as minhas escolhas musicais do ano, uma espécie de best-off do que considero que de melhor se fez na música nesse respectivo espaço de tempo. Por alturas de Outubro, pé ante pé, vou publicando as minhas escolhas e no fim, Dezembro, informo qual o melhor em Portugal e no Mundo. Uma escolha que nunca coincidiu. Desde Arcade Fire, passando por Sigur Rós ou The National, sem esquecer Deolinda, Rita Redshoes ou Lhasa e Lila Downs, as escolhas variam. Raramente a escolha é fácil. Excepcionalmente, em 2009, vou abrir as hostilidades um pouco mais cedo. A colheita deste ano é merecedora e o Aventar idem.
Para início de conversa, um forte candidato a Álbum nacional e Internacional do ano: “Mãe” de Rodrigo Leão.
O novo trabalho de Rodrigo Leão, “Mãe”, é absolutamente fantástico. Aliás, é mais uma obra-prima desta figura genial que esteve na génese de projectos tão diferentes e tão singulares como os Madredeus ou os Sétima Legião. Cada um, a seu tempo e na sua época, absolutamente marcantes. Por sua vez, a sua carreira a solo é fabulosa. A par de Yann Tirsen, Rodrigo Leão é hoje uma das grandes referências internacionais na moderna música europeia.
Aqui ficam alguns exemplos:
Este não é do “A Mãe” mas não me canso de ouvir:
Sem falar na “Ave Mundi”:
Hitler, Estaline e Saddam a cara da sida
Escândalo internacional gerado por um anúncio na luta contra a doença. Pode a cara da sida ser a cara de Hitler, Estaline e Saddam ?
A sida é um assassínio de massas, e a relação é evidente . Há quem considere que o anúncio estigmatiza as pessoas que sofrem da doença, mas a tentativa é chamar a atenção para o facto de que há cada vez mais pessoas a viverem com a doença e nada melhor que um choque e ter uma resposta tão forte da sociedade.
Estar na cama com Hitler, só a ideia, é realmente assustador !
A.23 Online
Descobri este A.23Online onde li uma entrevista de José Vilhena. Um espaço interessante e a não perder de vista. Já agora, com um excelente vídeo de uma magnífica música de Rodrigo Leão. Como agora coloco sempre um clip musical com as minhas postas, neste caso a escolha é óbvia:
3 Cantos: Sérgio Godinho, José Mário Branco e Fausto juntos
Já reservei os bilhetes. A 22 de Outubro em Lisboa e a 31 no Coliseu do Porto, um espectáculo único – Sérgio Godinho, José Mário Branco e Fausto. 3 Cantos. Os últimos cantautores portugueses estarão juntos em palco, pela primeira vez desde os anos quentes da Revolução, para preservar a memória de um certo Portugal. A memória de Abril, a memória de Zeca, a memória de uma música de intervenção que, a cada momento, tem mais razões para continuar a existir. Mesmo que 35 anos depois!
a night at the….
lápis azul – segunda versão: uma das melhores noites da cidade invicta, nos últimos tempos, são as quartas-feiras no CONTAGIARTE. porquê? porque é a noite da festa REGGAE. todavia, o objectivo desde «post» é dizer-vos, caríssimos, que hoje, hoje, vi «gunas», a sério, «gunas» a dançar marley e tosh. eh pá, se tu lá fores, consegues ver todas as noites brancos com rastras, erva a rodos, meninas da foz com vestidinhos dourados, metálicos todos a preceito, belezas africanas, todos a curtir a pátria do grande BOLT, mas «gunas» !? é de partir. há muitos sítios onde a noite portuense funciona, mas uma noite de quarta-feira no CONTAGIARTE vale sempre a pena, mesmo com «gunas». fumes charros, erva ou cigarros, bebas cerveja ou bebidas brancas. não é uma noite do estilo «porreiro pá!», é só uma noite do «porreiro». ZION TRAIN IS COMMING YOUR WAY ! Marley forever and a day!
ps: hoje que a minha argentina perdeu, com deus como treinador, tinha que sair, pá !
Contos proibidos: Memórias de um PS Desconhecido – A fundação do PS
(continuação daqui. explicação da iniciativa aqui. para ver todos os «posts», carregar na imagem da capa do livro na barra lateral)
Em Bad Munstereife compareceriam vinte e sete fundadores, dos quais onze residentes em Portugal. Mário Soares, Ramos da Costa e Liberto Cruz viviam em Paris.
