No seguimento deste oportuno post do J.J. Cardoso, não será muito difícil imaginar o que se passará após um mui digno período de nojo. Seguro que proceda às necessárias diligências para um “encarte” nas listas da social-democracia.
Hugo Chávez, 1954-2013
Gosto pouco de militares, e menos ainda de militares na política. Não aprecio revoluções que vivem de um homem. Mas não posso de admirar este retrato de Hugo Chávez, obtido através de eleições democraticamente ganhas.
Este retrato tem vivos que não foram mortos antes de tempo, gente, homens, mulheres e crianças. Este retrato é o quadro que muitos ricos nunca terão em casa. Este é o retrato que ficará para a História de Hugo Rafael Chávez Frías, um homem que lutou para acabar com os pobres, combatendo todas as calúnias, campanhas, golpismos, daqueles que precisam da existência de muitos pobres para serem muito ricos.
Hasta siempre, compañero.
gráfico via Ladrões de Bicicletas
O soberbo e incapaz Gaspar
Vítor Gaspar já demonstrou à exaustão ser um Ministro das Finanças incapaz – os consecutivos orçamentos rectificativos, os sucessivos desvios orçamentais e outros objectivos incumpridos preencheriam uma longa lista de falhas, a maioria das quais próprias de um incompetente.
Todavia, em complemento da incapacidade, e como é natural em incompetentes, o nosso ministro, sobretudo no ECOFIN e em outros areópagos que adora frequentar, não evita ser soberbo e ufano no discurso.
Um exemplo actual: o Ministro das Finanças irlandês, no final da reunião do ECOFIN, mostrou-se favorável a que fosse concedido a Portugal e à Irlanda um prazo de reembolso adicional de 15 anos. Gaspar replicou que tal prazo seria “inconcebível”, defendendo solução “mais modesta” em termos de tempo. Não citou valores, baseando-se apenas em conceitos “filosófico-demagógicos”, sem focar montantes e prazos – no subconsciente, ainda subsiste o desejo recalcado de “não precisamos de mais dinheiro, nem de mais tempo”.
O homólogo irlandês, Michael Noonan, em linguagem simples e aberta, não hesitou em afirmar: [Read more…]
Daniel Oliveira, o demorado
Estive a ler a carta de despedida do Daniel Oliveira, que sai agora do Bloco de Esquerda em cuja fundação ambos participámos.
Tem razão nalgumas críticas: o funcionamento interno do que supostamente seria um movimento inovador é mesmo assim: regime geral de cooptação, amiguismo e fidelidade, quotas a dividir entre as três organizações maternas e quem perante elas não se porte mal. Sectarismo interno, portanto, precisamente a razão porque ali deixei de militar há vários anos. [Read more…]
Reviver o passado em Março (6)
Tivesse eu vinte e tal anos e circularia hoje à tarde em alguma das manifestações que se presumem inspiradas por uma musiquita com uma letra sofrível que o amargurado contexto em que subsistimos fez catapultar para uma relevância totalmente imprevista, sobretudo para quem a obrou, o grupo ‘Deolinda’. Mas, quarentão como sou, entendo essas e outras melodias com outros tons e não vou pôr lá os pés.
Carlos Abreu Amorim, Blasfémias, 13-03-2011
Desfazer a Escola Pública vai começar
Ou antes, continuar!
O Ministério da Educação, na linha do Primeiro-ministro Vítor Gaspar, tem uma linha bem clara que o separa da escola pública – a linha que o leva da defesa da Escola Pública à sua venda.
Podemos ter muitos olhares sobre o que é e o que deverá ser a Escola Pública, mas este não é o momento para grandes discussões porque o trabalho de Crato tem sido muito claro.
A aposta do Governo no apoio aos colégios privados e na passagem da Formação Profissional para o IEFP são apenas duas das medidas de que se fala. Imaginem o que vai acontecer à Escola Pública, nomeadamente às Escolas Secundárias, se todos os cursos profissionais passarem para a gestão do IEFP:
– Quantos horários zero? Quantos professores iriam para a mobilidade? Quantos serão despedidos?
Nota: houve escolas secundárias que foram contactadas para receberem, nas suas instalações, cursos do IEFP.
