A minha vida sexual com José Hermano Saraiva (com vídeo)

Na primeira vez que fui aos Dias Medievais de Castro MarimJosé Hermano Saraiva constava do programa. Ainda lhe escutei parte de uma oração na capelinha do castelo, irritei-me e saí. Como qualquer ex-aluno da FLUC, com formação em História ou Literatura, via pela primeira vez ao vivo aquela fantástica capacidade de transmitir, e aquela total ignorância no saber.

Ignorância que hoje se designa revisionismo histórico, coisa que ingenuamente e ignorando a existência de um tal Rui Ramos me parecia na altura definitivamente arrumada a um canto.

Ora na manhã seguinte, descíamos a encosta para a manhã no século presente, com chuveiro, pequeno-almoço e tudo, ia respondendo a alguém que não considerava um jurista de seu nome José Hermano Saraiva com habilitações para historiador, quando choco com o destinatário a meio metro (quem conhece o cotovelo que defende o castelo percebe). Acontece. Olhámos um para o outro, e cada um seguiu o seu caminho, tendo ficado claro que o convidado a orador não estava habituado a ouvir de voz viva uma evidência repetida em qualquer corredor de universidade a sério. O problema da historiografia portuguesa é esse. [Read more…]

A UNESCO e o Tua

José Manuel Pavão,
Mirandela, 17-7-2012


Bem pode o laureado Souto Moura, arquitecto muito apreciado e distinguido nos Foruns internacionais, puxar pela cabeça, esmerar-se e caprichar no seu projecto de tentar ocultar a gigantesca parede de betão que a poderosa EDP, contra ventos e marés sob os protestos de esclarecidos resistentes dos Movimentos Cívicos e insuspeitos órgãos de informação (…), decidiu construir na foz do rio Tua em arriscada e porventura negligente colisão com o estatuto do Douro Património Mundial.
Ainda que a sua obra possa ser aplaudida, cujo preço os portugueses por enquanto desconhecem mas que por certo não contemplará nenhum desconto ao dono da encomenda, ela será sempre um bonito penso de proteção em cima duma cicatriz testemunha de má e insensata intervenção do seu executor!
Chegados ao epílogo deste tempestuoso romance configurado na construção apressada duma barragem hidro-eléctrica no ponto onde o sofrido rio Tua se entrega extenuado no portentoso Douro, já não vale a pena argumentar com a destruição dum vale único pela sua singular beleza, nem da sua linha ferroviária orgulho da Engenharia portuguesa e que com alguma imaginação poderia ser a alavanca para o tão necessário quanto vital desenvolvimento sustentado da região empobrecida que parece não causar preocupação aos sucessivos governos da República. Como também não vale a pena trazer de novo à baila os poderosos argumentos fruto de cuidados estudos universitários que demonstram ser dispensável a intervenção no rio Tua como fonte de aumento de produção energética. [Read more…]

O Umbigo

O umbigo é a mais bela e simbólica cicatriz corporal. (Uma ideia tonta que me assaltou). Essa depressão na pele que nos marca a todos por igual. Iguais desde o nascimento à morte.

Damos-lhe pouco importância.

Não o cientista  Georg Steinhauser, que estudou a sujeira que se acumula no umbigo. Descobriu coisas engraçadas: os fiapos do umbigo não são apenas feitos de tecido. Na sua composição encontram-se fragmentos de pele morta, gordura, suor e poeira.

E depois há as expressões tão curiosas à volta dele:

1. Devemos cortá-lo definitivamente (cordão umbilical)

2. Não devemos centrar-nos no nosso próprio umbigo

3. Não somos o umbigo do mundo

4. Umbigo do sonho (expressão criada por Sigmund Freud: “… existe pelo menos um ponto em todo o sonho no qual ele é insondável – um umbigo, por assim dizer, que é o seu ponto de contacto com o desconhecido”)

Você deve conhecer mais!

Higgs: “O inventor de Deus”

Esta partícula tem dado «pano para mangas».

Tem muitos nomes: bosão de Higgs, “partícula de Deus”, divina partícula (como lhe chamou o provedor do leitor do Público, José Queirós) ou, ainda, “a maldita partícula” («the goddamn particle», na acepção do físico Leon Ledermann). A que eu gosto mais é mesmo de “partícula de Deus”! Muito mais poético!

