Os mercados devem estar a reagir ao empate de ontem

Apesar do resgate, juros de Espanha e Itália de novo em alta.

Os mercados adoram o euro.

Marcelo Rebelo de Sousa, o mentiroso mais bem pago de Portugal

Marcelo Rebelo de Sousa acaba de dizer na TVI que ninguém estava à espera do que aconteceu na Itália e na Espanha, isto no balanço de um governo que, coitado, não podia adivinhar uma coisa imprevisível.

Assim de repente e sem sair de casa, escrevi, à borla e ainda bem, em finais de Abril do ano passado, uma coisa com o título A Espanha é já a seguir, a Grécia é a primeira a não pagar, onde de resto estão os devidos créditos para as fontes em que me baseei para constatar o óbvio.

Como não o tenho em conta de burro ou ignorante nas cousas da política e de alguma economia, resta-me concluir que Marcelo Rebelo de Sousa ganha 10 000 euros/mês para mentir na TVI. Bem podia oferecer uma vichyssoise a todos os que passam fome neste país.

O Grillo que se faz ouvir em toda a Itália

Imaginar o blogue mais lido da Itália… Mais de 1000 comentários por post. Quantas visualizações…

O blog de Beppe Grillo é qualquer coisa. (O Aventar um dia lá chegará!!)

Grillo («o comediante despenteado») criou, além do seu blog há uns anos, o Movimento 5 Estrelas que acaba de conquistar 4 câmaras nas eleições municipais no seu país.

Grillo não vai à televisão. Defende a democracia direta e sonha com “cidadãos que se elegem entre si” através do seu movimento, “um instrumento ao serviço dos cidadãos para lhes permitir administrarem-se a si próprios”.

Segundo o Público, onde descobri o Grillo, “as suas listas juntam desempregados, estudantes ou professores. Gente normal com vontade de fazer política de outra forma. Gente jovem.” [Read more…]

O Problema da Europa

Valores dos titulos a atingir a maturidade

O gráfico anterior ilustra as necessidades de crédito imediatas de três bombas relógio. As cimeiras europeias não fazem nada para resolver este problema. Tanto a Itália como a Espanha estão a atingir valores de financiamento que fazem com que o roll over destes bonds seja impossível de fazer. Como vai ser?

Das lágrimas de Itália ao exemplo da Irlanda

Merkel e Sarkozy, na reunião de Paris, apostaram em novo ‘tratado’ da UE, ainda que não inclua todos os países. Pode limitar-se aos 17 Estados-membros do Euro – ou a menos, acrescento eu. O objectivo central é colocar na ordem os países endividados, como nós e os gregos, através de políticas que se esgotam em programas de austeridade.

No actual jogo europeu de orçamentistas e monetaristas, falta que a Espanha de Rajoy explicite a obediência. A Itália já o fez ontem, de forma comovente e nas lágrimas incontidas da ministra Elsa Fornero:

‘Uma lágrima no rosto’, de Bobby Solo

Nós, portugueses, além da submissão à Sra. Merkel assegurada por Passos Coelho, segundo os inúmeros sábios e especialistas, nas TV’s e artigos de opinião, temos de tomar o exemplo da endividadíssima Irlanda como padrão; sim essa bem comportada Irlanda há 4 anos em austeridade e cujo governo acaba de publicitar um novo ‘pacote de austeridade’ para 2012, com 2,2 mil milhões de euros de corte nas despesas e 1,6 mil milhões de aumentos de impostos. [Read more…]

Olá Itália, acabou um pesadelo, começa outro

Já se foi Berlusconi. Não que resolva o assunto: por mais técnico e de unidade nacional que seja o novo governo os mercados, ou seja a especulação, já marcaram a Itália que agora fica refém de Merkozi, ou seja, tá tramada. As hienas não largam as presas. O último dos PIIGS tem o destino traçado, e desta vez a Europa vai mesmo atrás. A coisa promete, mas verdade seja dita, quanto mais depressa formos todos ao fundo mais depressa virá a possibilidade de dele sairmos, se é que vem.

