Da série Crato é a escolha certa

O professor que tinha ficado colocado em 75 escolas desta vez arrebatou 95 horários

AO90: vogais fechadas para balanço

susceptível

Há três anos, um aluno, ao ler um texto do manual, pronunciou a – por assim dizer – palavra “atores” fechando o A inicial.

Este ano, durante uma aula de oitavo ano, uma excelente aluna está a ler um texto em voz alta. No manual, é assaltada por um “suscetível”. A aluna (excelente, repita-se) lê o E da segunda sílaba do mesmo modo que leria os de “apetite”. Numa idade em que não se consegue evitar reacções a erros alheios, a turma, com excepção de uma aluna, manteve-se impávida: para a maioria, não houve erro de leitura. Ninguém me contou estas histórias, acrescente-se. [Read more…]

“”Greve? Eu não, sou dos que trabalha”

direito_greve_sindicalismoDiogo Barros

Ao ler tantos e tantos comentários negativos relativamente a quem faz greve, compreendo que trabalhar com um mínimo de direitos e condições em Portugal é, não só uma realidade que cada vez menos pessoas têm acesso, como uma verdadeira prova de valentia e coragem psicológica. Estas pessoas, além do serviço diário que naturalmente já fazem, são alvo quase que diariamente de uma lavagem cerebral atroz de que aquilo que têm são ‘regalias’ e que ‘há quem esteja disposto a trabalhar ainda por menos’. Eu não consigo imaginar a culpa e a pressão que muitas dessas pessoas devem sentir e acho isso abominável. Uma sociedade de lobos ávidos de sangue.

Ao defender o direito à greve de tanta gente trabalhadora que fala mal da mesma, sinto-me completamente num filme. Num filme cheio de pessoas, infelizmente, miseráveis a defender com unhas e dentes o direito à sua própria miserabilidade. É triste.

Os meus parabéns a todos os trabalhadores com direitos por aí fora. Que não se sintam mal nesta sociedade que cada vez mais lhes aponta o dedo e que façam, mesmo, o oposto: lutem por manter o que têm e, mesmo, por ganharem mais! E obrigado por existirem e serem realmente, o motor do país.

A arte da cratomância

“Acertei quando escolhi Crato para ministro da Educação” – Passos Coelho

A preparar o insucesso dos alunos

Para além de uma actualidade desastrosa na Educação, graças ao experimentalismo do ministro, vale a pena olhar brevemente para o futuro.

De uma maneira geral, vários ministros da Educação e alguns cúmplices mais ou menos assumidos têm declarado que o sucesso dos alunos depende exclusivamente – ou sobretudo – da escola ou, mais especificamente, do professor.

Esta afirmação pode parecer um elogio, mas, na realidade, é uma  desresponsabilização e uma mentira.

Começando pela mentira, sabe-se, empírica e cientificamente, que o meio socioeconómico em que uma criança é criada tem, na maior parte dos casos, uma influência enorme ou decisiva no seu sucesso escolar. Já escrevi sobre isso, no âmbito de uma polémica em que alguns aventadores participaram. Descobri hoje mais dois textos sobre o assunto: Poor Kids Are Starving for Words e Starting School at a  Disadvantage: The School Readiness of Poor Children. [Read more…]

Banksy fresquinho

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Ou um encontro com Vermeer.

O adensar da catástrofe Espírito Santo

PT

(imagem: Expresso)

A confirmar-se que Governo, Presidência da República e Banco de Portugal teriam já conhecimento da situação do BES em Agosto de 2013, a situação em si adquire contornos de uma gravidade sem precedentes. Significa que houve negligência por parte do presidente da República que nos garantiu, por mais que uma vez, que as acções do BES eram seguras, significa que o Governo omitiu a gravidade da situação aos portugueses impedindo que medidas adicionais fossem tomadas e significa também que cai a falsa imagem de inocência e candura de Carlos Costa, o imaculado presidente do Banco de Portugal que agora se assemelha, mais do que nunca, ao seu antecessor Constâncio. O BCE poderá bem vir a ser a sua próxima casa.

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Isto foi um assalto

1,045 mil milhões de euros em benefícios fiscais às SGPS. Os pobres que paguem a crise.

