Fé e doutrina – ciência e razão

Fé e doutrina – ciência e razão

O coração bate em média 60 vezes por minuto, 3.600 vezes por hora, 86.400 vezes por dia, 31.536.000 por ano e cerca de dois biliões e meio de vezes numa vida de 80 anos. O coração tem movimento automático, ele gera o seu próprio movimento, ele é a sede do seu próprio automatismo. Não precisa de ninguém a dar-lhe corda, não precisa de ninguém a empurrá-lo, não precisa de bateria. Mesmo fora do peito, isolado, ele continua a bater, se o alimentarem. É um interessantíssimo fenómeno que a ciência, após décadas e décadas de profundo estudo, explica de forma muito clara e transparente.

Se perguntarem a qualquer papa, cardeal, bispo ou padre, seja qual for a religião que professe, não sabem explicar, nem há espírito santo que os ensine. Mas também não são obrigados a saber. O que me admira é que não sabendo as coisas reais ainda que complexas, se arvoram nos únicos sábios de coisas transcendentais e sobrenaturais,  e deitando mão da sua “sabedoria” são capazes de arranjar mil e uma explicações para tudo, como arranjam para explicar muitos outros fenómenos da vida. O exemplo mais marcante, neste momento, é a Evolução. A evolução das espécies é hoje um facto científico situado ao mais alto nível dos factos científicos. E a igreja sabe-o. Então que será da criação e de todos os criacionismos que para aí proliferam? A ICAR está á rasca para descalçar a bota, mas lá vai tentando descalçá-la. Que há que deus a evolução não contradiz a criação. Bravo! Não se vê como não contradiz, mas eles lá sabem. Já devem ter muitas cabeças a pensar no assunto, não para procurarem ou ajudarem a procurar a verdade, mas para arranjarem formas de continuar a mentira, a falsificação e o ludíbrio.

Poemas do ser e não ser

                 (adao cruz)

(adao cruz)

Daqui te escrevo

Onde o mar não existe

Onde as mãos do silêncio

Não tardam a entrar

No silêncio da tarde.

Daqui te escrevo

Nesta tarde de silêncio

Onde a memória da tarde

Arde em silêncio

No mar das tuas mãos.

Daqui te escrevo

Onde o deserto é imenso

E a sede do teu mar

Cresce em silêncio

No silêncio da tarde

Onde não tarda o silêncio

Do mar das tuas mãos.

A minha cidade é o mar

E o deserto de silêncio

Do mar das tuas mãos.

Não a cidade da fome

Dos caminhos errantes

E das estrelas inseguras

Que ardem em silêncio

Sem fome das tuas mãos.

Daqui te escrevo

Onde o mar não existe

E o deserto é imenso

No silêncio da tarde.

Daqui te escrevo

Desta tarde sem fim

Onde arde a cidade sem mar

E o deserto sem cidade

Onde arde em silêncio

Na tarde das tuas mãos

Todo o silencio da tarde.

Bento XVI quer diálogo com os ateus!!!

Bento XVI quer diálogo com os ateus!!!

 Li o post do amigo João José Cardoso, intitulado a “arrogância dos ateus”, frase proferida por D. José Policarpo na mensagem natalícia. Apesar de o post de João José Cardoso ser curto, diz tudo, e, de facto, acaba como deve: “Não vou perder tempo com isso”. Seria a melhor solução.

E eu seguiria de bom grado o conselho do amigo João, marimbar-me-ia para estes disparates, se gostasse que me comessem as papas na cabeça, e se não tivesse recebido, logo a seguir, um texto enviado por um amigo do Canadá intitulado:”Papa deseja criar espaços de diálogo com agnósticos e ateus”.

 Bento XVI assegurou que a Igreja precisa criar espaços de diálogo e de encontro com agnósticos e ateus, que em algumas sociedades representam um grande número de pessoas. Acrescento eu que está mais ou menos calculado que mais de metade da humanidade é ateia. Mas porque quer BentoXVI criar estes espaços de diálogo, com os filhos do diabo?

“Quando falamos de uma nova evangelização”, diz ele, “talvez essas pessoas se assustem. Não querem enxergar-se convertidas em um objecto de missão, nem renunciar à sua liberdade de pensamento e de vontade. Mas a questão sobre Deus segue desafiando-os” (a mim não, e creio que nenhum ateu sente esse desafio), “ainda que não possam crer no carácter concreto de sua atenção por nós. Penso que a Igreja também deveria abrir hoje uma espécie de ‘pátio dos gentios’, onde os homens possam, de alguma forma, manter contacto com Deus, sem conhecê-lo, antes de encontrarem o acesso a seu mistério, a cujo serviço se encontra a vida interior da Igreja” (a vida interior de muitos, que os há,…acredito,  a vida exterior da igreja não, essa seria a vergonha de deus).

