António Costa numa atitude arrogante de quero, posso e mando, afirmou que a vontade do governo irá prevalecer, indiferente aos interesses dos particulares que legitimamente adquiriram a TAP. Assim de repente, eliminadas que foram as golden-share, quer-me parecer que só pode estar a ameaçar com a nacionalização da empresa, esquecendo que as regras comunitárias impedem a capitalização estatal da empresa, os actuais accionistas já investiram no pressuposto que detêm o controlo accionista, pelo que reverter o processo implicará forçosamente pesadas indemnizações. Pela via negocial o facto do governo PS estar refém da frente de esquerda, fragiliza-o nas negociações. De uma ou outra forma o elefante branco irá continuar a sair bem caro aos contribuintes…
Cuidado com os bolsos… II
Cuidado com os bolsos…
Em 2000 um governo socialista presidido por António Guterres, do qual fazia parte o actual Primeiro-Ministro aprovou em Conselho de Ministros a venda da TAP. O processo havia sido iniciado no governo anterior, o primeiro de António Guterres, processo conduzido pelo então ministro do equipamento João Cravinho. Sucessivos governos liderados por Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates mantiveram a intenção que por diversas razões não conseguiram finalizar até que o anterior de Passos Coelho já em fim de mandato, na que foi talvez uma das suas melhores decisões políticas, consumou a venda. Foi ainda pela mão do governo PS que a companhia aérea contratou Fernando Pinto, um gestor contratado no Brasil auferindo salários muito acima da média nacional, com a intenção de restruturar e valorizar a empresa. [Read more…]
A politiquice do costume…
O jogo político não me interessa rigorosamente nada, não simpatizava com o anterior governo que demagogicamente falava em reformas estruturais mas cuja criatividade apenas serviu para aumentar as receitas do Estado à custa dos escravos do costume, através do aumento de impostos. Por isso não votei nas últimas Legislativas. Ainda é cedo para perceber o que nos reserva o actual governo, o momento mais importante será o O.E. 2016, mas alguns sinais não podem deixar o contribuinte tranquilo.
Refém dos partidos à sua esquerda, a reversão da concessão dos transportes públicos de Lisboa e Porto significa manter a coutada do PCP através da CGTP, sua guarda pretoriana, como ficou demonstrado no recente episódio de convocação e desconvocação de greve no Metro de Lisboa. Sem prejuízo de concordar que o processo conduzido pelo anterior governo feito à pressa, deixa muito a desejar, para não adjectivar mais quem já saiu de funções. Na TAP o caso parece ser mais bicudo, mas porque até agora apenas vi retórica da parte do governo, afirmar que pretende manter controlo público sem dizer como o vai fazer, ou anunciar que irá negociar com os accionistas podem ser apenas para inglês (leia-se BE e PCP) ver… Ou um colossal disparate, o futuro o dirá e nessa altura discutiremos. [Read more…]
António Costa tenciona cumprir alguma promessa?
PàF contra PàF

Ora deixa cá ver se entendi bem: quando há umas semanas se discutia o programa da coligação PSD/CDS-PP, que se sabia de antemão que seria chumbado, a direita parlamentar criticou António Costa por não ter participado no primeiro dia de debate e por se ter resguardado para o segundo dia, acusando-o de cobardia e de fugir ao confronto de ideias. Hoje, no primeiro de dois dias em que se discute o programa do PS apoiado pelos partidos de esquerda, Passos Coelho e Paulo Portas remeteram-se, tal como Costa tinha feito, ao silêncio. Para quando as críticas da direita parlamentar a estes dois cobardes que fugiram ao confronto de ideias e se resguardaram para considerações finais no segundo dia?
Quando se confunde a obra-prima do mestre com a prima do mestre-de-obras
Santana Castilho*
1. Enquanto se discutiu o problema da legitimidade constitucional e política para governar, o desemprego voltou a subir, a emigração não parou, o investimento não cresceu, o débil crescimento económico estagnou e os casos TAP e Novo Banco agigantaram-se (na TAP vendem-se terrenos e prédios para pagar a factura da compra e no banco há que injectar 1400 milhões até ao fim do ano).
Enquanto se discutiu o problema da legitimidade constitucional e política para governar, António Costa foi dizendo, cá, que havia chegado o novo tempo: o da recuperação de salários e pensões, da descida de impostos, do investimento na Saúde, na Educação, na Ciência e na Cultura, do fim da austeridade. E foi dizendo, lá, em Bruxelas, que cumpriria as regras orçamentais acordadas, baixando défice e dívida. [Read more…]
Carta do Canadá: Regresso à normalidade