Fiscocídio sádico

Na sua habitual estratégia de sadismo comunicacional, vários membros do governo foram alternando palpites sobre se a carga (canga?) fiscal que pende sobre os portugueses ia subir, baixar ou manter-se.

1º andamento: baixa a carga fiscal. 2º andamento: talvez suba a carga fiscal. 3º andamento: a carga fiscal mantém-se.
– Sai o OGE e o que nos dizem? Que a carga fiscal se mantém.
– O que vemos nós? Que vamos pagar mais impostos.
– Conclusão: eles disseram “a carga fiscal mantém-se; não disseram manter-se-à”.
Q.E.D.

Para reflexão

(será mesmo o fim do neo-liberalismo?)

Lixo

Costuma acontecer quando governos interferem na economia. Tenho dúvidas que este papel volte a ter algum valor…

Eleitoralismo do OE15 explicado por Luís Pedro Nunes

“E o único eleitoralismo que me parece que este orçamento tem é dizer que não é eleitoralista sendo que por isso é eleitoralista.”

Senhores capitalistas, seus acólitos neoliberais e beneficiários do sistema em declínio descontrolado:

acabou-se o «crescimento» “à maluca”.
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O que falta à Educação?

Mais recursos, literatura e curiosidade

Professores e a desORDEM

Lugares comuns há muitos e são sempre um ponto de vista respeitável até porque, por definição, são vistos a partir de um ponto. Entendo a existência de imensos lugares comuns entre os  professores porque, numa classe com cem mil pessoas, há sempre uns mais esclarecidos que outros.

E um dos lugares mais comuns é o da necessidade de existir uma Ordem Profissional para que a classe se possa mostrar mais unida. É um argumento que, por inexistência de prova, pode ser apresentado, mas a classe, sem Ordem, já deu vários sinais de unidade nos últimos anos. A greve aos Exames o ano passado foi o mais recente.

Ora, neste lugar comum da ordem, parece-me que os professores se esquecem de duas coisas: [Read more…]

As estranhas “poupanças” do Governo (ou o negócio da caridade)

caridadezinhaCarlos de Sá

Este governo tão “liberal” a privatizar e vender todo o património do Estado ao desbarato, afinal tem tiques estalinistas: o cuidado de cidadãos que precisam da ajuda de outros para o seu dia-a-dia é, no entender dessa gente, monopólio das instituições (particulares, embora) de “solidariedade social”.
A essas IPSS, o Estado paga 950 Euros por mês e por pessoa, e as IPSS (meu Deus, como são “solidárias”!) ainda ficam 85% dos rendimentos (a pensão de reforma ou de sobrevivência, na maior parte dos casos) dos internados. Já se os deficientes pretenderem ficar na sua própria casa, o mesmo Estado “ajuda-os” com 178 euros. Tudo muito bem explicado nesta excelente peça do Público.
Vistas assim as coisas, o governo não tem, afinal, nenhum tique estalinista; está apenas a engordar a sua clientela política: o negócio da “solidariedade”, melhor dizendo da caridadezinha, envolve muitos milhões e paga o conforto de que geralmente se rodeiam os dirigentes das instituições ditas de “solidariedade social”, a maioria das quais geridas pelas “Misericórdias” ou pela Igreja Católica Romana.
Também a galopada deste governo contra os beneficiários do Rendimento Social de Inserção teve como finalidade justificar o aumento do “auxílio” às novas sopas-dos-pobres. Assim se retira o pouco que restava da dignidade dos cidadãos carenciados, para alimentar a clientela política.
Não é por acaso que o actual secretário de Estado é Agostinho Branquinho, o ex-deputado que ficou esclarecido acerca da Ongoing depois daquela empresa o ter convidado para administrador, por dois curtos anos, na sua sucursal brasileira. No momento da sua nomeação, Branquinho era administrador da Santa Casa da Misericórdia do Porto, onde estava desde que tinha regressado do Brasil.

A mercantilização da medicina e a gestão economicista da Saúde

transformam os hospitais em linhas de montagem de fazer doentes para a morte. Mal chegam e lhes são retiradas as roupas, os doentes (e não disse clientes) «começam a perder a sua identidade; passados uns dias, mergulham num corpo passivo». Nos EUA, como em Portugal. Ora leiam.

