Carnaval

Por JOÃO PINTO

Carnaval é um “conjunto de brincadeiras e festejos que ocorrem nesses dias” ou por “grande divertimento ou festa”. A fazer fé nesta definição, o Entrudo, ao contrário do que se diz nos órgãos de comunicação social, já começou e foi antecipado pelos partidos políticos.
Em vez do tradicional dia de Carnaval, os partidos políticos decidiram que haverá 15 dias de Carnaval. A comunicação social, os sindicatos, o Governo e muitos portugueses não quiseram ficar de fora desta brincadeira. Se correrem bem estes 15 dias, os partidos políticos, acompanhados pelos sindicatos, comunicação social e muitas personalidades importantes da nossa sociedade, prometem continuar a fazer palhaçadas e brincadeiras depois do dia de Carnaval.

Com tantos dias para gozar a verdadeira folia (ainda faltam 15 dias para o dia de Carnaval), como é que alguém pode ter a coragem de pedir mais um dia?

Será que, ao tomar a decisão de não dar tolerância de ponto no dia de Carnaval, o Governo apenas quis dizer “vamos arregaçar as mangas, já brincaram muito este ano”? Será que esta atitude do Governo tem como objetivo principal proibir as palhaçadas em Portugal? Será que os partidos da oposição e os sindicatos consideram que as brincadeiras são um direito adquirido? E a Constituição, será que prevê as palhaçadas?
Será que esta medida é anticonstitucional? Estas perguntas sugerem, em forma de brincadeira, mais umas conversas carnavalescas.

A família da era da crise

Humor. Como diz o ditado, casa em que não há pão todos ralham e ninguém tem razão.
Os conflitos familiares resultantes da austeridade e tributação impostas pelo governo em resposta aos ditames da Troika.

Filme original: “Brutti, sporchi e cattivi” (Feios Porcos e Maus) de Ettore Scola (1976)

Hoje dá na net: O Espelho de Andrei Tarkovsky

Ficha IMBD. Legendado em inglês.

Poltugal, um país do calalho

Isto sim, é um país do calalho! Chama-se Poltugal.”

Imaginemos por um momento o ministro Álvaro. Sentado, a ler. Sobre o regaço, os poemas de Álvaro de Campos. A sua atenção fixa-se, pensativamente, na estrofe final de um deles: “Ah, todo eu anseio / Por este momento sem importância nenhuma / Na minha vida, / Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos / Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma, / Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender / E havia luar e mar e solidão, ó Álvaro”. O Álvaro na sua solidão. E então… aconteceu. O momento. Aquele momento em que compreendeu “todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender”. Porque se deveu a uma graça divina. Apenas. Aquele Deus que, na sua obra “Diário de um Deus criacionista”, o mesmo Álvaro tanto houvera amargamente questionado pela demora preguiçosa em criar o mundo! E, bruscamente, com o efeito de uma revelação, um golpe de génio. Que haveria de mostrar a Portugal e ao resto do mundo o ministro Álvaro como o grande ministro da Economia! O momento traduzido num verso, para citar Manuel António Pina, um só verso que, no fundo, vale por uma epopeia inteira e que, na sua simplicidade, acabava por sintetizar seis meses extenuantes no domínio da acção governativa. Disse ele então que Portugal “tem falhado” no que se reporta às exportações de produtos nacionais, “tal como as natas”! O famoso “ovo de Colombo” miraculosamente transformado em pastel de nata.
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Proxenetia digital com #pl118

«Já o presidente da AFP, Eduardo Simões, disse à agência Lusa que irá reiterar aos deputados o apoio ao projecto legislativo do PS.

“É uma questão de princípio do ordenamento europeu e português. Não se trata directamente de necessidades económicas”, disse Eduardo Simões, referindo que a actual lei em vigor só se aplica a suportes e equipamentos analógicos e deve abranger os digitais.

Para o responsável, o Estado tem que legislar para que haja uma remuneração por causa do direito à cópia privada e essa remuneração “é simbólica”, apesar de “todo o ruído que se tem feito na Internet, nas redes sociais e nos blogues, com poucos argumentos”.

