Um buraco gigantesco

Deve estar lembrado(a) do gigantesco buraco que se abriu na Cidade de Guatemala há quase dois anos. As àguas diluviais que acompanharam a tempestade tropical abriram aquele buraco descomunal no centro da capital daquele país. As dimensões, 60 metros de profundidade e 21,54 diâmetro, foram suficientes para engolir edifícios.

Mas há outros buracos… Aqueles que engolem serem humanos, aqueles onde por vezes caímos e são abertos por maus políticos, más políticas, má gestão, o que vai dar ao mesmo… (lembro-me da vaga de suicídios na France Telecom há dois anos).

Na quarta-feira passada, um senhor grego de 77 anos suicidou-se com um tiro em frente ao Parlamento. Descobriu-se uma carta deste homem onde acusa o Governo de, “com tantos cortes, ter praticamente reduzido a zero a sua reforma”. O número de suicídios tem aumentado na Grécia à “medida que têm sido impostas as medidas de austeridade” (Expresso, 6 de abril). [Read more…]

Portugal é a Grécia

Situação na Grécia resultou de ‘legado de anos de políticas irresponsáveis’

Portugal não é a Grécia

Todos sabem que Portugal não é a Grécia.

Se o PS é português eu quero ser espanhol

Para o mesmo pacote laboral, descubra as diferenças:

PSOE:

A porta-voz do grupo parlamentar socialista, (…) leu uma  declaração do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) (…) na  qual se manifesta entendimento pelas “razões que justificam” a greve e solidariedade  com os trabalhadores que estão em protesto.

O texto, um manifesto contra a reforma laboral aprovada pelo Governo,  advertiu que a norma “não vai gerar emprego”.

PSP:

João Assunção Ribeiro, porta-voz do partido, desabafou no Facebook a propósito da abstenção na lei laboral. “Infelizmente, para defender o passado e honrar a assinatura de José Sócrates temos de nos calar contra medidas inaceitáveis”.

As greves e as leis laborais são como o algodão: não enganam.

A Tua Cara Não Me É Estranha

Leio que “94% dos gregos dizem não confiar nos partidos políticos, o valor mais alto em todos os países da União Europeia – a média da UE é de 81%”. A crise na Grécia parece estar a fazer mais uma vítima: o sistema político vigente, em que dois partidos se vão revezando no poder “vai desaparecer”. Assim como já desapareceu a classe média grega.
À maneira do recente programa televisivo, que não tenho pachorra para ver, eu digo: “Este cenário não me é estranho”. Não estará muito longe dos 94%, os portugueses que não acreditam nos partidos/políticos; também em Portugal o poder tem sido de dois, sempre os mesmos, as mesmas caras; e, já há muito, a classe média está cada vez mais pobre…em vias de extinção.

A Irlanda de Olli Rhen e a autêntica

A verdadeira Irlanda descrita pelo Guardian, segundo esta tradução da PRESSEUROP, é bastante diferente daquela que o Comissário Europeu, Olli Rhen, caracterizou há dias em Lisboa.

BCE e o risco de falência dos bancos europeus

O fútil e a polémica pela polémica – propositadamente, creio eu – ocupam tempos e espaços consideráveis nos ‘media’ e, consequentemente, no debate público, blogosfera incluída. Todavia, de volta e meia, há alguém que resolve evadir-se do superficial e da conversa para pacóvios. Um exemplo: o excelente trabalho de Ana Rita Faria no jornal ‘Público’, sob o título “BCE – o ponto de refúgio do euro está a tornar-se tóxico?”.

Do artigo, destaco o último parágrafo:

“Em momentos de crise, o banco central tem de escolher entre dois demónios. O primeiro é o colapso iminente do sistema bancário, o outro é um risco moral futuro. Um banco central responsável quererá sempre evitar o primeiro demónio”, defende Paul De Grauwe. Para o economista, o BCE devia, desde o início da crise, ter assumido o papel de “credor de último recurso”, comprando ilimitadamente dívida pública e impedindo que as taxas de juro dos países periféricos subissem acima de determinado patamar. Um papel que parece demasiado desafiador, até mesmo para o “Super-Mario”.

