E Messi na mesma equipa vai ser uma coisa do caraças...
Nunca fiz greve e dizem que sou da direita
Quando aconteceu o 25 de Abril, eu era quase um puto. Ou melhor, tinha acabado de deixar de o ser, já que tinha quase 22 anos. Nos dia de hoje seria homem e com capacidade para votar e influenciar a vida das outras pessoas há já quase quatro anos, mas na altura não era assim. Naqueles dias deixei de ser um puto porreiro e amigo das pessoas, preocupado com o bem estar dos que eu conhecia e dos que, sem conhecer ouvia falar, e passei a ser, por via da minha simpatia confessa (naquela altura) pelo PPD acabado de criar, um gajo da direita, por vezes até um fascista. E vivi assim até aos dias de hoje, ouvindo pareceres sobre a minha pessoa, ora bons ora maus, apesar das minhas simpatias não mais terem tido nome. Mas as minhas antipatias sempre o tiveram, apesar da condescendência para com elas que sempre me prezei de ter!
Na minha meninice e na minha juventude (fazia parte dos meninos beneficiados pela sorte por pertencer a uma posição social média e com estudos), a educação que me deram os meus pais, os meus tios e os meus avós, baseou-se sempre no imenso respeito pela maneira de viver dos outros, em especial pelos que menos tinham, no imenso respeito pelas ideias alheias, mesmo que fossem completamente diversas das minhas, no cuidado extremo na forma de falar e no que dizer, por forma a não ofender fosse quem fosse, fosse de que maneira fosse, na solidariedade e na entreajuda. À minha custa, aprendi nos primeiros anos de adulto, que muitos outros não tinham sido educados da mesma forma. Ao longo destes já muitos anos que levo de vida fui batalhando contra essa minha ingenuidade intrínseca, confesso que sem muito proveito. [Read more…]
Subsídios para uma teoria geral da resistência silenciosa
O conceito “resistência silenciosa” voltou à ordem do dia, com o duran adam.
Como podemos ler no Público (via agências), o protesto mais visível
[F]oi protagonizado na segunda-feira pelo artista Erdem Gunduz, que, durante várias horas, ficou, de pé e em silêncio, frente ao retrato de Kemal Ataturk, fundador da moderna Turquia, na Praça Taksim. Centenas de pessoas juntaram-se ao mudo protesto, antes de serem dispersadas pela polícia, mas nesta terça-feira dezenas de outros turcos seguiram-lhe o exemplo, permanecendo de pé, e em silêncio, na emblemática praça que se tornou símbolo da revolta.
Para a resistência silenciosa ter impacto, precisa de ser perceptível ou, em última análise, visível. Contudo, como sabemos, há quem prefira pôr o Tarnhelm e deturpar o campo semântico de “manifesta apatia”, confundindo-o com o de “silenciosa resistência”.
Como exemplo prático de resistência silenciosa, desaconselha-se, obviamente, o da direcção d’A Bola e recomenda-se, vivamente, o de Erdem Gündüz. Como epígrafe, sugere-se este parágrafo do Marx in Soho:
Post scriptum: Outro potencial contributo para [Read more…]
Prejudicar os alunos antecipando um exame
Uma coisa é adiar um exame: o que foi estudado para esse dia, estudado está, não vem daí mal algum ao mundo.
Outra a que acaba Nuno Crato de fazer: antecipar o exame de Matemática dos 6º e 9º anos, retirando tempo ao estudo planificado. E criando uma enorme confusão nas Escolas Secundárias com 3º ciclo, que nesse têm outros exames marcados. Muito pior a emenda que o soneto.
Depois os professores é que não se preocupam com os alunos.
Momentum
Depois de ler este post do vitorcunha no Blasfémias, resta muito pouco para dizer sobre o que os sindicatos andam a fazer ao País, aos Alunos, aos Pais dos Alunos e aos próprios Professores.
