Os Bloguesíadas

Despropósito autopropositivo: Não me falte pachorra para dar à luz uma viva, nova a merecida DesEpopeia de um desPortugal inglório, porra que afinal é, apesar do que foi ou possa ter sido. E ao mesmo tempo enaltecer grandiloquente os feitos da bloga que vai mudando a face do País político mais escrutinado, batido e sovado, fustigando a velha geração de rapaces profissionais da política sem mais vida que a política, vergônteas tortas sem profissão e sem trabalho, ancorados nos negócios de milhões só para eles de que ninguém, especialmente o País Profundo, sente o cheiro. Veremos se introduzirei na minha betesga desÉpica em dez desCantos e faço igualmente grandiloquente não só a vontade de chorar, mas também a noção de que isto, sem a palavra ferina da bloga, seria infinitamente pior. Camões, o portuense, será o meu exclusivo interlocutor, muso, santo, aparição, profeta finado, alma gigantesca a abraçar com as pernas a miséria mesma com lhe pagaram o amor pátrio, enquanto deambulava perdido, atónito, pelas vesgas vielas caolhas de Lisboa, à espera da tença e da morte. Sou outro Camões a imprecar o primeiro, íntimo dele,desterrado como ele da migalha mínima, perante o deserto da vil tristeza.

Canto I

Estância I

Inveja, meu velho Camões, fez-se afinal húmus e sementeira do Povo que cantaste, último lastro que arrasou as tuas armas e os teus barões assinalados, inveja irmã da sanha ávida do ganho que um punhado de cabrões atoleimados, contra o Povo e contra o Povo, perpetrou à pala da democracia. Uns pelo saque Chupcialista. Outros pela cobrança confiscatória liberal e literal sobre quem não saqueou, Povo corneado duas vezes. O que partiu da tua ocidental praia Lusitana, por mares nunca de antes navegados desnavegou. E o que passou ainda além da Taprobana, em perigos e guerras esforçados, mais, muito mais do que prometia a força humana, e entre gente remota edificou Novo Reino, que tanto sublimou, ficou aquém, muito aquém do cantável, entre a penumbrosa névoa da Hora e o esvaimento das gentes que daqui se vão para mais longe, morrer longe.

O Pré-Conceito Tuga


Nas franças e nas américas somos mais que isto, mas também somos isto.
Não há pobo como o nosso, manso, manso, manso…

Brincar às greves

cultura lúdicaHá movimentações sindicais no sentido de convocar uma greve para o dia 8 de Novembro. Um dia de greve.

Se estivéssemos a lidar com um governo desconhecido ou sério, concedo que pudesse fazer sentido usar a greve de um dia como uma espécie de tiro de aviso. O problema é que se trata de gente contumaz, gente que vai impor, pela terceira vez seguida, um orçamento de Estado criminoso, porque se baseia em mentiras e em insensibilidade, como está amplamente demonstrado.

O João José lembrou, hoje, outros tempos em que protestar era muito mais perigoso ou simplesmente perigoso. O Ricardo critica a atitude da CGTP, ao desistir de fazer a manifestação na Ponte 25 de Abril. Concordando com ambos, acrescento a minha crítica recorrente às greves de brincar. [Read more…]

Este orçamento não liberta!

João Galamba diz na cara daqueles tipos o que eu lhes diria:

Autofagia no orçamento de estado 2014

Orçamento de Estado 2104Clicar para ampliar

Postas as coisas de uma forma simplista, entre pagar os juros da dívida e recolher e administrar os impostos gasta-se 30% da receita. 33.6 mil milhões de  euros para um estado que se come a si mesmo.

Não havia aqui mesmo nada a fazer antes de se ir aos ordenados de 600 euros, às pensões para as quais antecipadamente se pagou, à despesa com a saúde e com a educação e aos carros dos particulares?

Mas fazer diferente implicaria planear e reestruturar, em vez de, simplesmente, carregar nos do costume. Enfim, seria preciso governar.

