Eles que habitam nas paredes (4)
O princípio da incerteza
Ou o fim? No porão os ratos (muitos, muitos!) remexem-se aflitos, o velho navio afunda-se, o País vai mesmo mudar, e para muitos acabou. Resta saber quanto mudará, e sobretudo como, com que custos para o povo, com que Governo (Rui Vilar?), com que orçamento para 2013, com que resultados depois das eleições de 2014 (quem? que esquerda? que líder?) No Aventar, traduzimos o relatório do FMI: queremos compreender, com as palavras da nossa Língua. Está quase. Não será a bíblia do Governo, como disse já Passos Coelho (a do povo português não é certamente), mas muito do que vai ser levado a cabo no País (falando da sua condição de Estado-membro da UE, sob assistência financeira e soberania condicionada) desenha-se por lá. A parte relativa à equidade intergeracional levanta muitas questões – para além da linguagem paternalista e culpabilizadora dirigida às actuais gerações de pensionistas. Mas também a despesa com a Saúde e com a Educação dos portugueses é matéria de análise – sempre com o objectivo de reduzi-la, claro. A publicação deste relatório (feito por um credor do Estado, não deixa de ser irónico) marca claramente o fim de um ciclo longo. Resta saber que país vamos ter, quando à austeridade brutal (para pagar, designadamente, as heranças criminosas da corrupção financeira endémica) se acrescentarem as reformas.
Exercício de cidadania
Desconfio que nem 24h vão ser precisas para termos o relatório do FMI traduzido. Obrigado.
Cavaco e o Tribunal Constitucional
Leituras de fim-de-semana
As minhas leituras de fim-de-semana começam à sexta. Reservo esses dias como tempo livre, logo para leituras não tão sérias, deixo-me levar ao ritmo dos faits-divers. O que não quer dizer que sejam menos importantes do que os alegadamente assuntos mais sérios… Ou que mereçam menos reflexão!
Do que já li hoje, por entre citações, notícias e outros lugares-comuns, respigo estas: [Read more…]
Da série ai aguenta, aguenta (19)
Blogs do ano 2012 – votação suspensa
Anunciamos a suspensão deste concurso, que reabrirá 2º feira, adiantando-se todas as datas uma semana.
Porquê? por um erro crasso da nossa parte. Ao permitirmos inscrições após o início da votação não contávamos com um número tão elevado. Por isso tentámos um procedimento automático de cópia das nossas inscrições.
Como a pressão para rapidamente colocar os inscritos nas votações não deixou tempo para testes extensivos, surgiram alguns problemas: desapareceram os links dos blogs que já estavam a votos. Ora o principal objectivo deste concurso é precisamente divulgar os blogs que se vão fazendo em Portugal. Não encontrando solução automática para isto, só nos resta refazer tudo no próximo domingo, além de obviamente pedir desculpa pelo sucedido. Até lá nada impede que se façam novas inscrições, que estão reabertas na página respectiva.
Por outro lado deveríamos ter comunicado por mail o método de votação a todos os concorrentes, de forma a que fiquem em igualdade de circunstâncias.
Optámos, após a experiência do ano passado, por permitir que cada endereço IP (não confundir com cada computador, digamos que se trata antes de cada ligação à net) possa votar de 24 em 24h. Porquê? porque é relativamente fácil mudar de endereço de IP. Isso permitia a alguns “expertos” votarem muito mais vezes, prejudicando quem honestamente não o fazia. Não sendo um sistema perfeito, foi a solução menos má que encontrámos. Assim, quem divulga a votação no seu blog pode e deve informar os seus leitores desta possibilidade.
Entretanto comprometemo-nos a contabilizar os votos que já tinham sido expressos, mesmo que tenha de ser feito de forma manual.
Relatório do FMI: tradução colaborativa
Trabalho concluído
Nos últimos dias, a opinião pública foi confrontada com a existência de um relatório elaborado por técnicos da FMI. Esse mesmo relatório poderá vir a servir de base a muitas decisões governamentais que terão implicações na vida dos portugueses. Indepententemente de se concordar com o seu conteúdo, é inaceitável que a única versão disponível esteja em inglês.
Para que todos os cidadãos possam aceder directamente ao conteúdo do relatório, o Aventar, tal como já havia feito com o Memorando da Troika, disponibiliza este espaço cívico e blogosférico, a fim de que os interessados possam contribuir para uma tradução abolutamente necessária. Se muitos traduzirem um pouco, será fácil.
Pode consultar aqui a versão final da tradução do Relatório do FMI.
A seguir mantemos o trabalho original de tradução, não revisto. Por favor consulte a versão final na ligação acima.
Dinheiro do BANIF (II)
O Governo vai meter 1100 milhões de euros no BANIF. O salário mínimo nacional é de 482 euros. O que vão dar aos ladrões daria para pagar 2268041 de meses do salário mínimo ou seja, pagaria a 189003 pessoas o salário mínimo durante um ano…
Governo/FMI ao Parlamento
Relatório FMI já estava nas mãos do Governo em Dezembro. Bloco de Esquerda exige presença dos seus redactores na AR.
Dinheiro do Banif (I)
O Governo vai meter 1100 milhões de euros no BANIF. Um professor contratado ganha, brutos, 1373 euros. O que vão dar aos ladrões pagariam os salários de 66763 professores durante um ano.
