Tirem dali as criancinhas

Não é que seja novidade, miúdos que prometem ir a Fátima se passarem de ano é estupidamente mais vulgar do que se pode imaginar, mas esta imagem passa os limites; não é uma longa e extenuante caminhada a pé, é uma violência física exercida sobre um corpo em crescimento. A fotografia provêm do Público online, e pergunta-se onde pára a Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco e o próprio Ministério Público.

Que 100 anos atrás, ali mesmo, em Fátima, uma criança chamada Lúcia Santos tenha sido sequestrada para o resto da vida, compreende-se à luz da mentalidade da época. Que isto hoje suceda, não.

Literatura para crianças: A Árvore Generosa


Hoje é o Dia Internacional do Livro Infantil, sendo que prefiro dizer que os livros são para a infância ou para as crianças, mas…

Queria partilhar um dos melhores livros alguma vez escritos:

A Árvore Generosa de Shel Silverstein.

Que pode ser “lido” no youtube:

485 pequenos Gandhis

 

(imagem: Portal de Morro Agudo.com)

Foram quase 500, as crianças que se fantasiaram na Índia no passado domingo 29 de janeiro, imitando o líder pacifista indiano e marcando os 64 anos da morte de Gandhi (30 de janeiro de 1948).
Organizações não governamentais realizaram o evento com a participação de 485 crianças carentes, numa marcha pacifista, como não poderia deixar de ser.
Estes meninos marcaram um novo recorde do Guiness de pessoas reunidas vestidas de Gandhi.
Não obstante as dificuldades que já conheceram (muitos sem pais) e que enfrentarão no futuro, que fique pelo menos a lembrança deste dia tão especial nas suas vidas em que foram estrelas, em que se viram fotografadas e conhecidas pelo mundo, ficando na história do Guiness…
Mas que fique na sua memória, acima de tudo, a mensagem de Gandhi: a luta pela verdade e pela não violência.
Um ótimo modelo a seguir, a imitar, pela vida fora.

Hoje dá na net: História do Dia

Para os pais que estejam cansados de ler ou para crianças que estejam cansadas de esperar pelos pais, na página História do Dia, é possível ler ou ler e ouvir um pequeno conto todos os dias. Na barra lateral, há recursos relacionados, sendo de realçar o Arquivo, com as histórias publicadas ao longo de um ano, ou o Glossário, onde poderão ser encontrados os significados das palavras menos conhecidas. Boas leituras e boas audições.

À procura do sorriso perdido

Não é preciso conhecer nenhum estudo científico para chegar à conclusão que os portugueses sorriem cada vez menos.” A situação económica e social potenciou a inibição da expressão (…) O sorriso é uma reação que advém de se viver com bem-estar e felicidade” – isso já sabemos. Apenas as crianças “continuam a apresentar mais frequentemente um sorriso largo” . As crianças não vêem as notícias e também não as querem ouvir na rádio – pedem música. Na televisão, passam os bonecos…

Lêem e vêem o que querem.
Se calhar é isso que devemos começar a fazer também, nós os adultos! Selecionar o que vemos, lemos e ouvimos, para bem da nossa saúde mental.
E há tanta coisa boa e bonita para ver/ler/ouvir.

Portugal, essa minha criança

Mapa_de_Portugal2.gif

Para o País que me soube acolher e para os seus nacionais nos seus 30 anos de liberdade.

Pensa-se que o amor à criança é genético. Entre a minha experiência redigida nos textos deste jornal e em livros, bem como a de Eduardo Sá expressa, entre outros, no ano 2003, era capaz de dizer que esse amor é resultado do convívio respeitoso, da acumulação de experiências, na memória acumulada no decorrer do tempo ou história da interação social entre progenitores e descendentes. Poderia afirmar sem medo de me enganar que o amor não é genético, não é a mãe que pariu um filho que por isso o ama mais: é a mãe que o amamentou, acarinhou, beijou, ensinou, tal e qual o pai, se for o caso. A criança tem um desenvolvimento cheio de percalços, de doenças bem como de estigmas de crescimentos que o tempo vai marcando no seu ser e afazer, organiza a sua inteligência e estrutura a sua boa disposição, ou a sua saudade. Portugal, essa criança também formada por mim, percorreu uma imensidão de experiências na comprida e larga jornada da sua cronologia de vida. O óvulo vinha do Império das Astúrias, os espermatozóides da Borgonha Francesa e do Reino de Leão, a descendência começa no Condado Portucalense, com herança genética [Read more…]

