o preço de vender os direitos de cidadania. A negação da democracia em todo o seu abjecto esplendor.
«Badalhoco, corta o cabelo e a barba!» (o novo padre de Canelas e os piquetes de missa)
Coitado do novo padre de Canelas, freguesia do terceiro concelho mais populoso do país, Vila Nova de Gaia. Tem sido um verdadeiro Cristo!
Ao que parece, os paroquianos não estão contentes com o novo titular. Queriam o antigo, que não tinha barba nem cabelo comprido. Vai daí, tentam bater-lhe cada vez que sai da missa, chamam-lhe badalhoco e mandam-no cortar o cabelo e a barba. Só Cristo é que tinha direito a andar assim.
São católicos e católicas de barba rija, de pelo na venta, a quem só falta formar «piquetes de missa» para impedir que as ovelhas tresmalhadas do rebanho caucionem, com a sua presença, o novo padre. É gente que costuma ir lá para dentro bater no peito e dizer que e é muito crente.
Felizmente que sou ateu. Caso contrário, ainda pediria a Deus que nos livrasse destes sacripantas!
Gorduras: a história de um Parlamento cada vez mais obeso
(foto roubada a um artigo do João José Cardoso altamente recomendado no âmbito das origens da problemática da mordomia política)
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Enquanto a propaganda da escumalha nos continua a vender uma governação cada vez mais rigorosa que contém a despesa ao mesmo tempo que opera um milagre económico que faz de Portugal um país melhor cujo único problema é ter pessoas que estão pior, o mundo real vai-nos dando chapadas diárias na cara, chapadas essas que pouco ou nada afectam o eficazmente domesticado português, sempre ocupado com questões prioritárias como a rotatividade de Lopetegui, as polémicas curvas de Jéssica Athayde ou esse “curral” a que dão o nome de Casa dos Segredos (notem que o termo “curral” foi usado precisamente por um concorrente do reality show fazendo referência à saída das concorrentes femininas do seu quarto – “as vaquinhas saíram do curral” – termo que foi de resto imediatamente incorporado pelas simpáticas concorrentes que imediatamente cantaram a sua bovinidade). Ser aldrabado é fetiche nacional e contra factos não há argumentos. São desígnios.
Funcionários judiciais portugueses expulsos de Timor
por alegada «incapacidade técnica» e por prejudicarem a «defesa dos interesses timorenses» receberam hoje ordem de marcha rápida e têm 48 horas para deixar o território. Lido aqui.
Da manteiga e da planta
Escreveu Rodrigo Viana de Freitas, “É para mim mais do que certo: quando este vento passar, será todo este talento que nos fará navegar“, na P3 do Público sobre a geração 20-30. Um texto que recomendo e com o qual concordo.
A problemática da condecoração socrática
Alguns jornais portugueses, como o I ou o Diário de Notícias, dão hoje conta desse imperativo do campo da ética e da moral, de singular importância para o país e para os portugueses, que diz respeito às condecorações de antigos primeiros-ministros, neste caso Pedro Santana Lopes e José Sócrates.
Trata-se de uma questão que, a par do problema das contas públicas ou da situação do BES, constitui um motivo de especial preocupação para todos. Países civilizados não deixam primeiros-ministros por condecorar e é sabido que este tipo de condecorações tem impacto directo nos juros da dívida e nas notas atribuídas pelas santíssimas agências de notação financeira norte-americanas. Adiar um problema destes é adiar o futuro do país pelo que este é um debate urgente e central para Portugal.
«O impasse [deliberado]
é uma forma de conservar o poder, o estatuto, os privilégios de quem os detém (…).» António Pinto Ribeiro, sempre na mouche, fazendo as relações certas entre memória e esquecimento, o que vemos e nos vê, e sobretudo entre o que não se diz e a devastação da Europa. A que apenas poderemos contrapor «vanguardas ásperas e precisas», diz. Ásperas e precisas, tomem nota.
Trabalhos forçados
para repor o que o Governo tirou às pensões, para ajudar os filhos, pagar a casa e as contas, comprar medicamentos.
Um trabalho de Ricardo Rodrigues para a Notícias Magazine.
Não estarão a atribuir demasiada importância?
