“Kremlin acusa “serviços secretos estrangeiros” de pretenderem perturbar as eleições na Rússia” [DN]
Helena Matos contra a indústria petrolífera
Num grito de revolta contra o desfecho do referendo grego, Helena Matos do Observlasfémias mostrou-se indignada com a suposta proximidade entre o Atenas e Moscovo:
Estarei errado, mas depreendo das palavras da senhora que a sua indignação é extensível, por exemplo, à poderosa indústria petrolífera ocidental, que apesar das sanções continuava, até há poucas semanas, a explorar petróleo no Mar de Kara com a estatal russa Rosneft, uma empresa controlada por oligarcas próximos de Vladimir Putin. É que o clima de tensão entre a Rússia e o Ocidente não começou no mês passado. Em Outubro já se interceptavam jactos russos por cá e a Crimeia foi invadida em Março. Quando começaram os namoros entre o Ocidente e a Rússia a ser descarados?
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P.S. Eu também vivo pior que a Helena Matos, pago os mesmos impostos, corro o risco de me reformar mais tarde e ainda assim tive que pagar, através dos meus impostos, os “serviços de pesquisa” que a senhora fez para séries na televisão pública que, estou certo, só trouxeram despesa para o erário público. Porquê?
Violência policial no Ocidente democrático
Ontem escrevi sobre o episódio de violência policial que culminou com a agressão desproporcionada de uma adolescente no estado do Texas, EUA, uma agressão levada a cabo por um troglodita com uniforme de agente da autoridade que naquele cenário, em que vários adolescentes são tratados arbitrariamente como delinquentes, se apresenta como um fanático totalitário a mostrar aos miúdos quem manda, se necessário de arma na mão. Com os exemplos de violência que vêm de cima neste país, não admira a frequência com que atentados com armas de fogo são levados a cabo por outros adolescentes nas suas escolas.
Estranhamente, pelo menos para mim, deparei-me com algumas reacções que pouco ou nada tinham que ver com o objectivo do texto: expor a parcialidade subjacente à forma como este tipo de episódios é analisado pela imprensa ocidental, dependendo se acontece num país “inimigo” ou num país “amigo”. Porque só alguém muito ingénuo acredita que uma situação como a que abre este texto teria leituras políticas iguais acontecendo na Rússia ou nos Estados Unidos, no Irão ou na Arábia Saudita, país onde todos os dias são cometidas atrocidades mas que está longe de ser pintado pelos nossos media como a ditadura sanguinária e repressiva que é.
Os russos andam aí
e desta vez vieram com os nossos proprietários. Será por isso que ainda ninguém se insurgiu?
Lobos Nocturnos, os Hell’s Angels pró-Putin
querem marchar sobre Berlim. Em duas rodas claro.
Islam Karimov
Um ditador que agrada a russos e americanos (logo a europeus também), apesar de se colocar acima da constituição uzbeque, manter entre 10 a 12 mil presos políticos e religiosos e ser considerado um dos lideres mais repressivos do mundo. São critérios.
Lobby: a nobre arte de comprar pessoas influentes
Apesar de aproximadamente 99% da população mundial não ter condições para contratar um profissional do lobby, existe sempre aquele 1% disposto a financiar um Miguel Relvas pelos mais variados motivos. Quer sacar fundos europeus para seu benefício? Crie uma ONG de fachada e contrate um “abridor” de portas num dos partidos do arco (o modelo Passos Coelho já provou ser altamente eficiente). Quer controlar um país no quintal do seu arqui-inimigo? Contrate um Poroshenko, encomende um vídeo emotivo com uma menina bonita e a extrema-direita fará o resto. O dono do quintal zangou-se e a coisa evoluiu para sanções que prejudicaram a sua empresa? Contrate dois senadores norte-americanos na reserva e eles resolvem por si em Washington. Dirige um regime autoritário oficial com inclinação para o anti-semitismo? Não há problema: contrate você também um antigo senador norte-americano para que ele defenda os seus direitos junto do centro do império. Ele era activista anti-anti-semita e o seu novo emprego poderá causar constrangimentos? Também não há problema. (Almost) No one cares!
Bem vindo ao admirável mundo do lobby. Seja corrupto, prejudique milhões, contribua para a morte de outros tantos ou simplesmente ajude a destruir a sua economia. É fácil e ainda se habilita a chegar a primeiro-ministro ou presidente da república.
Enquanto os europeus se entretêm a interceptar aviões russos
Moscovo e Teerão firmam acordos para reforçar a capacidade nuclear do regime dos ayatollahs. Tudo para fins civis, claro!
