A atenção dos meios de comunicação social no inicio do ano, sobre a questão do embargo europeu à compra de petróleo iraniano, foi implacável e constante. Conto cerca de 200 artigos nos jornais de referência durante o mês de Janeiro.
Hoje dá na net: Razões para a Guerra
Why we fight – um documentário excelente da BBC onde se dá uma ideia da enormidade que são as forças armadas americanas, ao mesmo tempo que mostra a sua perfeita inutilidade – tudo à custa dos cidadãos americanos e, claro, das vítimas desse gigantesco complexo industrial-militar. Página IMDB.
Legendado em português.
Uma leitura essencial:
Um excelente texto, ESTE, para se perceber quem são os Tuaregues.
Ressurreição
Na sequência de algumas crónicas sobre as minhas vivências na guerra colonial da Guiné, publicadas no Aventar e no Estrolábio, recebi um mail de um amigo que não vejo há quarenta e cinco anos. Por mero acaso, este amigo, o alferes Ruca, leu os meus textos e enviou-me esse mail dizendo: você é que é o médico da minha companhia, o Adão Cruz?! Vou mandar-lhe uma foto em que estamos os dois à porta de uma Dornier. Com efeito lá estávamos, a entrar ou a sair, não me lembro bem, da avioneta [Read more…]
A Guerra contra o Irão já começou

A luta pelo controlo dos recursos energéticos não pode parar. É por isso que a Europa faz a ameaça pueril de cortar as importações de petróleo do Irão (fundamentalmente por pressão do eixo EUA/UK). A ameaça da Europa poderia chegar a ser cómica, não estivessem em jogo a vida de milhões de pessoas.
As heroínas do Chile: Javiera Carrera

Javiera Carrera aos seus 19 anos, pintura al óelo de Bejamin Subercaseaux
Foi apenas na Primeira Grande Guerra de Europa, a data em que as mulheres começaram a aparecer nos campos de batalha O seu papel era de enfermeiras. A britânica Florence Nightingale, solicitou licença ao seu Governo para levar um grupo de aguerridas mulheres para curar feridos no campo de combate na guerra de Crimea. Florence Nightingale (Florença, 12 de Maio de 1820 — Londres, 13 de Agosto de 1910) foi uma enfermeira britânica que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra da Criméia. Ficou conhecida na história pelo apelido de “A dama da lâmpada“, pelo facto de servir-se deste instrumento para auxiliar na iluminação ao auxiliar os feridos durante a noite. Sua contribuição na Enfermagem, sendo pioneira na utilização do Modelo biomédico, baseando-se na medicina praticada pelos médicos. Também contribuiu no campo da Estatística, sendo pioneira na utilização de métodos de representação visual de informações, como por exemplo gráfico sectorial (habitualmente conhecido como gráfico do tipo “pizza”) criado inicialmente por William Playfair. [Read more…]
Abdelkrim El Khattabi e a Guerra do Rif
“O Rif é um caldeirão a ferver. Quem puser lá a mão queima-se.”
Em 1921 o Protectorado Espanhol de Marrocos iria ser abalado por uma guerra impiedosa levada a cabo pelas tribos Rifenhas e do País Jebala e Gomara, que ficou conhecida como a Segunda Guerra do Rif.
O Exército de África e a Legião Espanhola sofreram derrotas esmagadoras e, em desespero, os espanhóis utilizaram armas químicas em grandes quantidades sobre aldeias inteiras.
Apesar da superioridade numérica e de armamento do exército de Espanha, o Protectorado esteve à beira do fim, perdendo grande parte do seu território, que em 1925 se resumiu às principais cidades.
A revolta dos guerrilheiros Rifenhos só foi esmagada em 1926, quando a França entra na guerra com uma força de 300.000 soldados comandados pelo general Pétain, que incluía tropas senegalesas e a Legião Estrangeira, que se junta aos 250.000 soldados espanhóis comandados pessoalmente pelo ditador Miguel Primo de Rivera.
Apesar da derrota dos rifenhos, os sucessos militares dos mujahidin do Rif foram decisivos na formação de uma consciência nacionalista marroquina, e deveram-se não só à coragem e determinação do povo Rifenho, como também ao génio político e militar do seu líder, um berbere oriundo da tribo dos Beni Urriaguel chamado Abdelkrim El Khattabi.
guerra santa

