… ou das razões, seguramente confusas, por que não assino as petições

Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.

enquanto eu farejava e media o espaço em volta, me habituava aos rumores estranhos e às invisíveis presenças desconhecidas da casa, aos estrondos das caldeiras, às fungadelas do fogão e à bronquite dos cachorros
— António Lobo Antunes, “Auto dos Danados“
Tive pena de não poder almoçar lá fora só para poder acompanhar a discussão. Mas não tinha tempo a perder e era dia de tripas.
— Carla Romualdo, “O bonezinho“
***
Acerca de um episódio ocorrido durante o recente debate entre Hillary Clinton e Donald Trump, Bill Maher disse o seguinte:
I hope it’s not true. He was sniffing a lot. It’s either that or he’s allergic to facts.
De facto, há um ponto comum entre uma das hipóteses de Maher sobre as fungadelas de Trump e o Diário da República: a alergia aos factos.

Continuação de uma óptima semana, isto é, sem estrangulamentos e sem constrangimentos.
“Ex-presidente da Comissão Europeia“, assim assinou o empregado daquele banco.

Tem sido muito interessante ver as mais destacadas personalidades dos partidos de direita, que passaram anos a malhar no antigo primeiro-ministro, a transformar António Guterres no ultimo grande herói. Todos elogiam o homem, o político, a “picareta” da retórica. Todos exaltam as virtudes, os valores e as capacidades diplomáticas do socialista. Já ninguém fala nas contas de cabeça do PIB ou no “pântano”. Tudo é belo. Guterres é o maior e a opositora de última hora, proposta pelo partido europeu que agrega PSD e CDS-PP, não merecia o cargo. A hipocrisia, como a dívida pública, não pára de aumentar neste país. [Read more…]

Nem é por se mostrar surpreso com o bom desempenho da Geringonça. Acho que a supresa é mais ou menos generalizada, não só pela aparente solidez do acordo de incidência parlamentar, mas principalmente porque, com a excepção da questão do crescimento e da trajectória ascendente da dívida pública, que de resto não parou de subir durante o consulado de Passos e Portas, a governação de António Costa até tem apresentado alguns resultados interessantes e inesperados, nomeadamente no que diz respeito aos números do défice. [Read more…]

Atribuir a eleição de Guterres ao esforço da diplomacia portuguesa é um exagero e é, sobretudo, desvalorizar o mérito 100% da responsabilidade do candidato. Afastou-se década e meia da vida política doméstica, venceu inequivocamente seis votações, teve as melhores prestações cara a cara com as representações dos 193 estados e para quem quis ver “on-line”, apresentou-se desde a primeira hora como um candidato com determinação e voz próprias (“Líderes e valores”), não tirou uma licença profissional de sete dias, não fez fretes a blocos ou países, não cedeu às pressões “last minute”, não entrou no circo de ver um estado a dividir-se entre o apoio a duas candidaturas, contrariou os supostos requisitos formais para a eleição (mulher e originária da Europa de Leste)…
Insisto: onde esteve a diplomacia de Portugal entre Junho de 2005 e Dezembro de 2015, quando Guterres liderava o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)? Basta acompanhar 5 minutos as cadeias internacionais para perceber que todos se referem às qualidades do candidato e não vi nem ouvi uma única vez falarem da diplomacia de Lisboa. Porque o que esteve em causa foram os atributos da pessoa. [Read more…]

Exacto, não é António Mexia, não é a EDP.
É você, os seus filhos e os seus netos.
[via maquinistas]

O governo nazi não começou por mandar judeus para campos de concentração e câmaras de gás. A primeira medida oficial, anunciada em Abril de 1933, foi apelar ao boicote das lojas e comércios que fossem propriedade de judeus. As serpentes levam tempo a incubar.
Diz o FMI no seu último relatório que Portugal não vai cumprir o défice de 3% em 2016.
Vamos ler com atenção e o autor do relatório é Vítor Gaspar, o antigo ministro das Finanças. Tendo em conta o acerto das suas previsões enquanto esteve no Governo, exultamos. São boas notícias.
Leituras complementares:
Não é de agora que Gaspar falha previsões
Portugal falha regresso ao mercado previsto por Vítor Gaspar
A última previsão falhada de Vítor Gaspar
Marcelo diz que Gaspar é mais astrólogo do que Ministro das Finanças
Vítor Gaspar pede demissão e admite falhanço das metas traçadas
Marques Mendes contra Vitor Gaspar: «Um falhanço desta natureza retira confiança»
Vítor Gaspar: Anatomia e dissecação de um colossal falhanço
O perigo chama-se Vítor Gaspar
Vítor Gaspar assume que errou num compromisso político central
Vítor Gaspar confirma orçamento rectificativo
Vítor Gaspar admite um segundo rectificativo
Vítor Gaspar: Aprendo com os meus erros
Elena Ferrante é autora de uma tetralogia que anda a entusiasmar leitores do mundo inteiro. O nome da escritora é, na realidade, um pseudónimo. Tendo manifestado a vontade de manter o anonimato, respondeu sempre por correio electrónico às entrevistas que concedeu.
Recentemente, Claudio Gatti, um jornalista italiano, terá desvelado a identidade de Ferrante. Sabendo-se que isso vai contra a vontade de autora, parece-me que esta investigação, na melhor das hipóteses, pisa uma fronteira ética. Se um escritor quiser ser apenas um nome ou um narrador, está no seu direito.
Claudio Gatti, no entanto, resolveu complementar a sua descoberta com argumentos a favor da sua investigação. A ser verdade o que se lê no Diário de Notícias, oscilam entre o oco e o disparatado.
Em primeiro lugar, recorre ao estafado as pessoas têm o direito de saber. Não é sequer invulgar ouvir jornalistas de rádio e de televisão usarem a pergunta “O público não tem direito a saber?” Sendo certo que um jornalista presta (ou deveria prestar) um serviço público, a verdade é que esta pergunta é apenas sensacionalista e/ou provocatória, porque a realidade é que há assuntos que as pessoas não têm o direito de saber, especialmente a partir do momento em que alguém não quer que se saiba. [Read more…]
Um universo do tamanho da imaginação.
Hoje, entre duas aulas, liguei o telemóvel e li a mensagem: “o Guterres foi eleito!”.
Entrei no elevador e comecei a imaginar um grupo de fervorosos adeptos plantados no cruzamento da 1.ª Avenida com a Rua 46 e, vá lá saber-se porquê, lembrei-me de Valentim Loureiro.
Efectivamente: haja claque e haja ânimo, pois hoje é feriado em Portugal. Sim, porque amanhã… Amanhã, regressa o Diário da República.
Parabéns, António Guterres.

