Microsoft e Apple: acabaram as tréguas

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E, de repente, as tréguas acabaram. Com Steve Jobs, o seu general e guru, em casa, a tratar um problema hormonal, a Apple distraiu-se. Ficou à sombra do sucesso do iPhone, iPod e companhia e não deu pela mudança de estratégia da Microsoft.

A companhia de Redmond teve um ano de 2008 para esquecer. O sistema operativo Vista, lançado em 2007 mas com os olhos colocados em 2008, foi um fracasso de vendas, com particular expressão no mercado empresarial, precisamente aquele onde a empresa mais aposta. No início deste ano, a multinacional agora liderada por Steve Balmer fez o seu primeiro despedimento em massa, enviando cinco mil pessoas para casa.

Longe de um qualquer abismo, mas perto de mais um desastre, a Microsoft fez o que tinha de fazer: partir ao ataque. O alvo estava, há muito, definido: a Apple. A estratégia não foi inovadora mas foi agressiva. A Microsoft criou o “Laptop Hunter”, uma campanha publicitária diferente dos habituais spots promocionais. A empresa colocou diversas pessoas a fazer uma “caça ao portátil”, denunciando os equipamentos da marca da maça como demasiado caros e apontando os utilizadores de Mac como elitistas que compram gadgets como uma afirmação de estilo. A campanha fez-se – e ainda se faz – com diversas intervenientes na busca. Ao que revelam os resultados, a estratégia está a ser bem sucedida.

De tal forma que a Apple teve de reagir, lançando spots publicitários que defendem os Mac como produtos estáveis e isentos de vírus. Quase todos os anos, a Apple lança uma nova versão do seu sistema operativo, mantendo uma estratégia comercial simples: alguns melhoramentos, aplicações integradas que cobrem diversas áreas e preços acessíveis, motivando os clientes a actualizarem os seus sistemas.

Já a Microsoft usa e abusa de uma política comercial demasiado agressiva, mesmo, ou sobretudo, para quem tem 88 por cento do mercado dos sistemas operativos. Assumindo, ainda que indirectamente, o fracasso do Vista, alvo de inúmeras críticas pela pobreza técnica, a Microsoft está a tentar emendar os erros com o Windows 7. O novo sistema foi recebido de forma positiva, como um renascimento. Uma espécie de prolongamento do XP e após um intervalo chamado Vista.

Na realidade, o 7 é o sistema operativo mais escrutinado, porque, desta vez, a empresa soube ouvir o mercado de forma séria. No entanto, não é possível deixar de olhar para esta proposta como uma grande actualização do Vista, uma espécie de “service pack plus”, enfim, o emendar dos erros cometidos. Uma circunstância que veio criar uma expectativa quanto aos preços de venda que a Microsoft aplicará no próximo ano, depois de terminar a fase experimental. Os primeiros sinais não são positivos. Há notícias, com base em fontes não oficiais, que indicam ser propósito de Balmer e companhia cobrar mais pelo 7 do que cobrou pelo Vista. A confirmar-se, os clientes vão pagar duas vezes um sistema operativo.

Com 1 por cento mundial do mercado de sistemas operativos, mas com grande estabilidade, reunindo já inúmeras aplicações de qualidade, diversas versões com capacidade para agradar a todos e actualmente com grande facilidade de utilização, o Linux começa a aparecer-me cada vez mais atraente. E não só a mim.

P.S. Depois de um primeiro anúncio lançado há meses no Japão, a Google, a actual grande potencia mundial, colocou o mesmo anúncio nas televisões dos EUA. O spot promove o Chrome, o navegador de internet que a empresa lançou em Setembro passado. Hoje, não chega a 1 por cento de utilizadores em todo o mundo. Posso estar enganado mas dentro de um ano deve chegar aos 5 por cento. Isto é muito e é importante.

Ou como o Jugular gostava de jugular o 5 Dias

Afastado que ando, por vontade própria, das luzes da ribalta, no blogue colectivo Aventar, uma criança que tem apenas mês e meio de vida, tenho acompanhado, divertido, toda esta questão acerca dos «posts» que o Paulo Pinto quer ver retirados do «5 Dias». O Paulo Pinto e, ao que parece, outros elementos hoje integrados no Jugular.
Vocês sabem que eu não descansava se não metesse o bedelho. Isso e o facto de a questão me dizer directamente respeito levou-me a escrever este «post». Nada mais direi sobre esta questão para além disto.
Como muito bem diz a Maria João Pires, tudo começou com um comentário indevidamente aprovado a um «post» da Fernanda Câncio com um texto do padre Anselmo Borges. Um comentário que foi imediatamente retirado e que dizia, por outras palavras, que o referido padre é um putanheiro.
Ainda estava no «5 Dias» na altura e, apesar de não ter sido eu a aprovar o comentário, foi meu entendimento – e continua a ser – que os leitores têm todo o direito de ver os seus comentários aprovados, até porque muitos deles chegam aos blogues por mero acaso e nada sabem das «tricas» da blogosfera. Os «posts» estão lá e, se estão lá, é para serem comentados.
Infelizmente, não foi esse o entendimento dos elementos mais antigos
do «5 Dias» e, internamente, foi dada indicação para não serem aprovados comentários a «posts» de antigos elementos. Infelizmente
também, o WordPress apresenta muitas lacunas e uma delas é
precisamente não indicar, no painel dos «posts», o nome do respectivo
autor. É possível saber, como é óbvio, mas perde-se muito tempo.
No Aventar, com mês e meio de vida apenas, deparo-me com esse
problema. Que dizer então do 5 Dias, com quase quatro anos de
publicação e milhares de «posts» on-line? O certo é que esta questão
acabou por provocar a minha saída deste blogue, sobretudo por causa
das reacções em cadeia ao caso do padre Anselmo, sobretudo por parte do «Grande Bardo».
Pouco tempo depois do caso do padre Anselmo, o Rogério da Costa Pereira pediu que os seus textos fossem retirados do «5 Dias», mas como é hábito, ninguém lhe ligou.
Desta vez, foi o Paulo Pinto a fazer o mesmo, sem que eu perceba muito bem como é que, desta vez, tudo começou. E é curioso estes pedidos virem da parte dos dois ex-elementos cujos textos são, precisamente, os mais dispensáveis dos Arquivos do «5 Dias». Estarem
ou não estarem nos Arquivos, para o «5 Dias», é exactamente a mesma coisa. Fazem tanta falta como os textos da Levina Valentim.
O mesmo não poderei dizer dos textos do Rui Tavares, da Joana Amaral
Dias, do Luís Rainha, da Fernanda Câncio, da Palmira Silva ou da Ana Matos Pires, só para dar alguns exemplos. Sem querer ser imodesto, o mesmo não poderei dizer dos meus próprios textos.
Mas a questão nem sequer é a importância ou não de um determinado
conjunto de textos. Em meu entender, é uma questão de princípio. Para mim, a partir do momento em que publiquei um texto num blogue, esse texto é desse blogue. Posso publicá-lo noutros blogues, se assim o entender, mas não é por isso que tenho o direito de privar o blogue
inicial de um texto que aí livremente publiquei. Não sei o que diz a
lei, mas, moralmente, é assim.
Foi por isso que, na caixa de comentários do Jugular, aconselhei o
Paulo Pinto a recorrer a vias judiciais. Como resposta, o Paulo Pinto
revelou de forma despropositada o conteúdo de um e-mail que fora
enviado em privado para um elemento do Jugular. Tentei fazer ver que
esse procedimento não era correcto, mas sem êxito. Ana Matos Pires
acusou-me erradamente de estar a fazer ameaças por eu dizer que nunca revelaria as minhas mensagens privadas com outro elemento do Jugular, quando era precisamente o contrário – só queria com isso dizer que nunca faria isso porque não sou como o Paulo Pinto; e o mesmo Paulo Pinto mandou-me «comer palha que pareces estar com fome».
Acabou aí a conversa com o Jugular, como não poderia deixar de ser.
Mas o ultimato feito por alguns elementos desse blogue levou-me a vir aqui com este assunto. Para dizer apenas que tenho muito gosto que os meus textos, tanto os excelentes como os bons, permaneçam nos Arquivos do «5 Dias». Para dizer que, apesar de serem meus e, por isso, passíveis de serem publicados noutros locais, o «5 Dias» poderá usá-los da forma que entender. Para dizer que estão à disposição de todos os leitores que os quiserem comentar.
Ser uma figura de culto da blogosfera traz-me responsabilidades acrescidas. Devo cultivar a humildade e a modéstia. Não quero ser uma
Prima Donna, nem quero que a fama me suba à cabeça. Por isso é que
nunca pediria que os meus textos fossem retirados de um blogue, por mais problemas que tivesse com os meus ex-colegas. Nunca iria morder a mão que um dia me alimentou.
Como entender, por isso, que alguém que na blogosfera não é nada tenha, sem mais nem menos, esse tipo de atitudes?