A Escola, a crise e a fome no dia Mundial da alimentação

Hoje, um pouco por todas as escolas do país comemorou-se o Dia Mundial da Alimentação.cocas

Diziam-me que os putos insistem em ir para as aulas sem pequeno-almoço  e decidi, por isso, aproveitar a aula de hoje para trabalhar a questão. Lá perdi umas horitas a procurar os conteúdos certos, nomeadamente, um vídeo e um jogo, recursos sempre eficazes nestas matérias… E lá fui.

A caminho da escola, no meio do trânsito, pensei em fazer algo mais – um cocas do pequeno almoço. Lá fui a correr comprar o papel colorido e …

Com tudo isto acabei por perder muito mais tempo a preparar a aula do que a …

Quando me cruzei com uma colega – daquelas que eu gostaria que fosse professora dos meus filhos – que me falou nos cortes, ainda ironizou quando lhe falei da actividade que tinha desenvolvido.

“és de bom tempo” (…) “o que eles querem é isso, que a gente continue a trabalhar para os alunos”

Caramba!

Fiquei a pensar no que ela me disse, no corte de mais de 25% que Passos e Coelho fizeram, como governantes, na Educação. Em todas as maldades que Nuno Crato tem feito e até no crescimento orçamental para apoiar o ensino privado.

Tens razão!

Está na altura de desistir!

A fome de uns é a fome de todos

Foto: Carla Olas

Passei o mês de Agosto a ir ao hospital todos os dias. E em cada um desses dias veio um enfermeiro ou auxiliar ter comigo à porta do refeitório para lembrar-me que eu não podia entrar ali. Eu ia de braço dado com o meu pai e só queria garantir que ele chegava inteiro à cadeira, e preparar-lhe a comida, como se faz com as crianças, tirar as espinhas do peixe, descascar-lhe a laranja. Com bons modos, mas sem deixar margem para protestos ou pedidos especiais, apareceu sempre alguém para mandar-me sair porque só os doentes podem entrar no refeitório, as visitas estão proibidas de fazê-lo. A proibição justifica-se por razões de organização interna, espaço, ruído, etc. A razão principal só se sabe ao fim de alguns dias a passear pelos corredores: enquanto puderam entrar no refeitório, era frequente as visitas comerem as refeições destinadas aos doentes. Sentavam-se ao lado dos pais, avós, irmãos, maridos ou mulheres e iam debicando do seu prato, ou ficando com a parte de leão. [Read more…]

Ontem

orcamento2

 

Esta noite haverá lágrimas entre quatro paredes, réstias de sonhos e ilusões caídos ao chão. Esta noite haverá gritos mudos, choros convulsos, dramas e incertezas levadas para o travesseiro, noite dentro, País fora. Esta noite Portugal recuou décadas.

 

Posso até nem subscrever tudo o que o Miguel escreveu neste seu post. Posso até considerar que existe uma outra angústia que aqui não vi plasmada. A angústia de não ver quem corporize uma verdadeira alternativa. E alternativa não é similar a alternadeira. Mesmo que se possam confundir. Posso tudo e mais alguma coisa. Até posso ser um soldado disciplinado e leal, desde que o seja aos princípios, aos valores e, igualmente, à minha consciência.

Só não posso ignorar. Não posso ignorar que quando acabei de ler concordei com quase tudo. Não posso ignorar mesmo à luz do que defendi e defendo. Não posso ignorar que já não acredito. Eu ontem, de forma egoísta, preferi não ver/ouvir as notícias e ignorar, sim ignorar, a palavra mais escrita neste meu comentário, os directos, os comentários, a treta toda pós-adro. Fazer de conta? Não. Apenas e só continuar o meu trabalho. Enquanto posso, enquanto me deixam, enquanto me apetecer.

Já me cansei de gritar que estão a matar o doente com a cura. Já me cansei de pensar no “porquê?”. Já me cansei desta cegueira de quem não é cego. Como diz o Miguel, ou pelo menos como entendi que o disse, nem é pelo “cortar, cortar, cortar”. É, sobretudo, pelo matar do sonho.

 

Soares tem razão – cadeia com os aldrabões!

