E as pessoas?

austeridade

(latim austeritas, -atis)

 s. f.

1. Qualidade de austero.

2. Cuidado escrupuloso em não se deixar dominar pelo que agrada aos sentidos ou deleita a concupiscência.

3. Severidade, rigor.

austero |é|

(latim austerus, -a, -um)

adj.

1. Que é muito rigoroso nos seus princípios.

2. Rígido, severo.

3. Sério e grave.

4. Penoso.

5. Ríspido.

6. Sombrio, escuro.

Um homem austero é sério e rígido, de uma honestidade inflexível. Nos últimos tempos, austeridade tem sido uma palavra impropriamente usada: se é certo que entre aqueles que impõem medidas duras à Europa há inflexibilidade, a seriedade é-lhes estranha, porque não pode ser honesto resolver problemas de contabilidades privadas ou mesmo secretas, criando mais empobrecimento e mais insegurança aos cidadãos europeus.

A sociedade em que quero viver é filha de ideais muito antigos, nem sempre cumpridos e muitas vezes verbalizados. Sou um filho dos ideais da Revolução Francesa, sem a parte da guilhotina. Sou um filho dos ideais da Revolução Americana, sem a parte do extermínio dos índios. Sou filho de boas ideias e de ideais generosos, mesmo quando a sua prática foi, tantas vezes, pervertida. Há poucos dias em que não me sinta como um católico envergonhado com o Vaticano ou um comunista que sempre odiou o Muro de Berlim.

Esta Europa em que vivo não é o farol civilizacional em que me julguei razoavelmente seguro. É uma parte do mundo dominada por uma gente perigosa, gente sem alma, gente anti-social, porque este marialvismo que chama pieguice às queixas de quem é diariamente roubado é próprio de quem é anti-social.

Na Grécia, o parlamento submete-se às ordens de Berlim, prometendo mais austeridade, mais dificuldade, mais pobreza. Aquilo que foi aprovado ontem no parlamento alemão de Atenas prevê, entre outras coisas, a obrigatoriedade de despedir funcionários públicos, sempre por razões contabilísticas.

A direita limitar-se-á a dizer que é natural que assim seja, que tem de ser, que não há direitos adquiridos, que o mal está todo naquilo que é público. E as pessoas? Meros grãos de areia numa engrenagem em que banqueiros, empresários e políticos se governam. O resto é brincar ao Monopólio e ir à missa aos Domingos, deixando uma esmola ao mendigo providencial que existe para que o esmoler se sinta bondoso.

Entretanto, enquanto a direita engole uma hóstia devota, não perde tempo a pensar no funcionário público ou no operário gregos que irão ser despedidos e que voltarão para casa carregados de revolta ou de pieguice. A direita, ao sair da missa, limitar-se-á a trocar palavras graves e descontraídas como inevitabilidade ou emitirá um conselho sisudo sobre a necessidade de trabalhar mais. Perder tempo a pensar nas pessoas, nos seus problemas? Isso seria uma fraqueza.

Είμαστε όλοι Έλληνες (Somos todos Gregos)

O que sobra do parlamento grego aprovou mais um pacote de austeridade. Segue-se a revolta social intensa, com final imprevisível. Sem nenhum raciocínio lógico esta tarde deu-me para achar que o objectivo final de Merkozy é a saída dos PIIGS do euro, tipo eu quero uma moeda forte só para mim.

Seja ou não seja, o destino da Grécia está traçado, e o nosso será já a seguir. Ou ainda alguém acredita que a austeridade cega e as privatizações ladras resolvem alguma coisa, e levantam uma economia que se afunda cada vez mais? O Vítor Gaspar acredita, eu sei, mas os loucos não contam e não deviam governar países.

Imagem e título roubados a Os Dias do Fim

Vai trabalhar malandro

Está-lhe no sangue, a nossa direita vende Portugal por 10 reis de mel coado. Este Gaspar vende por menos, vende pelos mercados, e demonstra aqui que a crise não passa de uma oportunidade para arrasar com direitos laborais, privatizar tudo, regressar ao pior do capitalismo português. Se o deixarmos, é claro.