Soares vivia desafogadamente, leccionando instituições portuguesas na Universidade de Vincennes e, sobretudo, enquanto consultor do Banco d’Outre Mer de Manuel Bullosa. Este emprego, que era a sua principal fonte de rendimento só seria revelado, pelo
próprio, em 1983. Jorge Campinos leccionava na Universidade de Poitiers e Francisco Ramos da Costa era considerado um homem abastado que vivia de rendimentos que tinha em Portugal. Manuel Tito de Morais e Gil Martins viviam em Roma. O primeiro
era financeiramente apoiado pelo Partido Socialista Italiano e o segundo estudava arquitectura. Fernando Loureiro era licenciado em medicina e vivia na Suíça, onde trabalhava para uma empresa farmacêutica. Bernardino Gomes vivia na Bélgica e estudava na Universidade Católica de Louvaina. De Londres vinham José Neves que era funcionário de uma empresa de equipamentos de escritório e Seruca Salgado que tinha participado, enquanto militante da LUAR, na tentativa de golpe de Beja refugiando-
-se primeiro em Argel. Da Alemanha vinham Gomes Pereira, que lá trabalhava como metalúrgico, assim como Lucas do Ó, Carlos Novo e Carlos Queixinhas. De Portugal estariam presentes os advogados Catanho de Menezes, Gustavo Soromenho, Fernando
Vale, Fernando Borges e António Arnaut. Arons de Carvalho, Nuno Godinho de Matos e Roque Lino eram licenciados em direito e Maia Cadete, Mário Mesquita e Carlos Carvalho eram jornalistas. A única mulher presente seria Maria Barroso que, na Alemanha,
representaria essencialmente o grande ausente, Francisco Salgado Zenha. Também outros, à data reconhecidamente ligados à fundação do Partido Socialista, não estariam presentes pelas mais variadas razões.
Áurea Rego que vivia em Londres e muito fez para dinamizar o núcleo de Londres, Raul Rego, António Macedo, JaimeGama,
António Campos, José Luís Nunes, Magalhães Godinho e Vasco da Gama Fernandes, são alguns dos ausentes de maior relevo.
Em qualquer dos casos o Partido que fundámos na Alemanha, no dia 19 de Abril de1973, não teria mais de cinquenta filiados em todo o mundo.
E a polémica que viria à luz, aquando das celebrações do vigésimo aniversário da fundação, sobre quem votara a favor e quem era contra a transformação da ASP em partido é realmente pouco relevante. E apesar do meritório esforço jornalístico de Mário Mesquita, nem a fundação do PS teria a «benção»de Willy Brandt nem os que votaram contra a fundação do PS, como foi o caso de Salgado Zenha, através de Maria Barroso, e do próprio Mário Mesquita, o fizeram por razões doutrinárias. Willy Brandt não esteve presente nem enviou qualquer mensagem a este congresso fundador e os únicos representantes do SPD seriam a funcionária da fundação Ebert para as questões ibéricas, Elke Esterse, no último dia, o secretário internacional Hans Eberhard Dingels que é igualmente funcionário e não pertence aos quadros dirigentes daquele partido.
O SPD não acreditava então, nem na viabilidade do Partido Socialista enquanto partido de massas, nem na queda do regime. As razões que levariam sete congressistas a votar contra explicam-se em alguns casos pelo receio das consequências de tal acto, noutros casos porque também havia quem achasse que para se ser um partido político era necessário ter mais que meia centena de dirigentes.
Havia ainda os que viam na fundação do PS uma manobra apressada e camuflada de Mário Soares para poder negociar com o PCP o acordo que viria, aliás, a assinar cinco meses depois, sem mandato das «exíguas» bases.
continua aqui
25 Guitarras de Aço (2)
pressupõe-se, erradamente, que um grande guitarrista é essencialmente um solista. uns valentes vinte e cinco anos atrás, numa conversa de comboio, dizia-me o alexandre soares (fundador, primeiro vocalista e guitarrista dos GNR) qualquer coisa como isto: «eh pá, um gajo começa por querer aprender uns acordes para sacar as músicas das bandas que gostamos, depois, com alguma técnica, sacámos mais ou menos os solos e passado alguns anos pensámos que até já somos alguém e temos o nosso som, mas, merda, o que todos nós gostaríamos de ser é como o johnny marr!» Johnny Marr não aparece citado no artigo a que me referi no «post» passado. percebe-se muito bem porquê. está fora do mundo dos grandes solistas. é, aliás, ainda um muito maior escândalo que ninguém refira na citada «classic rock», por exemplo, lou reed. adiante. na primeira metade dos 80’s, em pleno pós-punk – o que na altura ficou conhecido em portugal como som da frente, termo forjado pelo grande antónio sérgio no programa anónimo – as três grandes bandas de culto eram, como toda a velhada sabe, the cure, the smiths e U2. claro que também por cá andavam na boca e ouvidos de todos os the sound, os felt ou os echo and the bunnyman. se nos the cure, robert smith assumiu a banda sózinho, nos U2 e nos the smiths constituiam-se duplas na boa tradição da pop – bono e the edge, morrissey e johnny marr. mais do que os irlandeses, os de manchester foram vistos na altura como os «lennon-mccartney» do seu tempo. foram-no? pensamos que sim. a vida dos the smiths foi curta – entre 82 e 87 – mas a sua obra discográfica é magistral: «the smiths» 1984, «meat is murder» 1985, «the queen is dead» 1986 e «strangeways, here we come» 1987 são os longa-duração da banda. morrissey tentou reeditar a dupla com vini reilly em «viva hate» mas não o conseguiu. por outro lado, a carreira de johnny marr, pós-the smiths, é, no mínimo, errática, mesmo contando com os electronic.
