Esquerdas pedem contas a Hollande

Francois_ Hollande_26_mai_1981_place_de_la_Bourse_Paris_copyright_Michel_Clement_AFP
Paris, 1981. Quando François Hollande era jornalista
(© Michel Clément/AFP)

Numa carta endereçada ao Presidente francês, quinze deputados pedem a François Hollande que responda à «aspiração legítima dos trabalhadores que votaram nele em melhorar as suas condições de vida materiais», exigindo que a agenda presidencial retome com urgência as questões do emprego e do poder de compra, colocando-as no mesmo plano prioritário das contas públicas e da competitividade, na senda da «grande reforma fiscal redistributiva anunciada por Hollande durante a sua campanha eleitoral.» Desemprego crescente, estagnação salarial, e dificuldades crescentes em chegar ao fim do mês com meios de subsistência – eis a vida da generalidade dos franceses, numa economia que em 2013 se prevê que entre em recessão. (fonte: AFP)

Recessão? Em França não há lá disso

“Não há recessão, mesmo que saibamos que vai ser difícil, com um crescimento quase nulo, mas vamos conseguir safar-nos”, disse François Hollande, o presidente-fraude em quem cada vez mais franceses se arrependem de ter votado,
acrescentando que até ao final de Janeiro de 2013 vai ser preciso “um compromisso histórico relativamente ao trabalho. Aos parceiros sociais, e particularmente aos patrões, digo que a oportunidade não pode perder-se. Cada um deve assumir as suas responsabilidades.” E ele? Por que não assume as suas?

Os ibéricos, esses malandros

12junho1985_assinatura_tratado_adesao_pt

(c) Parlamento Europeu
Mário Soares, Rui Machete, Jaime Gama e Ernâni Lopes assinam o tratado de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia

12 de Junho de 1985: após oito anos de negociações, Portugal assinava o tratado de adesão que o colocaria em 1986 no clube dos consumidores europeus e grandes exportadores mundiais, então 320 milhões de indivíduos. A Europa dos ricos alargava as suas fronteiras aos pobres e recebia de uma assentada três milhões suplementares de desempregados. Jacques Delors celebrava o esforço comum empreendido em favor de «um mesmo ideal [que serviria] para reforçar as nossas economias, confortar as nossas democracias e partilhar as nossas culturas.» E foi assim, a imaginar que estávamos num clube filantrópico de amigos beneméritos, que deixámos a corrupção de sempre (a do sistema de poderes de tráficos e influências que prossegue minando de injustiça e imoralidade a vida dos cidadãos) tomar conta do Estado democrático. [Read more…]

Aparições

Lourdes (França), 1959
Lourdes (França), 1959

Bonjour la France

A Moody’s começou a morder a França.

Agora fiem-se na linha Maginot e não corram, vão ver o trambolhão que levam.

Casse-toi, riche con!

Cá também devíamos dizer o mesmo a muito boa gente

Submissão

Não é uma ideia nova, mas de cada vez que penso no assunto, fico sem entender como é que o Presidente da FRANÇA tem como primeiro acto público uma viagem à Alemanha.

Não se entende.

O que deveria fazer a Esperança da Esquerda europeia era fazer render o peixe, o estado de graça, deixa a nazi a falar sozinha por uns tempos, mandar uns recados um pouco para todo o lado e ganhar o povo francês para o lado que interessa.

Assim, não se entende. Resta-nos a ESPERANÇA no povo GREGO!

Para o ex-Esperança, uma música dos Xutos:

[youtube:http://youtu.be/GSiCdoVM-Pc%5D

Mário Soares ao Jornal I

Toda a gente percebeu tanto em Portugal como na Espanha que só com austeridade não se vai lá.”

Eu não sei se TODA a gente já percebeu, mas há pelo menos dois tipos de pessoas que perceberam: os desempregados e os funcionários públicos!

É oficial: Merkolland ou Hollandmerkl, eis a questão

O Partido Socialista Francês volta ao poder. Não será a esquerda, mas já não é a direita.

Vive la France!

Eleições na Grécia e na França: troicaram-lhes as voltas?

