Aconteceu em Tiananmen

 

Recorde-se, o país a quem os nossos governantes alienaram diversas infra-estruturas é o mesmo onde, em 1989, se cometeu a barbárie de Tiananmen. Foi há 30 anos. Ontem, portanto, apesar de tanto se ter passado por lá desde então. Como por exemplo, a implementação do, até há alguns anos, inacreditável sistema de crédito social.

O contato, os contatados e os contatos

En quelques secondes j’avais perdu mon père. Ce que j’avais si souvent craint était arrivé, en ma présence. Je ne suis jamais parti donner des conférences en Australie ou en Inde, au Japon ou aux États-Unis, en Amérique du Sud ou en Afrique noire sans penser au fait qu’il aurait pu mourir pendant mon absence. Je songeais alors avec effroi qu’il m’aurait fallu faire un long retour en avion vers lui en le sachant mort. Or, il mourrait, là, avec moi, dans mes bras, seul à seul. Il profitait de ma présence pour quitter le monde en me le laissant.
Michel Onfray

Tanto adiei esse dia que o deixei fugir.
Carla Romualdo

Nous vénérons beaucoup plus les idées que la réalité.
Michel Onfray

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Depois do fim-de-semana, se bem se lembram, tivemos segunda-feira e também houve terça-feira. Entretanto, chegámos a quarta-feira

e tudo continua exactamente na mesma.

A ideia “acordo ortográfico” é venerada pelo poder político de Portugal — todavia, a realidade passa completamente ao lado de quem decide, como passaram os pareceres críticos que previam o desastre e ficaram na gaveta a servir de forro. O Diário da República é simultaneamente a realidade e a sua demonstração, ou seja, uma montra que serve de prova visível, pública e notória do desastre actualmente a acontecer em todas as áreas do “portuguez lingua escripta“. No entanto, a reacção dos decisores, de quem se espera lucidez e a quem se exige coragem, resume-se efectivamente a encolher os ombros, assobiar para o ar e tapar o sol com a peneira.

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Actualização (7/6/2019): ligeira correcção estilística no último parágrafo.

João Félix: Insultos injustificados e imbecis

Assegurar os contatos necessários

Quem sabe de mim sou eu
Gilberto Gil

Ik denk dat wij mensen te veel aandacht aan taal besteden. Ik heb mijn emoties en manipuleer mijn gevoelens, maar de taal gebruik ik pas als ik jou erover wil vertellen.
Frans De Waal

Serres est marqué sur ma carte d’identité. Voilà un nom de montagne, comme Sierra en espagnol ou Serra en portugais; mille personnes s’appellent ainsi, au moins dans trois pays. Quant à Michel, une population plus nombreuse porte ce prénom.
Michel Serres (1930-2019)

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Estas citações de Frans De Waal e de Michel Serres merecem veemente crítica: uma língua não se limita nem aos países que lhe dão nome, nem ao momento da entrada em acção do aparelho fonador. Nem pouco mais ou menos. Todavia, vendo bem as coisas, as afirmações destes dois excelentes autores não são tão graves como o espectáculo diariamente oferecido no Diário da República.

Actualização (5/6/2019): Amigo atento salientou o ‘eminente’ em vez de ‘iminente’. Trata-se de um aspecto muito importante (à consideração do Expresso, quando fizer a revisão da matéria) e convém perceber que o *eminente já encontrou há muito o seu lugar no sistema (aqui, ali, acolá), por razões que já expliquei alhures.

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João Félix assobiado e insultado na chegada à concentração da selecção do Brasil

«João Félix assobiado e insultado na chegada à concentração da Seleção». Efectivamente: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.

Jesus e a próclise

Alô, torcida do Flamengo – aquele abraço!
Gilberto Gil

So let’s cut the conversation and get out for a bit
Robert Smith & Co.

