O rebanho

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Num grupo de professores do Facebook uma colega expõe a sua dúvida: acompanhou uma visita de estudo, obviamente não deu aulas que a ubiquidade não é para todos nem a sua profissão tem equivalente na de gafanhoto saltitando de conselho de administração em conselho de administração, foi-lhe marcada falta porque a incompetência burocrática no micro-mundo das escolas existe, e exigem-lhe que a justifique, com um artigo que assim reza no maravilhoso mundo da justificação de faltas:

As motivadas por impossibilidade de prestar trabalho devido a facto que não seja imputável ao trabalhador, nomeadamente doença, acidente ou cumprimento de obrigações legais

É um artigo giro, lembro-me que apareceu no universo docente reinava Roberto Carneiro e na altura foi dado como exemplo ficar fechado num elevador, o que deu às empresas reparadoras dos mesmos um bizarro poder no mundo do absentismo. [Read more…]

Convívio com o povo

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Walter Branco: Pedro Passos Coelho com os cantadores das Janeiras, Lisboa, 6 Janeiro 2015.

Ser jornalista ou fazer jornais

Diana Andringa explica a sua profissão aos que se calam perante o banho.

A liberdade dos mercados

Ricordi politici e civil

Levo vinte anos relendo assiduamente um pequeno conjunto de autores cujos escritos, quase todos sob a forma de máximas, apotegmas e conselhos, nos deixaram um retrato desencantado da natureza humana: Castiglione, Guicciardini, Maquiavel, Gracián, La Rochefoucauld, Chesterfield. Aprendo muito devagar, e por isso talvez demorarei a vida inteira para compreendê-los. A cada ano que passa, as releituras ganham outro sentido — e iluminam mais o presente. Foi o que senti neste serão, quando repassando Guicciardini me pareceu encontrar uma descrição lapidar do autoritarismo que se prepara sob o nome da “liberdade dos mercados”, apregoada pelos admiradores de economistas como Hayek, Mises e Friedman:

Não acreditem naqueles que pregam fervorosamente a liberdade, porque quase todos, senão todos, têm por objectivo satisfazer os seus interesses particulares; e a experiência mostra-nos claramente que se eles conseguissem obter os seus propósitos por meio de um Estado autoritário, correriam ao seu encontro”. [Read more…]

Crónicas de Timor-Leste VIII

António José

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Eu queria que a nota 8 fosse sobre Ataúro mas não vai ser… Ataúro fica a marinar pois merece tempo e a calma necessária para soltar os sentidos. Sentidos retraídos não é solução mas tem que ser. Não há pedal. Preciso de tempo. Dar-lhe-ei atenção em devido tempo. Sentidos, coisa que por aqui não escasseia mas volto a dizer, para mim claro, não é nada fácil. Pela segunda vez, em pouco mais que 15 dias, levar de xofre com mais uma partida… desta vez, ontem, a mãe do Ivo Rosa… e tinha adorado estar, dias antes, numa amena cavaqueira com o pai. É denso. Eu que me digo agnóstico, respeito mas a este ritmo, é complicado. São momentos tristes e dos quais não escapo, por querer estar.
Amanhã, se tudo estiver conforme, saio de Dili… vemo-nos por aí!

Deixo aqui esta imagem para o Ivo e para o Helder e para quem a apanhar… e muita força, como Sempre!

Corporativices

thatcher blair

Pedro Tadeu entreteve-se com mais um deslize de linguagem de António Costa: capital humano, usou o líder do PS, presidente de um município onde não se trabalha, há colaboradores. A apropriação da linguagem neoliberal pelos partidos da Internacional Socialista é um facto há muito adquirido, e nada tem de coincidência, corresponde ao desabrochar, ascenção e agora queda do chamado social-liberalismo, que de Blair em diante os levará, a todos, ao ilustre destino do PASOK.

