A economia dispensa a história

Já dizia o pequeno comentador do economiquês nacional que os professores de história em nada contribuem para o crescimento e o certo é que vamos confirmando que, nesta nova Europa utilitarista, as humanidades são entretenimento para inúteis. Os resultados nem estão a demorar muito a aparecer. Desmemoriada e cega pelos números, a Europa condena-se a repetir os seus horrores.

Leia-se esta reportagem de Maria João Guimarães, em Marselha, acerca do clima de rejeição aos estrangeiros, sobretudo em zonas multiculturais, e de como os partidos nacionalistas estão a capitalizar o descontentamento face à situação económica e a desconfiança em relação à diferença. Quem tem memória de um passado não tão longínquo, como o reformado Auguste Olive com quem a repórter falou, não pode evitar as comparações: [Read more…]

Go Anna!

  Um vídeo que tinha que passar por aqui, ou não fosse o Aventar um blogue de excelente bom-gosto. Critique-se o que se criticar, e este videoclip (será que se lhe pode chamar isso?) está pejado de oportunidades para praticarmos esse exercício, é interessante a associação que se pode fazer entre By Anna e Vai Anna (Go Anna), e, em última instância, Baiana (que me perdoem as Baianas, mulheres que muito admiro). Lagarto, lagarto, lagarto! Ou, como a Anna certamente dirá: largato, largato, largato! Por tudo aquilo que pode ser retirado desta brincadeirinha, isto dava um excelente  tema de uma tese de doutoramento. Pena é a melodia gamada à Britney Spears. A Anna ter-lhe-à (perdão, terá-lhe) pedido autorização? Uma coisa é certa, se a rapariga pôs isto a render através do Google AdSense, como já foi sugerido, nem precisa de um marido para fazer fortuna.

«Angela Merkel que aceitou resgatar os bancos alemães com os empréstimos a Portugal e Grécia»

Conversa do ajudante do Sheriff de Nottingham:

Passos Coelho disse que as eleições europeias são numa oportunidade para que os “portugueses e as portuguesas possam condenar e recusar a mentalidade que ia destruindo Portugal e que ia pondo em causa o euro e a Europa” [*]

Conversa de um dos conselheiros do cherne, aquele que fez ouvidos de mercador para se aliar ao Sheriff de Nottingham e que agora sonha ser delegado-mor do Sheriff de Nottingham na província rectangular:

Quero dizer que os Governos puseram os interesses dos bancos à frente dos interesses dos cidadãos. Por várias razões. Em alguns casos, porque os Governos identificam os bancos como campeões nacionais bons para os países. Em outros casos tem a ver com ligações financeiras. Muitos políticos seniores ou trabalharam para bancos antes, ou esperam trabalhar para bancos depois. Há uma relação quase corrupta entre bancos e políticos. [Read more…]

Cavacos úteis

cavacos
Foto dedicada aos amigos que têm declarado a inutilidade do cavaco, em que se prova que nem sempre assim é.

Ao que giro!


Hoje é dia de cortejo da “queima das fitas” cá em Coimbra. A criatividade anda à solta. Há 60 anos desfilavam camionetas armadas com rede de galinheiro ornada com pindéricas flores de papel. Hoje – o progresso não pára – desfilarão camionetes armadas com rede de galinheiro ornada com pindéricas flores de papel. É consolador admirar tanta imaginação! O ano passado, por exemplo, houve uma recreação nova: engraçados estudantes urinavam nas caixas de correio a que podiam chegar com os respectivos instrumentos. Que engraçado! A minha vizinha que recebia nesse dia o cheque da sua pensão não parou de rir. Também outro vizinho que nesse dia recebeu um subscrito com fotografias dos seu filho e netos há muito tempo emigrados e que há muito tempo não via, achou um piadão. Até eu, a quem os amáveis foliões destruíram vários vasos de flores – duas das quais com mais de vinte anos de cuidados – não pude deixar de rir. O humor inteligente é sempre bem vindo. Não sei, por isso, porque um amigo meu neurocirurgião prescrevia, furioso, para estes simpáticos criativos, um transplante de cérebro. Feitios…

Conchita Wurst

conchita_wurst-Festival-Eurovisao-CancaoO Festival Eurovisão da Canção é o sonho de toda a gaja gira.

Coincidências

seguro

Claramente que a imagem de cima, do tumblr de autoria desconhecida e que até deu título no SOL, deve selfie-royalties às imagens de baixo.

PARTIR, de Sarah Adamopoulos

image

8, 9 e 10 de Maio | 21:30 | Teatro Extremo | Almada | Apareçam!!

