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“Obviamente demita-se”
É de uma ironia tremenda que Boaventura Sousa Santos se tenha demitido do CES queixando-se de “pressão mediática” em torno do caso de acusações de assédio sexual e moral e de extractivismo intelectual em que é visado. É de uma ironia digna de uma tragédia grega, quando tem demonstrado fazer muito bom uso da arma da pressão mediática no processo em defesa da sua honra contra 4 mulheres, tentando que sejam condenadas à pressa, pedindo inclusivamente ao tribunal para as silenciar, para que este processo esteja concluído antes de se iniciar o processo em que será eventualmente acusado de assédio moral e sexual.
Mas não há ironia maior nesta defesa esfarrapada e Calimerista quando ainda nos recordamos muito bem do artigo de 31 de janeiro de 2022 em que Boaventura usou de toda a pressão mediática de que podia usar para, na condição de “guru da esquerda”, dar ordens ao Bloco de Esquerda e à Catarina Martins para que esta se demita após os resultados eleitorais das legislativas. Pior, fê-lo de uma forma deselegante adaptando uma expressão do General Humberto Delgado sobre Salazar, colocando-se ele na posição do General e Catarina Martins na posição de Salazar. Não admira, em geral os gurus são incapazes de ter empatia sobre aqueles que consideram ser os seus seguidores incondicionais. Colocar a Catarina numa tribuna de grande peso mediático na posição de Salazar, não lhe ocorreu que pudesse ser ofensivo e humilhante. É da natureza dos gurus.
Detesto citar provérbios populares. “Quem com ferros mata, com ferros morre”.

Lamento, mas o 25 de Novembro não foi uma revolução de direita

Existe um lado cómico, na data que hoje se assinala, corporizado por um sem-número de almas equivocadas, que acredita piamente ter sido a direita a planear e a executar o 25 de Novembro.
Como se Ramalho Eanes, Melo Antunes, Vasco Lourenço e a maioria das personalidades do Grupo dos Nove não fossem de esquerda.
Como se a força política determinante para o sucesso do 25 de Novembro não tivesse sido o PS de Mário Soares.
Ainda assim, existe quem, à direita, queira transformar o 25 de Novembro no seu 25 de Abril. [Read more…]
Cai a Carmo e a Trindade
Confesso que tenho uma certa atração pelo abismo e por situações dignas de novela, mesmo quando acontecem comigo. Isso faz com que me divirta com coisas inúteis como, por exemplo, todo o filme à volta da Carmo Afonso. Gosto das piadas fáceis sobre a sua hipocrisia, as referências ao segundo olhar, gosto de ver a felicidade nos olhos das pessoas de direita ao apontar o dedo sem saber bem porquê e também de ver uma defesa acérrima por parte daqueles que estariam a propor uma tortura chinesa se se tratasse de uma pessoa de direita. Bem, parece que a Carmo Afonso fazia parte de uma sociedade que atuava na área do Alojamento Local e depois andou a vendê–la a israelitas. Não sei até que ponto é verdade, até porque não me interessa. O que me interessa é que este caso mostra-nos algumas evidências que são muito mais nefastas do que uma possível incoerência da Carmo Afonso, que, no máximo, é um casinho à portuguesa.
[Read more…]Nova Ordem Mundial