Ricardo Santos Pinto / r.

Nota: Depois de escrever este texto, os «posts» dos actuais jugulares foram mesmo retirados do «5 Dias». Discordo completamente, mas é lá com eles.
Curiosamente, logo hoje, acerca da morte de João Bénard da Costa, fui ao «5 Dias» procurar um «post» que na altura a Maria João Pires escreveu sobre umas infelizes declarações dele acerca de Isabel Pires de Lima. Resultado: não encontrado. Nem o «post» nem, como é óbvio, os comentários.
Qual não é o meu espanto quando procuro no Google e encontro esse «post» no… Jugular. Escrito em Junho de 2008, como se nessa altura já existisse Jugular. Lol, pelo que vejo, esse blogue já começou em… Fevereiro de 2007! Eh, eh, isso é que é reescrever a história! Pois, os Arquivos dos autores saídos para o Jugular foram disponibilizados pelo «5 Dias», sem problemas, logo na altura. Se não tivessem sido, será que agora eles pediam para retirá-los?
E assim se fez luz sobre todo este caso. A única intenção do Jugular, afinal, é precisamente aumentar as suas audiências e tentar ultrapassar o «5 Dias», algo que nunca conseguiu.
Só dessa forma o conseguiremos – centenas de artigos passam a estar apenas no «Jugular» e já não no «5 Dias» – pensam aquelas cabeças, que já há meses deviam estar a congeminar isto. É agora que os vamos jugular!
Está tudo explicado!

«Há algo que o tempo tem os limites certos»

Frase escolhida do «post» anterior.
Não se pode transformar isto no Hino do Ministério da Educação?

«Temos hoje milhares de professores a fazer avaliação» (eh eh, e digo isto sem me rir)

Diz hoje a ministra da Educação, no «Público», que a avaliação dos professores é uma reforma ganha. Diz também que há milhares de professores a serem avaliados. Foi bom ler esta notícia.
É que ainda não tinha dado por nada.
Partindo do princípio de que, para a ministra da Educação, ser avaliado é entregar um relatoriozito no final do ano com a auto-avaliação das actividades realizdas ao longo do ano, então está bem, os professores foram avaliados este ano. Tão avaliados como nos últimos 30 anos, mas está bem!)
Talvez por estarmos no final da legislatura, anda apuradíssimo o sentido de humor da ministra da Educação. Maior sentido de humor só o mesmo o de Margarida Moreira, a poetisa da DREN:

«Caras e caros colegas,
Faz hoje 4 Anos [de mandato].
Tem dias que parece que o tempo se emaranhou nas coisas e nas pessoas.
Tem outros dias em que tudo parece ter ocorrido ontem.
Contudo há algo que o tempo tem os limites certos.
Foram quatro anos bons de amizade, de solidariedade e de prazer de poder contar com o vosso profissionalismo e apoio.»

Haverá melhor sentido de humor do que este?

a questão transversal

reserva-privacidade

Nesta questão da professora que foi gravada na aula por uma aluna, eu vejo de forma transversal uma outra. Não é a questão do excessivo floclore televisivo da praxe. Não é como um professor deve ser. Não é a questão de este país se estar (novamente) a tornar num país de “bufos”. Não é a questão partidária. Não é a questão se os comentários da professora são próprios ou não. Tudo isso foi bem analisado e se calhar até em demasia, por toda a imprensa e blogosfera. Aqui a questão transversal é a privacidade. Entramos em campos muito perigosos e instáveis.
O comportamento da professora é igual num contexto de privacidade e num contexto social? O nosso comportamento é igual em casa e no trabalho? Mas mais importante do que isso: deve-se divulgar o comportamento pessoal num contexto de privacidade? Onde termina a privacidade e como se pode impedir que a mesma seja exposta em praça pública? Este caso vem cimentar a minha opinião, que neste momento, a privacidade termina onde os outros acham que deve terminar. Tecnologicamente quase que já não nos é possível impedir a intromissão. Gravadores, telemóveis, web cams e afins estão totalmente dissimulados pela sociedade, portanto o impeditivo começa a residir mais na vontade de outra pessoa o fazer ou não, do que no próprio indivíduo. Não há nada a fazer quanto a isto. É a evolução tecnológica. E está a chegar à “bufaria”.
Se o mesmo gravador utilizado na sala de aula percorrer os diversos sectores de actividades portugueses vamos ter todos uma enorme surpresa. Ficam algumas questões por fazer. Nos corredores da Assembleia da República utiliza-se a mesma linguagem do plenário? Os nossos representantes falam sempre daquela forma coloquial? Devo gravar a conversa com um polícia quando estiver a ser multado? Devo gravar a conversa quando for às Finanças tratar de algum assunto? Devo gravar a conversa com o gestor de conta no banco? Devo gravar a conversa com o meu patrão? Devo gravar a conversa quando vou a uma entrevista de emprego? Se, como nesta situação, a gravação de uma eventual conversa me beneficiar de alguma forma, nem que seja prejudicando quem está do lado de lá, expondo-o publicamente, então parece que está respondido.