uma das caraterísticas de guitarristas na linha de Johnny Marr é o facto de serem essencialmente grandes músicos de estúdio, muito dados ao meticuloso trabalho na composição e produção musical. é ainda hoje um mistério como as revistas especializadas em guitarras de aço se esquecem dele. mas, como dissemos anteriormente, não é exemplo único. as rendinhadas melodias, a finura harmoniosa mas ao mesmo tempo selvática da sua guitarra transformou a sonoridade dos smiths em algo identificável em qualquer parte do mundo. ouvem-se os primeiros acordes e sabemos logo o que é. Marr tem um estilo compositivo muito unitário embora no último longa duração da banda tente uma abordagem mais vasta. de todas as maneiras, para os mais fanáticos, «strangeways, here we come» não conta muito para a história, pese embora canções como «death of a disco dancer» ou «girlfriend in a coma». bastou meia década para que johnny marr – e morrissey – modificassem a pop. para melhor, claro. muita gente tentou seguir o caminho traçado por marr/morrissey, dos james aos stone roses, mas nunca lá ninguém chegou. mas ouve alguém, e falámos em termos técnico-compositivos, que lá esteve perto – Lawrence e os seus Felt. vejam-se, a título de exemplo, as guitarras do belo e instrumental «let the snakes crinkle their heads to death» 1986.
ps: a quem interesse, ainda se encontra à venda a edição limitada a 10.000 exemplares de «the smiths. singles box» 2009 que reúne os primeiros dez singles com as capas originais e alguns bónus. uma está disponível na fnac porto santa catarina. vale os trinta e tal euros todos e mais alguns.
O debate Jerónimo de Sousa – Manuela Ferreira Leite. Raios te partam, camarada Jerónimo!
E pronto. Terminou a participação de Jerónimo de Sousa nos debates das Legislativas. Nem com o impulso dado pela Festa do Avante; nem com o Red Bull; nem com uma divorciada jeitosa à sua frente. Jerónimo de Sousa nunca arribou e foi sempre do mais sensaborão e entediante que se possa imaginar.
Hoje também. Falou-se de política e falou-se de economia. As regras foram cumpridas, como são sempre que o primeiro-ministro não está presente. As diferenças ideológicas ficaram bem vincadas, mas Jerónimo devia ter respondido quando Manuela Ferreira Leite, demagogicamente, disse que os impostos sobre as empresas já estavam muito altos, esquecendo que era dos Bancos que se falava, e que os Bancos continuam a pagar menos impostos do que as Pequenas e Médias Empresas.
Raios te partam, camarada Jerónimo. O que te vale é, mesmo depois das tuas tristes prestações, vou continuar a votar em ti.
9 fora
Até tinha vindo de pizza, fresca e à medida, para casa onde me esperava a meia final de uma Casa do Arrabalde, alvarinho arintado branco e no fresco, mas durante 90 + 10 minutos mal olhei, bem virado para ela, para a televisão que até é nova e grande, mais entretido com um velho tetris (perdi o link).
Estavam uns gajos de vermelho e branco a jogar com uns de branco e vermelho, sei que quem marcou foi o Pepe, e que a luta continua.
Não sou muito daltónico, mas só um guarda redes era do Braga. Fiz uma pontuação razoável, nível 7, para quem não tem ido aos treinos.
Também é verdade que já tinha visto esta do 24h, e sossegara. Com a Virgem do Scolari, um gajo experimenta tetris à vontade. Já agora, Pepe, marca mais golos mas no fim fica rouco. Áfono. Andas a falar como se o Futre tivesse jogado no Belo Horizonte. Foi quando acordei.
O eduquês à moda de Maria de Lurdes Rodrigues (I)
Como já disse aqui, neste ano lectivo fiquei colocado perto de casa. Com o fim dos QZP, estava preocupado porque não tinha conseguido tornar-me QE. Ou melhor, QA, como agora se diz. Bem bom, acabei por ficar colocado via DACL (não por DCE ou DAR, não venham já com a treta dos privilégios)!
Pior ficou uma amiga, CN há 10 anos, que teve de se contentar com os EPE, como acabei de ver na DGRHE. Mas compreende-se, não tem PF, apenas PP, e, por incrível que pareça, só tem habilitações do nível BFC. Já o namorado dela, por ser FIN, nem sequer pôde concorrer.
Mal entrei na escola, dirigi-me ao PCE, que me deu uma cópia do RI e me esclareceu, para eu ficar descansado, que esta escola não é um TEIP. O que não quer dizer nada, claro está… Disse-me também que fazem parte do Agrupamento, para além desta Escola, um JI, uma EBI e várias EB1, onde se leccionam as AEC.
Recebi também o meu horário. Felizmente, não vou ter nenhuma turma de CEF. Para além das turmas regulares, vou dar assistência ao GABAPAL e à BE, para além, claro, das inevitáveis AS.