Russians
America it’s them bad Russians.
Them Russians them Russians and them Chinamen. And them Russians.
The Russia wants to eat us alive. The Russia’s power mad. She wants to take our cars from out our garages.
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Pois é.
Nem tudo depende da perspectiva e da concepção. Há outros aspectos a considerar.
Efectivamente, segundo o Houaiss (*), ‘interceptar‘ é um verbo [Read more…]
Sanções, petróleo e os hipócritas do costume
(Na foto: shake-hands entre o presidente russo Vladimir Putin e Rex W. Tillerson, CEO da Exxon Mobil)
Há algo que não bate certo nesta cruzada do Ocidente contra o opressor russo. Na verdade, existem várias coisas que não batem certo. O Ocidente – leia-se a política externa norte-americana imposta aos seus colaboradores habituais – vai endurecendo o discurso contra a suposta ingerência de Moscovo na crise ucraniana e as sanções sucedem-se. É expectável que hoje sejam apresentadas novas sanções, tanto da parte dos EUA como da UE, que incluem proibições ao sector financeiro russo de aceder a capitais norte-americanos e a empresas energéticas de se financiaram nos mercados de capitais da União. Um acto de coragem? Não é o que parece.
Ucrânia: a arma da Língua

Soldadinhos separatistas pró-russos à venda numa loja de Moscovo
(Photo Sergei Karpukhin/Reuters)
Quando estalou aquilo a que a que nos telejornais chamaram com simplismo a “revolução ucraniana”, conversei com uma jovem nascida na Crimeia soviética, numa pequena cidade a cerca de 150 quilómetros de Simferopol cuja construção, de raiz, se iniciou em 1976 para acolher as famílias dos operários e do pessoal especializado de uma central nuclear que veio depois a ser abandonada, na sequência da catástrofe de Tchernobyl. A rapariga falou-me da crescente “ucranianização” da sua terra, que considera russa: «Nós somos russos, a Crimeia é russa. Nós já sabíamos que isto ia acontecer, que mais tarde ou mais cedo ia haver problemas, porque apesar de aos dezasseis anos ter recebido um passaporte ucraniano, eu sei que não sou ucraniana. O meu pai é russo, e eu também. A Crimeia ucraniana não existe, é uma realidade artificial. Vão estudar a História.»
E no entanto, apesar do posicionamento pró-russo (entenda-se pró-reintegração da Crimeia na Rússia, realizada enquanto o diabo esfregava um olho em Março passado), a rapariga não é anti-europeísta, e aliás vive na Europa.«Nós não somos anti-Europa, mas trata-se da nossa História, dos nossos próprios problemas, que temos de ser nós a resolver. A política e os negócios são uma coisa, mas a História é do povo, respeitem-na. Vamos ter de arranjar uma maneira, uma federação pode ser a melhor solução para a actual Ucrânia. Somos como irmãos zangados uns com os outros, mas vamos ter de nos entender.»
O entendimento está destinado a ser falado em Língua russa, apesar [Read more…]
Violence is in the eye of the beholder

Pelo caminho enviem mais umas munições para os moços que ainda lá existem umas escolas e uns hospitais cheios de mísseis e terroristas. Yes you can!!!
My imperialism is better than yours!
O G7 irá reunir-se hoje e, na ordem do dia, estará o reforço e a aplicação de novas sanções contra a Rússia, no âmbito da suposta ocupação da Ucrânia. É sempre um excelente indicador ver líderes de estados com fortes tendências imperialistas a combater o imperialismo não consumado mas em vias de o ser. Principalmente quando se impõe a defesa de um estado controlado por um governo de extrema-direita não sufragado por qualquer cidadão ucraniano. Dai a presença de Herman Van Rompuy na reunião, haja alguém que represente os líderes poderosos eleitos por cerca de zero pessoas.
Sobre os soldados que estão na Crimeia e que não são russos
Tal como o Major Lomtev disse em Teodósia:”Conhecemos muitos deles porque fizemos muitos exercícios em conjunto e temos relações estreitas com eles. Para ser honesto, não acho que eles tenham orgulho nas ordens que estão a cumprir neste momento. [The Guardian]
Uma verdade de polichinelo é esta, todos saberem que as tropas são russas mas fazendo-se de conta que não se sabe. A outra é que nenhuma potência, militar ou económica, alguma vez permitirá vizinhança inconveniente no seu quintal. Imagine-se, por exemplo, um Canadá comunista.