História

– Alguém se lembra como saímos da crise de 1929?
– Eu, eu, senhor, eu sei.

Banca, abjecta banca!

Quão mais baixo poderá descer o ser humano?

Isabel G

Merkel já dá palpites sobre o cozido à portuguesa

Aquela variante do homo sapiens sapiens que conduz o destino da Alemanha (para perder mais tarde ou mais cedo uma guerra, que isso é destino) abriu a boca para falar da Madeira.

Na ausência de moscas até pode parecer que não soltou disparate. Mas saiu, por omissão: a Madeira teria muito mais fundos comunitários para gastar (provavelmente mal, mas isso não é novidade nenhuma e é problema nosso, que não discuto o que faz a Alemanha aos seus) se um mirífico offshore não lhe tivesse aldrabado o PIB. E com mais esses 500 milhões nem o Alberto João conseguia gastar tudo em estradas, até porque teriam de ser utilizados no combate à pobreza (mais desvio, menos desvio, é verdade). Mas os offshores, a vigarice de forma e em forma do capitalismo actual, dão jeito a toda as merkles do mundo.

Entretanto vou-me sentar confortavelmente à espera, a eternidade ainda demora um bocadinho, que alguém no governo do meu país explique à gaja que ainda não chegou à Madeira. Embora pela parte que me toca, se votarem os naturais por fazer da ilha um protectorado alemã, nada a obstar; excepto as Selvagens, saibamos ficar com o que ainda não foi betonizado e sempre é o nosso extremo sul, pode fazer falta.

Com os militares, o Branco fica mais branco

omoSeparemos as águas, da complicada barrela. A nível macroeconómico, uma crise financeira é indissocialvelmente política. Para combater o depauperamento financeiro, os governos poderão ser mais ou menos socialmente justos nas medidas políticas e, sobretudo, na equidade dos sacrifícios.

Colidir com interesses de grupos socioprofissionais organizados e sólidos, é mais difícil do que atacar o povo anónimo, disperso e aglutinado de forma inorgânica. Que manifesta indignação nas ruas, mas não é piegas. Vocifera e não entoa lamechas, nem é medricas.

Separemos, então, as águas de tal barrela, através de um processo de decantação. Da mistura heterogénea, retiremos a instituição militar que, pelo poder tradicional de que usufrui, se torna num corpo cujo manuseamento cuidadoso é recomendável aos governos.

O Ministro da Defesa, Aguiar-Branco, acusa os oficiais das Forças Armadas de instrumentalização, em reacção à carta aberta da AOFA – Associação dos Oficiais das Forças Armadas. Na defesa da tese da instrumentalização, o ministro, embora negando comentar, lá foi dizendo:

Eu não argumento quando se pretende fazer política com as Forças Armadas. Até do BPN se fala nessa carta.

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Longe da Grécia, perto da Irlanda

O Senhor Primeiro-Ministro revelou preocupações em relação às negociações da dívida grega. Nesse contexto, na tomada de posse dos membros do Conselho Nacional para a Ciência e Tecnologia, declarou:

Nós não temos uma situação parecida com a da Grécia, temos uma situação muito mais próxima à da Irlanda, que começou o seu programa há mais tempo, o nosso começou há cerca de oito meses.

Esta ideia de aproximação à Irlanda é pura especulação romântica, cuja ficção se sustenta na fé de que os irlandeses, esses sim, estão no bom caminho e nós, perto deles, também seguimos o rumo certo.

A coisa não é bem assim, e até a propósito de afirmações acerca da ‘sensibilidade social do governo’, aqui referidas, sugiro que, se eventualmente necessário, Pedro Passos Coelho se inteire da verdadeira situação social, económica e financeira da Irlanda; país que, é dado como muito provável, vai recorrer a um segundo resgate. Basta ler o que diz a imprensa irlandesa, o ‘Irish Independent’ de hoje por exemplo, do qual destaco a notícia “Relatório adverte para falhas do bem-estar social” e, em especial, o seguinte trecho:

A co-autora do estudo Bernadette acrescentou: “Falha de solidez do salário mínimo nacional e das transferências sociais em medida concreta adequada, tal como definida na presente investigação, significa que a pobreza e a exclusão social continuarão a ser uma realidade na Irlanda“.