Nesse mesmo dia, tive a minha primeira reunião de DCSH. Por ser SC de Grupo, vou ter algum trabalho burocrático, no qual se inclui a elaboração do PCG. Esteve presente um colega das Ciências, que nos falou da importância do PTE.
Nada que se compare, no entanto, ao trabalho que vou ter como DT.
Aliás, no CT que dirigi, e que se realizou no dia seguinte, deparei-me com a dura realidade: fazer o PCT, organizar o PEI (antigo PIA), fazer a interligação com o SPO e com o CPCJ, escolher os temas gerais das ACND (AP, FC e EA) e ainda motivar os alunos para o PNL, para o PAM e para o PES. Ufa! Felizmente, vou ter a colaboração dos restantes elementos do CT e dos EE.
Ainda por cima, tenho de falar com as professoras do EE por causa dos alunos NEE e tenho de encaminhar alguns deles para a ASE.
Depois disto tudo, bem podem vir com os OI, com a AA e com a palhaçada da ADD. Não mexo uma palha. Porque do que eu precisava mesmo era de uma LSV!
Agora vou embora que ainda tenho um PAA para acabar. Felizmente, o PPA já está feito. Amanhã, há reunião do CP, mas felizmente não faço parte desse órgão. Em contrapartida, terei de estar presente numa reunião do H1N1, em que durante três horas me vão ensinar a lavar as mãos.
Hungria – Portugal, ou a escola do FC do Porto a funcionar em pleno
Cruzamento de Deco, golo de Pepe e aí está Portugal ainda na corrida para o Mundial da África do Sul. Com um Raul Meireles raçudo como sempre no meio-campo e um Bruno Alves imperial na defesa, só se pode concluir que a escola do FC do Porto continua a funcionar em pleno. À frente, um Liedson lutador e, em relação ao dito melhor jogador do mundo, a miséria do costume.
Quem não quer ver é… como direi sem ferir susceptibilidades? – faccioso…
QUANTA DIFICULDADE, MAS LÁ ACABAMOS POR GANHAR
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E, GOLOS, SÓ DOS BRASILEIROS, PERDÃO, PORTUGUESES
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Difícil, muito difí
cil, mas lá acabamos por ganhar. Mas foi preciso que, logo no início do jogo, Deco marcasse o livre e Pepe marcasse o golo. Já o golo do jogo anterior foi de Liedson. Todos Portugueses naturalizados. Que se há-de fazer? Não se pode mudar nada, não é?
Ganhar, ganhar, só com Malta, Albâbia e Hungria. Todas grandes potências do futebol mundial. Todos jogos fora. E os que nos faltam, são em casa, onde nunca ganhamos nesta fase. Faltam de novo a Hungria e Malta. Será que conseguiremos vencer?
A Hungria passou o tempo quase todo a defender, é verdade, e mesmo assim iam marcando mais de uma vez nos minutos finais, e nós continuamos a só atacar e a não finalizar, sofrendo a bom sofrer até ao fim do jogo. E o tal senhor que é o melhor do mundo, de quem eu já disse noutra altura que não gostava, continua a só marcar no campeonato Inglês ou Espanhol.
Deve ser culpa minha, o não gostar destas coisas assim, já que os jogadores são dos melhores que há, e o treinador, o melhor é nem falar.
Hungria – 0, Portugal – 1. Nós somos mesmo bons, carago!
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JM
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Ainda o iberismo (I)
Tinha prometido não voltar a este tema, pois dizem que falar muito dos fantasmas lhes pode dar entidade corpórea. Contudo, uma sondagem que para aí circulou no princípio de Agosto, aqui referida pelo Luís Moreira num post de 5 desse mês, constitui um desafio e uma tentação. E, tal como acontecia com o Oscar Wilde, eu resisto a tudo menos às tentações. Ainda por outro lado, gostaria de comentar dois comentários que me chegaram do interior do estado espanhol – um do meu querido amigo Josep Vidal, de Barcelona, e outro de um leitor galego.
Houve uma sondagem, feita há três anos pelo Expresso, que indicava que 27% de portugueses estavam dispostos a uma união com o estado espanhol. Neste estudo, mais recente, o da Universidade de Salamanca, a percentagem subiu para 40%. Alarmante? Acho que não. Começo por não acreditar na isenção desta sondagem (nem na da anterior) É um estudo mais do que suspeito. A Universidade entrevistou 876 pessoas em Portugal e em Espanha, nos meses de Abril e Maio. Que pessoas? Quantos portugueses, quantos espanhóis? Em que regiões de ambos os territórios? A que estratos sociais e a que faixas etárias pertenciam os entrevistados? Todos sabemos que é na composição do universo seleccionado previamente que os resultados das sondagens se manipulam.
