A memória em José Socrates

Quando discutimos o que fez um puto de 9 anos numa tarde de verão, sábado à tarde, em 1966, é possível estarmos a delirar ou a discutir política, embora fosse mais sensato aprender psicologia da memória; estamos em Portugal, temos uma imaginação fértil e abundante.

O que faz aqui sentido é pensarmos a nossa memória. Tratando-se de Sócrates o que ficou dentro dela, transbordante,  está nesse vídeo, ou neste. A partir daqui, porque a memória também a construímos, é perfeitamente plausível que décadas depois alguém tropece na sua memória sobre um dia qualquer na infância, e lhe apontemos o dedo: mentiroso.

E já agora, constato que o Best of de Passos Coelho, aqui publicado exactamente um ano após o de Sócrates, já o ultrapassou em visualizações. Esse, daqui a uns anos, quando abrir a boca para dizer bom dia já todos nos estamos a rir e a apontar dois dedos: mentiroso.

Comigo vais de carrinho

passos-coelho-carrinho
As facturas com NIF concorrem ao sorteio de um automóvel? Troca-se a fiscalização aos fugitivos dos impostos pelo cada cidadão um polícia dos outros?

Vamos premiar a ideia: se milhares e milhares de facturas tiverem o NIF do consumidor Pedro Passos Coelho, mais tarde ou mais cedo o primeiro-ministro alcança o ridículo internacional.

NIF 177 142 430

Facture-lhe, a ver se vai de carrinho.

 

 

As reformas vão continuar

Foi o que disse ontem Passos Coelho ao anunciar a sua próxima derrota eleitoral. As reformas vão continuar.

Como se sabe, as reformas têm sido um dos alvos de ataque deste governo, tendo-lhes aplicado impostos e cortes como se de algo que já se pagou não se tratasse.

Decorre naturalmente que, continuando elas, mais cortes virão e, portanto, estamos falados quanto ao próximo programa eleitoral.

A não ser que não fosse destas reformas que ele estivesse a falar, o que não faria sentido, mesmo sendo-lhe habitual, pois não se poderá continuar o que nunca se fez.

Vai esquiar, Passos Coelho

Acidente de ski faz parar Merkel três semanas.

Os bombeiros, o calendário, um Escarrador…

Os bombeiros de Setúbal fizeram um calendário que se tornou rapidamente num sucesso de vendas e ainda bem, na medida em que o objectivo do corpo dos de bombeiros era meritório.escarrador

Ora, fartinho de ser roubado, resolvi tornar-me um jovem empreendedor e acho que descobri um negócio com pernas para andar e não estou a pensar nas pernas de ninguém em especial.

Caro leitor (peço desculpa às meninas que nos acompanham, mas vão rapidamente perceber o sentido de género do resto da prosa):

– recorda-se dos cafés do Porto nos anos sessenta? Eu também não, mas ouvi dizer.

Algures em cima das mesas existia um objecto que permitia o depósito de matéria viscosa da parte alta do sistema respiratório.

O chave do sucesso desta ideia está no target  – o uso de palavras em inglês no meio do texto dá sempre a ideia de elevação intelectual.

Haverá algum português que consiga evitar expelir saliva na presença de Passos Coelho, sobretudo acompanhada por mais matéria viscosa?

E, se pela frente aparecer Paulo Portas? O João Almeida ou…

Estou absolutamente convencido do sucesso deste objecto que poderá, inclusive, vir a ser exportado porque me parece que não faltarão tugas por esse mundo fora com vontade de cuspir nesta gente.

Cada família terá o seu e para além das mensagens de ano novo podem dar uso quase diário a esta nova ideia, desde que sintonizem o telejornal das oito…

Basicamente é assim: estou rico!

O homem que não usava teleponto

Passos Coelho encenou a sua oposição a Sócrates afirmando-se como alguém que nunca usara teleponto, tentando “passar a imagem de um político espontâneo que não necessita de preparar a sua forma de comunicar“.

Acabo de o ver no tempo de antena natalício do governo olhando o telespectador de frente, não sendo crível que o sarteano leitor da Fenomenologia do Ser tenha decorado o que disse. Deixando de lado o conteúdo, em Massamá ou onde quer que viva o idiota que lhe escreveu a mensagem alguém terá tido a visão de um país regressando à tona enquanto ele o empurra ainda mais para o fundo, fico-me por este detalhe: o homem que acabou de destruir a economia portuguesa rendeu-se à tecnologia promotora de um improvisador onde existe um mero leitor.