Pelas primeiras sondagens a noite promete: a Europa passa a ser governada por Merkholland (o que não é bem a mesma coisa), e os partidos da troica podem não ter maioria no parlamento grego (onde convém não esquecer que uma muito peculiar noção de democracia oferece 40 deputados ao partido mais votado). Syriza, o BE grego, pode mesmo ter ganho as eleições na Atica. E a Atica, é Atenas…

Bon voyage…

Este Soral tem o percurso que se conhece, mas que diz umas verdades, disso não haja dúvida. O pior é que apenas mudando os nomes, bem podia estar a falar de uns figurões portugueses. Em suma, o que há a reter está aqui. Apenas um aperitivo:
“Uma burguesia desmazelada, exibicionista, parasitária, incapaz de dar o exemplo, boçal, inimiga da cultura, sem profissão e para mais mundialista e americanizada. Relógios de “marca”, trapos “de marca”, resorts, spa’s, mais os condomínios e o golfe, a socialite e o jet set, fazem o retrato desta canalha endinheirada e snob . É o sonho de muita gente, cá como lá, mas entre esta burguesia e a classe operária, não havendo diferença nos impulsos e no exemplo, optamos decididamente pela classe operária.”

A baguette de Hollande

Após a fragorosa vitória na guerra de 1870-71, Bismarck sabia bem o que dizia, quando considerava a hipótese de uma restauração da Monarquia francesa um imediato casus belli. Tinha as suas razões para apostar no sempre instável regime republicano e as décadas que decorreram até à I Guerra Mundial, foram pontilhadas de casos que alternavam tentativas de feitos espectaculares no ultramar, com os aspectos mais sórdidos do período dito liberal. Se a grande Guerra propiciou a União Sagrada que fez frente aos Impérios Centrais, logo os anos vinte e trinta fizeram regressar aquele clima de não declarada guerra civil, esse fervilhante viveiro que ditaria uma vez mais,  uma rápida e clamorosa derrota frente à Wehrmacht. Nas duas derradeiras décadas do século XIX e no período da Belle Époque, deram brado os casos do general Boulanger, o embraçoso episódio Dreyfus, as constantes ruínas empresariais e escândalos financeiros, a total capitulação que os ingleses impuseram em Fachoda – esse sim e que ao invés do “nosso”, consistiu num Ultimatum com perdas bem reais – ou a deriva populista que encontrou na Igreja o alvo ideal, enfim, alguns episódios bem conhecidos e que para os cem anos seguintes permaneceram presentes na discussão da coisa política em França. [Read more…]

Em França ganharam as promessas que fazem o imaginário reivindicativo da oposição em Portugal

Foto: Agence France-Presse/Getty Images

Hollande vence primeira volta das presidenciais francesas

Se o resultado se mantiver na 2ª volta, vamos ver se apenas foram promessas vãs. Por exemplo, serão as seguintes promessas para manter?

  • Restabelecer imediatamente a idade da reforma nos 60 anos (ler)
  • Criar 150 mil empregos reservados aos jovens (ler) – onde é que já vi isto?
  • Criar 60 mil postos suplementares na educação (ler)
  • Aumentar a proporção de remuneração fixa dos clínicos gerais (ler)

Num país a viver apertos financeiros, veremos se a promessa fácil chegará a bom termo.

Em França

é hora de mudar? E a Europa?

Vive la Farce et le Farceur!

Como Berlusconi, em Itália, e Sócrates, em Portugal, cada qual no seu papel desastroso, Sarkozy tornou-se gradualmente odioso e desconfortável à crítica política interna e externa, apenas pela lógica que cultivou da sua inevitabilidade, coisa inoculada na opinião pública local, pela demasiada e perversa afeição ao Poder, pelo jogo sujo da batalha política e pela demarcação do Estado Francês, através de comparações oportunistas, de Espanha, Portugal, Itália, tudo para capitalizar dividendos eleitorais a par da tentativa de colagem a Merkel com o cuspo da lisonja. É como se a encalacrada republique française não tivesse senão que acomodar o neo-bonapartismo sarkozyano e dar-se por muito bem zelada e servida. Acontece que, ao contrário do tarado Berlusconi e do larápio Sócrates, Sarkozy é manifestamente mais competente e mais patriota. E, na verdade, não há mais ninguém que valha aos franceses e sinalize ao exterior o que urge sinalizar. Farsa por farsa, é preferível escolher uma apesar de tudo um tudo nada virtuosa.