Mas vamos onde eu quero chegar: ao homem que, em 1964, com apenas 34 anos, ” imaginou pela primeira vez a existência de uma partícula, a que hoje chamamos o bosão de Higgs ou a “partícula de Deus”, escreveu o jornalista Miguel Gaspar na Pública de ontem. Intitulou a sua crónica de «Peter Higgs O Inventor de Deus». E começou-a desta forma: “Todos os grandes passos foram um dia passos pequenos“. É que Higgs teve aquela genial ideia durante um passeio a pé no parque natural de Cairngorms, na Escócia.

Passaram-se 48 anos.

Higgs esperou quase meio século para ver a sua inspiração comprovada.

Uau! Esperar tantos anos. É admirável ter esta paciência e esta fé em si mesmo. Só por isto merecia o Nobel da Física!

Miguel Gaspar termina assim o seu texto também de elogiar: “O que seria de Deus (e do universo) sem os sonhos dos homens?”

Em tempo de férias, que tal um passeio a pé (ou vários)? Sabe-se lá se nos surge uma ideia brilhante, não digo para o conhecimento do Universo, claro, mas para as nossas vidas! Estamos a precisar!

Almançor

Mesquita de Cordoba 13

Interior da Grande Mesquita de Córdoba

No apogeu do Califado Omíada de Córdoba e extensão máxima do território muçulmano na Península Ibérica, governou o Al-Andalus o hajibe Abu Amir Muhammad Ibn Abdullah Ibn Abi Amir, de cognome Al-Mansur, “o vitorioso”, conhecido pelos cristãos pelo nome de Almançor.

Homem extremamente ambicioso, determinado e implacável, político hábil e grande estratega militar, foi senhor absoluto da corte de Córdoba, remetendo o Califa em exercício para um papel de mera figura decorativa. Levou a cabo 57 campanhas militares contra os reinos cristãos do Norte, durante as quais nunca conheceu a derrota, fixando a fronteira ao longo do vale do Douro. Dos seus feitos contam-se os ataques a Barcelona, Santiago de Compostela, León e Pamplona.

A audácia e coragem de Almançor granjearam-lhe um enorme prestígio entre os muçulmanos da sua época e um correspondente temor e ódio por parte dos cristãos, como ilustra uma passagem da Crónica Silense sobre a sua morte:

“Mas, no final, a divina Piedade se compadeceu de tanta ruína e permitiu erguer a cabeça dos cristãos, pois passados doze anos foi morto Almançor na grande cidade de Medinaceli, e o demónio que havia habitado em si foi para os infernos.” (Cronica Silense, in WIKIPEDIA, página electrónica citada) [Read more…]

Não há uma partícula de Deus

Não é para chatear que escrevo este post!

Mas esta expressão, ‘partícula de Deus’, atrai-me desde que ouvi falar nela há cerca de um ano.

Hoje, é capa dos jornais. O JN escreve: “Estamos mais perto de conhecer a origem do Universo”.

É que, afinal, essa partícula dita de Deus, existe.

A “partícula de Deus” tem ainda outro nome: «o bosão de Higgs», ou seja, a partícula das partículas, que dá massa às outras partículas. “O bosão de Higgs foi teorizado para explicar por que é que a matéria existe. Acontece que o chamado Modelo-Padrão, actualmente a melhor descrição das partículas subatómicas e das forças que as unem, exige que uma partícula confira massa às outras. Sem ela, o universo que hoje observamos, com as suas galáxias, planetas — e nós —, nunca teria surgido.”

Tolentino de Mendonça, padre e teólogo, comenta sobre o assunto do seguinte modo: “A Teologia explica o porquê da criação, a Ciência o como. O «como» é do domínio da Ciência. Não há uma partícula de Deus. Não há um segredo de Deus na Física. O segredo e a partícula de Deus são mais do domínio espiritual, do sentido da vida e da finalidade da criação do que a causa física do Universo”.

É interessante a ideia de que existe uma partícula que confere massa às outras!

