Violência em alvalade!

Depois de um almoço na Ericeira com a água a beijar-me os pés rumei a Alvalade. onde encontrei violência à solta, por causa da boca do dirigente do Sporting que quer os adeptos a receberem mal o Simão.

Uma multidão, tudo à porrada, e ainda tinha que pagar 25.00 Euros. Não estive para apertos, iniciei um passeio a pé e dei comigo à porta do Museu da Cidade. Um palácio lindo, jardins maravilhosos com a arte de Bordalo Pinheiro, quadros, azulejos, manuscritos, estátuas, desenhos e arquitectura de Lisboa centenária (noutra altura vou contar)

E o faccioso trocou a loucura clubistica pela pacatez e beleza do museu. Saiu-me a sorte grande, belo fim de tarde.

Erle Stanley Gardner

 

No passado dia 11 do corrente mês, fez 40 anos que faleceu um dos escritores com maior influência na minha vida. Não tanto pelos seus livros, que só li um, mas pelo personagem que criou e que se tornou, para mim, um mito: Perry Mason. Personagem que saltou dos seus livros para rádio, e depois para a televisão, onde foi magistralmente interpretado por Raymond Burr que ficaria para sempre associado ao personagem (embora outros actores tivessem, também, vestido a pele de Perry Mason). 

Perry Mason, o paladino dos Advogados. Não só o seu cliente era sempre inocente, como ainda conseguia demonstrar quem era o culpado. Uma aspiração idealista de qualquer Advogado, que também foi Erle Stanley Gardner antes de se tornar escritor.

A poesia do neo-realismo (Poesia & etc.)

Há críticos e historiadores da literatura que consideram que o neo-realismo em Portugal se caracteriza essencialmente pelo discurso ficcional. Há quem seja mesmo da opinião de que não existe uma poesia neo-realista (Mário Sacramento, por exemplo) É uma questão de perspectiva. Caso se esteja a falar numa forma tipicamente neo-realista de fazer poesia, então talvez essa forma não exista. Porém, para lá da tessitura formal, há outros aspectos a considerar.

O fulcro vital do neo-realismo não reside na forma. Encontra-se na denúncia da injustiça social e da repressão política, típicas dos regimes autoritários de direita que governavam uma parte substancial da Europa no final da década de 30, quando o movimento começou a afirmar-se em Portugal. A depressão económica, a Guerra Civil de Espanha, preanunciando a II Guerra Mundial, a dicotomia fascismo-marxismo, constituem elementos indissociáveis da génese do movimento que, definido sinteticamente, constituiu uma transposição para a arte em geral e para a literatura em particular de uma dinâmica subsidiária do materialismo-dialéctico. No plano histórico, representa, como salientou Óscar Lopes, um fenómeno semelhante ao da Geração de 70. Porque as épocas de grandes clivagens políticas e sociais, desencadeiam geralmente novas formas literárias e artísticas.

A Geração de 70, ou geração de Coimbra foi como que um eco da grande crise europeia gerada pela guerra franco-prussiana e pela Comuna de Paris. Nas suas formulações, os escritores dessa geração, ultrapassando o socialismo utópico de Saint-Simon, Fourier e Proudhon, revolucionaram várias dimensões da cultura portuguesa, da política à literatura, onde a renovação se manifestou com a introdução do Realismo. [Read more…]

Mais um quadro 2010

(adão cruz)

O que hoje é pedofilia ainda ontem era arte

Ganimedes, príncipe troiano, era uma bela criança por quem Zeus se apaixonou. Incendiado de paixão pelo rapazito loiro, Zeus  (que era, no que respeita aos prazeres sensuais, um omnívoro) transformou-se em águia e, descendo dos céus sobre o indefeso Ganimedes, raptou-o e levou-o para o Olimpo, onde consumou a relação que,  aos olhos de hoje, não escaparia a ser classificada como pedófila.