Marchais, esse precursor de Le Pen


Sabe-se o que aconteceu quando da reforma eleitoral promovida por Mitterrand. Visando enfraquecer a direita “clássica”, introduziu o sistema proporcional, aliás mais justo que esta ridícula ficção das duas voltas. O PCF, até então incontestado dono dos banlieu, caiu dos 20% para uns residuais 5%, passando-se o seu eleitorado com armas e bagagens para as hostes da Frente Nacional que atingiria perto de 15% dos votos.
O discurso de Le Pen, nada mais é senão a continuidade do posicionamento político do precursor PCF. Entretanto, o conhecido “barão” de Lavos já terá iniciado o processo de canonização da indefesa criança Mohamed.
* A pedido de um leitor, aqui segue uma tradução mais que imperfeita:
“Há que pôr fim à imigração oficial e clandestina. É inadmissível fazer entrar novos trabalhadores imigrados em França quando o nosso país conta com quase 2 milhões de desempregados franceses e imigrantes” (palmas seguidas da voz da locutora que informa ser o PCF contra a construção de um centro cultural islâmico). O porta-voz do PCF em Rennes, diz o seguinte:
“Verificamos que não se trata de um centro cultural que está em construção, mas de facto é uma mesquita e uma escola corânica. Nesse sentido o senhor Maire de Rennes (um socialista) apoiou a ideia (não estou a entender todo o discurso, lamento). “Nós não mudámos de opinião, somos pela separação da Igreja e do Estado e de forma alguma o dinheiro público deverá servir para construir”… (aqui também não consigo entender o que o homem diz, uma vez mais lamento).
E regressa Marchais, desta vez de dedo em riste pela moral:
“Colocamos o problema da imigração. Será para utilizar e favorecer o racismo. Procuraríamos acarinhar os mais baixos instintos. Assumimos a luta contra a droga e isto porque não queremos combater o alcoolismo que é apreciado e corrente na nossa clientela. Para a juventude, eu escolho, sim, eu escolho o estudo, o desporto, a luta e não a droga” (salva de palmas).
E Marchais passa então a atacar os socialistas, irmanando-os à direita nas questões relativas ao respeito pelos trabalhadores, etc, etc. O discurso parece um bocado desconexo, sem seguimento (há partes certamente recortadas do todo, claro). Enfim, uma espécie de Jerónimo de Sousa avant la lettre.

Carta do Canadá: Ou vai ou racha

Fernnanda Leitão

Há dias podia ler-se num editorial do New York Times, todo ele dedicado à situação na União Europeia: ”Porque é que os líderes da Europa se empenham em negar a realidade? A chanceler Angela Merkel,da Alemanha, e o presidente Nicolas Sarcozy, da França, mostram-se incapazes de admitir que vão por caminho errado. Estão deslumbrados com a sedutora mas ilógica noção de que todos os países devem copiar o “modelo exportador” da Alemanha, sem décadas de investimento público e taxas artificialmente baixas, cruciais para o sucesso germânico?  A Sra Merkel também parece determinada a inclinar-se perante os preconceitos dos eleitores alemães, os quais acreditam que o sofrimento é a única maneira de a Grécia,e os outros países da Europa do Sul, entrarem no bom caminho”.

Que esses dois líderes pensem de forma tão redutora e pobre, não surpreende quem tem boa memória ou o salutar hábito de ler o que a História ensina. Há países onde as televisóes se preocupam em não deixar apagar-se a memória do sofrimento que a Alemanha, por má liderança, e a França, por cobardia das elites, inflingiram a milhões de pessoas. O Canadá é um desses países. Devo acrescentar que a cada passo oiço canadianos dizer a propósito da situação na UE: “A Alemanha, outra vez!”. E anglo-saxónicos puros e duros desabafando: “A França é  sempre a mesma doida”. Nestas expressões há receio, há desagrado, há um escondido grito de alarme. Dirão: é a mania da superioridade dos ingleses. Será, mas têm boas razões para isso: se não fossem eles, patriotas, a dar o primeiro grande passo da resistência, a Europa teria sido esmagada e abastardada por um punhado de facínoras. [Read more…]

Qual o dia em que a União Europeia não aguentará?

euroSugestionado pelo título de uma série televisiva americana, ‘O Dia em que a Terra não Aguentou’, ocorreu-me formular a pergunta: “Qual o dia em que a União Europeia não aguentará?” E, de seguida, coloco outra questão: “Esse dia está próximo ou nem sequer se deve imaginar como provável?”

Por muito e esmerado esforço mental, sou incapaz de responder convictamente às duas questões. Valho-me da informação avulsa, e tanto quanto possível credível, publicada em diversas fontes de comunicação social e não só, e mais atabalhoado fico. Vejamos então:

A) O “The Guardian” informa:

O FMI adverte a possibilidade de catástrofe, pelo facto da Comissão Europeia contestar a Standard & Poor’s sobre a descida dos “ratings”.

