As balas que são precisas para matar um só homem
Se a polícia americana queria mesmo matar o homem – se teve mesmo necessidade de o fazer – um só homem ( sem-abrigo com problemas do fôro psicológico), uma só bala teria sido suficiente. Mas não. Ao jeito americano, hollywoodesco, foram disparadas 46 balas sobre uma só criatura. Seis agentes, um só homem.
Tanto ódio, tanto fundamentalismo. Gente doente.
Cecília, a restauradora por amor
Cecília, 80 anos, sentava-se dia após dia num dos bancos da capela de Borja (Saragoça). Depois de muito olhar e pensar no seu Cristo «deformado» e mal tratado pelo tempo mas, sobretudo, pelos homens, decidiu fazer, ela própria, o restauro devido. «Já que ninguém toma a iniciativa…», terá pensado. Mas repare-se que Cecília não quis a coroa de espinhos no seu Cristo.
Graças a esta mulher, que com certeza ignorava até agora o nome desse Elias, não o profeta, mas o pintor do Cristo que revitalizou, os turistas vão querer conhecer a obra de Elías García Martínez (1858-1934). Segundo li, “esta semana, porém, esse Cristo tornou-se a pintura mais famosa do mundo…”.
O jornalista do DN, Ferreira Fernandes, escreveu que a «velhinha salvou o pintor». Mas eu acho que Cecília salvou o seu Senhor, embora, claro, tenha destruído a obra. Mas há males que vêm por bem: deu visibilidade ao autor do fresco!
Não a culpem por restaurar por amor e não pela arte!! Ela quer lá saber disso!!
RSI – rendimento social de inveja?
O CDS-PP fez do rendimento mínimo (agora chamado de rendimento social de inserção) uma bandeira.
E, se me permitem o abuso, caras e caros leitores, antes de continuar a mostrar a demagogia da velha direita, sugiro uma visita ao site da segurança social para ficar a saber mais sobre os 189 € / mês que os malandros recebem.
Paulo Portas, a cara da velha direita, não tem qualquer problema em se chegar à frente nas críticas ao RSI. Muitas delas, justas, mas como em quase tudo, o problema não está no conceito, mas na sua aplicação. Esta forma de apoio social é fundamental para que algumas pessoas, em situação de exclusão total consigam ter o que comer. E, quanto a isso, não vejo qualquer problema. Há abusos? Claro que sim. Então que se garantam as condições para que a fiscalização seja eficaz.
Mas, vamos a contas: na contabilidade do CDS foram depositados 1.060.250 euros, isto é, mais de 56 mil meses de RSI. Nas contas do Ministro, em média o RSI teve a duração de 22 meses. Fazendo as contas, os depósitos do CDS dariam para 2549 pessoas receberem o RSI durante 22 meses.
Os últimos dados indicam que há 330 mil pessoas a receber RSI, o que daria, se todos recebessem o valor máximo, qualquer coisa como 62 milhões de despesa mensal para o estado.
A despesa com o BPN corresponde a quantos meses de RSI? A mais de sete anos completos. [Read more…]
As fotografias do Príncipe Harry nu
O tipo tem piada. Temos que reconhecer que ele dá alma à coisa.
Desta vez, de férias nos States, divertiu-se com os amigos. Ou antes, com as amigas e parece que há por aí fotos de Sua Alteza sem roupa.
Confesso que tenho muitas dúvidas sobre a publicação deste tipo de imagens, do foro privado, por jornais como o Público ou como o Diário de Notícias.
Não me parece que seja pública uma dimensão claramente privada da vida de alguém que é, sem dúvida, uma figura pública. Uma coisa é alguém, intencionalmente, mostrar algo mais do que a sua dimensão pública, como fez a Nicole Kidman. Outra coisa bem diferente é o uso deste tipo de imagens do Harry que se limita a viver a vida.
A TROIKA da Sporttv
Não há nada como o Estado para resolver o problema das empresas privadas.
Professores sem férias
O ano de 2012 e o verão em especial ficarão na memória de todos os professores, dos mais novos, aos mais velhos,
passando pelos que já não são nem uma coisa nem outra. Pelas características da organização do ano lectivo, em particular devido ao serviço de exames, as férias são uma realidade que só existe no mês de agosto para boa parte dos docentes.
Até aqui nada de anormal, não fosse o facto do patrão se lembrar de concentrar neste mês o processo de concursos, tornando as férias um pesadelo.
Depois das brutal trapalhada do concurso dos professores com horário zero, são ainda mais de cinco mil os professores dos quadros que a duas semanas do arranque do trabalho ainda não sabem onde vão trabalhar. Serão ainda mais os que conhecem a escola, mas não sabem o que vão fazer porque estão na posse de uma só certeza: não vão ter alunos para ensinar.
