Esta Europa não.

Europe_allemande

Ele gostava de votar, de votar com convicção num partido, movimento, pessoas que verdadeiramente representassem o interesse da parte maior do povo, em que orgulhosamente se inclui. Sou povo, diz com a verdade de quem é. O discurso da esquerda, que bem conhece de a ter militado (e depois abandonado, por não mais ser possível pertencer-lhe assim), não lhe chega. Atento, há muito que esse voto perdeu sentido. Votar em quem?, pergunta-me todo perdido e chateado de vida, indisponível para a comunhão de fé com essa esquerda titubeante, de pensamento omisso sobre a Europa, e sobre o lugar de Portugal nessa economia de competição inter-pares. Um jogo que gera a desigualdade anacrónica que também em Portugal está a liquidar a recente classe média patrimonial em que também ele, que é povo, até ver se inclui.

Ele até nem se importava de votar na esquerda dos governos, que já o enerva a vocação opositora de quem espera a sublevação histórica dos deserdados do capitalismo para tomar o poder. Bem conhece o cartório de culpas comprometidas com o cavaquismo dessa esquerda. Mas lá está: com Seguro a puxar a carroça é que nem pensar, e Costa tarda, tarda, zanga-se com quem insiste para que de uma vez por todas se chegue à frente, diz que por ora Lisboa lhe basta, que ainda tem lá muito que fazer.

Ele gostava de votar, mas diz-me que esta Europa merece o castigo da abstenção dos povos. Por uma vez, a abstenção tem um outro significado. Um sentido político que aponta o dedo à Alemanha do euro-oportunismo comercial e financeiro e dos egoismos da «emigração interior» dos alemães. Um sentido político, ouviste Angela?

Relações SM

merkel_mutti
Foto: Jens Wolf

Merkel representa uma mulher que sobrevive e predomina nas actuais sociedades: a mamã castigadora (os alemães chamam-lhe Mutti – reparem como há tantas na imagem) que transfere para os filhos, regra geral na mais inacreditável inconsciência, as culpas que carrega – as dela, e as dos pais e avós. «Mas pensar em Merkel como essa mãe é totalmente desadequado à descrição de uma personalidade política», escreve-se hoje  no Der Tagesspiegel. «A distância entre a mãe que cuida e a castradora de homens corresponde mais coisa menos coisa ao que separa uma santa de uma meretriz. Mas até mesmo a imagem da castradora é desadequada para compreender quem é Merkel. Trata-se tão simplesmente do fruto da imaginação masculina… Pois se nos dispuséssemos de uma vez por todas a fazer uma leitura de Merkel na sua qualidade de política e não de mulher (entenda-se do estereótipo feminino), poderíamos enfim ocupar-nos da sua política – com benefício para a Alemanha e para a Europa.»

Nós, portugueses e restantes povos do Sul (a que se acrescentam os irlandeses), somos os seus enteados: burros que nem portas, que aceitam todas essas culpas e culpabilizações, enquanto os alemães e os franceses nos censuram, acusando-nos de sermos esbanjadores, preguiçosos, irresponsáveis, como crianças que se recusassem a crescer, e muito embora o dinheiro que hoje falta para financiar a nossa soberania e independência se tenha essencialmente perdido na corrupção mais abjecta. Uma sorte para os alemães e para os franceses, como bem explicou Harald Schumann.

E no entanto, e como sempre (é um padrão humano, que diz muito sobre o subdesenvolvimento da consciência humana) há uma relação de amor entre o carrasco (o sádico) e a vítima (o masoquista). E não saímos das relações de poder. Manda quem pode, obedece quem quer (Salazar dizia que obedecia quem devia, lá está).