Devido aos motivos invocados pelo professor da Universidade de Lovaina, o sistema bancário europeu está seriamente ameaçado de falência, podendo vir a revelar-se inúteis os esforços, de certo modo desesperados, do BCE, dirigido por Mario Draghi; muito contestados, de resto, pelo líder do Bundesbank, Jens Weidmann.

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Carta do Canadá: A Sobremesa Americana

Fernanda Leitão 

O prémio Nobel, depois de lhe terem aposto as insígnias doutorais de três universidades, desabafou, entre naif e apardalado, que nunca tinha tido tantas coisas penduradas no pescoço ao mesmo tempo.Ninguém o avisou que Portugal é a pátria do oito ou oitenta. Depois, no silêncio do seu quarto de hotel,  Paul Krugman escreveu para o New York Times uma prosa datada de Lisboa.

Prosa desencantada que começa “por aqui as coisas estão terríveis”, estende a lista do desemprego alarmante, da economia que não cresce, da classe média esmagada e vestindo o estatuto de novos pobres, da recessão garantida, da dívida que não é garantido poder ser paga. E acaba perguntando:”Porque é que a Europa se tornou o doente da economia mundial?”.  Para, de novo, elaborar uma lista de razões e de comparações, acabando por denunciar a “ irresponsabilidade fiscal” e o excesso de austeridade despótica da Alemanha.  Que, no seu parecer, vai provocar situações como a da Grécia nos países do sul da Europa. E não só, já que se mostra sombrio em relação à Irlanda, Bélgica e Holanda. [Read more…]

A história do Pedro e a troika

Uma vez vencido o caso do Álvaro, outra demissão se cruza no horizonte das decisões do chefe do governo. Desta vez, é mesmo uma demissão das estridentes, de gritos e apitos. Tem por alvo a troika (FMI-CE-BCE). Sim a troika!, nem mais nem menos.

A História

Era uma  vez Pedro Passos Coelho a ler com rigoroso desvelo a notícia do ‘Sol’, um órgão fiel e até oficioso do governo. De súbito, o nosso Pedro ficou próximo de séria apoplexia, ao perceber que, no eco da avaliação reportada ao ‘memorando de entendimento’, a troika havia dito raios e coriscos:

A ausência de sinais de crescimento económico futuro e a deterioração da situação orçamental em Espanha são as principais preocupações da troika face a Portugal.

O sentimento junto dos credores externos é que o programa português está a correr dentro do previsto, embora nada esteja assegurado acerca do seu sucesso…

Um dos maiores riscos para esse sucesso é não haver, até agora, qualquer sinal credível e sustentável de que a economia vá crescer no médio prazo…

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François Hollande, o inimigo a abater por Merkel & Cia.

A notícia foi divulgada a partir do semanário alemão Der Spiegel:

François Hollande estaria prestes a ser boicotado por Angela Merkel e os parceiros italiano, espanhol e o Partido Conservador britânico.
Angela Merkel, Mario Monti, Mariano Rajoy e David Cameron estariam então “cometidos verbalmente” a não receber o socialista em caso de eleição, enquanto este último segue na frente das sondagens (58% das intenções de votos na segunda volta em relação a Sarkozy, conforme uma pesquisa mais recente LH2-Yahoo!).
De acordo com o semanário alemão, os líderes conservadores estão “indignados” com a vontade manifestada pelo candidato socialista para renegociar o Pacto Fiscal, uma peça central de resgate da zona do euro. A motivação de David Cameron, cujo país não assinou o Pacto Fiscal, seria mais de carácter ideológico.

Fonte: Le Huffginton Post

Angel Merkel, queira-se ou não, reedita o despotismo germânico, reiterando a tentação da hegemonia sobre a Europa. Nem sequer é, portanto, novidade histórica vinda daquelas bandas. Volta à actividade, em alguns políticos alemães, com a Sra. Merkel em destaque, o maldito e genético vírus do elitismo germânico.

