“Manso! Manso! Manso!” – ululava a turba. Não eram muitos, mas eram insolentes. E no meio daquela bruma, o uivo persistia e dava-lhe vergonha. Muita. Quando abriu os olhos, aquilo ainda lhe ribombava nos ouvidos. Passou a mão pela testa encharcada em suor e, apesar de mal acordado, a irritação voltou. Avassaladora. Como se não tivesse descanso. Como se tivesse aproveitado aqueles momentos em que dormitou para ir buscar, lá ao fundo, as memórias que o perseguiam e atormentavam há tanto tempo. Como podia ele esquecer aquele presunçoso efeminado que o havia perseguido com aquele pasquim miserável. Com aquelas notícias sem nenhuma importância. E porque é que as pessoas não conseguiam ver que aquilo não interessava para nada? Que ele estava acima disso e que mesmo que fossem verdade, ele era demasiado importante. Às pessoas como ele não se aplicavam as regras da gente comum. As pessoas deviam ver isso. Mas não viam, os ingratos, e a culpa era daquele asqueroso jornalistazeco que o importunava. E sempre com aquele sorriso cínico e empertigado. Maldito. Mil vezes madito.
Daqui a umas brevíssimas horas num País dentro de nós
Amanhã não há debate no parlamento e tão depressa ninguém vai de férias. Mas na segunda-feira que vem a troika volta a Lisboa para a oitava avaliação. Talvez venha a ter de despachar com Cavaco.
Europa é Isto
Só na Europa é possível viajar em três países soberanos, por entre três universos linguísticos, em comboios de três companhias ferroviárias, com um único bilhete e sem marcação obrigatória de lugar. A Europa é isto. E se a Europa é isto também, posso suspeitar que Portugal não é Europa mas antes o Norte de África?
O entalanço
Cavaco acabou de entalar o PS, minando-lhe a estratégia eleitoral. Claro que o PS nunca aceitará.
Coisas realmente importantes
Fim de linha
Já passaram umas horitas desde o discurso de Cavaco Silva e continuo sem perceber em que ponto estamos.
Por um lado sinto que o homem cavou ainda mais o buraco em que este governo nos enfiou, mas por outro, quero puxar pelo optimismo porque não é possível que isto esteja mesmo a acontecer. Vejamos:
– Para o Governo, o fim da linha chegou. Tentaram uma remodelação, voltaram com uma segunda proposta, mas o Presidente chumbou ambas. Cavaco, afirmou ainda que este Governo, de Portas e Passos, já não existe;
– Para o PS a posição só pode ser uma: então o Sr. Silva anda há anos a ignorar o PS, a fazer discursos de Primeiro-ministro e agora acordou para o mundo? Logo e bem, o PS, a voltar ao Governo, só com eleições;
– Os outros partidos não são, neste momento, relevantes.
Neste contexto – o que existe não pode continuar e o que Cavaco deseja não pode acontecer – só resta uma alternativa que vai ser um desastre: um Governo de iniciativa presidencial, até Junho de 2014. Silva Peneda tem a palavra.
Nota: O optimismo fica a cargo da fotografia, porque de resto…
Quem votou neste Presidente e nesta maioria
não tem nada a dizer? Que silêncio tão barulhento…
Alterações ao Despacho de organização do ano lectivo
O Ministério da Educação e os Sindicatos assinaram uma acta depois de uma das lutas mais intensas que os professores desenvolveram no nosso país.
Dando sequência a esse acordo, foi hoje publicado em Diário da República, um Despacho (pdf) que procura enquadrar formalmente o seu conteúdo (trata-se no fundo de uma alteração a um outro publicado há um mês)
Confesso que a primeira leitura me deixou algumas dúvidas: não vi nada sobre o horário de trabalho, sobre a organização da componente lectiva (o que é lectivo e o que não é), mas sendo um documento tão desejado, fica desde já disponível a todos os leitores do Aventar, em especial aos docentes que nos acompanham.
A Cavaco, os partidos dizem
No seu discurso, Cavaco Silva disse que:
No contexto das restrições de financiamento que enfrentamos, a recente crise política mostrou, à vista de todos, que o País necessita urgentemente de um acordo de médio prazo entre os partidos que subscreveram o Memorando de Entendimento com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional, PSD, PS e CDS.