Não tenho dúvidas que surgirão argumentos para tentar desmontar o indesmontável. Serão mais ou menos rebuscados, mais ou menos lógicos, mais ou menos estultos consoante o grau de cegueira, de desinteresse ou de comprometimento do seu autor. Para ajudar, deixo já aqui alguns que podem usar sem qualquer limitação: Marte está no signo de Capricórnio, foi o Pinto da Costa, isto tem dedo da CIA ou só falo na presença do meu Advogado.
Contributo para um Memorando de Entendimento entre Governo e Sindicatos – Uma proposta de comunicado
«Após análise da complexa situação que a escola pública está a viver e da necessidade de preservar os alunos e a preparação do próximo ano lectivo, a Plataforma de Sindicatos dos Professores decidiu cancelar a greve às avaliações, com efeitos a partir do dia de amanhã.
O Governo e a Plataforma Sindical de Professores decidiram que:
– o horário de trabalho dos professores passará para 40 horas semanais, incidindo esse aumento de horário apenas na componente não-lectiva. A componente lectiva continuará a ser de 22 horas.
– o cargo de Direcção de Turma continuará a fazer parte da componente lectiva e corresponderá a 2 tempos semanais.
– a mobilidade geográfica a que os professores estarão obrigados terá um raio máximo de 60 quilómetros.
– o processo de Requalificação dos professores [Mobilidade] irá prosseguir conforme planeado. Nesse sentido, será constituída em data a anunciar uma Comissão Permanente de Acompanhamento do Processo de Requalificação, da qual farão parte, em igual número, representantes do Ministério da Educação e dos Sindicatos de Professores. Esta Comissão Permanente será a responsável pela elaboração de um relatório sobre todo o processo de Requalificação e terá uma duração de 36 meses a partir da data da sua constituição. Qualquer uma das partes poderá solicitar o prolongamento dos trabalhos por mais 12 meses. Após a recepção deste relatório, que não será vinculativo, o Governo tomará a sua decisão relativamente ao Processo em causa. O Governo compromete-se a não tomar qualquer decisão antes da recepção deste relatório.» [Read more…]
A JSSD e os sindicatos
Querem mudar a constituição, só pode. Oito deputados de um partido social-democrata.
O prazer inorgânico
Quando a agenda mediática passou a levar ao colo os protestos considerados inorgânicos, numa estratégia deliberada de descredibilizar os sindicatos e partidos que intervêm em acções de massas, a surpresa foi quase geral. Alguns jornalistas manifestaram-se surpreendidos com o que é possível fazer através das redes sociais, como se eles próprios não estivessem também nas redes sociais. Depois vieram os especialistas explicar o fenómeno. A rapidez com que nos dias hoje surgem especialistas é impressionante. Vem isto a propósito da excitação toda com as manifestações no Brasil, que são de relevar e saudar. Mas. [Read more…]
O chamado Espada e os chamados professores
No dia da greve de professores, abri o Público com aquela náusea de quem antecipa um daqueles intermináveis e intelectualmente gordurosos artigos de José Manuel Fernandes herdeiro, na sua raiva acéfala aos professores e ao ensino público, do anterior director deste jornal. O número desse dia era minúsculo (mais pequeno que o Diário de Coimbra…) e, página a página, lá fui sentindo o alívio de quem não tem de aturar o desaforo habitual. Só havia o jornalismo medíocre do costume, ponteado por algumas raras luzes de razão e decência.
