Goste-se ou não, isto não é para todos: desde o início oficial da campanha, Marco António Costa passou por cerca de 30 concelhos dos distritos da Guarda, Braga, Castelo Branco, Lisboa, Santarém, Viseu, Porto, Viana do Castelo e Leiria.
Formiguinha Política
Diálogo de Woody Allen com os seus dois clientes portugueses a propósito de um filme sobre um sítio
(com palavras roubadas à obra do próprio Woody e, para nossa desgraça, às declarações do político português)
ou LUSITANA LOUCURA ou O ARTISTA E OS BIMBOS
“Nunca!” – gritou Luís Filipe Meneses, ao saber que Paulo Portas queria encomendar a Woody Allenn um filme sobre Lisboa. “Isso é uma manifestação intolerável de centralismo! O filme deve ser sobre o Porto e, digo mais, sobre o Douro, Braga e Guimarães e talvez outras cidades médias do Norte.”
Visto isto, o candidato à Câmara do Porto avisou o mundo sobre a sua intenção de se dirigir a Nova Iorque e tentar dissuadir o cineasta de aceitar a oferta do vice-primeiro português aprovando, em seu lugar, a sua. Informado, Woody Allenn lembrou que “a vocação de um político de carreira é fazer de cada solução um problema” e, ao saber quem o procuraria, resolveu esconder-se desabafando: “a única coisa que lamento na vida é não ser outra pessoa”.
Localizado pelo telefone e ouvindo os planos do portuense, desencadeou uma crise de hipocondria e, rindo histericamente, lá foi respondendo “se quiseres fazer Deus rir, conta-lhe os teus planos” e, desligando o telefone, sentenciou: “mas que mundo este. Poderia ser maravilhoso se não fossem certas pessoas”. Mas Allenn subestimou o empenho dos dois candidatos a mecenas. Assim, foi surpreendido por ambos – sim, por ambos – à saída de um dos seus concertos noturnos de clarinete, num bar da sua cidade.
Esbugalhando os olhos, descobriu ali que “a vida divide-se entre o horrível e o miserável!”. Mas não podia fugir. Ouviu, pois, em estado pré-cataléptico, os dois visitantes, que se atropelavam nos seus lamentáveis argumentos. Com a ajuda de músicos amigos, lá conseguiu ir-se afastando, murmurando garantias de que ia pensar no assunto.
Chegado à segurança morna do lar, encostou a cabeça no regaço da companheira e, entre nervosos soluços, lá foi explicando: “apesar de tudo, há coisas piores que a morte. Se alguma vez passaste a noite com dois políticos de direita portugueses (vendedores de seguros, no original), então sabes do que estou a falar (…) quero voltar para o útero; qualquer útero (…) porque não fala Deus comigo? Se, ao menos, ele tossisse!”.
Somos Todos Burros, Meo?

Eu ainda sou do tempo da PT-monopólio, do tempo em que aquela empresa (pública então) não fornecia factura sobre o dinheiro que lhe apetecia cobrar, do tempo em que se esperava dois anos pelo acesso a uma linha telefónica, do tempo em que se pagava uma chamada regional ao telefonar-se para a rua ao lado só porque aquela era noutra freguesia, noutro indicativo telefónico. Eu ainda sou do tempo em que a PT queria, podia e mandava, incontestada.
O tempo passou e as coisas mudaram. Não tanto como se desejava. O caso – esquizofrénico? – é mais ou menos este:
– de entre “um milhão de clientes” do serviço MEO surge um cliente que pretende abdicar dos serviços da Portugal Telecom. Pretende abdicar porque é livre de o pretender e, nada devendo a ninguém, é livre de o pretender. O cliente pretende abdicar do serviço MEO e contacta a linha telefónica de atendimento a clientes. Chama a pagar, claro, pelo ainda-cliente. O cliente telefona e quase se lhe esgota o saldo, de um telemóvel ainda-TMN.
De um moderno call center, os tais que produzem dezenas-centenas de postos de trabalho para jovens [Read more…]
Tenho Comido Amoras do Caminho
Tenho comido frutos silvestres do caminho.