«Euro forte

debilitaria a robusta indústria exportadora alemã

Falar claro

as_maos_alemanha_campanha_2013

Os moralistas não gostaram do dedo de Peer Steinbrück, apanhado em falso para uma sessão fotográfica do Süddeutsche Zeitung (SZ), enquanto respondia a uma pergunta estúpida e sem relevância política alguma. A gaffe pode custar-lhe a vitória nas eleições alemãs do próximo fim-de-semana, mesmo se, e segundo as sondagens (esse remédio santo do marketing cujas antevisões costumam fazer subir a abstenção), ganhá-las esteja longe de ser uma possibilidade. A rubrica do SZ chama-se qualquer coisa como “Não digas nada agora”, e consiste em pôr uma celebridade do momento a responder gestualmente a perguntas provocadoras. [Read more…]

Merkel e o Drone

Um Drone Sexual.

Nem vale a pena ir votar que a Merkel resolve tudo

<> on November 14, 2011 in Leipzig, Germany.

«Uma campanha mortiça, não por acaso, mas por tacticismo: Angela Merkel tem conseguido convencer todos de que a situação não tem saída, e muito menos requer visão prospectiva, isto é, políticas. A cultura política que foi construíndo ao longo dos últimos oito anos não deixa espaço para a crítica nem para o debate. Fá-lo apresentando todas as suas grandes decisões como sendo actos involuntários, movidos pela necessidade. E todos os seus erros como problemas sistémicos. (…) Os eleitores alemães não estão a receber informação suficiente, nem fazem ideia alguma sobre o futuro. Isto aplica-se a tudo. Assim vamos: dirigentes que estão na disposição de governar sem o envolvimento do povo, nem têm tempo para debates nem novas ideias.»
Um texto de Juliane Mendelsohn, aqui.

Depois do pau…

… a cenoura (mas só depois de meia Europa estar longamente hipotecada).

Efectivamente, era o fato

Fábio Poço/Global Imagens (http://bit.ly/100qyEx)

Fábio Poço/Global Imagens (http://bit.ly/100qyEx)

Naquele tempo, quando ainda escrevia numa inteligível ortografia portuguesa europeia, Ferreira Fernandes não acreditava que “fato e morada indiciassem um destino” — a propósito, a grafia da ficha técnica do DN daria para um tratado, mas hoje, como sabemos, é domingo.

Porém, segundo o Record,

Carlos Pinho, presidente do Arouca, destacou o fato de Pedro Emanuel sempre ter sido a primeira escolha

Já se sabe, é a vida: há quem atribua importância ao estilo de Mourinho, quem se deslumbre com os fatos de Costinha, quem prefira o fato de Jol, quem recomende os modelos de casaco de corte direito ou assertoado e quem se dedique ao catálogo das cores dos casacos de Merkel.

Depois do fato (de roupa), do fato de Monti, do fato no momento certo, do fato de Pinto Ribeiro, do fato de Octávio Ribeiro, dos fatos e afins do Diário da República, do fato daquela revista e da prova de fatos, temos o fato de Pedro Emanuel (pois, também temos um ‘projecto’, apesar dos *’objetivo’).

Sim, o fim-de-semana está prestes a acabar, mas ainda vamos, creio, a tempo de um desfile.

Quando a ficção se confunde com a realidade

Algo está mal, muito mal.

Comeram o camelo do Hollande

E não foi a Merkel.

O que vai Passos dizer a Cavaco

– E agora a Angela vai-me dar com a palmatória e ainda acabo de castigo no canto da sala…

reguadas_nao_funciona_getty100420

Merkel nua?

mononude0479
Circula há uns dias nas redes, afirmando-se a semelhança entre uma das então jovens e a actual Angela Merkel.

Não me parece: a foto original foi publicada na net em 2009 e um camping nudista dos anos 70 dificilmente faria parte das experiências de vida de uma jovem da RDA. De resto o nudismo, ou naturismo, uma guerra da minha geração contra a tolice religiosa e a hipocrisia da moral burguesa, foi uma boa causa.

Mas lá que é parecida, é.

Adenda: afinal na RDA o nudismo era corrente, ler nos comentários.