Na Praça da República, no Porto, exactamente em frente ao varonil quartel militar, garante do comportamento ordeiro, há uma bela estátua do escultor Fernandes Sá que representa o rapto de Ganimedes. Se o leitor fizer a experiência de se colocar de frente para a estátua, verá como ela lhe surge emoldurada pelo edifício do quartel, quase se diria protegida sob a alçada militar. [Read more…]

Poetas

 Numa altura em que o pensamento único tende a fazer deste planeta um mundo irracional e idiota, nestes tempos de profunda hipocrisia e escassa poesia, tentar a poesia é, ainda, tentar voar.

Sobre a poesia e os que a tentam descobrir, os chamados poetas, recai muitas vezes um julgamento pejorativo.

 A poesia é assim uma coisa…e os poetas uma espécie de lunáticos que não têm os pés assentes na terra.

Eles têm os pés assentes na terra. O que acontece é que a terra nem sempre é terra, e eles erguem os pés porque a terra é merda mal cheirosa.

 A poesia está para além das letras, das sílabas e dos versos. É uma espécie de ascese que envolve o Homem e o aproxima da sublimação da vida. Estou convencido de que há muitas pessoas que não conseguem ultrapassar a fronteira para além da qual a razão do mundo não é a sua ou a visão do mundo não é a que diariamente nos impingem. E penso, é apenas uma opinião, que a causa está na ausência intrínseca de sentimento poético. [Read more…]

Small Man. Big Business. A portuguese man in New York.

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O projecto vídeo do nosso ex-aventador Gustavo Carvalho em Nova Iorque. Um pequeno-grande puto na imensidão da «Big Apple». Em breve junto de nós, outra vez, para contar a sua aventura americana.

Ainda a Arte Contemporânea

Ainda a Arte Contemporânea

O post da Carla “É a Arte Contemporânea, estúpido” gerou uma série de comentários, sobretudo da parte dos amigos Carlos Ruão e Carlos Loures.

Como é matéria em que dificilmente podemos dizer onde é que está a razão, não são comentários fáceis de recomentar num repetitivo e redundante comentário. Por isso optei por voltar a falar do assunto, em forma de post.

Diz Carlos Ruão, no fim de um dos comentários, agora sim, podemos dizer: “É a Arte Contemporânea, estúpido”. Ora bem. Se há situações em que podemos dizer: ”É a Arte contemporânea, estúpido”, não tenho a menor dúvida de que há outras situações em que podemos, justamente, dizer: “Ó estúpida Arte Contemporânea, sou eu”.

 A frase “Muita da arte contemporânea assenta numa enorme estrutura discursiva, sem a qual ela pura e simplesmente viria abaixo e se tornaria indistinguível de um monte de lixo”, parece-me muito arguta, como é arguta a observação da Carla, dizendo que, não pondo no mesmo saco todas as manifestações da Arte Contemporânea, se sente levada a concordar com esta frase.

 O amigo Carlos Loures concorda que, atendendo aos comentários de Carlos Ruão, só um reduzido número de pessoas estaria em condições de apreciar as obras de arte. Diz ainda Carlos Loures, que se aprende a ver, e ao ver e compreender se aprende a gostar. Luís Moreira diz que aprendeu a gostar da pintura de Picasso depois de ler e ter tido a sorte de um madrileno lha ter explicado. Concordo com ele, menos no explicar, porque penso que a arte se aprende mas dificilmente se explica.

 Diz ainda o amigo Carlos Loures que uma boa operação de marketing vende bons e maus iogurtes, vende bons e maus livros, bons e maus quadros… E por isso, a reacção da Carla à permissividade da arte moderna em matéria de mistificação ou mesmo de pura aldrabice (sobretudo nas artes plásticas) é também a sua.

 E dirigindo-se a Carlos Ruão, adverte-o de que não é preciso estudar a fundo a obra de um pintor para poder emitir uma simples opinião, porque, nesse caso, a arte seria dirigida exclusivamente a um público muito reduzido de críticos de arte (avalizados por academias, por exemplo). [Read more…]

É pouco? É tudo? É arte ?