Ainda me lembro vagamente duma célebre conversa “off the record” em que um treinador de futebol dizia que “se soubesse que esta merda acabava amanhã, ia por aí abaixo (ao sul) e limpava o sebo a uma data deles”. Qualquer coisa como isto.
À parte da avaliação do comportamento da professora, à parte da complexa questão deontológica jornalística, à parte da inevitável comparação com o Dvd do Freeport, acho que fica uma questão importante de parte: a reserva da privacidade de cada indíviduo. O círculo de privacidade está cada vez mais pequeno. É que mesmo que a professora recorra a tribunais e ganhe a questão jurídica, nitidamente já a perdeu no campo pessoal.

A força dos Sindicatos de Professores

No último post sobre o tema apareceram por aqui uns controleiros alarmados porque me venho meter em cousa alheia. Mas, meus caros camaradas, a vida é mesmo isto e com controleiros ou sem eles é muito importante que todos os professores percebam claramente o que está a acontecer na FENPROF porque isso vai ter consequências na forma como nós nos vamos organizar nos próximos anos.

Ainda antes do 25 de Abril de 1974, os Grupos de Estudos dinamizados por Professores conseguiram junto do governo de então algumas conquistas importantes, como por exemplo, o direito ao pagamento de férias.

O movimento sindical começou por ser unitário, mas as derivas reaccionárias (como na altura se dizia) das estruturas mais próximas da Manuela Teixeira (SPZN / FNE) levaram os professores, “motivados” pelo PCP a avançar com a refundação do verdadeiro espírito de Abril, mas em projectos diferentes. Nos anos que se seguiram o crescimento dos sindicatos da FENPROF foi brutal, havendo no tempo de Cavaco Silva uma explosão dos micro-sindicatos (mais de dez), que verdadeiramente nunca chegaram a ter qualquer tipo de papel na classe. A FNE manteve uma enorme força no 1º ciclo e a FENPROF esmagou tudo e todos nos outros sectores. Em 150 000 docentes temos mais de metade sindicalizados:a FENPROF tem mais sócios que os outros todos juntos.

E a dimensão é uma das explicações para o sucesso que os sindicatos de professores historicamente sempre foram tendo. A outra vem pela capacidade de mobilização e de colocar em movimento uma massa humana que está muito longe de ser constituída por gente sem cérebro. Antes pelo contrário, a capacidade de pensar a Educação no seu todo e intervir nesse plano fez com que os Professores SEMPRE se sentissem identificados com os sindicatos, nomeadamente os da FENPROF.

Por outro lado, nos Sindicatos da FENPROF sempre houve a capacidade de integrar dois tipos de dirigentes: os “profissionais” e os “professores” – como qualquer organização a estabilidade é fundamental e por isso a permanência de alguns dirigentes durante muitos anos é uma ENORME vantagem e não um problema como muitos referem – veja-se o que acontece no clube que mais sucesso tem tido. Eu, professor que vai e vem, entre a Escola e o Sindicato, nunca teria a capacidade de pensar a organização, como ela precisa de ser pensada.

O último nível e talvez mais importante relaciona-se com a capacidade que os Sindicatos da FENPROF sempre tiveram de inserir nas suas direcções gente de todas as orientações politicas e até partidárias – a presença do PCP e de gente próxima do PCP sempre foi dominante, mas socialistas e sociais democratas sempre tiveram a possibilidade de actuar e trabalhar dentro da FENPROF. Nos últimos anos houve também uma presença cada vez mais forte de gente próxima do Bloco, mas…

Surpreendentemente, com a subida de Jerónimo ao poder no PCP, a estratégia mudou e os Dirigentes sindicais do PCP optaram por avançar numa cruzada contra os infiéis!
Ainda não consegui entender o que é que o PCP pretende com esta estratégia, mas tenho a certeza que está a fazer a aposta errada porque está a matar uma das marcas mais fortes do sindicalismo docente: a diversidade de opiniões.
Felizmente os professores parece que começam a perceber o que se passa e por isso no Sindicato dos Professores da Grande Lisboa o PCP voltou a perder!

Sabemos que eles (PCP!) não vão parar por aqui e isso pode ser o princípio do fim do sindicalismo docente, tal como o conhecemos, mas…

João Bénard da Costa (1935 – 2009)

Morreu hoje, com 74 anos de idade, João Bénard da Costa. Dados biográficos, podem ir vê-los à Wikipedia, mas, como é óbvio, a sua ligação ao cinema e à Cinemateca Portuguesa é incontornável.
Foi sempre polémico e a última polémica foi precisamente com Isabel Pires de Lima, ex-Ministra da Cultura. Nessa altura, e mesmo que o costume seja dizer bem de quem morre, foi extremamente deselegante e pedante com a antiga titular da pasta da Cultura.
Violentíssimo, Bénard da Costa disse-lhe: «Meta-se com gente do seu tamanho e haja respeitinho por quem não tem idade, nem percurso profissional, nem posição social para gastar mais cera com tão ruim defunta». Tudo porque Isabel Pires de Lima defendeu a criação de um pólo da Cinemateca no Porto e acusou Bénard da Costa de não o querer.
Terá sido o último episódio público de um grande português. Não apaga o seu passado, mas lamento que manche a sua memória.

De volta ao mar – Centros para náutica


Para impulsionar os desportos náuticos e a náutica de recreio e dinamizar actividades complementares (turismo de cruzeiros, ecoturismo e turismo de natureza), o projecto do Hypercluster da Economia do Mar propõe a criação de centros do mar, tais como a “Cidade Náutica do Atlântico” em Viana do Castelo – Valimar, o “Arco Ribeirinho Sul – Marina do Tejo”, entre Alcochete e o Seixal, o “Centro Náutico da Baía de Cascais”, entre Cascais e Lisboa, o “Porto do Barlavento”, entre Portimão e Lagos, as “Portas do Mar” em Ponta Delgada, ou a “Escala do Atlântico”, no Faial, Pico ou São Jorge.
Esta área exige a elaboração de um plano estratégico de localização e implantação de apoios à navegação de recreio, a dinamização da “Porta Marítima de Lisboa”, que funcionaria como um grande espaço de recepção, e um novo quadro legal relativo à construção e exploração de portos de recreio. (Prof. Ernâni Lopes e Expresso)

Há quem o veja no Benfica…

“Um casal norte-americano do Texas, Dan e Sara Bell, viram Jesus num pacote de snacks de queijo.” (DN)

Não quero afirmar com toda a certeza, porque os olhos enganam, mas estou quase a garantir que ainda ontem vi a Angelina Jolie numa nuvem. E estava a sorrir para mim.