Cautela! Crianças e operários estão a ser explorados

kid2.jpg

 Estou ciente de me ter referido às formas em que crianças e adultos pobres são tratados em vários sítios do mundo, como se fossem os despojos do dia, ou a escória da vida social. Vida social a que aspiramos como o ninho da nossa vida. Vida social que estimamos seja solidária, amável e reciproca. Reciprocidade definida por Marcel Mauss

[Read more…]

E a mim, quem me defende?

defende

Para nuestros hermanos de Atocha e para nós, governados por uma Troika… 

Escrevo ao correr da pena. Da pena a tingir a folha branca de preto, da pena a tingir o meu coração de luto. Hoje não consigo acudir aos meus santos padroeiros habituais,

[Read more…]

A (des)sigualdade da criança

Crian%C3%A7as+pobres.jpg

 

A problemática que a educação deve confrontar

O estatuto socioeconómico dos pais é determinante do incremento da (des) igualdade fisiológica das crianças denominadas de educação integrada ou especial.

Parece-me evidente que, ao falarmos em criança, estamos a pensar num ser humano novo, rechonchudo, de riso aberto, olhos azuis, cabelo encaracolado, impossível de atingir na sua rápida corrida. Ou, num pequeno que adora esconder-se dos adultos, ouve histórias lidas à noite, sabe contar contos e é espontâneo a colocar os seus braços em redor do nosso pescoço. Ou nessa pequena menina que brinca a ser mãe e canta às suas bonecas as suas preferidas canções de embalar. O mundo ideal, de tipo Huxley. Raramente a verdade. Ou, por outra, verdade que atribuo mas não concerta com o mundo material. [Read more…]

Era uma vez um rapaz…..

…para mi Weñe…ou Javier Max Raúl Isley

Conto de embalar para a minha descendência. Era uma vez um rapaz que não conseguia dormir. Ainda bebé e depois da mamada, dormir não conseguia. [Read more…]

A impossível subordinação

Artemis%25200005%2520www_templodeapolo_net.jpg

Ártemis é para mim, uma das figuras mitológicas mais interessantes. O seu carácter indomável, insubordinado e vingativo a diferencia de outras divindades, como Afrodite, por exemplo, a deusa do Amor, que lhe o oposto.
Ártemis é também chamada Diana, seu nome latino. É a deusa das florestas virgens, habita a natureza selvagem, os lugares ermos e dificilmente desce aos lugares civilizados.

1. A ideia

Vivemos numa sociedade que grita, ao borde da bancarrota. A sociedade dos irrequietos, dos que protestam. Uma sociedade que precisa de resiliência, conceito criado por Boris Cyrulnik: essa inaudita capacidade de reconstrução humana. [Read more…]

Saber Educar

Albert Einstein

 Vivemos épocas conturbadas. Não apenas por estarmos em falência e o nosso dinheiro de empréstimos de vários sítios, juros altos, prazos curtos para devolver o concedido, sem perdão dos capitalistas que, mal passa um dia e os juros são incrementados. Como acontece com o berço da moderna e clássica civilização, a Grécia. Constantino, meu amigo e colega de Faculdade, [Read more…]

Viver não custa – uma homenagem ao Arquitecto Celso Costa

Para Celso Costa, Arquitecto, marido da minha amiga Maria Luiza Cortesão, que soube viver, e ensinar a viver, um militante da liberdade com os Cortesão, falecido ontem.

Sem saber como nem quando, nascemos. Nascemos sem saber o como e o porquê. De certeza, somos resultado de uma violenta paixão dos nossos adultos. Essa paixão que não permite pensar, apenas agir. Essa paixão tem um resultado, a maior parte do tempo, de dar vida. E o caminho ao Gólgota começa. [Read more…]