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Com a troika e o Gaspar, o desemprego sempre a avançar

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Fonte de dados: EUROSTAT

A imprensa, aqui e aqui, está a divulgar que, depois das revisões feitas pelo Eurostat, o desemprego em Portugal, entre Agosto de 2011 e Janeiro de 2012, teve a evolução que o gráfico demonstra.

Portugal, ao atingir a taxa de 14,8% em Janeiro-2012, subiu ao 3.º lugar no pódio, ex-aequo com a Irlanda. O 1.º lugar é ocupado pela Espanha (23,3%), cabendo à Grécia a 2.ª posição (19,9%). Das estatísticas publicadas, pode ainda inferir-se que, entre nós, o desemprego jovem (cidadãos até aos 25 anos), continua a crescer e subiu para 35,1%.

Os números do desemprego, em conjunto com as quebras do PIB e aumentos de falências, constituem um conjunto de indicadores de que as políticas da troika, na Grécia, Irlanda e Portugal, e as medidas de austeridade em Espanha, cuja cópia em Portugal era reclamada por iluminada gente no tempo de Zapatero, não constituem a terapia correcta para a crise. Antes pelo contrário, geram maior recessão.

Na hora da despedida da troika, Gaspar mostrou-se agradado pela avaliação do tirano triunvirato, proclamando que, em 2012, a taxa média do desemprego se fixaria em 14,5%. Com o valor de Janeiro, agora divulgado, será mais uma previsão falhada pelo governo, criem as comissões interministeriais que criarem.

Uma coisa é certa: com a troika e o Gaspar, o desemprego está sempre a avançar. Vamos para o buraco ou alguém duvida?

Carta do Canadá: Ou vai ou racha

Fernnanda Leitão

Há dias podia ler-se num editorial do New York Times, todo ele dedicado à situação na União Europeia: ”Porque é que os líderes da Europa se empenham em negar a realidade? A chanceler Angela Merkel,da Alemanha, e o presidente Nicolas Sarcozy, da França, mostram-se incapazes de admitir que vão por caminho errado. Estão deslumbrados com a sedutora mas ilógica noção de que todos os países devem copiar o “modelo exportador” da Alemanha, sem décadas de investimento público e taxas artificialmente baixas, cruciais para o sucesso germânico?  A Sra Merkel também parece determinada a inclinar-se perante os preconceitos dos eleitores alemães, os quais acreditam que o sofrimento é a única maneira de a Grécia,e os outros países da Europa do Sul, entrarem no bom caminho”.

Que esses dois líderes pensem de forma tão redutora e pobre, não surpreende quem tem boa memória ou o salutar hábito de ler o que a História ensina. Há países onde as televisóes se preocupam em não deixar apagar-se a memória do sofrimento que a Alemanha, por má liderança, e a França, por cobardia das elites, inflingiram a milhões de pessoas. O Canadá é um desses países. Devo acrescentar que a cada passo oiço canadianos dizer a propósito da situação na UE: “A Alemanha, outra vez!”. E anglo-saxónicos puros e duros desabafando: “A França é  sempre a mesma doida”. Nestas expressões há receio, há desagrado, há um escondido grito de alarme. Dirão: é a mania da superioridade dos ingleses. Será, mas têm boas razões para isso: se não fossem eles, patriotas, a dar o primeiro grande passo da resistência, a Europa teria sido esmagada e abastardada por um punhado de facínoras. [Read more…]

Porque deve a Alemanha aumentar os seus salários?

Porque os baixou. O que se segue, com uma ligeira adaptação, vem de um rascunho inspirado numa cimeira europeia, escrito se não erro em novembro. A visita de Paul Krugman e a sua afirmação de que devemos reduzir os salários comparativamente com os da Alemanha, embora  fosse “preferível subir os salários dos alemães – de modo a estimular o consumo no país e, consequentemente, as outras economias do euro“, fez-me ir ao baú.