A democracia no seu melhor. Demetrio Stratos já o cantava nos anos 70: [Read more…]

Porque será que não temos ninguém em Portugal, a falar assim?

Isto só pode acabar mal … Muito mal!

Nigel Farage, deputado Europeu Britânico, fala da inevitabilidade da falência e saída do euro da Grécia, Portugal e da Irlanda; do resgate dos bancos; do plano de criação dos Estados Unidos da Europa e da entrada da Sérvia na Zona Euro.

Forza, Italia

Yeah!, baby

Moody’s Europe Tour

moody's europe tour

 

Moody’s cortou rating da Irlanda para “lixo”

  • Grécia
  • Portugal
  • Irlanda
  • Itália
  • Espanha
  • Talvez ainda dê para mais um país se não faltar o gasóleo

Portugal não é uma novidade

Em Portugal, um carro incendiado é caso para espanto geral. Montras partidas por contestatários, são coisa mais própria de altercações entre regateiras que objecto de contendas políticas. Barricadas surgem uma vez por século, assim como as invasões de propriedade alheia, as vinganças físicas sobre opositores políticos e outros ademanes bem típicos de outras paragens. “Isto” não é a França, país velho mas numa eterna puberdade.

Há uns vinte e cinco anos, chegava a Lisboa uma esquadra da NATO. Os seus marujos tinham deixado um rasto de destruição noutros portos do norte da Europa e aqui atracando as suas naves, despreocupadamente desembarcaram com a intenção de realizarem as mesmas façanhas depredadoras. As unidades portugueses da RM Lisboa estavam de prevenção e o meu irmão reuniu os efectivos do quartel do Vale do Forno, encaminhando-os para a zona do Cais Sodré. A lição foi fulminante e magistral. Os hospitais de Lisboa tiveram uma noite de azáfama, pois os militares estrangeiros que pretenderam uma campanha de alegre destruição nas vielas e botequins da zona ribeirinha, não foram muito longe nos intentos. No dia seguinte, um bastante indignado almirante estrangeiro, queixava-se aos seus homólogos portugueses. A resposta deverá ter sido aquela que se esperava e na verdade, não me recordo de outra noite agitada por tropelias da NATO ou de qualquer outro conviva.

Às grandes ameaças, os portugueses normalmente reagem com a calma que a ponderação dita. É esta, a enorme vantagem de um povo já considerado antigo por quase um milénio de vicissitudes e esporádicos sucessos e que tem aquela certeza do há a fazer.

“Isto” não é uma novidade como Espanhas, Itálias e muito menos ainda, Grécias. Não é.

Uma verdadeira bomba: "Il Portogallo è Grande

Deixando de lado as misérias e mediocridades do nosso triste quotidiano, recomendamos um olhar muito atento a este importante trabalho que da Itália chega. Uma grande quantidade de textos que tem Portugal como objecto de interessado estudo e reflexão. Sem grande surpresa, deparamos com aquilo que há décadas alguns dizem sem que sejam escutados, ou pior ainda, sendo desprezados pela turba que deixa o país nesta situação desesperada.

Os próprios italianos o dizem: temos de nos ver livres daqueles que condenam Portugal a uma desnecessária canga.

“- Portugal é um país central no complexo euro-atlântico e não pode submeter-se a orla periférica do Mitteleuropa;

– A comunidade cultural, linguística e afectiva dos países herdeiros da expansão portuguesa não é um adereço retórico; detém hegemonia económica, demográfica e política sobre a América do Sul e encontra em Angola o mais poderoso Estado da África negra após a África do Sul, posto que a Nigéria perdeu a sua grande oportunidade; [Read more…]

Selecções com ritmo de samba

Aproxima-se o Mundial, e tudo vai voltar à paz do futebol. Até porque um dia destes as selecções falam todas a mesma língua e os jogos passam a ser entre primos. A Itália, tem um jogador (Santacroce) nascido na Baía que está seleccionado e Amauri (nascido no Brasil) já pediu para ser Italiano e espera tambem a chamada.