Grande! Grande! O Grandioso Povo Da Cidade Líbia de Sirte! #ILoveKadhafiPeople

A Magnânima Ajuda Humanitária ao Povo Líbio! Este mundo deve Imaginar que as Pessoas da Cidade de Sirte São Imortais, Y, que desta destruição Ninguém Morreu! Os Habitantes da Cidade de Sirte Foram Caluniados – sucessiva, descarada Y constantemente -, pelos JORNALISTAS MUNDIAIS; rotulados  de MENTIROSOS, quando em desespero-apelo diziam que estavam a ser alvo de bombardeamentos indiscriminados. Lembramos  o cuidado reiterado de Saif al Islam em explicar Y esclarecer Y advertir que a População Líbia, nas últimas décadas, tinha sofrido uma grande alteração, dado os fluxos migratórios, sendo, portanto, composta também por PRETOS. Repito: Saif al Islam destacou por inúmeras vezes: são PRETOS a quem foi reconhecida a cidadania Líbia. Ainda hoje, quando abrimos os Jornais de referência Mundial, com Jornalistas de Referência Mundial que, no conhecimento, inclusive, aferido  pela Amnistia internacional, do LINCHAMENTO indiscrimindado de: homens, Mulheres Y CRIANÇAS, continuam impunes, soberbos, Y poderosas Máquinas de guerra Mediáticas a escrever MERCENÁRIOS! Y à conta da Palavra MERCENÁRIO, escrita por INSUSPEITOS jornalistas de RENOME MUNDIAL vão sendo degoladas Pessoas PRETAS, só porque são Pretas. São homens, Mulheres, Jovens Adolescentes Y CRIANÇAS! Y a cobro da Solenidade de Renome Mundial, O GENOCÍDIO é Paternalizado como Praxis de louvável Liberdade Rebelde sob a capa da Palavra MERCENÁRIO.“GROTESCO! GROTESCO! GROTESCO!” Já Não [Read more…]

Não se importe, não fica obrigado

img

 

 

 

 

 

 

 

Para os amigos que apresentaram os meus novos livros…e para os que ouviram a apresentação, essa, a minha família inventada…em memória desses dias em que eu tinha amigos… 

É comovente, é difícil de entender, e voltar a ser criança é uma festa que parece não ser merecida. É um presente. Esses embrulhos amados pelas crianças. Especialmente na época do Natal. Essa impaciência pela surpresa do que deve estar dentro dos pacotes/embrulhos ai. Impaciência que nem deixa dormir em paz. Impaciência do imaginário. O que será, o que há dentro do pacote? Uma carícia, um mimo, uma maré de seres humanos? [Read more…]

As ditaduras e o saber das crianças

criança e mãe

Metáfora dos meus netos defendidos

Para todos os meus netos, especialmente o primeiro, Tomas van Emden, filho de Cristan e Paula, nascida Iturra-González. Tomas, Mum shall explain this synthesis of my book of 1998: O crescimento das crianças, Profediçoes, Porto, what we have to live, what we had to fight to survive, and why we were in Viatuxe, Galiza. The little girl over there, is your Mother.

1. Os eruditos.

 

A ditadura não é virtual, é a materialidade da acumulação do poder nas mãos de apenas de uma pessoa que governa. A ditadura não é virtual, assume todos os poderes para agarrar. Para agarrar qualquer um que pense de forma diferente. Qualquer um que deseje a divisão do comando do poder. A ditadura apoia-se, normalmente, nas armas e na proibição de pensar de todos os seres que queiram serem diferentes. Principalmente na proibição de pensar. [Read more…]

O mundo das crianças – guerras e debates – IV

nina_kim_phuc_guerra_vietnam.jpg

Os mais novos da família não conseguiam entender os desencontros dos mais velhos. Quem tinha mais família nas guerras de Europa, era a mulher do Engenheiro, bem como uma larga parentela no sítio em que estavam, em Valparíso, Chile , sítio em que estavam as indústrias, o comércio, as fábricas que eles tinham instalado ao começo do Século XX. No velho continente, duas guerras tinam começado: o levantamento das Forças Armadas na Espanha, contra a Segunda República desse reino. A primeira, tinha sido no Século XIX, contra a monarquia de Isabel II, quem teve que fugir para Itália com a sua corte. A bisavó e avó da mulher do engenheiro, iam nesse grupo. A Segunda República tinha começado com o levantamento popular contra Alfonso XIII, que já no governava, apesar de continuar a ser rei. Quem chefiava o país era o seu Primeiro-ministro, Miguel Primo de Ribera, com a protecção do Rei: as Cortes tinham sido abolidas e a Constituição não funcionava. Afonso XIII (nome completo: Alfonso León Fernando María Jaime Isidro Pascual Antonio de Borbon y Habsburgo-Lorena; Madrid, 17 de Maio de 1886Roma, 28 de Fevereiro de 1941) foi rei de Espanha entre 1886 e 1931. [Read more…]

