Claro que as coisas pioram quando alguém se julga anónimo. Que nem é.
Contra-informação
O fim-de-semana começou agitado para a espionagem nacional. Eram 08:03h, ainda o dia mal tinha começado, e eis que surge uma publicação no site do Expresso a dar conta de uma colaboração (secreta) entre as secretas portuguesas e a americana NSA. A notícia refere que não houve partilha de dados relativos a escutas e que esta parceria incide, fundamentalmente, nos países africanos onde – espantem-se (ou não…) – “a intelligence portuguesa é muito valorizada”. Se eu já tinha ficado espantado com a descoberta, esta semana, do cérebro de Miguel Relvas (o de Margarida Rebelo Pinto continua a monte), não posso esconder a surpresa que foi saber que as nossas secretas são muito valorizadas lá fora. Alguma coisa do aparelho de Estado que seja!
A tese
A pedido dos meus companheiros de blogue e de inúmeras pessoas que me fizeram chegar a vontade de a ler, pedi ao João José Cardoso que fizesse o favor de a “preparar” tecnicamente e a colocar no Aventar.
Aqui fica para todos aqueles que a queiram ler e à mercê de todos aqueles que a queiram “tresler”.
Frases que impõem respeito
O anonimato é o estado em que se pretende ocultar a identidade. A pseudonímia é o estado em que se acrescenta uma identidade à identidade. Assim, “Miguel Torga” não pretende ocultar a identidade Adolfo Correia da Rocha, está antes a acrescentar-lhe uma nova dimensão. Isso quer dizer que o “Miguel Abrantes”, um pseudónimo, não está a impedir o acesso à identidade que o criou – está é a dominar o modo como se dá esse acesso. E é por isso que ela, a identidade primeira, é conhecida de vários cidadãos. O facto de o Fernando Moreira de Sá considerar que um autor é anónimo apesar de assinar os seus textos e ser o responsável pelo seu canal de comunicação revela algo é a respeito de si próprio. Por exemplo, que não tem pinta, ou cabeça, para sequer descobrir como ter o prazer e a honra de apertar a mão do Miguel.
Valupi, pseudónimo, em directo de Rilhafoles.
Não me venham com falsos moralismos

Ao ver esta foto da casa improvisada de um casal de sem-abrigo, tirada por Pedro Crispim, o consultor de moda, e partilhada no Facebook, só me apetece esfregá-la nas trombas de quem ainda se ri com a situação de pobreza a que muitos dos nossos chegaram. Apetece-me perguntar a esses papa-hóstias (nem todos os católicos são assim, sei disso, e conheço alguns praticantes que são dos corações mais puros que existem, gente de bem, que faz tudo o que pode para ajudar quem precisa) que mal é que estas pessoas ou os seus antepassados fizeram para merecer isto. Apetece-me dizer a todos os que se acham muito importantes e desviam os olhares de cada vez que se deparam com cenas destas que aquelas pessoas são infinitamente mais dignas e mais merecedoras do que eles. [Read more…]
Nas senhoras não se bate nem com uma palavra
Um deputado adjectivou uma ministra com frígida: escândalo. E se fosse um ministro como impotente? silêncio.
O L’Équipe: efectivamente, o melhor jornal desportivo português

© Gustavo Bom/Atlantico Press/Corbis (http://bit.ly/1dCxHNM)
Não é novidade, mas a vitória de ontem frente à Suécia veio mais uma vez provar que, hoje em dia, para se encontrar ortografia portuguesa europeia na imprensa desportiva, só recorrendo a jornais franceses.
De vez em quando, claro, além de se compreender que o Acordo Ortográfico de 1990 é um instrumento inadequado, percebe-se que nem a hipocrisia ortográfica é um exclusivo do Expresso, nem a grafia à escolha do freguês é uma coutada do Diário da República.
Obrigado, L’Équipe.
Continuação de um óptimo fim-de-semana.
Muito baralhado com a prova
Anda tudo um bocadinho baralhado com isto das Provas para acesso à Profissão docente.