Recordo que Sócrates, entre nós, esteve na vanguarda da coisa, traduzindo o clássico NIMBY quando decidiu vingar-se da cidade de Coimbra, coisa injusta, sempre cá tirou um curso a sério.

Vai daí, um certo blogue, encanitou-se, que até Estaline teria usada a mesma expressão (como se Estaline e toda a Escola Austríaca não repousassem muito bem no mesmo panteão). [Read more…]

O presidente do governo

Agora que cheira a eleições, como o próprio afirmou, deu em verborreia. Eis o presidente de 2 milhões.

Tradução e legendagem de Puissante et incontrôlée: La Troika

Este documentário do canal Arte merece ser visto pelos portugueses que não dominam a língua francesa. Para isso pedimos a colaboração dos nossos leitores interessados, que saibam francês e/ou lidar com programas de legendagem.

Basta que manifestem a vossa disponibilidade na caixa de comentários, deixando o vosso endereço de mail no formulário respectivo (que não será divulgado).

Sócrates, o hino

É possível uma “música” cheirar mal? não tomar banho? não respeitar quem trabalha?

É. Tapem o nariz antes de escutar.

O Pravda de Netanyahu

Carniceiro Netanyahu

Depois da visita do jihadista de Telavive ao Congresso norte-americano para reunião com os seus pares da direita radical republicana, vim a saber que, tal como noutras latitudes onde os regimes repressivos e autoritários pontificam, também o indivíduo Netanyahu dispõe de imprensa supostamente livre ao seu serviço.

Talvez por a sua distribuição ser gratuita, o jornal Israel Hayom é o diário mais lido daquele país. Segundo o “insuspeito” The Economist, a sua actividade é dedicada a apoiar incondicionalmente as políticas do actual governo e a glorificar Netanyahu enquanto ataca violentamente todos os seus opositores. Avigdor Lieberman, ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, chamou-lhe Pravda.

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postal de um dia na estrada…

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saio de Aveiro com o Daniel pouco passa do meio dia. Chegamos à Boavista, Porto, pouco passa da uma da tarde. A primavera parece ter-se instalado neste dia e depois de o Diogo entrar no carro, seguimos A4 acima, IP4 mais acima (ao tempo que não subia o Marão para lá do qual ‘mandam os que lá estão’). Passamos Vila Real, reencontramos a A4, comemos qualquer coisa numa estação de serviço deserta e passa pouco das três quando chegamos a Mirandela. O Daniel entretanto pôs uma câmara no tejadilho do carro (aka a torradeira). Digo-lhe que não me responsabilizo, mas chegamos todos, incluindo a ‘GoPro’, bem ao parque em frente ao rio onde a Liliana já nos espera com o pequeno (e traquinas) Eduardo.

Fazemos a entrevista à beira do rio, à sombra de um chorão no qual definitivamente se entranhou a primavera. Já não parava em Mirandela há tanto tempo! A cidade está bonita, parece. O parque cheio de crianças. Dos pequenos ruídos das crianças felizes e livres. Do cheiro da erva e da água. A vida parece fácil. Acho que a vida é fácil, quando voltamos ao carro às quatro da tarde, depois de a Liliana nos confirmar que o caminho mais perto para Miranda do Douro é por Espanha.
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«Se quiserem, posso falar em latim…»

diz Lopetegui. Por mim, tudo bem. Lopetegui merece outra oportunidade.

Wolfgang Schäuble: quem é o senhor Austeridade?