A notícia do jornal inglês é, de resto, bastante extensa e não deixa de fora outros focos da crise: “Alemanha não vê razão para reforçar o fundo de resgate da Zona Euro, apesar da descida da notação da França”; “O incumprimento da Grécia não é impossível”; “Sarkozy pede a Espanha que mantenha o lugar no BCE, apesar da Finlândia e a Holanda o ambicionarem”;”O BCE reforçou o seu programa de compras de dívida na semana passada, mesmo antes da S&P cortar o “rating” a nove países”…

B) Leio o “The Irish Independent” e fico a saber:

Joan Burton está simplesmente a dizer uma verdade óbvia sobre um segundo resgate…porquê silenciá-la?

[Read more…]

O Problema da Europa

Valores dos titulos a atingir a maturidade

O gráfico anterior ilustra as necessidades de crédito imediatas de três bombas relógio. As cimeiras europeias não fazem nada para resolver este problema. Tanto a Itália como a Espanha estão a atingir valores de financiamento que fazem com que o roll over destes bonds seja impossível de fazer. Como vai ser?

O itinerário da troika

Depois de Atenas, Dublin. A seguir Lisboa. Independentemente dos problemas de usura ,  o Sol e os suaves fins de tarde lisboetas são mais aconchegantes do que o ar cinzento de qualquer cidade do norte europeu. Natural, portanto, que os nórdicos da troika prefiram o ambiente amistoso do Sul aos plúmbeos ares nortenhos. Até porque estes problemas sociais, alheios aos interesses financeiros, não os comovem.

O rumo da rota, na lógica de factores climático-sociais, funda-se em outras motivações. Sinteticamente reduzidas pelo libelo países periféricos. Como quem diz suburbanos para, de forma diplomático-hipócrita, não lhe chamar marginais – no sentido puro da definição de marginalidade, i.e., parte do tecido social económica e politicamente  excluído. No fundo, os muitos que a sociedade convencionou discriminar em nome de minoritários interesses, em submissa obediência a normas de ganância de poderosos.

Um a um, os tais países periféricos, na lógica referida, são naturalmente delinquentes e marginais. Constituem o grupo visado pela troika (FMI-CE-BCE), que actua em obediência às ordens dos chefes supremos. Mas, em simultâneo, esses países ocupam os espaços mais aprazíveis para se trabalhar em dias soalheiros. De facto, se o critério fosse a dimensão da dívida, então o itinerário seria, por exemplo, aquele que o quadro seguinte, interpretado a rigor, justificaria:

País da Zona Euro População Dívida em USD (biliões) Dívida em Euros (biliões) Dívida ‘per capita’ €
         
Bélgica 10.500.000 1.354 933 88828,53
Espanha 45.100.000 2.313 1.593 35328,26
França 63.800.000 5.002 3.446 54006,51
Grécia 11.100.000 504,6 348 31314,64
Irlanda 4.200.000 2.312 1.593 379194,18
Portugal 10.600.000 484,7 334 31498,53

Outros países poderíamos acrescentar, mas fiquemos por aqui. Bruxelas e Paris, nesta época, estão longe de oferecer os fins-de-tarde de ‘bocadillos y mirar las golfas’ e, por conseguinte, Madrid poderá ser a próxima anfitriã da troika. Prevalece o valor do Sol e do Sul sobre a dívida e o Norte.

(Ver: dívidas externas de países e demografia da UE)

Psssst, Washington, Please, We Have a Problem

Pois parece que nada mais nos resta do que, a partir de quarta-feira, e caso a venda de dívida corra mal, chamarmos os senhores do FMI, apesar das afirmações do sr Teixeira dos Santos e da tentativa de enganar dos mercados  na apresentação dos números de 2010 para o défice previsto. Pelo seu lado o Primeiro Ministro de Portugal diz que o FMI não é preciso por .
Nesse pressuposto, o nosso amigo Drucas, que tem estado calado e quedo, já se movimenta, perfilando-se para umas eleições antecipadas.
Também o líder do CDS pede sem cessar novas eleições.
Todos à espera do óbito oficial do ainda nosso Primeiro, que em estertor, lá nos vai dizendo que não precisamos para nada dos senhores de Washington.
O comentador Marcelo lá vai mandando as suas bitaitadas, e a pressão dos mercados e em especial da  França e da Alemanha, faz-se sentir cada vez mais. [Read more…]

A França já está a arder

Parece que a notícia do falecimento das greves e manifestações de rua como forma soberana de o povo dizer não aos que em seu nome governam era ligeiramente exagerada.