Tomar a Irlanda como modelo exemplar, apenas se entende na lógica da obsessão pela política do empobrecimento dos portugueses – custe o que custar!

Portugal falha acordo. Zona Euro já admite bancarrota

Chegaram ao fim, sem acordo, as negociações entre o Governo português e a troika. As negociações vão prosseguir na segunda-feira.

A reunião entre os três partidos da coligação que está no Governo e os representantes da Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) acabou sem acordo quanto às medidas de austeridade e reformas estruturais que o país está disposto a adoptar para continuar a receber a ajuda internacional.

A troika «exige mais austeridade do que aquela que o país é capaz de suportar», afirmou o líder da PSD, Pedro Passos Coelho citado pela AFP, à saída do encontro.

Já o líder do CDS, Paulo Portas, justificou o falhanço das negociações porque «não queria contribuir para a explosão de uma revolução» e aceitar as medidas exigidas pela troika poderia ter esse efeito.

Representantes da banca internacional juntaram-se também este domingo à maratona negocial que envolve o Governo português e a troika para a adopção de novas medidas de ajuda externa àquele país, avançou a agência France Press. [Read more…]

Desemprego: a tragédia e a epístola de Barroso a Passos

O desemprego é, de facto, das mais graves calamidades sociais nos países europeus.  O Eurostat acaba de divulgar estatísticas, sintetizadas no gráfico seguinte:

Taxas de Desemprego em Dezembro de 2011

 Eurostat_001

Obs.: * Outubro 2011     ** 3.º Trimestre de 2011

O índice relativo a Portugal (PT) atingiu 13,6% no final de Dezembro de 2011, valor que excede a previsão do Governo da média para 2012: 13,4%.

De salientar que os países sob a terapia de austeridade da ‘troika’, Grécia (19,2% em Outubro de 2011) e Irlanda e Portugal (14,5% e 13,6%, respectivamente, em finais de 2011) têm registado crescimento do desemprego; fenómeno que, de resto, é o resultado natural da insensibilidade social das políticas em vigor.

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E a dívida alemã?

Manuel António Pina, hoje no JN

Gostaria de ver os arautos dos “mercados” que moralizam que “as dívidas são para pagar” (no caso da Grécia, com a perda da própria soberania) moralizarem igualmente acerca do pagamento da dívida de 7,1 mil milhões de dólares que, a título de reparações de guerra, a Alemanha foi condenada a pagar à Grécia na Conferência de Paris de 1946.

Segundo cálculos divulgados pelo jornal económico francês “Les Echos”, a Alemanha deverá à Grécia em resultado de obrigações decorrentes da brutal ocupação do país na II Guerra Mundial 575 mil milhões de euros a valores actuais (a dívida grega aos “mercados”, entre os quais avultam gestoras de activos, fundos soberanos, banco central e bancos comerciais alemães, é de 350 mil milhões).

A Grécia tem inutilmente tentado cobrar essa dívida desde o fim da II Guerra. Fê-lo em 1945, 1946, 1947, 1964, 1965, 1966, 1974, 1987 e, após a reunificação, em 1995. Ao contrário de outros países do Eixo, a Alemanha nunca pagou. Estes dados e outros, amplamente documentados, constam de uma petição em curso na Net (http://aventadores.wpcomstaging.com/2011/12/08/peticao-sobre-a-divida-da-alemanha-a-grecia-em-reparacao-pela-invasao-na-ii-guerra-mundial) reclamando o pagamento da dívida alemã à Grécia.

Talvez seja a altura de a Grécia exigir que um comissário grego assuma a soberania orçamental alemã de modo a que a Alemanha dê, como a sra. Merkel exige à Grécia, “prioridade absoluta ao pagamento da dívida”.