Como refere a FENPROF, há dez mil professores dos quadros com futuro incerto. Que país é este que se dá ao luxo de dispensar profissionais qualificados deste modo?
Mas há mais. [Read more…]
O meu movimento
Aí está a segunda oportunidade de conseguir falar com o Pedro Passos Coelho.
Reconheço que há coisas mais interessantes para fazer, nomeadamente em férias, mas entendo o aproveitamento legítimo da cobertura mediática que este tipo de iniciativas acaba sempre por ter.
A inutilidade deste processo está comprovada no que resultou do movimento vencedor do ano passado – nada!
De qualquer forma e por uma questão de visibilidade entendo a opção por criar um movimento. Já lá fui e vá votei.
What You see Might Not Be Real

Chen Wenling, What You see Might Not Be Real, 2009 [Read more…]
Bandex: Obama, eles não são Portugal nem Greece
Eles fazem, depois não são, eles continuam, eles deixam estar, república e democraticamente.
Nuno Crato quer aumentar o ensino profissional
E para começar, acaba com ele.
As escola públicas tiveram este ano uma redução brutal (em muitos casos superior a 50%) nas autorizações para abrir cursos CEF e cursos Profissionais, algo já escrito no aventar há uns dias.
Os cursos CEF, são na sua maioria, cursos para os alunos que terminam o 2ºciclo do ensino básico (6ºano) e com uma história de algum insucesso. Muitos com problemas de comportamento e que encontram nesta solução dos Cursos de Educação e Formação uma boa possibilidade de fazer o 9ºano, ainda por cima num curso que dura dois.
Os profissionais (ensino secundário) eram uma sequência natural dos CEF, sendo que recebiam outro tipo de alunos também. A rede pública que oferece estes cursos é constituída pelas escolas secundárias, pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional e pela rede privada de escolas profissionais. O site da ANQEP explica tudo.
Ora, neste contexto as afirmações de Nuno Crato são absolutamente vazias de conteúdo real e completamente cheias de complexos ideológicos e de lugares comuns: o povo diz que é preciso gente que consiga apertar um parafuso ou colocar um cano e logo a direita mais atrasada corre para os braços das soluções anteriores ao 25 de abril. Esquecem-se de duas coisas:
– quem está na escola hoje e quem estava na escola nessa altura.
– a natureza do mercado laboral de hoje, comparado com o mercado laboral de então.
E levando a discussão para o plano educativo, reitero um argumento já apresentado e que se relaciona com a possibilidade dos alunos passarem de uma via para outra, algo a que chamei, o problema dos alunos.
O desemprego dos professores é uma opção*
O debate em torno do emprego, ou da sua ausência deverá estar no centro das preocupações do nosso país, até porque o
trabalho é um elemento estruturante da condição humana. Não surpreende, por isso o debate nas páginas do PÚBLICO sobre o emprego docente e dos milhares de professores que poderão ficar sem colocação no início de Setembro.
José Carvalho (Professor e Investigador de História), na linha de argumentação de José Manuel Fernandes refere que há um elemento essencial esquecido por quase todos: “há menos alunos nas nossas escolas.” Aliás, linha de argumentação é um eufemismo tal a coincidência das palavras escolhidas por Carvalho, depois do texto original de Manuel Fernandes.
Sobre o ponto apontado como fundamental – escassez de alunos, tal referência deveria ser mais verdadeira, mas os números são isso mesmo, números. Poderiamos por exemplo escrever, citando dados do MEC, que em 2005/2006 estavam no sistema educativo 1 347 456 alunos e em 2008/2009 esse número tinha crescido para 1 525 420. E no que ao pessoal docente diz respeito, os dados igualmente disponíveis no site do Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação, mostram números diferentes dos referidos por José Carvalho.
Mas vamos assumir que o Investigador José Carvalho tem razão até porque a taxa de natalidade é o que é, ainda que o Público tenha noticiado (26-12-2011) que nem sempre o que parece é. [Read more…]
Mais estudantes de ciências no Reino Unido
Parece que nem tudo é fumo e espelhos no ex-império (em inglês)…
A primeira cidade portuguesa contra as touradas, teve uma tourada nas festas da cidade
ornatos violeta, capitão romance
capitão romance foi o segundo single do álbum de 1999 dos ornatos violeta, “o monstro precisa de amigos”.
esta música conta também com a voz de gordon gano, vocalista dos violent femmes que viajou até portugal para cantar em portugues com a banda portuense.