Kai Littmann

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Wolfgang Schäuble é na política o que o Bayer Leverkusen é no futebol:
o eterno número 2, que nunca chega ao título
Foto: Claude Truong-Ngoc

É o dele, ainda mais do que o da Chancelerina Merkel, o rosto da política austeritária alemã. Mas quem é ele? Sabemos que é o ministro das Finanças da Alemanha. Sabemos que se encontra entre os «falcões» da política alemã. Sabemos que se desloca numa cadeira de rodas. Sabemos também que é jurista, pai de família e deputado pelo Ortenau, a região que faz fronteira com a cidade francesa de Estraburgo. Quanto ao resto, sabemos pouco sobre este homem que, desde há várias décadas, anseia pelo poder na Alemanha, sem jamais tê-lo verdadeiramente conquistado. Razão para nos perguntarmos se a intransigência da sua política na cena europeia não constituirá uma espécie de «vingança» por um destino pessoal com razões de sobra para amargurar um homem. [Eurojournalist(e)]

Nascido em 1942 em Friburgo, Wolfgang Schäuble chegou cedo à política. Seguramente inspirado pelo seu pai, Karl Schäuble, deputado da CDU no parlamento regional de Baden (1947–1952, até à sua fusão com Wurttemberg), Wolfgang abraça a política a partir de 1961 e torna-se membro da «Junge Union», organização de jovens conservadores. Numa época marcada pela revolta da juventude contra a geração da guerra, Wolfgang Schäuble posiciona-se nos antípodas da «geração de 68» – os valores que defende são conservadores. [Read more…]

Crónicas de Timor-Leste VI

António José

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Ontem pelo final da tarde, atrasado com um stock de mercearia… acabei por não conseguir tomar bom café no único local em Dili, que eu conheça, em que o preço do café é 0,50 cêntimos… pois fecha pelas 18h… Sinto o trânsito mais rápido aos finais de tarde. Se souberem de outro, digam a ver. Peace Coffee. Até o nome tem pinta. É que os preços da “bica”, “expresso” ou mesmo a “aguadilha” que muitos (não timorenses) servem nesta cidade, é matéria para custar em média 1,5 USD, 2 USD… já os vi a 3’USD. No Peace Coffee há bom som, muito bom café, de Same e a melhor preço. [Read more…]

Malaca Casteleiro merece bem um lugar na História

Ao lado de vultos como Miguel Vasconcelos. Ele e todos os figurões políticos ou académicos responsáveis por tamanha imbecilidade.

Os espetadores, os espectadores, o fato e os “contristas”

Segunda-feira, 16 de Março de 2015.

A Bola

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Diário da República

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A semana promete.

Post scriptum: A pergunta do fim-de-semana: “os contristas ainda mexem“?

Crónicas de Timor-Leste V

António José

Estive à conversa com dois ex-guerrilheiros… delícia, mas não conto. O que posso contar é que conheci o Bosco. Pintor. Com atelier em Manatuto. Ignorância minha, desconhecia. Apenas lhe disse conhecer alguma coisa sobre “Dom Bosco”. Ele, que não… era só Bosco.

Ora leiam a narrativa que acompanha a ilustração… julgo que o texto será de José Amaral, músico, timorense. Posso estar enganado. A ilustração é do Bosco. Eu gostei.

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Europa: misantropia e terrorismo de Estado

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© Harry Clarke (1889-1931) Mephisto

Numa entrevista de 2005 ao jornal francês Le Monde, Peter Stein (n. 1937), o famoso encenador alemão, fundador da companhia Schaubühne (que mudou o teatro, e não apenas na Alemanha) e pertencendo à mesma geração que Wolfgang Schäuble (n. 1942), fez o que esparsos alemães da sua geração procuraram fazer: matar o pai nazi através da arte. Foi a fazer isso que construiu uma encenação mítica do Fausto de Goethe (Hannover, 2000), o poeta maior da Língua alemã que Stein nunca mais largou, apesar da memória de quando a Língua alemã foi um fardo para a sua geração, nascida para carregar a culpa dos pais. Mas como demonstrar que o Alemão “não era só a Língua de Hitler [mas também] uma língua maravilhosa, melódica, sensível”? (Peter Stein ao Expresso, em 2012). [Read more…]

Eles andam por aí, lá e aqui

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Mentecaptos desfilando nas ruas do Brasil.

Apelo ao golpe de estado, em americano para a CIA ler. A nostalgia de um tempo que não volta para trás, foi saudada entre nós no Insurgente. Liberais, dizem-se hoje, velhos fascistas são.