E que, sem ela, nós não teríamos surgido!

E, mais curioso ainda, que essa “partícula” seja, justamente, atribuída ou designada como «de Deus»!!

E, finalmente, ocorre-me ver-nos como partículas, «coisas» minúsculas, pequeninas, grãos de areia fazendo parte de um Universo infinito (ou finito), imenso. E, no entanto, somos tão importantes!

Uma partícula subatómica a fazer falta, faz uma diferença do «caraças»!! Pode um puzzle estar completo sem uma peça? Até irrita, incomoda, quando nos falta logo uma e apenas uma peça e não há meio de saber onde está… o puzzle deixa de fazer sentido. Não está terminado…

P.S.- Por outro lado (e isto só para quem acredita), não seremos partículas de Deus? Ups…

A Nossa História em Dois Minutos

É um vídeo que acabei de receber, enviado por uma amiga. Chama-se A Nossa História em Dois Minutos e é uma compilação de imagens muito rápidas. Necessariamente incompleto e com critérios de edição questionáveis (como não poderia deixar de ser) é um exercício curioso que (re)lembra alguns momentos marcantes, esquecendo outros. Mas, em dois minutos, não se pode pedir muito melhor.

 

Um minuto com 61 segundos

Quantos segundos tem um minuto? A resposta é sabida: 60 segundos. Até uma criança sabe isso!

Mas hoje, esta noite, apenas esta noite, desde 2008 e pela 25ª vez desde 1972, haverá um minuto que terá 61 segundos.

Há que aproveitá-lo!! (O que se faz num segundo???LOL!)

Li no Público de hoje que esta noite será o momento de atrasar um segundo nos 200 relógios atómicos de todo o mundo, que precisam de ser acertados periodicamente.

Vamos poder dormir mais um segundo! E eu que ando tão cansada, vai dar um jeitaço dormir mais um segundinho.

Serão os açorianos os primeiros a viver esse desajeitado minuto com um segundo a mais que a natureza nos está a dar! Depois, será no Continente e na Madeira: acontecerá entre as 00h59m59s e as 01h00m00s.

Não sei se vou dormir ou ficar acordada para ver esse segundo passar?!

Afinal é um minuto defeituoso de uma hora defeituosa deste admirável mundo nosso!

Tutu: o cuidado pelo outro

O Nobel da Paz 1984, Desmond Tutu, esteve em Portugal para uma conferência na Gulbenkian. Disse, entre outras coisas:

«Os seres humanos só têm uma casa, que estão a destruir, e ainda não perceberam que são ‘da mesma família’» ; realçou que uma das «lições de deus» é a de que «não podemos ser humanos em isolamento, precisamos dos outros para nos complementar». Acredita que os seres humanos são originalmente bons e que é «um incrível privilégio fazer deste o nosso mundo»; Desmond Tutu falou do «cuidado pelo outro», que «é da mesma família».

Comparou os «escandalosos orçamentos» gastos em defesa e armamento à pequena parte canalizada para «dar água limpa e comida suficiente às crianças do mundo».

Acredita que é possível ter um mundo diferente.

 

 

João Pereira Coutinho, o idiota útil

João Pereira Coutinho quando pretende ser idiota não precisa de se esforçar muito, a coisa flui-lhe naturalmente. Outras vezes é propositadamente idiota com intenção utilitária, de tipo tarefeiro ideológico. É o caso desta crónica que publicou no Correio da Manhã, com o título muito apropriado de “Delírios”.

E porque é que o delirante João Pereira Coutinho é um idiota útil? Porque – ainda que faça uma pergunta pertinente (ou precisamente por causa disso) cuja resposta servirá sempre para levantar dúvidas e não chegar a conclusão alguma – a utiliza para esconder o fulcro das questões e evitar, desse modo, abordá-las.

Ao pretender reduzir a discussão da cimeira Rio + 20 ao aquecimento global antropogénico, João Pereira Coutinho lança uma cortina de fumo sobre aquilo que este tipo de cimeiras deve e deveria realmente debater: a sustentabilidade dos recursos, o aumento populacional, a democratização do consumo à escala global, a redistribuição, a equação energética, a plausibilidade da manutenção de modelos desenvolvimentistas baseados no crescimento constante pelas vias da produção e do consumo, as políticas de cariz ecológico e ambiental (não é por algumas expressões estarem desgastadas  e vilipendiadas que deixaram de significar precisamente o que significam) que o futuro exigirá para que a viabilidade da vida humana no planeta se mantenha em termos conjunturalmente equilibrados.