Baptista- Bastos no DN coloca a intervenção pública de Mário Soares onde ela tem que estar: Mário Soares afirmou o que soarestodos pensam.Quer dizer, todos não, porque aqui no Aventar há quem esteja do lado de quem rouba: uns, por vergonha, estão calados até à próxima Greve, outros argumentam por caminhos muito pouco recomendáveis.

Soares não é um santo e cometeu muitos erros, porque só opinadores encartados é que não cometem erros porque nunca fizeram nada – o Marcelo é o melhor exemplo.

Mas, como bem lembra BB, Soares diz sobre Cavaco e sobre Marcelo o que sempre disse e que está em linha com a verdade. E, mais significativo, aponta a Argentina como uma possibilidade. Lá, na América do Sul, perceberam ao fim de muito tempo (demasiado!) que o FMI não sabia o caminho e meteram os ladrões num avião de volta aos states. [Read more…]

Saque electrizante

As razões mencionadas pela ERSE para explicar o aumento tarifário de 2014 incluem ainda os elevados custos do preço do petróleo no mercado internacional, que se reflectem no gás natural; a diminuição do consumo de energia eléctrica, que põe menos consumidores a pagarem os custos fixos do sistema; a quebra em 50% no preço do mercado das licenças de emissão de dióxido de carbono, o que baixou o valor das receitas geradas pela venda em leilão de licenças de emissão de gases com efeito de estufa; os custos com a produção em regime especial que incluem sobretudo os subsídios à eólica e hídrica e à co-geração a gás natural, sendo que as condições meteorológicas favoráveis do primeiro semestre de 2013 levaram à produção de mais energia renovável do que a prevista e, por isso, a um aumento dos custos. [PÚBLICO]

Recordemos-nos das razões que foram apontadas para agora termos geradores eólicos em cada quintal, num completo desordenamento, como é típico neste país que não planeia: baixar a dependência energética do exterior e baixar os custos da energia. E no entanto, o que vemos é maior produção de energia renovável ser justificação para aumentar a tarifa.

E o argumento de menos consumo levar  aos custos fixos serem pagos por menos consumidores? Não me digam que os portugueses estão a voltar ao tempo do candeeiro a petróleo!

Electricidade a aumentar 2.8% para uma taxa de inflação de inflação prevista de 1.3%. Grandes liberalizações de mercado estas.

Nostalgia sindical

E de súbito deu-me para recordar a CGT (sem P). O combate dos trabalhadores portugueses enquanto ela durou não era para meninos, ou sindicalistas de profissão e carreira: muitos foram presos, deportados, assassinados. Mas não vergavam: iam à luta, e assim se foram conquistando pequenas vitórias, alguns direitos.

a_batalha_manif_13fev1925Outros tempos. Subitamente senti saudades da velha CGT anarco-sindicalista. Muito portuguesa, a saudade em Alcântara.

a batalha

Este ano poderia haver uma baixa de impostos de 2.7 mil milhões de euros

Bastava que estivessem de facto a fazer alguma coisa para recuperarem os 6.6 mil milhões de euros do BPN, os quais algures hão-de estar.

Ministra hipócrita

Justificar o aumento do imposto sobre os veículos a gasóleo dizendo que é por serem mais poluentes.

2014 com défice de 4.0, dizem

orcamento estado 2014 - defice previsto

Acredita quem quer. Você quer acreditar?

Garantido, garantido, é o aumento de impostos e de cortes em rendimentos e pensões valerem 3.9 mil milhões de euros, ficando em linha com o número mágico dos 4 mil milhões que Passos Coelho e seus muchachos já há um ano vinham aventando. Meta que se propõem atingir à custa de suor, o nosso, e hipocrisia, a deles.

Hoje assistimos apenas a mais um acto da peça revista em 2008 com a nacionalização do BPN, com capítulos no forte endividamento público quando as contas tal desaconselhavam, plena de monólogos da transferência massiva de capital para a banca, composta por figurinos a absorverem todo este esforço com os juros da dívida e usando maquilhagem de contratos de risco em forma de swaps. Uma ficção para a qual estamos a pagar bilhete sem nos terem perguntado se queremos assistir.

