Bem Vindos ao Cairo 002
2012 está a caminho
Eu conheço uma cidade que vai deixar a sua marca em 2012. E que marca. Um grupo de gente de grande qualidade está a liderar um projecto fantástico. Assim os deixem concretizar os seus sonhos e garanto que vai ser uma grande surpresa.
A sua paixão pela terra que os viu nascer e crescer é a razão e a força que os move. Quem sabe se não vamos ter nas ruas e ruelas, becos e vielas da sua cidade momentos surpreendentes de partilha colectiva?
Falo por mim, estou mortinho por ver chegada a hora do arranque deste grande momento de 2012:
Francisco Sá Carneiro Visto Pelos Outros
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O debate começa dentro de momentos, às 19h 30, e é transmitido em directo via Sapo. Como entre Sapo e WordPress há uma espécie de conflito zoológico (o WordPress ponto com não é anfíbio) é possível que esta janela não funcione, mas uma vez que o representante do 5Dias também é desta casa, em caso de problema não fica mal convidar-vos a assistir a partir da casa do vizinho, ou seja, clicando aqui.
Massive Mov
“O massivemov é a mesa de café com os amigos! A mesa de jantar lá em casa com a família, a sala de reuniões com o investidor, o gabinete do gestor de cliente no banco. É isto tudo e muito mais!
É onde podes apresentar a tua ideia, o teu projecto, a tua paixão.
O teu empreendedorismo precisa de apoio, não precisa que lhe emprestem dinheiro! Precisa de apoio e é esse o convite que vais fazer às pessoas que conheces e á comunidade do massivemov.”
O nosso Zé Mário que não é António nem Maria vai lá estar:
Outra vez os tontinhos do pouca-terra.
Várias vezes o Henrique Pereira dos Santos, do blogue Ambio, tem atacado a ferrofilia, traçando um perfil pouco simpático em relação aos entusiastas do caminho de ferro que, segundo ele parecem ser uns tontinhos capazes de se atarem a um carril para salvar o comboio. Porquê? Simplesmente porque o comboio é giro e os pobres coitados enfermaram, na infância, de um défice de atenção.
Volta agora à carga com a questão Porto-Vigo ou a sugestão (que por acaso também me me parece estapafúrdia) do aproveitamento do canal Lisboa-Corunha. Segundo ele «o facto de haver muita gente num sítio não quer dizer que haja muitos utilizadores de comboio. O facto de haver muita gente só quer dizer que há potencialmente muitos utilizadores de comboio. Mas que esse potencial só se transforma em bilhetes vendidos em algumas circunstâncias.». Caso para dizer: elementar, caro Henrique. Esta paliciana asserção serve para tudo o que tenha rodas e ande e mesmo para alguns quadrúpedes.
Porém, ao contrário do que HPS pensa, nesta altura do campeonato, a questão não é tanto um caso de procura-oferta. Isso era há uns anos, durante a gloriosa década de 1980, quando se começou a fechar em vez de modernizar. Hoje é uma questão de: vale a pena ter comboio que não seja do tipo suburbano, em Portugal? [Read more…]
Fernando Pinto de Sousa, RIP
Uma coisa que me enoja é a confusão entre adversário político e inimigo político. Os inimigos existem, em situações extremas que não vou enumerar, mas onde o nome de um criminoso (no sentido em que foi mandante de homicídios e torturas) como António Oliveira Salazar o foi, chega perfeitamente.
Os adversários, por menos respeito político que tenha por eles, e por mais malfeitorias que tenham feito enquanto governantes e não só, são enquanto seres humanos merecedores da minha consideração, sobretudo quando lhes calha o sofrimento pessoal.
Por isso aqui deixo as minhas condolências a José Sócrates, cidadão que hoje perdeu o seu pai. E a minha repugnância pelo que já se escreve em muita caixa de comentários dos jornais online. Há muito animal irracional que toma a forma física de gente, mas não ultrapassou a escala zoológica de uma amiba. É pena.
Há muitas formas de vandalismo

Atente-se nesta fotografia. É de uma automotora da CP estacionada em Monte-Abraão e prestes a sair para as Caldas da Rainha. Encontrei-a assim hoje, repleta de graffiti, vandalizada, até com as janelas pintadas. Ali estava a borrada, sem arte nem engenho, apenas uma estampa de um ego desmesurado num miserável acto de exibicionismo por parte de quem não respeita a propriedade alheia e que, neste caso, até é de todos.
Hoje, ainda, encontrei mais algumas formas de vandalismo na CP. Ou melhor dizendo, de auto-vandalismo, se tal coisa existe: [Read more…]
A Não perder e o Aventar vai lá estar:
“Francisco Sá Carneiro visto pelos outros” é o tema do debate do dia 19 de Julho, dia, do nascimento daquele, que é, ainda hoje, um ícone da política nacional, e que ultrapassou as fronteiras ideológicas do partido que ajudou a fundar. Mais do que sobre política, iremos falar sobre o homem e a sua relação com os seus pares.
