A ideia que Holanda e Irlanda são paraísos fiscais, deixa implícita a existência, por simples oposição ao conceito de paraíso, que existirão infernos fiscais. Nada impede os que acusam tais países de concorrência desleal, de passarem a defender que os seus próprios países concorram com os demais. As empresas não são corpos estranhos, seguem a lógica das pessoas, porque até ver, por muito que recorram à robótica ou inteligência artificial, ainda são dirigidas por pessoas. Se um cidadão não encontra condições para se desenvolver numa localidade, desloca-se, de cidade, região, por vezes até de país, emigra. As empresas é igual. Cabe aos governos atraírem investimento, inteligência e capitais, para isso precisam ser concorrenciais. Agilizar processos e baixar impostos. Não acusem empresários de mudarem a sede das empresas, acusem o governo de não ter uma política fiscal que as mantivesse em Portugal. [Read more…]
A União Europeia ligada ao ventilador

Na foto: dois imbecis holandeses
António Costa esteve muito bem, mas muito bem mesmo, a chamar os bois pelos nomes: as palavras do Ministro das Finanças holandês, que pediu uma investigação à falta de margem orçamental do governo espanhol para lidar com a pandemia, são, efectivamente, repugnantes. São repugnantes, irresponsáveis, negligentes e arrogantes. São mais um prego no caixão da União, que avança, triunfante, em direcção ao abismo da dissolução, para gáudio da extrema-direita. E são tudo que a União Europeia não precisa neste momento. [Read more…]
Brasil. Covid-19 já mata milhares… de neurônios.
A Covid-19 já chegou ao Brasil há mais de um mês. Os poucos dados atualizados e confiáveis indicam que o número de infectados só aumentam. Já são 4371 casos confirmados e 141 mortes até as 12h51 desta segunda-feira.
As proximas duas semanas serão decisivas na explosão de casos mas apesar de todas recomendações da OMS o dirigente maximo do país, Jair Messias Bolsonaro, contínua a minimizar os efeitos letais do vírus e tem incentivado em ações e discursos, a quebra do isolamento em nome da salvação da economia. A ultima dele foi sair às ruas de Brasília no domingo, cumprimentando seus eleitores. Em seguida declarou que é preciso combater o vírus como homem. Deve achar que será com um fuzil que venceremos a pandemia. Que o presidente brasileiro não entende muito de economia, isso já é sabido mas adotar uma postura que pode resultar num colapso muito maior na saúde e economia de toda a nação brasileira, é chocante.
As ações do presidente são apoiadas por seus eleitores e simpatizantes que estão promovendo manifestações (carreatas) pela abertura de escolas e comércio. Grande maioria empresários e dondocas em carrões, cansados de limparam a própria sujeira e cuidarem dos filhos (se é que o fazem pois já há registros de “serviçais” terem morrido ao pegar vírus dos patrões).
Enquanto isso governadores e prefeitos tem adotado uma medidas mais preventiva, fechando comércios, escolas e serviços, incentivando a população a se isolaram. Especialistas indicam que o Brasil terá muitas baixas. A mais otimista delas que li, indicava algo em torno de 40 mil mortes devido a Covid-19.
Não há certezas com relação aos números mas as previsões são de caos e uma crise sem precedentes. A parte da população que votou em Jair e acredita que o vírus é apenas uma gripezinha também sofrerão. Na verdade já sofrem. Seus neurônios, os poucos que tinham, já pereceram.
Fora com a CM TV
[Pedro Guimarães]
Regra #1 de como sobreviver a tudo isto.
#foracomacmtv
“Bastardo”
[Miguel Teixeira]

Quem é Mark Rutte, o Primeiro-ministro holandês, que é contra os “eurobonds” (emissão de dívida conjunta dos países da União Europeia) e líder de um governo cujo Ministro das Finanças pediu “que a Espanha fosse investigada por demonstrar não estar preparada para uma crise como a do Covid 19“, irritando e levando a Itália a abandonar o Conselho Europeu?
É líder de um governo conservador de centro direita. Quis ser pianista, mas enveredou pela carreira política. A Holanda tem uma população de cerca de 17 milhões de pessoas e já 334 mortos por Covid-19. Terá também, à semelhança de outros países, acordado tarde para o problema: recentemente, numa Conferência de imprensa, na presença do Diretor de doenças infeto-contagiosas do Instituto de Saúde Pública, pediu aos holandeses para não se cumprimentarem. No final da sessão, não cumpriu o que tinha dito e cumprimentou com aperto de mão efusivo o responsável pela autoridade de saúde do seu país, a rir-se perante as câmaras.
