Irresponsabilidades

Carlos Moreno no último Negócios da Semana

Os encargos acumulados com PPP que têm que ser pagos nas gerações futuras (…) atinge os 50 mil milhoes de euros.
A partir de 2014 só para pagar os encargos com as PPP, o orçamento de estado tem que prever por ano 2000 milhoes de euros.
Junte os encargos a pagar com ppp, juros e amortização de emprestimos da divida publica global e os nossos orçamentos de estado no futuro vão se limitar praticamente a uma gestão de tesouraria para pagar os encargos, não havera concerteza dinheiro para o estado social minimo que seja.

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Tenho 35 anos. Já tenho como adquirido que vou trabalhar até aos 70.
Também tenho como adquirido que não irei ter uma reforma nos mesmos moldes que a minha mãe, que se reformou aos 62 e recebe o equivalente a uns 90% do último salário.
O que me preocupa no entanto é que me parece que vamos num caminho em que nem vou ter reforma nem vou ter nenhum tipo de apoio social para mim e para a minha família caso necessite.
Gostava de poder fazer 2 coisas:
1. responsabilizar quem por desleixo, incúria, incompetência, populismo nos levou a este estado
2. saber como posso contribuir para mudarmos de rumo.
Se alguém tiver sugestões avisem-me.

Como ganhar dinheiro mesmo em tempo de crise PPP2

Uma das dificuldades dos empresários é programar os investimentos. Garantir que aquilo em que se vai investir vai trazer um retorno positivo para a empresa e ajudar a garantir novos investimentos.

Implica por isso um risco óbvio que é investir em algo que não vai funcionar, que se vai tornar um encargo, enfim fazer uma má aposta e eventualmente ter que fechar a empresa… por isso é que nem todos somos empresários, ou pelo menos empresários de sucesso.

Mas há uma forma fácil de contornar este problema. Se tivermos construído uma infraestrutura que nos está a dar prejuizo (por exemplo uma fábrica) só temos que vendê-la ao Estado e depois passar a cobrar-lhe uma renda pela sua utilização.

Pelos vistos é isso que se quer fazer na renegocioação que se está a fazer das Autoestradas do Douro Litoral e Litoral Centro.

Não acreditam em mim? Vejam o que diz Carlos Moreno no último Negócios da Semana.

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Como ganhar dinheiro mesmo em tempo de crise – PPP1

Em tempo de crise é normal que haja menos consumo. Isso pode ser um problema para as empresas que dessa forma reduzem os seus lucros ou até aumentam os prejuizos.

Como ultrapassar esse ajuste automatico do mercado que tudo decide? Fácil, basta definir no contrato com os seus clientes que se eles consumirem menos então podemos automaticamente aumentar o preço do produto para dessa forma manter o resultado final.

Parece uma solução um bocado rebuscada mas foi isso que a EDP conseguiu do Estado português.
Nós individualmente até podemos estar a consumir menos e a pagar menos na nossa factura da EDP mas os nossos impostos irão cobrir essa diferença de qualquer forma. O que não queremos é que a EDP passe dificuldades.

Não acreditam em mim? Vejam o que Ventura Leite disse no último Negócios da Semana.

“Não é admissivel que o Estado tenha uma clausula de garantia de lucros aos accionistas da EDP no caso dos portugueses reduzirem o consumo para se defenderem (…).
Há uma clausula que permite aumentar o tarifário para compensar a queda dos lucros.”

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Materialismo e Espiritualismo

(adão cruz)

(Este trabalho, embora ligeiramente alterado e com outra disposição, é uma repetição no Aventar. Todavia, por ser matéria que me parece extremamente importante nos dias de hoje, atrevo-me a enviá-lo de novo. A quem achar mera redundância, as minhas desculpas).

 

Materialismo e Espiritualismo

                                                           I

O indivíduo materialista, no sentido filosófico e científico do termo, é aquela pessoa que acredita no ser humano como um todo, um todo indivisível, indissociável, uma única substância como dizia Espinosa. Aquela pessoa para quem não há qualquer fronteira entre a pele e a carne, entre a carne e o sangue, entre o sangue e o cérebro, entre o cérebro e a mente, entre a mente e o pensamento, do qual decorre toda a vida dita psíquica do indivíduo.