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Foto: MIGUEL RIOPA/AFP/Getty Images (http://bit.ly/2KjZhII)

Quando li no Público que Jesus dissera “O Flamengo me dará uma possibilidade”, em vez de “O Flamengo dar-me-á uma possibilidade”, desconfiei. A fonte, obviamente, era uma versão da intervenção de Jesus. Todavia, aquilo que Jesus efectivamente disse foi “o Flamengo proporciona a qualquer treinador essa possibilidade“.

Escrito isto, as conferências de imprensa e as entrevistas do treinador do Flamengo serão um excelente laboratório para acompanhar o novo percurso linguístico de Jesus. O Flamengo é o meu clube brasileiro desde os tempos do Zico e do Bebeto — o meu clube do campeonato espanhol é o Atlético de Bilbau, desde os tempos do Etxeberria; o meu clube do campeonato italiano é o Inter de Milão, por causa desta equipa; o meu clube inglês é o Aston Villa, (não de Londres, my bad, mas de Birmingham), por causa do nome (e não por causa disto); etc. Ainda não tinha feito like na página do Facebook do Flamengo, para acompanhar o desempenho de Jesus. Jesus! Já está.

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A despropósito de professores e de outros injustiçados

Na Assembleia da República, uma estranha maioria, constituída por PS, CDS, PCP e PEV, aprovou “uma norma do Estatuto dos Magistrados Judiciais que permitirá aos juízes conselheiros um vencimento superior ao do primeiro-ministro.”

Aos professores foi recusada a reposição integral do tempo de serviço, em nome das boas contas. Não tenho informação suficiente para saber se a medida é justa ou não e não defendo a sua reversão em nome de uma inveja profissional, mas não posso deixar de notar que parece que há cidadãos que são juízes e outros que são enteados.

Lateralmente a esta questão, alguns deputados afirmaram que votaram a favor da medida porque lhes tinha sido imposta disciplina de voto, essa perversão da representatividade parlamentar. Os deputados que invocaram esta desculpa não passam de hipócritas, gentinha obediente ao partido.

A propósito ainda desta questão, sabe-se que Fernando Anastácio, deputado do PS que negociou este aumento, é casado com uma juíza. O dito deputado declarou que não vê esse facto como impedimento. De qualquer modo, imagino que deva ser agradável intervir num processo que possa contribuir para o aumento do orçamento familiar. [Read more…]

O canto da sereia russa

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Heinz-Christian Strache, líder da extrema-direita austríaca, foi apanhado com as calças na mão em Ibiza, meses antes das eleições que fizeram dele vice-chanceler do governo de Sebastian Kurz. Numa gravação feita com câmara oculta, divulgada por jornais alemães, Strache discute a troca de contratos públicos, caso fosse eleito, por apoio eleitoral, e ainda explica à sua interlocutora como contornar as leis do financiamento partidário.

Temos evasão fiscal, financiamento ilegal e corrupção, e a extrema-direita a deixar claro que é igualmente permeável aos piores vícios que corroem os partidos tradicionais, apesar de incomparavelmente mais autoritária, intolerante e perigosa. A fachosphère de Salvini, pura, casta e a lutar contra a corrupção nas horas vagas, não resiste ao canto da sereia russa. Seja a armadilha da falsa oligarca, seja o chamamento de Putin, esse grande mecenas do novo fascismo europeu.

Autoridade Triturária

Foto: ESTELA SILVA/LUSA

Eu não sou de intrigas, mas quer-me parecer que anda alguém na Autoridade Tributária a querer fazer a folha ao ministro Centeno. Só assim se explica que, no espaço de poucos dias, o fisco tenha desencadeado uma operação terrorista e anunciado outra – ambas rapidamente neutralizadas pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, mas ainda assim deixando um rasto de indignação e de espanto entre o povo em geral e os defensores do Estado de direito em particular. [Read more…]

A vida depois das eleições

[Santana Castilho*]

A não consideração do tempo de serviço prestado pelos professores não é assunto encerrado. É questão apenas postergada. E como qualquer problema sério cuja solução se protela, os danos têm tendência para aumentar. Tanto mais que, depois da crise política que António Costa encenou e usou para fomentar na opinião pública ódio aos professores, sinal distintivo das políticas do PS dos últimos anos, ficou uma classe profissional maltratada por todos os partidos e por boa parte da opinião publicada.

