Como Pedro, o apóstolo, Pedro, o abridor de portas, renegou hoje o seu amigo, companheiro, conselheiro e referência (espiritual?) Dias Loureiro. Para trás ficam os tempos em que o primeiro-ministro tecia rasgados elogios ao exigente, metódico, viajado – pelo menos no que a Cabo Verde diz respeito – e empresário exemplar que, coitado, tem sido vítima de uma cabala e arrastado injustamente para o caso BPN, cujas consequências, como sabemos, são responsabilidade da tralha socialista. Disse o abridor de portas:
Básico e em permanente estado de negação: eis Pedro Passos Coelho
Questionado no final do debate, Pedro Passos Coelho negou ter falado muitas vezes em José Sócrates. Tal como negou ter convidado os portugueses a emigrar ou como voltou a negar o estado lastimoso a que chegou o SNS. Da mesma forma que há quatro anos negava ser necessário cortar salários, subsídios ou pensões, aumentar impostos ou “vender património do estado como quem vende os anéis para ir buscar dinheiro“.
A verdade é que Passos Coelho não sabe mais. Por isso evita entrevistas, por isso arranjou uma desculpa esfarrapada para fugir ao debate a quatro, por isso se esquivou de Ricardo Araújo Pereira e por isso foi tão básico e evasivo no debate com Costa. Sem assessores, sem propaganda e Marias Luz, Pedro Passos Coelho é apenas mais um jota. E nem aí é dos melhores.
O Triângulo: Passos Coelho, António Costa e o “ regressado “ Sócrates.
Ontem o jornalista Sérgio Figueiredo escreveu, no Diário de Notícias, mais uma vez, um excelente artigo de opinião que faz uma análise da campanha eleitoral, analisando o triângulo político Pedro Passos Coelho, António Costa e o agora “regressado “ José Sócrates.
Sempre com uma grande lucidez e pragmatismo escreveu que António Costa
perdeu o amigo do peito. Não deu o peito às balas. Também não fez amigos por isso. Só da onça: a sonsa, os patetas, os alegres de sempre e os ratos do costume. Do Largo do Rato sempre fugiram quando a água entra. Costa mete água, muito PS mete nojo. Cambada de camaradas! E, para eles, a caminhada para o dia 4 de Outubro foi-se tornando cada vez mais penosa. Pior que as sondagens, que os castigam, só as imagens de um candidato que perdeu o brilho e a cor.
O processo eleitoral interno, a sua eleição atribulada e a saída de António José Seguro deixou marcas para o seu futuro político, pelo meio teve a detenção e todo o processo judicial que envolve José Sócrates que na passada sexta-feira deixou o estabelecimento prisional de Évora passando para o regime de prisão domiciliária. Agora que entramos no último mês de campanha verifica-se que António Costa é um homem sozinho, que não uniu os socialistas em torno do seu projecto político, a dinâmica de vitória parece que desapareceu, perdeu toda a sua auréola política de vencedor que o acompanhava, desde a Câmara de Lisboa, e o seu principal adversário, Pedro Passos Coelho, com quem esperava debater o futuro do país “ desapareceu “ da campanha eleitoral. [Read more…]
Não pronunciarás o nome de Sócrates durante a campanha
Yevgeny Yevtushenko terá um dia dito que “O verdadeiro hipócrita não é o que dissimula, mas o que tenta persuadir os outros daquilo em que ele não acredita.”. Parece-me ser o caso de vários membros da corte passista, monarca incluído, que se têm esforçado convencer os portugueses que não pretendem trazer José Sócrates para a campanha quando esse é precisamente o seu principal trunfo eleitoral. E que, de cada vez que insistem na ideia, mais ou menos todos os dias, estão precisamente a fazê-lo. [Read more…]
Reality Showcrates II: o regresso do jornalismo de merda
O reality show favorito dos portugueses está de volta. José Sócrates viu a medida de coacção alterada para prisão domiciliária e, de repente, nada mais parece existir. Os telejornais abrem com José Sócrates e dedicam-lhe seguramente cerca de 1/3 da sua duração. Por todo o lado se discute Sócrates e tudo o resto – que conveniente – deixa de ter importância, seja a atribulada campanha para as Legislativas, a venda do Novo Banco aos camaradas do PCC, a alienação ao desbarato do património do Estado ou o futuro da Segurança Social. Já vimos este filme. [Read more…]
José Sócrates e o Abade de Faria
“Isto anda tudo ligado” é uma frase divina, sendo prova disso a quantidade de vezes que o povo a repete. Já lá vamos.
