Requerimento para exame de segunda época

José Sócrates quer novo interrogatório com superjuiz

Reality Showcrates

Casa dos Sócrates

Bem-vindo à Casa dos Corruptos, o reality show onde o participante não sai da casa, entra. Nesta casa, a voz de comando é o juíz Carlos Alexandre e no lugar de Teresa Guilherme temos o CM e o Sol, que é mais ou menos a mesma coisa. Infelizmente não dá para votar nos corruptos que queremos ver lá dentro. Aqui o esquema consiste em, de vez em quando, apanhar um potencial concorrente que tenha dado mesmo muito nas vistas e metê-lo na casa para a malta se entreter em frente ao ecrã. Só que desta vez apanharam um participante de elevadíssimo potencial polémico e as audiências dispararam como nem a TV 7 Dias podia prever. Tudo pode acontecer, é o show da vida real!

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‘Bora pedir um habeas corpus?

Fogo, é só viúvas!

Não admira

Eles são taaaaaaaaaaaaaaaão parecidos.

Ninguém é perfeito, mas nem todos abusamos da imperfeição

cimpor 2001

Tirei esta fotografia em 2001, são os portões da Cimpor, em Souselas, tentávamos bloquear a entrada dos primeiros resíduos industrias tóxicos que ali iriam ser utilizados como combustível gratuito, num processo conhecido por co-incineração.

Foi uma luta inglória. Do outro lado estava um secretário de estado e depois ministro do Ambiente apostado em aplicar as técnicas neoliberais de combate político, à velha moda tatcheriana os cidadãos de Coimbra foram acusados de não passarem de uns nimbys (termo popularizado por Nicholas Ridley, secretário de estado de Margaret Thatcher), e a batalha quando perdida afirmou um político bem falante, firme, implacável, que escolhera a cidade onde estudara três anos (e que ficou a odiar profundamente por razões meramente passionais) como cobaia, José Sócrates de seu nome. O Zé.

Do lado da minha cidade a reacção foi conduzida de forma infeliz, num combate desigual, que esqueceu dois aspectos fundamentais: a localização da Cimpor já era em si um problema (como os ecologistas locais denunciaram ainda na década de 70) e mais do que uma questão ambiental era de um negócio que falávamos: a fábrica ia receber combustível gratuito e uma série de benfeitorias (que verdade se diga diminuíram mesmo a poluição que já levávamos).  Fomos muito poucos os que questionámos o óbvio interesse económico, e levantámos suspeitas sobre a eventual corrupção do político que assim aparecia aos olhos dos portugueses como uma estrela cadente. [Read more…]

A prisão preventiva de José Sócrates

Quem me lê há algum tempo sabe da forma como me atirei a José Sócrates durante o tempo em que foi primeiro-ministro. «Atirei-me» a José Sócrates é, aqui, um eufemismo, porque no auge do socratismo o antigo primeiro-ministro tornara-se o meu ódio de estimação. Por razões políticas mas também porque, do ponto de vista jurídico, tudo me parecia demasiado óbvio: projectos da Câmara da Guarda, Cova da Beira, Freeport, licenciatura, compra da PT, Face Oculta, etc.
Três anos depois, José Sócrates está preso preventivamente. E ao contrário do que eu próprio poderia supor, não estou nada feliz com o desfecho. Ver a queda de um homem como José Sócrates não é uma coisa bonita de se ver.
Será talvez o tempo de deixar a Justiça trabalhar e, a seu tempo, avaliar o trabalho feito. Com a esperança de que todo este caso não tenha qualquer influência no futuro político do país. Era o que faltava que os principais beneficiários da prisão de José Sócrates fossem precisamente Paulo Portas e Passos Coelho – e logo eles…

A “Justiça” ao serviço de quem?

jose-socratesCarlos de Sá

José Sócrates foi detido, já toda a gente sabe. O que muitos não saberão é que o Correio da Manhã TV estava no aeroporto à espera da detenção, e que o semanário SOL tem uma edição especial a sair amanhã (Domingo) “com tudo sobre o caso” – segundo o próprio jornal.