A crise, a banca e a emissão de moeda

É o banco, em função da sua avaliação do risco, que ao conceder um crédito cria depósitos, quer dizer, dinheiro efectivo a partir do nada. [Rui Hebron no DO]

O cão fiel

his-masters-voice-copy

As manobras de manipulação eleitoral em favor da maioria têm, em todos os canais televisivos, atingido níveis demenciais, nunca vistos (e os deuses sabem que já vimos muito!…). Dá resultado? Vai dando. As sondagens parecem mostrá-lo (já sei, já sei, as sondagens valem o que valem, etc. e tal).

Não querendo gastar-vos a paciência com especulações sobre a alienação dos oprimidos, aqui vos deixo um poema breve do velho mestre, que dedico a todas as vítimas que tencionam votar nos seus carrascos:

O cão fiel

Era um cão fiel…
Foi a dar ao rabo atrás do dono
até à oliveira em que este
o enforcou com um arame.
(Joaquim Namorado)

Imagem

«A culpa é da Páscoa»

puta e merdas

Já ouvimos no passado o mau tempo ser acusado dos maus resultados da economia. E o que parecia surreal e anedótico, foi ontem verbalizado pela ministra luís albuquerque.

Ouvi incrédula esta espécie de governante dizer, na sua postura sempre arrogante e fria, completamente distante de quem votou nos palhaços que a colocaram naquele posto, que a economia não teve melhores resultados no primeiro trimestre do ano porque (hélàs, já cá faltava esta desculpa) a Páscoa foi tardia! E como a Páscoa calhou em Abril, as pessoas fizeram as compras de Páscoa em Março, arruinando, assim, a nossa tão promissora economia. É que, segundo aquela brilhante mulher, se a Páscoa tivesse sido em Março, as pessoas teriam feito as compras em Fevereiro e a economia teria florescido em todo o seu esplendor.

Triste país este, tão atacadinho de todos os lados! Ou é o mau tempo, ou é o Coelhinho da Páscoa, está tudo contra nós…

Nem a Nossa Senhora de Fátima nos salva desta cambada hedionda que se colou às cadeiras do poder, qual lapa mijona atracada às rochas.

1969-2014

1969-2014
Ninguém gosta de ser interrompido numa Universidade… e isso vê-se na expressão…

Passos Coelho tem a solução para a crise

target

Consiste em fazer tiro contra os portugueses. Menos pensionistas, menos doentes, menos alunos, menos funcionários públicos, menos tudo o que dê despesa. A estes é dada a hipótese de emigrarem, assim escapando ao balázio. Portanto, com liberdade de escolha, não se belisca a constituição. Se por acaso o Tribunal Constitucional chumbar esta solução, ter-se-á que aumentar os impostos. Mas isto não é uma ameaça. É uma certeza.

3 compassos

Maria Helena Loureiro

Lucien Freud
#1 Ao longe, vejo as pombas. Depenicam com afinco uma mancha bordeaux, mesmo ao virar da esquina. Ao pé, verifico que são os restos do que muito provavelmente começou por ser chop suey (galinha? vaca? peixe?). Fecho os olhos e concentro-me em tudo o que há em mim de ‘anal repressiva’. Resulta.

#2 A esplanada do café ao fundo da rua que fica ao fundo da minha rua, habitualmente frequentada, a esta hora, pelas prostitutas minhas vizinhas a despegar ou a pegar está, hoje, cheia de peregrinos. Uns sentados nas mesas, outros deitados no passeio. Mais de metade com cachecóis do Benfica. Finalmente percebo o ano futebolístico.

#3 “… quero ser bem enrabado, quero ser muito bem fodido: sou filho de uma ganda puta e de um pai desconhecido” guincha um grupo de cachopos fardados de estudantes, delirantes de vinho e falta de sono.

Chego à paragem. De repente lembro-me de que é sexta-feira. Mais 8 horas e “escapo-me para a vida”…

Boa malha

o essencial do grande lobby friedmaniano a favor do cheque para escolher a escola da sua fé e credo é absolutamente contra o apoio do tipo cheque alimentar para os mais desfavorecidos da sociedade, porque diz que eles assim se habituam e ficam uns parasitas sociais.

Paulo Guinote

Devolvam a exclamação ao Tó Zé

António José Seguro juntou-se à campanha #bringbackourgirls, coisa que eu até poderia aplaudir se a idade não começasse a fazer de mim cínica e, a quinze dias de ir às urnas, eleitor escaldado até de água gelada se escapa.

Na sua página do facebook, o Tó Zé aparece a escrever um cartaz e, num daqueles arrebatos violentos que às vezes lhe dão, remata a frase com um enérgico, resoluto, indignado ponto de exclamação: Bring back our girls!

Mas quando levanta o cartaz para a câmara, pasme-se, o ponto de exclamação foi substituído por um discreto, contemporizador ponto final.