Agenda Liberal e Agenda Chupcialista

Meu caro oponente ideológico João Paulo, é evidente que subjaz à tua tese a ideia de opções governamentais livres, marcadamente manhosas porque privatizadoras e alienadoras da qualidade dos serviços públicos, nomeadamente na Educação. É uma agenda que provavelmente progrediu atabalhoadamente desde que o Governo Passos Coelho I tomou posse e eu sonhava um Santana Castilho como Ministro da Educação para nos sair o Crato. Mas em toda a magna questão em que o Estado Português se debate com os Credores, o buraco que escavo é mais em baixo.

Se há uma agenda NeoLiberal ou de Rigor e Disciplina Orçamentais, neste Governo, ela é mais que bem-vinda. Precisa é de aperfeiçoamentos no capítulo da Justiça e da Decência, coisa virtualmente impossível em virtude da virulenta pátina de erros, abusos e loucuras governamentais perpetradas contra ti e contra mim, de 2005 a 2011, e cujo peso em forma de dívida e juros a pagamento batem à porta no próximo ano e seguintes. O Mundo penaliza duramente os não pagadores ou maus pagadores de muitos modos, João Paulo. Não quero ver Portugal no rol dos países párias e desprezíveis do planeta por falta de coragem num itinerário exigente de reorganização da sua vida económica que os Partidos PS, PSD e CDS-PP assinaram. O Partido Chupcialista não consegue impor nada negocial à Troyka de mais leve e suave e dilatado? Nem a empáfia de Portas por um défice mais baixo em 2014?! Logo, os caminhos disponíveis são os que se trilham e não os que se trilhariam se… [Read more…]

Não pagar é a única saída

O Joshua, na sua cruzada anti-Sócrates continua a não distinguir a árvore da floresta e vê semelhanças entre um ovo e umgaia6 espeto, isto é, entre Passos Coelho e as práticas de boa governação. A ordem dos factores é arbitrária, claro.

Vejamos: o orçamento para a Educação chegou a ser mais de 8 mil milhões, tendo descido para pouco mais de 6 mil milhões – é uma redução na casa dos 25%. Estou certo que isso é visto, caro amigo, como uma prática de investimento no futuro. Repara que o dinheiro necessário para pagar os juros corresponde a uma vez e meia o valor do orçamento para a educação – são mais de 9 mil milhões. Todos os anos.

Quase poderia escrever o mesmo para a saúde.

Mas, a coisa não vai lá com uma simples renegociação da dívida – uma parte importante (metade) está na mão dos Europeus, cerca de um terço está na posse dos bancos nacionais e o resto, menos de 20% é da “banca” internacional. E, não me parece, que na Europa se consiga uma perdão da dívida.

E, mesmo que o Governo pense que está no caminho certo, os números mostram que não há saída deste beco: para além da morte (mais que morrida) do consumo interno, a aposta nas exportações vai falhar em toda a linha por dois motivos:

– os países para onde exportamos não estão a crescer e por isso não vão comprar;

– parte muito significativa do que estamos a exportar tem uma componente muito grande de produtos importados. [Read more…]

Lipoaspiração do Estado

pedro-passos-coelho-gorduras-do-estadoHá dias em que o único argumento possível é um chorrilho de palavrões, especialmente quando nos defrontamos com o descaramento dos selvagens que se instalaram no governo e dos necrófagos que se alimentam da carne do lombo das fortunas que pagamos para não termos direito a saúde ou a educação, para não termos direito a viver

Mário Soares chamou-lhes delinquentes, o que é, na realidade, um eufemismo. Faz ele parte da mesma súcia que anda a mastigar-nos há anos? Fará, mas nem isso o impede de ter razão, de vez em quando, como não me impede de não votar num PS com cheiro a Sócrates, ou seja, a Passos Coelho, isto é, a Barroso, no fundo, a Cavaco. [Read more…]

A austeridade viola os direitos das crianças

Perda do abono de família, carências alimentares, restrições no acesso à saúde, à educação e à protecção social. A UNICEF enumera, no relatório de 2013, os efeitos dramáticos deste governo na vida das nossas crianças.

Estou Horrorizado

Pelo contrário, JJC, estou horrorizado e até contra. Mas onde está a alternativa?! Ninguém, a começar por Seguro, me oferece uma alternativa que suporte o escrutínio não conspícuo da Troyka e a respectiva autorização.

