Ao contrário daquilo que se lê por aí. Helder, sem acento. Exactamente.
Crónicas de Timor-Leste – X
António José
DepoisDoSol… dois mundos… após as 19h quase tudo o que é vida em Dili deixa de funcionar ou melhor o ambiente é claramente outro. O trânsito apressa-se e não tarda, desaparece o frenesim diurno. Não é que não haja vida para lá dessa hora, mas tudo muda de figura. Não é apenas a luz que muda, é o comportamento das pessoas. Todas sem excepção ou com as quais me cruzo e que desenvolvem o assunto, o dizem: “não vale a pena andar por aí.” Parece um jogo de sombras… mas faz-me imensa falta a luz da noite. Poder andar nela, senti-la, solto de receios e imposições. Por pouco que seja é ela que dá descanso ao imenso ruído visual, intenso, do dia. Ok, o fruto proibido, aqui. Pelo que vejo, a maioria respeita-o. Tentarei não lhe dar espaço por muito que me apeteça sair da norma. [Read more…]
Serviço Público
Na sequência do julgamento de Rafael Marques em Luanda, a editora Tinta da China está a disponibilizar gratuitamente no seu sítio internet o livro “Diamantes de Sangue“.
Crónicas de Timor-Leste – IX
Duarte Marques, um anti-sistema de contos para crianças
Em mais um artigo anti-tudo o que mexe à esquerda do bloco central, Duarte Marques afirma hoje que a não ascensão, em Portugal, de partidos anti-sistema se deve ao facto de serem os partidos da coligação, PSD e CDS-PP, os partidos anti-sistema em Portugal.
Ora bem, não sei se isto se integra nas palestras de propaganda barata que profere perante o seu leal exército repleto de abanadores de bandeiras e trepadores sociais, e aí tínhamos esta idiotice chapada explicada, ou se o deputado “velho dos tempos da união Nacional” caiu e bateu com a cabeça, tendo ficado cerebralmente afectado.
Iémen. Razões para o massacre.
O ponto de partida para uma melhor compreensão das dinâmicas actuais no Iémen, deve passar por uma leitura prévia do texto publicado a 23 de Janeiro, A Crise no Iémen.
As razões para o massacre da passada 6ª-feira em duas mesquitas xiitas de Sana’a (entre 137 e 142 mortos, as fontes contradizem-se), uma vez mais de forma quase telegráfica, sem no entanto ser simplista, são as seguintes:
1º É necessário clarificar, relativamente a um dos dados do referido texto, que a demissão do Presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi não foi irrevogável, continuando no cargo. Após a tomada de controlo da capital Sana’a pelos houthis, a Presidência, o Governo, as Embaixadas e demais instituições públicas, abandonaram a capital e rumaram até Áden, no sul, num movimento táctico, cujo objectivo principal foi o da procura da legitimação por parte da Comunidade Internacional, garantido de imediato e em simultâneo, já que as Embaixadas e respectivo pessoal, acompanharam institucionalmente o Governo legitimo do Iémen; [Read more…]
Neo-fundamentalismo cristão
Por estes dias, o João José Cardoso chamou-me a atenção para uns indivíduos que, simpatia a dele, considerou mentecaptos. Confesso que, ao ver tamanhos primatas em semelhante êxtase fundamentalista, algo que pelos vistos até foi saudado por algumas camadas adeptas do nacional-socialismo cá da terra, que criticam as manifestações e os pedidos de demissão que vão sendo dedicados a alguns dos nossos parasitas governamentais mas que pelos vistos até vêm com bons olhos uma intervenção militar do Estado mais violento do planeta contra um governo que, corrupto ou não, foi democraticamente eleito, fico ainda mais certo que não há sebastianismo que se equipare ao saudosismo fascista que alguns idiotas por cá cultivam. Deus nosso senhor tenha misericórdia da sua alma e que a cada um cresça uma pequena Cerejeira no rabiote.
Por falar em fundamentalistas, e na falta de quem entre as hostes cristãs rivalize com os paranóicos bombistas que acreditam na fábula das 40 virgens, o meu amigo Simão, homem de bons devaneios que apesar de inúteis oferece de forma gratuita, apresentou-me estes lunáticos da Igreja Universal do Reino de Deus e o seu exército de seres inenarráveis auto-denominados Gladiadores do Altar. Felizmente ainda ninguém lhes parece ter dado uma arma para a mão, mas, considerando o crescente poder da IURD e de outros paranóicos evangelistas no Brasil, não deve faltar muito tempo até que este grupo de radicais se transforme numa espécie de força paramilitar ao serviço de homens que se dizem ao serviço de Deus mas que estão apenas ao serviço deles próprios, tal como as contas bancárias destes “profetas” revelam.