oto: imago/GlobalImagens
Para compreenderem o orgulho e a alegria que senti ao ver Francisca van Dunen jurando o seu compromisso de honra como Ministra da Justiça do governo liderado por António Costa, vou explicar-vos algumas coisas. E jurou de cabeça levantada, a olhar de frente, em voz forte e serena.
Vivo há muitos anos no Canadá, um país de democracia parlamentar. Por decisão referendada, a chefe do estado canadiano é a Rainha de Inglaterra. O Canadá tem 10 províncias e 3 territórios, vai do Atlântico ao Pacífico, tem ao norte o mar Árctico. Cada província tem o seu parlamento e este elege o governo local. Na capital federal, em Otava, a Rainha está representada pelo Governador Geral, que tem guarda de honra como a soberana. É ali que está o parlamento federal, eleito por todo o país, donde sai o governo federal. Nas capitais provinciais a representação é garantida pelo Governador-Adjunto. Quando os imigrantes, depois duns anos de residência e de provas dadas, requerem a cidadania canadiana, juram respeito ao país e à Rainha. As pessoas com mérito para o cargo, tenham a origem, a religião e a raça que tiverem, podem ser escolhidas.Nos anos que levo deste país, vi como governadores gerais uma senhora francófona, um ucraniano, uma senhora chinesa e outra negra do Haiti. Todos eles cumpriram com brio os seus mandatos, mas devo sublinhar que as cidadãs de Hong Kong e do Haiti, ambas jornalistas da TV estadual, respectivamente Adrienne Clarckson e Michaelle Jean, foram brilhantes e são tidas com respeito e afecto pela população. No Ontário, tivemos um governador-adjunto negro, Sir Lincoln Alexander, um verdadeiro ícone de elegância e popularidade. É comum termos ministros e altos funcionários públicos negros, mestiços, indianos, chineses, índios. O mesmo se diga do jornalismo, audiovisual e escrito, das equipas hospitalares. Em todos os sectores da vida canadiana, há pessoas de todas as raças e credos. Viver no respeito pela diversidade, faz parte do ADN do Canadá. Ninguém refere a raça, a religião, a origem ou a orientação sexual dos outros. Somos todos canadianos, temos todos os mesmos deveres e direitos perante a lei, prezamos a paz e a harmonia.
O governo de António Costa

António Costa e os seus 17 ministros
Passados quatro anos e meio de um governo eleito com uma grande mentira (pode-se dizer fraude?) e reeleito com várias pequenas mentiras (pode-se dizer ilegitimidades?), terminou ontem o assalto ao aparelho de Estado, versão PSD/CDS.
Hoje há um recomeço. Vamos ver se haverá realmente diferença ou não. Há sinais contraditórios neste governo. No lado positivo, a Assembleia da República vai ser o centro da governação, tal como sempre deveria ser, em vez desta ditadura renovada a cada quatro anos, que é o que têm sido os governos com maioria de um partido ou de uma coligação. A probabilidade de governos prepotentes fazerem o que bem lhes apetece, quantas vezes porque um ministro ou um secretário de estado se acha no direito de virar o país de pantanas, fica drasticamente reduzida.
Esperem pelos Roteiros X e vão ver como elas mordem
O Presidente da República tomou devida nota da resposta do Secretário-Geral do Partido Socialista às dúvidas suscitadas pelos documentos subscritos com o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português e o Partido Ecologista “Os Verdes” quanto à estabilidade e durabilidade de um governo minoritário do Partido Socialista, no horizonte temporal da legislatura. [Presidência]
Cavaco Silva indigita António Costa como primeiro-ministro
Todo o tempo a empatar, depois de ter estudado todos os cenários antes das eleições, para isto. Começou um período novo na política portuguesa, com os deputados, representantes do soberano, a poderem de facto ter voz.
Antonio Costa a caminho de ser Primeiro-Ministro

Actualizado às 12h08 de 24/11/2015
António Costa irá ser recebido, dentro de 10 minutos, pelo Presidente da República.
Isto poderá indiciar que Cavaco Silva poderá indigitar António Costa como Primeiro-Ministro.
Se assim for António Costa fará história ao conseguir unir toda a esquerda em torno do seu projecto politico e do Partido Socialista.
Em actualização às 12h00:
Cavaco Silva mantém duvidas sobre a estabilidade de um governo do PS, com o apoio parlamentar do BE, PCP e Verdes e pede seis esclarecimentos a Antonio Costa.
Em actualização às 19h05:
António Costa já respondeu aos seis pedidos de esclarecimento solicitados pelo Presidente da República.
Em actualização às 12h00 de 24/11/2015
Terminou a reunião entre o Presidente da República e António Costa.
Em actualização às 12h08 de 24/11/2015.
O Presidente da República acaba de indigitar António Costa como Primeiro-Ministro.
À beira do fim