Há duas crises na Europa, que se multiplicam: uma, desde 2008, foi provocada pelos mercados à solta com epicentro nos EUA, a outra chama-se Berlim. A Alemanha recuperou da reunificação moldando a Europa, particularmente os países do sul,  aos seus interesses, substituindo um marco que não lhe dava competitividade por um euro feito à sua medida.

A reunificação serviu em primeiro lugar como desculpa para retirar ao trabalhador alemão os seus direitos:

Quando vim viver para cá, há vinte anos, não era preciso trabalhar mais do que oito horas por dia para ter direito a ganhar muito bem. Na primeira empresa em que trabalhei, todos os minutos dados a mais eram somados e convertidos em dias de férias. Todos os minutos.
Agora, os contratos de trabalho são feitos com isenção de horário.  (Helena no 2 Dedos de Conversa)

O Euro “foi o dumping salarial na Alemanha que originou um grande superavite na balança comercial” e quem acusa Angela Merkel de ser a mulher mais perigosa da Europa não sou só eu, é um dirigente da esquerda alemã.
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Ratificação das contradições de Krugman

A convite do primeiro comentador deste ‘post’, Krugman contra Krugman, assisti à homenagem a Paul Krugman, Nobel da Economia em 2008, na Aula Magna da Reitoria da Universidade Clássica de Lisboa. Ouvi-lhe alguns argumentos de estilo e conteúdos habituais, dos quais destaco:

  • A Alemanha está a comandar energicamente a ‘zona euro’, optando por uma política ortodoxa de controlo orçamental e anti-inflaccionista, em vez de seguir a via expansionista, acompanhada por medidas de acesso a dinheiro fácil junto do BCE.
  • O primeiro-ministro português está condicionado e tem pouca influência; do género das capacidades limitadas do governador de New Jersey nos EUA.
  • A Grécia está definitivamente perdida e vai sair do euro.
  • A Irlanda, ao invés do que se diz, não é um caso de sucesso.
  • Portugal tem 75% de probabilidades de permanecer no euro.
  • Cortes nas despesas acentuados causam perdas de receitas consideráveis dos impostos, a um ponto tal que o rácio défice/PIB piorará bastante.
  • Mais austeridade é uma medida destrutiva.

Em conferência de imprensa, noticiada aqui e aqui, Paul Krugman voltou a defender que os salários dos portugueses deveriam ser reduzidos de 20 a 30%, tomando por referência à Alemanha.

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Krugman contra Krugman

O prémio ‘Nobel da Economia’, atribuído a Paul Krugman, não lhe vale o estatuto de analista transcendente, cujos pensamentos e análises económicas sejam imunes à incoerência e a críticas. Vem a Portugal para ser agraciado com o grau de ‘Doutor Honoris Causa’, atribuído em dose tripla pelos Reitores das Universidades de Lisboa, Universidade Técnica e Nova de Lisboa.

Krugman, em artigos em ‘The New York Times’, tem-se revelado opositor de programas de austeridade de que os países europeus em dificuldades, Portugal incluído, têm sido alvo – por imposição de políticas de contenção orçamental, impostas pela Alemanha, argumenta.  Segundo o jornal ‘i”, e referindo-se a Portugal, o conhecido economista norte-americano considera:

Se estiver a gerir uma nação periférica e a troika pedir austeridade, não tem outra escolha a não ser a opção nuclear de sair do euro.

Esta e outras afirmações consonantes são, de facto, a eloquente demonstração de que, para Krugman, a austeridade não é o caminho para os portugueses vencerem a crise.

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Cavaco: a ideia do colapso ou o colapso das ideias

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Fonte: Presseurope

O estilo bacoco sempre foi o principal ícone da vacuidade do presidente Cavaco Silva. Superficial e bisonho, revela permanente incapacidade de fazer análises sólidas e consequentes do que o rodeia. Dos vários casos de comunicação de que foi intérprete nos últimos tempos, fica a noção da fatuidade, da incoerência e das gafes por parte do PR.