É esse o caminho que deveremos percorrer em conjunto. Darei o meu firme apoio a esse acordo
Na prática, parece-me que o Governo actual acaba de ser demitido e a bola é atirada para o lado dos partidos.
O Presidente volta aos resultados das últimas eleições, onde 80% dos votos foram nos partidos que assinaram o memorando e sugere um novo acordo entre o PSD, o CDS e o PS.
O PSD e o CDS abanaram com a cabeça para dizer que sim, mas sem grande convicção. Por outro lado, Alberto Martins, numa declaração que me parece absolutamente correcta, referiu que o PS só irá para o Governo, através de eleições. O Bloco e o PC mantiveram as declarações dos últimos tempos: este governo já não existe e temos que ir para eleições.
Cavaco falou, falou
E será que disse alguma coisa? Tenho ainda algumas dúvidas.
(Também pode consultar, via Expresso, o texto da intervenção de Cavaco Silva em formato pdf)
Notas de Matemática
Não há nada como ter um Ministro que alguns pensavam ser um especialista em Educação Matemática.
Mais uma PPP desastrosa para o país
Estamos a assistir ao vivo e a cores a mais uma PPP desastrosa para o país. A diferença está que, desta vez, não se trata de uma “Parceria Público-Privada”, mas antes de uma “Perrice de Paulo Portas”. O governante terá achado por bem ameaçar sair com o mesmo estrondo de quem sai, para reforçar o seu poder no Governo. Não o demoveu o interesse do país nem a actual conjunctura. Nada disso o fez parar no seu anúncio de saída irrevogável. O país aguenta: uma dolorosa queda na Bolsa, a subida dos juros e a histeria dos mercados. O país aguenta. O povo aguenta. Nem que seja com um segundo resgaste. Ou um terceiro. Ou mesmo um quarto. Não importa. Paulo Portas bateu-se por mais poder e parece que está a conseguir os seus intentos, ainda que sobre o pouco em que o país sobrevive.
Ouvido na Praia
Há coisas que eu preferia mesmo não ouvir. Esta foi dita por um homem à esposa:
– Quero um gelado. Apetece-me chupar.
3.º Calhau a Contar do Sol
Luís Branquinho
Ora, ora, saem uns e entram outros. Ninguém parece perceber nada de nada e todo o mundo parece saber mais do que alguém até encontrar outro que sabe menos ou parece saber mais do que eles próprios e ai volta tudo, anormalmente, à estaca zero.
Dançam o velho jogo das cadeiras onde há 10 cadeiras e 11 pessoas e a cada nova dança menos uma cadeira fica.
Música já há, ao bom e fiel som de gaita-de-foles e velha pianola desafinada que estão a ser tocados de forma capaz de aterrorizar um alto e digno residente natural dos ocultos vales marcianos e neptunianos e talvez, por isso, nem os altos dignatários extraterrestres de outros planetas vizinhos queiram entrar em contacto connosco, terrestres loucos, devido às nossas famosas bubuzelas capazes de fazer completas e gratuitas carecadas em rebanhos inteiros.
E já agora sabem que há muita gente que crê que saiu uma nova bebida? Não? Então quanto forem a um bar de praia, peçam lá e assim mesmo:
– “Umas Swap’s, fresquinhas, para esta mesa se faz favor!” [Read more…]
Ouvido na Feira
– Ó mulher, tu bai ao médico!
– Bou, bou, pra lebar uma injeçoum de Piroculina!
Olha a uniformização ortográfica fresquinha! (2)
Antes que a voz me doa
Se a intenção era, apenas, marcar uma posição pessoal e subir um ou dois degraus na hierarquia da coligação governamental que nos põe a cabeça em água e a bolsa em fanicos (para já não falar da dignidade atraiçoada), não havia mesmo necessidade de o Dr. Paulo Portas, na consumação da sua birra, por muitos e por mim também considerada infantil, quiçá irresponsável, nos ter feito pagar mais uns milhões de juros àqueles que teimam em espremer-nos até só sair sangue, que o suor e as lágrimas já se foram, de tão gastos.