De súbito, João Carlos Espada (JCE), de quem Miguel Esteves Cardoso diz, com razão, “ser o mais servil, bem intencionado e burro dos campeões portugueses do liberalismo” ( só tenho dúvidas quanto ao “bem intencionado)! Em texto encimado pela foto em que tenta fazer pose de grande pensador, olhando o infinito, o Espada lá desbobina o seu habitual, confuso e pouco fundado arrazoado. Li tudo. Céu, como custou! Mas li. [Read more…]
Crato cumpriu, Crato implodiu
Por Santana Castilho
Em 17 anos de exames nacionais, dos 39 que já leva a democracia, o país nunca tinha assistido a tamanho desastre. A segunda-feira passada marca o dia em que um ministro teimoso, incompetente e irresponsável, implodiu a cave infecta em que transformou o ministério da Educação. A credibilidade foi pulverizada. O rigor substituído pela batota. A seriedade submersa por sujidade humana. Viu-se de tudo. Efectivação de provas na ausência de professores do secretariado de exames, com o correlato incumprimento dos procedimentos obrigatórios, que lhes competiriam. Vigilantes desconhecedores dos normativos processuais para exercerem a função. Vigilantes do 1º ciclo do ensino básico atarantados, sem saber que fazer. Examinandos que indicaram a professores, calcule-se, que nunca tinham vigiado exames, procedimentos de rotina. Exames realizados sem professores suplentes e sem professores coadjuvantes. Exames vigiados por professores que leccionaram a disciplina em exame. Ausência de controlo sobre a existência de parentesco entre examinandos e vigilantes. Critérios díspares e arbitrários para escolher os que entraram e os que ficaram de fora. Salas invadidas pelos “excluídos” e interrupção das provas que os “admitidos” prestavam. Tumultos que obrigaram à intervenção da polícia. Desacatos ruidosos em lugar do silêncio prescrito. Sigilo grosseiramente quebrado, com o uso descontrolado de telefones e outros meios de comunicação eletrónica. Alunos aglomerados em refeitórios. Provas iniciadas depois do tempo regulamentar.
O que acabo de sumariar não é exaustivo. Aconteceu em escolas com nome e foi-me testemunhado por professores devidamente identificados. [Read more…]
A bandalheira do exame de Português
Quem dá aulas numa escola secundária sabe como são aquelas reuniões intermináveis – dezenas de professores numa sala abafada – em que nos dão a conhecer, pela enésima vez, a Norma enviada pelo Júri Nacional de Exames.
Uma Norma que começa por dizer que «A função de vigilante de provas de exame é uma das mais importantes e de maior responsabilidade de todo o processo das provas finais de ciclo e os exames finais nacionais, já que o não cumprimento rigoroso por parte dos professores vigilantes numa única sala poderá pôr em causa toda uma prova a nível nacional. A normalidade e a qualidade do serviço de vigilância das provas nas salas de exame são fundamentais para a sua validade e para a garantia de tratamento equitativo dos alunos.»
Essas reuniões consistem basicamente na leitura da Norma, sendo que os professores vão sendo alertados para todos os imprevistos que podem acontecer e para exemplos de aspectos que em anos anteriores correram mal. Tudo é analisado ao pormenor e até os sapatos que os vigilantes usarão no dia do exame são debatidos. Sobretudo os tacões das professoras, que são proibidos porque podem perturbar o trabalho dos alunos. [Read more…]
“Não serei exaustivo…”,
diz ele.
Às tantas, após o que pareceram horas do seu mais chato e pernóstico discurso da época – o que não é dizer pouco – Paulo Portas afirmou: …”não serei exaustivo, mas…” e continuou.
Continuou. Interminável, irrelevante, demagógico, beato. Os canais noticiosos, abjectamente servis, transmitiram, integralmente e em directo – da sede do CDS, com direito a sigla no canto superior direito, onde costuma estar sinalizado o carácter violento ou pornográfico de um conteúdo – esta imensa homilia. E, no momento em que vos escrevo, continuam a transmitir. E o homem vai-nos garantindo que o CDS é a porção de paraíso do governo. Vem-me à memória aquela frase de Russel: “Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso de tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso”.
Acerca dos *fatos, só mais uma ou outra coisa
Relativamente ao comentário do senhor embaixador Francisco Seixas da Costa, deixo aqui algumas nótulas.
É inadmissível que responsáveis políticos pela criação, promoção e execução do AO90 veiculem inexactidões em relação ao âmbito da supressão consonântica preceituada na base IV e nada me leva a pensar noutro motivo para tal, a não ser ignorância. Acerca disto, creio, estamos de acordo.
Apesar de, em meu entender, os responsáveis políticos não serem obrigados a conhecer, de forma aprofundada, os aspectos técnicos dos diplomas que criam, promovem e executam, não é aceitável o fomento de fugas para a frente, depois quer da emissão de pareceres extremamente críticos, quer do reconhecimento por responsáveis pelo dossier em apreço das imprecisões, dos erros e das ambiguidades («Só num ponto concordamos, em parte, com os termos do Manifesto-Petição quando declara que o Acordo não tem condições para servir de base a uma proposta normativa, contendo imprecisões, erros e ambigüidades»).