A Carla escreve um excelente texto sobre as perplexidades que a atingem quando vê espectáculos que procuram novos caminhos, tal como o Vitor tambem já aqui escreveu sobre a sua desilusão num espectáculo de dança da Olga Roriz ainda em cena.

Eu lembro-me, nos idos de 70, quando ficava sozinho ou quase, após o intervalo nos filmes do sueco Ingmar Bergman, filmes que são hoje considerados obras primas como é o caso de O Ovo da Serpente, Desejo sob os Ulmeiros, O Sétimo Selo…

Eu tenho que confessar que ficava até ao fim por puro diletantismo, não fazia ideia nenhuma que estava a ver uma obra prima, agarrava-me à cadeira porque achava que quem se ía embora eram os que gostavam de filmes de cow-boys, estúpidos e trôpegos no escasso conhecimento e capacidade de análise do que estavam a ver. Hoje não os esqueço( aos filmes), embora tenha passado por uma fase de descrença, será que só perdi tempo, a armar ao intelectual?

Uma experiência que não esqueço foi uma tarde no Centro Pompidou, no espaçoso largo que o rodeia., onde um artista de rua tinha à sua frente uma mão cheia de panelas e tampas, um microfone que não passava de um bocado de madeira e contava histórias e sacava dinheiro aos incautos que por alguma razão não saiam dali. Era uma atração fatal! Às tantas, as muitas dezenas de pessoas já convictas que o artista não conseguia mais que o som tirado à força de pontapés nas panelas, riam e cantavam como nunca vi uma multidão rir e cantar, uma alegria genuína de quem balançava entre o enganado e o saborear a esplendorosa tarde, um espectáculo único, com as pessoas a darem pontapés nas panelas e nos tachos, com o ar de, enfim, revelarem o artista que cada um de nós trás dentro de si.

É isto um espectáculo? Isto é arte? Não havia perícia musical, nem um bom texto que me tornasse melhor ser humano, então o que me levou àquela euforia, ao puro gozo de dançar e cantar, quando a poucos metros tinha á mão, os filmes que não via em Portugal por serem proíbidos, os teatros, o Moulin Rouge…

Se calhar porque aquele ambiente, os sons da multidão, o encontro de pessoas que nunca mais vi, preencheram as minhas emoções e me fizeram feliz por uma tarde.

É pouco? É tudo? É arte?

"A originalidade é coisa que não existe"

Na actual sociedade da informação, a discussão sobre os direitos autorais é cada vez mais valorizada por alguns e, simultâneamente, mais desvalorizada por outros. Por outro lado,  mundo actual é um melting pot onde tudo acabará fundido e indistinto, para uns;  multicultural, para outros, que defendem existir progressivamente mais espaço para diferenças culturais e comportamentais dentro de uma mesma sociedade.

No campo artístico estão na moda conceitos e expressões como contaminação, interpenetração, fusão, transversalidade, etc. Em função disso, ideias como criação individual e plágio, sedimentadas durante muitos anos, encontram-se no centro de novas discussões, reavivadas agora com o livro “Axolotl Roadkill” de Helene Hegemann. Para ler no i.

É a arte contemporânea, estúpido

No seu mais recente romance, “A vida em surdina” (Asa, 2009), David Lodge põe na boca do seu protagonista a seguinte apreciação:

“Muita da arte contemporânea assenta numa enorme estrutura discursiva, sem a qual ela pura e simplesmente viria abaixo e se tornaria indistinguível de um monte de lixo.”

A observação segue-se à contemplação de uma série de obras de arte cujos significados apenas lhe são aclarados pela explicação que consta no catálogo.

Não ponho no mesmo chapéu todas as manifestações de arte contemporânea, mas sinto-me demasiadas vezes próxima do raciocínio desta personagem de Lodge .