É por isso que me concedi o prazer da fuga, não por cobardia, mas porque sentia que estava a perder a serenidade, a lucidez e outras coisas a que comummente chamamos valores (sociais, pessoais, morais, epistemológicos…). [Read more…]
FMI, o centro astrológico de Lagarde & Cia.
O ‘Público’ divulgou a notícia ‘Zona euro aumenta pessimismo do FMI para a economia mundial’. Discordo. O título deveria ser ‘A predição do FMI é de pessimismo para a economia mundial e Zona Euro’.
A nuance de sintaxe não é irrelevante. No primeiro caso, está subjacente o princípio, errado, de que o FMI faz previsões rigorosas, a despeito de modificadas de semanas após semanas. A metodologia é obviamente falsa!
O organismo comandado por Lagarde, transformado em centro de astrologia, o que faz é anunciar mutáveis e inconsequentes predições, coisa bem diferente de previsões sustentadas em modelos matemáticos consistentes – os erros sistemáticos, denunciados pelas próprias chefias do citado FMI, constituem prova eloquente da falta de credibilidade de prever da instituição.
O que distingue a previsão da predição? A primeira corresponde a um estudo sério que permite antever resultados, dentro de desvios aceitáveis. A predição é um acto de astrólogos. Tem a pretensão de adivinhação por feitiço – faz-me lembrar as ciganas feiticeiras que, há anos, vagueavam pelo Parque Eduardo VII, aqui em Lisboa, a ler a sina, conjecturando venturas e desventuras desenhadas na palma da mão.
Tomemos, pois, em consideração quais são as principais predições da Madame Christine Lagarde e sua equipa para a economia mundial e Zona Euro:
- A economia mundial registará um crescimento de 3,1% em vez dos 3,3% da predição de há três meses (Abril/2013).
- Para a Zona Euro, a recessão será de – 0,6% em vez de -0,4% vaticinados antes.
- A Espanha registará em 2013 uma contracção de 1,7%, passando ao estado de estagnação em 2014 que contrasta com a profecia anterior de crescimento de + 0,7% do PIB.
- Os países emergentes, Brasil, China e Rússia, não escapam à queda em 2013, bem como a novas reduções em 2014.
Indignação contagiosa
São hoje muitos os países, em todos os continentes, em que imensas massas populares inundam ruas e praças para exercerem o direito à indignação. O fenómeno faz lembrar a revolta dos escravos e a queda do Império Romano: contagioso, imparável na sua confrontação com uma globalização perversa, de finanças sujas que pisam a pés os mais elementares direitos humanos e pretendem impor ditaduras que nada ficarão a dever à crueldade de outras que, na primeira metade do século passado, queriam obrigar ao pensamento único, ao racismo criminoso e outras lástimas de minorias acusadas, com razão, de explorarem o povo em seu proveito. [Read more…]
No cu dos outros é pimenta
Já fiz uma bandeira da Indonésia, em papel. Queimei-a sobre a A1, no primeiro directo radiofónico português feito a partir de um balão de ar quente, porque achámos, na RUC, ser uma oportunidade para sermos solidários com Timor, contra a ditadura indonésia.
Queimam-se bandeiras contra governos, não ardem contra os povos. Fosse boliviano, e ontem também tinha inventado uma bandeira portuguesa, lançando-lhe as chamas que merecem os que abrem o cu ao governo dos Estados Unidos da América, ou de outra potência estrangeira qualquer. O nosso, e não o seu.
Quem finge não perceber isto chama-se Paulo Portas e está a esta hora metendo a cabeça entre as pernas, perante o nosso parlamento, demonstrando não passar, irrevogavelmente, de um mentiroso compulsivo a caminho de voltar a S. Bento de lambreta, haja eleições entretanto. Teria a certeza absoluta disso não fosse a liberdade de imprensa o poder e propriedade dos que lhe telefonaram a semana passada, transformando acabou no matrimónio que vem já a seguir
Ex-ministro da ‘CP’ chinesa condenado à pena de morte por corrupção
Expulso do Partido Comunista em 2012, entre 1986 e 2011 recebeu subornos (o equivalente a 8 milhões de euros) e usou o cargo para ajudar um empresário a conseguir negócios e lucros ilegais. (Fonte: Euronews)











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