Lopes da Mota tambem é primo?

“Usei o nome do meu primo, no Natal peço-lhe desculpa”, diz em primeira página Hugo Monteiro, no Expresso.
Se vai pedir desculpa é porque não devia ter usado. E para usar sem ter que pedir desculpa tinha que, prèviamente, pedir autorização!
Isto aplica-se a Lopes da Mota? É que o PGR prefere afastar o Eurojust do caso Freeport que afastar Lopes da Mota! Porque Sócrates já lhe aceitou as desculpas? Mas o PM num caso como este pode aceitar as desculpas de um magistrado, ou tem que proceder em conformidade?
Pode dizer (o Primeiro Ministro) “como somos do PS e já fomos do mesmo governo está tudo desculpado”!Pode? Não pode! Pode ao primo, mas não pode a um magistrado que ainda por cima é Presidente de um organismo internacional, nomeado pelo governo e que só lá está enquanto o Primeiro Ministro quiser! O primo usou como primo que, como se sabe, é coisa que não se escolhe.
Mas um magistrado, senhores? Há aqui qualquer coisa que me escapa!

Ministra da Educação pede desculpa aos professores…

por não ter "desmontado" as acusações de estar a atacar os professores.

Ser Professor

Ser Professor é ter a plena consciência que a tarefa não é um emprego mas uma missão. É saber conjugar um perfeito domínio da matéria com uma vasta cultura geral e ter um verdadeiro dom, o de saber transmitir com clareza, e sem subterfúgios, aquilo que é fundamental para a aprendizagem da outra parte. É conseguir agarrar uma turma com a dose certa de ensino e lazer, aprendizagem e divertimento. É saber impor regras e delas não abdicar em caso algum. É amar a profissão e não a ver como um mero emprego.
Ser Professor não é partilhar angústias pessoais ou aventuras sexuais. Ser Professor é saber dar-se ao respeito e não ser mais um imberbe que vai para a rua insultar grosseiramente um ministro. Ser Professor não é andar de cartazes em punho ao jeito das arruaças de uma qualquer claque de futebol. Ser Professor não é compatível com palhaçadas de rua ou de auditório de Prós e Contras vociferando impropérios a um ministério reconhecidamente incompetente.
Ser professor é saber respeitar e dar-se ao respeito. É ser exigente com os alunos e consigo. É ser inteligente na forma como procura defender os seus direitos e saber que estes não podem ser exigidos sem a correspondente obrigação de cumprir a sua missão. É ter a mesma postura quer esteja no ensino público quer no privado.
Nos últimos 20 anos a maioria daqueles que leccionam são tão ou mais incompetentes que o ministério que os tutela. São incompetentes pois não dominam as matérias para as quais foram contratados e olham para o ensino como um mero emprego. Esquecem que ser Professor é uma missão meritória que deve ser o orgulho de todos os agentes, directos e indirectos, da Educação. A Escola, por sua vez, tornou-se num albergue espanhol onde todos mandam: professores, alunos, encarregados de educação, auxiliares educativos, autarquias locais, associações e colectividades, ministério, etc. Onde “Aprender” e “Ensinar” deixaram de ser objectivos fundamentais e únicos, tendo sido substituídos por “Passar” e “Receber”.
Estamos entregues à bicharada. Todos? Todos não, os que não são pobres escapam graças ao ensino privado. O que é injusto e um retrocesso social e esse é o principal crime cometido no ensino público em Portugal e a responsabilidade é, sobretudo, dos Professores e do Ministério da Educação.

AS BUFAS CHIBARAM A SETÔRA

CRIME, I SAY!
Uma Professora, considerada por muitos dos seus alunos como a melhor da escola, e por outros, uma segunda mãe, foi “chibada” por duas mães, depois das respectivas filhas, terem gravado, sem consentimento, as palavras proferidas pela docente, palavras que estavam a ser dirigidas exclusivamente às alunas e alunos daquela sala do 7º ano de escolaridade, numa escola de Espinho.
Esta atitude das alunas, pode e deve ser considerada um crime punido com prisão até um ano de prisão, e que pode ser aumentado para dezasseis meses, se o acto da gravação tiver sido feito com o intuito de prejudicar a outra pessoa.
Parece estranho que, nem pais, nem o Conselho Directivo da escola, nem a DREN tenham achado mal que duas “crianças” de doze anos tenham praticado tal “crime”, nem que obviamente tenham sido industriadas para o fazer.
Não estou a tecer neste momento, considerandos sobre as atitudes da Professora, sobre o tema, ou sobre o tom das palavras, nem tão pouco sobre as aparentes ameaças que proferiu. Simplesmente me debruço sobre a educação que, pais, encarregados de educação, Conselho Directivo da escola, DREN, Ministério, etc., dão às crianças, ensinando-lhes que os meios justificam os fins, levando-as a acreditar que o crime compensa, ensinando-as a serem “bufos” iguais aos do tempo da “outra senhora”.
Que tipo de sociedade temos, que ensina tais coisas aos seus rebentos? Que tipo de gente estamos a formar? Que tipo de vida vamos ter no futuro? Que qualidades temos agora, para transmitir aos nossos filhos, sobrinhos e netos?
Em que raio de País se transformou o meu Portugal?

As Televisões, os jovens e a professora de Espinho

No ‘aventar’, o episódio da professora da Escola Sá Couto de Espinho já foi devidamente dissecado, e por quem sabe mais da matéria do que eu; o João Paulo, por exemplo. Limito-me a repetir a opinião de que a professora esteve mal, facilitando até as críticas dos detractores da luta dos professores. Foi um tiro no pé.

Mas o que me traz aqui não é propriamente o juízo sobre a atitude da professora e dos alunos. É, isso sim, o habitual comportamento sensacionalista das nossas televisões, as quais, ora uma, ora outra, têm dedicado ao assunto vários tempos de antena, em sucessivos noticiários. Desde que se fale de sexo, mesmo neste caso nada feliz, as imagens vendem e captam audiências. E este é o objectivo.

Hoje, depois do almoço, entrei num restaurante para tomar  café. Olhei para o ecrã e pronto: dentro da tal lógica do sensacionalismo e da luta, a qualquer preço, pelas audiências, lá estava a TVI com as imagens no ar da professora de Espinho, com o locutor a debitar aquilo que eu já ouvira não sei quantas vezes.