Curioso é que o trabalho tenha sido feito pela Universidade onde o grande intelectual Miguel de Unamuno foi reitor e onde os falangistas, gritando «Viva la muerte!», em 1937, o levaram a uma histórica intervenção e a morrer de angústia pouco depois. Pelos vistos, o espírito do velho mestre, um iberista e não um anexionista, já não paira pelos claustros da vetusta instituição salmantina – quem encomendou a tal sondagem – uma coisa chamada Barómetro de Opinião Hispano-Luso – pagou e hoje em dia tudo se compra e vende; pelos vistos, até mesmo a honorabilidade de universidades centenárias.
Não acredito na isenção desta sondagem, tampouco creio na da anterior, mas acredito ainda menos na «coincidência» da reiterada insistência com que este tema vem sendo abordado – as sondagens, as declarações de Saramago, as de Arturo Pérez-Reverte, a afirmação de «iberista confesso» feita pelo ministro Mário Lino em Santiago de Compostela, a entrevista de Ricardo Salgado, do Banco Espírito Santo ao Público, para não falar no clamor, que sobre este tema, vai pela blogosfera, faz que eu não acredite em «inocências» e muito menos em «coincidências». Pensar que tudo isto obedece a uma orquestração seria alinhar na desacreditada «teoria da conspiração»?
Creio que não seria, porque não faz sentido chamar «conspiração» a uma tentativa canhestra de criar um movimento de opinião favorável à união, ou seja, à absorção de Portugal pelo estado espanhol. Tentativa falhada ou falsa partida, pelo menos para já. Ao contrário do que diz a locutora espanhola no vídeo, em Portugal o assunto só não morreu porque não chegou a nascer.
Nas tais declarações de finais de Julho passado de Ricardo Salgado, líder do Banco Espírito Santo, ao Público, vem defender o TGV «como forma de acelerar a construção da Ibéria». A Ibéria está construída – é um conjunto de países que deveriam ser todos independentes. E se assim fosse, espanhóis (designemos deste modo os castelhanos e os seus colonizados mais submissos, os andaluzes, por exemplo), bascos, catalães, galegos e portugueses, poderiam talvez pensar numa federação de Repúblicas, unindo-se para o que fosse comum e continuando autónomos para o que não é susceptível de ser amalgamado – a língua, a cultura, a história… Mas a esperança do homem do BES nada tem a ver com iberismo – acha é que o seu banco teria uma expansão maior se estivéssemos integrados num espaço comum com as regiões ricas de Espanha – Madrid e Catalunha.
Em entrevista ao Diário de Notícias, em Julho de 2007, José Saramago defendia a mesma coisa: «Não vale a pena armar-me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos», acrescentando que não seria uma integração cultural e dando o exemplo da Catalunha: «A Catalunha tem a sua própria cultura, que é ao mesmo tempo comum ao resto de Espanha, tal como a dos bascos e a galega, nós não nos converteríamos em espanhóis.» Porém, mais adiante, desdiz-se, quando o jornalista pergunta se Portugal seria mais uma província de Espanha e Saramago responde: «Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla-La Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente (Espanha) teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria.» O escritor defende, pois, a anexação, o desaparecimento de Portugal no meio das regiões autónomas. É uma «ideia absurda» – Cavaco disse algo com que concordo – e aventá-la é fazer o jogo de quem nos quer absorver e de quem quer ser absorvido.
Há tempos, Mário Soares, posto perante a questão, assegurou que o papão da perda da independência já teria passado à história, achando mesmo que podemos com base neste «espaço integrado ibérico, fazer trampolim para termos uma influência efectiva na Europa». Pela mesma altura, Joana Amaral Dias, na época assessora da campanha de Soares, opinava que neste projecto de união se podia ver os sinais de «um novo internacionalismo». Claro que a Joana não deve fazer ideia do que é o internacionalismo – pode estar certa de que um país perder a sua soberania a favor de outro estado, nada tem a ver com tal conceito. Provavelmente a exclusão da Joana Amaral Dias das listas do BE terá também a ver com a sua sede de protagonismo e com a sua incapacidade para ficar calada mesmo quando se trata de temas que não domina (como nota à margem, diga-se que é verdadeiramente espantosa, num partido que se reivindica do Socialismo, a tendência para escolher figuras mediáticas, mesmo que fúteis como a Joana – que o Bloco recusou – ou indo a extremos ridículos, como a escolha para «mandatária para a juventude» de Carolina Patrocínio: é bonitinha – não tão bela como se supõe – mas intelectualmente medíocre e de um burguesismo de caricatura – uma Lili Caneças adolescente. Como é possível? O que tem esta gente a ver com o Socialismo?).
No plano da comunicação, vemos envolvidos nesta campanha de tentativa de intoxicação da opinião pública portuguesa, além do El País e dos já referidos semanário e diário portugueses, outros órgãos ditos de informação onde o capital espanhol tem um peso significativo, como é o caso da TVI e da Rádio Comercial, ambos da Prisa – Media Capital. Mas a própria RTP, a estação de serviço público, sustentada com o dinheiro dos nossos impostos, dá uma mãozinha – remeto-vos para um texto que aqui publiquei há semanas atrás sobre «Tele-política». Já em Dezembro de 2006 a RTP dedicara um largo espaço informativo à ideia da criação da «eurociudad» Elvas-Badajoz.