Ficou claro, depois da pronúncia da UTAO, que a não contagem do tempo nada teve que ver com o défice orçamental. Mas não ficou claro que a questão central é que o Estatuto da Carreira dos Professores está em vigor e que num Estado de Direito as leis são para cumprir. Outrossim, o que se viu foi que, desde que um Governo chantageie habilmente a AR, pode espezinhar as leis, sem sequer se dar ao trabalho de as alterar. A perfídia do processo resume-se ao pleno do “espírito” geral, descontadas as “formas” de cada partido: o reconhecimento do tempo ficaria sujeito ao livre arbítrio de um Governo, fosse ele de que partido fosse. Ao menos nisto, como se viu, houve um triste consenso parlamentar. [Read more…]

José Patrocínio

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Morreu José Patrocínio, activista angolano.
Uma voz contra a violação dos direitos humanos, sempre do lado dos que não têm voz em Angola. Um inconformado com a injustiça, um lutador pela liberdade e dignidade de todos e todas.
Lamento muito a sua morte.

Da série “nunca me engano e raramente tenho dúvidas”

 

Sabe mais que todos sobre quase tudo e raramente tem dúvidas. É, no fundo, o ser mais genial à face da Terra. Pelo menos para o próprio.

Sim, é um auto-retrato absurdo e fantasioso, em linha com a narrativa absurda e fantasiosa que vem marcando a era Trump. Contudo, por trás deste aparente doido varrido que chegou a presidente dos estado mais poderoso do mundo, e que por lá deverá ficar mais um mandato, não está um palerma qualquer. Porque um palerma qualquer não consegue enganar milhões de americanos e não-americanos, depois de tudo o que fez e faz. [Read more…]

Sobre o PAN

15 – O PAN defende a criação de um serviço público de saúde eficiente e acessível a todos, que inclua a possibilidade de opção por medicinas e terapias alternativas, de qualidade e eficácia comprovada e exercidas por pessoas habilitadas, como a homeopatia, a acupunctura, a osteopatia, o shiatsu, o yoga, a meditação, etc. Estas opções, bem como os medicamentos naturais e alternativos, devem ser igualmente comparticipados pelo Estado.
(retirado da declaração de princípios do PAN)

Até aqui não liguei pevide ao PAN, partido com 1 deputado eleito na A.R. que vai debitando teorias com as quais genericamente não concordo. Mas 5% de votos nas últimas eleições para o Parlamento Europeu fizeram com que olhasse um pouco mais atentamente para perceber ao que vêm. Nada tenho contra o veganismo, desde que seja opção individual, tal como nada tenho contra homossexuais, alcóolicos, drogados, religiosos ou ateus. Por mim, cada um viva a viva como entender e que no final todos se sintam felizes. Ao PAN repugna a ideia de comermos carne, segundo a declaração de princípios da seita, ainda não estamos preparados para abandonar os hábitos alimentares, mas assumem que irão procurar progressivamente mudar a nossa forma de viver. A mim repugna-me mais proporem no parlamento que os portugueses através do SNS tenham que pagar crenças que cientificamente estão longe de comprovadas. E já que é sábado, aproveito para desejar um bom fim de semana, vou almoçar uma excelente picanha e quero que o PAN se…

Trump admitiu que a Rússia o ajudou a ser eleito. E, depois, negou-o.


“I had nothing to do with Russia helping me to get elected.”

Negou-o a seguir, em declarações ao New York Times, passado uma hora.

“No, Russia did not help me get elected,” Mr. Trump told reporters as he departed the White House for Colorado Springs. “I got me elected.”