Donald Trump, licenciado em conluios, mestre em fraudes fiscais e doutorado em nepotismo, decidiu entregar o recém-criado Departamento de Eficiência Governamental a Elon Musk e Vivek Ramaswamy.
Nota artística: não só se diz que o departamento foi ideia do próprio Musk, como o seu acrónimo – DOGE – é literalmente uma homenagem à Dogecoin, a criptomoeda favorita do principal oligarca e financiador da segunda vinda do trumpismo, versão “on steroids”. Ou então é só uma coincidência muito engraçada.
Adiante.
Nem me vou indignar com o inegável conflito de interesses de ter dois potenciais beneficiários das borlas fiscais de Trump a gerir um departamento cujo principal objectivo é cortar nas gorduras de um Estado que nem SNS tem. Mas que não se inibe de gastar muitos milhares de milhões em armas, para manter aquele que, ano após ano, é o exército com maior orçamento do mundo. E não é expectável que Trump aceite cortes no sector militar. Para não falar nos muitos contratos das empresas de Musk com o estado federal, na Defesa e na NASA, que dificilmente sairão beliscados. [Read more…]
Leitão adulto
O meu avô tinha dois apelidos e um deles era Leitão. No Carnaval, havia sempre um anónimo que lhe ligava para casa, perguntando à pessoa que tinha a sorte ou o azar de atender:
– Estou? É de casa do senhor Leitão?
– É, sim.
– Podia dizer-me quando é que chega a porco?
E pronto, era uma diversão.
Não herdei o saboroso apelido do meu avô, fiquei-me por um Nabais que, felizmente, me tem valido alguns trocadilhos que divertem e confirmam a minha geral inabilidade.
O ministro António Leitão Amaro, em declarações recentes, insinuou que há acidentes ferroviários que se devem ao facto de haver maquinistas a conduzir alcoolizados.
Será injusto, mas o porco é um animal muitas vezes associado a falta de higiene e a falta de respeito – ora, o respeito é extremamente higiénico.
A afirmação do ministro desrespeita uma classe profissional inteira, ao mesmo tempo que desresponsabiliza o governo da obrigação de contribuir para a resolução dos acidentes ferroviários.
Já há uns anos, o tão católico Mota Soares espalhou lama sobre os beneficiários do rendimento mínimo – a generalização é a arma habitual dos porcos que refocilam na política como se fosse uma pocilga, se é que me são permitidas as metáforas.
O meu avô viveu mais de 80 anos e não cresceu além do apelido. Leitão Amaro já chegou à idade adulta.
O cravo das mãos do povo
A maior parte do território que é a minha alma está ocupada por um imenso oceano de cinismo, em que os políticos são todos demasiado parecidos, a humanidade é essencialmente desagradável e o futuro é tão provavelmente mau que a felicidade é constituída por pequenas ilhas onde habitam hojes prazenteiros que convém aproveitar, porque os amanhãs até poderão cantar, mas há sempre o risco de desafinarem.
Esse cinismo afasta-me frequentemente do orgulho ou do sentimentalismo, mas há excepções. Lembrar-me da alegria do 25 de Abril e ouvir a “Grândola” deixam-me sempre arrepiado e perto da lágrima feliz.
Por estes dias, morreu Celeste Caeiro, lembrada pelo João Mendes. E eu, avesso a trompas épicas, impedido pela minha personalidade de ser bairrista, de ser saudosista ou de acreditar desmesuradamente em qualquer ideologia, sorrio, enternecido, quando me lembro que o símbolo de uma das revoluções mais bonitas da História saiu das mãos de uma mulher do povo, do mesmo povo que o monstro do salazarismo pisou durante quase 50 anos.
É por isso que, todos os anos, faço um pequeno intervalo no meu cinismo e pego num cravo. Muito obrigado, Celeste Caeiro.
Celeste dos Cravos, Sempre!