A mobilidade em Braga é o fotograma do vídeo-drone dos Transportes Urbanos de Braga sobre a linha 74.
António Guterres aprovado no Conselho de Segurança da ONU. Sem vetos nem espinhas.

A nossa riqueza cultural, nem sempre reconhecida, e muitas vezes desconhecida pela maioria da população portuguesa, tem, na língua falada e escrita, um lastro civilizacional universal. Numa época em que a uniformização de tudo está na ordem do dia, temos o dever de salvaguardar a diferença. Falamos da segunda língua oficial portuguesa, o Mirandês. Língua minoritária, é ignorada, ou melhor, é tolerada pelos sucessivos poderes públicos (com honrosas excepções). É olhada muitas vezes como uma excentricidade de meia dúzia de habitantes das Terras de Miranda. Pelo contrário, é algo do qual nos deveríamos orgulhar, respeitar, e divulgar.
Por isso, e chegado o Aventar ao Concurso de Blogs do Ano, onde disputamos o prémio, apresentamo-nos também em Mirandês. Agradecemos a dois ilustres mirandeses, a Celina Pinto, que nos ligou a esta realidade, e a Alfredo Cameirão, que traduziu a apresentação.
Apresentação do Aventar nas duas línguas oficiais de Portugal, português e mirandês: O Aventar / L Aventar.
O Estado da Educação 2015, do CNE, radiografa a educação nacional, compilando dados de fontes diversas. Eis a síntese que me parece útil, em números, comprimida para o espaço de que disponho: nos próximos cinco anos, a diminuição das inscrições no 1º ano do ensino básico vai duplicar por referência à verificada nos últimos dez; a taxa de abandono precoce da educação (13,7%) está, felizmente, em queda; as taxas de conclusão do ensino básico e dos cursos do ensino secundário aumentaram; verificou-se nos últimos dez anos um forte crescimento dos níveis de escolaridade da população activa; no mesmo período, o ensino público não superior perdeu 73.572 alunos, enquanto o privado ganhou 18.912; nos últimos quatro anos, diminuiu significativamente o número de técnicos de educação especial, embora tenha aumentado o número de alunos dessa área; a relação psicólogos/alunos, no ensino público, é 1/1.270; na última década, o sistema de ensino perdeu 40.159 docentes e a despesa pública em percentagem do PIB reduziu 15% para o 1º ciclo do ensino básico e 8,3% para os outros dois ciclos e para o secundário.
Fora outro o autor desta curta síntese e os números retirados de tantos quadros e gráficos seriam diferentes. Sejam quais forem, mais importante que mostrar é interpretar, relacionar e explicar.

Mariana Mortágua ainda é, por estes dias, o fetiche da direita radical, da imprensa e dos cronistas afectos à direita radical, do incansável e dissimulado ministério da propaganda, dos ayatollahs do fundamentalismo neoliberal e de personagens trampolineiras que aproveitaram a deixa para longos textos sentimentais e hipócritas que emocionaram umas quantas tias do social um pouco por todo o país. Todos lamentam, a uma só voz, a ameaça soviética presente nas palavras da dirigente bloquista. As elites, assustadíssimas, preparam a fuga de capitais. Os investidores externos, em pânico, riscaram Portugal do mapa. Seria justo que todos os jogos da próxima jornada da Liga Portuguesa começassem com um minuto de silêncio em memória dos políticos falecidos e devassados pelo arquitecto Saraiva das vítimas deste ataque cruel. [Read more…]