Eduardo Simões admite que a legislação deve abranger excepções, por exemplo, para os profissionais das indústrias criativas, que usam discos de computador – internos ou externos – com capacidade acima de um terabyte. “O que está em causa é o uso privado”.» no Público

Sem argumentos? Pagar direitos de autor para guardar trabalhos próprios não é argumento, ó inteligência? E que harmonização europeia é essa onde aberrações semelhantes estão a ser revogadas?

E defender excepção em causa própria mas querendo explorar o trabalho dos outros em proveito próprio, é o quê a não ser proxenetismo?

A degradação dos argumentos e a constante mentira (p. ex. 100 € a mais num disco rígido é simbólico?) parte dos defensores desta miserável proposta socialista é a prova acabada da injustiça que querem ver aprovada. Tenham vergonha na cara. Vão mas é trabalhar em vez de querem viver do trabalho dos outros.

O não caso…

(…)”Mas caramba! Não pode ser sempre a sorte. Quando as pessoas percebem que o que estamos a fazer está bem feito; então devemos persistir, ser exigentes, não sermos piegas e não termos pena dos alunos, coitadinhos,  que sofrem tanto para aprender. Nunca conheci um aluno que anos mais tarde louvasse os professores que facilitassem ou que não tivessem cumprido devidamente a sua missão.”(…)

Perceber melhor AQUI

Académica de regresso ao Jamor

A Académica gosta muito do Jamor em anos de crise. Preferia que fosse contra o Benfica, temos velhas contas para ajustar, seja com quem for da final da Taça de Portugal ninguém nos tira.

Por falar em Carnaval

“Pelas ruas de Burgau”

Photo©Pedro Noel da Luz

Vai viver um ano com o salário mínimo e depois falamos: Manuel Braga da Cruz

O reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), Manuel Braga da Cruz, apelou ontem à “revisão do sistema de financiamento” do ensino superior, defendendo um aumento das propinas a pagar pelas famílias  (…) o reitor defendeu que “a sociedade, as empresas, as famílias, e os estudantes têm responsabilidades inalienáveis” e não podem empurrar “para as costas do Estado a obrigação quase exclusiva de financiar a universidade”.

O reitor defendeu que o actual modelo de financiamento é insustentável e “discrimina pela negativa” as universidades privadas, dando como bom exemplo o Reino Unido, que aplicou um “corajoso aumento de propinas para o nível do custo real”

 

Por falar em piegas

Blogues do Ano 2011, um prémio extra

Durante o Concurso Blogues do Ano 2011 surgiu uma proposta da Bubok que só agora se concretiza, surpresa, porque a comunicação por vezes falha e andámos um bocado perdidos nas semanas anteriores.

Prémio final: o livro dos blogues do ano 2011, a partir de textos que cada um dos vencedores seleccionará, dentro do publicado em 2011. Desde já pedimos que nos contactem, o que facilitava o processo.
Uma colectânea que antes de sair já foi lida, com textos dos melhores blogues de 2011, e que teremos muito prazer em divulgar.

Explicar a paixão pelo futebol

Há imagens que explicam de forma bem simples o que é o futebol!

Morrer só

(Foto: Paulo Vene)

Continuamos chocados com a morte de tantos idosos sós que veio a conhecer-se nas últimas semanas.

Só no ano passado, foram 44 os cadáveres que ficaram nas morgues sem que ninguém os reclamasse.
No dia 5 de Fevereiro, na capa do PÚBLICO, apresentava-se uma reportagem sobre este tema da seguinte maneira: «Idosos que nada fizeram para não morrer sós» (li várias vezes esta frase…copiei bem).
Foram muito infelizes as palavras utilizadas pela edição do Público. Parecem-me muito pouco «jornalísticas».
A reportagem procurou dar a conhecer a história do homem com 92 anos que morreu sozinho em Miragaia (Porto) e a história das duas irmãs de 74 e 80 anos da freguesia das Mercês (Bairro Alto, Lisboa).

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Leonard Cohen: Villanelle For Our Time

Pela amarga busca no coração

Acelerada com paixão e com dor

Levantamo-nos para jogar um papel maior.

Esta é a fé da qual partimos:

Os homens conhecerão o bem comum de novo

Pela amarga busca no coração.