No dia em que se assinalam os 50 anos da aprovação do decreto-lei que deu a todas as mulheres portuguesas o direito de votar em liberdade, perdemos uma das mais icónicas personagens do 25 de Abril. Celeste Caeiro, a mulher que, sem saber, se eternizou a distribuir cravos pelas espingardas dos militares revoltosos no dia da revolução, partiu hoje, aos 91 anos.
Espero que Lisboa saia à rua para lhe dar a despedida que merece. Ela não hesitou, apesar das debilidades, em descer a Avenida nos 50 anos do 25 de Abril.
Descansa em paz, Celeste dos Cravos.
“Este filho da puta…
… , ainda há-de andar a pé como eu”.
Por ocasião de um evento social, acabei por participar num grupo de comensais em que, a dada altura, alguém contou o que outrora, em finais dos anos 70, um seu professor da Faculdade lhe havia dito acerca da diferença de mentalidade entre um inglês e um português: um inglês, à porta da fábrica, vê passar o patrão de Jaguar e comenta para o seu colega “Um dia, o meu filho há-de ter um carro destes”. Pela mesma altura, um português, à porta da fábrica e ao ver chegar o patrão num Mercedes, comenta para o colega “Este filho da puta, ainda há-de andar a pé como eu”.
Lembrei-me deste episódio, quando ouvi hoje no fórum da TSF – sob o tema “Mudanças nas regras do trabalho na Função Pública” -, algumas pessoas a criticar as ditas benesses dos trabalhadores da Função Pública em relação aos trabalhadores do sector privado. E a lógica dominante era a tão costumeira lusitana cultura de nivelar por baixo. Ou seja, não ouvi ninguém a defender que as ditas benesses – que cada um enunciava – deveriam ser para todos. Deixando de ser benesses, para passarem a ser conquistas sociais, numa lógica de equidade.
Pelo contrário, a lógica dominante era que as ditas benesses acabassem. Como se tais perdas dessem alguma melhoria nas suas condições de vida, ou alguma satisfação para além de uma espécie de vingança ou de recalcamento vitorioso.
O poder político, seja ele qual for em matéria ideológica, agradece. Pois é mais fácil governar quem quer o mal dos outros, do que quem quer o melhor para si e para os seus.
A utilidade de pseudo-palavras na função de atalho para encontrar artigos
Por exemplo, paniplines ou wooden glabe.
Vender em nome da falácia conveniente

Há dias, na Bertrand de Braga, reparei que o livro de Jorge Nuno Pinto da Costa liderava a tabela de “não ficção” daquela livreira.
Hoje, noutra cidade do Minho, na FNAC, lá estava o livro em destaque, comandando, pasme-se de novo, a “não ficção” nacional.
A sério?!
Sendo, como é, o maior tratado de ficção, fantasia e devaneio (como antónimo de realidade – facto, realidade) publicado em Portugal, nos últimos meses, como podem dois padrões de vendas de livros persistir na falácia de considerar o livro como “não ficção”?!
Acho de muito mau gosto tentarem influenciar desta forma falaciosa o público. Tentarem, não, porque, a ser verdade o volume de vendas que coloca o livro na liderança a nível nacional, foi mesmo influenciar, tout court. Nem precisaram de tentar!
Desilusão! Decepção! Desengano!
(Estou à vontade porque desde sempre não me deixei convencer pelo carisma de JNPC. O cortejo de traições que cultivou – a traição-mor foi ao clube – e os enganos que semeou na massa associativa, para o bem e para o mal, já nos idos de 80 do século e milénio passados eu escrevia o que se segue em imagem do Jornal do clube, a cujo corpo redactorial pertenci).

Drain the swamp and fill it with brand new shit.

Donald Trump, mestre em conluios, fraudes fiscais e nepotismo, decidiu entregar o Departamento de Eficiência Governamental a Elon Musk e Vivek Ramaswamy, dois empresários com interesses na área, seja enquanto fornecedores do governo, seja enquanto beneficiários das borlas fiscais que vão resultar do desinvestimento no sector público.
Há quem garanta que é com tarifas, conflitos de interesses e tachos para esta nova oligarquia que o capitalismo será mais forte. Mas eu ainda sou do tempo em que o capitalismo era feito de mercados livres, livre concorrência e – alegado – mérito. No fundo, o capitalismo é aquilo que quem manda nos EUA quiser que ele seja. O que só reforça ainda mais a farsa em que se transformou.
Drain the swamp and fill it with brand new shit.
“A Madeira não pode ficar prisioneira de um homem só”

A frase é de Alberto João Jardim, o homem que governou o arquipélago durante 47 anos, por muitos apelidado de Fidel Castro da Madeira. Rivaliza, no capítulo do humor, com a prestação do errático Miguel Albuquerque, capaz de dizer tudo e o seu contrário, agarrado ao poder como uma lapa. E lapas, na Madeira, só as grelhadas e regadas com sumo de limão.
América Desigual