Saudações suspeitas com o braço direito em riste, formações militares e marchas, uniforme verde-tropa e palavras de ordem, e tudo isto dentro de uma igreja. Ou lá o que aquilo é. Chega a ser assustadora a naturalidade com que um batalhão de tropas da IURD entra pela igreja a marchar e bate continência ao pastor-general. Até Dilma Rousseff bate continência ao controverso fundador da IURD, Edir Macedo, homem que pede o dízimo ao pé descalço e se desloca de helicóptero, tal é o seu desprendimento dos bens terrenos.
Paulo Nunes de Almeida, Presidente da AEP, é o verdadeiro artista
Leitor devidamente identificado
Hoje vou falar-vos do meu Patrão. Sim, porque este senhor de quem vou falar-vos continua a ser o meu patrão, visto que eu e mais cerca de 60 colegas continuamos suspensos da Empresa TRL Texteis há quase 2 anos. Este senhor de quem vou falar-vos é apenas o Presidente da AEP, o Exmº. Dr. Paulo Nunes de Almeida.
Ocupando o cargo que ocupa, este senhor deveria ser o exemplo número 1 para qualquer patrão, certo?
Errado! Este senhor não é exemplo para qualquer patrão, pelo contrário, é o pior exemplo de ser humano que possa existir. Passo a explicar.
Em meados de Maio, há dois anos, este senhor comunicou aos funcionários, no final de uma sexta-feira de trabalho intensivo (visto que os funcionários estiveram a dar no duro para terminar uma encomenda para o estrangeiro), que a partir da segunda-feira seguinte deviam suspender os seus contratos de trabalho, porque não tinha forma de pagar mais salários. Claro que ele sabia que se podia fazer isso porque já tínhamos quase 2 meses de salários em atraso. Isto foi bastante violento para todos nós, principalmente para as pessoas que durante quase toda a sua vida trabalharam nesta empresa.
Mas isto não foi o pior. [Read more…]
Comissão de Inquérito? Vou antes cortar o cabelo
Foto@Correio da Manhã
A amnésia tem sido uma das maleitas predominantes nas várias audições da Comissão de Inquérito ao caso BES. Aparentemente, ninguém se lembra de rigorosamente nada do que por lá se passou. Às vezes, fica mesmo a sensação que nenhum destes sujeitos lá trabalhava. Como diria Mariana Mortágua, tudo amadores.
Segundo a edição de hoje do Expresso, amnésia poderá também ter sido a justificação para que o empresário José Guilherme, o tal que deu uma prenda de 14 milhões de euros, em numerário, a Ricardo Salgado (outro com longo historial de problemas de memória), se tenha esquecido de passar pela Comissão de Inquérito ao caso BES, para a qual notificado, alegando motivos de saúde e o facto de estar em Luanda para não comparecer na comissão parlamentar. Contudo, e pela relação comercial de 40 anos que mantém com o barbeiro Aurélio Robalo, José Guilherme conseguiu contornar estas vicissitudes e dar um salto a Lisboa para aparar as pontas. Podia ter-se lembrado de passar na comissão mas é possível que estivesse com pressa. First things first.
Ilusionismo socialista pré-eleitoral
Foto@Expresso
A fotografia da autoria de José Carlos Carvalho, publicada no jornal Expresso a propósito do périplo de António Costa pelo país, encerra em si todo um cenário onde o idílico se mistura com o que de mais belo e poético existe na propaganda política pré-eleitoral. Um cenário cinzento onde um tímido arco-íris tenta sobressair das trevas e um António Costa sorridente remetem-nos para o imaginário da utopia socialista de um novo Portugal que ganha forma pela mão de um líder confiante e optimista com uma mão cheia de nada e outra repleta de coisa nenhuma. Vem-me imediatamente à memória aquele Pedro Passos Coelho que, triunfante e auspicioso, viajava pelo Portugal pós-chumbo do PEC IV, vendendo ilusões e fazendo promessas que todos sabemos como acabaram.
A anunciada primavera socialista mais não será do que a continuação daquilo a que hoje assistimos. Mudam-se caras, recuperam-se dinossauros e, com o tempo, novos boys infestarão a administração pública. A vassalagem a Berlim será total, o compadrio público-privado continuará e a “irreverência” de alguns sectores ditos mais à esquerda do Partido Socialista acabará por desvanecer e por ser silenciada em nome de uma suposta estabilidade que pouco ou nada se distinguirá daquilo que é a governação da coligação no poder. Infelizmente, centenas de milhares de portugueses acreditam que António Costa, o mudo, traz na cartola um conjunto de truques que darão a Portugal um novo Portugal. Mas como qualquer ilusionista do bloco central, Costa terá apenas mais do mesmo para oferecer, faça ele quantos périplos fizer. Não esperem fazer a mesma escolha e obter resultados diferentes. Isso só em contos para crianças.