Cantar para surdos

Angela Merkel explica a Passos Coelho:

Deve ter sido esquisito para quem está habituado a culpar “o Sócrates” ter ouvido a todo-poderosa Angela explicar que, por causa da crise financeira desencadeada nos Estados Unidos, e da sua propagação à Europa, os governos europeus desataram a apostar no investimento público para conter o descalabro das suas economias. Só que entretanto os investidores começaram a desconfiar de algumas economias (as mais frágeis) e a duvidar da fiabilidade de alguns para pagar as respectivas dívidas.

Dilma explica a Angela Merkel:

Questionada sobre se já manifestou a sua opinião à chanceler alemã Angela Merkel, com quem disputa a posição de mulher mais influente do mundo, Dilma respondeu que “tenho-lhe dito isto em todas as reuniões do G-20 (…). As receitas que estão a aplicar levarão a uma recessão brutal. Sem investimento é impossível sair da crise. Aceito que é preciso pagar as dívidas e levar a cabo a consolidação orçamental, mas é preciso tempo para que os países o façam em condições sociais menos graves. Não só por questões éticas, mas também por exigências económicas. [Read more…]

Turismo eleitoral

Marcelo em Berlim, Merkel em Lisboa

Beija-me… beija-me… beija-me!


Por Noémia Pinto

Há uns anos largos, muito largos, ainda trabalhava eu no meu primeiro emprego, a empresa entrou em dificuldades económicas. Começaram os salários em atraso, começaram as greves, começaram as interrupções de rua, começaram os discursos dos patrões cheios de promessas, para acalmar os ânimos e para que as pessoas voltassem ao trabalho.
Lembro-me perfeitamente: durante uma dessas pausas para ouvir o patrão falar, uma colega, a Maria Augusta do corte, dizia sempre «beija-me… beija-me… beija-me!» E isto sempre que o patrão abria a boca.
No final do discurso, quando já todos os trabalhadores voltavam aos seus postos de trabalho, perguntei à Maria Augusta por que motivo dizia aquela palavra. A resposta dela deixou-me sem palavras, de sorriso na boca e com uma memória que ainda hoje me assola em momentos de falas enganadoras. Algumas pessoas certamente já saberão, por esta altura, qual a resposta que recebi. Eu nunca a tinha ouvido e fiquei estupefacta com a sua pontaria.
E é isso que hoje me apetece dizer. À Frau Merkel, à sua comitiva de Fraus e Herrs que hoje visitam Portugal, que assim nos espezinham e mostram como nada valemos nesta Europa germanizada. Ao sr. PPC, ao sr. PP, ao sr. Gaspar, ao sr. Relvas, e a todos os outros, que assim se mostram subservientes, lacaios de uma mulher que defende uma ideologia de destruição na qual eu não acredito. Ao sr. Seguro que se limita a falar, mas nada apresenta de positivo. A todos quantos até agora só falam, falam e não dizem nada. Apenas destroem mais este nosso frágil país.
Beija-me… Beija-me… Beija-me!
«É que eu gosto que me beijem quando me estão a foder!»

Angela, chancelerina

Não vou receber-te de negro, porque, sinceramente, mulher, não mereces que eu me ponha de luto, que entristeça os meus dias e lance sobre eles a tua sombra de morcego hamburguês. Receber-te-ia, isso sim, com um punhado de bosta quente, perfumada com os aromas da terra, do trigo e da merda, que haveria de acertar-te em cheio na franja dourada de garnier nº 80, mas já sei que estarás entrincheirada, longe dos gritos e dos arremessos, nos gabinetes de janelas fechadas daqueles a quem não elegemos para que fossem teus serviçais, mas que a isso escolheram reduzir-se.