Neste momento, a casa em que José Sócrates exerce o seu direito à prisão domiciliária está cercada de jornalistas que se dedicam à adivinhação, o que faz sentido, tendo em conta que não há jornal ou televisão que não tenha o seu astrólogo ou cartomante.
Entretanto, os canais noticiosos dedicam-se a filmar microfones, o que nos tem permitido saber ingredientes de uma pizza e pouco mais, embora não devamos subestimar a cozinha mediterrânica. Não me espantaria que hoje Marcelo Rebelo de Sousa se dedicasse a uma análise semiótica do fast-food socrático.
Mas não chega. Neste mundo em que a Comunicação Social mantém relações próximas com as artes divinatórias, ainda ninguém explicou por que razão José Sócrates foi viver para uma rua que homenageia o Abade de Faria. É que isto anda tudo ligado. [Read more…]
Sócrates em prisão domiciliária
Nove meses depois, o número 44 do Estabelecimento Prisional de Évora ficou disponível. José Sócrates segue para prisão domiciliária, sem pulseira electrónica. A justiça portuguesa seguiu o seu curso natural.
Passos Coelho sob investigação
A notícia foi dada por Paulo Rangel, professor da Universidade de Verão: há “um primeiro-ministro sob investigação.”
Dias Loureiro precisa de atenção
A meritocracia já viveu melhores dias neste país onde boys abanadores de bandeiras, mal preparados e incompetentes infestam a Administração Pública enquanto milhares de jovens altamente qualificados se vêm todos os dias obrigados a abandonar o país para conseguirem um emprego. Felizmente existem aqueles que resistem, gente exigente e metódica como Dias Loureiro, esse empresário bem sucedido a quem aparentemente apenas Pedro Passos Coelho reconhece valor.
A ingratidão dos povo português é imensa. Dias Loureiro era um dos homens fortes da maior fraude financeira da história do país e nem por isso recebe metade da atenção que aprendizes como José Sócrates recebem. Uma injustiça. Este Sócrates não se cansa de roubar todo o protagonismo para si. Mas não o deixemos levar novamente a melhor: nas Legislativas que se aproximam, vamos dar as mãos para impedir que Dias Loureiro caia no esquecimento. Se Sócrates que não vai a votos é tema, ele também merece a nossa atenção. Alguém lhe faça um hino por favor!
Um poço sem fundo chamado Parque Escolar
Do Grupo Lena às suspeitas de corrupção, o infame Parque Escolar vê-se agora envolvido num potencial conluio em formato de cartel no fornecimento de contentores. Quando acaba este filme?
Dedicado ao comendador Teixeira dos Santos
Há pouco mais de 4 anos, Angela Merkel estava muito aborrecida com o Pedro e o com Paulo. Os traquinas tinham chumbado o PEC IV, o histórico pacote de medidas de austeridade que tinham sido “bem recebidas” pela Chanceler e pelos parceiros europeus. Na novilíngua actual, PSD e CDS-PP ter-se-iam comportado como “syrizas” – com todo o respeito que eu tenho pela malta grega que a UE entalou depois de anos de destruição interna provocada pelo bloco central lá do sítio – quando o futuro do euro estava em jogo. Merkel lamentava então o chumbo do PEC IV, apontando o dedo a PSD e CDS-PP, e elogiava Sócrates, a quem se referia como “corajoso”, “correcto” e a quem “estava grata”. Será que já passou por Évora para demonstrar a sua gratidão?
No dia em que o PEC IV foi chumbado, foi Teixeira dos Santos quem enfrentou o Parlamento quando Sócrates abandonou o hemiciclo. O tal número 2 do governo socialista que alguma propaganda está a tentar branquear para lá colocar António Costa, até porque o agora comendador, ingenuamente ou não, até tem sido muito útil para a campanha eleitoral em curso, até se lhe arranjou uma medalhinha. Quero portanto deixar esta dedicatória ao senhor comendador, que com certeza terá perdido dias a elaborar todas aquelas medidas – essa história da Merkel a ditar o documento aos senhores será com certeza uma inverdade – e que apesar do chumbo irresponsável da direita que ou tinha eleições no país ou tinha eleições internas, e que acabou por deitar todo o esforço por terra, valeu pelo elogio da senhora absoluta do Velho Continente.