É-me impossível não comentar, ainda que em poucas palavras, esta ideia da guerra santa. A imagem revela a visão apocalíptica do livro do Apóstolo João, o amigo de Xristos. Os Quatro Cavaleiros de Revelação são personagens descritos na terceira visão profética do Apóstolo João no livro bíblico de Revelação ou Apocalipse. São geralmente representados pelos símbolos relacionados na narrativa: Conquista (ou às vezes “O anti – Cristo“), Guerra, Fome e Morte, embora somente o cavaleiro da morte seja identificado por nome.
Porque esta pequena nota? Não há jornal, imagem televisiva, comentários radiofónicos, que mão comemore a morte de Osama Bin Laden, nem os mesmos meios da média, não louvem ao governador do mundo, o Presidente dos Estados Unidos de América. Três deles entraram em terras sagradas das confissões sunitas, chita, sauditas, talibãs, e outras muçulmanas. Faz dez anos antes, o ocidente chorava as mortes causadas pelos ataques sauditas contra o ocidente cristão, de diversas igrejas. Era uma alegria ter encontrado e assassinado ao chefe sunita que tinha por missão aterrorizar países que antes os tinham
Soldados Americanos posam ao lado de cadáveres

Esta foto mostra o corpo de Gul Mudin, filho de um agricultor que foi morto em 15 de Janeiro de 2010. Um membro da denominada "kill team" posa atrás dele. Esta imagem faz parte de uma colecção de mais de 4000 que o Der Spiegel obteve
Está a rebentar outra história de abusos e desumanidades por parte de soldados nos palcos de guerra do Afeganistão.
Isto serve para lembrar que não existem guerras com honra.
as minhas memórias-6-a aplicação da lei
Pareciam-me uma ignomínia as formas de tratamento dos patrões aos inquilinos, especialmente se eram da Nação Mapuche. Porque denomino Nação ao que se designa normalmente uma etnia na nossa ciência da Antropologia? Primeiro, porque eram os proprietários da terra tomada pelos invasores estrangeiros, pelos huinca. Porém, para os Mapuche, eu não era chileno, era estrangeiro ou huinca. Este conceito não está definido no Dicionário Da Real Academia da Língua Espanhola, por não ser palavra da mal chamada Língua Espanhola. Como também não aparecem as palavras usadas pelo luso – galaico da Galiza, ou o Bable das Astúrias, denominado pelo arrogante Dicionário citado de dialecto de los asturianos, ou o euzkaro das Províncias Bascas que a real academia da língua não reconhece como idioma do Reino de Espanha, tal como a língua Catalã, que define como Lengua romance vernácula que se habla en Cataluña y en otros dominios de la antigua Corona de Aragón, apesar disto, o meu avô paterno, aragonês, falava um Castelhano quase imperceptível. [Read more…]
Guerra da Guiné (pequenas memórias)
O furriel Machado em primeiro plano
O furriel Machado pertencia à minha companhia de origem, a 1547. Esta companhia permaneceu algum tempo de intervenção, mais ou menos o tempo que eu estive em Canquelifá. Uma companhia de intervenção era uma espécie de bombeiro, acorrendo aos mais variados locais onde havia conflito. Findo este período de intervenção, a companhia fixou-se em Bigene, no norte, no sector de Farim. Algum tempo antes, uma Dornier fora buscar-me a Canquelifá para me depositar em Bigene, onde se encontrava a última companhia de farda branca, que estava prestes a acabar a comissão, e que seria substituída pela 1547. [Read more…]
Guerra da Guiné (pequenas memórias)
Bigene
Bigene, no norte da Guiné, perto da fronteira do Senegal, foi a minha segunda e definitiva estadia. Como disse em artigo anterior, uma Dornier fora buscar-me a Canquelifá, trazendo-me para Bigene, onde a última companhia de farda branca aguardava a rendição.
A despeito das más recordações que esta companhia deixou, em termos de crimes sobre a população nativa, consegui fazer alguns bons amigos. E foram esses amigos que me contaram as atrocidades cometidas, especialmente por um capitão cujo nome não vejo necessidade de revelar, sobretudo a tantos anos de distância. Apenas refiro que era denominado “o assassino” de Bigene, e era, infelizmente, acolitado pelo médico.
Residia na povoação um comerciante de Braga, o Sr. Hilário, e um senhor já de alguma idade, Sr. Reis Pires, pai de dois rapazes atletas do Benfica. Ambos estes homens me contaram coisas de bradar aos céus que eu evito relatar. Apenas dois pequenos pormenores, que darão ideia da dimensão dos restantes crimes. Pouco depois de chegar, abeirou-se de mim um furriel com um colar de orelhas ao pescoço. O outro pormenor decorreu do facto de resolvermos cavar algumas trincheiras, após a saída da companhia, a fim de ligarmos os abrigos às casernas, aos quartos e à enfermaria, e encontrarmos restos humanos nas escavações, alguns deles só parcialmente decompostos.
Quando chegou a 1547, a minha companhia de origem, comandada pelo capitão Vasconcelos, um homem culto e bem formado, com o curso de Germânicas, de quem me tornei grande amigo, outra vida nasceu naquela gente e naquela povoação. Irei contando algumas coisas desta nossa vivência em Bigene, sector de Farim, coisas que me pareçam com algum interesse, mas sem preocupações cronológicas. [Read more…]
Guerra da Guiné (Pequenas memórias)
Ainda Canquelifá, a minha primeira estadia no mato. Permaneci em Canquelifá durante o terceiro trimestre de 1966. Muitas coisas boas e más aconteceram durante esse tempo. Relatá-las levava um livro.