Rui Miguel Duarte sobre o acordo ortográfico: a razão das raízes
Rui Miguel Duarte é Doutorado em Literatura, investigador do Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e poeta. Tais habilitações merecem, no mínimo, que as suas opiniões sobre a língua portuguesa devam ser lidas com atenção. [Read more…]
Infante D. Henrique – O Navegador
Apesar de realizado no âmbito do triste concurso dos Grandes Portugueses, ganho, relembre-se, pelo não menos triste Salazar, há partes deste documentário que são aproveitáveis para discorrer sobre o Infante D. Henrique. É uma questão de fazer a montagem respectiva.
Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI.
Unidade 5.1. – A Abertura ao Mundo
A Happy Woman menos feliz
A Happy Woman foi a revista de moda com a maior queda de vendas em Portugal, embora continue a ser a mais vendida.
São mais de 18 mil mulheres as que deixaram de comprar revistas de moda em Portugal. A ‘Vogue’ foi a única a subir.
Outras viram-se obrigadas a fechar.
Pelo contrário, na China, as revistas de moda são fenómeno. Este país é um “autêntico paraíso para o mercado do luxo e as revistas de moda”.
As portuguesas estão a poupar no supérfulo, claro, enquanto “que a maioria das chinesas está a sair da pobreza para a classe média e alta (…)”.
Tudo ao contrário… uns a sair outros a entrar na pobreza.
«Aprenda a ler o destino na palma das mãos»; «Os novos medos que nos estão a dominar»; «As despedidas de solteiro que eles escondem»; O meu signo»; «Venha a um leilão de escravos»; «Envolvi-me com o meu psicólogo»; «Demos a exprimentar os melhores sex toys», as promessas da Happy Woman para este mês por apenas 2,50€!
A Grécia e Portugal: uma crise em dois casos da geopolítica (1)
O título do post, resume o conteúdo. Obcecados alguns dos Estados europeus com as suas astronómicas dívidas, correm sérios rumores que parecem garantir a existência de um chamado Plano B para a sobrevivência do Euro. Num artigo (ver abaixo, na íntegra), The Economist longamente apresenta os dois cenários possíveis, entre os quais uma expulsão em massa satisfaria as necessidades imediatas dos países do chamado núcleo duro da moeda única. Persistindo no erro que tem varrido a Europa na última década, a leitura do artigo apenas nos apresenta aspectos relacionados com a dívida e finanças, pouco falando de economia e totalmente ignorando aquele aspecto fundamental e hoje em dia inatingível pelas cúpulas dirigentes europeias: a política.
Para o que mais nos importa de imediato, apresentemos então dois casos bastante distintos como a Grécia e Portugal. Não nos referindo especificamente às agruras e misérias da dívida, salientamos então os ignorados aspectos políticos que a situação geográfica destes dois Estados implicam.
1. A Grécia.
A situação parece ser insolúvel e de quase certeiro vaticinar de falência do todo. Por mais planos e cabazes de dinheiro vertidos nos cofres de Atenas, o resultado parece ser aquele que todos há muito adivinharam. Os gregos não percebem a austeridade, não a aceitam, nem estão dispostos a deixar para trás os sonhos de telenovela dos últimos vinte e cinco anos. Simplesmente, as condições políticas da Grécia impelem à rejeição de qualquer modelo de austeridade e a Europa deveria ter em conta o conturbado século passado, onde uma guerra civil por quase todos os estrangeiros esquecida ou minimizada, serve ainda como pano de fundo ao confronto das várias famílias políticas daquele país balcânico. Para agravar a situação, a ascensão turca e o incontido desejo do restaurar de uma hegemonia perdida, coloca a Grécia numa posição central na luta pelo domínio regional. Sendo um membro da NATO , o país dos helenos foi ao longo das décadas da Guerra Fria, um dos pilares do controlo ocidental – leia-se norte-americano – do acesso russo ao Mediterrâneo e Médio Oriente, garantindo uma longa hegemonia da Aliança Atlântica e aquele indisfarçável sentimento de cerco de que o poderosamente armado regime soviético de forma inglória se queixava.
Reflexão de fim de férias
A magistratura esteve no seu melhor com o veredicto das Pussy Riot.
Hoje, como sempre, está mais uma vez demonstrado que é aos advogados que compete estar na linha da frente na defesa dos direitos humanos, contra a incompetência, contra a corrupção, e contra os mecanismos que os Estados utilizam para defesa desses “valores”. A luta é dura e valerá muitos processos crime do tipo Pussy Riot a quem está na linha da frente. Mas temos que honrar a História da Advocacia, e só o conseguiremos fazer se encararmos o accionamento de meios repressivos contra o nosso trabalho como medalhas de mérito vindas de quem mais nos honra: os inimigos de um Portugal moderno e democrático. Em última instância, teremos sempre o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos para fazer verdadeira justiça, o que sempre dá algum conforto.












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