A moça não quis ofender os portugueses ou menosprezar Portugal, apenas procurou um trocadilho para criar uma graçola, ressabiada com o resultado da eleição. Saiu mal, o resto é apenas burrice…
Da série Crato é a escolha certa (4)
Professores e a desORDEM
Lugares comuns há muitos e são sempre um ponto de vista respeitável até porque, por definição, são vistos a partir de um ponto. Entendo a existência de imensos lugares comuns entre os professores porque, numa classe com cem mil pessoas, há sempre uns mais esclarecidos que outros.
E um dos lugares mais comuns é o da necessidade de existir uma Ordem Profissional para que a classe se possa mostrar mais unida. É um argumento que, por inexistência de prova, pode ser apresentado, mas a classe, sem Ordem, já deu vários sinais de unidade nos últimos anos. A greve aos Exames o ano passado foi o mais recente.
Ora, neste lugar comum da ordem, parece-me que os professores se esquecem de duas coisas: [Read more…]
OE 2015: desinvestimento
de mais 700 milhões de euros na Educação. Isto já não é avariar o Estado: é negar o próprio desenvolvimento.
Não canto porque sonho
Noiserv [tema de Fausto Bordalo Dias – com José Afonso -, do álbum P’ró que der e vier, 1974]
Letra de Eugénio de Andrade
A cabeça de um ministro por 0,8%
As trapalhadas de Pedro Passos Coelho em torno da escola nos últimos três anos têm sido o pano de fundo para tantas e tantas declarações ignorantes que saltaram para o espaço mediático.
Nos últimos dias houve uma nota dominante: Pedro Passos Coelho falhou na colocação de professores e isso é a prova de que não é possível fazer um concurso nacional para colocar os professores.
Ora, nada mais falso, como já procurei provar ontem. O concurso não falhou por ser central e nacional. Essa foi a parte que correu bem. O erro aconteceu quando Pedro Passos Coelho o tentou passar para o nível local. Aí é que o porta-aviões foi ao fundo.
Os laranjas de serviço colocaram também em cima da mesa um argumento que se vira contra o próprio governo: os erros aconteceram apenas com 0,8% dos professores. Se esta afirmação for verdadeira, atendendo a que há cerca de 100 mil docentes na Escola Pública, estaremos a falar de um universo de 800 e não de 150 como foi dito pela tutela. Mas, a ser verdade uma coisa ou outra, de onde surge tanta confusão? Acreditam mesmo que foram apenas 150 os professores envolvidos nesta confusão. Se assim fosse, um mês não seria suficiente para os colocar? Até à mão, os serviços teriam tempo para o fazer. É claro que não foi essa a dimensão do problema.
Podem correr e saltar e até sugerir que deve ser o Ricardo Salgado, do BES mau, a escolher os professores segundo os apertados critérios familiares, porque, todos o sabemos, os nossos gestores são todos fantásticos.
Mas, os factos estão aí para o provar: sempre que o Governo (este e os outros) respeitou a graduação profissional, os concursos correram bem. E, ao contrário, sempre que o Governo (este e os outros) desrespeitou a graduação profissional, a coisa correu mal.
Logo, parece-me que por causa de uns míseros 0,8% de docentes contratado não vale a pena arriscar a cabeça de um ministro.
Fazendo uso da nova imagem da cidade do Porto: GRADUAÇÃO.
À escolha do freguês
Acompanhar a abertura de cada um dos anos letivos deste governo é quase tão interessante como seguir a casa dos segredos ou as conferências de imprensa do Flopetegui. E, não fosse o pequeno detalhe de ainda estarem uns milhares de alunos sem aulas, até daria para rir.
O número de alunos por turma subiu até níveis completamente insuportáveis e com claro prejuízo para todos, em especial para os alunos com mais dificuldades, a quem se torna quase impossível dar qualquer tipo de ajuda extra.
E, o mais interessante é que no primeiro dia do mês de outubro os professores continuam sem saber o resultado de parte importante dos seus concursos. Houve imensas trapalhadas com a colocação dos docentes dos quadros, nomeadamente permitindo a gente com menor graduação obter uma colocação melhor, mas enfim…
Agora, no caso dos docentes contratados, o nó parece impossível de desfazer – duas semanas para corrigir uma fórmula matemática?
Nos últimos dias chegou à caixa de mail dos professores uma mensagem que ilustra a confusão do processo. Diz a administração que
nessa data, deverá (o professor) então exercer a sua preferência, aceitando o horário que melhor se ajustar à sua pretensão, sendo que ambos serão considerados horários anuais para todos os efeitos.
Aguarda-se intervenção dos bombardeiros ocidentais da paz
Hong Kong também quer democracia e eleições livres. Armamos e treinamos uns rebeldes para ajudar?