Uma das minhas incompatibilidades é com certo teatro pós-moderno, em que os actores parecem recrutados de entre os membros de um grupo de apoio a doentes com síndroma de Tourette. [Read more…]

Mais um quadro 2010

                  

“HAY TANTOS QUADROS COMO OJOS CAPACES DE VER” (SAM FRANCIS)

Eugenio Merino, mais uma polémica na ARCO de Madrid

Eugenio Merino apresentou mais uma escultura surpreendente na actual edição da Arco 2010. Habitualmente polémico, Merino tornou-se conhecido do grande público com a escultura “Still Staying alive” onde Bin Laden aparece travestido de John Travolta em “Saturday night fever”

Na ARCO 2008 Eugenio Merino protagoniza nova polémica, desta feita com “Viva Fidel Zombie”. Eu próprio testemunhei que, num espaço por vezes acusado de ser demasiado extenso e com um rol de obras difícil de absorver, ninguém passava indiferente perante esta inquietante representação caricatural de Fidel Castro. (ler mais)

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Na Gulbenkian – exposição

Começo por anunciar que o autor da natureza- morta acima é um dos Aventadores de seu nome Nuno Castelo-Branco que, além de nos brindar com belos textos e ensaios de história soberbos,  nos surpreende agora com esta obra magnifica.

Mas vamos à exposição na Fundação Gulbenkian :

1 – O encanto das coisas pintadas – o conceito da natureza – morta enquanto cópia de objectos inanimados.

2 – Momentos preciosos – natureza- morta com uma colecção de objectos preciosos, incluindo pintura dentro da pintura.

3 – Um festim para o olhar – a pintura de grandes dimensões, apelo sensual ao paladar

4 – Doçarias – perpétuas lembranças de prazeres desfrutados e da promessa de outros ainda por experimentar.

5 – Jogos de Luz – as naturezas-mortas que exploram o efeito da luz na superfície de diferentes materiais.

6 – Natureza e Artifício -as pinturas conhecidas como trompe l’oeil representam a capacidade do artista em convencer o observador de que a ficção pintada é real.

7 – Tributos Florais – as pinturas de flores dos mais prestigiados especialistas holandeses, Italianos e Espanhóis do sec. XVll revelam uma grande variedade de tratamento do tema.

8 – Animais de Imolação – os animais mortos são um tema específico da natureza-morta, encarada no passado como a representação de coisas sem vida ou inanimadas. Os chamados troféus de caça.

9 – Questões de vida e de Morte – a capacidade de revelar mensagens morais profundas é particularmente evidente nas imagens de “vanitas” – termo derivado da citação Bíblica “Vaidade das vaidades, tudo é Vaidade! ”

10 – Revivalismo e Ruptura – sec. XVlll, as obras que correspondem aos desafios tradicionais de imitação da natureza, com grande fidelidade ao objecto pintado.

Mas o melhor mesmo é ir aquele paraíso e verem pelos vossos próprios olhos, almoçar levezinho, passear nos jardins, ler e apanhar sol…

Arte Nova e amabilidades entre vizinhos (Memória descritiva)

Não sei se já repararam que os países com fronteiras comuns, como o caso de Portugal e de Espanha ou de França e Inglaterra, ainda que hoje em dia vivam em paz, tiveram ao longo da História guerras e conflitos que hoje ecoam em picardias e se extravasam quando dos jogos de futebol ou de rugby ,no caso de francos e anglos. Problemas que vêm do passado. Só uma das guerras entre França e Inglaterra durou cem anos. Os confrontos entre portugueses e castelhanos forma também numerosos. Tudo isto deixa marcas e se prolonga em pícaras alfinetadas, anedotas, aforismos, expressões.

Não vou fazer uma análise exaustiva aos aforismos, que depreciam castelhanos em Portugal e portugueses em Espanha – Apenas um exemplo: para os castelhanos usa-se muito o termo «portuguesito» no sentido pejorativo, como sendo o país pequeno, todos fossemos apequenados pela baixa dimensão territorial. Lógica segundo a qual um luxemburguês nunca poderia ser maior do que um russo.