Vamos longe, vamos, com meros simplismos e festinhas a este Governo. Achas que mudas uma vírgula ao OE2014 vulgarizando chamar-lhes «filhos da puta»? São meros amanuenses nacionais substituíveis por outros iguais. Achas que há mudanças sem começar por ir às fuças ao Draghi em plena Frankfurt, Capital Financeira Europeia?!

E digo-te mais: chamar «assassinos»; «palhaços»; «delinquentes»; «filhos da puta» é meiguice e blandícia na face tenra dos nossos paus-mandados do BCE. Isto não vai lá com marchas molhadas na Ponte ou grandes tesões cantantes e pedras na mão. É preciso arrasar com Frankfurt. Portanto, primeiro, esmagamos Frankfurt com uma chuva de cebolas podres, depois lançamos um bombardeamento cerrado de merda sobre Berlim, os camaradas que coleccionem uma pilha de estrume às bolas, e, depois de palitar os dentes triunfais, fodemos com o pessoal de Bruxelas com uma guerra de hálito a alho a ver se não aprendem quem manda em Portugal. Nós, João José Cardoso. Nós!

Função Pública

Primeiro foram as 40 horas. Agora os cortes salariais que irão até aos 15%. O Joaquim e o Artur devem estar a dar pulos de alegria.

Muitos Anos Depois

Muitos anos após Bernard Madoff condenado, um juiz de instrução português, Carlos Alexandre, emite o despacho de pronúncia dos arguidos João Rendeiro, Salvador Fezas Vital e Paulo Guichard. Fontes seguras garantem que também vão prá Ponte marchar que não há direito. A Constituição consagra o direito inalienável de um cidadão livre e injustiçado ir para um local autorizado arrancar do peito a angústia que o vare. Se quer ir para um local à revelia da lei e da razão, deus o guarde e proteja. Eu vou gritar do meu sofá: «Passos, Palhaço, País feito em pedaços!» «Corja Chupista, finou-se o teu alpista!».

chamar burros aos políticos é insultar, obviamente, os burros

Image

(Serapicos, Vimioso)

Desde que me conheço que gosto de burros. Estes animais não merecem, de todo, a utilização do seu bom nome para designar políticos e afins. Os burros têm direito ao seu bom nome e à sua dignidade.

Os burros são animais muito inteligentes, dóceis e solidários (sim, também têm os seus momentos de teimosia, inquietação e desvario o que, uma vez mais, só revela a sua inteligência), o que é bastante mais do que se pode dizer de muitas pessoas, especificamente dos políticos que nos (des)governam no momento.

Agradeço, por isso, em nome do meu amor aos burros e em nome da dignidade dos mesmos, que evitem, pelo menos na minha presença, fazer comparações entre estes animais e essa gente que nem merece que lhe chamem gente, quanto mais burros!

Image(Serapicos, Vimioso)

Rebelo de Sousa

marcelo

Para o comentador Marcelo, o assalto às pensões de sobrevivência só tem como problema a forma como tal medida foi comunicada, não a substância da medida.

Espero que muita gente se lembre destas e de outras quando esta criatura se candidatar à presidência da República.

Répteis da Dívida Dizem que há Dinheiro

Por um lado, dá vontade de acender uma bombinha de carnaval e enfiá-la no cu dos pessimistas de serviço, por outro, os verdadeiros sofredores com esta puta de crise precisam dos pessimistas de serviço como cão de guarda em vinha vindimada e a vindimada. São úteis porque entretêm e alertam.

Calma, portugueses. Nada de desesperos e coisas drásticas. Estamos a empobrecer há um par de anos, mas pode ser pior. E ainda vamos a tempo de piorar se quisermos. O objectivo do Governo Inteligente que um dia ainda teremos será ir no sentido inverso da alarvidade pateta de António José Seguro e do fanatismo cumpridorista dos Troykanos: primeiro, garantir um País próspero com a sua dívida pública sob controlo, absolutamente dominada, custe o que custar, doa a quem doer. Sim, falhar às pessoas é imoral, mas essa falha é um dominó tombante de geração em geração, de Governo Rapace em Governo Mais Troykista que a Troyka. Depois, cumprir a tal pequena Alemanha gizada para nós por Merkel com a qual Pulido Valente ironizava ontem, na sua croniqueta catrineta no Público. Não mediante o empobrecimento definitivo dos portugueses, mas através do empobrecimento drástico e provisório dos portugueses. É cruel, mas temos escapes: deixar de comer, deixar de gastar, emigrar como ratos nas naus do Oriente.