Acordo ortográfico: Carlos Reis e os decibéis
A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) decidiu continuar a utilizar aquilo a que chama “norma ortográfica antiga” em toda a sua documentação escrita, “uma vez que o Conselho de Administração considera que este assunto não foi convenientemente resolvido e se encontra longe de estar esclarecido, sobretudo depois de o Brasil ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o Acordo Ortográfico e de Angola ter assumido publicamente uma posição contra a entrada em vigor do Acordo.”
Chamado a comentar esta decisão, Carlos Reis, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e defensor feroz do chamado acordo ortográfico (AO90), começa por declarar que, ao contrário do que afirma o site da SPA, “o Brasil não adiou uma decisão final sobre o AO, o que fez foi prolongar por mais algum tempo o período de transição até à sua aplicação obrigatória”, o que é, pelo menos, uma verdade incompleta, porque há vida para além dos decretos e basta reler as declarações do senador Cyro Miranda e do Movimento Acordar Melhor para perceber que este adiamento poderá servir para introduzir alterações no AO90 conducentes a um aprofundamento da simplificação ortográfica. [Read more…]
Já cá faltava
“E não haverá aí uma culpa colectiva?” perguntou Mário Crespo a José Gil. Crespo bem tentou levar a água ao seu moinho caduco mas Gil não vergou. Para ver mais logo na SIC-N online.
Austeridade + reformas
= morte do povo português. “Uma aberração”, segundo José Gil. “Restitua-se a energia ao povo”, pediu o filósofo esta noite na SIC-N.
Um governo de cobardes deslumbrados
Como já aconteceu com o Memorando da Troika e volta a acontecer com o Relatório-parece-que-do-FMI, os governos portugueses não estão para perder tempo a mandar traduzir os documentos em que vão basear as políticas com que mimosearão os portugueses. Com o Memorando, foi preciso a sociedade civil, sob a forma deste vosso blogue, fazer o trabalho que cabia ao governo de então. Nada de novo, que isto da política só serve para que uns mandem e outros obedeçam, ficando os primeiros com o exclusivo do duro trabalho intelectual, produzindo ideias que os segundos, devidamente providos de ferraduras, não poderiam alcançar. E sempre se evitam uns coices.
Quando soube que havia um relatório do FMI em que se repetia tudo aquilo que os membros do governo defendem, concluí, facilmente, que se tratava de uma encomenda típica dos cobardes deslumbrados que nos governam há anos, que precisam de pagar a estrangeiros para que escrevam em língua estrangeira a preconização das medidas que os ditos cobardes deslumbrados querem aplicar ao País. Assim, os cobardes deslumbrados podem exercitar a cobardia, alijando as responsabilidades das medidas que irão aplicar, e podem estourar de deslumbramento, porque qualquer parolo que se preze adora ver a sua actividade caucionada por documentos escritos em inglês. [Read more…]
Sexo não consentido, mentiras e o relatório da Goldman Sachs
Ao abrir o documento que ontem apareceu, na parte respeitante à educação, dei com citações de dois relatórios (do Tribunal de Conta um, o outro de uma comissão nomeada por este governo), ambos conclusivos quanto ao magno problema dos custos do ensino público versus ensino privado que o estado paga. Leram mas concluem o contrário. Ainda passei os olhos por mais umas linhas, vomitando perante uma panfletagem ideológica sobre a dita liberdade escolha de escola (na realidade uma ditadura de separação de desejáveis dos indesejáveis e de mais negócios obscuros a serem pagos com os nossos impostos), a tanga da autonomia e a treta habitual de citar a Holanda (onde o ensino é todo privado mas as escolas não podem pertencer a entidades com fins lucrativos). Querem ver que o Ramiro Marques já é consultor do FMI? assustei-me. [Read more…]
Diz que não é um BPN
Ontem à noite na SIC-N, Jorge Tomé, presidente executivo do BANIF, ex-CGD, disse que o BANIF não é o BPN, e que os contribuintes não ficam a perder.
O relatório do FMI em poucas palavras
A palavra History surge apenas e somente fazendo referência ao historial contributivo. Democracy aparece uma única vez (!) e remetida para uma nota de rodapé relativa a uma tese norte-americana de 1962 sobre democracias constitucionais. Já politics e as suas derivações pode ser encontrada apenas 6 vezes no documento, enquanto que a palavra Constitution e familiares próximas surge quase sempre apensa ou muito próxima da palavra constrangimento.
A Myriam Zaluar vai ser julgada hoje
A Myriam Zaluar começa hoje a ser julgada em Lisboa. Está acusada do crime de desobediência qualificada. Em Março de 2012, a Myriam foi identificada pela PSP quando tentava, juntamente com mais três pessoas, fazer uma inscrição colectiva de desempregados no Centro de Emprego do Conde Redondo, “um acto simbólico que pretendia chamar a atenção para a mentira dos números sobre desemprego em Portugal”.
A partir daí o processo desenrolou-se (mais mais rapidamente do que tantos outros, que envolvem crimes de verdade) e chega hoje à barra do Tribunal.
Percebi, nos últimos dias, que a maioria das pessoas desconhece esta história. Como desconhece muito do que está a acontecer neste país, aparentemente livre. À medida que os jornais vão despedindo os jornalistas, a realidade serve-se fria. Por isso, espalhem a notícia! É preciso contar a toda a gente o que anda a acontecer. Foi com a Myriam, poderia ser com cada um de nós.

















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