João Pereira Coutinho faz-me lembrar as igualmente delirantes autoridades da Carolina do Norte, também elas estúpidas, idiotas e com uma perspectiva “utilitária” da sua própria estupidez. [Read more…]

Um novo blogometro

Na net nada se perde, tudo se pode recriar e algo se transforma. O velho Blogometro morreu (reencaminha agora para o portal AEIOU, o que não deixa de manifestar alguma lata), há um novo Blogometro em versão ainda muito beta, mas já operacional.

Desde já alguns avisos:

– Nesta fase de desenvolvimento utilizou-se a listagem do blogometro defunto, expurgada de alguns não-blogues portugueses que por ali andavam.  Não aparecem os resultados dos blogues que têm o sitemeter oculto (não conseguimos ter acesso a esses dados; aceitamos dicas sobre como o fazer).

– Quem quiser retirar da listagem o seu blogue pode solicitá-lo para já através do nosso formulário de contacto, colocando um email válido.

– Em breve anunciaremos uma forma de adicionar o seu blog.

– Apenas está a funcionar neste momento a estatística da média de visitas.

– A apresentação e as funcionalidades vão evoluir,  neste momento testamos o código propriamente dito.

Sugestões são bem vindas nesta caixa de comentários, a divulgação deste novo Blogometro dos blogues portugueses também.


Actualização 26/06/2012: acrescentada uma página Acerca, cujo conteúdo aqui fica:

Este site está ainda em fase alfa, na realidade foi iniciado, de raiz, no dia 22 de Junho passado. Assim podemos com alguma segurança antecipar a existência de problemas que tentaremos resolver à medida das nossas possibilidades de tempo.

Desde já temos em mente desenvolver algumas características que, na nossa opinião, estavam a faltar no Blogómetro antigo:

  • Categorias de blogs. Com estas poderemos comparar as performances dos vários blogs com os seus pares mais directos. Além disto, para áreas mais específicas daremos destaque a blogs que de outra forma ficariam escondidos;
  • Vai ser possível consultar a classificação dos blogs em dias passados; FEITO
  • Vai ser possível obtermos médias por mês, ano ou no período que quisermos;
  • O proprietário de cada blog terá acesso a uma área privada onde poderá configurar as suas opções;

Em termos práticos, se olharmos para além da discreta elegância da interface actual (isto é sarcasmo, para os distraídos), já podemos encontrar muitas coisas diferentes quando comparadas com o Blogómetro antigo:

  • A nossa plataforma é aberta. Pode consultar o código e participar no processo de desenvolvimento no projecto que criámos no Google Code;
  • Se encontrar bugs no sistema ou se quiser propor melhorias ou novas funcionalidades, agradecemos que utilize este formulário;

Como este é um projecto do Aventar, as últimas notícias sobre o Blogómetro podem, sempre, ser encontradas na tag Blogómetro do Aventar.

Esperem mudanças nas próximas semanas!

Chegou o Verão ao Minho

Chuva, frio e a Linha do Comboio.

“Tenho Uma Lágrima no Canto do Olho”

Sensibilizam-me, emocionam-me as palavras de Assunção Cristas, ministra do Ambiente.
A sério.

Blogometro, adeus dia 22?

Pela indicação que tenho de quem hoje é AEIOU, o Blogometro encerra com tudo o que era weblog.com.pt (por falar outra vez nisso, perdi o raio de uma password ligada a um mail por sua vez perdido, e não, não vou reclamar com o criador que não tarda tem a Deco à perna).

É aborrecido. Por um lado dá um jeitão como única listagem razoável de blogues portugueses, por outro o povo gosta de comparar documentos (esta casa até fica bem na fotografia final, podendo parafrasear Groucho Marx: degrau a degrau subimos a escadaria até alcançar a miséria).