Gostava, mas não iria conseguir, de dignificar este último estertor da criatura de Belém com um texto sério lembrando-lhe, entre outras coisas, que está a impor aos deputados – sim, é a estes que, em última análise, o gesto de Cavaco convoca – algo completamente absurdo se considerarmos o mandato irrevogável e representativo – e não imperativo – de que estes são portadores. [Read more…]
Abaixo a estabilidade governativa!
Miguel A.Lopes,EPA
É evidente que não basta que os nossos defeitos sejam iguais aos dos outros para que sejamos melhores. Ser igual a outro que padeça dos mesmos vícios deveria ser fraco consolo, especialmente se o outro for agressivo, desonesto ou mesmo portista.
Ainda assim, não deixa de ser divertido assistir ao triste espectáculo de ouvir e ver gente como Passos Coelho e Paulo Portas a acusar outros de falta de seriedade e de desonestidade e de golpadas. É importante não esquecer, por exemplo, que Passos Coelho ganhou eleições com base em mentiras.: não ia aumentar impostos, não ia cortar salários, não ia sobrecarregar a classe média.
É igualmente tocante a enorme preocupação de Cavaco com a solidez das propostas de António Costa, já que, apesar de ser Presidente da República, conseguiu desprezar a Constituição de que deveria ser o primeiro garante, explicando que não há nada mais importante que o Orçamento de Estado. Além disso, manteve em funções um primeiro-ministro que fez exactamente o contrário do que prometeu e não tem um comentário a fazer ao facto de esse mesmo primeiro-ministro, sem surpresas, ter anunciado, antes das eleições, que devolveria 35% da sobretaxa de IRS cobrada em 2015, devolução essa reduzida a zero menos de dois meses depois. [Read more…]
Mário Centeno: aqui está o link para a Grande Entrevista
realizada ontem por Vítor Gonçalves e emitida pela RTP3. Aqui onde? Aqui. 🙂

Não nos desiludam

Nem nos venham dizer daqui a uns meses que não sabiam o que vos esperava. Dessa história já Portugal se fartou. Arregacem as mangas, coloquem o interesse nacional acima dos vossos partidos e façam o que vos compete. Sim, vocês podem. Mas é preciso querer.
via Luís Vargas@Twitter
« Em lugar de acusarem Costa por ter feito aquilo que disse que ia fazer
– terminar com “o arco da governação” – e apresentar uma alternativa, seria talvez mais instrutivo interrogarem-se sobre o seguinte: porque é que perdemos a maioria absoluta que tínhamos, mesmo concorrendo juntos?»
[Argumentos e falácias, António Pinho Vargas]
Um Governo do lado do povo