Não deixa de ser contraditório, sobretudo por parte da TVI, este prestimoso cuidado com os interesses da educação dos meninos na escola. De facto, a contradição ainda é mais grave, porque a dita TVI distribui, há anos, abundantes doses de ‘Morangos com açúcar’, cujo cenário principal é a escola, apresentada como espaço lúdico, propício a amores e desamores, paixões e jogos sensuais. Com tudo isto, os nossos jovens, mesmo de 12/13 anos e mais novos, têm beneficiado de prolongadas lições de namoricos e de aventuras mais atrevidas.

Do palavreado à vestimenta, dos diálogos aos penteados, ‘Morangos com açúcar’ é “boé fixe meu” – é o que me apetece dizer ao José Eduardo Moniz, pedindo-lhe, ao mesmo tempo, que se calem e deixem a professora de Espinho entregue ao processo que lhe foi instaurado. Presumo que, nesta hora, a suspensão já a sufoca.

A Irlanda, a blasfémia e os abusos sexuais endémicos

Por fim, percebo. Não conseguia chegar lá, confesso. Foram algumas horas de reflexão e leitura sem entender as razões que levariam a Irlanda a debater e a levar a votos uma lei para criminalizar a blasfémia. Sim, sei perfeitamente que a Irlanda é um país católico, muito católico. Mas também sei que estamos no século XXI. Portanto, a minha dúvida estava fundamentada. Porque haveria um país ocidental, da União Europeia, debater uma lei da idade das trevas? Uma lei que multa uma pessoa que publique ou profira blasfémias (ver definição abaixo).

Hoje, terá sido votada uma emenda para permitir a alguém acusado de tal infâmia a possibilidade de se defender, com a ideia de provar que uma pessoa razoável encontra genuíno valor literário, artístico, político, científico ou académico no acto blasfemo. O acusado, sim, é que tem de provar tal feito. E quem pode ser acusador? Um qualquer indivíduo que se ofenda. Há mesmo quem proponha a criminalização do ateísmo.

Até hoje não tinha percebido porque é que isto acontecia. Hoje percebi. Hoje o The Guardian informa-me que “a violação e os abusos sexuais eram “endémicos” nas escolas e orfanatos da Igreja Católica irlandesa”. Esta foi a conclusão de um relatório, divulgado hoje, fruto de uma investigação de nove anos. O documento refere que os padres e as freiras aterrorizaram, durante décadas, milhares de crianças. Os inspectores do Governo “falharam em parar as crónicas agressões, violações e humilhações”.

As 2600 páginas falam de mais de 30 mil crianças afectadas entre 1930 e 1990. Durante mais de 60 anos, pelo menos.

Será coisas como estas que a Irlanda, a pura e dura católica Irlanda, quer impedir de serem divulgadas? Bem sei, se calhar não é nada disto. Se calhar esta minha teoria é um disparate total. Pode ser. Mas, se assim é, porque é que a Irlanda um país ocidental, da União Europeia, está a debater uma lei da idade das trevas?

blasfémia

s. f.

1. Dito ímpio ou insultante contra o que se considera como sagrado.

2. Dito indecoroso contra pessoa muito respeitável.

3. Proposição desarrazoadíssima.

A professora de Espinho caiu numa cilada

Com a devida vénia, reproduzo a crónica de Manuel António Pina no «Jornal de Notícias» de hoje:

«A notícia veio em tudo o que é jornal e TV: uma professora da Escola EB 2,3 Sá Couto, em Espinho – que dezenas de alunos seus consideram “a mais espectacular da escola” e uma “segunda mãe” – foi suspensa “após afirmações de cariz sexual”. A suspensão foi ditada pelo Conselho Directivo depois de duas alunas terem gravado afirmações suas numa aula, alunas que, segundo vários colegas, “fizeram aquilo de propósito e provocaram a conversa toda porque sabiam que estavam a gravar”.
A Associação de Pais e a DREN acharam muito bem. Ninguém, nem pais, nem Conselho Directivo, nem DREN “acharam mal” o facto de duas jovens de 12 anos terem cometido um crime (se calhar encomendado) para alcançarem os seus fins. O Código Penal pune com prisão até 1 ano “quem, sem consentimento, gravar palavras proferidas por outra pessoa e não destinadas ao público, mesmo que lhe sejam dirigidas”, punição agravada de um terço “quando o facto for praticado para causar prejuízo a outra pessoa”. Educadas desde jovens para a bufaria e a delinquência e sabendo que o crime compensa, que género de cidadãos vão ser aquelas miúdas?»

Carlos Fonseca – Vital Moreira e a teoria do PS de esquerda

Vital Moreira, em artigo no ‘Público’ de ontem, zelou diligentemente pela imagem do PS de Sócrates como partido de esquerda. Argumentava que o fosso entre os “dois partidos de governo nacionais” não cessa de se alargar. Adianta também que a tese da convergência dos dois partidos se baseia na visão esquerdista – explorada pelo PCP e pelo BE – de que, sobre a liderança de Sócrates, o PS se deslocou “para o centro”, estreitando desse modo a distância para o PSD.

Se restassem dúvidas acerca da falta de coerência da presença de Vital Moreira na manifestação do 1.º de Maio da CGTP, o artigo em causa certamente que as dissiparia definitivamente.

As maiores contradições centram-se, em particular, na declaração de que o PS busca assegurar a sustentabilidade financeira dos grandes pilares do ‘Estado Social’ (sistemas públicos de segurança social, de saúde e de ensino). Provavelmente por distracção, omitiu o sistema de justiça, uma área inalienável do Estado de Direito, que, como sabemos, está a funcionar de forma caótica; digo apenas isto, para evitar detalhes e não dissecar as alterações do Código de Trabalho promovidas pelo governo de Sócrates, e reprovadas por 5 deputados socialistas.

Sobre o ensino, e da alegada defesa da escola pública, a maioria dos cidadãos está esclarecida. A obra de Maria de Lurdes Rodrigues, e da sua equipa, é um símbolo de prepotência e incompetência, que a direita não desdenharia. A luta dos professores é elucidativa e atingiu uma dimensão pública jamais vista. Portanto, a este respeito, não vejo o tal fosso.

No domínio da saúde, comecemos por salientar que, no relatório de 2000 da OMS, Portugal estava em 12.º lugar, no ‘ranking’ de ‘Overall Performance’; entre, diga-se, 191 países. O resultado assentava sobretudo no desempenho do SNS. No último governo de Guterres, o ministro Correia de Campos lançou o célebre programa de parcerias ‘público-privadas’, no âmbito do qual deveriam estar em construção em 2006 (!) os hospitais de Loures, Cascais, Braga e Vila Franca de Xira. Da lista, apenas está em construção o Hospital de Cascais que, segundo o Tribunal de Contas, foi aprovado sem terem sido considerados todos os encargos públicos com o projecto, nem avaliados os riscos dai resultantes (notícia da edição de hoje do ‘Público’).