É completamente desmiolado afirmar-se que há futuro para um Estado que não tem mão na sua dívida e nada faz para a domar. Parar com a austeridade por cima do cadáver da Troyka é impossível e mudar de rumo agora é como aplaudir os Governo Socialistas Rapaces do passado: «Parabéns, rapazes, pela vossa tempestade perfeita! E se a enfiassem pelas narinas?!». Não se pode assegurar às pessoas que há dinheiro, isto é, que o Estado Português é financiável segundo condições normais e sustentáveis, sem sinais notórios e evidentes de boa-vontade na tal despesa pública. Não é. O Estado não consegue financiar-se de modo barato e sustentável, na actual situação europeia e na incerteza da lei orçamental aprovada, e, se há dinheiro, muito dele está nos bolsos cleptocratas que nos garantem já deveria ter o Povo linchado alguém e cilindrado o pessoal inepto da Governação. [Read more…]

A Aritmética e o Joaquim Constitucional

Joaquim ConstitucionalO Palácio Ratton tem sido o último reduto daquela Fé Fanatizada para a qual, num Estado Falido, há dinheiro para tudo o que um Povo imagine possível e até dinheiro para coisas que no passado eram triviais e habituais. Essa é uma Fé guterrista-socialista, uma Fé de Esquerda. Haver dinheiro. Haver recursos ilimitados. Haver um défice eterno e exponencial atrás de nós e à nossa frente, apesar das evidências de aperto e limites e da parede mais adiante: esse é todo um Credo de Esquerda, uma Árvore de Natal repleta de dogmas e bolas reluzentes, estrelas e hóstias celestiais sobre o grande presépio paradisíaco comunista; uma Aparição de Fátima Permanente no Largo do Rato com todos ajoelhados em êxtase e cubanos no canto da boca. Essa Esquerda papa tudo. O pior é a aritmética.

Acontece que nessa Esquerda Crédula no Dinheiro Eterno caindo do céu como flocos de neve nada nos tranquiliza sobre os caminhos para o crescimento futuro de Portugal; nessa Esquerda Crédula no Dinheiro Garantido em forma de chuva torrencial nada nos tranquiliza sobre uma não incompetente nem irreflectida gestão orçamental, de Guterres a Sócrates; nessa Esquerda Crédula no Dinheiro Aparecido nada parece impedir a despesa pública corrente de aumentar prociclicamente, ou não, até níveis insustentáveis, conforme se viu na grande saga de quinze anos socialistas; nessa Esquerda Crédula no Dinheiro Mágico e Automático nada oferece a garantia de firmeza perante grupos de pressão; nessa Esquerda Crédula no Dinheiro Sexy e Cultural nada parece capaz de disciplinar os portugueses, confrontando-os com os limites do Estado Finito, assegurando-lhes que, na verdade, esse Estado Sitiado, qualquer Estado, não paga tudo, e que aos direitos subjazem deveres.

Por isso, Joaquim Constitucional, como é que Vossa Exma. vai querer o seu País aí por meados de 2014? Mal passado ou bem passado? Quer-me parecer que Vossas Excelências rattonianas fabricarão o caldinho perfeito para, junto com a rapaziada pateta do Governo, nos darem o que realmente merecemos. O fracasso. Com os burros na água. Outra vez.

Banksy, o mestre, mete o dedo no nariz dos galeristas

Banksy não é só um mestre, é também um senhor. Quem viu Exit Through the Gift Shop, um tratado sobre o estado actual da arte e seu comércio em forma de vídeo-documentário, percebe isso. Sendo que a arte sempre foi mercadoria é cada vez mais uma mercadoria que flutua em mercados vigarizados, que vogam ao sabor de uma crítica profissionalmente indigente e dos empreendedores do marketing rápido. Uma mercadoria que é sinal do tempo da vigarice financeira que atravessamos.