Agora vou ali escrever um hino de agradecimento e já volto.
Erguer a cabeça e seguir em frente, por Cavaco Silva
Ao chegar a Lamego, supostamente pela estrada que comitiva presidencial percorreu na sua deslocação para as comemorações do 10 de Junho, Cavaco Silva deparou-se com o simpático cartaz que podem ver em cima, dos irredutíveis apoiantes desse estratega que é José Sócrates, que conseguiu recusar a prisão domiciliária antes mesmo do juiz Carlos Alexandre recusar a sugestão do Ministério Público para a conceder. O ex-primeiro-ministro continua assim atrás das grades do Estabelecimento Prisional de Évora, sem que se conheça qualquer acusação, enquanto o homem do dinheiro se encontra no conforto do lar. Ainda não foi este ano que Sócrates deixou de ser o único primeiro-ministro a não receber qualquer condecoração no 10 de Junho.
Na sessão solene de boas vindas da passada Terça-feira na Câmara Municipal de Lamego, Cavaco Silva chamou a atenção dos portugueses para a necessidade de “erguer a cabeça e de seguir em frente”, arte que o presidente tão bem domina. Quando no final de 2008 o governo do agora recluso José Sócrates anunciou a nacionalização do banco da rapaziada amiga, Cavaco já lá estava, de cabeça erguida e a seguir em frente quando se viu associado a vendas de acções e permutas de moradias no mínimo suspeitas que mereciam investigação policial. Durante algum tempo até foi mantendo alguns destes amigalhaços debaixo da sua asa. Com os holofotes quase todos em Oliveira e Costa, o empreendedor do século segundo Pedro Passos Coelho ainda se passeava pelo Conselho de Estado e alguns ex-quadros de topo da maior fraude bancária da história de Portugal surgiam na Comissão de Honra da sua recandidatura em 2011. Cavaco seguia em frente de cabeça erguida.
A injustiça
Os últimos seis meses têm servido para toda a gente perceber que qualquer um de nós pode ir de cana, prá prisa, dormir ou ter pesadelos no xilindró, e não será em Évora mas numa penitenciária sobrelotada, apenas porque o ministério público está a investigar uma coisa, e estamos envolvidos nessa coisa. Ou não estamos, que para estarmos basta um grande azar, que no final se chama erro judiciário, e simplificando acontece cada vez que alguém é absolvido (não é bem assim, mas serve como metáfora).
Começou por me dar um imenso gozo ver um cidadão que por acaso teve seis anos para mudar isto a experimentar do que não o preocupou, porque só acontecia aos outros.
Mas o gozo foi esmorecendo. Sabemos de resto que o cidadão em causa, casmurro como é, seria capaz de repetir os mesmos seis anos sem mudar este drama: tal como se ganha o euromilhões podemos perder a liberdade. Tal como sabemos que a maior parte dos que passam assim um largo tempo detidos nem dinheiro para um advogado têm, e muitas vezes o estado apenas lhes arranja um papagaio que repete “Faça-se justiça”.
Como a lição de vida nem sequer cura uma megalomania napoleónica, já chega. Lamento, António Costa, mas acho que José Sócrates deve ser solto, e tem todo o direito a umas férias algarvias acompanhado pela família e amizade mais próxima, como fazia antes de chegar a ministro. Não, Passos Coelho, só num mito urbano mesmo assim ganhas as eleições.
Já tinha dito que não quero o PS com maioria absoluta, e confio no golpe de estado que Cavaco Silva prepara, não empossando um governo minoritário? Somos assim, nós os portugueses, só acordamos com uma estalada na cara. E bem precisamos para apanhar o comboio da Europa que é mesmo nossa.
Última hora
Segundo o Expresso, Sócrates “prefere ficar na prisão do que ir para casa de pulseira electrónica“. Electrónica? Efectivamente: electrónica.