Fotografia Revista Forum.

VEM

Votem Em Mim.

Crónicas de Timor-Leste IV

António José

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Não tenho muitas palavras para descrever ou sequer escrever sobre o que se passa hoje. Vem-me à memória uma frase batida… “a morte saiu à rua num dia assim”… O pai do meu amigo Aboly partiu… ontem. O Aboly é, digamos o meu guia, o meu tradutor, um companheiro. Conhecemo-nos em Coimbra há muito… Recorro a ele quando preciso. Um amigo. Até agora, recorri pouco. Disse-me, quando cheguei, que de noite “não vai sozinho toze”. Não vim apesar de… Esta manhã, cedo, fiz-me à estrada. Direcção, bairro de Sta. Cruz, onde habitava… telemóveis desligados. Dou com a casa apenas porque fui ajudado. Um jovem dialogante em PT que aguardava microlet para escola, decide perguntar-me “precisa de ajuda?”. Sim, muita. Tinha passado já por ela, a casa, sem saber, sem reconhecer os traços.

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Estou aqui como se fosse família. Indescritível… não vou contar ou mostrar mas siga, queria escrever umas palavras para chegar a este último pormenor que infelizmente, não vai acontecer.

Aboly contou-me que tinha falado de mim ao pai… e que recuperado, estaríamos então juntos… para ouvi-lo, para guardar para memória futura… “Cheguei” tarde demais… de nó na garganta…
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Paula, a justiçosa ( ou que se lixe o Estado de Direito)

Por iniciativa da voluntariosa (há quem prefira “louca”, mas a minha esmerada educação contém-me) ministra da justiça, foi aprovada pela maioria de Assembleia da República a mais perigosa, irresponsável e insana lei que que tenho memória das produzidas por aquele órgão de soberania ( e não me refiro só aos 40 anos de democracia). Trata-se da lei que lista os condenados por abusos sexuais sobre menores, lista que passa a ser disponibilizada, desde já a pais interessados e, na prática, dadas as habituais fugas de segredo de justiça, a todo o público num qualquer pasquim matinal. Sempre ouvi muitas vozes alertando para os perigos do poder político cair na rua. Mas, pelo que se vê, não há problema em que isso aconteça ao poder judicial. Não é preciso puxar muito pela imaginação para adivinhar os tremendos riscos que, a vários níveis, esta lei – que é também um precedente -, pela sua natureza, comporta. Por isso me dispenso de ir mais longe em argumentos, já que tudo isto me parece evidente. Registe-se, porém, o nível de iliteracia jurídica, de simples formação cívica ou mesmo de qualquer sentido ético de que padece uma boa parte dos deputados. Não houve uma voz, dentro da maioria, que gritasse o perigo e a indignidade daquela legislação, que protestasse e virasse as costas a mais este aviltamento do que devia ser a casa da Democracia. E se, como me pareceu já vislumbra-se numa intervenção do 1º ministro, esta barbaridade visa ganhos eleitorais, sobretudo junto aos nossos justiceiros de bairro e a quem ainda não percebeu a centralidade da Lei numa Democracia, então estamos no domínio da mais reles canalhice política, da pura pornografia eleitoralista. Tivéssemos nós um presidente da República e teríamos a certeza de que tal lei seria vetada e, eventualmente, enfiada pelas goelas dos seus autores. Mas o que temos é um decrépito alucinado que vê sorrisos em vacas mas não vê o Estado de Direito desmoronar-se à sua volta.

Acidente com autocarro mata 50 pessoas

acidente_autocarro_brasilAconteceu há 12 horas no Brasil.
A imprensa portuguesa está ainda a descansar, é Domingo.

Todos nascemos parolos

Pieter Bruegel

«Todos nós nascemos parolos. Todos nós, sem excepção. E só por um esforço continuado de aprendizagem, durante toda a vida, aprendemos a sê-lo um pouco menos. Mas todos nós nascemos parolos.»