Rómulo e Remo amamentados

amamentados

A CRIANÇAS CRIAM. As crianças são criadas. As crianças fundam. As crianças observam-nos. As crianças sabem de nós. Esses pequenos seres entre os 12 meses e os cinco anos, imitam-nos., e nos os observamos. Procuram em nós uma satisfação sentimental das suas emoções e colmatar os seus desejos de uma resposta simpática no difícil processo de amar. Um processo que requer um parceiro, esse processo de ida e volta, conjugado no verbo amar: de simpatia, de antipatia, com raiva, ou, simplesmente, não amar. Em síntese, uma complexidade entre as relações baseadas nas emoções, nos sentimentos e na intimidade do desejo. É esse descortinar dos nossos afectos que permite aos mais novos aprender a ser adultos, com bem ou mal-estar na cultura, como referia o nosso mestre Freud no seu texto de 1930[i], ao desenhar aberrações sexuais do seu tempo. [Read more…]

Estas criancinhas

Confesso o meu cansaço dos partidos políticos. Não é nada pessoal, com este ou aquele dirigente, nem em particular com este ou aquele partido político. O meu cansaço é em relação a todos, sem excepção, face ao modo como, decididamente, a democracia e a propalada cidadania são meros refugos do poder efectivo destas organizações.

Cansa-me, particularmente, esta convergência dos partidos políticos em nos fazerem de parvos nestes jogos em que são autênticas criancinhas mimadas em que fazem perrices, choram e ficam amuadas, sempre de dedo em riste umas contra as outras, quando as suas brincadeiras de recreio não correm como querem.

Lá vêm elas, depois ter connosco, de lágrimas a correr pela cara, a fazer queixinhas, a choramingar para que as outras fiquem de castigo.

O problema é que sempre lhes fazemos as vontades. E como se de petizes se tratassem, acolhemos depois com mimos os que, temporariamente, levaram um par de orelhas de burro e ficaram virados para um canto, com medo de irreversíveis traumas.

Em certos casos, chegamos ao ponto de as ver a fazer traquinices e rimos. Aqui e além até elogiamos a destreza que a traquinice exigiu para ser feita. De censura, no máximo, só encolhemos os ombros ou abanamos a cabeça.

Por mim, nenhuma destas criancinhas voltava a ter recreio tão cedo, só passava de ano com mérito, só brincava depois de estudar e de fazer os trabalhos de casa e não tinha direito a sobremesa se não comesse a sopa.

(Crónica publicada no semanário “Opinião Pública” a 27/04/2011)

o saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade-II

A fase correspondente à unificação das pulsões parciais sob a primazia dos órgãos genitais apresenta-se com uma organização da sexualidade muito próxima à do adulto (fase genital).

Nos Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905), Freud compara as fases fálicas e genitais: “Essa fase, que merece já o nome de genital, onde se encontra um objecto sexual e uma certa convergência das tendências sexuais sobre esse objecto, mas que se diferencia num ponto essencial da organização definitiva por ocasião da maturidade sexual: com efeito, ela apenas conhece uma única espécie de órgão genital, o órgão masculino… Segundo Abraham [1924], seu protótipo biológico é a disposição genital indiferenciada do embrião, idêntica para ambos os sexos“. [Read more…]

o saber sexual das crianças. desejo-te, porque te amo

Bellini, Norma, Area Casta Diva, Maria Callas

Nota introdutória e intercalada: este texto forma parte de um livro publicado no ano 2000, Afrontamento, Porto, apresentado na Guarda por Daniel Sampaio. Intercalo estas palavras na minha multidão de blogues, para calar um pouco o debate político que até o dia de hoje, tenho endereçado aos leitores.

Estas crianças crescidas, são o resultado das estratégias reprodutivas dos seus ancestrais, como vamos ver no capítulo 3. O seu saber, é manipulado ao contrário do ensinado pelos pais, pelos parentes. O seu saber é levado pela conjuntura dos tempos e das reacções dos seus pares. Eu insisto de que as crianças estão feitas para fugirem deles, das formas mais complexas possíveis. (Iturra 1997 c). Em pequenos, da sua vista. Em adultos, da sua vigilância