Le peuple des pauvres (JF Favre 2008)
Não creio estar a exagerar se disser que os últimos quatro anos foram os piores de todos desde que sou portuguesa. Piores para o povo, que vi fenecer, entristecer, partir, ser privado dos seus direitos humanos e constitucionais, destruído nos seus mais legítimos anseios, numa devastação que não julgava possível à acção política em democracia no decurso de uma só legislatura.
Incontáveis vezes escrevi sobre nós, meu povo, atingido por essa política com inaudita agressividade e revoltante indiferença por parte dos governantes. Escrevi sobre suicídios, sobre a desolação que passou a ser o cenário de todas as ruas de Portugal, sobre a indignação que bem vi a crescer-te no peito, sobre os mais pobres dos pobres, sobre o desinvestimento público na Educação, sobre a desigualdade na Europa, sobre as divisões da esquerda, também. Escrevi uma peça de teatro chamada Partir. Escrevi muito sobre a Europa. Traduzi o livro de Thomas Piketty sobre a desigualdade O capital no século XXI. E, tal como comecei a dizer em 2013, António Costa is the man. Acompanhado por outros homens e mulheres que finalmente compreenderam a que ponto era urgente começar a reverter a destruição. [Read more…]
Uma coligação exigente
É disto que eu gosto no Aventar – nunca temos o presente como o futuro que queremos ter.
Somos exigentes e queremos sempre muito mais.
Muitos, no Aventar (no país?), há anos que sonhavam ou antes, desejavam, um governo de esquerda. Os escritos da ala esquerda aqui do corner, sempre sublinharam o que nos unia, muito mais do que aquilo que nos separava. Sistema Nacional de Saúde? Escola Pública? Segurança Social? Podemos ou não encontrar pontes entre nós?
Era para mim tão óbvio o sim, que só pensava no dia em que toda a gente conseguisse ver o que me parecia evidente. Claro que também para mim, especialmente com José Sócrates, o PS se encostou, em algumas áreas, excessivamente à direita. Mas, faço minhas as palavras de Ana Benavente:
“Por mim, celebro o diálogo à esquerda. Rompeu-se um tabu. Viva a liberdade. Sempre estive muito mais perto do PCP e do BE do que do PSD ou do PP. Na acção, na vida, nas propostas e nas lutas.”
E, podemos e devemos, continuar a ser exigentes. Não imagino sequer, por exemplo, que a CGTP se transforme na UGT, estando para o Governo de Esquerda como a UGT esteve para os radicais de direita. Na educação, não tenho dúvidas que nunca o militante comunista Mário Nogueira se vergará a um Ministro da Educação como o militante laranja João Dias da Silva se vergava perante Nuno Crato. Aí, estamos todos de acordo.
Estaremos na rua sempre que se justifique e não deixaremos de apresentar sempre aquilo que são as nossas exigências. [Read more…]
Uma coligação contranatura
Não há nada que me agrade mais do que ver Passos Coelho cair. Ou mais ainda, que um futuro Governo PS esteja nas mãos do PCP e do Bloco.
Mas todos sabem – todos sabemos – que a coligação de Esquerda em preparação é completamente contranatura. O PS está muito mais próximo do PSD do que do PCP ou do Bloco. Sempre esteve e vai continuar a estar. Daí que esteja curioso para ver de que forma vai o PS compatibilizar o lobby de interesses que sempre o acompanha com os seus camaradas de circunstância.
Fui votante do Bloco e, enquanto tal, há uma série de medidas que espero que o Bloco viabilize. Estou em crer que terá de tomar a iniciativa para a maior parte delas, porque se for a esperar pelo PS, terá de esperar sentado.
Só para dar alguns exemplos, para além da reposição dos salários e das pensões, vou esperar pela taxação dos dividendos em Bolsa, pelo imposto sobre as grandes fortunas, pelo fim das rendas excessivas da EDP e, já agora, pela interrupção imediata das obras da Barragem do Tua (alô, Heloísa, estás aí?) e do Programa Nacional de Barragens, pelo fim dos imorais benefícios fiscais aos grandes grupos económicos, pela extinção dos contratos de associação nas zonas em que há oferta de Escola Pública, pelo fim dessa pouca-vergonha que é os milhões esbanjados em consultadorias e grandes escritórios de advogados e por aí fora. [Read more…]
Carta Aberta a Francisco Assis
«Caro Francisco Assis,
Como sabes o distrito da Guarda foi o único distrito onde o António José Seguro venceu.
Eu, como tantos companheiros, lutámos pela vitória de António José Seguro e atingimos os objetivos a que nos propusemos, mas foi um resultado muito curto e António Costa venceu e, sobretudo, venceu a Democracia. A partir desse momento e perante os resultados inquestionáveis o nosso líder passou a ser António Costa.
Tu foste sempre apoiante de António Costa e, como tal, nunca lhe regateaste elogios quer sobre as suas qualidades quer sobre a experiência política que tanto lhe reconhecias. Durante a campanha eleitoral para estas legislativas, tu próprio te insurgias contra o desgoverno que a coligação da direita trouxe ao nosso país, ou seja: mais pobreza, mais desemprego, mais emigração, mais desigualdade e mais dívida, sem resolver qualquer problema da nossa Pátria. Por conseguinte, participaste na campanha eleitoral, apoiando o secretário-geral, sem reservas e de forma incondicional, mas certamente distraído não registaste o facto do António Costa ter afirmado, com algum estrondo e significativo impacto, durante a campanha eleitoral, que não viabilizaria o orçamento da coligação.
Pois tens andado seriamente esquecido e deve ser ter sido do queijo da Serra que comeste aqui no distrito durante a campanha eleitoral, [Read more…]
Da fidelidade à política
«O PS, enquanto partido, só pode sobreviver no futuro, fazendo o que está a fazer, apesar dos ataques de Assis e acólitos seguristas.» [Maria João Cantinho]














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