José Sócrates regressa a casa
Todos sabíamos que era apenas uma questão de tempo. Hoje em domiciliária, amanhã no Palácio de Belém. Foi uma novela bonita, pena ter acabado tão rápido…
José Sócrates e a agenda do Observador
A orientação politico-ideológica do “jornal” Observador só será novidade para quem não sabe o que é o Observador. Com uma linha editorial claramente de direita, um painel repleto de colunistas de direita e extrema-direita – aguarda-se com expectativa a indignação de Rui Ramos contra mais este episódio de facciosismo só ao nível do lobby dos humoristas de esquerda – e uma estreia logo a mostrar ao que vinha, na qual recorrendo a meias verdades levou a cabo um exercício de beatificação do destacado criminoso neo-nazi Mário Machado, este órgão que congrega a fina flor dos neoliberais fanáticos pela submissão total do Estado ao sector privado e dos saudosistas do Estado Novo, entre outros, nunca tentou esconder ao que vinha. Nem precisa. Eles são o que escolhem ser.
A verdadeira construtora do regime socrático
chama-se Mota-Engil. Não haverá ali nada para investigar? Jorge Coelho até já foi visitar as instalações em Évora…
Danos reputacionais? E daí?
A Comissão Executiva (CE) do Grupo Lena disse ao Expresso que “os prejuízos em Portugal e no estrangeiro” que decorrem da detenção do vice-presidente Joaquim Barroca no âmbito da Operação Marquês são “de carácter reputacional”, acrescentando ainda que “Em 2014, tivemos os melhores resultados de sempre“. Sobre José Sócrates, esse grande amigo do Grupo Lena, o presidente da CE Joaquim Paulo Conceição (JPC) mostra-se convicto que o processo que colocou o ex-primeiro-ministro atrás das grades resulta de “um equívoco”, algo que “será demonstrada no sítio certo, em sede de Justiça“. É sempre reconfortante podermos contar com a vasta experiência de grandes empresários como este senhor para percebermos, antes da justiça se pronunciar, que tudo isto não passou de um embuste e que o 44 é afinal vítima de um equívoco. Um equívoco milionário mas ainda assim um equívoco.
O lúcido advogado do 44
Foto@TVI24
Reformado e sem muito que fazer, Mário Soares tem dedicado muito do seu tempo a fazer a defesa, em praça pública, de José Sócrates. É legítimo: os amigos são para as ocasiões. E convenhamos que muitos dos argumentos usados por esta figura da democracia até fazem sentido.
Ser amigo de Sócrates não é crime.
Afonso Camões, actual director do Jornal de Notícias ocupa hoje duas páginas do jornal a responder a uma notícia do Correio da Manhã. Ora vamos lá resumir a coisa a ver se percebi bem:
Solidariedade com o Estabelecimento Prisional de Évora
Sei que José Sócrates é culpado, mas o único castigo para a má governação consiste em não ser reeleito, à excepção do que tem acontecido com Alberto João Jardim. A má governação castiga, também, os governados, mas há quem o mereça, sobretudo se usar o voto da mesma maneira que usa o cachecol de um clube de futebol. Penso, a propósito, que faria sentido que o voto deixasse de ser secreto, para que os eleitores das maiorias pudessem ser os únicos a sofrer com as medidas tomadas pelos governos que elegeram, mesmo que indirectamente. [Read more…]
José Sócrates não devia ter sido o primeiro ex-primeiro-ministro a ser preso em Portugal
Diz Mário Soares, em mais uma intervenção em defesa de José Sócrates, que não existe Justiça em Portugal.
É espantoso que alguém que foi primeiro-ministro por 2 vezes e presidente da República durante 10 anos venha agora confessar que, enquanto governante, nada fez para que existisse Justiça em Portugal.
Mas Mário Soares sabe bem do que fala. E tem toda a razão. É que, se existisse Justiça, José Sócrates não teria sido o primeiro ex-primeiro-ministro a ser preso no nosso país.
O meu corrupto é melhor que o teu
O fervoroso adepto portista Carlos Abreu Amorim (CAA) sentiu-se derrotado pela segunda vez no espaço de dois dias. Depois do desaire no reduto do F.C.Porto frente ao adversário da segunda circular, CAA ficou novamente em choque após ter conhecimento da visita de Pinto da Costa ao recluso nº44 do estabelecimento prisional de Évora, um infame “magrebino” que, para tornar as coisas ainda mais graves, é uma velha glória do partido adversário.



























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