Para início de papo, é Nuno Crato o baralhado mor. Ele é o responsável pelo Ensino Superior e, por isso, é a ele que compete zelar pela qualidade da formação inicial de professores. O que faz então o senhor Ministro em relação aos cursos e, supostamente, à sua má qualidade?
Nada! Tudo continua na mesma e bora lá fazer uma prova a professores com mais de dez anos de experiência. Todos entendem que alguém que queira resolver o problema da poluição no Douro, deve começar o seu trabalho na Foz do Porto, certo?
Depois, anda baralhada a luta: a FENPROF em setembro chamou à atenção para a questão e até realizou iniciativas em que os contratados deram a conhecer a sua formação e a sua experiência. Na altura, os do costume, deviam ainda estar a apanhar sol na Caparica. Aliás, para quem esteve atento, este foi um dos pontos que esteve em cima da mesa na Greve que se realizou a 8 de novembro – tenho toda a certeza do mundo que TODOS os contratados que estão contra a Prova fizeram Greve no dia 8 (ironia!). [Read more…]
Exactamente: Fernando Moreira de Sá
Fernanda Câncio refere-se a “um consultor de comunicação entrevistado pela Visão”, “o consultor de comunicação”, “o entrevistado da Visão”, “o tipo” e José Pacheco Pereira a “um dos participantes”. Acabo de ler a entrevista e, imaginem só, “um consultor de comunicação”, “o consultor de comunicação”, “o entrevistado da Visão”, “um dos participantes”, “o tipo”, afinal, escreve aqui no Aventar e, vejam lá, até tem nome e tudo: Fernando Moreira de Sá!
F e r n a n d o M o r e i r a d e S á.
Repararam?
F e r n a n d o M o r e i r a d e S á.
Não é difícil.
És grande, Fernando Moreira de Sá!
Foi há alguns anos, ainda no período pré-socrático, mas lembro-me perfeitamente da forma como um amigo socialista narrou o seu dia-a-dia numa Câmara Municipal dirigida pelo PS. Um dia que começava com o Fórum da TSF, que ele estava incumbido de acompanhar. Diariamente, ou sempre que o assunto estava de alguma forma relacionado com a política, tinha de telefonar para a rádio e, fazendo-se passar por um anónimo ouvinte, deixar a sua opinião, obviamente em linha com as posições do PS.
Passou muito tempo e as máquinas partidárias modernizaram-se. É provável que ainda haja elementos destacados dos Partidos para acompanhar o Fórum (basta ouvir), mas agora o combate alargou-se e passa, em grande parte, pela internet e em especial pelas redes sociais.
É, pois, com enorme espanto que tenho vindo a acompanhar o coro de hipócritas que tem vindo a atacar o Fernando Moreira de Sá por causa da sua tese de mestrado, resumida na entrevista que deu ao Miguel Carvalho da «Visão».
Todos esses hipócritas sabem que é verdade o que o Fernando descreve. Era verdade nos tempos de José Sócrates, a um nível que já todos sabíamos escandaloso, continua a ser verdade com Pedro Passos Coelho e continuará a ser verdade no futuro, seja com quem for.
O que não percebo é o porquê de tanta irritação. Toda a gente sabe que toda a gente sabe. Mas desde que não se fale no assunto, tudo bem. A hipocrisia humana em todo o seu esplendor.
Lamento informar-vos, seus hipócritas, mas nem todos são como vós. Há quem insista em sair do rumo a que os vossos patrões vos querem condenar. Há quem insista em ter voz própria e não queira limitar-se a ser a voz do dono.
Por tudo isto, és grande, Fernando Moreira de Sá. E não só no sentido literal. És mesmo grande e eu tenho um enorme orgulho em fazer parte de um colectivo onde tu estás presente.
Olha, em Portugal há manipulação política…
De repente parte do país descobriu que havia (há) manipulação política nas redes sociais e em órgãos de comunicação social. Um facto extraordinário. Em Portugal? Sim, em Portugal, esse país até agora imune a algo que acontece no resto do mundo.
Uns reagiram como virgens ofendidas inocentes, fazendo de conta que não sabiam de nada. Outros, inocentes, não sabiam mesmo de nada. Não sei qual destes estatutos seria o melhor. Se tivesse de optar, teria preferido ficar no leque dos últimos. Pelo menos eram inocentes puros, até alguém lhes roubar o chupa-chupa.