Cacau, atacante do Estugarda já é cidadão Alemão e está pré-convocado e Rink, também Brasileiro, já disputou um mundial pela Alemanha. Em Espanha temos Marcos Senna, no Japão, Marcos Túlio, Benny Feihaber, nos USA e Leandro Augusto no México. Junte-se-lhes, os “nossos” Pepe, Deco e Liedson, e já temos uma equipa  só de Brasileiros. Tavez Brasil -2 !

Acho que deveria haver critérios mais apertados. Pepe, por exemplo, veio para a Madeira com 16 anos, fez-se cá jogador, não se pode comparar com Liedson que veio para cá com 25 anos, fora os que não constam no registo, no Brasil o próprio  vai de bicicleta fazer o registo, ( o Pepe, pois…) embora eu tenha uma grande admiração pelo prosfissionalismo e a classe do jogador.

Isto resulta da enorme quantidade de jogadores Brasileiros a jogar na Europa, mas tambem cá jogam imensos  com outras nacionalidades Sul- Americanas e não se vê o mesmo fenómeno. A razão? Porque do Brasil vêm carradas de jogadores e dos outros países só vêm os de selecção, e esses, não trocam a sua selecção por outra. Dito mais cruamente, os jogadores Brasileiros que jogam nas selecções europeias nunca seriam internacionais pelo Brasil.

Dói mas é assim!

Direita securitária quer aprovar "lei mata-processos"

Parece um contra-senso, mas acontece em Itália, onde Berlusconi perdeu definitivamente algum resto de vergonha que alguma vez possa ter tido. Leis fortes contra os fracos, fracas contra corruptos poderosos. Com canções de amor à mistura.

A réplica e o original

   Na vertigem mediática e blogosférica dos tempos que correm, uma réplica mereceu recentemente mais destaque do que o original. Compreende-se, seja pelo teor da notícia, seja porque, convenhamos, seria difícil utilizar o original para perpetrar a agressão.

   Desfeita a espuma volátil do fait-divers, voltemos agora ao esplendor monumental do Duomo de Milão.

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   Nunca o tinha visto como agora, tão limpo e branco, o mármore tão aparentemente acabado de talhar. Tendo em conta os quinhentos anos que demorou a sua construção, é possível que nenhuma outra geração o tenha visto desta forma, com as suas 3400 estátuas tão inesperadamente resplandescentes, os fantásticos vitrais absolutamente recuperados, a Madonnina refulgente como nos primeiros dias. Mark Twain – e suponho que não só –  considerava o Duomo a primeira entre as obras feitas por mãos humanas.

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   Eu não digo tanto, mas não consigo ir a Milão sem o visitar, vez após vez.  No entanto, para mim, apesar de toda a sua monumentalidade, beleza e, acreditem, leveza, a obra mais impressionante presente no Duomo encontra-se, quase discretamente, no seu interior e mantém inalterada a patine do tempo. Trata-se da figura de S. Bartolomeu ( Miguel Angelo pintou-a no Juízo Final, na Capela Sistina, segurando a sua própria pele ) de Marco d’Agrate (1562 ) esfolado vivo, uma das maiores representações do sacrifício, da brutalidade e da intolerância humanas.

File:SanBartolomeoDuomo.JPG

 

 

Villa Cicogna-Mozzoni

Desta vez não pensava ir a Villa Cicogna-Mozzoni, mas um convite de Jacopo fez-me mudar de ideias. Para mim, é sempre um prazer revisitar a casa, os jardins e, sobretudo, rever os frescos que os irmãos Campi di Cremona ali executaram entre 1540 e 1550. E, claro, tomar um café com Jacopo ouvindo as inúmeras histórias de uma casa com séculos de História.