Um logro nem por isso muito relevante, mas com riscos: ainda lhe acontece o mesmo que a Sócrates, parte-se um vidro do teleponto e fica condenado a falar só para um lado. Espero que se lhe avarie o teleponto das traseiras, é pelas costas que melhor o veremos.

humoral

Draghi amigo, a Albuquerque, o Coelho e o Portas estão contigo!

Mario DraghiDraghi está revelar-se aparentemente um homem instável. Transmite a ideia de sofrer da patologia de mudança comportamental, com súbitas e contraditórias transformações cognitivas e comunicacionais.

Na Comissão de Assuntos Económicos do PE, ontem, admitiu a possibilidade de Portugal não ter o sucesso de “saída limpa” (idêntica à da Irlanda) do PAEF e, portanto, estar em risco de, terminado este, vir a recorrer a um ‘programa cautelar’ até ao regresso normal aos mercados.

Ao arrepio deste alarme perante os parlamentares europeus, com a subsequente divulgação pela comunicação social, hoje enviou uma mensagem às redacções a declarar:

Cabe exclusivamente às autoridades portuguesas decidir sobre um possível novo programa

Será que o homem é vítima de doença bipolar? Não creio. Acções de bastidores, e muito possivelmente de Washington, de Bruxelas e da inevitável Berlim, levaram o presidente do BCE a desfigurar o que havia afirmado, menos de 24 horas antes.

Perdida a bússola da Irlanda, de quem o governo português esperava a facilidade do trabalho ‘copy and paste’, tipo aluno cábula, a insegurança e a dúvida do que fazer agravaram-se nas preocupações da Albuquerque, do Coelho e do Portas.   [Read more…]

Food for thought

passos socrates

© Público/Pedro Cunha (http://bit.ly/1dgyuTw)

Matéria para todos reflectirmos: anteontem, José Sócrates criticou Pedro Passos Coelho por este, aparentemente (não vi esta entrevista) e num determinado contexto, ter adoptado o verbo ‘entregar’ como tradução portuguesa de ‘to deliver’.  Não sei porquê, mas a associação do conceito ‘língua portuguesa’ aos nomes ‘José Sócrates’ e ‘Pedro Passos Coelho’ fez com que imediatamente me lembrasse da RCM n.º 8/2011 (promovida e criada pelo primeiro; herdada, não rejeitada e executada pelo segundo) e das consequências (aqui ali). Esperemos que esta incursão pelo maravilhoso mundo da língua portuguesa (embora em registo prescritivo e moralista) seja uma indicação de que os políticos irão, por fim, começar a dedicar-se à leitura dos pareceres que solicitam e a seguir a direcção por estes apontada.

Um outro ponto interessante da entrevista do senhor primeiro-ministro foi quando ele falou — e mais uma vez utilizando também uma linguagem que se inspira nos anglicismos que ele adora… Diz ele que o Governo ‘entrega’ resultados. Quer dizer, em português, diz-se: “o Governo ‘apresenta’ resultados”. Mas, enfim, o verbo ‘deliver’ inglês é muito inspirador para o primeiro-ministro: ele acha que o Governo entrega resultados.

— José Sócrates, RTP, 15 de Dezembro de 2013

Post scriptum: As aspas [Read more…]

The Miguel Relvas Connection

E as festas de Tecno(forma) para todos.

Se *tivéssemos pior

Através de Rafaela Mota Lemos.

O hipócrita   incompetente

Aquele que dizia querer ir além da troika e que agora justifica o falhanço dizendo que o programa estava mal desenhado.

A entrevista de Passos Coelho

Pedro Passos Coelho está dar uma entrevista a Judite de Sousa e Paulo Baldaia, na TVI. Está a falar de cenas e coisas, com a grande vantagem de dizer e contradizer o que já disse e contradisse. A grande vantagem dum estadista que não tenha compromisso com o que tenha dito é ter todas as possibilidades em aberto e ninguém, sequer, se lembrar de lhe dizer que ele não tem palavra e que melhor faria emigrando, como recomendou aos portugueses que não enxameiam o estado.