Esta foi talvez a frase mais memorável que escutei em cinco anos de aulas na Universidade Técnica de Lisboa, era eu estudante em Agronomia. Do lado de lá da janela o Sol iluminava a seara da Tapada da Ajuda, onde os tordos se banqueteavam, acolitados pelas perdizes. Belos tempos, esses.

“Todos nós nascemos parolos”, repeti para mim mesmo. O professor que disse esta verdade nascera assim, e também nós outros seus alunos. O monarca e o presidente, o duque e o gestor, o cardeal e o cientista, o milionário e o indigente, acrescentei em surdina. Parolos, todos, desde a nascença em berço fidalgo, num alpendre miserável, ou numa casa remediada.

Havia justiça neste sarcasmo à condição humana, pareceu-me. Desde o mais altivo aristocrata ao mais boçal delinquente, do mais abjecto filisteu ao mais profundo erudito, todos nascemos iguais em parolice. E somente pelo uso que fazemos das oportunidades que nos foram dadas, ou sonegadas, conseguimos superar (muito a custo, e sempre precariamente!) a nossa natureza inata.

Mas todos nós nascemos parolos.

[na figura: “Retrato de Anciã”, Pieter Bruegel o velho, 1535]

Eis que o PSD encontrou a sua causa fracturante em tempo de eleições

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Enquanto se fala dessa base de dados de pedófilos não se fala do estado do país. É a causa fracturante laranjinha, devidamente musculada comme il faut a uma direita que se preze, na mesma linha usada por Sócrates para ocupar o vazio da política, esse mesmo que resultaria de não se querer falar do que se fez e do que se vai fazer. Junta-se ao tema presidenciais. Haja chouriços para encher, que isso de Direito é coisa de piegas.

Que giro!

Apresento-vos o primeiro emigrante português residente longe da pátria. É dos lados de Ourém e disse-me pelo telefone que estava com pena de ter perdido o filme, da responsabilidade de Al Gore, ex-vice presidente dos Estados Unidos, sobre as malfeitorias que vários países, incluindo o seu, fazem à Natureza. Informo que o filme está no cineminha do meu bairro e que eu, por falta de tempo, também ainda o não vi. Acertámos ir os dois nesse mesmo fim de tarde. E fomos. As falas do Al Gore eram claras. O filme, em si, era barulhento a valer:desabamentos, ventanias, estrondos, sirenes. Nós, de olhos colados no ecran. E as sirenes que não se calavam. Até que a imagem desapareceu, as luzes se acenderam, e se ouviu uma voz calma e bem timbrada a pedir-nos que, sem pânico, mas rapidamente, saíssemos porque havia um incêndio no prédio. Íamos a meio da escada rolante quando pelo altifalante fomos avisados que devíamos ir à bilheteira receber outro bilhete, para o caso de querermos ver os quinze minutos de filme que que nos faltavam, ou para receber o dinheiro do bilhete se não estivessemos interessados. O de Ourém disparou a pergunta: “precisa de ver mais filme para saber quem são os gajos que andam a lixar o mundo?”. Reconheci que não, não precisava. Chegados ao átrio, o rapaz foi direito à bilheteira e veio de lá com o dinheiro.
Tínhamos ido ao cinema de borla. Este é o português desenrascado.

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VEM dar-me o teu voto, diz o governo, ou a compra dos votos à custa dos emigrantes

Esta invenção do VEM é escandalosa. Primeiro, Passos Coelho convidou (na verdade, obrigadou, face ao clima económico agravado pelo seu ir mais além do que a troika), dizia, “convidou” os portugueses a emigrarem e era se queriam ter emprego. Fizeram-no em 4 anos quase meio milhão de eleitores, perdão, portugueses. Ao saírem, contribuíram activamente para que as estatísticas de desemprego não fossem ainda piores e o governo, na malandrice, sempre fez as contas ao desemprego como se estas pessoas não existissem.