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A primeira parte da casa foi construída nos primeiros anos de 1400 como pavilhão de caça. Na primavera, a família Cicogna abandonava Milão, convidava outros nobres lombardos e passava o Verão em caçadas ao urso e javali por terras de Bisuschio.

Em 1440, estando presente Galeazzo Maria Sforza, duque de Milão, o mais importante nobre de toda a Lombardia ( um destes dias deixarei aqui algumas imagens do extraordinário Castello Sforzesco ), este foi atacado por um urso ferido e enfurecido. [Read more…]

Os homossexuais já se retratavam nos quartos de dormir (?) de 1540

Volto agora de Villa Cicogna-Mozzoni e vou a caminho de um jantar com amigos. Amanhã contarei uma história com História dentro.

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Hoje, deixo apenas estas fotografias de um fresco num quarto de Villa Cicogna, que foi referida aqui, desta forma:

La villa è stata definita come una delle più celebri dimore di delizie (morada de delícias, jardim de delícias).

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No 5 Dias: o descaramento da indecência

Hitler & Stalin

Independentemente do juízo que possamos formar acerca do tipicamente italiano Berlusconi, existem limites que na política não podem nem devem ser ultrapassados. O bestial apelo à violência e desrespeito pela integridade física dos agentes políticos – sejam eles quem forem -, surge cada vez mais como apanágio de uma certa ideia de “liberdade” que pode num futuro não muito distante, virar-se contra os próprios promotores da agressão. Ainda há uns anos, aqueles que com gaudio sempre gostaram de exibir as chocantes imagens de Mussolini na Piazza del Loreto, indignaram-se com a execução dos Ceausescus ou de Saddam Hussein. Há um perceptível movimento pendular que a ninguém passa em claro, Berlusconis à parte.

No 5 Dias, há quem tenha perdido a vergonha e despudoradamente alinhe de forma aberta com os esquemas organizativos de Al Capone, Himmler ou da dupla Iezhov/Béria. Espancamentos à falta do morticínio puro e simples, eis a forma de ver a política sob o prisma dos caderninhos revolucionários que um Lenine tão bem aplicaria a muitos milhares que depressa chegariam a milhões. Não esqueceram nem aprenderam coisa alguma. Incrível.

Itália, 4 de Abril de 2009

Lembrem-se, antes de mais, de que se completaram já 54 anos desde esse 1 de Dezembro em que Rosa Parks recusou ceder o seu lugar a um passageiro branco num autocarro de Montgomery, no Alabama. Em Foggia, uma cidade agrícola na província de Puglia, em Itália, as autoridades locais anunciaram a criação de duas linhas de autocarros distintas: uma apenas para imigrantes e outra apenas para cidadãos locais. Na verdade, a linha é a mesma: a número 24, que une o centro da cidade ao bairro periférico de Borgo Mezzanone. A cerca de dois quilómetros deste bairro está um centro de acolhimento para imigrantes. De forma a evitar as fricções que se poderiam fazer sentir entre residentes e indesejáveis, nada melhor do que separar os veículos, ampliando o percurso do autocarro dos imigrantes até ao centro de acolhimento, e assim poupando-os à caminhada de dois quilómetros, e libertando os locais da presença dos não-europeus. O racismo mascara-se muitas vezes com a capa da falsa piedade, das hipócritas boas-intenções, da segurança que se impõe pela violência. E também esta medida vem com o rótulo de higiénica e bem-intencionada. Para quê forçar a convivência de pessoas que, não fosse a vaga de imigração africana que assola a Europa, nunca se teriam cruzado? Naturalmente será mais prudente isolar estes imigrantes para que a sua frustração, o seu sentimento de impotência e de injustiça não venham a encontrar expressão numa espiral de violência que se acenda com um olhar, um insulto, o encontro súbito de dois seres humanos assustados. Deparei-me com a notícia hoje e a coincidência deixou-me um sabor amargo na boca. É que hoje cumpre-se mais um aniversário, o 41º, do assassinato de Martin Luther King.

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