“Ao diálogo com as religiões deve-se acrescentar hoje todo o diálogo com aqueles que enxergam a religião como algo estranho, aqueles que desconhecem Deus” (os burros, os cegos de espírito) “e que, todavia, não gostariam de permanecer simplesmente sem Deus”, (quem o diz?) “mas aproximar-se dele, ao menos como Desconhecido” (quem disse tal coisa tão disparatada?). [Read more…]

Poemas estoricônticos

                  (adao cruz)

(adao cruz)

Pobre de quem tem medo das esquinas da vida

e só caminha pelas ruas a direito

bem iluminadas!

Nunca tem sonhos nem surpresas.

Vive na pálida

insípida e mistificadora rotina da vida

que tu e eu bem conhecemos

porque somos exactamente sonhadores. [Read more…]

Associação Ateísta Portuguesa

Eu sei que não é bem aceite a colocação em poster de textos alheios ao autor. Mas tenho visto no Aventar a transcrição de textos que não são do autor, bem como de poemas e extractos. Por essa razão, pelo facto de considerar este texto importante, e ainda por ser membro da Associação, atrevo-me a publicá-lo.

Assunto: Casamento entre pessoas do mesmo sexo

COMUNICADO

À Comunicação Social

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), na defesa da laicidade e da separação Igreja/Estado, rejeita as manobras do episcopado católico para impor a sua doutrina sobre o casamento a todos os portugueses.

Na sequência da recente aprovação da proposta de lei que permite a realização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, pelo Conselho de Ministros, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) que, já no período eleitoral, advertiu os católicos para o dever de não votarem em partidos que defendessem posições contrárias às da Igreja católica, reincide na mobilização das suas estruturas para pressionarem os Órgãos de Soberania na defesa de um referendo, na esperança de inviabilizar a igualdade dos cidadãos perante a lei, em função da sua orientação sexual.

Entendendo a AAP que os direitos individuais não são referendáveis e que a Assembleia da República tem inteira legitimidade para legislar sobre o casamento civil, repudia o comportamento abusivo da ICAR do mesmo modo que repudiaria o da Assembleia da República se pretendesse legislar sobre o casamento religioso.

A AAP censura e repudia a lamentável tentativa da CEP de condicionar os órgãos de soberania para impor os seus valores a quem não se revê na sua moral nem nos seus exemplos. [Read more…]

Será que o homem é o ser mais desenvolvido da terra?

Será que o homem é o ser mais desenvolvido na terra?

 Com base no que escreve D’Onofrio Rebelión, eu intuo que é pouco provável que as crenças sejam um plano orquestrado por pessoas geniais e lúcidas. É mais provável que as crenças resultem de um processo cumulativo, através dos tempos, no qual confluem pessoas, políticas, religiões, interesses, ritos e costumes. Para a maioria dos humanos, aceitar as crenças que vêm dos antepassados, sem as questionar, é o resultado da grande estratégia de todos aqueles que não têm interesse na evolução mental do ser humano.

 Para uma pessoa de ideologia naturalista e científica do mundo, nada pode ser afirmado ou negado com certeza absoluta. Esta a grande honestidade da ciência. Há coisas que não sendo consideradas impossíveis, podem ser muito improváveis, e há coisas que parecendo improváveis, podem ser, à luz dos conhecimentos, muito possíveis. A probabilidade ou improbabilidade dependem da informação disponível. Sem qualquer dúvida, a informação disponível actualmente contradiz uma grande parte das crenças e dos conceitos mais ou menos cristalizados que nos acompanharam através da vida.

 Os conhecimentos sobre a evolução por selecção natural dos seres vivos explicam a existência destes seres de uma maneira muito mais coerente, muito mais evidente, muito mais lógica e realista do que as crenças ou outras explicações mais ou menos criacionistas. Isto é hoje um facto científico situado ao mais elevado nível dos factos científicos que consideramos praticamente inegáveis. Por outro lado, é impossível que uma observação contradiga a ciência porque a ciência se baseia na elaboração de teorias que não contradizem as observações. [Read more…]

Poemas do ser e não ser

A saudade vai de barco

leva na frente a luz vermelha

que fende as águas verdes.

Atrás uma palmeira

menina do deserto

aprisionada no sonho.

Balançam copos de vinho

à flor do mar incerto

e a música desce ao fundo do mar.

O peito estremece

e entrelaça os remos

nas mãos da água

que já não abraça

o ventre do casco verde.

                (adao cruz)

(adao cruz)

O mistério de um inocente convite

O mistério de um inocente convite (suspense final)

 -Em conclusão: creio que o melhor é marimbarmo-nos contra os mandamentos da santa madre igreja e fazer a mesma merda que eles, qual fidelidade qual gaita, qual adultério qual carapuça, qual até que a morte nos separe! Encontros secretos só de mulherio, ou então uma greve geral, uma nega geral, como manda a força revolucionária tão característica do nosso povo.