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Isto é normal?
É mesmo?
É impressão minha, ou von der Leyen assume nesta crise uma posição europeia que contraria a egoísta do seu país? Com as palavras: “Estamos numa encruzilhada” (…) “Este vírus vai dividir-nos definitivamente em ricos e pobres, em favorecidos e desfavorecidos? Ou sairemos desta situação mais fortes e melhores, com as nossas comunidades mais coesas?”, questionou. “Vamos dar mais credibilidade à nossa democracia, como um bloco forte e um actor fiável a nível mundial?” von der Leyen parece mesmo estar a avisar a Alemanha, Áustria, Holanda e Finlândia, de que a emissão dos chamados coronabonds – emissão conjunta de dívida – é imprescindível, se não se quiser aumentar mais ainda a desigualdade, por via de juros mais elevados para os países fracos e vice-versa, ao sabor dos todos poderosos mercados. A Europa, mais uma vez, a derrapar.
O VAR não é de agora
Saudades dos dias em que era o futebol o tema de conversa. Dos dias em que os números que nos faziam lamentar era o de golos sofridos. Dos dias em que os números que nos faziam celebrarar eram os 3 pontos conquistados. Das discussões por foras-de-jogo de 3 centímetros. De comparar uma grande penalidade de hoje com uma grande penalidade de há 14 anos em vez de compararmos uma pandemia de hoje com outra de 1920. Do Corona ser apenas um jogador de futebol que nos fazia meter em loop um vídeo no telemóvel. Dos dias em que a previsão para o fim-de-semana andava à volta de vitória, empate e derrota, em vez da quantidade de pessoas que terão contraído o vírus. Dos dias em que a minha maior ânsia era que chegasse o jogo do FC Porto, não a ânsia de poder sair de casa livremente. Saudades da altura em que o nosso rival tinha o nome de um clube adversário em vez de Covid. Péssimo nome para clube, digo-vos já.
Penso que todos temos saudades. Até as mães dos árbitros devem ter saudades.
Separados uns dos outros, unidos pelo país e, homenageando o senhor do vídeo, unidos para que o Vítor possa voltar a analisar os foras-de-jogo.
Ascenso Simões no Twitter
Ontem, no Twitter, o deputado do PS Ascenso Simões insultou todos os que lhe apareceram pela frente a propósito de uma publicação sobre a Iniciativa Liberal.
A violência da linguagem utilizada, sobretudo contra mulheres, provocou uma censura generalizada. Afinal, trata-se de um representante da Nação com responsabilidades enquanto tal.
Mas a agressividade de Ascenso Simões no Twitter não é de hoje. Ora vejamos:

A mesma conta, a mesma linguagem desabrida a chamar a atenção da Comunicação Social e até do Polígrafo.
Ontem, depois da polémica, o deputado do PS veio dizer que aquela era uma conta falsa, que não era sua, etc, etc. Eliminou a conta anterior, criou uma nova e, sem explicar por que nunca denunciou uma conta que era falsa, terminou com uma pergunta:

Quem tem estado atento às intervenções de Ascenso Simões nos últimos anos sabe bem qual é a resposta. 
Todos os empregos importam, mas há empregos mais importantes que outros…
Causaram indignação as palavras do CEO da padaria portuguesa. Já se sabe que o rapaz tem dificuldade em passar a mensagem, que nem interessou muito à maioria, ávida por bater no mensageiro. Era o que faltava um patrão ter dificuldade em pagar salários ou ameaçar despedir. O governo já indicou o caminho às empresas, endividem-se e logo se vê. A conta há-de chegar.
A cereja em cima do bolo para a turba que exulta com o aproveitamento da crise que atravessamos para promover a sua agenda ideológica, foi a graçola do primeiro-ministro dirigindo-se ao líder da Iniciativa Liberal, sugerindo que mudasse o nome para Iniciativa Estatal, a qual mereceria logo ali a resposta que após impor restrições aos portugueses, António Costa faria bem promover a mudança de nome do partido que lidera para Partido Fascista. [Read more…]
«Centeno admite recessão», mas os Açores admitiram receção
OK. Efectivamente, convém que Centeno esclareça a *receção económica dos colegas dos Açores. Eis o pdf (pp. 15 e 16). Exactamente.