Surpreendido (?) um dia destes com a dimensão do desemprego em Portugal, diz agora que “a ideia do colapso da zona euro está enterrada”. Quem diria? Para mim, o óbvio, eloquentemente óbvio, sublinho, é o colapso das ideias cavaquistas.

Argumenta o PR que a solução estará no acordo no documento a ser aprovado pelo Conselho Europeu, em 1 e 2 Março. Está, uma vez mais, equivocado. O problema grego, ao contrário do que muitos imaginam, não está solucionado e tem implicações sistémicas para a zona euro. Além do afastamento da Grécia do euro, defendido agora pelo Ministro do Interior alemão – os alemães, sempre eles – há analistas a acusar a UE, e a zona euro, da falta de solidariedade entre países.

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Portugal no bom caminho: fome nas escolas

No mesmo jornal, dois títulos: “Troika. Portugal “no bom caminho” e sem reajustamentos” e “Pobreza nas escolas. A fome sentou-se na primeira fila da sala de aula”. Assim, segundo os tecnocratas da troika, o facto de Portugal estar a cumprir as medidas impostas para baixar o défice e pagar os juros exorbitantes impostos significa que estamos a ir pelo trilho acertado, mesmo que, pelo caminho, seja necessário que as crianças passem fome. João Teixeira Lopes, aqui, comenta também o admirável mundo da troika.

Os marialvas da direita alegadamente católica e estranhamente darwinista levarão tudo isto à conta da pieguice e exultarão com os amanhãs que gemem, porque o sacrifício do luso preguiçoso e parasita é fundamental, para que a raça se fortaleça. Diante desse magno projecto que significam os estômagos vazios e os sonhos esvaziados das crianças?

Povo GREGO vai votar na TROIKA

Somos todos gregos (galo de Barcelos com as cores da Grécia)O povo português é por natureza solidário. Apareceu por aí um manifesto de apoio ao povo grego e sucedem-se as manifestações de meia dúzia de pessoas com as mesmas intenções. Até eu, mudei no meu perfil do Face a localidade para ATENAS! SOMOS todos gregos.

Mas, estou curioso com uma coisa – a Democracia. Essa chatice!

Por cá, quando se perguntou ao povo “Troika” ou Não Troika, a resposta foi esmagadora: TROIKA!

Na Grécia? Como é que vai ser?

É que a malta até pode ser solidária, mas dá jeito que eles façam a parte deles!

A crise vista da Alemanha

A Helena é uma portuguesa há muitos anos a viver na Alemanha, é dá-nos no 2 Dedos de Conversa a visão de quem lá está. A leitura deste artigo parece-me muito proveitosa para entendermos o assado onde estamos metidos.

Não concordo com ela, e muito menos com os portugueses que aqui também acreditam no discurso medinocarreirista, deixo de lado a questão das dívidas históricas da Alemanha, e retenho o que me parece fundamental: se em Portugal, ou na Grécia, muitos não percebem que por cada euro recebido apenas 19 cêntimos são utilizados pelo estado grego e que na prática as ditas ajudas vão direitinhas para os bancos, na Alemanha muito menos se entenderá o mecanismo da crise. Da crise dos banqueiros e da forma ardilosa como, eles sim, estão a ser ajudados, à custa da destruição da economia dos países que levaram com a especulação em cima, da crise que nenhuma austeridade pode resolver porque impede quem a aplica de pagar dívida alguma. [Read more…]

A crise do sistema e a banalização da violência policial

A ensaísta, superdotada ‘tudóloga’, escrevente aqui, palradora acolá, manifesta-se incomodada. Coitada da criatura está molestada contra jornalistas que considerem que a liberalização das leis laborais, em Espanha ou em Portugal, esteja a suscitar vasta contestação popular; o que, de resto, sucedeu este fim-de-semana em 57 cidades espanholas.