 -Ouça lá ó senhora…senhora presidiária, a senhora nem parece que é deste mundo! A senhora nem parece mulher de marido, ou lá o que é! O que funciona para o homem não funciona para a mulher. E o que funciona para a mulher não funciona para o homem. Nunca ouviu falar dessas coisas…essa da nega geral…já viu?! Até faz rir! Eles vão esfregar as mãos de contentes, e facilmente vão virar o feitiço contra o feiticeiro!

 -Para além de ficarem sem as suas estritas e já estreitas obrigações, então é que não lhes vão faltar pretextos para outros encontros com o paradigma da modernidade! Nesta altura da natural e feminina ausência das regras, a ausência de regra faz a desregra e atira-os inevitavelmente para onde eles ainda vejam regras.

 A minha amiga presidiária que está atrás das grades por ter chamado filho da puta, de caras, a um grande político e gestor, que tem dois Bentley, tês vivendas e quatro apartamentos, quatro piscinas, cinco saunas, e uma filha muito feia, e que se abotoou com largos milhões de euros do erário público, aprendeu algumas coisas comigo. [Read more…]

O homem não é o centro de nada

O homem não é o centro de nada e poderá não ser, tão pouco, o ser mais desenvolvido do planeta

 Todo o indivíduo está envolvido em sistemas de redes culturais e sociais que têm uma profunda influência no ser e no saber dos próprios indivíduos, criando identidades, visões do mundo e das coisas, convicções culturais e sentimentos muito diversos.

Na metafísica tradicional, todos os níveis “superiores” à matéria são realmente “metafísicos” isto é, estão para além da física e da matéria. Estes grandes pensamentos metafísicos constituíram estruturas interpretativas que os homens mais sábios foram dando às suas experiências mentais, também ditas espirituais.

 À medida que a evolução se desenvolve, novos horizontes são usados para recontextualizar e remodelar o saber, através dos resultados científicos das experiências modernas. Em minha opinião, todas as mentes racionais e lúcidas foram abandonando as interpretações metafísicas, por incongruentes e desnecessárias, e por não conseguirem uma aceitação perante o juízo do pensamento moderno. [Read more…]

O mistério de um inocente convite

O mistério de um inocente convite (suspense 7)

 Os testemunhos foram crescendo, crescendo, e foram sendo registados, um após outro. Havia necessidade de os tratar informaticamente, para elaborar uma conclusão que resultasse numa espécie de consenso que por sua vez levasse a uma acção e a uma estratégia comuns.

 Como a minha terceira mulher, terceira mais em termos extemporâneos do que cronológicos, tem imensas relações extra-conj…, perdão, intra-prisionais, conseguiu enviar toda a documentação para um amigo íntimo, que trabalha numa empresa encarregada da avaliação de professores, ligada ao ministério. Estragou tudo, porque a ex-ministra, desconfiada como era, pensou logo que havia por ali mão do Nogueira.

 Reconhecendo o fracasso, esse amigo íntimo valeu-se de uma amiga ligada à associação de mulheres desactivadas pelos maridos, por sua vez ligada a não sei quê de não sei quantos, dessas coisas que há para aí aos montes e que dão por nomes bestiais, criadas para a protecção do cidadãos e que não levam a lado nenhum. Uma porra!

 Então foi obrigada, por uma questão de coerência e lealdade, a dar uma conferência de imprensa, explicando o ponto da situação, calma e plausivelmente, a todos os jornalistas e a todas as senhoras suas correlegionárias nesta nobilíssima causa. [Read more…]

O mistério de um inocente convite

O mistério de um inocente convite (suspense 6)

 Uma outra esposa, que até aqui só tem estado a ouvir, de dentes cerrados e com a raiva a escorrer-lhe até muito abaixo do umbigo, comenta:

 -A única frase meio filosófica que tenho ouvido ao meu homem nos últimos tempos é, quando ele vai mijar, pela manhã e diz sistematicamente: O que a gente era e o que a gente é! Fico lixada!

 -Imaginem que quando o interroguei sobre o inusitado encontro, só entre gajos, ainda para mais, velhos e incapazes de sobreviveram sozinhos para além de um raio de dois quilómetros, ele me respondeu com ar meio freudiano, que se tratava, possivelmente, de uma espécie de simpósio, em que se faria o levantamento do velho conceito, já gasto, e se tentaria a sua penetração dentro do paradigma da modernidade, muito mais interessante do ponto de vista, digamos, sensorial e estético, do que o paradigma dos nossos tempos.

 -Estão a topar?… O levantamento…a penetração…no paradigma…muito mais interessante…só lhe faltou dizer, a esse filho da puta, muito mais depiladinho! [Read more…]

Ladrões de milhões

A sensação que tenho, sem qualquer exagero, quando diariamente abro o jornal, é que Portugal não é um país, mas uma quadrilha.