As jornadas de luta sucedem-se por toda a França, a violência volta às ruas, o Sarkonazi já não sabe muito bem para onde se virar, a gasolina escasseia nos postos de abastecimento, a França pode parar.

Tem muito de ironia que esta luta se trave em torno da idade de reforma e tenha já conseguido o apoio dos estudantes do secundário (ler no Spectrum: Ao lado da Igreja Notre Dame de LaCroix! No liceu já eu fazia broches…).

Conhecendo o histórico seguidismo lusitano no que às revoluções gaulesas e similares toca, resta-me esperar que os portugueses sigam o exemplo. A greve geral está oficialmente convocada. E se não vai servir para parar um orçamento de gamanço e continuidade nos lucros oferecidos a quem realmente manda, ao menos que sirva para estancar o roubo e o descarado gozo com que esta gente se governa.

A França regressa a Vichy

Ao iniciar hoje a expulsão de ciganos, cidadãos europeus de pleno direito, o governo Sarkozy retoma um velho slogan do fascista Pétain, o de cumprir todas as promessas, incluindo as dos outros.

Neste caso podemos mesmo falar de uma promessa do Marechal, que deportou para os campos de concentração judeus e ciganos.

Dizem que quando as coisas lhe correm mal Sarkozy puxa logo das paranóias  securitárias, tal como entre nós o faz Paulo Portas ao sentir o PSD a entrar no seu terreno de jogo. Não me contento com essas explicações tacticistas. Tal como na fábula da rã e do escorpião, é a própria natureza destes personagens que vem ao de cima.

Primeiro os ciganos “estrangeiros”, e depois… espero que os franceses acordem, antes que a história siga o seu percurso habitual.

Quanto as ciganos rom, que também andam pela península de cá, não comecem já a comentar que isto e aquilo. Vão ver este filme, e espero que vos passe.

Pedofilia no futebol francês – e vão a julgamento…

Já tinhamos falado neste assunto, Pedofilia no futebol francês, com reacções muito azedas por parte de alguns, mas a verdade é que passados três meses, dois dos jogadores vão mesmo a julgamento.

A advogada dos jogadores diz o óbvio, eles não sabiam, bastaria ela não se ter feito passar por adulta (dizia que tinha 20 anos) e nada teria acontecido, mas pelos vistos há provas que a prostituta tinha 17 anos e os jogadores vêm-se numa situação muito apertada.

O Ribéry, esse que está aí em cima com a mulher, um dos mais conhecidos jogadores franceses, nunca mais se vai ver livre desta notícia, a opinião pública é impediosa, e com a exposição que um jogador internacional tem, vale -lhe de pouco a verdade.

Genial:

Um grande momento, mais um, do 31 da Sarrafada:

Uma francesa imbecil

A directora de uma escola francesa proibiu um menino português de entrar com uma camisola da nossa selecção.  É ler no Expresso, tal como a bela carta que o nosso embaixador em Paris endereçou ao miúdo.

Estranhará quem não conhece o chauvinismo gaulês, a forma como sempre desprezaram os nossos emigrantes, e o mau perder que a tantos caracteriza, cá e lá.

É um bom aviso para os que entre nós maltratam imigrantes, nomeadamente os brasileiros que espero fiquem cabisbaixos amanhã, esquecendo que cada vez mais os portugueses se tentam desenrascar emigrando e sujeitando-se a estas imbecilidades. A xenofobia é sobretudo uma imbecilidade, mas quando mete miúdos ao barulho ultrapassa a simples connerie e dá-nos vontade de ter a senhora pela frente para lhe despejar algumas frases da bela língua francesa, adivinhem quais.

É não perceber que o futebol é só um jogo, sobre o qual dizemos disparates, que nos faz explodir de alegria e conter de raiva, mas apenas e só um jogo.

O Mathis Araújo tem cinco anos. Está a aprender cedo, muito cedo, uma lição de vida sobre o estranho mundo dos adultos. Resta-me lamentar que a selecção francesa já tenha regressado a casa. Bem se podiam cruzar connosco: 7 a 0 ia ser pouco.

Pedofilia no futebol Francês

Um escândalo! Três conhecidos jogadores estão a ser investigados por terem recorrido aos serviços de uma profissional do sexo quando esta apenas tinha 17 anos. A conhecida jovem (continua a ser uma prostituta de luxo), já veio a terreiro defender os jagadores dizendo que foi muito bem tratada e que não houve violação nenhuma, pedindo que os jogadores não sejam molestados pela justiça.