Das duas uma, ou não foi ele a escrever o cartaz (já sabemos que o inglês não é o forte dos líderes socialistas) ou alguém lhe disse para amainar, que a Nigéria é longe e também não vale a pena gastar fúrias com umas moças que a, bem dizer, nem vão poder votar.

Mais uma abstenção violenta, coitado. Não tarde nada ganha uma úlcera.

O futuro será não-violento ou não será

Inspirada na metodologia da não-violência de Gandhi, a associação Ekta Parishad luta pelo direito à terra e aos recursos naturais de milhões de indianos. Candidatos ao Nobel 2014, desafiam o mundo a escolher uma economia não-violenta.

Será mesmo assim tão simples?

question-mark

Fiquei hoje a conhecer a história de Manuel Macedo, empresário português e antigo activista dos direitos da Indonésia em Timor-Leste, que pretende processar Portugal em 4,8 milhões de euros no Tribunal Europeu, por este (Portugal) ter sido negligente ao ponto de deixar prescrever um processo de fraude fiscal, avaliado em 6,7 milhões de euros, no qual Manuel Macedo era o principal arguido. Ah país safado! Já não te bastava ser gastador, preguiçoso e irresponsável, e agora ainda te dá para moda das prescrições?

Em declarações na sua página de Facebook, Manuel Macedo afirma em sua defesa que “o ladrão é o M. P. que deixou prescrever o processo e me meteu 6.7 milhões no bolso“. Trata-se de mais uma vítima da morosidade e inoperância da justiça portuguesa. Apesar de estar disposto a colaborar com Portugal – “Se mos tivesse exigido a tempo, eu tê-los-ia pago” – o senhor Macedo optou por deixar os seus (nossos?) euros no Luxemburgo. Mas este exemplar cidadão não se fica por aqui e ainda manifesta o seu “apoio” a um outro cidadão para que apresente queixa à PGR por este ultraje. Foram 12 anos à espera. É tempo de fazer justiça.

(…)

?

Orgasmos

orgasm-bike

a alta velocidade é na bicla.

Passos Coelho, o deputado empreendedor

passos-e-mendes

A revista Sábado publicou uma  entrevista ao ex-patrão de Passos Coelho na Tecnoforma, Fernando Madeira de seu nome, onde se revela como o actual primeiro-ministro, então deputado em exclusividade de funções, chegou a utilizar o parlamento para reuniões de negócios. Não confessa ter-lhe pago, o que terá sido crime, mas nem a Madre Teresa de Calcutá era assim tão generosa  no seu voluntariado.

Fica aqui a entrevista (ficheiro pdf). O escândalo nem é o conteúdo, já o país percebeu que para Pedro Passos Coelho leis, república e ética são o chão que pisa. Vergonha é que isto não abriu nenhum telejornal, não teve desenvolvimentos, ninguém perguntou onde anda o Ministério Público. E aqui chegados, desta vez digo eu que tivesse tal sucedido com Sócrates outro chinfrim cantaria. Eu, que publiquei aqui mesmo uma outros materiais de imprensa dedicados ao anterior primeiro-ministro, repito a dose para este.

Esse é o escândalo a que chegámos, que só se pode entender pelos interesses dos proprietários da comunicação social que temos, pela irónica liberdade de imprensa com quem vivemos.

Manifesto para uma União Política do Euro

liberte_sanscadre

«A União Europeia atravessa uma crise existencial, tal como no-lo lembrarão muito em breve e de forma inequívoca as eleições europeias. O facto afecta de forma especial os países da zona euro, mergulhados num clima de desconfiança e numa crise da dívida pública que está muito longe do seu termo, enquanto o desemprego persiste e a deflação espreita. Seria completamente errado pensar que o pior já ficou para trás.

Eis porque acolhemos com o maior interesse as propostas formuladas no final de 2013 pelos nossos amigos alemães do grupo de Glienicke visando um reforço da união política e orçamental dos países da zona euro. Estamos cientes de que os nossos dois países [Alemanha e França] terão um peso cada vez mais relativo no contexto da actual economia global. Se não nos unirmos a tempo de levar o nosso modelo de sociedade para a globalização, a tentação do fechamento nacionalista acabará sem dúvida por vingar, provocando frustrações e tensões que, por comparação, farão as dificuldades da união parecer coisa pouca.

A reflexão europeia está nalguns aspectos muito mais avançada na Alemanha do que em França. Economistas, políticos, jornalistas, e antes de mais cidadãos e cidadãs europeus, não aceitamos a resignação que actualmente paralisa o nosso país. A partir desta tribuna, queremos contribuir para o debate sobre o futuro democrático da Europa, levando mais longe ainda as propostas do grupo de Glienicke.