Angela, chancelerina, se viesses em paz eu podia levar-te à casa de modas Fernandes e Irmão, onde se vendiam saias-casaco dos que a ti te agradam, verde azeitona-de-martini, ombreiras exageradas, cortes quadrados, cintura muito subida, com a intenção falhada de favorecer bustos generosos e disfarçar ancas largas, mas também é certo que a loja fechou há pouco e nem os ciganos quiseram rematar o lote. Não importa, afinal, porque tu também não vieste em paz, a tua visita é parte da cedência que temos de fazer aos nossos amos. [Read more…]

Falta uma semana…

Espalhar panos negros por aí, andar de luto, chamar-lhe nomes, e para quem tenha oportunidade: a uma senhora não se bate nem com uma flor, a esta manda-se o vaso pelo lado da base, para não estragar a planta.

 

Salvamos a Espanha para salvar os bancos alemães

– Jürgen Donges, o senhor que disse isto é conselheiro da Sra. Merkel. Nada que não tivéssemos falado já no Aventar (em 2010).

Portugal com má nota dada pelos seus

“Entre os europeus, portugueses são os que dão pior nota ao seu país. Quase 70% dos portugueses de classe média dizem que o seu nível de vida piorou no espaço de um ano”, lê-se no Público de hoje.

Este estudo do Barómetro Europeu do Observador Cetelem, não nos diz nada de novo.

É o descontentamento social “onde a precaridade atinge quase 30% da população”.

A Alemanha é a excepção à regra do resto da Europa. Têm que agradecer à Angela e aos seus antecessores.

Nós, estamos gratos ao Pedro e a todos os que lhe antecederam.

Nunca estivemos tão optimistas!

Os sonhos molhados de Camilo Lourenço

Camilo Lourenço, mais do que um carreirista, é um medinacarreirista. Tal como o exemplar matricial, vive convencido de que é o grilo falante do portuguesinho, esse pinóquio que substituiu a mentira pelos gastos “acima das suas possibilidades”. Enquanto ao mentiroso de madeira lhe crescia o nariz, ao portuguesinho minguam-lhe os bolsos, para gáudio do Camilo que vê nesse encolhimento uma manifestação da justiça divina, não faltando muito para lhe ouvir gemidos de êxtase, sempre que o luso gastador é vergastado por mais um corte salarial ou um aumento de impostos.

Quando já não parecia possível descobrir mais delícias orgásticas causadas pelo cilício da austeridade, eis que o Camilo é surpreendido por uma tumefacção benfazeja, diante da visão do portuguesinho açoitado pela Valquíria Merkel. Chega a mesmo a sussurrar de olhos fechados: “Dá-lhes Angela, dá-lhes. Com força!” Adivinhando o clímax, sorri, entreabrindo os lábios, imaginando a raça superior a pisar os pigmeus da periferia, esses porcos que cospem no prato “greek style”. E é então, ao sentir-se tão superior no desprezo que se manifesta em inglês, que vê luzes, relâmpagos, foguetões. O que lhe vale é ter sempre um par de calças sobresselente à mão. “Ah, Angela, Angela!”

O pesadelo de Angela Merkel

Mario Ballomonti

via Rui Rocha

Carta de Angela Merkel: As Condições do Resgate

Espanhóis,

Em virtude do “Tratado para a Solução Final dos Problemas Ibéricos” (coloquialmente conhecido como O Resgate), ponho-me em contato convosco para anunciar as seguintes medidas, que terão efeito imediato:

1) Depois de 312 anos de vulgares reinados, a Casa de Borbon é despossuída da Coroa de Espanha, cuja titularidade passa à Estirpe dos Merkel. Uma servidora será proclamada “Imperatriz Angela, Primeira de Espanha e Quinta da Alemanha” numa cerimónia oficial na Basílica de São Pedro pelo Papa Ratzinger.

2) Graças ao meu despotismo caloroso, dou-vos permissão para que me chameis “Angie”.