Assim como o aparelho circulatório se encarrega de toda a distribuição de fluidos no organismo, assim como ao aparelho respiratório cabe toda a oxigenação dos tecidos, assim como ao sistema endócrino pertence todo o complexo mundo hormonal do organismo, assim ao sistema cerebral corresponde toda a vida “psíquica” do ser humano. O cérebro é o receptor e emissor de todos os estímulos, exógenos e endógenos do organismo. É ele que, através de tais estímulos cria imagens, das quais decorrem emoções que, por sua vez, geram sentimentos que levam à consciência, à reflexão, à vontade e à decisão. E o pensador materialista baseia os seus conceitos numa intuição natural, numa investigação científica permanente, progressiva, dia a dia mais convincente, e, a não muito longo prazo, pensa ele, acabando por atingir verdades irrefutáveis.

A realidade de uma vida psíquica em nada se encontra em contradição com o materialismo. A vida psíquica, entendida como a vida decorrente da actividade cerebral, e, logicamente, de toda a actividade pensante, não contradiz, de modo algum, o pensamento materialista. O termo “psíquico” está de tal modo enraizado na nossa linguagem e na nossa sociedade que não é possível eliminá-lo, nem interessa. Quando um materialista diz, por exemplo, em conversa ou num texto literário, “a alma do poeta ou do pintor”, quer dizer o íntimo, o mais nobre do poeta e do pintor, e não, como é óbvio, se refere à alma do poeta ou do pintor em sentido espiritualista. Quando um materialista diz “ele é um espírito vivo”, logicamente que quer dizer que ele tem uma actividade psíquica intensa, perspicaz e arguta, e, de modo algum, se refere ao imaterial espírito contido no conceito espiritualista.

Para o espiritualista existe um dualismo corpo-espírito. Há duas realidades distintas no todo do ser humano, o corpo e o espírito, ou alma, interligadas em vida mas separadas depois da morte. Logo que a alma se separa do corpo, este vê-se reduzido à sua condição de matéria, logo putrefáctil, sem vida, enquanto a alma segue por outros insondáveis caminhos. Enquanto o materialista baseia os seus conceitos nas poderosas investigações científicas, sobretudo na área da Evolução e das Ciências Neurobiológicas, o espiritualista, sem qualquer base racional científica e convincente, baseia os seus conceitos numa crença, apenas numa crença, legítima, mas uma crença. Mas é assim e quem sou eu para tentar convencer alguém da “minha” verdade?

Não queria terminar esta primeira parte sem deixar aqui bem explícita, a finalidade deste artigo. E esta resume-se no seguinte: Perpassa por aí a ideia de que o materialismo, em termos de sentimentos, está a léguas do mundo sentimental do espiritualista. Disparate total! Disparate absoluto! Faz lembrar aquela pergunta de uma amável e intrigada senhora: como é que o senhor, sendo materialista, pinta, escreve, faz poesia e tem sentimentos tão bonitos?

A vida psíquica, isto é, a actividade cerebral e mental de qualquer ser humano , não pessoalizada, evidentemente, é idêntica, seja materialista ou seja espiritualista. Um e outro pensam, raciocinam, amam, choram, riem, fazem poesia, são capazes das mais profundas emoções e dos mais nobres sentimentos. Quantas vezes um materialista tem sentimentos e vivências “espirituais” muito mais profundas e mais nobres do que um espiritualista e vice-versa! A única diferença reside no conceito de “esfera psíquica”que cada um tem. No primeiro caso, materialista, esta faz parte integrante, material, do ser humano no seu todo biológico, conceito bem firmado na dificilmente negável investigação evolucionista e neurobiológica, e, no segundo caso, pertence a um ser humano feito de duas partes, uma terrena e outra sobrenatural, mera questão de crença, legítima, repito, mas sem qualquer base racional e científica.