Por exemplo, uma das ilações que um leigo atento — ou um especialista distraído — terá tirado de determinadas declarações de Pinto Ribeiro poderá ter sido a de que o ex-ministro da Cultura conhecia tão bem e de forma tão profunda o tema que até se dava ao desplante de rebater a Petição N.º 495/X/3.ª com considerações vagas e com piadas de algibeira (Jornal de Letras, n.º 1010, 17 a 30 de Junho de 2009, p. 15):
Compreendo que as pessoas que lideraram a petição tenham essa posição e que estejam grudadas no purismo. É como se não quisessem que as respectivas mulheres mudem de cortes de cabelo ou os maridos deixem crescer ou cortem a barba.
Aquilo de que se desconfiava acabou por vir à tona, na resposta [Read more…]
Dia nacional da fraude nos exames
Às 10h 12m estas alunas já conheciam o conteúdo do exame. Em qualquer parte do mundo a quebra de confidencialidade de uma prova chega e sobra para a anular. O rigor e a exigência de Nuno Crato acabam aqui.
via Educar a Educação.
As greves do nosso umbigo
Pari numa maternidade lisboeta em plena greve nacional de médicos. Era primeiro ministro Cavaco Silva de cognome O Palhaço, é da tradição portuguesa eles terem cognomes e se o Afonso II não se queixa e já lá vão uns anos desde que lhe chamam Gordo se este agora não gosta que se faça ainda mais de morto porque com o outro isso parece que resulta.
Entretanto no Brasil
Há povo, há esquerda, há luta de classes versão combates de rua. E quem vai à guerra dá e leva.
A última esperança
A luta que os Professores têm vindo a desenvolver no último mês tem sido exemplar em muitos aspectos, nomeadamente ao nível da mobilização da classe que atingiu, em GREVE, dimensões nunca antes atingidas.
Mas, se os professores estão a lutar de forma singular, os boys de serviço continuam a não entender o que está em cima da mesa e que Pacheco Pereira tão bem descreveu esta semana:
O que está em causa para o governo na greve dos professores é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos sem direitos nem justificações, a aplicar ao sector. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.
No DN, Pedro Tadeu, coloca a questão no ponto certo
O direito à greve foi assim transformado numa inalienável hipocrisia constitucional: um grevista é sempre, a priori, acusado por esta gente de estar a fazer mal ao País. E em qualquer empresa privada quase ninguém faz greve pois arrisca, logo, o desemprego.
Este jogo que parece ter de um lado os Professores e do outro Nuno Crato é bem mais complexo do que a espuma dos dias parece mostrar e todos começam a ter essa percepção. Obviamente, todos (ou quase!) defendem o direito à GREVE, mas nunca aquela em concreto: ou porque é cedo e não é tarde, porque é nos comboios e deveria ser nos aviões, porque é com alunos e deveria ser com os doentes, ou o diabo a quatro… [Read more…]
Isenção para quê?
Perceber a greve de ontem pelas capas dos jornais de hoje, é como ler sobre o FCP na Bola ou no Record.
Especialistas e ignorantes
Se por eu mexer em moedas não faz de mim um economista, se por dar uns pontapés na bola não faz de mim um Mourinho e se por jogar o Singstar não faz de mim um cantor porque é que há gente que pensa saber falar de Educação só porque um dia passou pela Escola?
E a greve continua
A greve de hoje e a “reforma” do Estado
Mais do que uma vez escrevi no Aventar sobre o subdesenvolvimento português, cuja verdadeira dimensão talvez só agora comece a ser plenamente visível. A greve que os professores fizeram hoje demonstrou a que ponto o debate está inquinado pelas retóricas que colhem sempre entre os ignorantes sensíveis aos bons sentimentos, e a que a maioria acaba por aderir: a ideia de que o futuro dos estudantes ficou ameaçado por esta greve é uma delas. [Read more…]
















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