Amoras. Uvas. Inaudita doçura.
Paro.
Fico à beira-ruínas,
esticando muito o braço para alcançar os mais túrgidos.
Quinze minutos entre colher e comer. Às vezes mais.
Ignoro os carros que passam
e talvez pasmem por trás do meu atrevimento recolector.
Acho que voltei àquela espontânea pureza da primeira infância
de não andar nada preocupado
senão com cada minuto grávido de si-minuto no meu dia,
entre amar, cuidar, entre ler, escrever, correr.
Suor.
Todos os dias, a cada dia,
chova ou não, tenho o meu Mar só para mim,
adorado e tocado da minha praia,
já esvaziada de hereges cegos ao grande e macio verde,
já livre de apóstatas do sagrado rebrilho, espumoso, azul.
Uma hora a contemplá-lo e adestro-me para todos os combates estáticos
nas vastas estepes da consciência.
Cada onda, coleando por sobre rochas milenares, é minha e saúda-me.
Cada rumor de maré que brame e brade é voz interior para mim.
Setembro crepuscular. Embrenham-se os humanos no que os devora.
Conservar o ilusório possuído. Aumentá-lo.
Mínimo e Minimal, floresço mais leve, estável, feliz.
Nómada de todos os Possíveis,
minha Praia, meu Mar voltaram a ser só meus,
coisa-pleroma só para mim, único a vê-los.
Carta de uma professora aos governantes
Encontrei a referência no Paulo Guinote e resolvi deixar aqui uma tradução da carta que a professora Judy Willner enviou ao governador Tom Corbett e ao mayor Michael Nutter. Qualquer um deles poderia integrar o governo português, pois ambos se dedicam também à destruição da escola pública.
Caros governador Corbett e mayor Nutter
Por favor, venham visitar a sala do meu terceiro ano e explicar-me como ensinar 32 alunos, 24 dos quais são rapazes. Por favor, expliquem-me como lidar com crianças malcriadas e desrespeitadoras e manter, ainda assim, o controlo da minha aula. Por favor, expliquem-me como poderei criar grupos de leitura ou fazer planos de aula que possam melhorar a educação destas crianças. Por favor, expliquem-me como devo manter a calma, quando tenho crianças a correr pelos corredores e à volta da sala, incomodando os colegas. Por favor, expliquem-me como é possível ensinar um programa de Matemática sem livros e sem papel. Por favor, venham explicar-me como posso planear o meu dia de trabalho de modo a que não me limite a disciplinar as crianças. Por favor, ajudem-me a ajudar aqueles que querem aprender. Por favor, venham explicar-me como poderei ajudar todas estas crianças, quando sou apenas uma pessoa.
Salvo erro, cada um dos senhores tem pessoal que vos ajuda a dirigir a cidade e o Estado. Corrijam-me se estiver enganada, mas tenho a certeza de que ninguém grita convosco, ninguém vos ignora, ninguém vos insulta, ninguém foge do gabinete enquanto vos atira com alguma coisa. Corrijam-me se estiver enganada, mas penso que têm o material de que precisam para que os vossos gabinetes funcionem. Corrijam-me, ainda, se estiver enganada – alguém está a tirar-vos parte do salário e dizer-vos que é vossa obrigação pessoal “resolver o problema do orçamento”?
Não me venham dizer que outras regiões têm os mesmos problemas e que também terei de suportar tudo isto até ao fim do ano. Não se atrevam a dizer-me que não me preocupe com aqueles que não querem aprender e que me concentre naqueles que querem. Não me digam que estão a trabalhar para melhorar a situação de Filadélfia. Finalmente, nunca, nunca culpem os professores pelos problemas que afectam a nossa região.
Assim, façam o favor de me contactar quando estiverem dispostos a tomar conta dos meus alunos durante uma hora. Tenho a certeza de que não aguentarão dez minutos.
Outra vez o voto em branco
Imagem daqui.