Estamos no longínquo ano de 2005. Luís Marques Mendes é presidente do PSD e Pedro Passos Coelho seu vice. No Parlamento, o camarada Paulo Rangel dá a cara por uma proposta controversa que conseguiu a proeza de unir CDS-PP e PCP num coro de críticas. Tratava-se do levantamento total do sigilo bancário, proposta incomparavelmente mais radical do que aquela que foi recentemente vetada por Marcelo Rebelo de Sousa e que levou o deputado Leitão Amaro, num tom de convite ao pânico, a falar numa “verdadeira radicalização em curso deste governo das esquerdas“. Pobre Leitão Amaro, rodeado de estalinistas com pele de cordeiro, numa bancada onde ainda pontificam tantos daqueles que subscreveram esta proposta, entre eles o seu querido líder e secretário-geral do comité central do PSD, o camarada Passos Coelho. [Read more…]
** Projectada pelo arquitecto portuense José Marques da Silva, em 1899, e decorada com azulejos do pintor Jorge Colaço, a Estação de Porto São Bento ou Estação Central, é uma obra ímpar em património azulejar, uma das mais bonitas estações ferroviárias do mundo.
O primeiro projecto para a construção da estação é apresentado em 1887.
A ligação ferroviária entre Campanhã, estação comum às linhas do Norte, Minho e Douro, e o centro da cidade, fez-se em Novembro de 1896, depois de perfurados os fundos da Quinta da China, Monte do Seminário e da Praça da Batalha.
Em 1896, a estação não passava de um edifício provisório, um barracão de madeira.
Em 1899, o arquitecto portuense José Marques da Silva é encarregado de elaborar o projecto definitivo para a Estação de São Bento.
Os trabalhos de construção apenas se iniciaram em 9 de Novembro de 1903.
Em 1905 Jorge Colaço apresenta uma proposta para ornamentação e revestimento do vestíbulo da estação com azulejos.
5 de Outubro de 1916– Inauguração da estação – dupla funcionalidade: Estação e monumento de reforço do centro da cidade como elemento dinamizador da vida portuense.
9 de Maio de 2011 – Concluídos os trabalhos de conservação e restauro dos painéis de azulejos que compõem o vestíbulo da estação.
Agosto de 2011 – revista norte-americana Travel+Leisure elege a Estação de São Bento como uma das catorze mais belas de todo o mundo.
* Monumento Nacional.
** in “Linha do Minho – Estação de Porto São Bento, particularidades de um espaço“, 24 de Maio de 2012, Edição REFER e CP
Passos Coelho: “Quando as coisas correrem mal, nós cá estamos para devolver a confiança e a esperança aos portugueses.”

Em Maio, perante o anúncio da CGTP, que se preparava para uma “semana de luta”, António Saraiva afirmou, aos microfones da TSF, que não era “pela conflitualidade, pela greve, pela perturbação social” que se resolviam os problemas dos trabalhadores. A resposta estava no diálogo. [Read more…]

O drama, a tragédia, o horror. O fantasma estalinista que paira sobre o paraíso à beira-mar plantado. Os amanhãs soviéticos que cantam. O pânico, o sobressalto. A inquietação. A Venezuela ao virar da esquina. O gulag que nos engolirá a todos. A temível Geringonça. O mundo cruel. O apocalipse.
Profetas da desgraça, uni-vos!
Em entrevista ao Expresso, Ana Paula Laborinho, Presidente do Instituto Camões, deixa escapar uma série de vulgaridades consentâneas com a Igreja da Lusofonia, cujo evangelho, mais oral do que escrito, está carregado de frases épicas acerca da dimensão internacional da língua e de palavras economesas como “geoestratégico”. Como qualquer sacerdote, crente ou não, é necessário parecer-se deslumbrado, que é uma maneira de se fingir iluminado. E ai de quem se atreva a criticar o deslumbramento! Será classificado como “xenófobo” e “racista”, antes de e em vez de ter direito a argumentação.
O chamado acordo ortográfico (AO90) é, neste contexto, alfaia religiosa que não pode ser posta em causa e, portanto, não pode ser pensada, apenas defendida.
Ana Paula Laborinho, depois de (não) responder a uma pergunta acerca da relação entre língua e “identidade de uma nação”, continua a (não) responder a uma outra: “Tendo em consideração a questão da identidade, é preciso um Acordo Ortográfico?” Ana Paula Laborinho (não) respondeu como se segue:
O Acordo Ortográfico é um instrumento até de internacionalização. É a tentativa de, enquanto língua internacional e num contexto de ensino, não termos de ensinar o português nas suas diversas variedades.
Uma pessoa não percebe o que é que o AO “internacionaliza”: a identidade? A língua? A ortografia? O queijo da Serra? Não me admiraria que fossem os quatro, tantas são as virtualidades do divino instrumento.
O resto da resposta mantém-se na senda do desastre sintáctico e, portanto, semântico. Doravante, os professores de Português, inspirados pelas palavras de Ana Paula Laborinho, poderão definir como um dos seus objectivos “tentar não ter de ensinar o português nas suas diversas variedades.” Não será fácil: um professor não está habituado a tentar não ensinar e, ainda menos, a tentar não ter de ensinar. [Read more…]

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
Recent Comments