Isto, é claro, não nascendo entretanto um Blogometro II, por exemplo limpo de muita tralha que por vezes ali anda e que de blogue não tem nada. Precisamente um assunto a pensar e meditar.

Microsoft Surface

A Microsoft decidiu expandir a sua produção de hardware, comercializando agora, a par com o seu Windows, na versão 8, um tablet chamado Microsoft Surface. É o primeiro computador directamente desenhado  (hardware + software) e vendido pela Microsoft.

Principais características:

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A Curiosity está quase a chegar

O rover Curiosity está perto de terminar a primeira parte da sua odisseia, está quase a chegar a Marte. Este prodígio está neste momento na seguinte posição:


1   Posição actual da nave espacial

 
Uma selecção de fotos da missão, depois do corte.

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O fim anunciado de muitos blogues

O serviço weblog.com.pt vai fechar no dia 22. É mau. Mesmo com a possibilidade de se exportar para outra plataforma perdem-se muitos conteúdos e todas as ligações, vulgo links.

No meu caso a perda será neste caso mínima, mas anda por ali muito conteúdo que nos fará falta a todos. Como sucedeu com o encerramento do Terràvista (que tinha só a esmagadora maioria dos conteúdos portugueses do século passado) escolher uma plataforma de publicação tem que ser bem pensado, sempre garantindo a possibilidade de exportação fácil, e confiando pouco em plataformas nacionais.

Piratas Majus

drakar

Um Drakkar Viking no Viking Ship Museum de Oslo

Durante os séculos IX e X o Al-Andalus foi assolado pelos ataques dos piratas Majus, normalmente conhecidos por Vikings, que lançaram o terror nas regiões costeiras. Os seus raids, de curta duração, durante os quais pilhavam, saqueavam e faziam prisioneiros que vendiam posteriormente como escravos, iniciavam-se com o aparecimento dos célebres navios com cabeça de dragão, os drakkars, extremamente manobráveis, com os quais subiam os rios para atacar as cidades situadas nas suas margens.

A grande estatura dos guerreiros Vikings, as armas temíveis com que se muniam e os enormes cães que corriam na vanguarda dos seus exércitos, incutiam o pânico nas populações, e granjearam-lhes a fama de sanguinários que perdura até aos nossos dias.

Apesar de terem colonizado áreas consideráveis no Norte da Europa e aí se terem dedicado a um comércio intenso com a Escandinávia, as suas acções no Al-Andalus foram actos de pura pirataria, já que não tinham como perspectiva nem a colonização, nem tão pouco o estabelecimento de entrepostos comerciais, dada a falta de meios para manter sob o seu controlo territórios tão distantes. [Read more…]

O “Porto Menu”, o Adobe Illustrator e as Camadas…

Ah, afinal parece que a camada com texto “Rio ÉS UM FDP” foi colada no Adobe Illustrator…
Chama-se a isto …?

O asteróide Portugal

Morreu, ao início desta semana, o autor de Fahrenheit 451, Ray Bradbury.

O número 451 é a temperatura a que o papel arde (em graus Fahrenheit). Interessante. O que a gente aprende.

Bradbury declarou que Fahrenheit 451 não trata de censura, mas de como a televisão destrói o interesse pela leitura. Sendo uma obra de ficção científica, apresenta um mundo onde os livros são banidos.  

Mas, no nosso mundo, no Irão, Garcia Marquez ou Platão são livros censurados – isto não é ficção científica. As autoridades iranianas consideram-nos como drogas.  

Bradbury conta que “todo o romance foi escrito nos porões da biblioteca Powell, na Universidade da Califórnia, numa máquina de escrever alugada”. B. quis, com este romance, mostrar o seu grande amor pelos livros e bibliotecas.

Há 20 anos, a comunidade científica prestou uma homenagem ao escritor,  “baptizando um asteróide com o nome 9766 Bradbury“, algo que o sensibilizou ainda mais que todos os prémios literários recebidos ao longo da sua vida.

Parece que já foram catalogados mais de 500 mil asteróides, mas existem ainda milhares deles por descobrir… Quem sabe um deles terá um nome português. Ou será que já existe??