O lobo e as lombrigas
“Premiei um escroque da pior espécie” – diz João Duque, referindo-se ao mesmíssimo Ricardo Salgado que, há não muito tempo, quase canonizou no discurso de elogio que lhe fez aquando do doutoramento “honoris causa” promovido pelo ISEG. Brioso, o ex-admirador e deputado Carlos Abreu Amorim, com aquela coragem dos cachorros pequenos entre as pernas do (novo) dono, citou esta frase, atirando-a à cara do visado em plena Comissão Parlamentar. Ricardo Salgado é, já poucos duvidam, o lobo mau desta história. E os lobos maus metem medo (designadamente aos coelhos), mesmo quando acossados. Mas depois há estas lombrigas, ténias, carraças, pulgas e outros parasitas do sistema, servidores de quem manda na hora e sempre prontos a mudar de hospedeiro. Estes, metem nojo
Multiplicatio praecocx

“Vocês são jovens; multipliquem-se!”, proclamou a ministra Maria Luís perante uma entusiasmadíssima (excitadíssima?…) plateia de jovens da JSD. A coisa é séria.
Logo ali, imagino eu, se trocaram olhares interrogativos:” isso é p’ra já?…”, ter-se-à perguntado a multidão, pronta a corresponder, com militante entusiasmo, ao apelo da líder. Não por vulgar lascívia, mas com a fervorosa e patriótica vontade de resolver o mais depressa possível o problema nacional que a ministra tão lucidamente diagnosticara.
Mas não, não era para já. E embora o conceito de “J” seja muito extenso, em matéria etária, nas lides políticas, convém manter, pelo menos, as aparências. Está escrito: “crescei e multiplicai-vos!”. O verbo crescer tem aqui um moralíssimo relevo. Portanto, enquanto os jovens guardam pudico e casto recato, Maria Luís vai-se insinuando nos produtivos terrenos da eutanásia selectiva que tanto entusiasma a sua mestra Christine Lagarde e aquece o coração de alguns jovens sociopatas laranjas. Por isso, enquanto os jovens não se multiplicam, subtraem-se os velhos, a “peste grisalha”, como lhes chama um desses jovens já com direito a voz na Assembleia da República. Ocorre-me à mente um truculento soneto de Bocage que bem ficaria nesta situação. Mas contenho-me; alguém tem de manter a compostura nestes eventos.
O eclipse no quartel

Uma anedota já antiga esclarece-nos sobre a boa comunicação ao longo da hierarquia militar. Perante a eminência de um eclipse solar, o oficial de dia decide instruir os seus praças e comunica as suas intenções ao seu subalterno.
—Tenente, amanhã haverá um eclipse do Sol. Quero que a companhia esteja formada com farda de trabalho na parada, onde darei explicações acerca deste raro fenómeno que não acontece todos os dias. Se por acaso chover, nada se poderá ver e nesse caso a companhia ficará dentro da caserna.
O tenente dirige-se ao sargento: [Read more…]
Da felicidade em Portugal
André Serpa Soares

Há dias para tudo e mais alguma coisa, e parece que hoje é o Dia Internacional da Felicidade. Por uma cruel ou feliz (lá está) coincidência, é também dia de eclipse, o que permite jogos fáceis como “a felicidade está a eclipsar-se”, ou qualquer outro que uma melhor imaginação e verve consigam criar.
E como andamos nós, portugueses, de felicidade? Sendo o conceito de “felicidade” algo de muito subjectivo, ainda assim parece seguro arriscar dizer que a felicidade anda a eclipsar-se aqui pelo “rectângulo”.
O Eurostat divulgou ontem um estudo que conclui que os portugueses são dos europeus menos satisfeitos com a vida que têm. Mas, para tentar objectivar um pouco a questão, o melhor é ir directamente à pergunta realizada no inquérito do Eurostat e aos resultados alcançados
«Globalmente, em que medida se sente satisfeito com a vida que leva nos dias que correm?», perguntou a instituição europeia. [Read more…]
Terra plana & astrologia
Hoje, a abertura solene do 1° Simpósio Luso-Brasileiro de Astrologia terá as honras, mas bem mais grave, uma certa forma de legitimação de se realizar nas instalações da Sociedade de Geografia em Lisboa.
No meu entender a Sociedade da Terra Plana está para a geografia, como um simpósio de astrologia está para a astronomia. Como congénere da Sociedade Portuguesa de Astronomia apetece-me aconselhar a actual direcção da Sociedade de Geografia a dirigir-se até ao extremo do nosso planisfério (seguindo o mapa da referida sociedade) e saltarem para o vazio. Boa aterragem em Sirius…
PS- Percebo que possa haver uma transacção financeira muito favorável à Sociedade de Geografia, tão apetecível em tempos de crise, mas apesar de tudo são uma sociedade científica e há limites para uma sociedade científica, não são uma associação de bairro ou uma filarmónica.