Acabemos de vez com o sentido pejorativo atribuído, de ânimo leve, tantas vezes acintosamente e irracionalmente, ao materialismo científico. Tal atitude, sobretudo nos dias de hoje, não eleva nem dignifica ninguém. [Read more…]

Os resultados da política de Lula no Brasil


(via comentadora Sandra)

Lá, no Brasil, um só Banco tem 1 bilião de reais de lucros por mês. Aqui, são 4 milhões de euros por dia.
Claro que nem era necessário este pequeno exemplo, que mostra que o Brasil não é assim tão diferente de Portugal. Bastava ler as palavras de Lula.

Sócrates já mentiu 14.802.375 vezes desde que foi eleito

Desde que tomou posse pela primeira vez, em 12 de Março de 2005, José Sócrates terá mentido perto de 15 milhões de vezes.
As contas são fáceis de fazer. À razão de 5 mentiras por minuto (mesmo quando está a dormir), temos 300 mentiras por hora e 7200 mentiras por dia. Ao fim de um ano, são 2 680 000 as mentiras contas. Ao fim de 5 anos e meio, bom, é fazer as contas.
Estes números não contabilizam a entrevista de hoje à TVI (a primeira desde que conseguiu livrar-se de Moniz e Manuela), porque o sistema de contagem de mentiras do Aventar simplesmente não aguentou.

Os amigos são para as ocasiões


Os estrénuos defensores “relativistas culturais” terão uma excelente oportunidade para dizerem qualquer coisa, ou melhor ainda, para se calarem.

Aventar apresenta Pedro Passos Coelho em «Perdoa-me»

Cancro da Mama, sensibilize

Não é meu hábito reproduzir aqui emails que recebo. No entanto chegou-me um, de uma amiga, que transcrevo na íntegra:

Divulguem pelas redes sociais em que estão presentes.
Há as normais (.) (.), as de silicone (+)(+), as perfeitas (o) (o), ou as arrebitadas (*)(*), aquelas com frio (^)(^) e até as da avó \. / \. /, para não mencionar as grandes ( o Y o ), ou as pequenas (.)(.) ou assimétricas (·)(.)
Salvemos todas!

Publica no teu perfil para sensibilizar sobre o CANCRO DA MAMA. (^_^)

Orçamento de Estado: éhéhéhéhéh!…. povo, povo, povo… éééééhh!… povo liiindooo!…

Manifestação Nacional da Administração Pública: No Sábado, todos ao Marquês!

Desaumentos salariais – II

O João José Cardoso já referiu três desaumentos salariais, especificamente os da educação, da saúde e, pasme-se, da Câmara de Elvas. A táctica continua em implantação e agora é a vez dos secretários e oficiais de justiça. Estes estão a receber, pessoalmente e por correio registado, uma missiva assinada pela sub-directora geral da administração da justiça, na qual se lhes comunica que, afinal, não têm direito a abono por falhas, visto que autorização para tal não foi concedida, pelo que terão que repor as quantias recebidas desde Janeiro de 2009.

abono para falhas - reposição

Carta registada que está a ser enviada às Secretarias de Justiça

Despacho de atribui o abono para falhas atribuído aos secretários de justiça


image

Rectificação (despacho de 04/11/1992, publicado no Diário da República, II Série, de 25/11/1992)

Clicar nas imagens para ampliar

É de salientar o aspecto cínico na forma como a questão foi colocada: «caso tenha interesse», poderão os montantes «recebidos indevidamente» serem pagos em prestações. Em causa estão, ao que soube, 1.898,38 euros. Cujo direito se demonstra por consulta ao OE2009 (no artigo 24, nº 2 da Lei do Orçamento de 2009 está definido quem tem direito ao abono para falhas, nele cabendo os oficiais de justiça).

Não são reformas douradas mas é dinheiro. Já para não falar que o Estado ser pessoa de bem é uma valente hipocrisia.

Mais:

Olha, quem diria

António Mota, presidente do grupo Mota-Engil, está a ser ouvido no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) pela equipa de investigação da Operação Furacão, tendo sido constituído arguido por indícios da prática de crimes de fraude fiscal agravada e branqueamento de capitais, soube o SOL.

Claro que um processo iniciado em 2005 precisava de 5 anos para chegar a esta conclusão. O advogado de António Mota chama-se Daniel Proença de Carvalho. Precisam de um desenho?