Vou ver: Eureka! Existe  o asteróide 3933 Portugal!

P.s: inicialmente batizei este post como «o asteróide Bradbury» mas, depois desta descoberta, não resisti a chamar-lhe «o asteróide Portugal». Há muito que anseio que Portugal seja comparado a uma estrela… E não digo mais nada.

Bom ambiente

No Dia Mundial do Ambiente, só me ocorre dizer da importância de procurar criar “bom ambiente” nos lugares que são as nossas «casas», quer sejam elas permanentes ou temporárias, físicas ou virtuais!!

Penso, sobretudo, no local de trabalho. Que ele seja, com o nosso pequenino contributo, um espaço onde a convivência com os outros é agradável, saudável, «respirável», positiva, acolhedora. E isto só é possível se houver humildade, se se souber pedir desculpa, elogiar, agradecer e conviver.

a terra para quem gosta dela

Entendo que a virtualidade canse, e que vos dê gosto meter as mãos na terra, e rebolar nus por uma ladeira, cada um expressa a sua vitalidade como entende, mas comigo é que não vale a pena contar. Lamento muito, eu também tentei, mas não lhe vejo a graça. Depois de uma tarde de enxada, formigas, minhocas, sol impiedoso e dores nas costas cheguei à conclusão de que a agricultura não é para mim.

Se estamos a falar daquela versão benigna, que é o vaso na varanda, controladinho, metido no seu sítio, ali à espera do regador, sem bichos maiores que formigas, sem enxadas nem ancinhos, lá nos vamos entendendo. Também tenho as minhas beringelas, também tenho o meu alecrim, e umas flores muito bonitas que só floriram no segundo ano e por essa altura já eu me tinha esquecido do que lá tinha plantado, de maneira que não sei como se chamam nem falta faz. Tenho e rego, às vezes esqueço-me mas depois compenso, e salvo algumas espécies que não vingaram a coisa até nem tem corrido mal. [Read more…]

“Rio ÉS UM FDP”

Eis a higiénica capa do # 9 da revista Porto Menu.
Reparem ali nos dois caixotes no lixo.

Quem é ZON está onde?

O Expresso conta hoje mais um episódio da saga Ongoing/espionagem privada. Uma irmã de Nuno Vasconcellos terá visto devassada a sua conta bancária. Pode acontecer a qualquer um de nós, participa-se à Judiciária. Mas neste caso faz-se queixa ao irmão, que chama um empregado que descobre o IP suspeito de tal ataque e move as suas influências para obter junto da ZON a sua identificação, aparentemente através de um “espião” do SIED.

Isto é de uma enorme gravidade: chama-se fazer justiça com as próprias patas, é completamente ilegal e uma porta aberta para qualquer um destes crápulas devassar a vida online de qualquer cliente da ZON (onde me incluo) ou provavelmente de qualquer outra empresa do ramo.

O Ministério Público lavou as mãos do caso (só merece vir um destes dias a descobrir que está a sofrer a mesma devassa).

Estamos a viver no faroeste, e não nos tinham dito nada.

A suplementação alimentar que a União Europeia e as multinacionais vos querem proibir, na prática

Ao abrigo do Tratado de Lisboa, o cidadão europeu tem uma ferramenta para obrigar a Comissão Europeia a rever uma determinada matéria, esse meio é uma petição de 1 milhão de europeus. O lobby da grande indústria farmacêutica precisa de ser parado em nome dos melhores interesses da saúde colectiva.

Veja  a “Pétition 1924/2006/CE

Assine  a petição europeia e recomende-a:

A partir de Setembro prepara-se mais uma purga no mercado europeu de suplementos alimentares, seguindo a aplicação do Codex Alimentarius na Europa.

Outras informações úteis:
Saúde em perigo (Santé en danger).

Alimentos não são medicamentos.

Chatice Tuga

Decisões Nucleares

Um acontecimento quase histórico que ocorreu nos últimos dias e que passou um pouco despercebido foi o fecho da ultima central nuclear que continuava a produzir energia elétrica no japão.

Isto quer dizer que pela primeira vez nos últimos 40 anos o japão não usa o nuclear no seu mix energético. Este é um resultado direto do evento improvável mas real do terramoto seguido de maremoto que ocorreu o ano passado.