Quando a “Justiça” deixa “escapar” informações que permitem a uma TV estar lá no momento da detenção, e a um semanário ter em 24 horas pronta uma edição especial, isso quer dizer – tem querido dizer sempre –  que a PGR tem nada entre mãos.
Noto ainda a oportunidade da detenção: na véspera da eleição do secretário-geral do PS, quando as suspeitas de um outro caso já mordiam as canelas da ministra da Justiça, e quando o ministro do Ambiente disparava em todas as direcções para se livrar das culpas que carrega pela morte de 10 pessoas e o internamento de dezenas de outras.
Era bom que José Sócrates fosse detido pelas razões certas, não por mais um frete que a “Justiça” presta à Direita. Pode-se ter enterrado, de vez, esta “Justiça” em que já ninguém acredita: os apoiantes de Sócrates, e não só, clamam pela detenção de Paulo Portas, Durão Barroso, Passos Coelho e do próprio Cavaco Silva.
Oxalá esteja enganado, mas fortemente me parece que a montanha vai parir mais um ratinho – o suficiente para que a investigação de outros casos pare, e tudo dê em nada.

A prisão do incendiário

incendiario

Carlos Roque

Em relação às acusações por corrupção do Sócrates, palpita-me que muita gente, que se congratula pela sua detenção, se está rigorosamente nas tintas para cada uma delas.
Não é por isso.
Por ele estar preso, congratulam-se. Não pelo que o acusam, mas sim por o responsabilizarem por tudo o que de terrível aconteceu ao país… depois de ele abandonar o poder — o horror dos efeitos retroactivos da sua governação, que incendiou o país nos 4 anos a seguir — e por ele, o incendiário, ter tido o arrogante desplante de vir ainda criticar “a água a mais” destruidora dos bombeiros que andavam, mais ou menos desastrados, a apagar as chamas.
O Al Capone também não apodreceu na prisão por nenhum dos crimes que nos horrorizam — foi por outros que nada nos dizem.

José Sócrates não devia ter sido detido de noite

Clara Ferreira Alves está muito preocupada pelo facto de José Sócrates ter sido detido durante a noite quando chegava de Paris.
Não a preocupa o facto de José Sócrates andar a ser acusado de corrupção há 17 anos sem que tenha sido minimamente investigado em todo este período. Não a preocupa o facto de o Ministério Público ter travado em 2003 uma busca à sua residência que investigaria as ligações perigosas por causa do processo da Cova da Beira. Não a preocupa que os claros indícios de corrupção no caso Freeport tenham passado ao lado do Ministério Público. Não a preocupa que a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal de Justiça o tenham protegido descaradamente enquanto ele foi primeiro-ministro. Nada a preocupa, nem mesmo os evidentes sinais exteriores de riqueza que ele ostenta, tão suspeitos quão inexplicáveis.
Nem sequer se pergunta por que razão José Sócrates só foi detido depois de abandonar o poder. Porque isso não a preocupa. É um cidadão diferente dos outros, por isso, ao contrário dos outros, tinha o direito de estabelecer condições, como foi público, para as perguntas que o Tribunal lhe queria fazer.
O que a preocupa é que ele tenha sido detido durante a noite. Também acho. José Sócrates devia ter ido calmamente para casa, reunir-se com os principais implicados no caso, engendrar a estratégia de defesa, destruir as provas se ainda as houvesse e, aí sim, avisar as autoridades de que estava disponível para ser ouvido. Afinal, ele foi um primeiro-ministro, merece um tratamento especial.

Heil!

Celebra-se com champanhe no Campus da Justiça de Lisboa.

Sacrificou-se um tubarão. Para quando o resto do cardume?

Depois de Armando Vara e Maria de Lurdes Rodrigues, chegou a vez de Sócrates prestar contas à justiça portuguesa. É um dia feliz, é um dia histórico, mas é mais uma prova da treta que é a justiça portuguesa, como o Ricardo explicou de forma simples e objectiva: enquanto tens poder estás acima dela, quando deixas de o ter cais. E isto é um facto incontornável. A justiça portuguesa, no que toca aos verdadeiramente poderosos, temporariamente ou não, é fraca, anedótica e, salvo raras excepções, inútil.

