A ministra da paranóia

Um psicopata é um alguém que tem a desordem de não sentir empatia por aquele a quem provoca sofrimento. A ele nada lhe custa, por exemplo,  matar e terá, sempre, a consciência tranquila.

Por isso, a ministra da justiça dizer que tem a consciência tranquila quanto à sua proposta de lei sobre a lista de pedófilos tem valor nulo como argumento. Não estou a afirmar que a ministra é uma psicopata mas sim que pode dar-se o caso de ter a consciência completamente errada.

E, no entanto, é o argumento que ela apresenta depois de a Comissão Nacional de Proteção de  Dados arrasar a sua proposta. Afirma também que o faz por teimosia – é o que se conclui quando se diz “está no programa eleitoral” em vez de apresentar argumentos. Aliás, estes foram já desmontados há muito, tendo a ministra acabado com roda de mentirosa por parte do Expresso e desmentida em directo no Parlamento.  Acresce que, diz quem sabe, as crianças não são violadas por estranhos mas por alguém da sua confiança. Alguém que nunca estará nessa lista de pedófilos, pois estando já foi condenado e não será da confiança da criança – é o que se supõe que qualquer família faça e não será preciso uma lista para esta saber da desgraça que lhes aconteceu.

Sobra a teimosia e o poder, novamente sem controlo, que um ministro tem, em conjunto com o seu grupo parlamentar e com o seu partido, para fazer o que lhe dá na telha.

A oposição diz que vai votar contra. Mas vai revogar a aberração quando tiver esse poder?

O fosso e a propaganda

Fosso

À medida que os contos governamentais para crianças sobre recuperações fantásticas se multiplicam, a realidade, essa malvada, continua a contar-nos histórias diferentes e aparentemente mais credíveis que a literatura infantil cor-de-laranja. Esta imagem que encontrei n’Uma Página Numa Rede Social, que por sua vez a extraiu da “insuspeita” Rádio Renascença, apresenta-nos uma tese de mestrado cujas conclusões apontam para o seguinte cenário: se a riqueza portuguesa representasse 1€, os 1% mais ricos da população teriam 0,21€ enquanto que os 20% mais pobres teriam 0,01€.

Lidos de outra forma, estes dados revelam também que 20% da população detêm 69% da riqueza total do país. Um cenário desolador para um país que conseguiu criar 10 mil milionários por ano nos últimos dois mas que é incapaz de controlar o aprofundar de um fosso que, segundo o INE, vem aumentando consecutivamente ao longo dos últimos cinco anos. Até Bruxelas referiu recentemente a incapacidade do país em lidar com o aumento da pobreza. A pobreza que avança, o desemprego catastrófico apesar das manipulações governamentais e a emigração em massa são variáveis cada vez mais difíceis de mascarar. Até quando aguentará a propaganda?

Frente a frente

11154747_815662955193760_2091889353380005794_oTragam-me aqui os gajos que querem privatizar o Oceanário; quero debater um assunto com eles!…

Não ficaria muito surpreendido

Teorias de conspiração envolvendo os irmãos Castro não são novidade, a mais antiga envolvendo Camilo, ao tempo o mais popular dos revolucionários que desceram a Sierra Maestra até Havana…

Auditoria, já

À carreira profissional de Marco António Costa e seus homens de mão.

Um dia destes ainda vou para deputado

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Parece que basta ler um parágrafo num texto que se encontre referenciado no Facebook de um amigo.

Duarte Marques, ilustre deputado do PSD, escreve no Expresso sobre as propostas do PS. (…) “Tal como lembra o Professor Pedro Cosme Vieira da Faculdade de Economia do Porto” [P]

Assim começa Louçã a dar porrada no deputado das vírgulas. Ler o artigo é engraçado mas ainda mais giro é a auto-defesa de Duarte Marques, confessando em primeira mão que justificou um certo ponto de vista com a primeira treta que encontrou na net.

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A “colonização” angolana

vista pelo jornal Belga POLITICO.