 Que me perdoem por este sentimento, as pessoas sérias que por cá vivem.

 São milhões que existiam mas não existem, são milhões que não se sabe onde estão, milhões que entraram e não saíram, milhões que saíram e não entraram, poucos milhões na compra, que por artes mágicas renderam muitos mais milhões na venda, poucos milhões na venda, que por artes mágicas renderam muitos milhões na compra.

 Nos governos, nas autarquias, nas instituições, nas empresas, nos bancos, em tudo por onde passam as magras economias de cada um.

 Milhões que são do país, que são de nós todos, circulando nos bolsos e nas contas dos ladrões do povo, dos ladrões nacionais, dos ladrões instituídos, dos corruptos (corrupto significa podre), dos gajos que transformaram a honra, a seriedade, a dignidade e a integridade num monte de merda.

 Belo legado às gerações vindouras!

 Li hoje o artigo de Mário Crespo no JN, intitulado “O palhaço”. Creio que é uma ofensa ao palhaço, essa bela profissão circense, e procurei ler o artigo substituindo a palavra palhaço pela palavra ladrão. Parece-me dar melhor resultado, e não ofende o nosso amigo de nariz vermelho, que não tem nada a ver com outros narizes.

"Vergonhosos abusos sexuais de menores"

Vergonhosos abusos sexuais de menores

 Com este título, li ontem no JN, o artigo de Rui Osório. Nele, ele diz que Bento XVI pede contas a responsáveis da Igreja Católica da Irlanda sobre a “dolorosa situação” das crianças vítimas da pedofilia de padres e de religiosos.

 Diz ainda que os bispos pediram perdão: “Nós, bispos, pedimos perdão a todos aqueles que sofreram abusos dos padres quando eram crianças, ás suas famílias, a todas as pessoas que estão justamente escandalizadas”. “Estamos profundamente chocados com a amplitude e perversão dos abusos como foram descritos no relatório”.

 Continua, dizendo que o núncio apostólico na Irlanda pediu perdão por “todo o erro”que possa ter sido cometido pelo próprio Vaticano, apresentando desculpas. [Read more…]

O mistério de um inocente convite

O mistério de um inocente convite (suspense 5)

 Numa outra mulheral achega para o secreto desenvolvimento da estratégia a adoptar nos subterrâneos neuronais da líder de Custóias, dizia aquela senhora de cigarro sempre na boca, que já teve um cancro do pulmão, ao qual sobreviveu após a cirurgia, que já teve um cancro da laringe ao qual sobreviveu após a cirurgia, mas nunca deixou de fumar:

 -Quando a minha avó era viva dizia-me sempre: ainda que velho, não o deixes pôr o pé em ramo verde. Sei lá se é verde se é maduro, eu penso que é mais pró vermelho esse ramo onde ele vai pôr o pén…, salvo seja, o pé!

 -O irmão do meu cunhado, que é da informática, diz que há um chip quase microscópico, que se aplica, sem ele saber, no relógio de pulso, objecto que nenhum homem tira nessas desavergonhadas funções, cujos movimentos anormais e descoordenados reproduzem um gráfico característico, durante a realização do acto sexual clandestino.

 -Mas tem de ser clandestino, porque com a própria mulher parece que dá uma linha isoeléctrica. Há quem o prenda nas peúgas, dado que é quase imperceptível, peça que o homem também nunca tira, e que dá o mesmo tipo de gráfico, mas invertido.

 -Também resulta a análise do PH da língua, mas é muito difícil convencê-lo a fazer a análise. Já não é tão difícil cortar-lhe as unhas quando ele regressa e tentar obter a partir daí um Papanicolau. No entanto, já corri todas as lojas de informática e dizem-me que o tal chip está esgotado, tem tido muita procura.. Apenas têm chips para a contagem de gases, muito frequentes na subida do Tourmalet, que é como quem diz na subida para o difícil e almejado clímax. Embora muito menos específico, e potencialmente enganador -os gases podem ser da comezaina e não da líbido-, este teste não deixa de ser denunciador. (Continua)

Poemas do ser e não ser

Magnífica surpresa nesta saga de poetas

para o silêncio das cinzas nocturnas!

Um labirinto de ismos que se entrecruzam

de pontes sobre o rio seco

que corre dentro de mim

para um lago de silêncio com a cidade ao longe.

Sei que há no fundo de mim mesmo

Onde não enxergo qualquer fundo

Qualquer coisa que eu sinto.

Sei que há um correr de ruas mortas

E um vento de silêncio

calando as mil janelas da cidade virtual

Onde morre quem vive e vive quem morre

Em serena ode à quietude universal.