Em suma, a política do PS para a saúde, iniciada nos tempos de Guterres, prosseguiu com os governos PSD + CDS e de Sócrates. Este último prepara-se, agora, para penalizar os cidadãos com a liberalização das margens sobre os preços dos medicamentos. Uma cedência à poderosa ANF, do Sr. Cordeiro. Também aqui não vislumbro o fosso.

A grande probabilidade da não atingir a maioria absoluta assusta, e de que maneira, certas figuras do PS e seus apêndices. Resta, pois, a Vital Moreira defender a teoria do ‘PS de esquerda’, e atirar-se à visão de esquerdista. Tem que haver sempre um inimigo – é dos livros.

De volta ao mar – Reestruturar os portos


Reforçar a capacidade competitiva, dando uma orientação comercial e de gestão portuária e aumentando a sua eficiência económica. Criar um “megahub” no porto de Sines, integrado em redes de portos à escala internacional, o que exige novas frentes de acostagem.
O sistema nacional deverá ter dois “hubs”, um nos portos de Lisbos/Setúbal e outro nos portos de Aveiro/Leixões, com junção das respectivas administrações, criando entidades com dimensão europeia. Terá ainda “hubs” nas regiões autónomas (Ponta Delgada, nos Açores e Caniçal na Madeira) e portos de carga regionais com capacidade até 5 milhões de toneladas (Figueira da Foz,Viana do Castelo,Praia da Vitória e Horta), sendo desenvolvidos como portos de cabotagem e transporte marítimo de curta distância. Ainda terá portos locais sem capacidade de inserção nas redes inetrnaionais (Portimão e Faro).
É fundamental alterar o enquadramento fiscal e legal, que não é propício ao desenvolvimento dos transportes marítimos! Um mar de oportunidades!
Amanhã desenvolveremos outro tema enquadrado no estudo do Prof. Ernâni Lopes “Hyper Cluster da Economia do Mar”.

Rui Rio e a Câmara do Porto

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RIO POR INTEIRO
Sobre Rui Rio, já tive oportunidade de dizer que é o “meu”  candidato à Câmara da minha cidade (aqui, aqui e aqui), da mesma forma que já tive oportunidade de dizer que a candidata Maria Elisa o não é (aqui), e embora tivesse tido oportunidade, sobre os outros candidatos não me apeteceu falar. Não é que não me merecessem o devido respeito, mas porque entendo que são “cartas fora do baralho”.
Dr Rui Rio, gosto realmente de si!
Nas duas cartas que lhe escrevi e num outro artigo, disse-o, e aqui o reafirmo. A cidade do Porto mudou, e para melhor, após a sua eleição. Não estará tudo bem, longe disso, mas para lá caminha, com a sua sobriedade, a sua capacidade, e a sua sabedoria.
Ninguém pára este Rio, e tenho pena que este tenha de ser o seu último mandato. Findo ele, partirá por certo para outros voos, mais altos, substituindo com qualidade os actuais lideres do seu partido.
É o candidato, dos que têm capacidade para vencer, o único com perfil adequado e o que se interessa unicamente pela cidade a que se candidata. É o único com os pés no Porto, “ambos os dois”!
Foi oficializada a candidatura, dificil será não ganhar, com tão fraca concorrência.

A professora de Espinho não é do PS !

Esse é que é o pecado capital!Essa é que é a diferença que faz toda a diferença!Suspensa, já? Mas, então, a professora já foi a tribunal? Do que se ouviu, para além do mau gosto, não há sequer um palavrão,uma frase que se possa dizer que faltou ao respeito a quem quer que seja!Nem sequer um inquérito para se apurarem as condições que levaram a professora áquele destempero? Não tem direito a nada ? Suspensa ! Mas então os banqueiros ? E o ex-Ministro do Ambiente? E o Presidente do Eurojust? E os negócios finos da CGD? Pois é, amigos, neste país voltaram os tempos em que ser de uma determinada associação política é passaporte para usufruir direitos que se negam aos outros ! Eles bem avisaram ” quem não é do PS, leva!” Nós, incautos, julgavamos que eles estavam a dizer outra coisa!

Barack Obama, o Sócrates americano

Aqui, escrevi que a tomada de posse de Barack Obama significava o fim de um mito. Por ser ele uma pessoa como todos nós, mas também por ser não mais do que um político.
Parece que se confirmou a minha previsão. Primeiro, foi a promoessa quebrada de fechar Guantanamo em apenas cem dias. Agora, a ordem de restaurar os Tribunais especiais que existiam no tempo de Bush e que ele tinha mandado suspender. No Iraque, continuam os «raids» aéreos, a morte e a destruição. Até a promessa de levar um rafeiro do canil para a Casa Branca ele não conseguiu cumprir.
Afinal, parece que Barack Obama não passa de um extraordinário produto de «marketing». Uma figura de plástico, vazia, que disse o que sabia que tinha de dizer para ganhar as eleições. Uma fraude!

Recusa comentar

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Tropecei aqui no Jornal de Negócios. E o presidente Cavaco diz que sim, que está atento e que isto está difícil, mas teve uma surpresa com a subida do desemprego. Tudo bem, eu também ando por aí, também sei isso. Mas depois diz “que a situação económica do país é “muito difícil” e recusou tecer mais comentários considerando que já se está em período pré-eleitoral”. E recusou tecer mais comentários. Depois pus-me aqui a pensar, se de facto o presidente Cavaco não trabalhará só em part-time. Sem querer ofender esta alta personalidade portuguesa (não estará nos dez mais influentes, de certeza, sendo que são da actualidade), acho estranho o facto de ele raramente aparecer e nunca comentar nada. Cavaco recusa comentar a polémica licenciatura de Sócrates. Cavaco recusa comentar a permanência de Dias Loureiro no Conselho de Estado. Cavaco recusa comentar o caso Freeport. Cavaco recusa comentar o processo a Lopes da Mota, JUST, EURO JUST. Cavaco recusa comentar a aprovação do estatuto dos Açores. E Cavaco até recusou comentar a possibilidade de dissolução da Assembleia sugerida por Eanes, por causa do estatuto dos Açores. O presidente Cavaco não co-men-ta na-da. E já aparecer é muito difícil. Passam-se semanas sem ver o Presidente Cavaco. De repente, lá aparece porque vai com empresários fazer publicidade a Portugal. Ou porque vai de férias com a Primeira Dama. Depois recusa comentar qualquer coisa. E depois desaparece novamente. Mesmo assim, fui ver como são os dias do presidente. Interessantes. E com boas fotografias. E tenho aqui as minhas próprias legendas, mas ficam só para mim porque isto hoje em dia é-se processado por dá cá aquela palha.