O orçamento, o debate na AR, a banca e a fiscalidade

Fica para a História Económica e Social de Portugal. O OGE para 2011, o orçamento da miséria, foi objecto de acordo no aristocrático Bairro da Lapa. Em reunião entre o dono da casa, Eduardo Catroga pelo PSD, e o Ministro Teixeira dos Santos pelo PS. O telemóvel do primeiro registou as imagens do “sucesso”, deglutido alegremente por ambos.

A despeito do mediatizado acordo, a discussão da proposta orçamental está fervilhar desde ontem na Assembleia da República. Com elogios do PM a Ferreira Leite e a mistura de discursos truculentos entre “rosas” e “laranjas”, os deputados da Nação lá vão ocupando o seu tempo e o da parte do país disposta a assistir ao espectáculo.  

Tanto tempo, tanta palavra, tanta retórica, tanta controvérsia, num jogo cujo desfecho final é, à partida, conhecido e imutável. Ainda por cima, com os derrotados fora de campo. E os derrotados, diga-se, são a imensa multidão que ‘paga mas não manda’. Precisamente ao contrário do que afirmou Manuela Ferreira Leite em réplica a outro deputado. Com efeito, a distinta deputada, também ela com contas por ajustar no descalabro financeiro do País, proclamou uma tirada, com a altivez de quem inventa e enuncia uma lei científica e universal: “Quem paga manda”, disse em tom severo; o seu rebanho, em colectivo êxtase subserviente e acéfalo, fez-se ouvir em uníssono aplauso. É a típica manifestação de estado emocional em grupo, de quem está bem na vida, de quem pensa o que lhe convém e se exclui de deveres elementares da missão e ética da política.

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O Diário do Professor Arnaldo: 3 de Novembro – Os Conselhos de Turma

Felizmente, acabam hoje os Conselhos de Turma intercalares. 8 turmas, 8 Conselhos de Turma, todos com a presença dos professores, dos dois representantes dos alunos e dos dois representantes dos Encarregados de Educação, 8 saídas da Escola às 9 horas da noite.
São divididos em duas partes. Na primeira, analisa-se a turma em geral – comportamento e aproveitamento – sem referir nomes. Na segunda parte, já sem a presença dos Encarregados de Educação e dos alunos, desancamos sem dó nem piedade naqueles que saíram. Nos próprios, se for o caso, ou então nos que eles representam.
Na primeira parte destes Conselhos de Turma, o mais usual é os representantes dos Encarregados de Educação estarem calados e dizerem banalidades. Há uns que quando abrem a boca é para falar dos seus próprios filhos, como se eles estivessem ali como Encarregados de Educação dos seus filhos. É das coisas que mais me irrita. Pior, só mesmo quando começam a dizer mal de determinados alunos, que criam mau ambiente na turma, que prejudicam os melhores alunos, ou seja, que prejudicam os seus filhos. Todos percebemos.
Na segunda parte, começa a algazarra. E os assuntos que duram, duram, duram. Ontem percebi por que razão duram tanto. As colegas não se calavam com conversas paralelas (eu era o único homem naquele Conselho de Turma) e a Directora de Turma teve de intervir:
– Ó colegas, desculpem lá, têm de fazer algum silêncio. Não querem ir para casa?
E respondeu uma a rir-se:
– Não. Se eu chegar antes das 8 e meia, tenho de fazer o jantar.
E só porque Suas Excelências não querem fazer o jantar, temos todos de levar, minutos a fio, com o que não interessa.

Podemos sempre fazer um Banco Alimentar Banqueiros

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Obrigado pelo aviso, , estamos solidários e preocupados convosco.
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Carta da AAP

Exmo. Senhor

Ministro dos Negócios Estrangeiros

Dr. Luís Amado

ministro@mne.gov.pt

Cc. gmne@mne.gov.pt

Palácio das Necessidades, Largo do Rilvas

1399-030 Lisboa

Senhor Ministro Dr. Luís Amado:

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) ficou perplexa e indignada com o teor do recente discurso de apresentação das Cartas Credenciais do novo Embaixador de Portugal junto do Vaticano que, no nosso entendimento, aproveitou a ocasião para exprimir a sua subserviência e devoção pessoal à Igreja em desrespeito do seu dever de representar este país laico e soberano.