O mistério de um inocente convite

O mistério de um inocente convite (suspense 4)

 Uma nova denúncia, começando já a engrossar o processo, dizia respeito a uma cunhada, que é ajudante de farmácia, e que teria dito à recíproca cunhada que o irmão comprara uma embalagem de viagra. Não, não, não fora de viagra mas de cialis de 20 mg, logo de 20 mg! Parece que faz mais efeito e mais prolongado. Tem uma duração de acção de 24 horas. Contando com altos e baixos, claro, como a bolsa.

 -Pudera! Não se trata, muito provavelmente, de uma traulitada de coelho, mas de um bacanal de uma tarde inteira, quem sabe, se de um forrobodó a entrar pela noite dentro!

 Lamentava-se uma outra esposa, sorumbática, enfiada na concavidade depressiva de um velho sofá, cuja actividade sexual se resumia aos dias santos. Não porque o marido respeitasse essas datas festivas mas porque a fé a levava a essa graça por invocação de um santo secreto que lhe falava em sonhos, assim de uma forma meio atrevida.

 -Sete plásticas, número mágico ligado às sete cordas da lira e às sete cores do arco-íris, mágicas o tanas, de nada valeram. Basta um estranho e insólito convite, sem mulheres legítimas à perna, para ver o meu querido amor a rastejar, a rejeitar-me desde o Natal ao pentecostes e ainda por cima justificar:

 -Coitado do meu amigo, como não tem mulher, não pode estar, sozinho, a aturar as mulheres dos outros. Além disso não pode convidar toda a gente, é um homem só, pau para toda a colher, é certo, mas do corpo lhe sai!

 -Isso, isso, agora é que disseste tudo, pau para toda a colher.

 -Mas foi uma compreensível opção, mulher, tens de aceitar.

 -Aceito, eu aceito, mas como explicas que há dois meses, com dias santos pelo meio, não cumpres a tua obrigação da meia-noite, dizendo que estás muito cansado. Tens de te poupar, é? Tens de armazenar, é? Bruxo!. (Continua)

O mistério de um inocente convite

O mistério de um inocente convite (suspense 3)

 A minha terceira mulher, detida, secundariamente como veremos, por excesso de abordagens e por exagero de decisões, resolveu pôr os seus secretos meios de comunicação a funcionar, entrando em contacto com todas as cônjuges dos seus próprios, no sentido de criar não um SIS, mas um SIM (Secreta Informativa do Mulherio).

 O primeiro passo consistia em recolher todas as informações possíveis, mais ou menos íntimas, que pudessem levar à compilação de todos os dados compiláveis inerentes às capacidades pilares de cada um, eventualmente úteis à confirmação de que a cimeira dos gajos, em termos sexuais, era irmã gémea da Cimeira das Lages, em termos políticos, isto é, a mesma filhadaputice.

 A primeira informação surgiu de imediato.

A distinta esposa de um dos convidados, que por acaso é coronel e  antigamente fazia emboscadas à mulher na cozinha e no quarto de banho e hoje só canta o hino nacional, confidenciou:

-Raramente vou aos bolsos do meu marido, e, quando vou, habitualmente é à procura de uns trocos, que é como quem diz…! Mas desta vez os lábios cerraram-se-me. Ia desmaiando quando a minha mão apanhou, no bolso do tabaco (há anos que o meu marido não fuma!) aquilo que eu julguei ser uma caixinha de adoçante. Adoçante! Adoçante o caralhinho! Uma caixa de borrachinhas! Borrachinhas! Antes deste convite nunca… tal… tinha… acontecido!

 Outra informação secreta de outra digna esposa que por acaso tivera um caso sem consequências, nascido dos olhos azuis do homem da fruta que nunca lhe enfiara fruta estragada, dava conta de que umas cuecas do filho do meio, bastante eróticas por sinal, tinham desaparecido misteriosamente da gaveta do rapaz.

 Uma outra despeitada esposa, zeladora de sacristia e muito afável para o padre nos entretantos, confidenciava:

-Por isso eu o ouvi dizer ao telemóvel, provavelmente ao amigo, em voz baixinha (sem que ele suspeitasse da minha presença), que com uma gaja boa e nova na frente, não precisava do viagra para nada! Para quem o estava a ouvir do outro lado, ele recomendava, carrega no piri-piri, pá!

 -Ora, segundo sei, o marido de uma nossa amiga assim a modos que …meia lésbica, ao qual receitaram um creme para o pénis enlargement, dizia que o piri-piri potencia a acção do viagra. Piri-piri, piri-piri! Só podia ser lá, com a mania das cariladas. Estupor! (Continua)

Prémio Pessoa 2009 para D. Manuel Clemente

Prémio Pessoa 2009 para D. Manuel Clemente

 O prémio Pessoa é um prémio cultural, e o Júri deliberou bem ao atribuí-lo ao Bispo D. Manuel Clemente que é um homem da cultura, a despeito de ser um homem da igreja.