Grécia e desinformação

Quando se lê uma notícia sobre a Grécia começa a funcionar bem uma regra simples: é exactamente ao contrário. O afastamento de Varoufakis das negociações directas com a Alemanha e seus protectorados anda por aí contado como uma cedência, já que o seu lugar foi ocupado por Euclid Tsakalotos, um “moderado”, dizem. Stathis Kouvelakis, dirigente do Syriza ligado à sua minoria mais à esquerda, escreveu hoje no Facebook, onde cheguei via Jorge Costa:

Gostaria de pedir a todos os que vêem a experiência do Syriza com um mínimo de boa fé, que requer (e é compatível com) crítica, lucidez e vigilância, que não façam julgamentos muito precipitados acerca da remodelação na equipa Grega de negociação da dívida.

O facto de Euclid Tsakalotos assumir agora um papel mais importante não deve ser interpretado como um sinal de suavização da posição do governo. Na verdade, o ‘discreto’ Tsakalotos é um acérrimo (e não um ‘errático) marxista e sempre se posicionou à esquerda do bloco maioritário do Syriza (que foi agora reformulado como ‘a iniciativa dos 53’). Não sendo favorável à saída do euro, sempre defendeu a linha de ruptura firme com a austeridade e considerou, como uma alternativa séria, o perdão da dívida. [Read more…]

Cagões há Muitos…

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via maquinistas (original).

Claramente, o PSD já olha para o PS como se este fosse governo

“Pedimos ao PS que não tenha hesitações em submeter à UTAO o cenário macro-económico”, disse. Mas “caso não o faça, será a maioria a tomar a iniciativa de o pedir”, afirmou. [P]

Outro mentiroso

Mentir é isto:

Ministro diz que preços dos combustíveis desceram em média três cêntimos
Moreira da Silva fala em poupança de quase 200 milhões de euros nos encargos dos portugueses com combustíveis num ano por força da nova legislação.

É preciso ter muita lata para pretender que é uma legislação aprovada há dias, e não a queda do Brent no mercado internacional, a razão de os combustíveis estarem mais baratos. Isso depois de ter aumentado o Imposto Sobre Produtos Petrolíferos, o que teve como consequência comer parte da baixa de preço que poderíamos ter agora.

Mas se a Moreira da Silva não falta descaramento, aos jornalistas copy-paste e à oposição sobra incompetência para desmontar mentira tão óbvia.

Dispam-se de preconceitos e ide ouvir a entrevista do secretário-geral da APETRO, onde, novamente, é explicado que o problema dos preços em Portugal são os impostos. E que leis como esta de nada servirão, tal como de nada serviram as tabuletas de preços nas auto-estradas e a obrigação de adicionar biodiesel ao gasóleo.

Atentem também ao que aconteceu à rede de abastecimento em França, que desapareceu para dar lugar às grandes cadeias de retalho. Curiosamente, ou não, quem é que sai beneficiado com esta lei? Pois. O tio Belmiro e c.ia, que não vão gastar um tostão para ficarem dentro da lei.

O consumidor? Ora, ora, mas havia direito de admissão nas bombas de low cost?

E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão? (IV)

Depois da violência no cárcere, os motins, o recolher obrigatório e o exército nas ruas. Alguém viu por aí a extrema-direita pseudo-Charlie?

Baltimore já está a arder?

Há coisas que a televisão explica. Bem, The Wire não é bem televisão, talvez seja o primeiro grande romance escrito no séc. XXI.

Danos reputacionais? E daí?