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Senhor engenheiro

Percebeu agora a pergunta?

Foto do dia

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Encontrada no Facebook, autor desconhecido  A. Ferreira Borges.

Democracia doente

José Sócrates acaba de ser preso por suspeita de corrupção e crimes económicos. Não temos folga na austera, apagada e vil tristeza em que estamos mergulhados.

A casta revela-se em todo o seu impudico esplendor

Excepto por crime de sangue, em flagrante delito, não aceito a prisão (que “pudicamente” designam por detenção) de um ex-Primeiro Ministro como José Sócrates.

A frase é de João Soares, e é toda uma monarquia mental que vem à tona no neto de um republicano que nunca passou politicamente de um príncipe infante.

Somos todos iguais mas uns são mais iguais que os outros, também poderia ter dito, e aqui está toda a razão de uma casta, a sua lógica, o seu espírito solidário quando a começam a despir. Inimputáveis se julgam, condenados, mais que não seja pela história, um dia serão.joao soares

A detenção de José Sócrates é a vergonha da Justiça portuguesa

A detenção de José Sócrates é a vergonha da Justiça portuguesa. A vergonha de Pinto Monteiro, de Cândida Almeida e de todos os magistrados que dele se ocuparam enquanto ele era primeiro-ministro. É a vergonha de Noronha do Nascimento, que andou a cortar escutas com uma tesoura. Quando qualquer um, dentro ou fora da Justiça, percebia que estava ali a ponta de um novelo que, desenrolado, iria dar pano para mangas.
Não sei se Sócrates é culpado ou não, embora quem acompanha os meus escritos há algum tempo saiba que acho que sim. Que é culpado.
Mas há uma coisa que sei: que ele nunca teria sido detido se ainda continuasse a ser primeiro-ministro. Porque não estão em causa suspeitas de crimes cometidos nos últimos dois anos. Estão em causa suspeitas de crimes que já tinham sido cometidos enquanto estava no Governo.
E a verdade é que Sócrates passou sempre por entre os pingos da chuva. Ilibado constantemente, tendo a Procuradoria-Geral da República e o Supremo como escudos protectores. Como Vale e Azevedo enquanto foi presidente do Benfica. Como Ricardo Salgado enquanto foi presidente do BES. Como Passos Coelho enquanto for primeiro-ministro.
A Justiça, em Portugal, continua a funcionar apenas quando os poderosos deixam de ser tão poderosos. É essa a sua vergonha.

Mudança de cenário no programa “A Opinião de José Sócrates”

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Tráfico de computadores irá aumentar nas prisões

Foi detido o maior vendedor de Magalhães.

Palavras que Sócrates não dirá aos novos colegas

Manso é a tua tia, pá!

Sócrates pergunta ao Luís…

se as riscas lhe ficam bem.

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Municipalização da Educação: pagar às câmaras para despedir professores

Está em curso o processo de municipalização da Educação. De acordo com os agentes participantes, governo e  autarcas, o objectivo é melhorar a gestão das escolas graças à proximidade geográfica. Já se sabe que de boas intenções está o governo cheio.

É curioso notar que essa proximidade geográfica era uma realidade, antes de José Sócrates ter acelerado o processo de agrupamento de escolas, processo esse que Passos Coelho aprofundou. Até aí, as escolas eram dirigidas numa lógica de proximidade, já que as respectivas direcções eram escolhidas pelos profissionais que nelas trabalhavam: próximo mais próximo não havia.

O Paulo Guinote tem escrito sobre o tema, no blogue e não só. Em resumo, as câmaras que conseguirem empregar menos professores que os considerados necessários receberão metade daquilo que se considera ser o custo de um professor. Para confirmar, basta ler a já célebre cláusula 42ª do contrato que está a ser negociado com algumas câmaras prestimosas. [Read more…]

A problemática da condecoração socrática

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Alguns jornais portugueses, como o I ou o Diário de Notícias, dão hoje conta desse imperativo do campo da ética e da moral, de singular importância para o país e para os portugueses, que diz respeito às condecorações de antigos primeiros-ministros, neste caso Pedro Santana Lopes e José Sócrates.