A uma heroína anónima

Fotografia retirada da página online do Público

Fotografia retirada da página online do Público

Não ficará para a História da nação.

Ficará certamente na pequena história familiar, talvez a mais importante de todas, e principalmente na história dos quatro irmãos mais novos que salvou antes de voltar a entrar naquele maldito apartamento e o seu corpinho ser, desafortunadamente e injustamente, roubado de toda a vida. Será falada na família como uma heroína. Será contada aos sobrinhos que talvez lhe venham a dar e que nunca chegou a conhecer, da forma falaciosa que as nossas memórias nos fazem reviver momentos passados.

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Favores políticos

Muito contribuiram ao longo dos anos para o estado do país. E não parece haver fim à vista

É preciso respeitar Portugal, é um grande país

ZEE PT

(foto roubada ao J. Manuel Cordeiro)

Apresentado esta semana, o Orçamento de Estado 2015 prevê medidas adicionais de 291 milhões de euros para garantir que o défice não vai além dos 2,7%. Claro que nem com toda aquela maquilhagem com que a cinzenta Maria Luís apareceu no noticiário da RTP me convenço que vai ser desta que este governo incompetente (até nas desculpas) cumpre uma meta.

Isto deixou-me a pensar nas recentes declarações do primeiro-ministro francês sobre o seu OE15, que ao contrário do nosso prevê um défice de 4,3%, bem acima dos 3% impostos pela UE ou dos 2,7% impostos pela Maria das finanças. Dizia Manuel Valls, que pretende adiar por 2 anos o cumprimento do défice exigido por Bruxelas para 2015 (depois de ter já adiado de 2013 para 2015), que

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Presidência do Brasil

pres brasil

O leitor sabe então que Ulisses, reiteradamente qualificado pelo narrador como o mais subtil dos homens, vive a experiência da perfeição, desde o dia em que o acaso dos mares ou a vontade dos deuses marinhos o atiraram para aquela ilha perfeita, para os braços da perfeita Calipso.

Isabel Pires de Lima

 

Segundo o Público, a palavra ‘mentira’ foi a mais frequente durante o debate entre Dilma Rousseff e Aécio Neves.

Ao ler os programas de governo quer destes dois candidatos à presidência do Brasil, quer da candidata que ficou em terceiro lugar na primeira volta (Marina Silva), detectei palavras muito mais interessantes do que ‘mentira’ — caso não saibam, uma variante específica do conceito ‘indiciariamente inverdadeiro‘.

Adiante.

Se algum defensor, promotor e amigo do Acordo Ortográfico de 1990 se der ao trabalho de percorrer as páginas das propostas de Dilma Rousseff, Aécio Neves e Marina Silva, deixo já um aviso: tropeçará inevitavelmente em palavras exóticas, como aspecto, aspectos, concepção, confecções, excepcional, excepcionais, facções, infecciosaspercepção, perspectiva, perspectivas, recepção, receptiva, receptividade, receptivos, receptor, respectivamente, respectivas, respectivo, respectivos, ruptura e rupturas. [Read more…]

“Não tenho qualquer reação”

diz Mourinho. Nem eu. Efectivamente, em português europeu, ‘reação‘ não existe.

Que é que as esposas dos juízes do STA lhes andam a dizer?*

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* Título alterado, visto que, por lapso, tinha escrito STJ em vez de STA, tendo incorrido no mesmo engano ao longo de todo o post. Peço desculpa a todos os que inadvertidamente enganei. Estava preocupada com a notícia em si e confundi os Supremos. É o que dá quando nos concentramos naquilo que é realmente importante: a falta de conhecimentos – e de pinadelas – destes profissionais.
Depois de ter conhecimento desta notícia, só posso pensar que os doutos juízes do Supremo Tribunal Administrativo*  andam a ser – e bem – enganados pelas esposas.