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A Comissão Executiva (CE) do Grupo Lena disse ao Expresso que “os prejuízos em Portugal e no estrangeiro” que decorrem da detenção do vice-presidente Joaquim Barroca no âmbito da Operação Marquês são “de carácter reputacional”, acrescentando ainda que “Em 2014, tivemos os melhores resultados de sempre“. Sobre José Sócrates, esse grande amigo do Grupo Lena, o presidente da CE Joaquim Paulo Conceição (JPC) mostra-se convicto que o processo que colocou o ex-primeiro-ministro atrás das grades resulta de “um equívoco”, algo que “será demonstrada no sítio certo, em sede de  Justiça“. É sempre reconfortante podermos contar com a vasta experiência de grandes empresários como este senhor para percebermos, antes da justiça se pronunciar, que tudo isto não passou de um embuste e que o 44 é afinal vítima de um equívoco. Um equívoco milionário mas ainda assim um equívoco.

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Ainda não perceberam a figura ridícula que fazem?

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Desafio é coisa de criançada ou, usando o termo técnico apropriado, de putos.

“Nhã, nhã, nhã, nhã, não és capaz, nhã, nhã, nhã. E agora embrulha, que já levas, nhã, nhã, nhã.”

Se bem que, com cartas de amor, ainda vai haver ciumeira no casamento.

Observatório de Atenas

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Um novo blogue, Observatório da Grécia, preenchido por conhecidos e reputados blogueiros, propõe-se “disponibilizar mais informação do que a que se pode atualmente encontrar, favorecendo uma leitura informada sobre os acontecimentos” da Grécia. Uma missão inovadora, de que nunca ninguém se tinha lembrado entre nós, que tal como tanto Zé fazia falta.

Acho muito bem. Pela nossa parte é um sossego saber que já não precisamos, no Aventar, de traduzir ou publicar textos como Não há tempo para jogos na Europa (17.154 visualizações), Carta Aberta de Alexis Tsipras aos Leitores do Handelsblatt (16.531 visualizações), Carta aberta de um estudante liceal grego (4.644 visualizações), Petição sobre a dívida da Alemanha à Grécia em reparação pela invasão na II Guerra Mundial (mais de 8.765 visualizações) ou Como um grego ensina a um alemão a História das dívidas (mais de 27.048 visualizações).  Muito melhor que nós a casta, perdão, a nata da nata se encarregará dessa tarefa (ainda podia acrescentar umas legendagens de uns vídeos, mas nem vale a pena) com um alcance muito mais vasto. Por outro lado parece-me que artigos como o do Rui Curado Silva, Paralíticos Gregos vs Donas de Casa da HSBC, se remeterão à simplicidade dos seus 4.146 leitores, o que é preciso é disponibilizar mais informação e comentário de forma a alcançar quem a leia.

É um sossego, a partir de agora a malta de Lisboa (com duas notáveis excepções, eu sei) trata do assunto, nós cá pela província pensaremos, talvez, em divulgar o que de helénico se passa fora de Atenas.

À atenção dos liberais encostados ao estado e, também, dos arrependidos, como Carlos Abreu Amorim

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A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) cobrou em 2014, de forma coerciva, 26,5 milhões de euros em dívidas pelo não pagamento das taxas das portagens, receita que reverte na totalidade para as empresas concessionárias das auto-estradas. [P]

Falem-me outra vez de menos estado e de iniciativa privada, depois de terem posto o estado a trabalhar para empresas privadas.

(Mais) Merda nos canos do governo

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Enquanto José Sócrates, o principal trunfo eleitoral da recentemente renovada coligação PSD/CDS-PP, continua a ser cozinhado em lume brando, as últimas semanas têm sido férteis no emergir de inúmeras polémicas que colocam o regime passista numa situação de extrema fragilidade. Para além dos habituais tachos, das incompetências e irresponsabilidades ministeriais, dos calotes e das mentiras de Passos Coelho, a denúncia feita na passada semana pelo ex-dirigente social-democrata Paulo Vieira da Silva sobre uma suposta rede de tráfico de influências que gravita em torno do vice-presidente, antigo secretário de Estado e homem forte de Pedro Passos Coelho, Marco António Costa poderá significar um duro golpe nas aspirações políticas daquele que em tempos abria as portas todas.