Os jogadores Ribéri, Vougou e Benzema é que já estão a contas com vários problemas para além do tradicional, estarem a ser julgados na praça pública. Há já quem peça a sua exclusão da Selecção Francesa de Futebol no próximo Campeonato Mundial, em junho na África do Sul. A lei francesa é clara diz que a maioridade é atingida aos 18 anos, mas o que me deixa perplexo é como é que uma coisa destas chega à Justiça, toma foros de notícia “pedofila”, a dois meses do campeonato.

Quem estará por detrás de uma notícia destas? O que se pretende? Como é que se obtem provas de que as relações foram anteriores à maioridade, quando pelos vistos são confirmadas pelas partes ?

É claro que o Ministério Público não pode deixar de investigar, mas a facilidade com que hoje em dia a opinião pública é manipulada e utilizada para os desígnios de gente que se mantem na sombra, é deveras preocupante!

A quem serve uma Justiça fragilizada e um comunicação social “empreiteira”?

Le Temps des cerises (Memória descritiva)

Concluído em Novembro de 1870 o processo de unificação dos 25 estados germânicos, no dia 18 de Janeiro de 1871, passaram há pouco 139 anos, era proclamado o Império Alemão. Em Abril a Constituição ideada por Otto von Bismarck entraria em vigor. Nada disto seria de estranhar se Guilherme I, o soberano alemão, não tivesse sido coroado imperador do Segundo Reich na sala dos espelhos do Palácio de Versalhes. Foi uma humilhação excessiva aquela a que os franceses foram submetidos.

Era a consequência da derrota da França na recente guerra com a Prússia. A causa próxima desse conflito fora a candidatura de Leopoldo Hohenzollern ao trono de Espanha. Mais bem preparado, o exército prussiano, deflagrada a guerra em 19 de Julho de 1870, infligiu sucessivas derrotas aos franceses, aprisionou o imperador Napoleão III em Sedan, e em breve cercava Paris. Foi proclamada novamente a República na capital francesa, tomando posse um Governo Provisório de Defesa Nacional presidido por Louis Adolphe Thiers.

< [Read more…]

O meu «reveillon» em tempos de crise

São tempos de dificuldades, aqueles que estamos a viver. Tempos de incerteza, em Portugal e no mundo, com a crise económica e financeira e o desemprego a um nível nunca visto. Como será o futuro? Isso ninguém sabe.
É por isso que este ano, por muito que me custe, vou limitar o orçamento das habituais férias de Inverno e «reveillon». Terei de me contentar com uma semana em Paris. Parto amanhã, dia de Natal, e regresso no dia 1 de Janeiro. É que, como sou professor, não posso sequer escolher as datas das minhas férias – algo que considero particularmente escandaloso e discriminatório!
Mas como terei acesso diário à internet, o Aventar não será esquecido. Conto enviar diariamente uma crónica da cidade-luz, que neste momento está coberta por um branco manto de neve. Estarei alojado no centro de Paris, perto da Bastilha, mas faço questão de visitar e fotografar todos os locais que tenham interesse para o Aventar, incluindo os locais onde me deleito com a deliciosa comida francesa. Pas de problème, tenho grande facilidade de circulação na cidade – praticamente só ando de táxi. [Read more…]

A máquina do tempo: esquecer ou não esquecer

 Dizem-me que já não tem interesse falar nestas questões do fascismo, do nazismo, do Holocausto, da resistência à tirania… Que já não se usa, que são temas muito batidos. É precisamente por isso, por «já não ter interesse» que não me calo e nunca deixarei de falar nesses temas que já foram vistos por milhares de ângulos e que, mesmo quando julgamos estar a ser originais, mais não fazemos do que repetir o que outros já disseram. Não me importa, pois trata-se, não de uma questão de originalidade, mas de um imperativo – não esquecer.

 Tenho aqui falado da grande quantidade de franceses que, durante a ocupação alemã (1939-1944), colaborou com os invasores nazis. Porém, é preciso dizer-se que muitos outros, resistiram, organizando-se e lutando. Muitos deles pagaram com a vida essa patriótica atitude. Dizer-se que a França resistiu heroicamente à ocupação germânica, seria um exagero e um falseamento da verdade histórica. Tão grande e tão grave como dizer-se o contrário. É que a verdade tem sempre, no mínimo, duas faces.
 

[Read more…]