Assim, a AAP vem junto de V. Ex.ª solicitar que se digne informá-la se o discurso do Sr. Embaixador representa o pensamento do Governo ou se, pelo contrário, foi um discurso que merece a reprovação do Governo de Portugal, por se apresentar o Sr. Embaixador como «o intérprete da arreigada devoção filial do Povo Português à Igreja e a [Sua] Santidade», ignorando o pluralismo ideológico, os princípios de liberdade religiosa, e uma boa parte da população do País que o Sr. Embaixador foi incumbido de representar.

Para o Sr. Embaixador pode ter sido a maior honra pessoal e profissional da sua vida dirigir-se ao «Beatíssimo Padre», mas o embaixador Fernandes Pereira não foi nomeado para representar um grupo de peregrinos. Portugal é um Estado laico, não um protectorado do Vaticano, e muitos portugueses reprovam o mal que as políticas de cariz teológico desta Igreja têm feito à humanidade, nos países onde a SIDA dizima populações, nas posições em relação à contracepção e planeamento familiar, à saúde reprodutiva da mulher, à sexualidade e à igualdade de direitos entre os sexos.

A alegada emoção do Sr. Embaixador com a canonização de D. Nuno Álvares Pereira também não é partilhada por muitos portugueses que, uns pela sua descrença e outros pela sua crença, consideram que declarar milagrosa a cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com uns salpicos de óleo de fritar peixe, é uma decisão pouco digna e menos justificável ainda. A AAP reconhece ao Sr. Embaixador o direito de ter a sua opinião acerca desta matéria, mas exige de um Embaixador de Portugal que represente o seu País e não apenas a sua opinião pessoal. [Read more…]

Notícias desse país

Campos junto ao Rio Pranto

Sem televisão e com pouca rádio – mas sobretudo sem net – têm os dias passado sem sobressaltos. O temporal que fez furor nas notícias, facto que pude (desnecessariamente) comprovar, trouxe-me anos idos à memória. Tempos em que as manhãs começavam com quinze minutos de caminhada até à camioneta que me levaria à cidade, a dezoito quilómetros de distância, onde depois de outros vinte minutos chegaria ao liceu. Nesses idos anos oitenta, antes das obras de hidráulica do Baixo Mondego, eram frequentes as cheias nos campos de arroz. Não havia televisões a fazer a cobertura – até porque só havia "a" televisão – nem prevenção civil a emitir alertas. Mas as pessoas sabiam que a chuva viria e preparavam-se. Limpavam valetas, removiam a vegetação das valas e, também, o solo não estava tão impermeabilizado com cimento como agora.

Tal como por estes dias, o dinheiro era igualmente escasso. Banalidades de hoje, como uma bola de berlim, eram uma alegria. Que por vezes se trocava por uma outra maior, que era a ida à Luna para dois jogos de Space Invaders – duas moedas de dois escudos e cinquenta centavos (vinte e cinco tostões como lhes chamávamos). Os dias de então eram como estes que agora experimento na ausência do frenesim noticioso. E sem o desemprego, coisa que se ouvia dizer ser alta em Espanha, deixando-nos patrioticamente confortados. E com as mesmas cheias, que eram boas por fecharem a estrada do Campo, o que significava dia sem aulas por causa do autocarro não passar.

Alcatrão e betão à parte, trinta anos não mudaram assim tanto os dias de hoje. Excepto que o desemprego chegou em força e a histeria político-noticiosa é mais omnipresente, muito graças aos novos canais televisivos.

 

Foto: bordadocampo.com. Sobre as cheias do Baixo Mondego, ver: A Ponte-Açude de Coimbra (e também a DGADR).

Sócrates, Chávez e Kadafi

Desaumentos salariais

Uma nova moda: depois do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde pegou agora na Câmara de Elvas.

O objectivo é conseguir, a médio prazo, que os trabalhadores paguem para ocupar o seu posto de trabalho, sem fazer nenhum. Se trabalharem serão imediatamente despedidos.