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E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão? (III)

Guardas de uma cadeia no Nevada, EUA, são acusados de terem instigado presidiários a lutarem ao estilo dos gladiadores. A morte de um recluso está a ser investigada.” (JN)

Ritalina: hiperactividade, educação ou negócio?

Em democracia não há territórios sagrados, apesar de existirem algumas reservas, na sociedade não médica, à entrada na esfera clínica. Normalmente, quem arrisca, leva com uma bateria de batas brancas em cima que, com argumentos, quase sempre básicos, acaba por intimidar.

Aviso, portanto o leitor, de que não é minha intenção entrar na discussão médica sobre a Ritalina, até porque, ao ler parte da informação oficial disponível, fiquei suficientemente assustado, para nem tentar perceber o mecanismo da droga mais comum nas escolas, por estes dias. O meu olhar é o de Professor.

Nas nossas escolas a quantidade de crianças medicadas é absolutamente assustadora – quase não há turma em que dois ou três meninos não tome algum tipo de medicação para a hiperactividade. E, diz-me o senso comum, que não é possível que cerca de 10% das nossas crianças sejam portadoras desta “doença”. Não é possível.

E, parece-me que há três  factores que contribuem para este manifesto exagero da Ritalina nas escolas: [Read more…]

Ars moriendi

Uns 20 anos antes de eu nascer, certa mulher da minha família ganhava a vida a assistir a missas pela alma de perfeitos desconhecidos. Nem sempre seriam desconhecidos, claro, a cidade era uma aldeia, mas o que quero dizer é que não existia nenhum laço entre ela e os defuntos a não ser esse, contratual, e que nem fora da iniciativa deles. Pagavam-lhe os enlutados para estar presente durante a cerimónia e para rezar pela alma que partira, cedo ou tarde e provavelmente descontente, porque eles, os que deveriam fazê-lo, não tinham paciência, tempo, ânimo, o que fosse. E assim ganhava ela a vida, correndo igrejas, rezando aqui e ali por um Manuel, uma Alfredina, um Viriato, sem deles nada saber, tão só que levavam uma semana, um mês, um ano mortos, e que quem ficara ainda os lembrava  ou tinha, pelo menos, medo de enfrentar a sua raiva além-túmulo se as missas devidas ficassem por dizer. [Read more…]

E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão? (II)

Escola católica expulsa criança que se encontrava em tratamento de uma leucemia linfoblástica por acumulação de faltas, “devido à sua incapacidade de corresponder aos nossos padrões académicos e de assiduidade“. Como reagiríamos se fosse uma escola islâmica?

A Mahler o que é de Mahler

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Eu sou do tempo em que o JN era uma escola de revisão. Conheci alguns profissionais desse jornal com quem fiz amizade, e habituei-me a respeitar a prosa lavada com que se apresentava. Hoje, continuo a lê-lo, diariamente, mais não seja, por esse respeito quase histórico.

Outros tempos vieram, e com eles, os correctores ortográficos, muito mais leves que a sala de revisão, cheia de fumo e silêncio. Mas impessoais e dados a erros, se mal utilizados ou se utilizados de forma distraída…

Duvido, aliás, que qualquer corrector permita, sem o rasurado a vermelho, que se confundam nomes imortais.

O caderno “etc.” de hoje traz uma entrevista com a fadista Aldina Duarte, à luz do seu mais recente trabalho discográfico.

Ficámos a saber que a fadista gosta de muitos géneros musicais e que, entre outros, não dispensa Gustav Mahler.

Fica-lhe bem!

Ao jornalista que a entrevistou é que fica mal a troca de Mahler por “Mhaler”. Não se trata de gralha fortuita no título. No corpo da entrevista, o plumitivo volta a trocar o nome. Não sendo uma gralha, é incompetência.

Gustav-Mahler-KohutComo serviço público, que gostamos de assumir, aqui fica a fotografia do músico e o seu nome correcto: Gustav Mahler, nascido na Boémia em 1860, faleceu num sanatório em Viena, no ano de 1911.