Na página do JN que relata a notícia desta atribuição, vem ao fundo, uma fotografia e uma opinião da Senhora Esther Mucznic, pessoa de quem não gosto, dizendo: “Há aquela ideia absurda de que a religião não é cultura”. A ideia não tem nada de absurdo, porque a religião, na realidade não é cultura, embora leve de arrasto muitos aspectos culturais. A religião professa uma fé, e, por conseguinte, a fé nunca pode ser agonista da cultura como conhecimento, na medida em que a cultura é fundamentalmente científica e, obviamente, antagonista da fé, no que quer que seja.

 A defesa do diálogo e da tolerância, o combate à exclusão e o apelo à intervenção social da igreja, o ecumenismo, justificam que o Bispo D. Manuel Clemente tenha sido eleito vencedor do prémio pessoa 2009, leio eu no jornal. Não estou totalmente de acordo, porque estes atributos seriam o mínimo que se pode exigir a uma igreja social actuante. E se tomam isto como virtudes excepcionais de um prelado, mal está a igreja em que ele se insere. Há-de haver mais qualquer coisa que distinga D. Manuel Clemente da sensaboria intelectual e cultural desta igreja que conhecemos. E há. [Read more…]

Poemas do ser e não ser

Ouço o silêncio

dos olhos que se fecham

na falta de esperança.

Amo o silêncio

das cores vivas e do sonho

que nos tece a alma

entre a vida e a morte.

Dói-me o silêncio negro

dos gritos proibidos

e sinto o dourado silêncio

dos gestos da noite

que nos abrem os olhos.

Amargo o silêncio

das horas sem brilho

e vivo o silêncio do mar

que risca na areia a força vencida.

Assumo o silêncio sagrado

da liberdade e da vida

e o silêncio de um céu de fogo

que nos abre a cova na terra fria.

O mistério de um inocente convite

O mistério de um inocente convite (suspense 2)

 Alguma iniciativa partiu, então, da que se encontra sediada em Custóias, mulher de grande currículo na evolução e na revolução da sexualidade, doutorada em artes nas específicas partes, posições e artimanhas, que, como não podia deixar de ser, se arvorou em militante da cosa nostra e imediatamente assumiu a erecta frontalidade de enviar um S.O.S. para todas as caras-metades dos seus respectivos cônjuges, no sentido de fazer o ponto da situação, e criar, de alguma forma, pontes e pontos de contacto sexológico entre as diversas sensibilidades, estabelecer algum consenso, criar linhas tácticas e planos de estratégia, e, se necessário, fazer um apelo à firme indecisão de todas as gajas que se marimbam para os maridos e à velada desatenção das diversas preocupações feministas.

 -Trata-se de terrorismo sexual.

 Foi este o primeiro e amplo consenso a que chegaram.

 O fulano tem um passado mais do que comprometedor. Toda a gente se lembra de ele ter dado guarida em sua casa durante uma semana, nos anos 50-60, a uma terrorista sexual de Lisboa, que teve o desplante e o descaramento de pendurar nas varandas da casa, detonadores e materiais explosivos usados nos seus atentados sexuais: meias, cuecas, combinações e soutiens…para toda a gente ver, a ponto de o irmão dele sair da coligação, por não concordar com este tipo de estratégias, e resolver abandonar a casa, actuando sozinho em países amigos e independentes como a república democrática da Candeia e o enclave livre do Tamariz. (continua)

O mistério de um inocente convite

Para amenizar um pouco as tristezas, as revoltas e as desgraças dos nossos posts, aqui vai, por partes, uma pequena ( grande de mais para um post) telenovela humorística.

 O mistério de um inocente convite

 Embora decorrente da inevitabilidade de que quando se sobe tem de se descer, ou mais popularmente falando, quem andou não tem pra andar, mesmo assim o convite para o encontro em casa de um amigo, sem mulheres, atravessou, como o furacão Ivan, todas as cabeças das segregadas esposas dos respectivos machos. Quando se soube a notícia de que ele só convidava os homens, eu próprio ouvi, de imediato, da boca de uma das damas um

-Ah! Nem parece do gajo!

A reacção foi em cadeia. A começar pela cadeia de Custóias, onde tenho a minha terceira mulher, inactiva.

-Ah! Isto traz água no bico!

Em breve esta exclamação se estendeu a todas as outras mulheres:

-Ah!… Ah!… Ah!…Uma delas recordou de imediato:

-O gajo nunca fora, sexualmente falando, um político de confiança. Tem um currículo demasiado pesado e clandestino, um currículo demasiado suspeito. Não serem convidadas as mulheres legítimas!? Será que…será que foram convidadas outras, por assim dizer, ilegítimas?

Como ele andou a arranjar a cave, não as terá ele recrutado e escondido por lá? Não terá vindo agora à tona, com este suspeito convite, algum maquiavélico plano urdido sabe Deus quando, lá na sua isolada pacatez bucólica?