Esse alguém foi Fernando Moreira de Sá, que, por sinal, é meu amigo. Ao contar à Visão a sua perspectiva de um período agitado da política lusa, colocou a nu a forma como se faz política. Não apenas em Portugal. Não apenas neste momento. Em todo o mundo e desde sempre. O que mudou foram os meios.
Comunicação política Digital (entrevista #2) – a lata
Uma coisa muito portuguesa é falar do que não se leu/sabe transformando a ignorância em douta opinião.
Um velho amigo enviou-me um artigo da Fernanda Câncio no DN sobre, entre outras, a minha entrevista à Visão. Depois de ler, avisei alguns companheiros de blogue que já não será preciso colocar no blog em PDF cópia da tese. É pedir à Fernanda (e a outros), estou certo que ela já a leu, dada a certeza das suas conclusões. Vejamos: [Read more…]
Fortes com os fracos…
Símbolos Nacionais Personalizados para Políticos Necessitados
Ultimamente os símbolos nacionais têm andado em bolandas, tanto de modo figurado (o «desculpemqualquercoisinha» do Machete, o «somosumprotectorado» do Portas) como literal (o pino no 10 de Junho, a bola branca no México).
Considerei por isso lançar uma colecção de símbolos personalizados a usar pelos políticos em causa para ajudar ao cabal desempenho das suas funções. É uma mera proposta mas já obtive o acordo da Ângela…
Cruz
Usaste mal a tua cruz, ao votar, no dia das eleições? Então, para ti, é bem feito que a carregues pela vida fora e te seja bem pesada!
Os banqueiros vão passar um Natal complicado
– disse o ricardo do Espírito Santo salgado, preocupando-se com os testes de stress. Relax, está dado o tom e afinação para regressarmos às festivas cantigas da quadra:
Já há uma petição solicitando ajuda humanitária aos desvalidos.
É Natal.
A Comunicação Política Digital – a entrevista (1)
Notas Breves: A entrevista feita pelo jornalista Miguel Carvalho (Visão) foi realizada após várias conversas prévias nos meses de agosto e setembro (se a memória me não falha, a entrevista propriamente dita, foram mais de quatro horas, foi em outubro). O jornalista sabia do teor da minha tese (a eleição de Pedro Passos Coelho como presidente do PSD e a influência da blogosfera e redes sociais) e do resultado da mesma em termos académicos. Obviamente, a entrevista só foi realizada depois do Miguel Carvalho ter tido uma cópia da mesma e a ter analisado ao pormenor. Quanto à entrevista, como pode testemunhar o Miguel Carvalho, foi franca e leal. Sem meias palavras, “rodriguinhos” ou artimanhas. Nada tenho a reclamar, independentemente de um ou outro pormenor que, misturado, pode e está a gerar alguma confusão. O que é absolutamente normal: uma entrevista de tantas horas reduzida a três páginas de revista teria, forçosamente, de ser assim. Muito do que foi dito não está lá nem podia estar face aos naturais constrangimentos de espaço e o que está dito, por vezes, fruto do normal corte e cose, pode ser interpretado de forma errada. Porém, isso não invalida, bem pelo contrário, a forma enviesada como alguns a querem ver/ler. O que também não me espanta. E até percebo as razões…
A tese que defendi mais não é do que um estudo académico sobre a influência da blogosfera e das redes sociais na comunicação política digital naquelas eleições internas. Deixando já claro algo que afirmo na minha conclusão: não se vai voltar a repetir. Por variadas razões que não vale a pena estar aqui a discutir. Mas, permitam-me que vá directo a um tema que está a gerar bastante confusão (e que a publicação, em breve, da tese no Aventar, vai permitir esclarecer melhor): o Albergue Espanhol.
Sim, Bebé?
Atendimento telefónico das Finanças (é como quem nos fode).
“Estamos aqui para ti…”
Novas da Extrema-Direita Gaulesa
A sociedade portuguesa tem problemas angustiantes. Mas um deles não é a estúpida deriva provocatória e o ascendente cultural da Extrema-Direita, capaz de ousadias gravíssimas, muito mais graves que a erecção de uma estátua fria e morta a um santo mafioso, suposto arqueológico instigador bombista anti-comunista.