Se fosse vivo, Mahler teria, por certo, agarrado o jornalista do JN e, tal como Lopegui a Jorge Jesus, ter-lhe-ia dito: “Se voltas a trocar-me o nome, apanhas um murro”.

E seria um folhetim!

A caminho do fundamentalismo?

No Brasil, o poder das instituições religiosas é cada vez maior. A radical IURD, com os seus “exércitos” de aparente inspiração fascista e a fraude da venda de indulgências é apenas uma face de um país onde a laicidade parece não ter lugar.

Arte urbana e intervenção

à solta no Porto e também em Lisboa. O turismo agradece!

Portugal debaixo da mira da Philip Morris

Uruguay's president-elect Jose Mujica celebrates winning the presidential run-off election in Montevideo

Foto@FPIF

Num momento de radicalismo singular, quiçá inspirado pela data ontem assinalada, quero hoje endereçar os meus parabéns ao governo português, na pessoa do ministro Paulo Macedo, pelas medidas aprovadas esta semana no âmbito do combate ao consumo de tabaco. Proibição total de fumar em espaços fechados, aumento do tamanho das advertências relativas aos malefícios do consumo, onde frases como “Fumar Mata” serão substituídas por imagens dissuasoras, e a eliminação de aspectos de “natureza subjectiva” como as opções “light”, “mentol” ou “suave” passam a ser proibidas.

Nada disto é novo. Todas estas e outras medidas foram já implementadas, por exemplo, no Uruguai, pela mão do enorme Pepe Mujica. O país, considerado um exemplo na luta contra o tabagismo, enfrenta por isso um processo da tabaqueira Philip Morris, que considera as medidas em vigor no país como violadoras de um tratado de investimento entre a Suiça e o Uruguai. Façamos votos para que nenhum tratado de investimento desconhecido coloque os lucros de uma qualquer tabaqueira acima do superior interesse da saúde pública.

E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão?

O afro-americano Freddie Gray foi preso por posse de arma branca. Uma semana depois morreu na prisão na sequência de uma fractura cervical. Quanto negros terão que morrer em Baltimore até que alguém diga Charlie?

Benfica-Porto

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As áreas de serviço da A1 estão hoje repletas de patrulhas da GNR. Imagino que no anterior Porto-Benfica tenha sido semelhante. Aliás, o cenário de forças policiais em trabalho reforçado por causa da bola é recorrente. Este aparato policial deve ficar caro aos clubes. Porque são eles que o pagam com as receitas de bilheteira e dos diversos contratos associados, não são?

Pires de Lima, o mentiroso

O ministro da Economia faz um excelente exercício daquela prática dupla de enganar em casa e mentir fora. [P]

Os reaccionários de Abril

Passos Portas

De cravo eleitoralista na lapela, Passos Coelho permitiu que o irrevogável abrisse as hostilidades. Terminado o exercício de propaganda do guia supremo da jacintoleitecapeloregolândia, o primeiro-ministro foi igual a si próprio: aldrabou indicadores, agitou fantasmas, falou de um rigor que não conhece e fez, no global, o habitual discurso orientado para a claque.

O discurso em si, quer de um, quer de outro, pouco interessa. Sabemos bem o que vale a palavra do primeiro e do vice-primeiro-ministro: um aldrabou o país em campanha e, mais recentemente, no âmbito da polémica do subsídio de reintegração/Tecnoforma e o outro aldrabou o país quando anunciou a sua demissão irrevogável, que caiu por terra assim que o anúncio da promoção chegou.

Interessante foi a escolha do dia. A escolha do dia e o facto de, há um mês atrás, Passos Coelho andar a vender a um grupo de empresários que era capaz de ganhar as eleições sozinho. Para não falar das dúvidas manifestadas pelo primeiro-ministro há 10 dias atrás quanto ao benefício da coligação. Mas está tudo bem. Haja coligação que os socialistas, apesar de Sócrates, ainda lideram as intenções de voto e a reacção não pode parar.