Como dizia Francisco Martins Rodrigues no seu texto «Ibéria», publicado no livro «A Galiza do Século XXI – Ensaio para a Revoluçon Galega», 2007, é uma campanha «promovida a partir de cima». Com a clareza de linguagem que o caracterizava, Francisco Martins Rodrigues, afirmava que «a Espanha se tornou em poucos anos a potência colonizadora de Portugal em termos económicos.» E que, embora os governos falem de um «saudável intercâmbio de investimentos», «a dimensão dos grandes grupos espanhóis cilindra autenticamente quaisquer veleidades do capital português». E cita os grupos que são «o rosto de uma autêntica invasão de capitais» – Santander, Iberdrola, Repsol, Prisa, Zara… Pro
vo
cando, segundo Martins Rodrigues, uma subversão do tecido capitalista tradicional.
Lucidamente, como sempre, denunciava, há dois anos, aquilo que agora se tornou muito claro – a tal campanha promovida a partir de cima quando, em 2004, o director do semanário Expresso e o banqueiro José Manuel de Mello levantaram a dúvida se Portugal, dada a fragilidade da sua economia, tinha viabilidade como nação. E perguntavam – «porque não dividir o país em duas ou três regiões e incorporá-lo no estado espanhol». Creio que é isto que em linguagem de mercearia se chama «vender a retalho» (embora à luz do Código Penal tenha um nome mais dramático…). O texto do Expresso foi mal acolhido e os promotores da «ideia» meteram (provisoriamente) a viola no saco.
Agora aparece este estudo, oriundo de um tal Barómetro de Opinião Hispano-Lusa 2009 e realizado pela Universidade de Salamanca. A ideia da jangada de pedra, lançada há vinte e três anos por Saramago e que pareceu uma inocente parábola literária, era afinal na cabeça do escritor um projecto político que na entrevista de há dois anos ao Diário de Notícias aparece definido com palavras claras. Como parábola literária era interessante, pois salientava a singularidade das gentes desta ocidental península europeia; porém, como projecto político é surpreendentemente disparatado e insensato. Então o José Saramago, em nome de um «bom senso» que lhe deve ter sido incutido pela Pilar, manda às urtigas quase nove séculos de História, a cultura a língua? Ainda por cima, numa altura em que a jangada aqui ao lado está a meter água.
«Posts» históricos da blogosfera: Heresia – Por uma vez Bagão teve razão
«post» anterior aqui)
Escreveu-se no 100nada: «Os benefícios fiscais dos planos de poupança habitação e poupança reforma vão sofrer uma redução ou mesmo desaparecer. O Ministro arranjou uma forma rápida de conseguir uma receita maior. Rápida e de curto prazo. Com a desculpa de maior igualdade e outras palermices, penaliza a classe média que já paga os seus impostos e que não vê resultados práticos da aplicação eficiente desses recursos.»
Não posso concordar e todos aqui imaginam que me custa apoiar Bagão Félix. Mas o fim de muitos dos benefícios fiscais é mais do que justo. Por três razões:
1. Só pode beneficiar deles quem tem mais dinheiro para gastar (serão muito raros os contribuintes que, recebendo 800 ou 900 euros mensais, desviem os seus parcos recursos para um PPR). Bem sei que estão nos escalões mínimos, mas nem por isso deixam de estar incluídos no sistema e descontar para ele. Mais: só chega ao tecto máximo de deduções quem gasta mais. Só gasta mais quem tem mais. Os benefícios fiscais, favorecendo a classe média, põem a classe baixa a “contribuir” para as despesas de quem ganha mais. É uma distorção da justiça fiscal, que passa pela regra inversa: os que ganham mais ajudam os ganham menos. Os benefícios fiscais a investimentos em poupança em produtos fornecidos para os privados correspondem ao desvio de fundos públicos para o privado, prejudicando quem não usa (porque não tem margem para usar) os serviços privados. Quem se pode justamente queixar de pagar serviços públicos (taxas de saúde, propinas, etc), dizendo que assim se trata de uma dupla tributação, se depois quer que o Estado lhe pague os serviços privados?
2. Só beneficia de um planeamento fiscal complexo, como a enorme quantidade de complicados benefícios fiscais, o que exige um enorme conhecimento da lei, quem tem acesso a um contabilista ou advogado, o que, manifestamente, só acontece com quem mais tem. O sistema fiscal deve ser simples para os seus benefícios serem aproveitados por todos.
3. Os benefícios fiscais tornam a fiscalização mais complexa, desviando os esforços da máquina fiscal para uma fiscalização de minudências e não se concentrando no combate à fraude fiscal. A multiplicação de benefícios fiscais favorece a fraude fiscal.
Aceito que haja vantagens macroeconómicas no combate à inflação através promoção da poupança. Mas não me parece que esta vantagem valha a distorção da justiça fiscal.