Não podemos ficar confinadas à nossa ingenuidade. Temos de agir, no sentido de evitar uma possível clivagem ou mesmo derrapagem nas bem formadas consciências e nas bem domesticadas e… vigiadas sub-consciências dos nossos maridos, pais dos nossos filhos e avós dos nossos netos.

Para mim, relator destes factos, foi óptimo, porque eu encontrava-me num grande dilema. É que não sabia qual das duas, activas, haveria de trazer, e fosse qual fosse a minha decisão, haveria de arrostar com azedumes, amuos e negas durante mais de um mês por parte da outra. (Continua)

Na senda de um deus caído

NA SENDA DE UM DEUS CAÍDO
(Dedicado ao amigo Carlos Loures, poeta da lucidez)

 Durante muito tempo fui pensando que o gosto e não gosto constituíam a base mais séria da apreciação do comum dos mortais no que respeita à obra de arte, sobretudo contemporânea. Creio que me fui deixando levar, também, pela aceitação de que esta mesma dualidade se encontrava na base da criação artística.

Só depois de ter lido que o gosto é a palavra mais caída em desuso, e depois de se ter considerado este conceito como movediço, preso não à natureza e à essência mas ao modo de comunicação exterior, sujeito a controles de natureza psicológica, institucional, mediática e propagandística, eu reflecti profundamente e dei-me conta do erro em que vinha permanecendo.

 A vida, a despeito de ser uma maravilhosa obra do acaso num Universo repleto de mistérios, obedece a determinantes geofísicas, mapas biológicos e padrões neurais inquestionáveis. Quer na arte em geral quer na pintura e na poesia, sinto um medo terrível da indistinção da fronteira entre o artificialismo, mesmo ocasional, e a consciência assumida da transparência do sentimento, legítimo filho da idoneidade e da identidade das imagens que geram as emoções necessárias à criação. [Read more…]

Cara ou coroa?

O post de João José Cardoso sobre Miguel Sousa Tavares obrigou-me a algumas considerações.

 O Dr. Miguel Sousa Tavares tem uma habilidade, já muito antiga, para dar uma no cravo e outra na ferradura. Parecendo que é uma virtude, dado que pretende mostrar uma independência que não está nem do lado do cravo nem do lado da ferradura, não o é.

 E não o é, porque quem padece é o pobre bicho. Neste caso, eu não me importo de passar por bicho, e de a minha mente passar por ferradura.

 O Dr. Miguel Sousa Tavares não é um intelectual de meia tigela, como tantos outros. Se o fosse, eu não lhe daria o martelo nem submeteria a minha mente às suas marteladas. Por não o ser, e por escrever bem, eu leio-o, umas vezes com gosto e outras com desgosto. Com gosto, não pelo facto de estar de acordo com as minhas ideias, e com desgosto, não porque esteja em desacordo com as minhas ideias. [Read more…]

Será verdade?

Será verdade?

 Há dias, um amigo meu, engenheiro e dono de uma oficina de automóveis disse-me, para meu grande espanto, que os carros trazem sempre uma avaria programada para determinada quilometragem. É uma espécie de taxa.

 Avaria que pode consistir numa desactivação de uma função importante do automóvel, recuperando dez a quinze minutos depois, tempo suficiente para o dono do carro se mentalizar que tem de o levar ao concessionário. Uma vez aí come pela certa. Diz o meu amigo que é uma “taxa” pré-programada. Diz ainda que não tem provas formais, mas toda a gente da área sabe disso.

 Vem isto a propósito do que me aconteceu. Tenho um carro, um Mercedes, que vai fazer, dentro em breve, quatro anos. Nunca teve nada. Há dias, sem mais nem menos, precisamente na viragem dos 100.000 Km, a caixa de velocidades, automática, avariou, e manteve-se avariada durante cerca de quinze minutos. Ao fim deste tempo, tudo voltou ao normal.

 Claro que levei o carro, de imediato, à Nasamotor, onde me disseram que o problema era na unidade de válvulas electrónica, que deveria ser substituída. O carro agora estava bem, mas pela certa que iria ter o mesmo problema. Perante isto mandei substituir e deixei lá mil e quinhentos euros.

 Apalermado é pouco para me definir. Que dizem os amigos?

Poemas estoricônticos

Uma coisa é certa

aqui sentado

na margem deste regato

debruado a pedaços de neve

o avesso do pensamento já não incomoda.

O silêncio acorda os olhos de pó

e a melodia

há muito perdida nas encostas nevadas

renasce na canção deste rio. [Read more…]

Poemas do Ser não Ser

Diz-me onde tens a alma

gostava tanto de saber

gostava tanto de beber

um cálice de vodka

ou de porto

à saúde da tua alma…

Ou de fel

não importa.