Reviver o passado em Março (5)
Pessoas da geração do 25 de Abril andam muito zangadas com o povo porque o povo se manifesta contra os partidos. Dizem que não pode haver democracia sem partidos. Não sei se pode. Se calhar não. Mas quando o povo se manifesta contra os partidos, não é o povo que tem que mudar.
João Miranda, Blasfémias, 14-03-2011
2M:Desespero dos ausentes
Nas ruas, todos o vão dizendo, estiveram mais velhos que novos, mais pais que filhos. Acha, caro leitor do Aventar, que foi mesmo assim? Ou estarei a ver a coisa pelo lado errado?
Gostaria muito de perceber o que o levou a ficar em casa no sábado?
– Não acredita que uma manifestação resolva ou, sequer, que seja parte da solução?
– Acha que a manifestação foi excessivamente inorgânica, ou pelo contrário, foi porque os partidos e os sindicatos se meteram?
– Acha que o caminho que o governo está a seguir é o correcto?
– Desistiu?
– …
Comente – este post só fará sentido com os seus comentários!
Banqueiros, escutem
Vocês não prestam, julgam-se uns deuses na terra
entre outros mimos.
Reviver o passado em Março (4)
Havia de tudo. Também no tocante as gerações. E a muito mais. A tudo quanto possa distinguir a denúncia do protesto. Com maior ou menor conhecimento da origem dos nossos males. Certamente unidos no mesmo desprezo pelas palavras do Ministro Santos Silva, já tornadas públicas, insinuando a demagogia dos manifestantes.
João Afonso Machado, Corta-Fitas, 12-3-2011
Reviver o passado em Março (3)
JPP, que também faz parte da “classe política”, também entendeu seleccionar umas fotografias em que alguns manifestantes empunham cartazes contra os políticos, talvez para provar a sua tese sobre o carácter anti-democrático da manifestação. É uma selecção tão ridiculamente lateral que só pode ser contraproducente e ter como efeito que os que poderiam ouvir JPP passem a mudar de canal quando ele aparecer a falar. Para além de que não é honesto – acho mesmo intelectualmente desonesto fazê-lo depois daquilo a que assistimos ontem – querer fazer querer que o imenso “basta” de ontem se dirige contra a democracia. Para vacuidades e preconceitos já basta o Miguel Sousa Tavares e o Mário Soares.»
João Gonçalves, Portugal dos Pequeninos, 13-3-2011
Hoje dá na net: The Revolution Will Not Be Televised
The Revolution Will Not Be Televised, documentário com a história do golpe de estado de 2002 na Venezuela. Página no IMDB. Página na Wikipédia. O programa está legendado em português.
Presidente da República: comunicação oficial após as manifestações de 2 de Março
Encontrado no canal de João Pinto.
Os sapatos
Paira sobre o mundo, já há alguns anos, uma dúvida dilacerante: qual a origem e a natureza dos sapatos vermelhos do Papa?
A questão é séria; só pode sê-lo, já que ocupa, desde há dois dias, o melhor dos telejornais da TVI e suas subsidiárias. Em longo trabalho jornalístico a questão é, finalmente e para descanso dos habitantes do planeta, analisada como merece.
Claro que os conhecedores de podoteologia já haviam reflectido profundamente sobre a coisa. Desde logo, tinham afastado qualquer contaminação do tema pela referência aos sapatos vermelhos de Dorothy , do Feiticeiro de Oz. Entre outras razões, pelo facto de estes, sendo cobertos de rubis, serem de um luxo que, como se sabe, é completamente estranho ao Vaticano. [Read more…]
Reviver o passado em Março (1)
Desceu à rua um Portugal farto de tudo isto. Farto por boas e más razões, mas sobretudo farto. Desceu à rua um Portugal que quis fazer qualquer coisa, mesmo que não saiba muito bem como as coisas podem ser diferentes. Desceu à rua um país inorgânico mas, no essencial, ordeiro e respeitador da democracia. Desceu à rua um Portugal algo desesperado mas não revolucionário. Desceu à rua um Portugal que gostou de verificar que não está totalmente alheado da coisa pública.
José Manuel Fernandes, Blasfémias, 13 Março, 2011
Nós Derrubamos Governos!