Amámos o fácil e o esperto

Mas agora, com mais aguda mão e cérebro,

Levantamo-nos para jogar um papel maior.

Partem as lealdades menores

E nem raça ou credo restarão

Pela amarga busca no coração.

Não nos guiando pela carta venal

Que enganou as massas pelo ganho privado

Levantamo-nos para jogar um papel maior.

Remodelando a estreita lei e arte

Cujos símbolos são milhões de assassinados,

Pela amarga busca no coração

Levantamo-nos para jogar um papel maior.

Letra; F. R. Scott
música: Leonard Cohen

Como Filmar uma Revolução

Pode ser que isto venha a ser necessário nos próximos tempos.

 
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Mais um primeiro-ministro cábula e piegas

Pedro Passos Coelho foi dar uma aula e acusou os portugueses de serem piegas.

De caminho demonstrou uma profunda ignorância em coisas de senso comum, quanto mais de economia: pregar que a tolerância de ponto do Carnaval equivale a “dividir o PIB pelos dias de trabalho” além de ser de tolinho em geral é de tomar os outros por tolos em particular: o governo apenas pode mandar trabalhar a função pública (que não tem exactamente uma actividade produtiva), o privado rege-se por acordos de trabalho que na maior parte dos casos contemplam o dia como folga e nem vale a pena repetir que produtividade não significa trabalhar mais, mas sim produzir mais, coisa completamente diferente.

Ainda debitou uns disparates sobre a Grécia, logo quando se acaba de saber que a dívida pública cresceu durante o seu governo, e não foi pouco, e crescerá ainda mais, rumo à bancarrota final. Se ainda não percebeu porquê pode ler qualquer manual básico de História do séc XX, está lá tudo muito bem explicado.

Antes de dar aulas podia ter estudado a lição. Haja rigor, exigência de trabalho, imposição de sacrifício aos alunos, e temos mais um primeiro-ministro chumbado. O resto é pieguice.

Orquídeas IV: Cymbidium

Hoje vamos mostrar um Cymbidium.

Cymbidium, Orquídea
Cymbidium, Manuel Lourenço (Vila Nova de Gaia, Portugal)

Este género é hoje bastante comum nas varandas das nossas casas, mas começou por ser uma planta de outras paragens: das montanhas da Índia e da Ásia e também são muito frequentes na Austrália e na Califórnia.

Uma haste pode ter um número muito variado de flores, que têm também formas, cores e dimensões muito diversas.

E a ligação que sugerimos hoje remete para um site australiano. Espreite. Vai gostar.

A decisão do STA e o Processo 01.03.02 do Gabinete do Ministro das Finanças

MINISTÉRIOS TÊM DE REVELAR AS DESPESAS DOS GABINETES

O Supremo Tribunal Administrativo (STA) deu agora razão à pretensão da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), formulada no tempo de Sócrates, e nunca atendida pelo governo anterior nem pelo actual. Está em causa a divulgação pública de despesas de cartões de crédito, telefones, pagamentos de despesas de representação e de subsídios de residência; divulgação essa que deve ser cumprida na sequência da Directiva Europeia N.º 2003/98/CE, de 17 de Novembro, transposta para a ordem jurídica portuguesa através da Lei N.º 26/2007, de 24 de Agosto.

Acrescente-se que, como foi sublinhado pelo Juiz António Martins, presidente da ASJP, “o acesso aos documentos administrativos é um direito que assiste a todos os cidadãos”.

PROCESSO 01.03.02 DO GABINETE DO MINISTRO DE ESTADO E DAS FINANÇAS

Justamente a coberto da citada Lei, Artigo 5.º, ou seja, do direito que o Juiz António Martins me diz assistir, entreguei um requerimento em 12/12/2011 – Entrada n.º 9368, a que o Gabinete do Ministro atribuiu o n.º de Processo 01.03.02, no sentido de me ser facultada fotocópia de um documento administrativo relativo a um estudo salarial encomendado pelo Estado e naturalmente pago pelos contribuintes.