A iniciativa conta com a presença de Filipe Caetano apresentador do programa da TVI 24, Combate de blogs, e com as presenças dos bloggers: Ricardo Santos Pinto (Cinco dias), António José Mário Teixeira (Aventar), Bruno Góis (Adeus Lenine), Tiago Barbosa Ribeiro (Kontratempos, Metapolítica, Blog de Esquerda e Simplex).
O debate “Francisco Sá Carneiro visto pelos outros” decorre terça-feira (19 de Julho), pelas 19h00, no Centro de Congressos da Alfandega, no Porto. A sessão é aberta a todos aqueles que queiram partilhar as suas ideias. Da direita à esquerda.
O Aventar está representado pelo J. Mário Teixeira e ainda empresta um blogger ao 5 Dias, eheheehhe.
Os canudos e o Sr. António
É notícia que este ano, para o ensino superior público, há “mais 647 vagas, num total de 54 068“.
Em princípio isto seria bom. Mas na verdade não é. Pelo menos enquanto dominar a lógica das famílias investirem ao longo de anos numa carreira académica para que a descendência atinja o almejado canudo, e depois de se ter um doutor, ou engenheiro, na família, é procurar emprego. Com sorte, irá trabalhar numa empresa criada e gerida por alguém que só tem alguns estudos de liceu.
Um dos grandes males deste país é que se estuda para doutor ou engenheiro, ou algo do género, para se ir trabalhar para a empresa do Sr. António – porque neste país o normal é tratar as pessoas pelo primeiro nome, nem que elas tenham idade para serem nossos avós.
O Sr. António não foi para doutor, lançou-se à vida e será ele quem, como patrão, irá fixar o salário do Sr. doutor ou do Sr. engenheiro. E é um sacana, porque explora e quer ficar rico. Como se fosse censurável quem assume responsabilidades empresariais – pagar salários, fornecedores, tributos, encargos, rendas, dar avais pessoais aos bancos, etc – almejar ter muito mais do que um salário. Para isso, para viver de um salário, tinha estudado para ter um canudo de doutor ou engenheiro e arranjado emprego na empresa doutro Sr. António.
A bela gravata da ministra Cristas: em frente pela libertação do pescoço
Não conheço acessório humano mais ridículo e inútil que a gravata. Hoje em dia abundam os velhos piercings e multiplicam-se as tatuagens (a proibição medieval, pela igreja do costume, foi esquecida), mas nada se compara a um adereço masculino tão enfemeninado.
É curioso que se formos à wikipédia encontramos uma tentativa muito britânica de aldrabar a História, contando a velha lenda de que a gravata tem origem nos soldados croatas e seu lencinho à volta do pescoço, esquecendo-se que nem gravata sabem dizer. Explicação etimologicamente possível, quanto às origens do seu uso a versão francesa é bem mais pragmática e sabe bem do que fala; disto por exemplo:
Pelo menos a partir do séc XVII fez parte das mariquices com que se embelezavam os homens da aristocracia, numa época em que a bem dizer apenas as saias os distinguiam, na indumentária, das também mui adornadas mulheres.
Deixando de lado o meu mau humor quando se passa pelo barroco, a gravata foi evoluindo e transformou-se no séc. XX numa peça obrigatória a que estavam condenados os funcionários públicos, de colarinho bem apertado, não fosse ver-se a maçã de adão, com tudo o que de pecado original daí se pudesse sugerir. É escusado fazer trocadilhos com uma das palavras com que os gauleses designam o que separa a cabeça do tronco.
Pensava eu, ingenuamente, que tinha passado o tempo em que me podia gabar de nunca tertido tão abjecto trapo rodeando o meu pescoço, substituída pela camisola de gola alta em momentos mais complicados como a defesa de uma dissertação académica e defendendo-me sempre com os padres, que não se engravatam de modo algum mais que não seja porque sabem umas coisas de história, quando descubro agora por via de uma libertação, numa assumpção bem cristã e ponderada por motivos energéticos, que o pessoal nos ministérios ainda anda obrigado ao seu porte. [Read more…]
O país do faz de conta – mais um take
Segundo o JN, 35 policias meteram baixa médica em protesto contra a pena de prisão aplicada aos colegas que agrediram barbaramente um estudante alemão em Lisboa.
Tenho para mim que os bons policias devem estar a aplaudir esta pena. Os bons policias preocupam-se com o prestigio da sua profissão e com a confiança dos cidadãos, não tendo objecções à punição dos abusos que tanto têm afectado a imagem das polícias portuguesas. O facto de existirem polícias a protestar contra aquela pena é extremamente preocupante. Desprestigia as forças policiais e adensa o véu de desconfiança que sobre elas se abate.
No entanto, há uma outra questão que me preocupa: as baixas são fraudulentas, e somos nós que as pagamos. A facilidade com que 35 policias da mesma esquadra as obtiveram é aterradora. Faz o país parecer uma verdadeira república das bananas.
Assim, questiono: Vai mais esta passar impune? Não acontece nada aos médicos que passaram estes atestados? Não acontece nada aos policias que dolosamente lesam o Estado desta maneira? Assim, não vamos lá.
O Dão já tem uma ecopista!
Abençoado país este este!