3) Ao cidadão Borbon é atribuído o Zoo de Berlim como tratador de paquidermes. A Universidade Ludwig-Maximilians de Munique cria duas novas cátedras de excelência: uma, de “Análise Económica e Otimismo”, dirigida por Rodriguez Zapatero, e outra, de “Oratória, Eloquência e Logopedia”, para Mariano Rajoy. José Mari Aznar trabalhará como bailarino nas discotecas techno de Berlím: com o seu bronzeado e os seus abdominais, estou segura que poderemos convertê-lo em Lady Gaga europeu. [Read more…]

Carta de um investigador a Angela Merkel

Querida Ângela,

Desculpa que te escreva em castelhano, mas o meu nível de alemão é similar ao de um orangotango de Bornéu em tempo de acasalamento. Podes pedir aos teus colegas Zapatero ou Rajoy que te traduzam esta carta. Ambos são célebres poliglotas, como deves ter descoberto nas reuniões do Conselho Europeu.

Agora a sério… Um dos aspectos, que pouca gente conhece de ti, é que és doutorada em física. Entre 1978 e 1990, foste investigadora na prestigiada Academia de Ciências de Berlim e publicaste importantes artigos no campo da química quántica. Suponho que isso ajuda a explicar porque, enquanto a Espanha cortava 35% nas ciências, desde o começo da crise, a Alemanha aumentava 20%.

Ângela, envio-te esta carta, porque estou cada dia mais preocupado que o teu governo nos faça de gregos. Sim, já sabes, que virás ao “resgate” e nos imporás reformas similares às que fizeram à Grécia: mudança da Constituição para que o pagamento da dívida tenha prioridade sobre qualquer despesa social, descida de 23% do salário mínimo, corte de pensões e despesas da saúde, etc. [Read more…]

De Merkozy, agora resta um Mer

Mais uma derrota para Angela Merkel. É capaz de ser melhor suspender todas as eleições na Europa antes que ela mande avançar os blindados.

Mário Soares ao Jornal I

Toda a gente percebeu tanto em Portugal como na Espanha que só com austeridade não se vai lá.”

Eu não sei se TODA a gente já percebeu, mas há pelo menos dois tipos de pessoas que perceberam: os desempregados e os funcionários públicos!

Que é da Democracia?

Um Primeiro-Ministro de um país declara, talvez demasiado tarde, provavelmente sem convicção, quase certamente por calculismo, que é necessário fazer um referendo para que os cidadãos desse país, independente, possam decidir sobre a sua vida, exercendo o conteúdo de uma palavra inventada pelos seus antepassados.

Num outro país com quem a Europa tem dívidas que nunca poderá pagar, um Primeiro-Ministro, que sempre preferiu ser Bórgia a ser Cícero, foi obrigado a sair do poder, após anos de escândalos, como, por exemplo, o de ser dono de jornais e de televisões e de um clube de futebol.

Um terceiro país desperdiçou a oportunidade da Democracia para se transformar numa pátria, depois de ter desperdiçado meio século a acentuar um atraso que ainda está a pagar.

A Europa, que já foi raptada por um deus grego, está hoje sujeita a gentinha sinistra como Merkel, Sarkozy ou Barroso, gente para quem a Democracia é um adorno, ou seja: pode-se usar, desde que não atrapalhe. Percebe-se, então, por que tanto aplaudem Primeiros-Ministros que não foram eleitos. Provavelmente, aplaudem porque não foram eleitos.

Os governos desses três países procuram cumprir à risca as ordens da gentinha sinistra, ignorando, naturalmente, os interesses dos cidadãos do seu próprio país, até ao dia em que estes acordem e se lembrem do verdadeiro significado de uma palavra inventada há mais de dois mil anos.