O bronco tinha estado no Twitter a bater no procurador especial que o investigou, Robert Mueller, o qual tinha ontem afirmado que a sua investigação não tinha ilibado Trump de crime algum.

Acontece, quando a boca foge para a verdade.

Não é enternecedor?

Um site, que é uma fossa de mentiras, mereceu a atenção do Observador para constatar que tinham publicado uma mentira.

Que inesperado!

Na verdade, esta pseudo-verificação de factos, funciona como publicidade ao esgoto chamado Direita Política. E, é factual, há uma maioria que prefere a mentira. Tem uma certa dose de ironia, mas vamos supor que a manobra resultou da indigência editorial do autor.

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À espera de Marcelo

Banco de Portugal faz diferente interpretação sobre lei dos grandes devedores

“Por carta remetida ao gabinete do governador, o gabinete do presidente da Assembleia da República levou ao conhecimento do Banco de Portugal a deliberação da conferência de líderes, a qual, por consenso, entendeu interpelar a instituição para que esta dê cumprimento ao estabelecido na lei e publique no seu sítio da Internet o relatório a que está obrigado por força do disposto no n.º 3 do artigo 4.º da Lei n.º 15/2019, de 12 de fevereiro”

Peça-se um comentário a Marcelo, o falador.

Director-adjunto do Expresso

Tout se vend, tout s’achète: les enfants, le sperme, les pailletes, le ventre des femmes, les utérus, toutes ces choses-là. Allez hop! Allons-y! Ça se vend, ça se loue, ça s’achète, ça se prête: c’est la grande marchandisation du capital.
Michel Onfray

Il y a dictature quand il y a péril pour la liberté. Et il me semble qu’on est en train d’assister à une civilisation, on fabrique une civilisation, dans laquelle il y a péril pour la liberté.
Michel Onfray

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Expresso, sabe-se, é extremamente versado em pronunciar-se acerca de assuntos ortográficos, ao ponto de até dar aulas de Português. Todavia, pelo caminho, vai tendo recaídas (aqui, ali, acolá…) e dando alguns tropeções (acolá, ali, aqui…), engrossando as fileiras da diáspora.

A grafia exibida pelo Expresso é a prova acabada quer da hipocrisia ortográfica instalada, quer da inutilidade do Acordo Ortográfico de 1990.

Efectivamente, quem se dá ao luxo de ter um director-adjunto no dia 29 de Maio de 2019, quase nove anos passados sobre o anúncio da poupança de letras, demonstra em última análise que o Acordo Ortográfico de 1990 não faz falta absolutamente nenhuma e que o cê, esse sim, dá imenso jeito.

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Villas-Boas «aponta a um ataque comedido ao mercado de verão»

O novo treinador do Marselha não se pronunciou sobre os mercados de verei, verás, verá, veremos e vereis.

Putin e os eurofachos

Salvini teve uma vitória estrondosa. Marine Le Pen venceu em França, Farage no Reino Unido e Orban, do respeitável PPE, confirmou o domínio absoluto sobre a Hungria. O que une estes quatro vencedores das Europeias, dois dos quais em estados fundadores da Comunidade que deu origem à União?

Para além da preferência pelo fascismo, une-os um ideólogo, Steve Bannon, incansável durante os meses que antecederam a eleição e focado em destruir o que resta da União, e um líder, função que, em alguns casos, acumula com a de financiador. O seu nome é Vladimir Putin.

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Joana Marques Vidal BEM

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Nas Conferências do Estoril, mesmo na cara do Sérgio Moro. Respect!

Poderia ter sido um bom tema para a campanha eleitoral das europeias 2019

É quando o chão treme que mais importa que as fundações de uma edificação sejam sólidas e resilientes. E se o terreno da diplomacia tem sido abanando durante o reinado de Trump. Está a Europa preparada para a instabilidade americana?