O apelo ao voto em branco, como forma de protesto (!), prossegue. Para quem não tem cabeça para ir ler (e interpretar, pois não não está claro, de forma alguma) o que está escrito no site da CNE, aqui vai:
Se num universo de 100 votos 90 forem em branco (oh fantasia saramaga), e apenas 10 nos candidatos, imaginando que um deles consegue 5 votos, um outro 3 e o restante mais votado 2, o candidato com 5 votos é eleito, apesar dos 90% de votos em branco.
Os votos que valem são apenas aqueles que o sistema eleitoral (tal como está construído) considera válidos, por muitos votos em branco e abstenção que haja. Merecia um boneco do Antero!
O travestismo político em António Marinho Pinto
Decidiu o bastonário dedicar a sua crónica no JN ao dandismo político. Alvo? o Bloco de Esquerda em geral e a candidatura independente Cidadãos por Coimbra em particular. Traça um retrato impiedoso: “O dândi ou janota intelectual é uma pessoa que ostenta em regra um discurso intrinsecamente muito coerente.” e remata com esta descoberta brilhante: “Esse movimento ao serviço do BE mais não pretende do que criar dificuldades eleitorais à CDU e, sobretudo, impedir a eleição do socialista Manuel Machado, único candidato de esquerda com possibilidades efetivas de (re)conquistar a presidência da Câmara Municipal à direita.” Isto recorda-me o clássico ao serviço de Moscovo, e é capaz de irritar um bocado aqueles que como eu não participariam num “movimento comandado pelos dândis do BE na cidade“, nem se sentem “politicamente à deriva.”
Ora, e com toda a consideração pessoal que não deixo de ter pelo Marinho da Anop, estou em crer que algo lhe turva a memória. A memória de quem denunciou o caso dos CTT e agora vê em Manuel Machado esquerda, o mesmo Manuel Machado que não pode contar na sua equipa com Luís Vilar porque um tribunal o condenou a 4 anos de pensa suspensa e “à pena acessória de proibição do exercício de funções como titular de cargo político“, precisamente por envolvimento no caso dos CTT enquanto vereador de Manuel Machado, o homem que entregou a câmara de Coimbra ao PSD.
O António Marinho Pinto que nos primórdios do Bloco se prontificou a encabeçar a sua lista para o Parlamento Europeu (coisa de que me recordo tão perfeitamente como a sua recusa em ocupar outro lugar), e fiquemos por aqui, terá mudado de vestes mas suponho que não mudou de género. Só é pena que ande agora, feito travesti, à deriva pela amnésia conimbricense.
Futurologia

Daqui a muitos anos, um concidadão meu lá do futuro (há palavra para tal?) há-de desencantar, de algum arquivo, as actas da reunião de ontem da Assembleia Municipal do Porto, e descobrir, porventura com um esgarzinho irónico do canto do lábio, que no ano de 2013 havia, nesta nossa comum cidade, um autarca de nome Rui Rio (quem?) que, na despedida, informou a cidade, o país, quiçá a galáxia, ser “possível pôr as contas em ordem e ao mesmo tempo fazer obra”.
Mas se este meu concidadão for um amante da cidade e conhecedor da sua história, há-de soltar uma risada e comentar, só para consigo, com esse distanciamento que só se pode ter com as coisas do passado: “Olha que pena não teres feito nem uma coisa nem outra”.
Mensagem Para Quem Ama o Futuro
Podemos adoptar duas atitudes relativamente ao nosso futuro colectivo imediato. Ou acreditamos nele e apostamos nele. Ou dispomo-nos a desistir, sendo que desistir é morrer, mesmo que só seja emigrar. Os desafios colocados pela Troyka, por causa da dívida cavada pela Gestão Política em Portugal até 2011, são, na verdade, os velhos desafios colocados pela Política à Portuguesa a si mesma e a nós: durante anos, mesmo décadas, toda a noção de obra materializava-se em estruturas físicas, basicamente, e na parecerística cara contratada fora do Estado para coisa nenhuma a não ser para bizantinar e tornar inextricáveis contratos como os swap, as ppp e estupros colectivos a prazo similares.