Não poderia estar mais de acordo com este resumo do relvismo: da flébil emergência à crassa inexistência de um ministro. Só nos saem figuras tristes, personagens para esquecer, coladas ao assento pelo cuspo do hábito. Que Relvas fosse evacuado, regressando à sua vida empresarial ‘dinâmica’, génio que é dos mil contactos e dos mil favores devidos e a haver, seria uma folga dada desde logo ao baraço no pescoço do Governo Passos. Pode não chegar. Sinto-me globalmente traído. Confiei em que, com Passos, o critério da delicadeza, da verdade, e da sensibilidade para com as pessoas concretas estaria antes de qualquer decisão gizada na frieza de um gabinete nacional ou europeu. Enganei-me e enganei-me ainda mais tendo em conta a falta desesperante de resultados positivos. Eu e milhões de portugueses, num protesto contínuo e incansável, derrubamos o Governo Sócrates porque era uma escandalosa obscenidade em movimento, feérica, estúpida, movida talvez a cocaína. Um embuste. Uma loucura. Provavelmente, milhões de portugueses e eu voltaremos a mover o polegar, como o Imperador. Não haja ilusões: com a queda deste Governo, toda a classe política, cega, surda, tacticista, tagarela, seria vergastada e derrubada igualmente. Cresce-nos um nojo que pode não poupar nem o menino [a vestigial democracia, sistema de castas] nem a água do banho [queda em desgraça de mais um Governo].
TSF, rádio local

Já chego atrasado, mas ainda a tempo de bater na TSF na semana em que comemora 25 anos de existência. Não me esqueço de Paulo Baldaia e da forma como colaborou com o socratismo. Nem da forma como vai sempre tentando estar do lado dos poderosos.
De resto, convém lembrar como nasceu a actual TSF. Nasceu quando o então primeiro-ministro Cavaco Silva, esse democrata, acabou com centenas e centenas de emissoras livres, onde se fazia rádio a sério, e chamou-lhes piratas, acabando assim com um dos momentos mais belos da comunicação social portuguesa no pós-25 de Abril.
Ao invés, através de critérios pouco transparentes, criou um feudo para meia dúzia de rádios ditas locais. Entre elas, a TSF. Que, como se sabe, é uma emissora eminentemente local…
Convém não esquecer. E parabéns ao Fernando Alves.
A mudança já começou

“Acordai”, Porto – Foto: Renato Roque
Interessa-me pouco a contabilidade dos números do 2 de Março, não atino com metros quadrados nem sei contar multidões, e muito menos me interessa enveredar pela redução das gentes a item contabilístico, uma das pechas dos que foram eleitos para governar o país.
Podemos ter sido mais cem mil ou menos cem mil. Fomos mais do que a 15 de Setembro último, quando houve quem quisesse ler no protesto pouco mais do que a rejeição de uma medida concreta, o aumento da TSU. E não fomos apenas os precários “à rasca”, este não foi só o protesto de uma geração. O que se ouviu a 2 de Março foi o grito uníssono do povo português, de gente muito diferente entre si mas que tem em comum a revolta contra aquilo em que o país foi transformado.
Um governo, para além de legitimado pelo voto dos cidadãos, deveria assentar na honradez de quem dele faz parte. Talvez esta frase produza um sorriso irónico em quem a lê, e isso é já um triste sinal. Mas creio que, se ao fracasso de todas as políticas (até dentro do PSD já não faltam as vozes a apontar o dedo à incapacidade de Vítor Gaspar acertar numa previsão), se junta a insatisfação do povo, um governo composto por gente honrada e bem-intencionada resignaria e daria novamente ao povo o direito de escolher. Tampouco se limitaria a depor no cepo a cabeça de Vítor Gaspar, até porque a máxima responsabilidade será sempre do primeiro-ministro, a menos que se ele tenha tornado inimputável. Mas este é o mesmo governo que tem posto repetidamente em prática aquilo que, em período de campanha, jurou nunca fazer, e quanto a honradez estamos conversados. [Read more…]
O silêncio e o medo deles
O 2M não foi apenas uma manifestação e o pânico na área do governo, mais do que evidente, é a prova da importância do 2M.
E são muitos os sinais, mas já lá vou.
Tenho ido a muitas manifestações, vou a quase todas e continuarei a ir sempre que sentir que a minha presença é importante. E esta foi muito diferente das outras!