O Obediente
O Insurgente já não existe. Acabou no dia 5 de Junho de 2011, tendo no seu lugar ficado um outro blog, O Obediente.
Noutros tempos já haveria uma resma de posts sobre as novas PPP e sobre a lista VIP, da qual os colegas até dizem que foi feita pelo Estado (com letra maiúscula e tudo) mas na verdade foram pessoas concretas, deste governo e camaradas de cor, que a fizeram. Não faltaria também o argumentário sobre o estado não gerar emprego (ups!) e por aí fora, segurança social vade retro, pois privadas IPSS é que é bom (e até têm uns empregos porreiros – ups! outra vez).
Neste O Obediente, a insurgência hibernou. Um dia destes lanço uma petição para ajudar os respectivos autores no prosseguimento do único passo em falta: renomearem-no. Precisam de se despachar, só têm mais seis meses.
PS: Parece que há uns vídeos novos do Varoufakis. Aproveitem, que ainda dá para mais uns posts, entremeados com esse terrível socialismo, nacional e estrangeiro.
Ricardo Salgado refugia-se no desconhecimento

© Bruno Colaço (http://bit.ly/1MNVOe2)
Há três meses, Ricardo Salgado apareceu na Assembleia da República em excelente forma:
Acção, Abril, accionistas, acções, actas, actividade, activos, actuação, actuações, afectava, afecto, correctas, Dezembro, directa, directamente, directo, efectivamente, efectuar, incorrecto, injectar, interacção, Janeiro, Julho, Junho, Maio, Março, Novembro, objectivo, objecto, Outubro, percepção, perspectiva, perspectivas, projecção, projecto, protecção, protectora, respectiva, respectivos, ruptura, Setembro.
Contudo, hoje, apesar dos nomes dos meses (“em 2 de Julho de 2014”, “em 2 de Março de 2015”, “em 3 de Agosto de 2014”, “em 23 de Julho de 2013”, “19 de Março de 2015 “) e de outras excelentes formas ortográficas (“em todos os actos“, “acções da Tranquilidade”, “sobre as acções“, “novos accionistas“, “respectiva composição”, “protecção do animal”, “actividade financeira”), algumas delas em citações, Ricardo Salgado ensaiou uma mistura ortográfica extremamente perigosa, com “injeção de fundos privados”, “ativos“, “retificação“, “correção“, “objetivo“, “prospeto” e outras infracções grafémicas.
Salgado disse aos deputados: “Não pretendo – nem nunca pretendi – refugiar-me no desconhecimento”. Infelizmente, refugiou-se e o resultado é aquele que sabemos. Lamentável, Dr. Salgado. Lamentável.
PPPedro PPPassos Coelho
Imagem@Uma Página Numa Rede Social
Tenho saudades da heróica cavalgada laranja contra a encarnação do mal que foram um dia as PPP. No tempo em que mentia diariamente aos portugueses sobre o ilusório novo mundo sem aumentos de impostos, sem cortes de pensões ou subsídios e sem venda de “anéis”, o então líder do PSD referia-se aos prejuízos acumulados por empresas públicas e às facturas a pagar pelo Estado como “esqueletos num armário que se chama PPP“.
Ora ficamos esta semana a saber que Passos Coelho se prepara para encher esse armário com 13,6 mil milhões de euros de potenciais novos esqueletos. Segundo a imprensa nacional, o governo terá enviado para Bruxelas uma lista de 113 projectos estratégicos, que no total ascendem a 31,9 mil milhões de euros. E apesar de menos de um quarto destes projectos corresponder a parceiras público-privadas (24 no total), o valor a alocar aos mesmos ascende a quase metade do bolo (43%).
O lugar das coisas
“A Liga de Amigos do Museu Machado de Castro pediu ontem à Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) que o tríptico do Mestre de Santa Clara, recém-adquirido pelo Estado em leilão, seja entregue ao Museu Nacional Machado de Castro (MNMC).”(Diário de Coimbra, 18/3).
Tem todo o sentido, esta pretensão. Mas não tem grande futuro, ensina-nos a história destas coisas. Apesar do Museu Nacional Machado de Castro (MNMC) ser um museu nacional e a peça em questão ser oriunda de um templo de Coimbra e da autoria de um mestre de Coimbra, a gula das instituições lisboetas é bem conhecida.
Compreendo a centralização de colecções se tal obedecer a critérios inteligíveis. Mas não é o caso. Qualquer pessoa de boa fé entende que o lugar desta peça, comprada com dinheiros públicos, é O MNMC. [Read more…]























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