Chegou a hora em que as dimensões espirituais, culturais e humanísticas, farão toda a diferença no grande menu dos principais centros urbanos nacionais e, logo, dos Governos com Estratégia Nacional. Em vez de uma rotunda, um ciclo de Música Popular; em vez de um Anfiteatro, de um alargamento de Cemitério, de uma Sala sumptuosa para Reuniões e Espectáculos, uma Semana de Teatro e Poesia e a profusão de grupos, devidamente apoiados e acarinhados pelos poderes públicos e pela comunidade, onde iniciativas de Arte pontifiquem. Aqui se inscreve a minha confiança total nos munícipes que investem parte dos recursos autárquicos em manuais escolares gratuitos, em medicamentos comparticipados, em residências municipais sociais, Infantários, ou mesmo em vacinas fora do plano nacional igualmente gratuitas. [Read more…]
A inconsistência de Nuno Crato
Santana Castilho*
Não há nada como o querer do candidato autárquico Luís Filipe Menezes. Bastou o concorrente do PSD prometer que, se ganhar, todas as crianças do Porto terão Inglês no Básico, para Nuno Crato dar a pirueta da semana. O inconsistente ministro afirma agora que pretende tornar o Inglês obrigatório, incluindo-o no currículo do 1º ciclo do Ensino Básico. Num dia desvalorizou a disciplina (anulou a obrigatoriedade de inclusão nas Actividades de Enriquecimento Curricular do 1º Ciclo e reduziu-lhe a carga horária no 2º e 3º). No outro promoveu-a a fundamental. Depois disto e das mentiras que nos ofereceu na recente entrevista à SIC, alguém sensato pode confiar neste ministro catavento?
Para além da espuma da inconsistência, que produziu notícias, parece-me necessário fixar a substância da incompetência, que marca a realidade.
A incontinência conceptual caótica de Nuno Crato permite que tenhamos hoje crianças que poderão concluir o 1º ciclo do Básico com 4, 3, 2, 1 ou nenhum ano de Inglês. Tudo em nome da “livre escolha” e de uma cínica “autonomia”. E é nestas condições de “igualdade” que se prepara o percurso, a medir por mais um exame. [Read more…]
Braga: Perguntas e Ideias
Braga precisa urgentemente de respostas a muitas perguntas de resposta adiada, décadas a fio…
Sim, de fato
A verdade, porém, é que, apesar de o final do período de transição ainda se encontrar distante, ao nível do ensino, das instituições oficiais, nacionais e internacionais, e das restantes entidades públicas, o AOLP90 já foi quase plenamente aplicado, como o Estado determinou, sem problemas de maior
No entanto, passados seis meses:
- “Discriminação do ato, fato ou contrato sujeito a liquidação”.
- “As dívidas por taxas prescrevem no prazo de 8 (oito) anos a contar da data em que ocorreu o fato tributário”.
- “A paragem dos processos de reclamação, impugnação e execução fiscal por prazo superior a 1 (um) ano, por fato não imputável ao sujeito passivo”.
- “No âmbito do Capítulo VI, Seção IV do anexo I da Tabela de Taxas do presente Regulamento (…)“.
Peço desculpa pela interrupção.
Agora, já podem continuar a encolher os ombros e a achar que isto não está a acontecer.
Síndrome do Franganote
À medida que a informação é recolhida e se repetem nas TV as declarações martirizadas e autovitimizantes de Nuno Lobo, além do cansaço e do tédio que suscitam, percebe-se melhor e até se reforça o problema de afirmação que ali medra em gérmen. Nuno é um franganote. E não tem culpa nenhuma disso. É da sua natureza ser franganote e reagir como um franganote. Eu simplesmente sugeriria que da próxima vez que cerrar os punhos na cara do Caldeira e do Pinto da Costa a propósito de um ou dois golos irregulares de uma equipa de Lisboa, o faça devidamente ladeado por guarda-costas com papel meramente dissuasor. O que não vale é provocar insolentemente o adversário, ter resposta à altura, e depois vir choramingar para as TV e chamar em sua derradeira assistência, em modo brutamontes-capanga, a nossa já tão assoberbada Justiça. Isso é o síndrome do franganote: num primeiro momento, atrevido; num segundo, com medo e em fuga aflita. Assim se comportam as crias de muitos mamíferos. Por isso, onde se lê Lobo, dever-se-ia ler chihuahua. O chihuahua da AF Lisboa quer, mas a medo, a hegemonia da AF Lisboa no Futebol Nacional e levanta cabelo, mostrando existir lá, onde ainda não tínhamos dado por ele. O défice de afirmação física, fisiológica, vocal, e até moral de Nuno Lobo tornou-se um espectáculo deprimente a que nos deveria ter poupado. Somado ao de Jesus, barafustando a torto e a direito contra a acção legítima da polícia, em Guimarães, apenas para cair nas boas graças da Tribo Aquilina, a deprimência nessa trincheira sulista passou à categoria de lenda piolhosa e treta famigerada. Parabéns.