Ocultismos

‘If the euro fails, Europe fails. We have an historical obligation to protect by all means Europe’s unification process begun by our forefathers after centuries of hatred and bloodshed.’ Angela Merkel, Chanceler da Alemanha

Merkel tem razão, mas sabe que este desfecho parece ser inevitável. Enquanto a “Europa” foi uma Comunidade Económica, todos procuravam construir, produzir e vender. A União é uma realidade bastante díspar, presa a pressupostos meramente políticos sob supervisão dos “mercados”, ou seja, a garantia de uma casta. Estes “mercados” derrubaram os primeiros-ministros da Irlanda, Grécia e agora, de Itália. A interrogação lógica será quanto à real solidez das democracias e ao sistema de legitimização desse mesmo poder. Qualquer um dos primeiros-ministros acima mencionados – Sócrates foi inapelavelmente derrubado pelo voto -, chegou ao governo pela clara vontade dos eleitores. Com ou sem maioria absoluta, o exercício do poder executivo era perfeitamente insofismável. Quando alguns parecem enervar-se quando em alguns destes posts se menciona a falácia da “República” – precisamente a dos Presidentes eleitos por 23% dos eleitores e sua escolha prévia pelas direcções partidárias e empresariais, vulgo “mercados” – , este é sem dúvida, um aspecto muito mais relevante a ter em conta. Se aos “mercados” ligarmos gente do calibre de um Murdoch – que tentou derrubar a forma de representação do Estado na Grã-Bretanha e na Austrália, com tudo o que isso significa -, então estamos perante algo de imprevisto.

Há que dar-lhe remédio.

A nossa querida Grande Berta

Bastou o canhão alemão troar umas tantas bordadas e logo o hoplita grego bateu em retirada. A nossa Grande Bertha tem destas coisas, quando prevê uma ameaça de concentração de adversários na frente de combate europeia, logo procede à descarga, pressurosamente assistida pelos serventes-municiadores franceses.

Raios pá, isto só vai com um raio

Freitas do Amaral deu em zurzir os dirigentes europeus e eu concordo.

Aceso, verberou o directório europeu que conduz os destinos do continente, chefiado por pessoa e meia, dado que uma vai sempre atrás. Gostei.

Que fazer então? Esperar que um raio do espírito santo caia em cima dos líderes e os ilumine. Especialmente aos luteranos, que também são cristãos, assevera Freitas.

Que raio de solução! Cheira-me a que haverá relâmpagos e trovões antes que isso aconteça.

Merkel, a grande federalista

Um dos enigmas deste tempo de apertos, consiste no insólito facto de quase todos aqueles que se declaram de “federalistas”, serem invariavelmente, ferrenhos inimigos da Chanceler Merkel. Uma estupidez.

As declarações que esta proferiu há algumas horas, atacam os suspeitos fervores soberanos dos “indignados” do momento, sejam eles os do “contra-tudo” ou aqueles outros que almejam substituir a CDU num poder europeu cada vez mais concentrado no Reichstag de Berlim. Um contrasenso apenas ditado pelo costumeiro oportunismo de umas elites sem eira nem beira, esta é a verdade. Angela Merkel disse que os Estados que têm atentado contra a letra dos Tratados assinados, devem ser punidos e entre os castigos, lá está bem nítida, a questão da soberania. No fim de contas, esta nova febre soberana dos “indignados”, vai totalmente contra os entusiasmos “internacionalistas” de outras eras, eivados de “solidariedades e amores fraternais entre povos” tradicionalmente inimigos de morte. Enfim, a necessidade impôs novas regras e na esfera da “União Europeia”, o Euro – ao qual o regime se agarrou como um bezerro á teta da vaca – foi um dos argumentos mais poderosos para a homogeneização do pseudo continente. Merkel é acompanhada por quase todos os países do norte, centro e leste europeu e este é um incontornável facto que a muitos custará aceitar. Houve quem não cumprisse o acordado e entre os participantes, o regime português é um notório perdulário – para não dizermos vigarista – que há muito teria sofrido exemplar punição, caso a economia que ele próprio há décadas destruiu, não fosse um mero resquício de outros tempos.  Quem é federalista, não pode ser anti-Merkel. [Read more…]