Canquelifá (à direita e em cima o nosso aquartelamento) [Read more…]
Guerra da Guiné (Pequenas memórias)
O velho Uíge atracou em Bissau no dia 13 de Maio de 1966. Entrámos dentro do forno da cidade. Aí aguardei um mês até ao meu destacamento para o mato. Eu e o meu colega e amigo Gomes Pedro, hoje professor catedrático da Faculdade de Medicina de Lisboa e Director do Serviço de Pediatria do hospital de Santa Maria. Ele seguiu para Cuntima, no norte da Guiné, perto da fronteira do Senegal, e eu embarquei para Canquelifá, no leste, próximo da fronteira com a Guiné-Conackry.
Um velho Dakota levou-me até Bafatá. Dentro do avião, além de mim, ia o piloto, o co-piloto que tinha meia cara feita numa cicatriz, uma mulher negra sentada sobre o caixão do filho e um capitão que eu não conhecia de lado nenhum. Este capitão desembarcara momentos antes no aeroporto de Bissalanca, vindo do Porto, e seguia directamente para o mato. Confessou-me que transportava consigo alguma angústia, pois deixara para trás mulher e nove filhos. Três meses depois encontrámo-nos em Bigene, no norte. Reconhecêmo-nos e tornámo-nos muito amigos. Era o capitão Brito e Faro. [Read more…]
Natal-imaginário infantil, imaginário adulto ou troca social

Natal costumava ser festa da alegria, mas a crise económica de hoje...
Para o meu próximo descendente, essa criança, filha de uma das nossas filhas
1. Natal
Os leitores devem estar habituados a ler nos meus textos, uma ideia em que sempre teimo: qualquer grupo social tem, pelo menos, duas formas de ser ou duas culturas: a dos adultos e a das crianças. A do adulto, esse imaginário para calcular e decidir; a da criança, essa fantasia à espera. A do adulto, para calcular e decidir, porque vive no meio das finanças, dos orçamentos. Fantasia à espera, por viver no meio dos mimos, recebidos ou esperados. Duas lógicas de ideias que andam, ora entrelaçadas ora paralelas – umas no lar, outras, à distância. É na altura da noite e do frio, que começamos a pensar nesta brincadeira das duas culturas. [Read more…]
a festa da intimidade. Ramadão e Natal