Zona euro: uma indefinição insustentável
É tempo de reconhecê-lo: as actuais instituições europeias são disfuncionais e devem ser repensadas. O que está em jogo é simples: é preciso que a democracia e o poder público possam retomar o controlo da situação, a fim de regular eficazmente o capitalismo financeiro globalizado do século XXI, e de tornar exequíveis as políticas de progresso social que hoje em dia estão cruelmente ausentes da vida dos europeus. [Read more…]

Se o Alcino sai, a rua pára

Já tinha ouvido falar no Alcino, no café, na mercearia, em conversas de rua. “Então, viste o Alcino?”, perguntavam-se uns aos outros. “O Alcino tem andado fugido”, dizia outro.” “Ontem vi o Alcino, lá ia todo lampeiro”.

A rua inteira parecia conhecer o Alcino, mas eu, recém-chegado ao bairro, não fazia ideia de quem pudesse ser.
Levava pouco mais de uma semana no escritório quando o chefe mandou encerrar a varanda onde fumávamos. Transformou o espaço aberto numa marquise com caixilharia de alumínio e instalou ali uma sala de estar para ele. Começámos a descer à rua para fumar, cinco minutos de manhã, outros cinco minutos à tarde.

No escritório, a maioria protestou, ter de apanhar chuva e sol, correntes de ar, ter de descer e subir escadas, que o elevador só funcionava quando queria, para um miserável intervalo de cinco minutos. Mas a varanda dava para as traseiras dos outros prédios, víamos os mesmos miseráveis cinco minutos de outros como nós, ou a dona de casa que estendia as peúgas do marido, e aquilo sabia-me a pátio de cadeia, sem sequer poder dar uma voltinha completa.

[Read more…]

Saída à irlandesa

Philippe Legrain, antigo conselheiro da Comissão Europeia, acusa a UE: “Os irlandeses foram intimidados e tratados de forma ultrajante durante a crise.” (link em inglês)

Escândalo em Ponte de Lima

governo

Imagens do governo exibidas na via pública.

Antologia do disparate contemporâneo

ritacoelho

a professora da Universidade Católica Rita Coelho do Vale acredita que da turbulência saiu um consumidor melhor. “Mais racional, menos sensível ao aumento do ego e à compra em função da marca, com quase orgulho em ser racional.
Quem não perdeu rendimentos tem, hoje, vergonha no acto do consumo desmesurado”, defende. Os portugueses, diz, “chegaram ao limite do espartanismo” – in Público.

Espartanismo? ah! sim, sodomização.

 

Sem novidades. A intenção é mentir.

Passos diz que carta de
intenções a enviar ao FMI
não terá novidades

O efeito perverso da penalização das drogas.

Há muito que acredito que as proibições têm sempre um efeito contrário ao objectivo pretendido. Vale a pena ver este vídeo.

[Read more…]

Asas pelo ar

f16O governo português, informou Aguiar Branco, esticando o pescoço e fazendo peito para dar um ar marcial, vai mandar uma esquadrilha de F16 para patrulhar os céus dos países bálticos. Eu sei que a NATO, ultimamente, tem tido o comportamento dos agressores juvenis descerebrados ( Obama conseguiu, sobre o tema, fazer o discurso mais imaturo e burro que já ouvi de um presidente norte-americano – não, não me esqueci de G.W. Bush), mas este feliz evento (Portugal já vai à guerra/ Com uma data de aviões/ Que custaram mil milhões/ Mas que ladrões – inspirei-me em Juca Chaves…) mostra que, não só saímos da crise, como saímos ricos e em grande! E com o sentido de prioridades dos sábios. Tremei, bárbaros do Leste, que agora é connosco!!
Nota: já agora, tanto quanto sei, um F16 custa mais que cem milhões de euros (leram bem, + de 100 000 000 00, fazendo as contas pelo preço – em 2ª mão – de há anos, que era de vinte milhões de contos) e custa por hora no ar centenas de pensões de reforma. Pensem nisso quando os canalhas, de ar compungido, vos falarem na necessidade de austeridade já que “vivemos acima das nossas possibilidades”.

O próximo capítulo

Ricardo Paes Mamede explica onde entrámos agora:

Assumindo que o crescimento económico recupera nos próximos anos para os níveis previstos pelo governo, pelo Banco de Portugal e pelas instituições internacionais (OCDE, FMI, Comissão Europeia, etc.), o Estado português terá de escolher duas das três seguintes opções:

(1) cumprir do Tratado Orçamental;
(2) pagar a dívida pública nos termos actualmente previstos;
(3) preservar um Estado Social típico de uma sociedade desenvolvida.

como também escreveu no Ladrão de Bicicletas.  Adivinhem qual a opção de Coelho, de que prescinde Portas ou o que fará Seguro.

O abre-portas

O antigo patrão de Passos Coelho diz que ele abria “todas” as portas para os negócios.