No entanto, têm de me desculpar a desconfiança: ainda quero ver até onde chega esta proposta de Bagão Félix depois da reacção dos bancos. E quero saber se há algo de mais substancial para apresentar. Se Bagão aproveita a oportunidade para mexer nos inúmeros benefícios fiscais dados à banca e outras actividades não produtivas. Sou contra privilégios para a classe média (onde me incluo), mas estes estão longe de ser os mais escandalosos ou relevantes. As situações mais vergonhosas estão noutro lado e nessas, estou seguro, Bagão não tocará.
Daniel Oliveira, no Barnabé, 17 de Setembro de 2004
Daniel Oliveira, que hoje escreve no Arrastão, referia-se desta forma ao fim dos benefícios fiscais dos PPR, decisão tomada em 2004 pelo ministro Bagão Félix (Governo Santana Lopes). Tema interessante, sobretudo no momento em que José Sócrates critica o programa do Bloco de Esquerda relativamente ao fim dos benefícios fiscais dos PPR. Ou quando Bagão Félix, como refere Daniel Oliveira, esteve à Esquerda de José Sócrates.
José Paulo Serralheiro
Foi o melhor educador que tenho conhecido. Um sindicalista duro para a luta pelos seus. Foi valente, nem dormia para escrever e, especialmente para ensinar ou orientar aos seus colegas do Sindicato dos Professores do Norte.
Publicou um texto meu cada mês, lhe pareceu bem, e um livro. Fez de mim um escritor.
Mas, isso não interessa.
Foi um homem fiel a sua mulher, aos seus filhos e a sua causa. E aos seus amigos.
É com sentimento que escrevo estas letras, com uma lágrima que escorrega pelo olho. Mas ele não merece isso.
Merece ser denominado, como digo em outro texto que acompanha este: José Paulo Serralheiro foi o melhor educador que tenho conhecido. O melhor pedagogo e muito Senhor.
Escrevo estas letras um minuto após saber o seu falecimento, para o meu amigo fraterno.
Raul Iturra
Professor Catedrático do ISCTE-IUL
Membro do Senado da U de Cambridge, UK
Parede, Conselho de Cascais, 7-09-09
Coligação PS à esquerda – Coligação PSD à direita
É o que está no horizonte. Salvo se o PR forçar uma coligação ao centro à volta dos grandes problemas nacionais.
O PS terá que modificar muito do seu programa para chegar a acordo com o BE já que com o PCP é virtualmente ímpossível, a não ser apoios ocasionais no Parlamento.
Pode ter que deixar cair os Megainvestimentos e dar prioridade aos investimentos de proximidade e apostar decididamente nas PMEs e nos bens e serviços transaccionáveis e exportáveis. Avançar com os “clusteres” há muito considerados vantajosos para o país e apoiar o desenvolvimento de tecnologia média e avançada, inovadora.
Esta política é um engulho para o PS de Sócrates, este acha que a verdadeira governação se faz ao nível dos grandes grupos económicos, dos grandes investimentos, das grandes empresas públicas. Esta visão é que estes investimentos arrastam as PMEs e o emprego, mas é tambem a política que tem sido sucessivamente seguida, por ciclos de mais ou menos dez anos, sem resultados visíveis.
Claro que o país tem autoestradas e outras infraestruturas mas não tem sustentabilidade económica, o país após os grandes subsídios vindos da UE, não consegue criar riqueza. E a primeira autoestrada compreende-se que facilite a criação de riqueza e a mobilidade de pessoas e bens, as outras a seguir têm um impacto muito menor na economia, como é óbvio.
À direita o PSD não terá dificuldade em juntar-se ao CDS e em retirar o Estado de grande parte da economia, em potenciar o mercado e o tecido empresarial. Não tem vida fácil pois não poderá mexer no Estado Social, mas poderá tornar mais dificil o acesso ao SNS e fomentar a complementridade dos privados na saúde. Vai, concerteza, negociar com os professores, mas não terá espaço para deixar cair a avaliação (grande parte da população concorda com esta medida) e vai criar condições para que a Escola Pública ganhe autonomia.
O SNS tenderá para não ser gratuíto para uma parte dos portugueses e as proprinas ou outras benesses dos alunos cairão aos poucos. Estas medidas serão acompanhadas por pontuais baixas de impostos e por uma fiscalidade mais fácil, talvez no IRC para incentivar o investimento e no IVA para incentivar o consumo.
Como se vê o caminho é cada vez mais estreito e a dívida externa está aí como um cutelo sobre as nossas cabeças, é o que todos os políticos mais temem, e é exactamente por isso que não falam dela.
Como seria com mais empréstimos a taxas cada vez mais altas para financiar os megainvestimentos?
A Era dos Estúpidos
Estreia na América, no dia 21 de Setembro, um filme de nome “The Age of Stupid“, alertando para os efeitos catastróficos das mudanças climáticas. Em Portugal, a estreia está marcada para 22 de Setembro, o que para os nossos governantes encartados tão dependentes de dados estatísticos provenientes do exterior, quer dizer que estamos atrasados em apenas 1 ponto percentual face ao desenvolvimento dos Estados Unidos. Cá, provavelmente, o nome do filme será traduzido para “A Era da Mudança”, pois, mantendo o nome original, pode ofender alguns estúpidos.