Ora bem, todos estão com mais de 55 anos de idade e acham que ter relações sexuais naquela idade é irrelevante. Vários estudos provam que o sexo depois dos 50 é bom e faz bem à saúde, a menos que se enverede por práticas de risco (de notar que esta é uma notícia falsa).  Portanto, temos aqui algumas questões sobre as quais convém reflectir:

1- Os digníssimos juízes do STA* (entre os quais há uma mulher) pensam que sexo depois dos 50, sobretudo para mulheres, é irrelevante, o que, por si só, leva a pensar que esses senhores não conhecem bem as suas esposas. Ou que as esposas estão tão fartinhas de os aturar que lhes dizem que já não estão em idade para essas maluquices. Agora, pergunto eu, se está provado que sexo depois dos 40 é tão melhor, o que é que aquelas marotas andam a fazer? Hmmm, cheira-me a esturro! Se calhar, os senhores juízes até preferem não saber;  [Read more…]

João Grancho, uma carreira

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O seu currículo omite quantos anos esteve destacado na Associação Nacional de Professores, uma micro-organização para-sindical criada, como muitas outras, precisamente para livrar os seus dirigentes do suplício de terem alunos.

escrevi sobre a sua sustentada procura do poder,  quando tomou posse.

Agora pode acrescentar 2012-2014 – Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário ao currículo, e ocultar demissionário por motivos pessoais, despachado por plágio, deferido.

Desliguem as ventoinhas…

É recorrente falarmos em submarinos, face oculta, Tecnoforma estava na moda, mas reaparece o Monte Branco. Nada de novo no rectângulo

O capitão Grancho

não foi o último a sair do educanic

Pelo reconhecimento da Palestina

O parlamento britânico aprovou esta semana uma moção de reconhecimento do Estado Palestiniano. Na semana anterior, o primeiro ministro da Suécia declarou a sua intenção de propor o reconhecimento da Palestina. Mas o mapa publicado esta semana pelo Courrier International mostra um seguidismo chocante entre os países da OCDE à política internacional dos EUA. As iniciativas britânica e sueca tem o potencial de criar um efeito dominó na Europa e gerar uma pressão insuportável contra a política da direita e da extrema-direita israelita. Seria tão fácil Portugal aderir a esta tendência, apoio popular não falta.

Quero deixar bem claro que sou um grande apoiante daquela que foi a Iniciativa de Genebra celebrada entre israelitas e palestinianos a favor da promoção da paz e do reconhecimento mútuo. Move-me o combate contra as políticas de direita belicistas, intolerantes e segregacionistas tanto de israelitas como de palestinianos, e não a nacionalidade de cada um. Como já escrevi há uns anos no Cinco Dias, acho que o problema entre Israel e a Palestina é em grande medida uma luta entre soluções de esquerda e de direita. O que é dramático é que a direita (Hamas e Likud) tem o monopólio do poder.

ReconhecimentoPalestina

(Imagem Courrier International)

Intelectualmente desonesto

Começou por andar por aqui e por ali, mas estou certo, há uns bons anitos que o senhor Professor não dá aulas. Passou pelo CAE do Porto, ainda no tempo dos mini-concursos em papel, andou por aquela coisa que não sei bem o que é, mas que tinha uma linha telefónica e queria criar uma ordem, saltou para a DREN e depois para o Governo. Teimava em falar de professores como professor, o que não era rigorosamente verdade, mas, sobre isso, quem lhe  paga as despesas que se manifeste. A mim, enquanto professor, só me apetece lembrar o pensamento:

Bem prega frei Tomás, faz o que ele diz e não o que ele faz.

 

Copy Wrong:

uma oportuna e intensa reflexão sobre os direitos dos autores.

Mais do mesmo…

Há muito que deixei de acreditar no actual governo. Esta legislatura constituiu uma oportunidade perdida para reformar o Estado, à boleia dos compromissos externos assumidos. O pouco que se fez foi na maior parte das vezes errado. PPP’s, SWAP, foram mantidas, a Banca foi protegida em nome do conceito “to big to fail”, apesar de muitos classificarem este governo de liberal, a verdade é que a Liberdade individual é sistematicamente desprezada em nome do politicamente correcto ou socialmente aceitável. Nem me vou dar ao trabalho de discutir o Orçamento de Estado, pois teria que ir muito ao detalhe para encontrar alguns, poucos, aspectos positivos (descida no IRC e pouco mais). Sobre o grande objectivo de redução da despesa pública, com o qual obviamente concordo, não me é indiferente a forma como é alcançada e não me parece que aumento da carga fiscal possa ser defensável num país que já trabalha meio ano para pagar um monstro.

Mas pior, do lado do principal partido da oposição contradições no discurso entre destacados figurões não auguram nada de bom.