Até agora. Com a proximidade das eleições, o governo quer aliciar mais uns poucos e, simultaneamente, fazer passar a mensagem que estamos melhor, já que até tem condições para que voltem ao país. Propaganda, claro. Basta estar-se atento, por exemplo, ao que diz o INE.

Agora é esperar que a oposição faça o seu trabalho e desmonte a demagogia, já que, é sabido, os observadores-insurgente-blasfémos, só para citar os mais óbvios mas sem esquecer os opinadores da situação espalhados pela comunicação social, não se farão rogados ao seu habitual papel de caixa de ressonância. Por exemplo,  é só adaptar um qualquer eco: “Com pequenas ajudas pecuniárias dadas a um grande número de pessoas, aqueles que necessitam mais, recebem menos, mas o PS[D] atinge o seu objectivo: comprar votos.

No meio disto tudo, tem razão Cavaco Silva (alguma vez teria que ser). Cheira a eleições e o governo, esse mesmo que se estava nas tintas para elas, tresanda a eleitoralismo.

Portugueses em extinção

André Serpa Soares

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“Portugal pode perder até 4 milhões de habitantes”, até 2060. Nesse ano, cerca de 40% dos portugueses terão mais de 65 anos. Estas são as conclusões mais dramáticas de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos divulgado a semana passada pelo Expresso. Este assunto de máxima gravidade não parece ter preocupado grandemente a “Praça Pública”, entretida a discutir outras questões mais rascas.

Devemos juntar a este estudo um facto tão relevante como o de, nos últimos 4 anos, estimar-se que cerca de 400 mil portugueses abandonaram o País. Portugueses dos mais jovens – em idade fértil, portanto – e qualificados, note-se. Foram procurar lá fora o básico que Portugal não lhes dá: perspectivas de vida.

Já vamos aos que partiram e, eventualmente, desistiram de Portugal. Falemos primeiro dos que vão ficando.

Conforme se pode ver na imagem, os portugueses são os que mais horas por semana trabalham na Europa, logo a seguir aos gregos. Mas a verdade é que a nossa produtividade é miserável. Somos mandriões e maus trabalhadores? Merecemos tudo o que (não) temos e ainda pior? [Read more…]

O lúcido advogado do 44

Soares Sócrates

Foto@TVI24

Reformado e sem muito que fazer, Mário Soares tem dedicado muito do seu tempo a fazer a defesa, em praça pública, de José Sócrates. É legítimo: os amigos são para as ocasiões. E convenhamos que muitos dos argumentos usados por esta figura da democracia até fazem sentido.

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A imunidade das figuras da democracia

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Por estes dias, ouvi algo que me perturbou. Não a constatação em si, algo que pertence ao campo do óbvio, mas a naturalidade com que foi proclamado. Informaram-me vários órgãos da nossa comunicação social que, na decisão do DIAP de Lisboa de não abrir um inquérito às afirmações de Mário Soares sobre o juíz Carlos Alexandre, que em artigo no DN em que se colocou uma vez mais na pele de advogado do recluso nº44 avisou o super-juiz que se “cuidasse”, pesou o facto de Soares ser uma figura da democracia.

Não se trata aqui de julgar Mário Soares pela frase “E o juiz Carlos Alexandre que se cuide” que de resto nem grave chega a ser. Trata-se de ser confrontado com uma realidade em que o facto de um indivíduo ser considerado uma figura da democracia possa servir de pretexto para uma aplicação diferenciada da lei, algo que é altamente contraditório com o conceito de democracia de que esse individuo é figura. Como se já não chegasse a imunidade que, de uma forma geral, caracteriza a classe política, ser uma figura da democracia parece colocar cidadãos portugueses como eu ou o caro leitor num patamar de inferioridade relativamente a sujeitos como Mário Soares e similares. A menos que o caro leitor pertença a alguma casta claro.