Mas o que eu acho verdadeiramente interessante é perceber que foi possivel substituir em pouco mais de um ano cerca de 20% da produção total de energia para outras formas de produção. Não consegui encontrar indicadores sobre como foi feita essa substituição ou sequer se tiveram que repor toda essa capacidade ou se conseguiram reduzir o consumo mas que esta é uma oportunidade para que outras formas de produção elétrica sejam exploradas lá isso é.

Alguns factoides só como curiosidade:
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Hoje dá na net: Stephen Hawking – Uma Breve História do Tempo (1991)

Adaptação de Uma breve História do Tempo, com argumento do próprio Stephen Hawking, de quem no fundo é uma biografia.

Legendado (clique em CC para activar). Ficha IMDB.

Roda Livre – Estafetas em Bicicleta no Porto

“A Roda Livre no trânsito em horas de ponta consegue vencer os outros veículos com uma “roda às costas”. Para nós, ruas de sentido único não são obstáculo, o estacionamento não é preocupação e passamos em todo lado. Não querendo mudar o mundo, é uma forma de incentivar as pessoas a andar de bicicleta pelo Porto, incluindo mesmo aqueles que dizem ser impossível!.” (via BiciCultura).

Crioestaminal: como não comunicar em saúde

A Crioestaminal foi a empresa pioneira em Portugal no processamento e criopreservação de células estaminais. Quando a minha mulher engravidou, mesmo com enormes dúvidas sobre o real benefício futuro, decidimos optar pelo serviço. Foi mais por descargo de consciência, confesso.

 

Quando penso na Crioestaminal recordo alguns seguros que faço: servem de alívio e sempre na esperança de nunca os ter de usar. Ao longo destes anos fui espectador atento da evolução da criopreservação de células estaminais do sangue e tecido do cordão umbilical e reconheço a importância da investigação e todo o potencial no combate futuro a determinadas doenças. Entretanto, o núcleo fundador da Crioestaminal decidiu vender a empresa a investidores espanhóis. Quando soube, fiquei duplamente satisfeito: os empreendedores nacionais que arriscaram neste negócio foram vencedores e a internacionalização da empresa portuguesa era, pensava eu, um bom sinal para o futuro da mesma.

 

Porém, hoje fui abordado por um amigo da comunicação social sobre a campanha publicitária da Crioestaminal. Confessei a minha ignorância sobre a mesma e fui ver de que falava ele.

 

“O futuro guarda muitos milagres”, uma campanha, segundo a Meios e Publicidade, criada pela 2034 e que teve João Wengorovius e Pedro Bidarra como consultores.

 

A reacção nas redes sociais foi e está a ser implacável. Muitos clientes e outros tantos não clientes criticam fortemente a mesma. As justificações da empresa e dos “criadores” da campanha demonstram algo estranho: não perceberam.

 

Não perceberam que comunicar em “Saúde” não é o mesmo que comunicar (ou criar um campanha de) uma qualquer cervejeira e a selecção nacional de futebol. Não perceberam que a Crioestaminal não vende, pelo menos com os antigos proprietários não vendia, detergentes ou automóveis. A actual Crioestaminal e os seus responsáveis de comunicação e marketing ainda não perceberam que cometeram um erro de palmatória e como errar é humano, a lógica seria retirar as devidas ilações e seguir caminho. Acontece.

 

Contudo, para meu espanto, a Crioestaminal e os seus responsáveis, preferem teimar no equívoco e, de forma absolutamente estranha – no facebook, face aos inúmeros comentários críticos, entre os raros comentários favoráveis surgem personagens de duvidosa existência real, que coisinha amadora, senhores – respondem com a continuidade da campanha. Realmente não perceberam.

 

O que a Crioestaminal e os seus responsáveis de comunicação não perceberam é que não podem vender o seu produto, sobretudo em algo tão sensível como a saúde, atirando à cara de quem o não adquiriu um falso labéu moralista.