Entretanto, aqui fica a linha argumentativa até ao momento: sair com segurança e programa cautelar. Nada melhor do que traçar esta ideia.

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Eu (não) quero sair – Rui Unas

Épico. Passos Coelho explicado às crianças: “teu desrespeito foi como vires ao cu a mim“.

Confundiu-o com Gandhi

Passos Coelho: «Mandela foi o líder da resistência não violenta».

Analogia

Fazia-se uma reportagem sobre golfe, na tv. “O objectivo dos jogadores é aproximar a bola do buraco e metê-la lá dentro“, explicava a jornalista. A seguir veio uma reportagem em que Passos Coelho explicava, em inglês (?), a sua estratégia para o país. Segundo percebi, era a mesma do golfista.

Pior do que um hipócrita, só um hipócrita como primeiro-ministro.

Passos lamenta que jovens qualificados tenham de emigrar. Mas é de recordar que foram vários os governantes a dizer «emigrem».

Ulrich, o político, banqueiro a tempo parcial

O caudal e o tom das declarações políticas de Fernando Ulrich, vice do BPI, sempre em defesa do PSD, tornaram-se em repugnante rotina. Trata-se de mais uma originalidade portuguesa.

Com o célebre “Ai aguenta, aguenta”, o político Ulrich, banqueiro a tempo parcial, passou a encarnar o papel de “picareta falante”, outrora desempenhado por Guterres. A despeito da evasão extemporânea, tinha outra fluência e qualidade no discurso.

Ulrich sofre de incontinência verbal e não se liberta de um sectarismo partidário (PSD), a meu ver nocivo para o próprio BPI. Nem todos os clientes do banco apoiam o governo.

O derradeiro disparate de Ulrich relaciona-se com a eventualidade de Portugal recorrer ou não ao programa cautelar. Confia plenamente no primeiro-ministro, na ministra das finanças e no governador do BdP para decidir sobre o citado programa – se a inspiração vem da Irlanda, o também economista, que jamais se licenciou, teria de ler e analisar com atenção esta entrevista.

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Chantagem para ovelhas e outros tipos de gado

Podia estender-me horas (linhas) a fio sobre este mentiroso compulsivo em quem já só algumas ovelhas acreditam. Mas vou apenas focar-me em mais uma pérola com que este metafórico monte de merda hoje nos brindou.

Diz Pedro Passos “Tecnoforma” Coelho que o Governo pretende “baixar os impostos de forma permanente” mas que tal não será possível caso nos desviemos do “caminho de redução e controle de despesa” previsto no OE14. E, entre lirismos sobre o “momento da verdade” ou o “passaporte do país para o seu futuro pós-troika”, Passos Coelho atira a bola para o lado do PS pedindo compromissos a médio e a longo prazo para garantir que o povinho continua a pagar a crise que Passos se esforça todos os dias por nacionalizar.

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Sócrates está de volta

A minha entrada na blogosfera foi feita por um blogue pessoal que nos anos quentes da luta dos professores contra a Ministra Maria de Lurdes teve um papel instrumental muito forte. Em setembro de 2008 resolvi acabar com o Diário de um Professor escrevendo:

The END
Boas,
car@s amig@s, car@s colegas,

o Diário de um Professor chegou ao fim!
São vários os motivos que me levam a deixar este espaço que ocupei durante três anos:
– um país de faz de conta em que a pior Ministra da Educação da nossa Democracia é vista como um
génio;
– um Primeiro que o foi antes de ser engenheiro…
– uma Democracia de faz de conta, onde a cidadania é vista como uma brincadeira
– uma pro fissão que o deixou de ser…
E claro, o desgaste, o tempo que um espaço como este também exige.

Quando decidi escrever isto tinha um percurso feito de oposição quase permanente a José Sócrates e às suas políticas para as carreiras dos funcionários públicos e em especial os professores. Os ataques feitos à profissão docente foram tão intensos que nem me atrevo a trazer para cima da mesa as decisões acertadas que foram tomadas em relação à Escola Pública. [Read more…]

Não tenho amigos

Não tenho amigos

A notícia

Orgulhosamente só

“Senhor deputado, eu não tenho amigos.” – Pedro Passos Coelho. “Não admira!” – João Oliveira, deputado do PCP.