E um vizinho pobre, a quem se empreste dinheiro e que dependa da nossa energia, é muito mais domesticável, de nada servindo, inclusivamente, guloseimas com sabor a euros, dólares e chocolate. Más notícias para a Ucrânia, condenada a ser independente, desde que continue pobre e encostada à Rússia.
foto: activistas Femen a protestarem contra a guerra, frente ao parlamento da Crimeia, durante um rally pró-russo, em 6 de Março de 2014 (Alexander Nemenov/AFP Photo)
Porque será?
Um país (Rússia) invadiu outro (Ucrania).
Mas estou a estranhar uma coisa, não está a decorrer, nem prevista, qualquer manifestação junto da embaixada russa em Lisboa, em protesto contra essa invasão.
Porque será?
Parece mentira…
… mas, a meses de fazer 100 anos, os conflitos anteriores à primeira guerra mundial parecem de novo erguer-se.
O contra-ataque das cores
Passadeira defronte da embaixada da Rússia em Lisboa. Fotografia roubada ao Exército de Dumbledore, no facebook.
Sair do Euro e ficar na Europa é possível?
Há uns dias, a propósito da situação em Chipre, escrevi:
sou, desde sempre um internacionalista a quem agrada, MUITO, uma Europa das Pessoas e por isso quero ser parte de uma solução que junte povos e pessoas e não uma saída que nos separe a todos – não concordo com a proposta do PCP. Penso, no entanto que começa a valer a pena olhar para dois casos: a Islândia e a Argentina – algures ali no meio estará a saída para Portugal, não?
Hoje, ao ler no público sobre a aposta chinesa em África ocorreu-me que a existência da Europa, como projeto político interessa a pouca gente, não?
De fora, Americanos, Chineses e Russos não têm qualquer interesse numa Europa forte, até porque, às fatias, podem vir buscar a parte deles – os Americanos na Irlanda, os Russos em Chipre e nos países do Báltico, os Chineses em Portugal (EDP). Fará esta leitura algum sentido?
Isto é, há claramente uma pressão externa que força a destruição da UE e só assim é possível entender esta crise dominó que vai derrubando um a um.
Mas e internamente? Há interesse, fundamentalmente da Alemanha, em manter o Euro? E a Europa?
Confesso que não consigo ver uma saída para Portugal fora do EURO, mas dentro da Europa. E que consequências terá para nós o regresso ao Escudo?
PC e BE estão já a fazer caminho nesta reflexão – será que o PS poderá ir por aqui na construção de uma alternativa real à TROIKA?
Nota: alguém sabe explicar qual é o problema dos russos terem o dinheiro nos bancos de Chipre?
E se for preciso, vai fazer um ou dois ao domicílio
P183, o pintor que saiu do frio
Chamam-lhe o Bankski por comparação com o artista de Bristol e ataca nas ruas de Moscovo. Consta que tem 28 anos e se chama Pavel, o que sabemos é que assina P183, e nos aparece como mais um génio das artes plásticas contemporâneas, feitas no único espaço onde a arte ainda faz sentido: a rua.
Deixo-vos também dois vídeos: [Read more…]
Nossa Senhora da Carruagem
Fica a minha promessa eleitoral de ser um bom “católico praticante” quando encontrar um templo desta natureza. Até pago a dízima.
A fundeira da Nato
Parece que a Rússia, velha madrasta dos povos seus vizinhos, acasalou com os EUA e seus protectorados. Que tenham muitos meninos.
O inimigo, a indústria da guerra e os impérios precisam de um inimigo, está-lhes no sangue, é agora oficiosamente o Irão. A velha Pérsia renasce desta vez como anedota, e dada a desproporção de forças daria vontade de rir se a ameaça não fosse séria. O Afeganistão não chega, há que arranjar outra guerra para gastar a pólvora.
Claro que o inimigo é outro, para Oriente mas bem maior, e já passou da ameaça ao concretizar, por enquanto pacífico, da sua condição de novo império dominante.
Os impérios têm tido na História da humanidade hábitos muito regulares: nascem, crescem, dominam, e entram em decadência. O norte-americano que vai para um século arrumou o inglês a um canto da História, está na fase descendente, é a vida rapazes. Um outro nasceu (aliás, renasceu, mas o euro-centrismo histórico nem deu por isso), e já distribui o jogo na economia. Não deixa de ser simbólica a passagem do presidente chinês por Lisboa em vésperas da cimeira. [Read more…]
















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