Cristãos comemoram, Muçulmanos invadidos
for the van Emdens: daughter Paula, husband Cristan and children Tomas e Maira Rosa
1. Introdução.
Normalmente, tenho escrito textos que referem esta quadra como um Feliz Natal. Normalmente. Mas, será que é uma época para falar de normalidade? Ou, porém, como vamos definir um tempo normal? Quando é que a vida social tem sido normal. Será quando agimos conforme as nossas ideias e os nossos hábitos e costumes? Mas, os hábitos, como os costumes, não mudam? Será que normalmente significa o que éconjuntural e heterogéneo? Não é por acaso que tenho usado essas palavras nos meus textos de pesquisa. O acaso é a normalidade. A normalidade é o comportamento conjuntural que estrategiza e manipula os feitos, ou factos – decida o leitor -, que constroem o mundo social e divide o trabalho entre todos nós. Estratégia que pode cair em mãos prudentes para virar os acontecimentos em favor do povo, pelo povo e para o povo, por ser a estratégia uma actividade social do povo. Estratégia que varia conforme os objectivos a atingir. [Read more…]
A guerra é um negócio sujo
A guerra não tem nada de nobre, romântico, limpo, ou honroso para aqueles que nela participam. Pode na melhor das hipóteses ser um mal necessário, mas nunca em circunstância alguma deixa de ser um mal. Ultimamente temos assistido a um branqueamento das guerras, não são mostradas atrocidades, muitas vezes nem se contam os mortos.
Assim, tendo em conta o que foi decidido na cimeira da NATO, é uma boa altura para recordar as palavras do Major-General Smedley Butler, USMC, num discurso proferido em 1933:
os aguerridos chilenos
O Morro de Arica, vergonha do Chile
Falar da República do Chile, é falar da fortaleza dos seus cidadãos, da sua força, das suas lutas pelo viver e sobreviver. A República foi fundada a 18 de Setembro de 1810, numa primeira instância. Colónia da coroa de Espanha, e com o rei Fernando VII de Borbon, sequestrado e levado para França por Napoleão Bonaparte, a população do país, especialmente a de Santiago, sentia que não tinha quem a governasse. O Governador, Mateo de Toro y Zambrano, feito Conde da Conquista pelo Rei para poder gerir as suas posses, reunia todos os requisitos para o cargo: Mateo de Toro Zambrano y Ureta (Santiago, 20 de Setembro de 1727 – Santiago, 26 de Fevereiro de 1811), vizconde prévio de la Descubierta, conde de la Conquista y cavaleiro de la Orden de Santiago, militar e político criollo chileno. Convocou uma reunião de notáveis para escolherem quem havia de governar a colónia, porque não havia rei. Como é evidente, os notáveis eram os senhores de posses, nobres também, como já relatei noutros ensaios, editados neste sítio de debate académico.
De facto, esse 18 de Setembro é uma metáfora por causa do rei Fernando VII, ao voltar do seu exílio em França, querer recuperar as suas colónias. Para isso, enviou um exército que os chilenos, durante quatro anos, souberam muito bem combater até há expulsão dos denominados godos, do território nacional, o que aconteceu em 1818, após a vitória, com colaboração da República Argentina (livre desde 1805), na batalha de Maipú.
Até àquela data, a maioria dos líderes independentistas teve que fugir para Mendoza, na Argentina. Formaram o Exército dos Andes, a cargo do general argentino José de San Martín, no qual participava Bernardo O’Higgins, líder das milícias chilenas. Este Exército Libertador, que inicialmente contava com 4.000 homens e 1.200 militantes da tropa de auxílio, para condução de mantimentos e munições, cruzou a
Bais Lebar no Focinho, Óbiste?
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NUM TÁS CALADINHO? VAIS LEBAR NO FOCINHO
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Foi assim, oferecendo pancada, com toda esta ligeireza e a boa educação que se verifica, que um grupo de militares ou ex-militares ou qualquer coisa militar e/ou reformados falou, e ameaçou o escritor António Lobo Antunes, que por razões de segurança não apareceu onde era esperado no fim de semana. O escritor ficou com receio de levar uns sopapos de um grupo de gajos valentes que se querem juntar para irem ao focinho a um outro gajo que está sozinho e se limita a dizer o que pensa.
Tenho de começar por dizer que gosto muito de ler Lobo Antunes, a quem não tenho o prazer de conhecer.
Devo acrescentar que, a exemplo da maior parte da população masculina nascida até ao começo da segunda metade do século vinte, exceptuando claro os refractários e os desertores que na sua maioria são hoje heróis, fiz a tropa. Para além de a ter feito, pertenço ao grupo dos militares que, em serviço, tiveram acidentes e ficaram com alguma deficiência.
A notícia vem no Expresso. [Read more…]
O cheiro do napalm pela manhã
É uma das cenas mais famosas de Appocalypse Now. Na busca do inferno do Coronel Kurtz, o capitão Benjamim Willard vê-se lado a lado com o pelotão do estranho Bill Kilgore. Obcecado por surf, o tenente coronel interpretado por Robert Duvall procura manter uma ligação a casa, lá longe, demasiado longe. É uma ligação já ténue. Kilgore está tomado pela guerra.
“Cheiras isto? É napalm, filho. Nada mais no mundo cheira desta forma. Adoro o cheiro do napalm pela manhã”, diz o tenente coronel. Mesmo se não soubermos em detalhe como cheira o cheiro do napalm pela manhã, sabemos que ninguém, no seu mínimo juízo, adora o cheiro do napalm. Nem sequer pela manhã. Nem sequer Kildore.
A prova está logo a seguir. De uma forma ou de outra, todos nós conseguimos encontrar uma definição para aquilo de que gostamos. Com maior ou menos arte, sabemos explicar porque gostamos. Kilgore não. Procura a palavra para definir o seu amor pelo cheiro do napalm pela manhã, mas não consegue. É diferente. Nada mais. É apenas diferente. Nem um “é diferente de…”.
Kilgore não gosta do cheiro do poderoso combustível mas pensa que gosta. Kilgore gosta da guerra. Quando uma pequena bomba explode ali perto, nem se mexe. “Um dia esta guerra vai acabar…”, anuncia, convicto, mas sem alegria. Quando a guerra acabar, Kilgore será um homem infeliz.
Há pessoas que preferem atirar combustível em vez de apagar a fogueira.
e a mim, quem me defende?