O Diário do Professor Arnaldo (2 de Novembro)


Hoje fiquei boquiaberto. Numa turma de 7.º ano, uma aluna estava a enviar bilhetinhos, através de uma colega, para um rapaz. Não é uma aluna brilhante, mas geralmente porta-se bem e é muito educada.
Como é óbvio, interceptei o bilhetinho e fiquei com ele. Por mera curiosidade, abri para ver o que estava escrito. Fiquei tão espantado, tão sem palavras, que rapidamente o meti ao bolso. Devo ter corado, porque um dos putos da frente perguntou logo:
– O que diz, setor?
Mudei de assunto e tentei fingir que nada tinha acontecido. Reparem: era uma turma de 7.º ano e uma miúda de 12 anos, educada e bem comportada. E sai-me aquilo que nunca esperei ler. Antes de o entregar à Directora de Turma, tirei uma fotocópia.
Sinceramente, estou escandalizado. Nunca pensei que as coisas tivessem chegado a este ponto. Com crianças de 12 anos e numa terra de província. Felizmente, não tenho filhas…

o elefante ou o quebra-nozes para as crianças?

bailado escrito por Piotr Illich Tchaikowsky, entre Fevereiro de 1891 e Março de 1892

Tchaikovsky – Dança Russa (Ballet “Quebra-Nozes”) – Maestro Paulo de Tarso.

Para nossa neta Maira Rose, filha de Cristan van Emden e Paula (née Iturra)

Foi comentado neste sítio de debate no mês de Dezembro de 2009, que Natal era quando o marketing quiser. Comentário que me leva a pensar a relação dos adultos e das crianças. Essa relação, hoje, de distância e, antigamente, de larga intimidade, ambas com muito imaginário e certa afectividade. Imaginário, como é natural, que varia no tempo e no espaço. Como Pyotr Ilyich Thcaikosky e Gus van Sant. Como a água do óleo. Qual, a verdadeira? Qual, a conveniente? Qual, a da História? Não é o acaso que me leva a pensar no Elefante e no Quebra-nozes. [Read more…]

Drogas, álcool, preconceitos e realidades

No dia em que na Califórnia se vota a legalização da cannabis é notícia uma reavaliação da perigosidade das drogas legais e ilegais que coloca o álcool onde sempre deveria ter estado, no topo, e o tabaco onde nunca na realidade deixou de estar, a meio da tabela.

O ranking não é novo, mas só agora foi publicado na Lancet, uma vez validado inter-pares. David Nutt, o seu autor, já foi entretanto corrido pelo governo britânico das suas funções de conselheiro; as heresias pagam-se caro, e é disso que falamos, de religião.

Foi por motivos moralistas e religiosos que os antecessores do Tea Party norte-americano impuseram a proibição da marijuana em 1937, na sequência da lei seca e seu falhanço. Por outro lado o álcool continua a vender-se sem grandes restrições, porque “beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses“, já se dizia no tempo da outra senhora.

Não deixa de ser curioso constatar que nesta matéria o islamismo leva um bom avanço científico em relação aos cristianismos, que desenvergonhadamente erguem o cálice nas suas cerimónias religiosas.

Gráfico roubado ao Público.

Os mercados estão em todo o lado

Os mercados estão em todo o lado. De repente somos submergidos por eles, os mercados. Sim, parecem ser um novo deus. Aos Católicos ouço dizer que Deus está em todo o lado. Para os políticos, comentadores, analistas e jornalistas, os mercados estão em todo o lado. Tal e qual aquele fulano que não nos larga. Enfim, um perseguidor.

Os mercados duvidam, os mercados estão atentos, os mercados desconfiam, os mercados isto e os mercados aquilo. Querem ver que os mercados são o ‘sistema’ do futebol, o ‘vocês sabem de quem estou a falar’ do Óctávio, o Brutos que também esfaqueou Júlio César, o ‘Adamastor’ que fez tremer os navegadores lusos?

Olha, mercado, se te posso tratar assim, vai dar uma volta ao bilhar grande e leva contigo os políticos, os comentadores, os analistas e os jornalistas que te vêm em todo o lado e que, acima de tudo, te dão demasiada importância. Não fossem eles, e tu não existias.