Na sua presente estadia em Nova Iorque deu agora um golpe de mestre: durante horas obras suas estiveram à venda, na rua, em Central Park. A 60 dólares quando o valor comercial de cada uma anda pelos 160 000 euros. Parece que ninguém comprou, não era uma galeria, quem ira acreditar na autenticidade das peças?

Gosto muito do P3 e do Público online (onde é por exemplo possível neste momento assistir ao primeiro webdocumentário português). Mas o facto de o Público remeter para o P3 aquele que é o grande acontecimento da arte mundial de 2013, precisamente a residência de Banksy em Nova Iorque, sem uma linha na secção de Cultura do seu online, diz tudo sobre a decadência de um jornal que já foi culto. Acordaram. Haja esperança.

O Portugal da fé

banha da cobra

As redes sociais reabriram as portas ao empreendedorismo do vígaro  viral.

O vígaro viral agarra numa treta há muito adormecida na net, dá-lhe um título apelativo e mete-a a circular nos facebooks deste mundo, onde haverá sempre um ingénuo a partilhar de borla. Objectivo? o retorno à página comercial que é a alma do negócio.

Há muitos, fui parar ao Portugal Mundial (googlem, não linko vígaros), por via de um aviso sobre micro-ondas. Embora uns milhões de humanos, coisa pouca, andem a consumir alimentos cozinhados ou aquecidos no aparelho vai para uns anos, uma catraia terá descoberto que aquilo altera o DNA e depois o nosso organismo não o reconhece e se fôssemos uma planta num vaso morríamos. É isso e o milagre do sol telecomandado pela senhora que corneou o carpinteiro, ontem comemorado, e não vem a despropósito, a página Portugal Mundial é filha do “portal” Portugal Místico, onde se vende Cristaloterapia, Homeopatia de Bach e Sincronização Cerebral, muito embora se afirmem

um portal com pessoas por trás que ‘trabalham’ de forma gratuita e voluntária mas que pagam (e não é pouco) pela sua manutenção, monitorização e existência online.

O negócio tem rendido pouco, e ainda bem. Partilhem disparates, partilhem, sempre ajudam à conversão da Rússia.

Fotografia:  Eduardo Gageiro, Vendedor de banha da cobra, Lisboa, 1957

Azar com o Galo

Há qualquer coisa em CR7 que se aflige e teme a enorme possibilidade de nos calhar a França. Quanto às críticas e auto-críticas aos Bacalhaus, tem moral para falar. Está muito acima da média e produz por mais de metade do Real Madrid.

Criancices

marques mendes

Dos Ímpetos Sanguinários Sazonais

Restaurant | bora boraAinda mais curioso, Helena, minha grande fascista!, é o facto de, chegada a Primavera e depois o Verão, acabar-se como que por magia todo o ímpeto sanguinário sombrio desses soares e demais proponentes sinistros de sangue para os outros, ferro, fogo e mortes nas praças para os outros, e mais violência e mais horror.

Na sagrada altura de ir a banhos, de contemplar a beleza de Portugal entre Festivais Rock e Festas da Sardinha, não há menino nem vozes revolucionárias. Os soares e todos os instigadores de desgraça — contra a Direita, tumulto generalizado contra os Ladrões do Governo, sedições organizadas contra o Pacto de Agressão, motim infernal dos Trabalhadores do Público contra o dia a dia dos Trabalhadores do Privado —, os soares e os outros, dizia, entram no defeso da instigação da revolta, no sossego da instilação do ódio, na pausa desportiva da apologia coerente de violência. Até ao Outono seguinte. Às primeiras chuvas.

Não há qualquer dúvida de que, num putativo caos, baderna louca generalizada em Portugal, os minúsculos filhos da grande puta que efectivamente roubaram a República e acoitam os seus largos milhões em secretíssimas e sigilosíssimas offshores passariam ainda mais incólumes pelos habituais pingos da chuva e salpicos de sangue alheio. [Read more…]