o povo defende-se a si próprio enquanto estuda para entender o mundo
Para os nossos irmãos e para nós que pagamos impostos por sermos pobres, não como os ricos que, por investir, vêem-se livres de taxações. Aniversário da invasão do Iraque e do Afeganistão.
Continuação das meditações sobre autonomia e genocídio, dois conceptos diferentes, mas necessários de analizar
Escrevo ao correr da pena. Como membro de Amnistia Internacional. Pena que tinge a folha branca de preto, da pena a tingir o meu coração de luto. Hoje não consigo acudir aos meus santos padroeiros habituais, como Eduardo Sá, Melanie Klein, François Dolto, Émile Durkheim, Marcel Mauss, Daniel Sampaio, Karl Marx, Max Weber e outros que aparecem nos meus textos. Os autores que me acodem são muitos e estão todos abalados por uma terrível estupidez humana, denominada ambição. [Read more…]
Guerra! uma carta para os meus descendentes

crianças a fugir da fome e da morte
…guerra não é apenas um conflito bélico, é também e crise económica que vivemos… conflito que as crianças sofrem e não se sabem defender como fala esta imagem… a ida era alegre, hoje em dia é se terror, fome e fugida…o que pensam as crianças, analisadas por um adulto que os observa?
Meu querido puto,
Andas a brincar na tua bicicleta de duas rodas, pelas ruas do bairro. Ris e pareces muito feliz e contente. Até largaste as fraldas, por pensares ser adulto ao manipulares a tua bicicleta. Corres e não só ris, como atacas. Atacas qual carga de cavalaria, perante um inimigo imaginário, esse que é desenhado pela tua ideia da guerra. Para ti, a guerra passa por ser uma brincadeira. E ainda bem. Porque, meu puto, seria bom que a guerra fosse uma brincadeira e não essa realidade espantosa, dura e terrível, que vês reflectida na cara dos teus pais. Uma cara de tristeza e de depressão. Palavras que nem entendes, como não deves entender a palavra guerra.
Uma paz impossível
Nos últimos dias, as posições extremaram-se, de novo, entre os pró-Israel e os pró-Palestina. Cada uma das partes utilizou os seus argumentos, quase todos retirados de uma cábula quase podre de velha, sem procurar, como sempre acontece, entender as causas dos outros.
Este é um daqueles conflitos em que ninguém tem toda a razão. Está partida em bocadinhos graças às pedras da intifada ou aos mísseis estratégicos que destroem comunidades inteiras em busca de um terrorista.
Do ponto de vista histórico, religioso, social, político e económico ambas as partes têm a sua razão. Mas cada uma delas está pouco interessado nos interesses dos outros. Cada uma dedica-se, da melhor forma que sabe, a gritar a sua defesa e a ameaçar a outra parte. Assim acontece com uma parte significativa daqueles que suportam os argumentos do lado que apoiam. É um permanente ‘ou nós ou eles’.
Logo, está instalado um permanente diálogo de surdos, apenas atenuados por escassos gestos apaziguadores de alguns líderes. Mas que não passam de tentativas pontuais e sempre vãs.
Por isso a paz não é possível no Médio Oriente. Nunca foi, desde há mais de dois mil anos, não é hoje e não será nunca num futuro decente.















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