Há uma coincidência engraçada. Experimentem abrir um dicionário espanhol em «Portuguesada», Vou consultar o da Real Academia. Cá está: «portuguesada, f. Dicho o hecho en que se exagera la importancia de una cosa».(“Diccionario de la lengua española”, p.1645). [Read more…]

A propósito de amar uma cidade

Passo aqui belas tardes a ler, depois de um almoço nos pequenos restaurantes instalados nas belíssimas casas do SEC XVll, outrora beijadas pelas águas do Tejo. Lugar histórico de onde saíram as caravelas que descobriram o Mundo moderno. Foi tambem aqui que se construiu o Mosteiro dos Jerónimos das jóias mas belas que o homem concebeu, agora acompanhado pelo Centro Cultural de Belém onde se podem apreciar belos espectáculos e exposições. Aqui tambem se passaram coisas menos bonitas como foi a execução dos Távoras. Árvores centenárias oferecem-nos a sua sombra, flores enchem o espírito de cheiros e cores, a Fonte Monumental jorra água que ameniza o calor dos dias. Uma multidão “…de muitas e desvairadas gentes…” vindas dos quatro cantos do mundo enchem este lugar iluminado pela luz reflectida no Tejo azul, espelhando o céu sem núvens. Pode-se morrer de amor…e o “Youtube” pode contribuir e muito com imagens destas, tão estraordinárias!                                                            PS: Para o João JC. Este é o meu primeiro texto com imagens. É chato mas conseguiu!

a paixão que mata o amor

A morte de Beatriz

Para a mulher que respeito e amo, ela sabe quem é….

O povo português anda preocupado pelas batalhas políticas. Nem sabemos quem nos governa: se é o primeiro-ministro ou a oposição. E se é a oposição, qual é, entre todos os presidentes dos partidos das bancadas que fazem do governo uma minoria, o que exerce o poder? Minoria que, estrategicamente, procurará convénios com os partidos mais pequenos que apoiam o governo minoritário, com condições eternas.

Devo confessar que é um tema interessante, apaixona-me no meu querer saber de como vamos resolver a crise económica que nos atormenta e empobrece, como vamos criar mais postos de trabalho, como vamos agasalhar os que têm frio e fome especialmente em dias de festa, como o carnaval. Povo teimoso que, com frio e tudo e sem dinheiro, passeia e anda pelas ruas da alegria, esquecendo assim as da amargura.

No entanto, quando estamos no meio de outros problemas, sobretudo emotivos, o que o governo faça ou não, passa para segundo plano nos nossos interesses. Até um certo ponto. A crise económica entra nos nossos sentimentos e ficamos fracos para o amor. Bem queríamos amar sem preocupações e oferecer presentes, mas a carestia de vida em que este fraco governo nos meteu, faz-nos mais pobres ainda: de recursos e de emoções.

Os recursos, podem ser resolvidos, o amor também. Um nada de optimismo coloca-nos nas portas da serenidade e da paz. Requisito mínimo, para sabermos conviver em permanente conflito político, especialmente nós, que apoiamos o governo de minoria e os seus aliados. [Read more…]

A Natureza – Morta na Gulbenkian

Belíssima exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, reunindo um singular conjunto de obras de primeira qualidade, algumas das quais raramente expostas e a maioria nunca vistas em Portugal. É o caso, entre outras,de uma rara natureza-morta de Rembrandt, de uma das melhores obras de Chardin, pouco conhecida, e de um trabalho de Francisco Goya, a que se juntam produções fundamentais de Fede Galiza, de Juan Fernandez, El Labrador, de Paolo Porpora e de Juan Sánchez Cotán.