[Read more…]

rebobina-me mãe

mae-segurando-colo_~PAA509000024.jpgREBOBINA-ME, MÃE

Para Maria, a neta da minha amiga Ana Maria*

Os senhores leitores devem estar habituados a ler o que escrevo sobre os direitos das crianças. Não apenas por eu ser da Amnistia Internacional e colaborar com Human Rights Watch. O motivo real, é que as crianças não têm apenas direitos à paz, à alegria, à calma, ao respeito por parte dos pais, mas também à capacidade de serem entendidos por eles e de receberem respostas adequadas à idade da sua epistemologia. [Read more…]

as crianças crescem

(texto em quatro andamentos, escrito velozmente ao som de Tchaikovsky)

Piano concert 1 em B Flat Minor

Bem sei que estamos em época de eleições, de lutas políticas, de enganos e mentiras, ou dos mais lutadores que lutam pela justiça e a igualdade. Como Babeuf em 1785, assassinado pelo seu candor em 1795, guilhotinado pelas pessoas do seu partido por falar a verdade, como o nosso Primeiro-ministro demissionário. Não há quem nos governe nem sabemos quando vamos ter um governo apropriado para nós salvar da falência que caiu sobre nós por causa dos próprios governantes. Vamos esquecer e falar do mais importante na vida: as crianças e a sua educação. Se for homem de fé, diria: haja deus para salvar as nossas crianças da hecatombe causada pelos que pretendem governar-nos…

[Read more…]

etnopsicólogo em trabalho de campo

200px-William-Adolphe_Bouguereau_%281825-1905%29_-_A_Calling_%281896%29.jpgParece-me importante começar por definições, para que o leitor não se engane, mas definições leves, para não aborrecer. Um etnopsicólogo, é quem faz psicanálise às crianças no sítio em que moram. Normalmente, por serem crianças, a análise é em grupos de brincadeiras, a imitar a vida dos seus adultos, a melhor forma que um investigador sabe ou aprende, o que acontece em casa, sem ter entrar nas vidas privadas de grupos domésticos. Grupo Doméstico, como define Jack Goody em 1974, no seu módulo Addison-Weslley da Universidade de Nova-Iorque: os que partilham o mesmo teto, a mesma comida e colaboram nos mesmos trabalhos produtivos.

[Read more…]

ser pai – ser amante – amar sem condições

pode-se ser pai ou pela paixão, ou por ventre alugado, ou por adopção

As palavras são semelhantes, as pessoas são diferentes. No entanto, uma está amarrada a outra, atada. Não amor de pai sem filho, não há filho sem mulher. Um facto é a condição do outro, como o sol que brilha no inverno e tiras-nos o frio, como as estrelas que cintilam ao longe. Não há filho sem mãe, como não há mãe sem homem nem paixão sem sol ou sem estrelas, que na intimidade da paixão, são capazes de engendrar uma nova criatura. Este triângulo de pai, mãe filho, tem um ponto de partida. A paixão diz aos que querem ser pais que sem o sol da paixão nem o cintilar das estrelas, é impossível dar da sua vida íntima e pessoal, o sopro de vida de um bebé que começa aos gritos primeiro, até o seu desejo de carinho estar calmo e satisfeito e a sua [Read more…]

Violência infantil

É a terceira estalada que a gaja à minha frente dá na filha de 4 anos. Porque anda a saltar de um lado para o outro, porque não pára quieta, porque sim.
Estremeço por dentro, mas olho à minha volta e parece que ninguém no café dá por isso. A empregada diz que a criança é mal educada, a mulher ao lado da mãe vira-se para a miúda e diz «És má, és má».
E ninguém olha para a mãe – eu olho-a nos olhos com desprezo, mas infelizmente, não tenho coragem de me levantar e dar dois pares de estalos na fronha daquela puta. No fundo, sou tão culpado como ela.

em nome do pai, e do filho e do esp…

A criança traída. Canção sem Palavras.

A fórmula é conhecida no mundo cristão, seja ele Romano, Ortodoxo, Calvinista, Presbiteriano, Adventista, ou outro. É a fórmula usada no ritual de entrada de uma criança no mundo social. Tenho referido, noutros textos meus, que os seres humanos são inaugurados na interacção social, por meio de ritos. Rituais, nos quais a Igreja Romana é prolixa. Outras Igrejas têm apenas dois rituais de iniciação: o baptismo e o matrimónio. Eventualmente, os Presbiterianos a Ceia do Senhor ou Comunhão.
Confissão, apenas os Romanos e a Alta Igreja Anglicana ou High Church da Grã-bretanha, que Isabel I, teve o cuidado de guardar para si, para os seus pares e para o futuro. Para saber mais, é preciso ler os meus textos dedicados a esta temática, ou os textos dos cientistas da Religião, os que estudamos a Religião como uma instituição social, organizada pelos seres humanos, como definem Ludwig Feurebach em 1821,