A "concertação estratégica"


O sr. Cavaco Silva decidiu enviar as felicitações da praxe à folgada vencedora das presidenciais brasileiras. Tudo dentro das convencionais normas da diplomacia entre países soberanos, notando-se o facto de um deles ser mais soberano que o outro, precisamente aquele que esteve durante séculos sob a soberania do “parabenizador à cata de negócio.”
Preocupante para o staff do Palácio do Planalto, deverá ser uma passagem do inquilino de Belém, pois promete-lhe …“uma renovada oportunidade de aprofundamento do nosso relacionamento e da nossa concertação estratégica. Pode, Vossa Excelência, contar com o meu firme empenho pessoal nesse sentido.”
Por experiência própria, os primos portugueses conhecem bem o significado deste tipo de “concertação”: se enveredar por “grandes desígnios”, “oportunidades”, “parcerias” e outras figuras de retórica, a Sra. Dª Dilma bem poderá ir contactando o FMI, pois dele necessitará dentro de quatro anos. Pergunte ao Sr. Cavaco Silva.

O escaganifobético

(Dedicado aos nossos amigos do Estado Sentido, com quem nos solidarizamos)

Não sei por que razão, ao ler o post do Estado Sentido, lembrei-me de um rapazinho algo estranho que em tempos coheci. Chamávamos-lhe o Escaganifobético.
A turma a que ele pertencia era realmente má, uma das piores. Seriam umas 50 ou 60 turmas naquela escola e, num engraçado Turmómetro que a Associação de Estudantes organizava semanalmente, a turma do Escaganifobético nunca conseguia entrar no Top-25.
Para dizer a verdade, nem sei por que razão me lembrei do Escaganifobético – alguns colegas diziam Escanifobético. O puto era realmente uma nulidade. Não valia um chavo e só estava naquela escola porque era sempre um fiel seguidor da Delegada de Turma, uma rapariga com muito jeito para escrever e para controlar todos os que a rodeavam. Aquele charme que algumas mulheres conseguem ter, mesmo em piquenas, mas que no caso dela derivava do facto de ter tido um romance tórrido com o director da escola.
Pior do que o Escaganifobético, só mesmo um outro colega da turma, a que chamavam o Palonço e que, tal como aquele, fazia o que a chefe mandasse. Desde que lhe pingasse em cima… Parece que fraca pegada deixou nessa turma e que acabou por ser corrido de lá.
O Escaganifobético era o autêntico cão de fila. Fazia o que o mandavam. Geralmente coisas desinteressantes, mas, que Diabo, para alguma coisa havia de servir! Era uma espécie de paquete, o moço dos recados que, no final da tarefa, recebia umas festinhas na nuca. Feliz por ter agradado à Delegada de Turma, abanava o rabo furiosamente. E deitava-se feliz, sonhando com o dia seguinte, em que, mais uma vez, iria ser útil à sua dona.
Soube mais tarde que o Escaganifobético caíu em desgraça junto da Delegada de Turma e que, fruto do seu carácter fraco e traiçoeiro, não conseguiu que mais ninguém o acolhesse. Desapareceu rapidamente e nunca mais ninguém ouviu falar dele. Rastejante, aprendeu a aperfeiçoar o faro e a procurar outro dono que o fizesse sentir-se amado.
O cérebro humano é uma caixinha de supresas. Ao tempo que não me lembrava do Escaganifobético. O Estado Sentido devolveu-mo à memória.

A Sucessão de Sócrates…

… e o pragmatismo alemão.

Ermida e Picão, concelho de Castro Daire (contributo para uma reorganização administrativa do País)