A preparação
Kool Thing let me play it with your radio
Move me, turn me on, baby-o
— Gordon/Moore/Ranaldo/Shelley… aos muitos que se deslocaram ao Capitólio de t-shirt dos Sonic Youth vestida, quiçá na expectativa de reencontrar um pouco do rock dissonante e da vertigem punk experimental dos autores de Kool thing
— Mário Lopes
***
Encontro-me entre os muitos que foram ver a Kim Gordon, não ao lisboeta Capitólio, mas ao bruxelense Bozar. Levei roupa discreta, mas fui com um gorro dos Knicks enfiado na cabeça — uma espécie de “t-shirt dos Sonic Youth”, extremamente adaptada e razoavelmente aplicada. Comme il faut. Dias antes, contudo, levara, também ao Bozar, a minha t-shirt Sonic Life, para ver o Thurston Moore. Das duas vezes sabia ao que ia e não saí desiludido. Por causa do hábito. E da preparação. Também podia falar-vos do Shelley e do Ranaldo. Fica para outra oportunidade.
Por falar em Knicks, viva o Benfica! Viva!
***
Trump e circo
Enquanto se fala de Trump e do futuro negro, e das futuras pragas e desgraças l, por cá continua a morrer gente por falta de resposta do INEM.
São 11 mortes, desde 31.10.2024.
E tudo porque perante um pré-aviso de greve, ninguém cuidou de garantir serviços mínimos.
Está a morrer gente por falta de assistência urgente, e nem INEM, nem Ministra, ninguém resolve a situação.
Não há dúvida: os socialistas dominam esta merda toda.
The Cult, Royal Albert Hall, 4 de Novembro de 2024 (foto: Tom Van Hee)
Foto: Tom Van Hee
Ouvi dizer que…
… Biden telefonou a Kamala para lhe dizer que acredita na vitória à segunda volta.
Quincy Jones (1933-2024)

Michael Jackson, Frank Sinatra, Elvis Presley, Ella Fitzgerald, Count Basie, Ray Charles, Duke Ellington e Dizzie Gillespie passaram-lhe pelas mãos. Entre tantos e tão influentes outros. Fica para a história como um dos grandes obreiros da música do século XX, mas a sua influência continuará a fazer-se sentir até já nenhum de nós estar cá. Well done, Quincy Jones. RIP.
40 anos disto (8424)
Obrigado, The Cult, pelo nono. Aguardemos pelo décimo.

Foto: FMV (RAH, 04/11/2024)
Donald Trump: masturbação e sexo oral em defesa da herança judaico-cristã
Na imagem temos Donald Trump, num comício no swing state do Wisconsin, a simular masturbação e sexo oral com um microfone, para gáudio dos militantes da sua seita.
E não, não é IA. Aconteceu mesmo. Na volta achou que estava numa festa do Puff Daddy. Ou na ilha do Epstein. Lembrem-se disto da próxima que alguém vos tentar convencer que este javardo é o representante na Terra da herança judaico-cristã ocidental. O último bastião da moral e dos bons costumes. Um conservador à moda antiga.
Não é.
É só um manipulador de fanáticos, racistas e extremistas, um boneco de Putin que instrumentaliza a religião com o objectivo de destruir o que resta da democracia.
Como combater uma ditadura
PS já Chega?
O presidente da câmara de Loures, Ricardo Leão, defendeu «despejo “o despejo “sem dó nem piedade” de inquilinos de habitações municipais que tenham participado nos distúrbios que têm ocorrido na Área Metropolitana de Lisboa.»
Estes ataques de justiceirismo são típicos de vários tipos de ébrios. Pode acontecer numa conversa entre amigos que beberam um bocado de mais e dão por eles a explicar como é que se resolviam sumariamente os problemas dos incêndios, com propostas que incluem atar os pirómanos a uma árvore durante o incêndio que atearam. Também temos os partidários do Chega, ébrios de grunhice, parecendo que têm como alvo os bêbedos com solução alcoolizada para tudo.
O presidente da câmara de Loures é do PS, mas parece ter ficado intoxicado com algo que o levou a ter um ataque de chganismo. No fundo, para esta gente, os tribunais, as leis e a decência são coisas que atrapalham. É o marialvismo do “havia de ser comigo” ou do “isto era preciso era um Salazar”.
Carlos Guimarães Pinto censurado pela Iniciativa Liberal?
é o que parece afirmar esta peça do I.








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