Nada existe para sempre, se bem que, no curto hiato temporal da nossa existência, por vezes tal pareça ser um truísmo. E, no entanto, basta olhar para as últimas décadas para constatarmos que a mudança tem sido uma constante em diversos níveis: O trabalho tem vindo a transformar-se em colaboração; a imagem, em fotografia e em vídeo, deixou de contar como testemunho; a Internet está a um passo de se transformar em jardins murados; e a tecnologia, que poderíamos julgar de todos é, como tem ficado claro que nem água, em grande parte dos americanos.

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Há vida além da sexão: o regresso da seção

Now, some people call that a theory of everything. That’s wrong because the theory is quantum mechanical. And I won’t go into a lot of stuff about quantum mechanics and what it’s like, and so on. You’ve heard a lot of wrong things about it anyway.
Murray Gell-Mann (15/09/1929—24/05/2019)

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Efectivamente, depois das ocorrências de seção da semana passada, houve a habitual interrupção do fim-de-semana, com a irrupção dominical de sexão.

Hoje, tudo voltou ao normal, com o regresso da seção:

Os fatos também deram o habitual ar da sua graça:

Nada de novo a assinalar: tudo como dantes, no sítio do costume.

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É hora de refazer as análises eleitorais

PS não elege 10.º deputado. CDU garante dois lugares no Parlamento Europeu

Rescaldo eleitoral

Os resultados são o que são e não o que gostaríamos que fossem. A abstenção continua a crescer, mas existiu uma alteração técnica, porque ao inscrever de forma automática os titulares de cartão de cidadão, aumentou exponencialmente o número de eleitores. Faltando ainda contabilizar o voto nos consulados, os números não estão completamente fechados, na prática está em causa saber o número final da abstenção e o destino do último deputado eleito, provavelmente cairá para o PS, mas ainda existe a possibilidade de cair para a CDU.
À esquerda o PS cresceu em número de votos, apesar da abstenção e número de mandatos, muito provavelmente alcançará os dez deputados. Ficou em primeiro lugar, por isso ganhou as eleições, afirmar qualquer outra coisa é falsear os números.
O BE mais que dobra a votação anterior, dobra o número de deputados, passando de um para dois. Tem um resultado muito positivo.
A CDU perde quase metade dos votos, diminui de dois para um deputado, é o grande derrotado deste acto eleitoral.
O PAN quase triplica o número de votos, faz eleger pela primeira vez um deputado, é claramente um vencedor nestas eleições. Não sendo possível extrapolar resultados de europeias para legislativas, a verdade é que em caso de repetição destes números em Outubro, o PAN poderia eleger quatro deputados em Lisboa e dois no Porto. Têm legítimas razões para sonhar.
À direita existe uma dificuldade de comparar resultados, porque PSD e CDS agora concorreram separados, em 2014 foram coligados. Mas é permitido tirar algumas ilações. Considerando a soma dos votos em ambos os partidos, tivemos ontem um crescimento pífio de 25 mil votos. Pior, ambos os partidos estão agora na oposição, quando em 2014 governavam coligados, intervencionados pela troika. O resultado que obtiveram em 2014 foi o mínimo histórico, muito pior do que o obtido nas legislativas em 2015. Por isso reclamar qualquer razoabilidade quando se está perante este cenário, é enterrar a cabeça como a avestruz. Em número de mandatos ficaram iguais, o PSD com seis deputados, o CDS com um, menos que isto é caminhar para a irrelevância.
Uma última palavra para os pequenos partidos, Aliança, Livre e Basta, teriam ontem elegido deputados se estivéssemos em eleições legislativas. Iniciativa liberal e Nós cidadãos ficariam muito perto de o conseguir em Lisboa. Veremos o que conseguem em Outubro, mas boas campanhas em Lisboa e Porto podem aumentar o número de partidos representados no parlamento.