“O Presidente da República é o Chefe do Estado. Assim, nos termos da Constituição, ele “representa a  República Portuguesa”, “garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas” e é o Comandante Supremo das Forças Armadas.
(…)
No entanto, muito para além disso, o Presidente da República pode fazer um uso político particularmente intenso dos atributos simbólicos do seu cargo e dos importantes poderes informais que detém. Nos termos da Constituição cabe-lhe, por exemplo, pronunciar-se “sobre todas as emergências graves para a vida da República”, dirigir mensagens à Assembleia da República sobre qualquer assunto, ou ser informado pelo Primeiro-Ministro “acerca dos assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do país”. E todas as cerimónias em que está presente, ou os discursos, as comunicações ao País, as deslocações em Portugal e ao estrangeiro, as entrevistas, as audiências ou os contactos com a população, tudo são oportunidades políticas de extraordinário alcance para mobilizar o País e os cidadãos.” retirado do site da presidência

Se calhar é só para encher o site. O site da presidência é muito completo. Tem muita informação. Tem micro-sites, áreas temáticas, mensagens, documentos, as visitas de Estado, etc. Tem especialmente uma secção que achei interessante. “Escreva ao Presidente“. E se calhar vou mesmo. Envio uma mensagem a dizer “recuso comentar”.

A professora de Espinho e o Eurojust – o contexto da Srª Ministra

Num post anterior referi com alguma ironia parte da música dos Da Weasel porque em Portugal anda muita gente distraída. Obviamente, não me passa pela cabeça criticar a letra, antes pelo contrário – lembro-me é de a ter ouvido a mesma música cantarolada por meninos em idade de Jardim de Infância, ou seja, há contextos. E é sempre preciso perceber os contextos.

Em Espinho, na escola Sá Couto (que conheço bem), como em qualquer outra organização é necessário entender o contexto.

Não quero, meu caro José Freitas, virar o bico ao prego. Com todas as letras é necessário dizer que o comportamento da minha colega é o menos correcto. E é o menos correcto porque usa a metodologia errada e porque recorre a argumentos que não são os adequados.

O que fui ouvindo: professora que fala de sexo, docente que fala de orgias, etc… Meus caros, a Educação sexual é um tema OBRIGATORIAMENTE tratado nas nossas escolas de forma transversal a todas as disciplinas: as orgias em Roma são um excelente pretexto para abordar estas questões.

Aliás, quer o conteúdo, quer a forma são coisas que acontecem aos melhores:

– o Professor que nunca berrou com um aluno ou com uma turma, que atire a primeira pedra;
– falar sobre as questões em torno da educação sexual, são um dever e uma obrigação de todos os professores.

Fecho esta dimensão: somos 150 mil e obviamente há uns que são bons e outros que nem por isso – a docente em causa não cometeu crime algum, apenas falhou.

Abro a porta para uma segunda dimensão, em que não vou concordar com o Paulo Guinote, que na Educação do meu umbigo defende a divulgação do som.
O que foi feito é uma ilegalidade – lembro que todos os arguidos do processo apito dourado contestaram a validade das escutas. Dizem eles ilegais – Pinto da Costa nunca negou o seu conteúdo, por exemplo.
Ou seja, há aqui uma dimensão ética que não deve ser deixada para trás – e não se compara a gravidade desta questão (um erro de uma “simples funcionária pública”) com as possíveis cunhas no caso freeport.

A propósito deste caso, assinalo esta questão:

– a professora foi “gravada” e imediatamente suspensa: sem defesa, sem notificação…
– no caso do sr. do Eurojust já temos tudo, mas nada.

Para concluir, dizer que isto só acontece porque tivemos quatro anos de Maria de Lurdes, de Margarida Moreira, de Lemos e de Pedreira – um contexto onde a classe docente foi SEMPRE colocada ao nível mais baixo que seria possível imaginar. Sou incapaz de enumerar as situações e declarações desta equipa que tinham como alvo os professores.
Não tenham dúvidas – são estas condições que nos tornam, depois, um alvo de tudo e de todos.
É por isso que dia 30 estarei em Lisboa – pela nossa dignidade!

Maia:

“Quanto ao restaurante, só houve uma proposta, a do Fernando, por isso

estou tentado a apoiar esse, o famoso Machado, na Maia (para quem é do

sul, trata-se de um lugarejo nos arredores do Porto)”  mail enviado pelo Ricardo Pinto a todos os membros deste blogue.

 

Meus caros Amigos(as) está o caldo entornado!!! Então a Maia, um concelho “À Frente do seu Tempo” apelidado de “lugarejo”? Assim como uma terriola das profundas nos arrabaldes do Porto? Mas este Ricardo Pinto é donde?

Caríssimos, a Maia é um concelho exemplar a todos os níveis com uma qualidade de vida ímpar no todo nacional! Aliás, como todos vocês vão verificar, com os vossos olhos e, melhor ainda, com o estômago, depois de uma comezaina daquelas no Machado!

 

Estou sem palavras! “Lugarejo”? Mas pensa V. Ex.ª. que está a falar de Gaia, de Matosinhos ou de Valongo? A Maia não é um lugarejo, é a terra que viu nascer o grande Lidador. É a terra onde está instalada a Wipro. É a terra onde está a ser produzido o único automóvel verdadeiramente português, o Vinci GT. É a terra da maior estrela de Natal da Europa. É a terra onde vivem personalidades ímpares dos vários quadrantes sociais de Portugal como o Tiago Monteiro, o Pedro Burmester e o Sinaleiro da Areosa. É a terra onde estuda, afincadamente, Gestão de Desporto o futuro Presidente do FCP, o Vítor Baía. É a terra da grande Rádio Lidador.

 

“Lugarejo”? Eu quero é ver-te a conseguir provar todas as entradas, comer a vitela e deglutir todas as sobremesas do Machado. Depois disso e de várias canecas de maduro tinto, sangria e um final de digestivo, quero ver de que vais apelidar a Maia!

 

Só falta insultares a Areosa. Atreve-te e verás o que é a intifada do triângulo “Pedrouços-Triana-Areosa”.