Foi diferente, pelo SILÊNCIO!
De forma surpreendente, ou talvez não, houve muitos momentos de silêncio. Chorei no momento em que a Manifestação arrancou da Batalha ao som de Zeca Afonso – foi um momento mágico, de emoção, de energia, de vontade de mudar. Ao longo do percurso – quase duas horas entre a Batalha e a Avenida dos Aliados – senti a dor nos olhos de quem saiu à rua. Foi, neste aspeto, uma manifestação diferente de todas as outras.
Foi diferente, também, porque os rostos não eram, nem os de sempre, nem tão pouco os mais novos – havia um traço comum em muitas e muitas pessoas que estiveram no Porto: a idade. Talvez pelo roubo (injusto, como todos os roubos!) nas reformas, talvez porque querem continuar o sonho iniciado no 25 de abril, talvez pelos filhos ou pelos netos…
Claro que estiveram muitos milhares nas ruas em todo o país. [Read more…]
Das Gerações à Rasca, às manifestações Que se Lixe a Troika*
Estive dois dias a “mastigar” o que foram as manifestações simultâneas do passado sábado.
Pouco tempo, eu sei, para
produzir o que quer que seja de uma reflexão aprofundada. Mas mesmo assim, gostaria de partilhar e, para quem o quiser fazer(coisa nada fácil de fazer no nosso mundo-chiclete), colocar a debate, algumas ideias.
Penso que a “Geração à Rasca”, há pouco menos de 2 anos, que estudei em profundidade graças à bem-aventurada aventura académica, marca uma espécie de início visível de um longo processo de re-tomada do espaço público simbólico por um “cidadão anónimo” novo, que já não coloca em campos antagónicos a “cidadania” e o “anonimato”, o que pode significar que estaremos num processo reformulador do próprio conceito de “cidadão”. Trata-se, pois, da possível emergência de algo cujas consequências políticas ainda não temos suficiente informação para perceber.
Digo que se trata da re-tomada, ou re-ocupação do “espaço público simbólico” porque, nas últimas décadas, o capitalismo (chamemos-lhe “democracia de mercado” para sermos, vá, simpáticos) desvitalizou, de facto, o espaço público como “espaço político”. Julgo que é da sua tentativa de revitalização que tratam estas manifestações, o 12 de Março de 2011, o 15 de Setembro de 2012, o 2 de Março de 2013.
Para já, estaremos num período de diagnóstico a que poderíamos chamar “a rebelião dos consumidores”. [Read more…]
O 2 de Março no Porto. Fomos 400 mil!
Não sou do tempo das grandes manifestações que se seguiram ao 25 de Abril. Tinha acabado de fazer 3 anos quando se deu a Revolução, quando o povo se juntou para um 1.º de Maio finalmente em Liberdade. Essa é imbatível, mas ao longo dos anos fui vendo a Praça praticamente cheia. Quando o FC Porto foi Campeão Europeu pela primeira vez. Quando o PSD fez o comício da campanha eleitoral que deu a primeira maioria absoluta a Cavaco. No 15 de Setembro.
Mas nunca como anteontem. Um dia que passará à história como o 2 de Março. A maior manifestação jamais realizada contra um Governo democrático em Portugal. Não tenho uma obsessão pelos números e pelos metros – quem o tem é quem tenta menorizar a manifestação – mas não tenho dúvidas de que estavam perto de 400 mil pessoas. Juntando a multidão da Praça mais a das ruas circundantes – da Trindade até Santa Catarina e à Batalha, chegamos ao número que tantos temem. Nunca vi nada assim. Nunca.
E aquele momento em que tantos milhares de vozes cantaram o Grândola, de forma desafinada, descoordenada e com mais enganos do que acertos, deve ter sido um dos mais belos momentos da minha vida. Não consegui deixar de pensar que, por enquanto, a classe política pode estar relativamente tranquila. Ao povo, dá-lhe para cantar. E se aqueles milhares de pessoas se revoltasssem a sério?
É assim que se ganham Campeonatos
Aproveitando os deslizes do adversário. É por isso que o FC Porto começou a perder o Campeonato no dia em que, depois do empate do Benfica, empatou em casa com o Olhanense. Espero estar enganado.













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