Primeiro acabam com o caminho de ferro, com a desculpa de que é custosa a sua manutenção. Arrancam as linhas e extinguem a mobilidade transversal, ou seja um meio de transporte que servia a maioria dos cidadãos, dos 8 aos 80.
Depois aterram o canal da linha e asfaltam-no. Pagam 5 milhões de euros e dão-lhe o nome de ecopista. Tudo limpo e arrumadinho. Escondido o que outrora foi o progresso, aguarda-se a enchente de ciclistas.
Falta é algo importante. No interior desertificado e envelhecido, nem todos têm ou bicicleta ou saúde para percorrer quilómetro segundo o life style destes amorosos e idiotas técnicos que vêm o mundo a partir do gabinete das comissões de coordenação.
Ofereçam-se, pois, uns velocípedes a esta gente! Encham-se as aldeias do Dão com veículos de duas rodas!
O que pensam presidentes das câmaras acerca disto? ah! para esses tantos lhes faz que exista caminho de ferro ou asfalto, que os munícipes andem de bicicleta ou carroça, desde que haja, no final disso tudo, um larguinho jeitoso para instalar o palanque e a fitinha vermelha para cortar.
E assim pedalamos nós (os do Dão e todos os outros, menos os técnicos e os políticos) alegremente para o fim.
“o ronaldo dinis tem leucemia”
O BE devia estar mais atento ao mundo cor-de-rosa
No BE fala-se em renovação. Não sei se falam de idades ou de imagem. Seja como for a pessoa que recomendo não tem idade e tem a imagem sempre renovada. E é trotskista, já o era nos tempos do salazarismo:
Foi então que percebi que o mundo não era um conto de fadas, e que não havia liberdade. Lia Marx e Trotsky, os meus amigos eram maoistas. Eu sempre fui mais trotskista…
Além disso tem a experiência da luta de classes vivida na pele…
Nunca sentiu que podia estar a ser usada?
Senti. Na maior parte das vezes, usada, abusada e deitada fora.
… a ponto de ter de usar roupas emprestadas…
Fica com as roupas ou tem de devolver?
Claro que tenho de devolver. Agora vou lá devolver o vestido que usei esta manhã. Por isso é que estava cheia de medo de o estragar nas fotografias.
… foi vítima de machismo…
O meu ex-marido não me deixava trabalhar [Read more…]
Mandaram-no vir, agora aturem-no
O anterior mentia, o actual também mente. No final, Sócrates ou Passos Coelho usam, apenas, estilos diferentes; todavia, as pesadas consequências do logro, de um ou de outro, são idênticas para os portugueses
A ler no novo blogue do meu amigo Carlos Fonseca, agora em Solos sem Ensaio
A sombra do colosso
Estratégias de reprodução: direito canónico e casamento numa aldeia portuguesa (1862-1983)

1. Introdução
Nas pesquisas que tenho realizado até ao presente com o objectivo de reconstruir as relações sociais nas sociedades europeias, cometi o erro, em primeiro lugar, de me apoiar demasiadamente na observação de terreno, e em segundo, de apenas correlacionar essas relações com a história económica e com os costumes locais de casamento e herança. Quando estudei a organização do casamento entre os camponeses chilenos, entre os quais se aplicam as ideias acerca do direito e da ordem, não entendi que o casamento sem a presença do padre, entre eles praticado, era tolerado pela Igreja e pelo Direito Canónico. Alguns anos mais tarde, pesquisando em Vilatuxe , na Galiza, pude isolar diferentes práticas de casamento, em função de diferentes tipos de herança, e notei que, em certas condições históricas, um sistema que supostamente favorece o filho mais velho, de facto autoriza a transmissão de terras e bens ao mais capaz dos descendentes. Não me havia apercebido de que a contradição entre o que se diz e o que se faz se inscreve numa continuidade histórica lógica, que a totalidade coexiste no saber das pessoas e que os camponeses retiram desse saber o que lhes é necessário em função das circunstâncias.
Ambulância Postal
Eu ainda sou do tempo… em que o correio era distribuido por caminho-de-ferro; não terão ainda passado trinta anos – antes das auto-estradas grátis, do petróleo a jorrar no Beato, das Novas Oportunidades e do Simplex – a grande distribuição postal fazia-se ao ritmo do comboio.
Era um ritmo assim-assim, no máximo, em dois dias, uma carta chegava da serra algarvia a Bragança. Agora são precisos três, a menos que queiras pagar correio azul. Aos comboios portugueses, e da Europa também, acoplava-se uma ou duas ou mais carruagens com gente lá dentro, a trabalhar. Os funcionários dos Correios trabalhavam uns de noite (nos comboios mais extensos ao longo das linhas principais) e os outros pela manhã dentro (nos comboios mais curtos).
Nos anos 80, se não depois, o “correio” vindo de Lisboa passava três “Ambulâncias Postais” (assim se chamava este posto dos correios sobre carris) para as costas de uma locomotiva a diesel, uma 1400, e partia, veloz em direcção à Linha do Douro. Era o comboio mais importante do dia e subordinava a si a marcha de todos os restantes… (continua)



















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