Iniciativa do Bom Senso
“Nada como uma boa crise para transformar um bom liberal num intervencionista”. Sim, eu sei, só alguém de muito má índole poderia dizer isto numa altura como esta. Esse alguém é o mesmo agressor de velhinhos que nós temos como Primeiro-Ministro.
Ontem, na Assembleia da República, tivemos a excelente prova do que vale António Costa. Não passa de um político que coloca o poder à frente do bom senso. Anima a malta de esquerda, tenta irritar a direita, mas pior do que tudo, prejudica a vida das pessoas. Portugal não conseguirá andar para a frente, enquanto políticos derem mais importância aos seus jogos do que ao povo. André Ventura aproveita para criticar o Presidente, Costa usa uma crise para criticar os liberais, o Bloco usa a mesma crise para criticar os ricos. Enquanto os meninos brincam aos debates de 5º ano para depois contar em casa que são os maiores, há pessoas que estão doentes e há outras quantas com medo do que pode acontecer. Recorrendo a uma intervenção do Ricardo Araújo Pereira, para não me acusarem de me apropriar de nada “a la Bloco”, no filme Abril do Moretti, há alguém diz “Diz alguma coisa de esquerda!”. Aqui era necessário um “Diz alguma coisa com bom senso”.
Na mesma intervenção, António Costa aproveitou para mostrar os seus dotes humorísticos para chamar Iniciativa Estatal à Iniciativa Liberal. Daqui a 3 anos e meio, quando forem votar, lembrem-se que no dia em que ultrapassámos os 30 mortos, o António Costa falou em “boa crise” e que aproveitou o momento para criticar outros. As pessoas que faleceram não mereciam isto. Os profissionais que todos dias se sacrificam não mereciam isto. Os portugueses não mereciam isto. Mas foi o que escolheram.
Nota: Um obrigado a Rui Rio pelo ato de coragem. Apesar de não concordar com as suas ideias, nunca deixarei de o admirar por ser um homem sério e leal ao que acredita. Alguém que não precisa de saber a cor política para elogiar ou criticar o outro. Que todos os políticos fossem assim sérios. Do André à Catarina, mas não o Costa. Ontem, perdi a esperança.
Força a todos nesta luta sem cores. Fiquem em casa e cuidem dos vossos.
Sondagens e outras coisas que não interessam
No tempo em que havia futebol e, consequentemente, programas em que se discutia corrupção e arbitragens, era vulgar perguntar aos telespectadores, através de inquéritos, quem seria o futuro campeão nacional ou se pensavam que o árbitro teria prejudicado ou beneficiado determinado clube em determinado lance. Confesso que nunca fiquei espantado com os resultados. Mais: nunca estive interessado em conhecer os resultados.
Hoje, fiquei a saber que, de acordo com uma sondagem, os portugueses (é sempre assim que anunciam o resultado de uma sondagem) têm uma opinião positiva acerca da actuação do primeiro-ministro e do presidente da República ou vice-versa. Se fosse ao contrário, também não me admiraria. Mais: não estou interessado.
Mesmo sabendo que é complicadíssimo gerir um país nas circunstâncias em que o mundo se encontra, haveria outras sondagens mais importantes. Por exemplo: quantos profissionais de saúde pensam que António Costa estava enganado (ou que mentiu) quando afirmou que não faltava nada nos hospitais nem era previsível que viesse a faltar?
Há muitos argumentos contra: que devemos estar todos unidos, que o corporativismo pode atrapalhar, que pode haver pessoas do contra. É tudo verdade, mas eu continuo a preferir que as pessoas de cada área falem da área em que trabalham. Na verdade, as sondagens nem sequer fazem muita falta, sobretudo se dependerem de politiquice ou de clubismo, que são mais ou menos a mesma coisa.
Je suis Uderzo
Hoje, morreu-me Uderzo. Esta construção verbal, não sei se uma reminiscência da voz média, é perfeita para exprimir que as mortes de outros nos afectam, que há mortes que nos matam um bocadinho.
Não cheguei ao ponto de chorar ou de ficar depressivo, nem sequer melancólico, até porque, por profundo egoísmo, fico satisfeito por saber que a morte de Uderzo não levou – nem eu deixava – os meus velhos álbuns das aventuras de Astérix, que continuam alinhados, sempre à espera de mais uma releitura ou, até, de uma consulta para recordar um diálogo genial criado pelo Goscinny ou um desenho brilhante do Uderzo. Pegar num desses álbuns (e cheirá-lo, claro) é, também, a garantia de que volto a ter dez anos e estou deitado ou sentado, a rir-me e a comer as raivas feitas pela minha avó ou pela minha mãe (ainda há migalhas arqueológicas espalhadas pelos livros). [Read more…]
A vida em estado de normalidade

Vulcão de areia e tocha de fumo, Costa Nova, 2019.