Mais de sete dezenas de obras expostas, vindas de 34 instituições públicas e 11 colecções particulares, ilustram a evolução deste género desde as suas primeiras manifestações, dando conta das múltiplas expressões que foi assumindo ao longo dos séculos.

Representações de frutos, caça, mesas de cozinha e de banquete, pintura de flores, vanitas e trompe-l’oeil, embora durante séculos o desafio tenha sido imitar a natureza, esta exposição revela uma multiplicidade de respostas diferentes.

Embora a natureza-morta tenha sido considerada em muitos aspectos um género marginal, estão em Lisboa obras importantes de pintores europeus mais conhecidos da época e trata-se de uma ocasião única para ver algumas obras verdadeiramente notáveis!

“Ainda estou atónito com o facto de termos nesta exposição uma das raras naturezas-mortas de Rembrandt,uma das melhores obras de Chardin e até um Goya!” diz um entusiasmado comissário da exposição Peter Cherry do Trinity College de Dublin.

Exposição de João Alexandre

O meu amigo João Alexandre vai expôr na Casa das Artes de Sever do Vouga, tendo-me pedido para escrever um texto para o catálogo. Ele aqui está para quem tiver a pachorra de o ler.

Modus operandi

 Como eu já disse num outro texto sobre João Alexandre, falar dele não é fácil, porque não é fácil falar de um pintor que é, ao mesmo tempo, amigo, filósofo e criador.

O João resolveu dar a esta sua exposição o título Modus Operandi, que é uma expressão latina utilizada para significar um modo de agir ou de operar, mantendo sempre, de uma maneira geral, procedimentos idênticos.

Na verdade, objectivo e positivo como é o João, não poderia escolher melhor título. É que toda a sua obra, desde que o conheço, mais do que em qualquer outro pintor, revela um permanente modus operandi do qual ele não mostra vontade de sair, a despeito de uma imaginação dinâmica e de uma inteligência sempre activas.

Isto não impede que a sua pintura seja de uma singular originalidade, elaborada numa espécie de redundância conceptual, materializada na esfera de uma filosofia palpável, que, pelo facto de ser palpável, não deixa de ser profunda.

Materializada dentro dessa filosofia palpável, a sua pintura parece adquirir, filosoficamente, um carácter quase imaterial, onde não se vislumbram gestos nem mãos. Há uma expressão que já utilizei, mas que me parece tão adequada à pintura do João Alexandre, que não resisto a relembrá-la: a sua pintura vai aparecendo como se o artista soprasse a camada de pó que a cobre, não se sabe se há séculos, há milénios ou há um tempo fora do tempo. Uma espécie de alma para lá da translucidez da estrutura corporal da tela. [Read more…]

no me ensucien el agua!

Alejandrita tomando baño a sus tres años

Era su hábito decir. Un hábito que no sabíamos si era para respetar o para reír… [Read more…]

Quinto quadro 2010

(adão cruz)

Amargas trevas invadem-nos, por vezes, já que o Homem é um ser atravancado de mitos. A arte, caminhando a par da razão e da matéria pura, no espinhoso percurso da prisão à liberdade, dá luz à utopia que ilumina as ruas sepulcrais da nossa cidade interior.

Merda de artista e outras merdas

Em resposta a este post.

Eis um pequeno vídeo da recente exposição de Anish Kapoor, o primeiro artista vivo a ter uma exposição individual na Royal Academy de Londres. Para o assunto em causa repara nas imagens entre o espaço temporal 1:12 e 1:19 ( mas não deixes de ver o vídeo todo ). Alexandra Lucas Coelho, no Ypsilon, dá uma ajuda: “De resto, entre críticos, curadores e inspiradores, todos aludem a falos, vulvas, vaginas, orifícios, penetrações, intestinos e matéria fecal.”

E que me dizes a isto, especialmente sabendo que “Hirst registou um novo recorde para um leilão dedicado a um único artista, cujo anterior detentor era Pablo Picasso” ? -citação retirada daqui.