O péssimo é amigo do mau

© Lusa

© Lusa

Passos Coelho e pandilha adjacente constituem um conjunto de criminosos competentes ou de burros contumazes, uma vez que insistem em receitas que são problemas, resoluções que não resolvem e agravam. De uma maneira ou de outra, estão no lugar errado: prisão para os criminosos e para os asnos, palha.

É importante relembrar que chegaram ao poder graças a mentiras descaradas e que se mantêm no poder praticando o contrário do anunciaram. Tivesse Passos Coelho um poucochinho de honestidade intelectual ou, no mínimo, alguma preocupação em disfarçar, e poderia dizer que, afinal, estava enganado, que as coisas eram piores do que tinha pensado e que, agora, tínhamos de fazer ao contrário do que tínhamos dito e desculpem qualquer coisinha. Em vez disso, prossegue o seu caminho, com a falta de vergonha tradicional que nos leva rapidamente ao discurso de que os políticos são todos iguais. [Read more…]

Os pobres não saem à rua

foto jn

foto jn – é melhor não clicar, que aumenta

Foram um fracasso as manifestações organizadas pela CGTP no passado sábado. Uma capitulação dramática da central sindical perante o povo e os trabalhadores. E a mobilização fraquinha, como se previa na bloga mais pura, verdadeiramente rubra. [Read more…]

Soares tem razão – cadeia com os aldrabões!

Baptista- Bastos no DN coloca a intervenção pública de Mário Soares onde ela tem que estar: Mário Soares afirmou o que soarestodos pensam.Quer dizer, todos não, porque aqui no Aventar há quem esteja do lado de quem rouba: uns, por vergonha, estão calados até à próxima Greve, outros argumentam por caminhos muito pouco recomendáveis.

Soares não é um santo e cometeu muitos erros, porque só opinadores encartados é que não cometem erros porque nunca fizeram nada – o Marcelo é o melhor exemplo.

Mas, como bem lembra BB, Soares diz sobre Cavaco e sobre Marcelo o que sempre disse e que está em linha com a verdade. E, mais significativo, aponta a Argentina como uma possibilidade. Lá, na América do Sul, perceberam ao fim de muito tempo (demasiado!) que o FMI não sabia o caminho e meteram os ladrões num avião de volta aos states. [Read more…]

Não pagar é a única saída

O Joshua, na sua cruzada anti-Sócrates continua a não distinguir a árvore da floresta e vê semelhanças entre um ovo e umgaia6 espeto, isto é, entre Passos Coelho e as práticas de boa governação. A ordem dos factores é arbitrária, claro.

Vejamos: o orçamento para a Educação chegou a ser mais de 8 mil milhões, tendo descido para pouco mais de 6 mil milhões – é uma redução na casa dos 25%. Estou certo que isso é visto, caro amigo, como uma prática de investimento no futuro. Repara que o dinheiro necessário para pagar os juros corresponde a uma vez e meia o valor do orçamento para a educação – são mais de 9 mil milhões. Todos os anos.

Quase poderia escrever o mesmo para a saúde.

Mas, a coisa não vai lá com uma simples renegociação da dívida – uma parte importante (metade) está na mão dos Europeus, cerca de um terço está na posse dos bancos nacionais e o resto, menos de 20% é da “banca” internacional. E, não me parece, que na Europa se consiga uma perdão da dívida.

E, mesmo que o Governo pense que está no caminho certo, os números mostram que não há saída deste beco: para além da morte (mais que morrida) do consumo interno, a aposta nas exportações vai falhar em toda a linha por dois motivos:

– os países para onde exportamos não estão a crescer e por isso não vão comprar;

– parte muito significativa do que estamos a exportar tem uma componente muito grande de produtos importados. [Read more…]

Lipoaspiração do Estado

pedro-passos-coelho-gorduras-do-estadoHá dias em que o único argumento possível é um chorrilho de palavrões, especialmente quando nos defrontamos com o descaramento dos selvagens que se instalaram no governo e dos necrófagos que se alimentam da carne do lombo das fortunas que pagamos para não termos direito a saúde ou a educação, para não termos direito a viver

Mário Soares chamou-lhes delinquentes, o que é, na realidade, um eufemismo. Faz ele parte da mesma súcia que anda a mastigar-nos há anos? Fará, mas nem isso o impede de ter razão, de vez em quando, como não me impede de não votar num PS com cheiro a Sócrates, ou seja, a Passos Coelho, isto é, a Barroso, no fundo, a Cavaco. [Read more…]