O fascinante mundo dos súbditos alemães

O germanófilo de hoje acorda a sonhar com a ordem como o de ontem, mas travestido de liberal. A culpa da crise foi dos governos despesistas, acha ele enquanto faz mais uma genuflexão aos mercados, do estado social e é claro, dos povos, os verdadeiros suínos no meio disto tudo.

O facto de a Grécia não conseguir cobrar à Alemanha o que esta lhe deve, ter continuado a comprar armamento mesmo depois de entrar em vertigem financeira, a coincidência de tal como Portugal se ter metido num euro feito à medida das potências europeias, as donas da vara que agora nos pretendem meter no curral, não tem importância nenhuma.

A culpa é dos gregos, hoje, como será em meio-ano dos portugueses, esses povos com a mania das grandezas que queriam ter um estado social e outros luxos a que nem os teutónicos terão direito.

Hoje falam da Grécia, amanhã serão os primeiros a aceitar o ultimato a Portugal. Devem esperar alguma recompensa no céu dos mercados. Sucede que Roma não paga a traidores e temos, portugueses e gregos, uns costumes históricos para vendedores de pátrias muito pouco compatíveis com os direitos humanos. É melhor prepararem a vossa emigração que a partir de agora já não é a brincar.

Cavaco, Passos e Gaspar – a diversão de mau gosto

A imprensa portuguesa, infelizmente de forma generalizada, está a lançar na opinião pública uma polémica infundada, centrada à volta de virtuais problemas de relacionamento entre Cavaco Silva e o governo de Passos Coelho. Vítor Gaspar personifica as  divergências – Belém apressou-se a desmentir  desentendimentos.

O que está em causa, e a agenda da cimeira europeia de hoje é prova inequívoca, é entender-se de uma vez por todas que o modelo de austeridade adoptado, sob a batuta da ‘troika’, com FMI à cabeça e o governo a dilatá-lo, além de não resolver a crise do país, é factor de agravamento.

As medidas em aplicação, e de que o monetarista Gaspar é ortodoxo defensor, levaram-nos e levam-nos a resultados como aqueles abaixo enunciados:

1. Consumo Público caiu 3,2% em 2011, estimando a CE que, em 2012, a quebra será de 6,2%;

2. O Consumo Privado em 2012 descerá 5,9%, segundo previsão igualmente da CE.

As exportações, por muito que o governo declare o inverso, não compensarão estas reduções da actividade económica interna. Grande número de lojas, indústrias, fornecedores de serviços e o próprio Estado estão a registar quebras de receitas.

Da austeridade, não se espere resultado diferente do agravamento da crise. O crescimento económico e do emprego, aflorados agora à pressa e sem determinação na cimeira europeia, constitui um caminho que, em boa verdade, não consta do roteiro dos líderes europeus com poder de decisão (dispenso-me de citar nomes).

(Notícias de hoje: o Índice PS-20 caiu 2,45%, os juros da dívida soberana subiram e Financial Times sugere que a UE pondera já um segundo pacote de ajuda a Portugal – Tudo boas novidades. Continuemos em austeridade!).

Nem com duas guerras mundiais lá vão!

De uma maneira geral, quando comentamos a actualidade, temos tendência para esquecer que essa mesma actualidade, num aparente paradoxo, não começa hoje. A História, por muito que não se repita, devia ser ouvida e lida, para que pudéssemos entender o presente e prever o futuro. [Read more…]

Salvem o euro – livrem-se da Alemanha

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“Acalmem-se! Alguém terá de ser o primeiro …”

Ilustrado por esta imagem, o “The Times” publica um artigo bastante interessante sobre o  euro e o domínio da Alemanha; o afastamento deste país é a medida recomendada a todos os outros países da moeda única; isto, com o objectivo de salvar o euro.