Trata-se de uma questão que, a par do problema das contas públicas ou da situação do BES, constitui um motivo de especial preocupação para todos. Países civilizados não deixam primeiros-ministros por condecorar e é sabido que este tipo de condecorações tem impacto directo nos juros da dívida e nas notas atribuídas pelas santíssimas agências de notação financeira norte-americanas. Adiar um problema destes é adiar o futuro do país pelo que este é um debate urgente e central para Portugal.

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Seguro sai pela porta traseira…

…e cruza-se com Sócrates a entrar.

António Costa: um acto de coragem

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© Luís Barra (bit.ly/RTvDek)

Através do Expresso, ficámos a saber que José Sócrates considera um acto (exactamente: um acto) de coragem a disponibilidade manifestada por António Costa. Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990? Não, nem pensar. Há esperança? Claro que há. Enquanto houver acto, há esperança.

sem surpresas (mas com um certo ar de alarme)

pela primeira vez desde que tenho consciência cívica e política (desde os meus 11\12 anos) decidi não assistir a uma noite eleitoral. deixei o professor marcelo a pregar aos incautos, o dr. karamba marques mendes a adivinhar o número exacto dos próximos cortes orçamentais, a Judite de Sousa (sem ou com Montenegro; com ou sem equívoco na pessoa) num saco do Pingo Doce e a televisão desligada de forma a poupar energia e pagar menos à China Three Gorges. encontrei-me com a minha princesinha AMF e fomos ao cinema ver Grace of Monaco de Olivier Dahan. apesar da história ser batida, o filme de Dahan acaba por ser bastante interesse e, no plano técnico, é simplesmente fantástico. desde os planos à direcção das cenas, passando pelo límpido som de voz nos diálogos entre personagens.

a campanha foi degredante. do surfer rosa (bem que queria ir ver os pixies para a semana ao primavera sound mas mas todo o argent é escasso nos dias que correm) nos currículos escolares aos vírus despesistas. de reminiscências do holocausto que não foi vivido em verso à governação socratina. Até o filósofo (cientista política, teorético político) teve que se meter na querela e vir a público lavar roupa suja. Sócrates himself, teve ali uns 7 orgasmos seguidos durante os 3 episódios em que pode comentar a campanha. discutiu-se tudo excepto política europeia. discutiu-se tudo excepto os problemas que neste momento precisam de ser resolvidos na europa bem como os que estão a rebentar. como a deflação. o partido socialista ainda tentou lançar a discussão sobre a mutualização da dívida na fórmula desusada de eurobonds mas… com tamanha babugem estavam à espera que a malta andasse informada e estivesse minimamente ciente dos projectos europeus defendidos pelos candidatos?

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Projectos falhados de Josés Sócrates

Jose Socrates.

No comício de Sexta-feira em Aveiro, Nuno Melo atacou os socialistas pela chamada de José Sócrates para acções de campanha do partido do qual faz parte. Diz o homem cujo partido é liderado pelo “irrevogável” Portas dos submarinos. No mesmo comício, Paulo Rangel repete as críticas, esquecendo-se porventura que o governo que apoia é liderado pelo Passos da Tecnoforma que tinha como consultor o Dias Loureiro do BPN e como braço direito o Relvas das “turbolicenciaturas” e de mil outros esquemas corruptos e obscuros.

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Afinal, onde estava Sócrates a 23 de Julho de 1966?

Não sei, nem tenho nada a ver com isso. Aquilo que impressiona nesta notícia é a descontracção daqueles que grafam seleção em vez de selecção e Julho em vez de julho e, numa demonstração de segurança ortográfica à prova de bala, adoptam *contatando. Sim, *contatando, evidentemente — a variação sobre um tema conhecido continua e, aparentemente, veio para ficar. Claro, claro, o AO90 está a ser aplicado e, ainda por cima, “sem problemas de maior“. Sim, pois, claro.

sócrates

Food for thought

passos socrates

© Público/Pedro Cunha (http://bit.ly/1dgyuTw)