[Pedro Guimarães]
Numa sociedade perfeita, medidas de contenção como as actuais não teriam qualquer consequências na Economia e não passariam de um pequeno mal estar fruto do afastamento social necessário. O estado de emergência devia ser o estado normal, porque é apenas no mundo virtual que não vivemos em permanente emergência: climática, social, ambiental, demográfica.
Por isso mesmo, no mundo real, tudo o que é desnecessário, destrutivo e predatório, como o é a mobilidade e o consumo excessivos, deveriam ser questionados criteriosamente, em vez de financiados os postos de trabalho que daí resultam.
Portugal, como tantos outros países, vive uma crise sanitária a que se seguirá um crise de negação. A procura de soluções faz-se recorrendo a mecanismos que não contemplam curas, apenas curadorias, curandices.
A solução, inevitavelmente, virá de fora, de um país socialmente mais flexível e apto à mudança, em que as grandes empresas estratégicas e seus empregados serão públicos, logo afetos à causa comum. Nesses países, o conceito de trabalho será redefinido, nenhuma gripe poderá parar o sistema: uma grande empresa de aviação poderá em poucos meses se transformar num grande prestador de serviços de saúde, uma fábrica de automóveis poderá em pouco tempo produzir equipamentos médicos.
E ninguém irá perder a sua individualidade por causa disso.
Para grandes males, grandes remédios – Rendimento Mínimo Incondicional
Numa petição europeia apela-se à União Europeia, e ao Eurogrupo em particular, no sentido de ser criado um instrumento financeiro que permita aos estados-membros da UE instituirem rapidamente um Rendimento Mínimo Incondicional como medida de emergência que, de forma célere e sem complicações burocráticas, permita aliviar todos os cidadãos da Europa cuja segurança económica e existência se vê ameaçada pela crise provocada pelo coronavírus.
O Orçamento do Estado para 2020 é uma mentira
We keep saying we’ve arrived at psychogenesis, but we actually continue to be working obviously with linguistic models. Here is Lacan telling us the unconscious resembles a language, that it’s structured like a language; Brooks telling us that it’s the verbal structure arising out of the relationship between metaphor and metonymy that constitutes the narrative text. We keep sitting around twiddling our thumbs, waiting for somebody to say something about the psychogenesis of the text.
— Paul FryMentira!
— Joacine Katar MoreiraPurpose of sampling distribution You’d like to estimate the proportion of all students in your school who are fluent in more than one language. You poll a random sample of 50 students and get a sample proportion of 0.12. Explain why the standard deviation of the sampling distribution of the sample proportion gives you useful information to help gauge how close this sample proportion is to the unknown population proportion.
— Agresti, Franklin & Klingenberg
***
Já sabíamos que o Orçamento do Estado para 2020 era uma vergonha merecedora de chumbo. A farsa ortográfica promovida pelo poder político teve hoje um episódio simbólico: depois de ter confirmado a promulgação do OE2020, Mário Centeno anunciou que esta vergonha ortográfica entraria em vigor no dia 1 de Abril. Exactamente: 1 de Abril. Excelente escolha. Ovação de pé.
Aliás, a mentira ortográfica continua de vento em popa no sítio do costume.

Saúde para todos e, embora haja le printemps qui chante, por favor, restez à la maison.
***
Howl*

Há anos, precisamente nos idos anos setenta, num teste de História no liceu, uma das perguntas era esta: comente a seguinte afirmação – “A História começa na Suméria” .
A frase era nem mais nem menos do que um título de um livro, publicado cá pelas Edições Europa-América, da autoria de Samuel Noah Kramer. Era a questão do aparecimento da escrita, e a partir daí considerava-se que a História começava.
Um marco no tempo e no calendário. Outro é o nascimento de Cristo, temos o tempo aC e dC. (há naturalmente outros acontecimentos e outros calendários, no Oriente por exemplo).
Na investigação científica, especialmente em Arqueologia, quando se trata de datações com base no carbono 14, os resultados são apresentados em anos, mas com a menção BP (before present).
E por aí fora.
Ainda hoje ouvimos os mais velhos (cá e na Europa) dizerem “isso foi antes da guerra”. Referem-se, como é óbvio, à II Guerra Mundial.