Do citado artigo, Anatole Kaletsky, reproduzimos o 1.º parágrafo, de conteúdo elucidativo:

Ao impor austeridade fiscal aos seus parceiros da Zona Euro, ao mesmo tempo que recusa teimosamente o reforço do papel do BCE e um maior apoio mútuo às dívidas nacionais, a Alemanha é mais um obstáculo do que uma ajuda para a moeda única, argumenta Anatole Kaletsky.

Estas palavras, só por si, justificariam que os governos de Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Irlanda e França agissem no sentido de estabelecerem um plano de salvação do euro, ignorando pura e simplesmente a Alemanha (Alemanha, diga-se, da Sra. Merkel que, ao contrário de Willy Brandt, Helmut Schmidt, Helmut Kohl e Schroeder, tem usado e abusado de um estilo ditatorial germanófilo, característico do capítulo mais negro da História da Europa).

(Se pretender ler na íntegra, poderá aceder ao artigo, na Presseurop).

A extorsão (1): o novo presidente do “Parlamento” Europeu

O novo presidente do Parlamento Europeu, evoca os acontecimentos de há duzentos anos para caracterizar uma Europa padronizada sob um rolo compressor e ao arrepio da vontade dos seus povos. Este é um caso de uma antiguidade bem recente, recordando-nos todos dos tristes episódios dos referendos “até que sim”, das pressões chantagistas utilizando o eterno argumento monetário e as ameaças cada vez menos veladas, consagradas através de telefonemas exigindo a expulsão de primeiros ministros eleitos democraticamente. Esta é a Europa do Directório Continental de corte bonapartista, sempre lesiva e de uma extrema ameaça aos interesses de Portugal e da sua existência como Estado independente e de pleno Direito internacional. O pior de tudo, consiste no insistir da propaganda mentirosa e abusiva das “inevitabilidades” que cavam ainda mais fundo, se é que isto é possível, o caviloso buraco de extorsão em que nos precipitámos. Sem qualquer menosprezo relativamente a húngaros, checos, letões, romenos, suecos, dinamarqueses, holandeses e quase todos os outros compagnons de route comunautaire, a rápida leitura da nossa história e a presença cultural de facto no mundo, possibilitam-nos a alternativa que todos sabem existir mas alguns teimam em alijar como coisa sem préstimo. Esta teimosia apenas tem um móbil: o interesse pessoal dos membros da oligarquia e do seu nefasto e prescindível Euro.
Pois aqui vos deixamos esta inabalável certeza, velha de séculos: não há outro caminho senão olharmos para Sul e para o Oriente. Nenhum outro.

Qual o dia em que a União Europeia não aguentará?

euroSugestionado pelo título de uma série televisiva americana, ‘O Dia em que a Terra não Aguentou’, ocorreu-me formular a pergunta: “Qual o dia em que a União Europeia não aguentará?” E, de seguida, coloco outra questão: “Esse dia está próximo ou nem sequer se deve imaginar como provável?”

Por muito e esmerado esforço mental, sou incapaz de responder convictamente às duas questões. Valho-me da informação avulsa, e tanto quanto possível credível, publicada em diversas fontes de comunicação social e não só, e mais atabalhoado fico. Vejamos então:

A) O “The Guardian” informa:

O FMI adverte a possibilidade de catástrofe, pelo facto da Comissão Europeia contestar a Standard & Poor’s sobre a descida dos “ratings”.

A notícia do jornal inglês é, de resto, bastante extensa e não deixa de fora outros focos da crise: “Alemanha não vê razão para reforçar o fundo de resgate da Zona Euro, apesar da descida da notação da França”; “O incumprimento da Grécia não é impossível”; “Sarkozy pede a Espanha que mantenha o lugar no BCE, apesar da Finlândia e a Holanda o ambicionarem”;”O BCE reforçou o seu programa de compras de dívida na semana passada, mesmo antes da S&P cortar o “rating” a nove países”…

B) Leio o “The Irish Independent” e fico a saber:

Joan Burton está simplesmente a dizer uma verdade óbvia sobre um segundo resgate…porquê silenciá-la?