Na imagem: Vaca serrada ao meio e conservada em formol, de  Damien Hirst

Dizia eu no meu comentário, por outras palavras, que a afirmação, por parte do artista, de um objecto ou atitude como sendo arte, o transforma imediatamente em tal ( sim, eu sei que é uma afirmação polémica ). Se não acreditas, o que me dizes desta pergunta de Antony Gormley em cuja biografia podes encontrar dados como estes: ” In 1994 he was awarded the Turner Prize and in 1999 he won the South Bank Prize for Visual Art. In 1997 Gormley was made an Order of the British Empire (OBE) for his services to sculpture and in 2003 he became a Royal Academician.” ?

na imagem: Antony Gormley convida-o a ser uma obra de arte.

E, para finalizar, Ricardo ( porque alguma vez teria que terminar, poderia ter começado, por exemplo, no quadrado branco sobre fundo branco (1915) de Malevich até hoje, para validar a minha afirmação ) diz-me lá se há grande diferença entre um cagalhão e quem o produz, sendo que ambos são matéria orgânica tratável pela arte.

PS1: À excepção de Antony Gormley, os outros não fazem parte da minha lista de artistas preferidos – mas não os ignoro nem menosprezo a sua importância. Acontece que respondem, julgo que bem, à pergunta que me dirigiste.

PS2: Deixa lá esse rapazinho que me dás como exemplo. Não duvido que seja boa pessoa, “bom artista” entre os amigos lá da rua dele e bem intencionado ( na sua boa-fé deve julgar que está a inovar ). Como se vê, o comentário do JJC não deixa de ser verdade.

Na Imagem: Piero Manzoni
Merda d”Artista
1961
€120,000 ($162,206)
Sotheby”s Milan
May 22, 2007

Pedro, um cagalhão é uma obra de arte?

.
Obra de Pedro Picasso

A propósito disto

I am the master of my fate: I am the captain of my soul

Através deste belíssimo texto, a Leonor “mostrou-me” este poema.

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

William Ernest Henley

E aqui uma breve história do poema e do senhor que o escreveu.


(Admito: chorei um bocadinho com este poema)

O Filme da Minha Vida

Ora vamos lá ver quais são os “Filme da Minha Vida” de cada um dos nossos leitores e dos restantes aventadores. A culpa é do Luís Moreira. Eu dou o tiro de partida:

Shine – Simplesmente Genial” é o filme da minha vida. Uma interpretação inolvidável de Geoffrey Rush roçando a perfeição e que lhe garantiu o Óscar para melhor actor em 1996.

Shine – Simplesmente Genial conta-nos a história de um pianista fora do comum com uma personalidade fora do mundo e dominado por um pai que queria ver o filho a realizar os seus sonhos frustrados, dominando-o de uma forma doentia – lembrando aqueles papás que inscrevem os meninos para estes realizarem as suas obsessões artísticas goradas. A personagem, interpretada por Geoffrey Rush, é simplesmente genial mas inadaptada ao real levando-o ao colapso e a um internamento num hospício.

A sensibilidade de David e a sua genialidade marcam este filme realizado por Scott Hicks em 1996, na Austrália e vencedor de inúmeros prémios, entre os quais se destacam um Óscar e respectivas sete nomeações.

Passados todos estes anos e com tantos filmes visionados, este Shine continua a estar no topo dos meus filmes e, por isso mesmo, continuar a considerá-lo como “O Filme da Minha Vida”.

(Outros: Ondas de Paixão de Lars Von Trier; O Fabuloso Destino de Amélie de Jean Pierre Jeunet; O Pianista de Roman Polanski; Os Padrinhos todos; Dune de David Lynch; Todos os da série Guerra das Estrelas; As Pontes de Madison County e As Cartas de Iwo Jima ambos de Clint Eastwood; The Doors de Oliver Stone; Control de Anton Corbijn; Lost In Translation e Virgin Suicides ambos de Sofia Coppola; entre tantos outros que neste momento não me lembro, sobretudo de ficção científica de que sou consumidor compulsivo).