[Read more…]

natal, o presente das crianças: lições

o primeiro natal de uma pequena família internacional: os Isley

…para Camila, filha companheira, o seu marido Felix e para sua filha May Malen, a minha nova neta

 1. Sonata introdutória.

Perguntou-me um dia uma estudante da minha Universidade portuguesa: Senhor Professor, porque estuda crianças? A minha resposta foi breve: porque sou pai. A seguir, proferi uma explicação mais explícita. Não é apenas sermos pais, é o que as crianças nos ensinam. Até parece que não são pequenas. Até parece sermos nós os que dizemos as sabidas coisas da vida. Sabidas coisas, um conceito que substitui todas as acções e aventuras na interacção da experiência da vida, dessa interacção que, por habituados como a ela estamos, esquecemos de reflectir. Reflexão que nem nos faz mal. Pelo contrário, reflexão que nos ajuda, a nós, adultos a crescer, a partir das crianças. Crianças adultas e crianças a crescerem. Como as filhas que tantos de nós pais, temos. É verdade que a simplicidade e o carinho, a honestidade e a lealdade são parte da vida que nós praticamos e transferimos para a nossa descendência. Essa descendência que começa a aumentar sem nós darmos pelo facto. Um dia somos filhos, anos virados, somos autónomos e indivíduos, anos depois, caímos no chão de um amor que acompanha os nossos afectos, a nossa emotividade mais íntima. E, dessa intimidade, aparecem os primeiros descendentes que fabricamos. E não é um erro de estrangeiro dizer fabricamos, são feitos do amor pela pessoa que os leva no seu corpo durante meses e que do seu corpo os alimenta. [Read more…]

a globalização do genocídio das crianças

criança que tenta flutuar sobre o genocídio que sobre eles, generam os seus adultos

http://www.youtube.com/results?search_query=Beethoven+F%C3%BCr+Elisen&aq=f

Não sou adivinho. Apenas observo o que acontece no mundo. E tremo de indignação.

Gostava de ver risos, notícias de que a vida está menos cara, saber que foi editada uma nova versão de uma obra de Bach, que o leite já não é caro, que se ganha mais, que baixou a inflação, aumentou o Produto Interno Bruto, o PIB. Que não é apenas o Presidente Chávez da Venezuela a recuperar o cargo, ou que a Rainha-mãe da Grã-bretanha, esse exemplo de vida cuja história me agrada ler, pregou um grande susto ao Fascismo na Segunda Grande Guerra.

Mas sabe o leitor que ando sempre a tocar os sinos para chamar a atenção sobre o sentir das crianças. Escrevi, em Setembro de 1999, um conjunto de ideias sob o título Crianças, os senhores do mundo esmagam os fracos. Em Fevereiro de 2000, tentei chamar a atenção para um debate político (socialista/ capitalista), no qual é usada uma criança, através do texto Prostituição das crianças. Devuelvan-nos al niño, no dia em que Elias González foi o centro do debate entre Cuba e USA. Debate que levou a que o meu artigo fosse publicado, em castelhano, em Espanha e na América Latina. Em Janeiro de 2001 escrevi As ditaduras e o saber das crianças. Tinha visto os filmes de Spielberg A lista de Schindler, e La Amistad, ou O império do sol; bem como o de Roberto Benigni A vida é bela e o de John Irving: Regras da casa.

[Read more…]

A expectativa dos grandes para o futuro dos miúdos

“O que queres ser quando fores grande?”

A pergunta adivinhava-se a todo o instante. Os adultos têm destas coisas, uma vontade tremenda de saber o que a miudagem quer ser quando ‘for grande’. Os petizes é que não estão para essas coisas, querem é que os deixem em liberdade. O que querem ser quando forem grandes não faz parte da ementa nestes dias de pouca responsabilidade.

Mas exigia-se a resposta. Os enormes olhos dos grandes aguardavam, em expectativa muda. “Mecânico de automóveis”. A resposta foi dada em instantes, quase sem pensar. Não queria nada ser mecânico de automóveis, mas tinha ouvido uma conversa onde alguém, um outro grande, disse que era profissão um pouco suja mas segura e com rendimentos garantido.

[Read more…]