Presumo que ‘a ensaísta’, especializada em tudo e mais alguma coisa, tenha igualmente desenvolvido um complexo modelo matemático e macroeconómico, para sustentar a tese de que despedimentos mais fáceis e económicos, bem como relações de trabalho mais precárias, constituem factores criadores e multiplicadores de desenvolvimento e emprego.

Recusa-se a entender que, na Europa, os sistemas económico e financeiro estão em aguda crise. Não resolúvel através de modelos de austeridade severa, os quais, felizmente para ela, lhe passam ao lado.

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O preço da verdade na Alemanha

é diferente do preço da verdade em Espanha!

A Grécia destruída por Bruxelas

KO à Grécia

Knockout (KO) à Grécia

Fonte: Presseurop

De um interessante artigo do jornalista Peter Oborne em “The Daily Telegraph”, traduzido para português, sobre o processo de destruição da Grécia pela UE, reproduzimos a respectiva introdução a partir do ‘site’ da Presseurop:

Afundada numa violenta depressão, a Grécia está a ser exaurida por uma UE “incompetente” e pelo seu “insensível” comissário para os Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn, acusa Peter Oborne, num veemente comentário de página inteira.

A meu ver, é aconselhável a leitura integral do artigo, intitulado ‘Como Bruxelas está a destruir a Grécia’; quanto mais não seja a título de pré-aviso para os efeitos que nos podem estar reservados pela violenta e irracional terapia da ‘troika’, zelosamente aplicada e excedida pelo governo de Passos Coelho e Paulo Portas.

Quem não tem dinheiro não tem História

Museu Britanico, em Londres

O mercado já está a funcionar na Grécia: menos estado, menos segurança nos museus, mais espaço para a iniciativa privada, que naturalmente saberá conservar as peças agora desviadas do Museu de Olímpia.

O património histórico deve estar nas mãos dos empreendedores, caminho que de resto os britânicos já tinham traçado a grande parte do friso do Partenon, tão bem guardado em Londres. E como ficava bonita a Acrópole em Berlim.

Por estas e por outras, hoje também sou grego. Outros irão para a porta do Museu Nacional de Arte Antiga, aguardando a sua oportunidade.

Dia de Mobilização Internacional: Somos todos gregos: [Read more…]

Onde ardem as “ajudas” à Grécia?

Diz o ministro holandês das finanças:

temos de certificar-nos que o dinheiro que emprestamos não é consumido pelas chamas.

Por cada euro que entra apenas 19 cêntimos se destinam a gastos do estado, 40% vão direitinhos para a banca internacional. Ou seja, a Holanda empresta à Grécia para pagar à finança.

É percebendo isto que se entende o sentido do “não pagamos”. Diga um outro governo grego que acabou a zorba para os especuladores (incluindo por exemplo o “nosso” BCP) e a música será outra, obviamente com efeito dominó. Faça um governo português o mesmo e cai a Espanha, e a Espanha deve sobretudo a banqueiros franceses e alemães. Entendidos quanto aos interesses em jogo, e percebido quem está a ajudar quem?

fonte do gráfico

Troika a obedecer!

troika passos coelhoA mal-avinda troika estará, a partir de hoje, uns dias em Lisboa. Vem em nova missão de vigilância do comportamento do governo português, no cumprimento do ‘memorando de entendimento’.

Podem estar tranquilos os homens do FMI-CE-BCE. Quando ordenaram: “Troika a obedecer!”, PPC e sua equipa arrancou com extremo zelo para uma caminhada de cega disciplina e, ainda mais!, até excedeu o programa. Tomou – e continuará a tomar! – medidas de austeridade para além do que havia sido estabelecido no nefasto memorando.

A imagem é ilustrativa da postura de meninos obedientes; no caso, Passos Coelho e o assessor Moedas. O gesto é tudo, como sói dizer-se.

Passos Coelho, de resto, faz-me lembrar o irmão, entre irmãos, que faz questão de transcender o exigido por austeras ordens paternas. Não por respeito, mas como actos de cínica subserviência que lhe rende o proveito do filho preferido.