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A profanação do euro pela S&P

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Fonte: Presseurope

Inspirado nas imagens, essas a meu ver humanamente condenáveis, de um acto de soldados norte-americanos, um cartoonista ilustrou assim a decisão da Standard & Poor’s, anunciada 6.ª feira, de baixar as taxas de notação financeira – os célebres “ratings” – de vários países europeus.

Trata-se, de facto, de uma alegoria bem humorada. Em especial, também agradou aos mercados, beneficiando de mão beijada da oportunidade de fazer disparar as taxas de juro de dívidas soberanas e de outras que lhes estão associadas. Segundo o ‘Jornal de Negócios’, o aumento da taxa da dívida portuguesa já atingiu 100 pontos (+1% em linguagem clara).

A Comissão Europeia continua a reclamar que os cortes da Standard & Poor’s são injustificados. Barroso & Cia. têm sempre de dizer algo, para demonstrar que ainda existem. Se não tem poder perante o casal Merkozy, menos ainda é possível que a S&P leve a sério o que diz a Comissão Europeia.

Em síntese, há um conjunto de vítimas de profanação. O euro, a Zona Euro, a Comissão Europeia; acima de tudo, nós cidadãos estamos profanados e bem profanados!

Irlanda: a ordem é ocupar casas!

A Standard & Poors poupou a Irlanda ao corte da notação financeira. Sem se perceber bem o critério utilizado. De facto, depois de um alucinado entusiasmo das autoridades locais e pífias análises de comentadores neo-liberais, com aclamação do sucesso das medidas de austeridade, conclui-se que, afinal, a mossa produzida pelo ‘sistema bancário irlandês’ é muito pesada e a cura está a léguas de produzir os objectivos anunciados. Pelo contrário, os números reflectem a dimensão e efeitos de inverso desfecho:

Descrição

Valores

População – nº de habitantes (2010)

4.476.000

Nº de desempregados (3.º T – 2011)

303.000

Taxa de Desemprego (3.º T – 2011)

14,60%

PIB – taxa de crescimento (3.º T –2011)

– 1,9%

Menos retóricos do que a gentinha lusa, os irlandeses são decididos e eficazes na acção. O movimento ‘Occupy’, de que Liam Mac Bháird, na imagem acima, é um dos líderes, promoveu a ocupação de casas-fantasma, Da notícia, originalmente publicada no “The Guardian” e divulgada pela “Presseurope”, destacamos as seguintes passagens:

Há cerca de 400 mil prédios vazios, na República da Irlanda, e o Instituto Nacional de Análise Regional e Ordenamento Territorial (NIRSA)…

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União Europeia: A Austeridade Assassina

Hopeless_jpg_470x420_q85Jeff Madrick publicou ontem no NYK blog, “The New York Review of Books”, um texto de severa crítica à política de austeridade europeia. Tem o título “How Austerity is Killing Europe”, sendo ilustrado pela imagem aqui reproduzida de um cidadão grego a passar na frente de um ‘graffiti’ em Atenas.

O artigo, embora de incidência sobre teorias económicas, está redigido e estruturado de forma clara, com análises e ideias consistentes. É transversal em  relação à UE e à Zona Euro, como áreas da geografia de sistemas económico-financeiros agregados; e sobretudo é implacável para governantes e tecnocratas da governação que, convencidos de obter resultados inversos, executam políticas de assassinato da Europa. Os crimes são de diversa natureza, mas o desfecho é, de facto, empobrecer, torturar e destruir a vida de milhões de cidadãos do Velho Continente. Eis um excerto do 1.º parágrafo do artigo em causa:

A União Europeia tornou-se um círculo vicioso de dívida florescente, levando a medidas radicais de austeridade, que por sua vez mais enfraquecem as condições económicas e resultam em novas políticas agravadas do governo com cortes prejudiciais nos gastos públicos e alta de impostos.

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Luís Figo está muito parecido com Portugal

“Quero vender tudo o que tenho em Portugal”

Esta afirmação de Luís Figo tem muito em comum com aquilo que Portugal quer fazer: vender tudo o que tem em Portugal, sendo a entrega – venda é outra coisa – da EDP um dos exemplos mais recentes.