Matéria para todos reflectirmos: anteontem, José Sócrates criticou Pedro Passos Coelho por este, aparentemente (não vi esta entrevista) e num determinado contexto, ter adoptado o verbo ‘entregar’ como tradução portuguesa de ‘to deliver’.  Não sei porquê, mas a associação do conceito ‘língua portuguesa’ aos nomes ‘José Sócrates’ e ‘Pedro Passos Coelho’ fez com que imediatamente me lembrasse da RCM n.º 8/2011 (promovida e criada pelo primeiro; herdada, não rejeitada e executada pelo segundo) e das consequências (aqui ali). Esperemos que esta incursão pelo maravilhoso mundo da língua portuguesa (embora em registo prescritivo e moralista) seja uma indicação de que os políticos irão, por fim, começar a dedicar-se à leitura dos pareceres que solicitam e a seguir a direcção por estes apontada.

Um outro ponto interessante da entrevista do senhor primeiro-ministro foi quando ele falou — e mais uma vez utilizando também uma linguagem que se inspira nos anglicismos que ele adora… Diz ele que o Governo ‘entrega’ resultados. Quer dizer, em português, diz-se: “o Governo ‘apresenta’ resultados”. Mas, enfim, o verbo ‘deliver’ inglês é muito inspirador para o primeiro-ministro: ele acha que o Governo entrega resultados.

— José Sócrates, RTP, 15 de Dezembro de 2013

Post scriptum: As aspas [Read more…]

À Beira do Abismo

Quando um egolátrico teve quase TUDO no bolso, menos os portugueses.

Cambalhotas, Conspurcações, Branqueamentos

Portugal volta a estar em perigo por causa da reincidência interventiva de Sócrates na vida pública, tal como a usurpa Soares, outro perturbador pedante, outro arrogante inveterado. O Nojo, afinal, não suportou o período de nojo natural que lhe incumbiria enquanto ex-Primeiro-Ministro. Não nos deu tempo, afinal, para nos livrarmos da pátina de toxicidade petulante da sua desgovernação, dos efeitos de uma gestão com os pés da Coisa e Endividamento Públicos 2005-2011.

Temos, pois, que o que há de mais odioso em Sócrates reincide. Sou dos que escrevem e insistem no perigo que a sua majestática deriva narcísica coloca ao País, desde sempre. Se antes foi pela retórica obscena, hostilizadora, pela acção ou inacção dolosas e manhosas, hoje é basicamente pela palavra-atrito com que alveja a um tempo o rival que o apeou do Partido, Seguro, e o rival que o apeou do Governo e que o sucedeu no País, Passos Coelho. Mas também todos os inimigos que fez zelosamente. O odioso em Sócrates não pode ser ignorado, embora nem ele nem o seu entorno imaginem o cansaço, o esgotamento da paciência de milhões de portugueses só com a contemplação fortuita da sua fronha ou a audição casual da sua voz.

Muito me surpreende que alguns venham lançar um borrifo de água benta sobre tal reformado da vida pública e pouco mais falte para santificar, sacralizar e inocentar esse narrador e a sua narrativa de saltimbaco político. «A coisa» não deixou de ser a coisa: o vazio ideológico e programático continuam lá disfarçados de abrangência naquela volatilidade à espreita de antena no oportunismo injusto de envenenar e perseguir, segundo o mesmo espírito oco e baixo com que se atafulha de testosterona e ambição mediática uma Casa dos Segredos. O odioso em Sócrates fez-se do cabotinismo ideológico no poder e da desideologização ainda mais perfeita lá. Se hoje se comporta com extremo indecoro e procura armadilhar e perturbar Passos Coelho, um Primeiro-Ministro em exercício, isso compagina-se com a velha malícia, velho estupor e degenerescência dos filhos espirituais e netos de Soares, a quem tudo se tolera e nada, nenhuma intervenção gagá, lhe é negado. Pelo que se vê, se há quem patrocine o regresso de Sócrates à retórica abrasiva e à mentira compulsiva na vida pública é Soares, o que, enquanto alto patrocínio, lhe deve sair caro. [Read more…]