Ângelo caído

passoscoelho-angelocorreia58227b65_537x302O facto de haver gente, em Portugal, que tem uma subvenção vitalícia por ter desempenhado cargos políticos durante oito anos seria igualmente criminoso, mesmo que fôssemos um país rico. Se fôssemos um país a sério, essas subvenções nunca existiriam. Se quiséssemos ser um país sério, já teriam sido eliminadas. Se quisermos ser um país justo, a solução é óbvia.

É claro que Ângelo Correia não concorda, embora condescenda que haja cortes, tal como acontece com os outros cidadãos, os que não têm direito a subvenções vitalícias e que contribuem, empobrecendo, para essas mesmas subvenções vitalícias, entre outros roubos que uma classe política corrupta vai perpetrando, graças ao domínio que tem exercido sobre os poderes legislativo e executivo.

É o mesmo Ângelo Correia que condenou o uso da expressão “direitos adquiridos”, mas que não teve pejo em usá-la, quando chamado a comentar a hipotética perda dos seus. Na verdade, há direitos que são mais adquiridos do que outros.

Talvez seja um caso de inimputabilidade, coitado do senhor, pois tudo indica que sofre de uma patologia que afecta muitos outros políticos: a falta de vergonha. Na fotografia, pode ver-se o discípulo a afiançar que saberá seguir as lições do mestre.

A esquerda e a fossilização do homem pelo homem

A alma de paleontólogo do meu amigo Joaquim permite-lhe descobrir fósseis com uma aparente facilidade. Diz ele que a esquerda portuguesa é, toda ela, um fóssil babando uma revolta e uma ira anacrónicas.

Apesar de eu ser de esquerda, tenho de concordar que o Joaquim parece ter razão: a esquerda continua a defender as mesmas causas de há dezenas ou centenas de anos. No entanto, se analisarmos mais de perto, acabamos por descobrir que o fóssil é outro.

O problema é que a história que deu vida à esquerda está longe do fim. A esquerda existe e age, porque continua a selvajaria dos que, há milhares de anos, se alambazam com o trabalho alheio, negando-lhe, o mais possível, valor, considerando-o apenas despesa, ao mesmo tempo que usa a globalização para levar uma maioria a considerar que um emprego é uma benesse, mesmo que implique apenas direito a sobreviver, que viver é outra coisa. [Read more…]

Passos, o mérito e os excendentários

Tenho dois irmãos, ambos formados na escola pública e, posteriormente, numa universidade pública. O mais novo seguiu ontem as pisadas do mais velho e foi-se embora deste país que gastou dinheiro com a sua formação mas que não precisa dele. Para os meus pais foi o segundo desgosto. Que pais querem ver os seus filhos serem forçados a partir para outro país?

Os meus irmãos nunca foram alunos geniais. Apenas bons alunos, alunos aplicados. Não compraram o curso numa universidade privada nem ficaram na universidade até aos 37 anos. Ficaram até aos 23. A mesma idade com que, depois de baterem a tantas portas que teimavam em não abrir, decidiram procurar outro país que os valorizasse. Podiam ter feito o cartão rosa ou laranja e talvez isso tivesse mudado um pouco o cenário. Mas optaram por não vender a alma ao diabo e o desfecho foi o mesmo que afecta tantos dos nossos familiares, amigos e conhecidos.

Quando ontem ouvia o hipócrita Passos Coelho, naquele exercício de retórica patética que fez na RTP, a dizer “Nós apostamos muito nos jovens”, enquanto o Diogo aterrava na República Checa, foi provavelmente a única vez que me apeteceu partir-lhe a cara. Sou um gajo pacífico, até agora só me apetecia vê-lo preso, ou “encurralado” por uma multidão em fúria. Mal por mal, prefiro sempre ver os vilões a partilhar a cela com um entroncado presidiário de longa data, pronto a dar-lhes todo o carinho do mundo, algo que, infelizmente, nunca acontece.

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Passos e as 20 perguntas

Pergunta no Facebook: “Alguém sabe dizer se o Passos ganhou o carro no concurso apresentado pelo Carlos Daniel?”