Remediado:
Boicote?
situações irreais deste país
uma das coisas que me choca neste país é a precariedade no trabalho. o novo código laboral, posto em vigor no ano passado, retirou alguns dos direitos do trabalhador português, a mando da “necessária” mercadorização, a.k.a flexibilização pretendida pela troika, finando, entre outros, os direitos que este tinha ao nível de indeminizações por despedimento (despedimento mais barato) e introduzindo o célebre banco de horas, banco até 150 horas anuais, que, a bom da verdade, não é mais do que uma maneira subtil que as entidades patronais têm de fazer o escravo suar mais um bocadinho em troca de uma miragem de mais dias de férias.
as mudanças no acesso ao subsídio de desemprego, agora expedito apenas aqueles que efectivaram descontos durante 12 meses ininterruptos de trabalho para a mesma entidade patronal, assim como a criação de um fantasmagórico subsídio social de desemprego (acedível apenas aqueles que cumpriram 180 dias de trabalho; salvaguardando uma das porcalhotas do nosso mercado de trabalho, o contrato a termo certo de 6 meses) contem afinal armadilhas que beneficiam cada vez mais a construção de um sistema altamente esclavagista e ávido a pagar apenas ao trabalhador um caldo e uma côdea de broa.
dou um exemplo prático de como pérolas a porcos não quer dar este governo.
Olhó petardo bom e barato pa istoirar isto tudo já daqui a bocado
[no Facebook do evento (ou será invento?) que começa daqui a pouco no Colombo, «o maior centro comercial da Península Ibérica» – espécie de slogan da epoca da sua inauguração]
Enquanto a Europa definha, os dividendos aumentam
Uma parte importante dos recursos públicos destinados aos cuidados em saúde, à educação, à criação e fruição cultural, enfim, ao desenvolvimento numa perspectiva larga e de longo termo, foram já subtraídos aos orçamentos dos Estados como consequência de decisões políticas que privilegiam outras prioridades – mesmo se anunciadas em nome de pacotes reformistas ou do «rigor orçamental». É certo que as Constituições ainda asseguram, mesmo se nessa letra pequena de lei que a actual classe de governantes tem relutância em ler, os princípios democráticos que servem uma ideia de sociedade em que a desigualdade extrema não cabe – mas também que as leis fundamentais perderam relevância no quadro das actuais políticas dos Governos, ligados entre si pelos contextos obscuros de uma economia global cujos primeiros grandes embates justamente sofremos por estes dias.
A desigualdade atinge em 2014 níveis jamais sonhados pelas gerações nascidas na Europa e na América depois das guerras do século XX. Por todas estas razões, é sempre bom ir tendo notícias do paradeiro da riqueza que ainda ontem servia a vida de muitos mais, designadamente sob a forma de direitos adquiridos por contrato social, mais do que hoje empenhado na qualidade da vida e na mobilidade social dos cidadãos. Em França, um índice recentemente publicado por uma empresa de gestão de activos chamada Henderson Global Investors (HGI) acaba de revelar o aumento exponencial dos dividendos pagos pelas grandes empresas aos seus accionistas. Incidindo no segundo trimestre do ano, o referido índice dos melhores retornos mundiais em dividendos emergiu no espaço mediático francês no exacto momento em que as ajudas públicas às empresas privadas (em nome da retoma económica e da criação de emprego) atingiram um patamar de investimento jamais conhecido.
Postcards from the Balkans #17
To sam ja (this is I)* ou tudo está ligado
Este é o último postal desta viagem. Não vale a pena falar da nostalgia que sinto já. Já o disse ontem. De acabar esta viagem onde aprendi, como sempre, tantas coisas, mas sobretudo continuei a aprendizagem do que sou. E o que sou é isto. Esta mulher que aprende sempre, que nunca deixará de o fazer. Esta pessoa que caminha pelas ruas em cidades estranhas – algumas onde seguramente nunca mais voltará – e se sente também ela estranha. Isto sou eu. «To sam ja». «This is I». E isto que sou é tantas coisas que, mesmo que quisesse, jamais saberia por onde começar. Isto sou eu. Esta pessoa que perde e ganha oportunidades. Esta pessoa que vê tudo muito bem e escreve postais para si mesma, para a lembrança amanhã, para a memória que há-de vir nos dias longos do futuro. [Read more…]






© S.A.









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