Longa vida ao PAN

PAN

Fotografia: Lusa@Sapo24

É oficial: o PAN elegeu Francisco Guerreiro, o primeiro eurodeputado português a sentar-se no grupo europeu dos Verdes. Um sinal claro de que as mudanças na política não se resumem à ascensão da decrepita extrema-direita, que em Portugal foi eleitoralmente reduzida à sua insignificância, mas também a novas sensibilidades e formas de abordar e fazer política. Longa vida ao PAN!

Algumas notas breves sobre os resultados das Eleições Europeias

Tendo em conta tudo o que aconteceu antes e depois da campanha eleitoral:
– Uma vitória «poucochinha» do PS;
– Uma extraordinária vitória do Bloco de Esquerda e sobretudo do PAN;
– Uma estrondosa derrota do PSD e do CDS;
– Uma pequena derrota da CDU.
No final, temos aqui que a Esquerda venceu estas Eleições Europeias de forma muito clara. É possível que em Outubro haja de novo uma Geringonça, desta vez com novos participantes. Parece que estamos livres de uma perigosa Maioria Absoluta do PS.
Temos também que a Direita sofreu uma derrota enorme, muito para além do que era esperada. Se a do PSD é humilhante, a do CDS é apenas o constatar de uma realidade – é isto que o Partido vale sozinho: Um táxi.
Boas notícias são também aquelas que dão menos de 2% aos dois Partidos fascistas, o Basta de André Ventura e o PNR. Por agora, a extrema-direita em Portugal continua a ser meramente residual.
A abstenção chegou aos 70%. Os políticos fingem-se preocupados. Mas no fundo, para eles, é mais um dia no escritório.

Eleições Europeias 2019: primeiras projecções

RTP

Abstenção:65% a 70%

SIC

Abstenção: 66,5% a 70,5%

TVI

A TVI optou por caprichar pouco na abertura e nem um grafismo de com previsões apresentou. Poderão ter pensado por lá que, dada a previsível abstenção na casa dos 70%, talvez a escolha televisiva dos portugueses não seja a noite eleitoral.

A seguir na noite eleitoral:

  • O desenrolar da fábula da rã que queria ser boi e de quanto vale gritar por Sócrates numa campanha.
  • Marinho e Pinho dizia que os eurodeputados ganhavam demais e que centenas de debates no PE são verdadeiros faz-de-conta. Agora é ver se o destino faz a escolha que ele, nestas circunstâncias, deveria ter feito.

A sexão, a secção e a seção

Also, there is much needed research on the intersection of pronunciation instruction and individual differences.
— Pablo Camus

Factos são factos e fatos são fatos: uns à medida e outros sem ser à medida.
Pinto da Costa

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Uma das vantagens de sexão em relação a secção é a ausência de possibilidade da supressão do cê.

Secção de voto, algures na cidade de Lisboa. Foto: Cristina Carvalho (http://bit.ly/2JGgAo2)

De facto, a adopção de sexão impedirá coisas destas

ou destas

ou ainda destas [Read more…]

A sério, Marcelo?

Acho que os cidadãos têm que perceber que se se abstiverem não têm grande autoridade para criticar os políticos.” [Marcelo Rebelo de Sousa, 26/05/2019]

E os políticos que não respeitem um programa eleitoral têm legitimidade para continuar a exercer o cargo? E se nem discutirem esse programa? E se se calarem quando deviam falar, têm autoridade para criticar quem não lhes liga?

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Os portugueses que vão votar dão uma lição de civismo

Acabo de votar numa das escolas reservadas para o efeito e por verificar, in loco, o civismo de tantos e tantos portugueses no momento do voto.
Ele é estacionamento dos carros em cima do passeio, em cima das passadeiras, nos lugares de deficientes, em segunda fila, enfim, onde calha. Em qualquer sítio que garanta ficar à porta do local de voto.
Ufanos por estarem a cumprir o seu dever, esses portugueses regressam a casa felizes. O seu civismo foi posto à prova e, mais uma vez, a exemplo do seu Querido Líder, ultrapassaram o teste com distinção.