 

Hominídeos somos, Homens nem tanto

Desde há vários anos que eu tenho vindo a expor a ideia de que há na natureza humana, no ser humano, uma espécie de interface, entre a força, digamos, antropocêntrica, a força que o prende e o arrasta para a sua condição meramente biológica, ainda que com direito a uma cúpula ou abóbada espiritual envolvente, uma espécie de pequeno céu, e a força que tende a projectá-lo para a sua dimensão universal, ou seja para um céu de infinito.

 

Sem qualquer tipo de presunção, reconheço todos os dias, na vivência do meu dia-a-dia, que os homens e mulheres, na sua grande maioria, nem sequer vislumbram a hipótese de que haja, para além da sua estreita, primária e escassa visão do mundo e das coisas, uma fronteira para além da qual há outro ser humano, o que pensa, o que sonha, o que procura e o que se aventura na arrojada projecção da mente pelos céus do infinito.

 

Vem isto a propósito, pelo facto de me encontrar no café, a ler “O Espectáculo da Vida” de Richard Dawkins, no meio de uma algazarra copofónica e futebolística, que não me desconcentrando, me dava o gozo espectacular, ainda que amargo, de medir a abissal distância que há entre os seres humanos. Alguém me disse um dia que a distância entre um primata superior e um ser humano primário era menor do que a distância entre um ser humano primário e um ser humano da estatura intelectual de muitos homens. Como tinha entre mãos este maravilhoso livro de Richard Dawkins, lembrei-me disso. Recomendo-o vivamente, a quem quer que sinta a necessidade de saber onde se encontra, o que o traz por cá, até onde chega a capacidade de procura da verdade, e a quem sinta essa necessidade como vital exercício de sobrevivência mental.

 

Poemas estoricônticos

A noite mais triste

 

Foi a noite mais triste

a mais negra noite.

Mais triste do que a sombra dos coqueiros

sem lua

mais negra do que o mergulho do tarrafe

nas águas fundas do Cacheu.

Enrolei-me na torrente de lágrimas

e não dormi as longas horas dessa noite.

Tudo se tinha rasgado:

o sol

a lua

a paisagem

os rios

os braços e o sonho

em tiras de trapos que à toa enfiei

nos sacos de lixo.

Não há remédio para o gemido

o gemido é a coisa mais só

mais terrível

mais cortante da carne viva.

Não dorme

ante o silêncio de mil ouvidos moucos

e agarra-se ao sangue como crude.

Apenas o dissolve a lama da noite

jorrando fontes de silêncio

sobre um corpo sem beijos

de bocas atadas.

A noite do desespero

despenhou-se sobre a cidade

fincou as garras nas janelas

rasgou o corpo nu da solidão

e queimou a vida em catedrais de cinzas.

Tudo soou a violino sem cordas

num ritmo de movimento sem cor

sobre um tabuleiro sem pedras

sem força nem entreactos

glosando a pobreza de mil retratos

tragicamente impressos em letra de amor.

Foi um texto de mil palavras sem língua

uma nicotínica melodia de álcool

e soníferos

na frágil clareza de um cérebro brumoso

trancado de sofrimento

gargalhando a fraqueza

para encher de nada um simples momento.

Secaram as lágrimas

fugiram as sombras dos olhos baços

e uma luz de prata sensual

escorreu de alto a baixo

conclusiva

desejosamente metafísica

mas tão fria

que o desejo das lágrimas quentes avançou.

Olhos doces de chorar

gritam do fundo do tempo

do altar do homem grosseiro

brutal

avarento

verdadeiro

a condição de ser inteiramente outro

nem eterno nem intacto nem primeiro

apenas o derradeiro.

 

Honduras

A dignidade de muitas pessoas e de muitos Estados não vale um pano de limpar o chão. O que se passa nas Honduras mostra bem isto que digo. Um golpe torpe e sujo corta, de uma catanada, o pescoço à Democracia e ao Estado de Direito. Mas como esse golpe é vibrado pela direita fascista, coisa que já se pensava erradicada da América Latina, contra uma governação rigorosamente democrática, logo os Estados Unidos e lacaios aproveitaram o facto, não para repor o Direito e a Democracia, mas para cozinhar um caldeirada eleitoral a que procuraram habilmente juntar todos os temperos possíveis, de modo a que soubesse a tudo menos a merda. Mas o cheiro a merda é tão forte, que não há condimentos que o abafem. Parabéns Brasil, Bolívia, Venezuela e Argentina que nem sequer a caldeirada querem provar. Comam-na aqueles que sempre estiveram habituados a comer merda.

Eleições nas Honduras

Roubaram, antidemocraticamente, com um golpe sujo, a democracia e não a restituíram. Agora, afirmando-se grandes democratas, vêem dizer para esquecermos, democraticamente, o passado e começarmos, democraticamente, uma nova colaboração. Entendi bem?