 

 

Reparem no texto publicitário reduzido:

 

Há uma hipótese em 200 de um dia ser diagnosticado ao seu filho uma doença cujo tratamento pode encontrar-se nas suas células estaminais (…) uma doença como a Leucemia (…), nesse dia está preparado para responder a esta pergunta: Mãe, Pai, guardaram as minhas células? Crioestaminal, o futuro guarda muitos milagres”.

 

Realmente, o futuro guarda muitos milagres e um deles é a forma como, através desta campanha, todos os agentes privados na área da saúde podem aprender a como não fazer uma campanha publicitária e terem bom exemplo prático de uma péssima estratégia de comunicação.

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O projecto de Parecer da UNESCO sobre a Barragem do Tua – Tradução para Português

Nota: A TRADUÇÃO PORTUGUESA do projecto de parecer da UNESCO esteve a cargo de Ricardo Santos Pinto e de João José Cardoso. É um trabalho totalmente amador e feito num curtíssimo espaço de tempo. Está a ser actualizado a cada momento e, para isso, o Aventar conta com a contribuição dos seus leitores (erros, gralhas, etc). Cada um dos autores da tradução decidiu, neste espaço de liberdade que é o Aventar, se devia ou não adoptar o novo Acordo Orotgráfico.

81. Região do Alto Douro Vinhateiro (Portugal)

Problemas de conservação actuais

Em 8 de Fevereiro de 2012, o Estado apresentou um relatório sobre o estado de conservação do Douro Património da Humanidade que atendesse às recomendações da missão consultiva do ICOMOS, convidada pelo Estado para estudar o impacto do projeto de Barragem Hidrelétrica de Foz Tua.
Esta missão foi realizada de 4 a 6 Abril de 2011. Nessa data, o projecto da Barragem de Foz Tua já estava concluído e os primeiros trabalhos de construção já tinham começado.
Estado de conservação dos bens inscritos na WHC-12/36.COM/7B, p. 152. Lista de Património Mundial

a) Barragem Hidroelétrica em Foz Tua
O projecto da Barragem faz parte de um Plano Nacional de Alto Potencial Hidroelétrico lançado pelo Governo Português em 2007.
A Barragem será construída a 1 km da confluência do rio Douro com o rio Tua. É composta por uma represa e um reservatório na zona-tampão do bem classificado como Património da Humanidade e uma central hidroelétrica a 400 metros abaixo da barragem e no perímetro da área classificada. A infra-estrutura associada – como as linhas de Alta Tensão – também estão situadas dentro da área classificada. Globalmente, a área afectada pelo projeto será de 2,9 hectares num total de 24.600 hectares.
A Barragem eleva-se a uma altura de 90 metros acima do rio, com um alcance de 270 metros. O reservatório criado na zona-tampão inundará cerca de 421 hectares do vale do Tua.
O projeto da Barragem – embora previsto no Plano Nacional de Energia datado de 1989 e no plano da Bacia Hidrográfica do rio Douro em 1999 – não foi mencionado no dossier de candidatura do Douro Património da Humanidade. Em 2008, o Instituto Português da Água lançou propostas para o projecto. Este foi aprovado condicionalmente em 2010.
O Estado nunca informou o Comité do Património Mundial sobre a Barragem a não ser quando foi solicitado em 2010. Durante a missão, os impactos do projecto ainda estavam em avaliação pelos organismos ambientais portugueses.

b) Resultados da Missão Consultiva do ICOMOS:

A missão verificou que, apesar de ter sido realizada uma Avaliação de Impacto Ambiental, esta não inclui a Avaliação do Impacto sobre o seu VUE – Valor Universal Excepcional.
A missão avaliou o impacto potencial de todo o projecto na área classificada e concluiu que, se o VUE – Valor Universal Excepcional da paisagem tivesse sido levado em conta, a conclusão seria a de que o projeto teria um efeito significativo sobre uma vasta zona da área classificada, resultando em perda física permanente de parte da paisagem cultural.
A missão considerou que o impacto sobre o VUE – Valor Universal Excepcional – seria grave e irreversível. Foi considerado que não é possível mitigar os efeitos do impacto da Barragem, como sugerido pelo Estado, através de iniciativas para comemorar o património cultural e natural afectado pela Barragem ou pela criação de um Museu. [Read more…]