A voceízação toma conta da sociedade
Confesso que estou farta, cansada de tanto «você».
E este cansaço torna-me violenta. Ainda não bati em ninguém, mas já faltou mais.
Vou a uma loja da Zon, a funcionária, simpática e solícita atende um cliente. Depois de o meu oto-radar apanhar o primeiro e o segundo «você», pus-me à coca. Comecei a contar. Durante o atendimento a um cliente, a menina tratou-o por você seis vezes. Se fosse comigo, não sei se aguentaria. «Você pode escolher os canais», «Você é que selecciona», «Claro, você faz assim na sua televisão»,…
Um dia destes enquanto fazia voluntariado, uma das pessoas responsáveis pela instituição, no mínimo licenciada, ao que percebi: «Preciso que você me dê aqui uma ajuda», «Você depois faz assim»,…
Você, Você, Você!
Não aguento!
Serei só eu?
Caros leitores, se alguma vez me encontrarem na rua e falarem comigo, a menos que sejam um negão bem jeitoso que me diga com voz rouca «eu quero você», façam o favor de me chamar Noémia ou até senhora. Na dúvida tuteiem-me.
Você nunca!
Mau Gosto e Mau Português
Aí está o condicionamento psíquico do redil eleitor provindo das hostes socialistas-bloquistas-comunistas. Será isto justo para os bons candidatos sejam de que partido forem?! Ir a jogo lealmente, isso é que o desespero segurista não pode nem o dos outros. Primeiro, foram as impugnações manhosas na secretaria, festa do PS e do BE. Agora, a tentativa do tudo ao molho contra o PSD e CDS-PP e fé em Deus, como se subjacente a uma eleição local não repousasse o princípio de escolher os melhores e mais capazes. Não se deixem enganar: dia vinte e nove, votem no melhor candidato do BE, no melhor do PS, no melhor do PSD, no melhor do CDS-PP, no melhor do PCP/PEV. Se fosse possível que nos vingássemos do Governo com eficácia, jamais poderíamos perder a oportunidade de nos vingarmos do PS igualmente, porque devastou e porque é frouxo. Infelizmente, não nos podemos vingar do BCE, da CE e do FMI, senão fazendo o que nos pedem e o que a Alemanha, por trás, exige inflexivelmente.
Imagens do Bairro de S. Sebastião
Ontem, Carlos Esperança partilhou isto na sua página de Facebook.
Copio para aqui porque retrata o que muitos de nós sentimos. Já li e reli várias vezes este texto e a teimosa da lagrimazita continua a cair.
Quem dera que fosse o governo e os interesses tão egoístas a cair. O povo, esse, creio que ainda é solidário com quem sofre.
«Imagens do bairro de S. Sebastião
Avalio o que é chegar a casa, ver a alegria dos filhos, e reprimir a lágrima de quem não sabe se mantem o emprego e a capacidade de os sustentar. Até quando a sopa e o arroz com carne de segunda, onde já falta a fruta, poderão perpetuar a dieta mínima com que se criam os filhos?
Hoje, do outro lado da rua do prédio onde moro, em frente a uma garagem, por baixo da capela, dezenas de pessoas aguardavam a distribuição de víveres que uma instituição religiosa distribui regularmente. Havia gente de todas as idades, negros e caucasianos, homens e mulheres, numa fila que cresce, em cada semana que passa.