Quando vêm com histórias de extinguir concelhos e freguesias como forma de resolver o problema financeiro do País, começo logo a estrebuchar. Não é por aí – o défice combate-se, sim, extinguindo os privilégios pornográficos dos políticos passados e presentes, dos gestores públicos e de todos os «boys» do PS e do PSD que pululam pelo País. Combate-se, sim, acabando com Parecerias Público-Privadas que mais não são do que presentes dados às empresas amigas do poder e que oneram as gerações futuras até à exaustão. Combate-se, sim, acabando com os inqualificáveis benefícios fiscais dados anualmente à Banca e às grandes empresas e que, por si só, eram suficientes para comprar dois submarinos por ano.
Mas a verdade é que há situações que merecem um reajustamento no mapa administrativo do País. Não porque é preciso poupar, mas porque é urgente servir melhor as populações e introduzir uma certa lógica na forma como estas questões são abordadas. É o caso do concelho de Castro Daire (distrito de Viseu), que alberga no seu seio essa famosa aldeia que dá pelo nome de Colo de Pito.
Na parte norte do município, há duas freguesias cuja configuração é no mínimo estranha: Ermida e Picão. Mais do que as palavras, é suficientemente esclarecedor olhar para o mapa que publico. A primeira parte da freguesia de Ermida fica encostada à sede do concelho. Um outro bocado fica mais para ocidente, enquanto que o terceiro bocado fica a norte. Três membros desgarrados, entrecortados por uma freguesia «intrusa» que aparece pelo meio, Picão.
Pode haver razões históricas para esta situação, mas actualmente não se justifica. Ermida (que até já foi concelho) tem 267 habitantes, Picão tem 297. Mais do que a reduzida população, a proximidade em relação à sede do concelho garante, dentro do possível, o cumprimento das necessidades mínimas. E para além de tudo isto, não tem lógica esta situação. Porque uma freguesia é uma unidade administrativa. Uma unidade. E era o que fazia sentido neste caso: uma freguesia e não duas.
É assim que deve ser feita a reorganização administrativa do país. Pegando em casos concretos e não através de critérios cegos do género «com menos de x habitantes, extingue-se». Não é assim, não pode ser assim.

A discriminação do Aero-Om, a gota cor-de-rosa


Soube, pelo post do Carlos do Carmo Carapinha, no 31 da Armada, que a Fernanda Câncio acha uma insuportável discriminação os pensos rápidos serem apenas da cor da pele dos brancos. E que anda a pensar em lançar uma campanha para obrigar os fabricantes de pensos rápidos a fazerem-nos também pretos, amarelados e de todas as outras cores que fazem a diversidade do ser humano.
Carlos do Carmo Carapinha aponta outros exemplos de discriminação, como o Betadine, as suturas e os pensos higiénicos. João Gomes de Almeida, no Estado Sentido, aponta os dildos e as personagens dos gelados Olá. No Blasfemias, José Manuel Fernandes considera (injustamente) que é a causa mais ridícula do ano.
Enquanto reflectia sobre este momentoso assunto, fundamental para os destinos do país e da Humanidade – qual Orçamento de Estado, qual eleições brasileiras… – lembrei-me de uma das maiores discriminações da actualidade: o Aero-OM, a milagrosa gota cor-de-rosa que se dá aos bebés quando eles estão a chorar.
E é discriminatório porque é cor-de-rosa. E um rapazinho, todo vestidinho de azul, é obrigado a tomar uma gota cor-de-rosa só porque chora? Acho escandaloso e penso que o laboratório que o produz, a OM Pharma, devia oferecer também a cor azul como alternativa.
Com a indecente discriminação do Aero-OM, Fernanda Câncio não se preocupa. Claro, aquilo é um blogue de causas fracturantes e para elas é perfeitamente natural que um menino use coisas cor-de-rosas. Desde o dia em que nasceu.

Opera no Café Iruña em Pamplona – vale a pena ver e ouvir

O 1 de Novembro é desde a minha infância dia de tristeza. Não por se tratar do ‘Dia de Finados’. Ou talvez sim. Já nem sei. O certo, certo é ter sido o dia de desassossego do espírito de criança, por dor que jamais consegui repelir: a morte da minha avó materna. Subsiste sempre na memória, como, anos mais tarde, a partida da outra avó, a paterna, igualmente venerada por mim.

É, pois, neste dia, para mim perpetuamente plúmbeo, mesmo que raiado de Sol, que me refugio na música. E, porque a música é um bem partilhável, permito-me publicar um vídeo, gravado a 7 de Maio deste ano, ‘Dia Europeu da Ópera’, no Café Iruña em Pamplona; um café histórico frequentado por Hemingway, quando viveu em Espanha.

Mesmo para quem já não é novidade, estou convicto de que vale a pena voltar a ver e ouvir: