Chama-se-lhe governo

“Não pode existir um grupo de pessoas que capture uma empresa”, disse o primeiro-irrevogável do governo que se apossou de empresas estratégicas para as vender aos chineses e aos angolanos.

Mariano Gago, 1948-2015

mariano-gagoTalvez o único ministro que nos deixou mais obra do que estragos.

A ameaça azul que paira sobre o reich

Sim, eu sei: estamos habilitados a chegar a Munique na próxima Terça-feira e sermos atropelados pela Blitzkrieg alemã. Mas quantos acreditavam, há três dias atrás, que recambiaríamos o Bayern para casa com três balázios na cabeça? Pois, em 87 também ninguém acreditava. A verdade é que, tal como os nazis do video em cima, o nervosismo parece ter tomado conta do adversário do FC Porto e as críticas vão chovendo. Até o médico com quase 40 anos de casa se pôs a andar.  Força Porto, faz aos alemães do futebol aquilo que devíamos fazer aos alemães da política. Fá-los engolir a arrogância. Para abanar o rabo já cá temos o primeiro-ministro e a senhora das Finanças.

O fanatismo wahhabita e o paradoxo saudita

Radical Islam

O fundamentalismo islâmico é-nos muitas vezes vendido como um fenómeno circunscrito a meia dúzia de organizações, das quais a Al-Qaeda e mais recentemente o Estado Islâmico parecem ser as principais embaixadas onde tudo começa e acaba. Por várias vezes, o João José Cardoso chamou neste espaço a atenção para diferença entre a generalização que se faz do radicalismo islâmico e o wahhabismo, a interpretação mais radical e opressiva do fanatismo religioso que tem na acção das organizações referidas a sua máxima expressão. O financiamento, esse, chega em quantidades industriais da Arábia Saudita, destacado parceiro comercial do Ocidente moralista repleto de Charlies que gostam de aparecer mas que na realidade se estão nas tintas para o alto patrocínio que o regime de Riade disponibiliza para os criminosos que erguem o Corão em nome da destruição arbitrária.

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Conferindo

Presidida por Luís Marques Guedes e comandada por Maria Luís Albuquerque, – acompanhados por um jovem g.n.i. (governante não identificado) – ocorreu mais uma conferência de imprensa do governo. Correu tudo bem. A ideia era a de levar a cabo uma operação de terrorismo comunicacional sem que as vítimas sentissem dor (como acontece com as mordeduras dos vampiros). E assim foi. Sei que foi assim porque não aconteceu nada aos conferencistas – que se retiraram com o mesmo ar sonso com que entraram -, sem que alguém, ao menos, lhes subisse para a mesa e lhes atirasse…confetis. Os jornalistas “independentes” convidados, depois, a comentar, estiveram todos a contento, fornecendo mais uma dose de anestesia. De modo que, quando o untuoso Paulo Rangel, desbundou em entusiástico apoio, já pareceu normal a muita gente. Destoou Manuela Ferreira Leite que malhou no governo com juvenil entusiasmo. Ao que isto chegou!

Num país que já foi inventado: Portugal Anedótico e digno de registo

Joaquim Vitorino

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1. Estava eu a alinhavar um artigo onde queria fazer referência a um texto publicado por um correspondente do jornal “O Concelho da Murtosa”, mensário, edição de Agosto de 2006.
2. Dirigi-me à redacção e director do jornal para aquela consulta e ouvi isto: não temos. Perguntei onde podia encontrar, e a resposta foi: na biblioteca municipal.
3. Lá fui e disse ao que ia. A senhora foi ver e disse: só temos até 1996. E perguntei onde poderia encontrar. A resposta foi: na Câmara, no gabinete do senhor vereador do pelouro da cultura. Estranhei muito e fui a outra biblioteca, que supostamente teria.
4. Dirigi-me à biblioteca municipal de Estarreja, uma vez que aqueles dois concelhos são gémeos e o que se publica dum lado publica-se do outro. E aí, ouvi isto: temos até 2005, mas depois a Câmara deixou de comprar.
5. Fui então à Câmara da Murtosa e na recepção (lá escrito receção), disse ao que ia, e que na biblioteca não havia. Respondeu ele: então vá ao jornal. Lá tive que contar todos os passos anteriores. Aí, disse-me para esperar e subiu as escadas. Voltou alguns minutos depois, dizendo. Temos; e o que é que o senhor pretende? Respondi que queria consultar e, eventualmente obter fotocópia duma página. Mandou-me subir e dirigir-me a um dado gabinete, que a senhora já sabia o que eu queria. [Read more…]

Oh Jerónimo, francamente!

11141764_809356702491052_4987628384302809147_oUm dirigente político não tem descanso nas solicitações a que comente tudo e mais alguma coisa, seja em que lugar for, sejam quais forem as condições. E porque isso faz parte das obrigações que a sua condição impõe, ele corresponde e responde. A palavra é a sua arma. E como a comunicação, para que os jornalistas a divulguem, tem de ter em si alguma retórica mais exuberante – que, por vezes, resulta em grande, outras vezes, nem por isso -, a coisa nem sempre corre bem. Ora, tudo isto vem a propósito das respostas dadas pelo meu ilustre amigo e camarada Jerónimo de Sousa quando, durante uma uma daquelas entrevistas de passagem, caracterizando o PS, afirmou que aquele partido “não é carne nem peixe, é como que um caranguejo moído”; mais tarde, confrontado com esta declaração, deu ao nobre crustáceo uma caracterização mais, digamos assim, cinética: “o PS é como um caranguejo porque não anda para a frente nem para trás, anda para o lado”. Meu caro Jerónimo, se queres caracterizar o PS pela sua indefinição, a sua desorientação política e a sua incapacidade de ser, sequer, assertivo em alguma proposta, tens mil recursos estilísticos, analogias, metáforas. E animais sem fim. Mas o caranguejo? O insigne membro dos crustáceos, infraordem dos brachyura? Que inclui maravilhas zoológicas – e gastronómicas…- como a navalheira, a santola, a sapateira?! [Read more…]

Wikileaks expõe Sony

Financiamento do Partido Democrata, ligações à indústria militar, condicionamento do processo legislativo e outras revelações de uma multinacional intimamente ligada a poder.

A angústia do auto-retratado no momento do penalti

11087717_811738918903537_758006350564333445_o ou Nem vi, mas estava lá, auto-autor desconhecido, encontrada no twitter pelo Marco Santos.

Claro como água

O Observador oficial da extrema-direita pariu uma proposta de nova Constituição. Fui ver. Onde está:

Artigo 1.º

República Portuguesa

Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Riscavam a vontade popular, e o resto.

Ainda não substituíram pela jurisprudência divina ou o voto censitário dos empreendedores, nem assumem que querem uma sociedade presa, injusta e de caridade.

Fica para o próximo sonho erótico, seja com a tropa, ou com um Sebastião vindo e cavalgando seu submarino branco, ou mesmo a América após a vitória de um candidato do partido do chá.

Lobos Nocturnos, os Hell’s Angels pró-Putin

querem marchar sobre Berlim. Em duas rodas claro.

Um Rato encarcerado

Branqueamento de capitais, fraude e apropriação indevida de bens são as acusações que pendem sobre Rodrigo Rato, nº2 do governo de José Maria Aznar (1996-2004), ex-director do FMI e ex-presidente do Bankia, o banco espanhol que foi nacionalizado em 2012 por Rajoy, o mesmo Rajoy que promoveu uma amnistia fiscal que beneficiou este destacado barão do Partido Popular espanhol que foi detido durante a tarde de ontem. Qualquer semelhança com casos de políticos portugueses da mesma área ideológica envolvidos em esquemas similares é pura coincidência. Até porque ainda que a criminalidade seja idêntica, por cá estão todos em liberdade. Nós temos esse péssimo hábito de tratar muito bem a escumalha criminosa do regime.

Multiplicai-vos e coisa e tal

Ora vamos lá pôr as medidas governamentais por ordem:
1º – baixaram brutalmente os salários e condições de trabalho à função pública.
2º – aumentaram os horários de trabalho dos funcionários para, pelo menos, 40 horas.
3º – vão permitir aos mesmos funcionários, se eles produzirem descendência, a dispensa de meio dia de trabalho.
4º – pelo meio dia de trabalho atrás mencionado, caso usufruam tão generosa dádiva, descontarão 40% do salário.
Sei que há outras propostas vindas da mesma fonte. Mas este é o “osso” da questão. Passem-me um pau de marmeleiro, que quero responder.

A elevada probabilidade do Dono Disto Tudo se safar

RS sorri

Sabemos bem como acabam estas histórias. Muito aparato e abundância de informação que parece anunciar que desta vez é que vai ser, mas no final do dia o mais provável é ninguém ser responsabilizado. Oliveira e Costa e Dias Loureiro vivem uma vida tranquila, após terem arrastado o país para o buraco fraudulento do BPN, cuja factura para os contribuintes já terá ultrapassado os 6 mil milhões de euros. Nada lhes aconteceu. João Rendeiro também vive em liberdade, após a hecatombe do seu BPP, que tendo ficado mais barato para o pagador do costume, ainda custou algumas dezenas de milhões ao erário público. Hoje diverte-se na BlogosferaJardim Gonçalves até chegou a ser condenado a dois anos de cadeia por crimes de manipulação de mercado e falsificação de documentos mas, como sabemos, as elites podem sempre pagar uma fiança avultada, neste caso 600 mil euros, e ficam imunes às decisões judiciais. Ter dinheiro coloca-nos, efectivamente, acima da justiça. Até porque a maioria dos criminosos não consegue açambarcar tanto.

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Da ignorância da nossa burguesia

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Descubro pelo José Simões que os nossos parolos, a malta da patronal, andam a viralizar isto, um erro, dizem eles.

No princípio era o verbo, ó analfacoisas.  Isto é um verso, um belo verso, até a poesia popular ultrapassou há muito a fase das quadras. Mas não lhes podemos exigir que lá cheguem, ainda pensam que o hino da mocidade é um poema.

A lama há-de engolir-nos

Não deve ter chegado a cinco minutos a “reportagem” (algum nome haverá que dar-lhe) a que assisti na Correio da Manhã TV. Quando passo por lá é em zapping acelerado, não vá salpicar-me naquele lamaçal interminável, mas desta vez, e suponho que seria porque era tarde e eu estava exausta e sem sono, deixei-me ficar a olhar. A notícia contava que uma mulher fora assassinada, outra ficara em estado crítico, ambas muito jovens. O homicida confesso, já detido, era o ex-namorado de uma delas. Depois de várias imagens dos familiares das vítimas lavados em lágrimas à porta do hospital, o “repórter” (algum nome haverá que dar-lhe) levou-nos a conhecer a mãe do homicida.

Uma mulher assustada, envelhecida, que respondia às perguntas como se estivesse a ser interrogada pela polícia, sem saber que não tinha porque fazê-lo. Abriu as portas de casa para que a filmassem. Pobre casa, de paredes de pedra, escasso mobiliário. Sobre um móvel, algumas garrafas de vinho, nas quais a câmara se detém com minúcia e malevolência. Este repórter quer deixar clara a sua mensagem. Não lhe chega acossar uma mulher assustada, é necessário que devassemos a sua intimidade e que o país lhe veja os pobres trastes e as garrafas de vinho. Vejam, ela bebe. Ou ela, ou o homicida, ou ambos. [Read more…]

Contos para crianças I: a competitividade

Empresas apoiadas pelo Estado pagam 505 euros a engenheiros e professores” (DN). Até António Nogueira Leite afirma que teria “vergonha” de contratar um engenheiro por 500 euros. I rest my case.

Governo aperta leis anti-tabaco

Proibição total em locais públicos e imagens de choque são algumas das propostas. Qualquer dia somos processados pela Philip Morris como o Uruguai.

Mais um tesoureiro partidário atrás das grades

Depois do caso Bárcenas no PP de Rajoy, foi a vez de Vaccari Neto do PT de Dilma Rousseff. Por ali culpam-se tesoureiros, por cá a culpa costuma ser dos técnicos.

Está tudo controlado

A Merkel já telefonou ao Coelho e o governo amanhã privatiza o FC Porto. Em Munique joga a equipa B, é claro.

O culto da imbecilização no ensino num suposto exame da 4ª classe

Tem feito furor por aí um suposto exame da 4ª classe de 1968, que circula nas redes. Acabo de descobrir que a coisa partiu de um jornal, o Dinheiro Vivo, e circula agora por várias páginas comerciais, daquelas que publicam tudo o que dê cliques. Como qualquer não-idiota pode constatar, isto não é um exame, são páginas de um caderno de exercícios:

cadernos exerfcicios primária

Nem é preciso ter a 4ª classe, ou o 4º ano para lá chegar. Não me daria ao trabalho de escrever aqui uma linha sobre o assunto, não fosse a circulação disto grave pela ideologia, e estupidez, que está a espalhar. Vamos lá ver: [Read more…]

Estou-me nas tintas para as eleições (dos outros)

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Emigrem, trabalhem mais 4 dias por ano, recebam menos dinheiro, trabalhem mais horas por semana e paguem mais impostos.

Mas vai ser a porcaria do meio dia que não se trabalhe (e recebendo menos 40% de salário – antes ou depois dos cortes?), desde que se seja funcionário público, que vai fazer com que apareçam crianças.

Eis o plano dos partidos “Portugal não é um paraíso de mão-de-obra barata”  e do “ai o dinheiro dos contribuintes e dos reformados”.

Os portugueses devem ser muito diferentes dos povos dos outros países, só pode. É o sol, contrário à agitação, que estraga tudo. Lá no norte está frio e é preciso aquecer.

Badamerda mais as vossas mentiras da treta.

Infografia: Público

Atentado terrorista na sede do BCE

Foi esta tarde, na sede do BCE, enquanto Mário Draghi dava uma conferência de imprensa. A senhora, cuja afiliação segundo o jornal Expresso serão as activistas do FEMEN, saltou para cima da mesa, o que deu origem a uma expressão de pânico na cara de Draghi que por si só já valeu a ousadia. “Acabem com a ditadura do BCE” (“End the ECB dictatorship“, versão light daquela que surge na camisola da senhora – “End the ECB dick-tatorship“) gritava a rebelde enquanto lançava confettis sobre a cabeça do presidente do BCE. Sorte do Constâncio que assistiu a tudo na primeira fila.

O incómodo amigo do primeiro-ministro

Amigo

Foto@RTP

Na semana passada, o país ficou a saber que Pedro Passos Coelho recrutou um ex-patrão e militante do PSD para delegar a responsabilidade de preparar o programa do PSD para as Legislativas deste ano. O amigalhaço em causa é Rogério Gomes, empresário que, tal como o primeiro-ministro, aparenta possuir uma vasta experiência no campo das ONG’s, experiência essa que, segundo o DN, lhe permitiu, através da ONG que actualmente gere com a esposa, fazer alguns ajustes directos com dinheiros públicos a instituições às quais esteve ou está ainda ligado.

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Efacec é o novo alvo dos nepotistas angolanos

mais uma potencial aquisição do regime ditatorial Dos Santos, com o alto patrocínio de 24 milhões de angolanos permanentemente espoliados.

Chumbaram propostas do PS e PCP para reforçar protecção de menores

mas agora alegam que precisam de mais meios. Pelo caminho morreram duas crianças. É o bloco central: partido primeiro, país muito depois. Doa a quem doer.

Isso explica muita coisa…

Mais de metade dos membros do governo desde o 25 de Abril trabalharam na banca” (Público). Qualquer relação com os resultados desastrosos da banca nos últimos anos é pura especulação.

Um cretino é um cretino e é um cretino

“Querem incentivar a natalidade? Permitam o consumo livre de álcool por adolescentes.” – professor Vítor Cunha.

Não se pode tocar

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Fotografia: “FC Porto”

Aviso aos filhosdaputa que nos governam

É bom que vejam a reportagem da Ana Leal, que ontem foi exibida pela TVI.  À partida estais-vos na tintas: são hospitais públicos, os privados florescem, é coisa para pobres.

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Mas há um detalhe, ó filhosdaputa. São serviços de urgência. Ora não há privados que cubram as urgências de um país, pelo simples facto que este lado do negócio apenas dá lucro em Lisboa e Porto e mesmo assim não cobre todas as necessidades. E depois os serviços de emergência médica não vos vão diferenciar se vos estampardes numa estrada, se tiverdes um ticoteco na rua, uma emergência, portanto.  Não estou a ver uma dessas equipas que vai às estradas, também eles trabalhando em péssimas condições, a pedir de imediato um helicóptero porque se trata do sr. ministro, ou a reconhecer no focinho coberto de sangue um secretário de estado. Vai daí, em caso de azar, e ninguém está livre dele, trigo limpo farinha amparo, ireis para estas urgências como os outros. E arriscais-vos mesmo a ficar numa maca entalada entre outras num corredor, a serdes assistidos por um enfermeiro para 30 doentes, a ter o único médico capaz de vos tratar ocupado com outros doentes. De nada valerá, depois, um secretário de estado gritar que os médicos e enfermeiros eram comunistas. De nada valerá para vocês, e muito menos para a vossa família.

Resta-vos, depois da razia feita sobre o Serviço Nacional de Saúde, uma hipótese, é claro: não sair de casa. Mas é aborrecida.