Por pudor, quando passei, baixei os olhos, mas reconheci várias pessoas cujas carências ignorava. Até quando é possível manter a fome escondida, esta sobrevivência ameaçada e a dignidade atingida?
Nos olhos tristes de quem pede vi o reflexo de uma sociedade em fila a estender a mão à caridade, perdidos os sonhos de uma vida digna, espoliada do direito á felicidade.
Do meu bairro vi o País.»
Texto escrito por Carlos Esperança e publicado na sua página de Facebook
À Luz Insólita Ramos-rosiana
Foi na Faculdade que em mim primeiro cintilou o encantamento pela poética ramos-rosiana. A impressão do gosto, da suavidade, da linearidade rugosa do texto, da luz insólita, ficou-me como o frutado de um bom vinho tinto algures na degustação, ficou-me como se tivesse sido eu. Desde então, o meu escopo não era bem lê-lo, mas ser-lhe similar, acumulador em palimpsesto de aromas poéticos rumo ao meu projecto de me tornar num Novo Camões, num Super-Pessoa.
Aí estão as sondagens
As sondagens são um instrumento de acção política utilizada pelas máquinas políticas, que as usam tal como um outdoor ou um espaço nas redes sociais. Não sei se os Partidos conseguem condicionar a forma como a Comunicação Social as divulga, mas se o PSD parece conseguir condicionar a CNE…
Do ponto de vista formal obedecem a algumas regras, uma das quais exige a sua publicitação na Entidade Reguladora para a Comunicação Social.
Existe ainda uma dimensão de análise mais técnica que permite um olhar mais matemático sobre os dados disponíveis. O Pedro Magalhães ( Margem de Erro) é um dos melhores especialistas nesta área.
Vem isto a propósito da sondagem de hoje do JN sobre Matosinhos. Não sei se os dados estão martelados e por quem – não vou perder um minuto com isso. A minha pergunta é outra. Podemos ler, na publicação que “Foram efetuadas 838 tentativas de entrevistas e, destas, 123 (14,7%) não aceitaram colaborar no estudo de opinião.
Isto é, 715 pessoas poderá ser uma amostra representativa do concelho?
E o que dizer sobre “a selecção foi feita de forma aleatória na lista telefónica”?
Quem é que hoje tem telefone fixo com indicação na lista telefónica? A propósito, ainda há listas telefónicas?
Requiem pelo I Programa de Resgate?
Se houver um segundo resgate é porque a política, o jornalismo e o comentário político falharam. Não sou, jamais serei, como outros que imputam quase exclusivamente a Passos Coelho o malogro do Primeiro Programa de Resgate. Não suporto a linha discursiva ultradestrutiva de Pacheco Pereira. Estranho muito João Gonçalves cujo conhecimento privilegiado da experiência governativa recente não se traduz em qualquer expectativa favorável para Portugal, em confiança no nosso destino, ou no recato de uma lealdade básica, mas apenas no ressabiamento, justificado ou não, pela própria evacuação com a saída de um dos melhores ministros, Álvaro Santos Pereira. Não podemos alegrar-nos por Portugal cair de borco; não se pode fazer figas por que naufraguemos, dadas as desavenças com o timoneiro em plena borrasca.
Como é que há gente lucidíssima que traz para a arena pública nada mais que a incontinência dos seus maus fígados, vísceras viciosas de quem detesta outra gente por razões muitíssimo pessoais?! Em todo o caso, se este Primeiro Programa de Resgate falhar, falha por razões bem amplas, até longínquas. Falhará porque terá estado errado? Sem dúvida, especialmente na tentativa de concentrar no tempo um sofrimento esmagador sobre milhões de nós. [Read more…]
Ah-Ah! ou «Arrá, ti peguei!»
Esta gente está a revolucionar o humor em Língua Portuguesa e com recursos absolutamente pechincha. Os textos têm qualidade. Os desempenhos são artesanais, espontâneos, conseguidos. O efeito é viral.














Recent Comments