É claro que há algumas diferenças: Figo vende tudo o que tem aqui para ficar melhor lá fora; Portugal venderá o que tem e ficará mal cá dentro. O ex-jogador conserva os dedos e troca de anéis; Portugal nem orelhas para brincos terá, até porque já perdeu a cabeça.

Na mesma entrevista, Luís Figo declara o seu arrependimento por ter apoiado José Sócrates e comenta a crise com esta clarividência: “Não me venham dizer que há uma crise financeira, uma crise mundial. Há é políticos que gastam mais do que há para gastar. E isso é o bê-à-bá da economia. Não é preciso ser muito inteligente para perceber isto – eu não sou muito e não gasto mais do que aquilo que tenho.”

Não sou obrigado a gostar do homem, mas esta frase poderia ser aproveitada para epígrafe das conclusões da Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública.

Começou a Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública

Na ausência de qualquer vontade por parte das autoridades de encarar o problema da dívida na óptica dos interesses dos portugueses no seu conjunto, tomamos a iniciativa de iniciar um processo de auditoria à dívida pública com os meios ao nosso alcance. A auditoria deve avaliar a complexidade do problema da dívida, calcular a sua dimensão, determinar as partes da dívida que são ilegais, ilegítimas, ou insustentáveis, e exigir, em função dos resultados, a sua reestruturação e a sua redução para níveis social e economicamente sustentáveis.

Leia mais. 

Porque anda toda a gente com a boca cheia de dívida mas no fundo nem sabemos quanto devemos e sobretudo o que devemos. E seremos nós que devemos, ou andamos a pagar as dívidas dos outros? Apurar a verdade antes de pagar pareceria do mais elementar bom senso. Mas a direita quer que paguemos porque quem não paga é caloteiro. Pois é. E quem rouba é ladrão, ou os assaltos às finanças públicas vão continuar impunes?

 

 

Moddy’s e mercados vencem a ‘Cimeira de Merkel’

Um par é sempre o dobro de um. Aritmeticamente é 2 = 1 + 1. Outra regra: a soma das parcelas é sempre maior do que qualquer partes. E por mais truques linguísticos que se inventem, matematicamente falando, Merkozy não é igual à soma Merkel + Sarkozy. É mera sinopse de linguagem.

Raciocínio complicado? Talvez. Serve, no entanto, para ilustrar que sendo Merkel uma fracção maior e Sarkozy um fragmento mínimo, a primeira parcela supera a segunda, criando uma falsa paridade à qual a Europa, excepto o RU de Cameron, está submetida.

Assim, a salvífica Cimeira de 9 de Dezembro, cujo desfecho foi aceite com subserviência por 17 + x países – e o x é simultaneamente uma incógnita e uma variável de 1 a 9 – está a corresponder a uma derrota para a Sra. D. Angel Merkel – e Sarkozy cai por arrasto. Não por acção do grego Papademos, do italiano Monti, do espanhóis Zapatero (de saída) ou Rajoy (de entrada), do português Passos ou de tantos outros que, na Áustria, Finlândia, Holanda e outras paragens, se juntam na confraria da sociedade do ‘bem estar e dominar’ alemão.

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Um deputado nacional-inglês, com certeza

Nigel Farage é um deputado da direita inglesa mas o que diz está certo. Estranhos tempos em que um deputado nacionalista (não confundir com fascista, sff) inglês, anti-europeísta convicto é porta-voz de todos os europeus que se opõem ao nacionalismo alemão e à técnico-incompetência que reina em Bruxelas. Eu também não quero viver numa Europa dominada pela Alemanha.

O Problema da Europa

Valores dos titulos a atingir a maturidade

O gráfico anterior ilustra as necessidades de crédito imediatas de três bombas relógio. As cimeiras europeias não fazem nada para resolver este problema. Tanto a Itália como a Espanha estão a atingir valores de financiamento que fazem com que o roll over destes bonds seja impossível de fazer. Como vai ser?