A partir de agora teremos outro tempo e outro calendário, e desta vez para todo o mundo, aC19 e dC19.
*Allen Ginsberg, 1956
A imagem (foto minha) é de um painel existente no Museu de História Natural, secção de Geologia, em Londres
Telegrama aberto à comunidade educativa
Em primeiro lugar, e respeitando algum corporativismo, escrevo aos meus estimados colegas que estejam obcecados em inundar os alunos com trabalhos para casa. Nestes tempos extraordinários, os alunos e as famílias precisam, também, de paz, de alívio para a tensão. Manter os alunos activos faz sentido, mas é preciso não exagerar. As vossas intenções serão as melhores, mas é dessas intenções que o inferno se alimenta. É preciso lembrarmo-nos, ainda, de que há muitos alunos com poucas ou nenhumas condições de trabalho em casa, porque um computador é um luxo.
Há uma razoável quantidade de idiotas que afirma que os professores não trabalham. Um idiota nunca aprenderá por muito que se lhe explique. Não vale a pena querer mostrar que se trabalha por causa de uma razoável quantidade de idiotas. Não vale a pena querer mostrar que se trabalha, porque isso é idiota. Vale a pena trabalhar, o que implica, no contexto actual, uma série de decisões que podem ir no sentido de aliviar o trabalho dos alunos. [Read more…]
Boa pergunta
A bexiga *iperativa
In particular, in the case of aviation disasters that are caused by linguistic problems, it would be important to distinguish different ways of pronouncing and representing the same numeral: In English there are different ways of saying the numerals of the accident flight USAir 427: either four hundred twenty-seven or four two seven (in the style of a telephone number), where in the latter case, it would be most interesting to determine whether the cipher 4 (phonology /fo/) had the phonetic realisation [fo:], [for], [faʊə], [faʊ’ər], or the like.
— Claudia Sassennobody, not even the rain, has such small hands.
— e. e. cummings
***
*Hiperativa? Efectivamente, o ‘m’ de imperativa indica [ĩ] em vez de [i]. De facto, o ‘c’ de hiperactiva indica [a] em vez de [ɐ]. Com efeito, o ‘h’ inicial de hiperactiva é inorgânico. De simplificação em simplificação, obter-se-á *iperativa.
Há poucas semanas, comprei um slide igual a este do Jeff Beck, na Macari’s (que saiu da Denmark Street e foi para a Charing Cross Road, quase em frente à Foyles, que fica ao lado deste templo). Se reparardes bem, entre 1:33 e 1:39, o Jeff Beck pega nesse slide com o mesmo à-vontade com que eu pego nos meus lápis e na minha esferográfica Faber-Castell, ou seja, sem o desleixo de quem aniquila letras com valor grafémico.
Nótula: Apesar de as minhas canções predilectas do Rui Veloso serem o saiu para a rua e o não me mintas (embora haja aquele desnecessário verso com o Jardel…) e apesar de preferir mil e uma vezes o nova gente ou o made in oporto dos GNR ao porto sentido como hino pop da minha cidade (o Jardel ainda é como o outro, mas para o “lampiões tristes e sós”, francamente, não há pachorra), não podemos nem devemos ignorar a voz das varandas. Viva o Porto! Os meus agradecimentos à Alexandra Martins.
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Diário da quarentena – A vida em tempos de Covid-19
Coisas que me ocorrem durante o auto isolamento:
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Estou a adorar ver toda a gente fazer videoconferências de phones e à frente de estantes com livros. Espero que continue até depois de isto acabar. Deixem de ir a estúdios de televisão. Sejam o vosso próprio canal de Youtube.
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Ocorre-me também que nunca cheguei a falar do documentário do Herzog sobre o Gorbachev. Vejam. Estará algures na internet (Netflix?). Extraordinário porque ele – Gorbachev – o é, e porque Herzog o tem como herói. Herzog começa por lhe dizer que é alemão e que o primeiro alemão que Gorbachev conheceu provavelmente queria matá-lo. Gorbachev ri-se e desmente, dizendo que os primeiros alemães que conhecera eram seus vizinhos, muito simpáticos, e davam-lhe doces. Extraordinário também pela frase do pai de Gorbachev após ter chegado a casa da Guerra, we fought until we ran out of fight. That’s how you must live. Extraordinário, também, e talvez sobretudo, pela forma como Gorbachev fala da falecida mulher.

















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