Numa altura em que se discute se somos uma sociedade mais justa e solidária que há 100 ou 200 anos atrás, se somos assim tão desenvolvidos e modernos ou se o comunismo ou o neo-liberalismo são a solução mágica para a vida em sociedade, um facto é inegável: vivemos numa era instável em termos ambientais. Eu pessoalmente até acho que caminhamos para um mundo cada vez mais injusto, desequilibrado, hipócrita e paranóico, e tenho quase a certeza disso, veremos o quanto em Dezembro na reunião do COP15, em Copenhaga. Mas isso é a minha opinião e isso vale o que vale. O que é um facto indesmentível e inabalável é que vivemos actualmente num mundo que está à beira de um colapso ecológico. E ainda por cima, causado pelo próprio Homem, que, ao que parece, não está muito inclinado em mudar de rumo.
09/09/09
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RONALDO E COMPANHIA
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Não gosto do Ron
aldo, o número nove (ou sete) que não marca golos. Não gosto do sr Madaíl. Não gosto do treinador de segunda categoria que temos. Não gosto da ideia de naturalizar jogadores para os metermos na nossa selecção, mesmo que sejam eles a marcar os golos de que necessitamos.
Caramba, até parece que não gosto de nada, mas não é verdade. Gosto da verdade desportiva, e gosto de ganhar. Ainda mais quando sei que temos dos melhores jogadores do mundo.
Hoje é o dia de todos os noves, mesmo que na melhor das hipóteses só sirvam se outros falharem onde não é suposto. O sr Queiróz, não quer ser quase, mas na verdade é quase nada.
O jogo de hoje, é mesmo só para encher calendário.
Ninguém no seu perfeito juízo acredita que consigamos o apuramento. Seria preciso vencer os três jogos que faltam e esperar que a Suécia claudicasse, e ainda que não fossemos o pior segundo, o que é tarefa quase impossível. E também porque se o conseguíssemos, e lá continuássemos a ser produtivos como até aqui temos sido, iria ser uma vergonha e o melhor teria sido não irmos lá.
De qualquer forma o meu desejo é que saiamos de cabeça erguida, fazendo bons jogos e conseguindo fazer valer as nossas figuras de topo.
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JM
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O mundo está mesmo diferente
Uma campanha de prevenção da SIDA mostra Hitler em ousadas cenas sexuais. Grande escândalo, polémica por todo o lado e toda a gente fala disso. Mas não é esse o objectivo de uma campanha de propaganda? Eu imagino o que aconteceria, se fosse hoje que se fizesse um desenho animado em que o Pato Donald aparece como um nazi!
Nos últimos 14 anos o PS está há 11 no governo
Não esqueçam, não deixem esquecer, não deixem que o PS fuja às suas responsabilidades.
Este país pelas mãos do PS empobreceu, não renovou o tecido empresarial, tornou-o mais injusto, continua a haver 2 milhões de pobres! É tempo de dizer basta!
Após todos estes anos o que tem o PS a oferecer se já teve todas as condições para modernizar este país? O que pode fazer para além do que está à vista de todos? Os negócios com as grandes empresas públicas, a OPA da Sonae, a venda da Galp, a tomada do BCP, do BNP e do BPP, os negócios finos da CGD, os contentores da Liscont, o “take over” da frente ribeirinha de Lisboa, a compra e venda da TVI, as dezenas de empresas penduradas na CGD…
E a criação de riqueza, as exportações, a atração do investimento privado, o desenvolvimento de uma Justiça e de uma administração amiga do investimento e da economia? Sempre abaixo das necessidades e nunca como prioridade. Dá trabalho, é preciso determinação, é mais fácil aumentar os impostos a níveis dos mais elevados da UE!
Não esqueçam, não deixe esquecer, não deixe que o PS fuja às suas responsabilidades!
Sobre benefícios fiscais é sempre bom ouvir um doutor de Coimbra
O problema com as deduções em IRS é que deixa de fora dos benefícios justamente os mais pobres, ou seja, os que nem sequer têm rendimento suficiente para pagar IRS. É por isso que os subsídios directos são mais eficazes, mais abrangentes e mais equitativos.
Vital Moreira, 10 de Julho de 2008
Para reduzir o défice das contas públicas
Ainda por cima, trata-se em geral dos titulares de rendimentos acima da média, não poucas vezes caracterizados por uma elevada evasão fiscal (industriais e comerciantes, gestores, profissionais liberais, etc.). Duplo privilégio, portanto.
Vital Moreira, 22 de Abril de 2006
Os benefícios fiscais à poupança no IRS têm três efeitos negativos: tornam o sistema fiscal mais complexo e mais difícil de fiscalizar, têm elevados custos fiscais (redução da receita) e favorecem os titulares de mais altos rendimentos, que são quem mais deles aproveita, diminuindo a progressividade real do imposto.
Vital Moreira, 10 de Setembro de 2005







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