Em França, pelo contrário, passa pela cabeça de um pasquim formular parangonas com alusões e associações xenofobizantes de um profundo mau-gosto: «Esperta como um macaco» ou «Um sorriso em forma de banana»., por acaso alusivas a uma ministra. Daí que o ministério público francês tenha aberto uma investigação preliminar por «injúria pública» ao semanário «Minute» por ter feito como manchete «Maligne comme um singe, Taubira retrouve la banane», com uma foto da ministra da Justiça, Christiane Taubira, que não vai apresentar queixa: «As pessoas que são alvo de comentários racistas, antissemitas ou xenofóbicos não são atacadas apenas pessoalmente, mas também por aquilo que são e que aparentam ser. E há que relembrar que não se trata apenas de uma opinião, mas de um delito a sancionar.»
Disse a ministra e disse muito bem.
Afinal dá mesmo para prender políticos corruptos!
É estupidamente irónico que no mesmo dia em que a PGR anuncia o arquivamento do processo da branqueamento de capitais contra o vice-presidente angolano Manuel Vicente, nos chegue a notícia de que o Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiu condenar a penas de prisão 9 dos 25 réus do processo Mensalão, entre eles José Dirceu, antigo ministro de Lula da Silva, e José Genoino. E poderá não ficar por aí.
Não deixa de ser triste continuar a desempenhar a função de lavandaria do nepotismo de Estado angolano ao mesmo tempo que somos constantemente ameaçados de que a “parceria estratégica” ardeu. Mas pelo menos hoje tivemos uma boa notícia: afinal, é mesmo possível condenar políticos corruptos a penas de prisão no espaço da Lusofonia.
Será que dá para fazer uma “parceria estratégica” o STF brasileiro para uns intercâmbios ou uns workshops? Dava jeito explicar aqui à malta como é que se prendem esses gajos, somos mesmos fraquinhos nessa área…
Prá-Kys-Tão
Num mundo perfeito quem saísse de casa para ir estudar numa universidade ia viver para uma república. Aprendia o que tinha para estudar e a viver com os outros. O mundo é como é, e as repúblicas de Coimbra estão a sofrer um ataque que já foi tentado na década de 80, e que desta vez ameaça ter sucesso. Pela primeira vez uma lei das rendas não as contempla.
Há que defendê-las uma a uma, até porque não se sabem unir. A Real República Prá-Kys-Tão está desde 1951 na mais bela das casas, a Casa da Nau, e precisa de fazer obras:
Para ajudar, é aqui.
O mundo a um passo de se tornar um lugar melhor…
…para mulheres, dissidentes políticos, e democratas em geral. A liberdade tem motivos para comemorar!
Ratos de sacristia direitolas
Não sou muito de trazer para aqui coisas que escrevo no Facebook, mas às vezes salta-me a tampa e por isso aqui vai:
São os subsídios de tostões que o incomodam? Não o perturba o subsídio de milhões que é dado à EDP e que lhe garante rendas fixas mesmo que a população consuma menos energia? Não o perturba os subsídios dados aos colégios privados ao mesmo tempo que se corta na Escola Pública? Sabe que o Estado gasta mais dinheiro com os colégios privados do que com o Rendimento Social de Inserção? Os subsídios aos ricos, está visto, não o incomodam. Só o incomodam os subsídios aos pobres. E depois se calhar é dos que vai para a Igreja bater no peito!
(a propósito de um parvalhão qualquer, certamente rato de sacristia direitolas, que dizia qualquer coisa como isto no mural de um amigo: «Para mim, Eduardo, o problema dos subsídio-dependentes é que enquanto lhes dermos tudo eles não se preocuparão com mais nada. Recebem subsídios para as despesas, as Conferências Vicentinas apoiam com comida, na escola e na saúde nada pagam. Será que vão trabalhar???)
Confirma-se: a culpa foi da Nossa Senhora
Paulo Portas tinha razão. A culpa do naufrágio do Prestige não é dos homens.













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