Um filme sem Sol

Este AntiCrist é um filme que coloca o realizador perante os seus fantasmas. Só podia ser realizado por alguem que vive na penumbra, em regiões onde a luz é sempre escassa, vidas vividas para dentro de si mesmas, não há ponta de esperança e muito menos de alegria.

É uma dor que se compraz a si mesma, sem justificação, sem utilidade, sem refúgio. De degrau em degrau, a culpa leva-o ao inferno, à insanidade.

Afinal pode-se viver sem sermos responsáveis pelos nossos actos ? A memória é o drama do ser humano , mas é tambem o que lhe permite ser mais digno e melhor. . O limite é não sermos capazes de viver com o nosso passado!

Este filme mostra essa verdade, a que não podemos fugir, de uma forma muito dolorosa…

O terceiro quadro de 2010

 

(adão cruz)

Não há um verdadeiro realista, a não ser que não consiga, minimamente, manifestar a sua própria existência, assim como não há um verdadeiro abstraccionista capaz de unir o absoluto ao absurdo.

Rambo – não o dos socos o das telas

Fazer opinião sobre uma pessoa sem a conhecer é um perigo, a maior parte das vezes um exercíco injusto, e que não aproveita a ninguem.

O actor americano Sylvester Stallone, cujos filmes eram um arraial de pancadaria e que ele próprio, era um exemplo de mal representar, deu-me uma lição de todo o tamanho. O homem em pequeno foi extremamente pobre, teve uma paralisia facial, que lhe dava aquela expressão “sem expressão” ( o que para um actor…) passava o filme todos sem um riso, sem uma careta, com o ar de ser um tipo atormentado, porque outra coisa não era capaz de fazer e ía mostrando o “cabedal”.

Pois não é que  Sly é um conhecedor e apreciador de arte e um pintor cotado a nível internacional?

Uma das mais importantes galerias de arte da Europa,  a Galeria de Arte Moderna de Zurique, expôs sete quadros seus depois de o seu curador ter visitado o artista em Hollywood. Tinham-se conhecido um ano antes em Zurique quando Stallone, convidado para o Zurich Film Festival, foi apanhado na galeria  a apreciar a arte exposta do pintor Colombiano Fernando Botero.

Muito antes de ser actor Sly, dedicava-se à pintura e assinava com Mike Stallone, mas a pintura estava fora de questão por ter uma vida economicamente tão dificil. Teve que ganhar a vida por outros meios até ser apresentado a grandes nomes do cinema que o ajudaram a dar a volta e a recuperar a paixão e o talento pelas telas.

Ao perguntarem-lhe porque nunca se mostrou como pintor, Sly respondeu : “Acho que sempre houve um estigma em relação aos artistas-cantores, artistas-actores. Compravas um “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club band” se fosse feito por um actor?

O preconceito, as ideias feitas, fazem-nos perder coisas boas da vida!

PS: pela verdade que devo aos leitores, eu não comprava porque não sei o que é.

LAC – DIA ABERTO

Até amanhã no LAC.

                    A. Pedro Correia                                              Jorge Pereira                                     

                     Sofia Fortunato                                                   Cruzes

                             Xana                                                       Catarina Nunes

LAC – Dia Aberto

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Inaugura hoje e decorre até domingo o Dia Aberto do Laboratório de Actividades Criativas – LAC – em Lagos. O evento destina-se a mostrar uma seleção do trabalho dos artistas residentes no Lac durante o ano 2009.

Ainda antes da inauguração, e em exclusivo para o Aventar, mostro algumas fotos do PREC – Processo de Ratização Em Curso, a intervenção que este ano decidi efectuar, enchendo o edifício com centenas de ratos, que se passeiam pelas paredes e pelos tectos de várias divisões da casa. A ratização em curso prosseguirá nos dias seguintes com o acrescento de novos ratos noutros locais do LAC.

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