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O português ideal é nómada

Esperar que este governo, tal como não fazia o anterior, apresente estudos para sustentar as decisões que toma seria ingenuidade. Tudo aqui é apenas ideológico. A direita limita-se ao reflexo pavloniano de atacar a Função Pública e de retirar direitos aos trabalhadores, preocupando-se, exclusivamente, com um défice transformado em bezerro de ouro. [Read more…]

OCDE; ROTF

A piada do gráfico da semana está na previsão que o acompanha:

A OCDE aponta, no entanto, para uma viragem pela positiva na atividade económica nos países que compõem a organização, com a zona euro a apresentar sinais de que a deterioração da atividade se está a moderar.

Para memória futura aqui fica esta demonstração da OCDE enquanto vidente do capitalismo no seu pior, a tendência para acreditar em si própria sempre a subir até chegar ao sol. Arqueologia, como o esquecido ROTF, no fundo um LOL que se rebola pelo chão. Mas ainda arranjam uma desculpa em Ormuz para explicar o falhanço, há sempre uma saída airosa para a imbecilidade, incluindo a crónica e irreversível.

Carta do Canadá: Lá fora e cá dentro

por Fernnanda Leitão

Ensina-me a experiência que é prudente não acreditar em pessoas que, para enriquecerem o curriculum, proclamam repetidamente que são “africanistas”.  Na prática são colonialistas de mentalidade e actos. Ficou-lhes agarrada à pele, na sua passagem pelas colónias, uma atracção encantada pelo capataz de roça. Em geral, de tudo fazem (ou julgam fazer) uma roça.

O famoso vídeo que deu a volta ao mundo, aquele minuto de conversa sussurrada entre o Ministro das Finanças de Portugal e o seu homólogo da Alemanha, cuja linguagem corporal só por si dizia tudo de servilismo e diplomacia de cócoras, vem confirmar as suspeitas que se agigantam seis meses depois da entronização do actual governo que,dizia ele, vinha para salvar os portugueses das garras da maldade  da exploração e da mentira. Escusa o cómico de serviço ao  regime, seja o governo qual for, bolsar que é o contrário disto, nos programas que os contribuintes andam a pagar, porque ninguém lhe dá crédito,também a ele.  De resto, a confirmação da bajulice vem do chefe do governo, e seus acólitos,quando trombeteia que “nós vamos além da troika”. É o que se chama querer mostrar serviço, “custe o que custar”, e está  custar fome, miséria, privação e desespero a largos milhares de portugueses, que vêem a Pátria a sucumbir às mãos de agiotas. Já pela Europa fora peritos sensatos sublinham que a receita autoritária da chanceleira Merkel não cura países aflitos, antes os mata, mas o primeiro ministro fabricado na jota mantém-se irredutível na sua fidelidade canina. Nem a opinião contrária do FMI o demove na sua obediência babada àquela Adolfa. [Read more…]

Manolis Glezos continua a lutar contra a ocupação alemã

O senhor que está a ser agarrado pelo colarinho tem 89 anos. O polícia que o está a agarrar terá idade para ser seu filho ou seu neto. O senhor chama-se Manolis Glezos e, em 1941, durante a ocupação alemã, retirou a bandeira nazi da Acrópole, tendo, posteriormente, passado por um calvário de prisões e torturas, entre alemães, italianos e colaboracionistas gregos (que, também naquele tempo, já existiam). Setenta anos depois, ei-lo, ainda, a lutar contra um país manhoso, disfarçado de Europa. A Europa tem de ser outra coisa. Se é para ser a mesma, mais vale hastear outra vez a suástica.

O tratamento anterior não funcionou

Praça Syntagma (2012-02-12)

O tratamento anterior aplicado à Grécia não funcionou. Por isso, vamos repetir a dose e vamos esperar que funcione. Este será o terceiro pacote de austeridade. É de doidos, é óbvio que não vai funcionar.

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