O meu umbigo é melhor do que o teu

Celebrada por alguns, tomada como uma vitória sobre a poderosa Alemanha de Merkel, a mal sucedida cartada inglesa na cimeira de líderes europeus nada tem de europeísta, de defesa dos direitos dos europeus, ou de contributo para a ultrapassagem do impasse político com que a europa se debate. É apenas mais do mesmo e insistência no poderio desregulamentado dos mercados.

Cameron nada acrescentou (nem sequer tentou), excepto nacionalismo, liberalismo e autismo a uma conjuntura que sofre precisamente do excesso desses males. Louvá-lo é apostar no desmembramento da europa e na predominância dos mercados sobre os interesses dos povos e dos estados. Persistir nos erros que conduziram a este túnel cada vez mais apertado é estúpido e, na prática, não passa da outra face da moeda Merkozy. Não há nada a festejar quando as coisas são como estão.

Custa muito, mas é merecido

Obrigado velha Albion, não é que tenha resolvido alguma coisa mas tratando-se dos bárbaros do costume a França mete-se em Vichy e vale-nos a Inglaterra.

Custa-me mesmo muito, ainda por cima sendo a direita inglesa a única a afrontar a besta, mas as coisas são como são e não exactamente como fabricados em mitos gostaríamos que elas fossem.

Fiquem lá com uma grega a cantar um dos hinos ingleses, ó merkozis e seus provincianos súbditos locais, enquanto vejo a repetição do tempo. De uma forma ou de outra essa coisa da cee acabou e o que vem a seguir tende a ser a repetição do impensável. Daqui a 20 anos desconfio que a França, a velha colaboracionista, garantirá ter sido muito heróica na sua resistência.

No boys for the job

Contaram-me que, há dias, na televisão, um engenheiro comentava que não era possível a alguém com a sua profissão enganar-se a planear e executar uma ponte, ao contrário dos economistas que falham constantemente previsões e execuções. Quem diz economistas, diz, é claro, ministros, chanceleres ou presidentes.

Gostaria de cumprimentar daqui esse engenheiro desconhecido, por pôr em palavras melhores que as minhas aquilo que penso.

Efectivamente, se fizermos a história das previsões económicas feitas por especialistas, sobretudo nos últimos dois a três anos, encontramos uma quantidade assustadora de tiros falhados, como a sucessão de PECs da marca “agora é que vai ser o último” ou as garantias de que não haveria necessidade de cortes posteriormente inevitáveis ou a nomeação de governos europeus que iam acalmar os mercados e ainda causaram mais nervosismo, culminando nesta palhaçada de Bruxelas, em que se reuniu uma multidão de fantoches manipulados por um duende de saltos altos e por uma boneca insuflável com a sensibilidade de um SS.

Voltando à metáfora da construção civil, pergunto: os amáveis leitores mandariam construir uma casa a um empreiteiro célebre pelas derrocadas que já tivesse provocado? Vão pensando nisso, que 2015 chega num instante, com ou sem euro.

E diz ele à sua protegida…

“Vou ali falar com aqueles senhores. Quando eles vierem, tens de ter abertura e flexibilidade, ouviste? E fazes tudo o que te pedirem ou vamos ter problemas, estás a perceber? E se os senhores disserem que tens de lhes pagar, pagas e mais nada, entendeste? Fica aí, que depois falamos melhor!”

Para onde vais, Europa?

Por toda esta Europa governos de direita ascendem ao poder político. A receita é global e comum a todos os estados membros. Austeridade e mais austeridade. A saída para esta crise, dizem os apologistas do fatalismo capitalista e da submissão aos ditos “mercados”, passa por constranger ao máximo o consumo publico e privado, pelo aumento dos impostos e pelo corte dos salários e subsídios associados, assim como uma redução drástica e catastrófica do chamado estado social, ou seja, uma redução drástica e catastrófica dos direitos constitucionais dos cidadãos e contribuintes.

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