Anti-Corrupção

A desconfiança em relação aos partidos políticos é muito grave e a recente Lei do Financiamento dos partidos agravou essa percepção.Não é possível- como se tem visto nos últimos vinte anos- que as reformas estruturais que todos sabem quais são, sejam efectuadas, enquanto perdurar este espírito de desconfiança.Assim, a primeira grande prioridade do próximo governo, seria lançar um pacote legislativo anti-corrupção!O actual governo tem vindo a tomar medidas que acentuam a desconfiança dos cidadãos,desde a eliminação de concursos públicos e a entrega por ajuste directo de obras públicas,até à Justiça cara e que não funciona, passando por prioridades em mega projectos questionados por todos e que se adaptam como uma luva aos grandes e costumeiros grupos económicos.O acentuar da crise arrasta os cidadãos para situações pessoais e familiares muito dificeis o que vai acentuar, ainda mais, a percepção da corrupção.Dois terços de nós consideram que o governo não tem sido eficaz no cambate à corrupção!Sem confiança e sem credibilidade nenhum governo conseguirá tomar e implementar no terreno as medidas estruturais que todos sabem quais são.É só preciso ter força política e a confiança dos cidadãos para tirar o país deste caminho que nos arrasta para o empobrecimento!Mas para isso o exemplo terá que vir de cima, não podemos desconfiar de quem nos governa,não podemos ter governantes envolvidos em práticas e em casos que não abonam a sua honestidade! Sem um pacote de leis anti-corrupção corajoso nenhum governo deixará obra!

5dias.net: não têm notícias sobre as eleições no GL?

Ora viva,
camaradas do 5dias.net: como está a contagem de votos? Vai bem?

A morte sobre Saigão

Um livro extraordinário escrito por um jornalista americano que cobriu a guerra no Vietname.
A aviação americana bombardeava a floresta durante o dia, enquanto havia a luz do sol. Não ficava viva alma à superfície da terra.
Passada uma hora a vida renascia. Veio depois a perceber-se a razão do milagre. Autênticas cidades tinham sido construídas no subsolo. Soldados vietnamistas a quem era dado o “tiro da misericórdia” e que antes de morrerem matavam uns quantos soldados americanos. Uma percentagem significativa de soldados USA morriam de ataques cardíacos.
No presente vemos no Iraque ataques suícidas de crianças e de adolescentes. Vemos comportamentos desumanos em interrogatórios e choques traumáticos pós-guerra que chocam o cidadão comum. A América horrorizada está agora a descobrir (ontem como hoje) que os seus melhores filhos, habituados ao calor de uma boa vida, recorrem a tudo o que é droga para aguentarem a pressão em teatro de guerra. O que explica comportamentos que nos envergonham enquanto cidadãos.
Ninguém quer compreender que uma sociedade que prepara pessoas para uma vida de facilidades não pode esperar que estejam preparadas para a guerra. É fácil premir um botão num avião a centenas de quilómetros de distância, sem ver a cara do inimigo! É muito dificil estar perto de sangue, músculos, ossos, sofrimento! Lá, como cá, esses jovens vão ficar esquecidos, a sociedade tambem não suporta a sua existência, prova última do seu fracasso!

Eurojust: Presidente de mota

Com este Governo todas as vergonhas nos vão acontecer.
Temos um magistrado presidente de uma instituição judicial europeia sujeito a um processo disciplinar. Confirmou, ele próprio, que falou com colegas sobre o processo Freeport a mando do Ministro da Justiça e usando o nome do Primeiro Ministro. O processo Freeport passa pelo Eurojust! Os colegas com quem ele falou são os titulares do processo!
O que é preciso para este senhor se demitir? Ter vergonha! Não é preciso ser um tribunal a dizer-nos o que pensamos do comportamento deste magistrado, nem os prejuízos que causa na UE ao bom nome de Portugal! Demita-se! O PS não quer deixar que o senhor Mota seja ouvido no parlamento. Pois não, mas seria bastante interessante saber as razões de o Sr Ministro e o Sr. Primeiro Ministro não o accionarem judicialmente.
Por bem menos acusaram jornalistas!

Um chip para mim, um chip para ti.

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Já não bastava as câmaras de segurança, os BI’s todos artilhados de chips e cenas electrónicas, agora sempre vão avante com o raio do chip na matrícula. Pensei que se tinham esquecido disso com esta coisa da “crise”. Ainda a semana passada falei nisso aqui em casa, e disse logo aqui ao pessoal para acabarem com a conversa que eles ouvem tudo. E não é que me vêm outra vez com a porcaria do chip? Eu avisei para estarem calados, mas nunca me ouvem. Pior do que isso, é que parece que o tal DEM (Dispositivo Electrónico de Matrículas), nem é na matrícula, é no sítio do outro aparelhómetro da Via Verde. Deviam mudar o nome para DEMOMNSAVV (Dispositivo Electrónico Mais ou Menos no Sítio do Aparelhómetro da Via Verde). Vai ser engraçado para aquele pessoal que já tem no tablier e no vidro um pequeno LCD, o VCD, as colunas, a Nossa Senhora de Fátima e o GPS, que qualquer dia têm de ir com a cabeça de fora para conseguir ver a estrada… Aqui, estes senhores, explicam tudo direitinho sobre o chip. Eu, que estou totalmente paranóico com tanta vigilância orwelliana, e ainda nem fiz nada(!), fico ao menos, totalmente descansado porque estão envolvidas empresas privadas nesta brilhante negociata. Uma delas é a Mota-Engil. Estou mais descansado. Assim sei que o “self-interest” desta empresa vai zelar pelo meu bem-estar e dos outros portugueses. Isto é que vai ser facturar: cobrar realmente em portagens virtuais. O sonho capitalista tornado realidade. Não! É o pesadelo capitalista tornado realidade. Quer dizer, já não sei… isto é um choque ideológico ultimamente que me confunde todo…
Em parte, eu até acho bem, porque já me roubaram a matrícula por duas vezes… e levaram o carro junto. Curiosamente, de uma das vezes, o carro apareceu, mas a matrícula não…

Fica só a pergunta: para quando o CHIP para políticos e legisladores? Só para sabermos onde eles andam.

Mario Benedetti, 1920-2009

Mario Benedetti Defensa de la alegría Defender la alegría como una trinchera defenderla del escándalo y la rutina de la miseria y los miserables de las ausencias transitorias y las definitivas defender la alegría como un principio defenderla del pasmo y las pesadillas de los neutrales y de los neutrones de las dulces infamias y los graves diagnósticos defender la alegría como una bandera defenderla del rayo y la melancolía de los ingenuos y de los canallas de la retórica y los paros cardiacos de las endemias y las academias defender la alegría como un destino defenderla del fuego y de los bomberos de los suicidas y los homicidas de las vacaciones y del agobio de la obligación de estar alegres defender la alegría como una certeza defenderla del óxido y la roña de la famosa pátina del tiempo del relente y del oportunismo de los proxenetas de la risa defender la alegría como un derecho defenderla de dios y del invierno de las mayúsculas y de la muerte de los apellidos y las lástimas del azar y también de la alegría.