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Não Sejas Piegas, Ó Zé

NO PAÌS DOS CHORÕES, VIVEMOS DE NIQUICES E PINTELHOS

Apesar do que o título e sub-título deste texto podem sugerir, no lugar do senhor Primeiro Ministro eu teria usado termos mais duros e cáusticos.

Na verdade vivemos num País de chorões. Damos relevo a niquices e “pintelhos” (razão tinha o antigo Ministro) e os dirigentes políticos, sindicalistas e afins, jogam com as palavras e com alguns factos para distorcer a realidade e com isso poderem ganhar alguns beneficios.
Vivemos num País onde nunca nada está bem, desde que tenha sido feito ou deixado de fazer por alguém que não seja da nossa cor política, religiosa ou clubística.
A frase “é mau porque tem cão e é mau por o não ter” aplica-se com toda a propriedade ao pensamento constante dos  nossos concidadãos.
Ninguém gostou que o senhor Primeiro Ministro nos dissesse para deixarmos de ser piegas. Mas na realidade nós não somos muito mais que isso. [Read more…]

Hoje dá na net: Andrei Rublev de Andrei Tarkovsky

Andrei Rublev, parte um.

Ficha IMBD. Legendado em inglês.

Segunda parte: [Read more…]

Mudança de Regime

O João Cardoso, em dia de lua cheia, anda muito entretido com as atrocidades cometidas pela ditadura de Elizabeth II. Ditadura é lá, a senhora não foi a votos e isso é ditadura, claro. Então que seja isso a ditadura. Mas não te esqueças, JJC, no dia que fores botar o voto na urna, do tipo de regime vais estar a eleger. Democraticamente, claro.

Ainda sobre sua majestade

Em Portugal toca-se na Isabel, a senhora que para todos os efeitos é chefe de estado da ilha e seu império há 60 anos e é blasfémia. Desde o séc XIV debaixo da pata britânica, não admira. Quando visitou Salazar foi um corropio no beija-mão.

Então troquemos os Sex Pistols pelos U2. Sim, ditadura (regime no qual um governante se perpetua até que a morte do seu povo o separe), e criminosa, sangue espalhado pelo planeta, 60 anos ungida por nascimento e um tio nazi. Querem mais música? africana, asiática, ou a dos corajosos irlandeses chega?

Longe da Grécia, perto da Irlanda

O Senhor Primeiro-Ministro revelou preocupações em relação às negociações da dívida grega. Nesse contexto, na tomada de posse dos membros do Conselho Nacional para a Ciência e Tecnologia, declarou:

Nós não temos uma situação parecida com a da Grécia, temos uma situação muito mais próxima à da Irlanda, que começou o seu programa há mais tempo, o nosso começou há cerca de oito meses.

Esta ideia de aproximação à Irlanda é pura especulação romântica, cuja ficção se sustenta na fé de que os irlandeses, esses sim, estão no bom caminho e nós, perto deles, também seguimos o rumo certo.

A coisa não é bem assim, e até a propósito de afirmações acerca da ‘sensibilidade social do governo’, aqui referidas, sugiro que, se eventualmente necessário, Pedro Passos Coelho se inteire da verdadeira situação social, económica e financeira da Irlanda; país que, é dado como muito provável, vai recorrer a um segundo resgate. Basta ler o que diz a imprensa irlandesa, o ‘Irish Independent’ de hoje por exemplo, do qual destaco a notícia “Relatório adverte para falhas do bem-estar social” e, em especial, o seguinte trecho:

A co-autora do estudo Bernadette acrescentou: “Falha de solidez do salário mínimo nacional e das transferências sociais em medida concreta adequada, tal como definida na presente investigação, significa que a pobreza e a exclusão social continuarão a ser uma realidade na Irlanda“.

Tomar a Irlanda como modelo exemplar, apenas se entende na lógica da obsessão pela política do empobrecimento dos portugueses – custe o que custar!

Mais exigentes, menos complacentes e menos piegas

Pedro Passos Coelho pede aos portugueses para serem mais exigentes, menos complacentes e menos piegas.

Nem vale a pena recordar Sócrates, que tinha na cassete serem os portugueses mais exigentes, mais competitivos e mais ambiciosos (tudo virtudes, à luz da matriz judaico-cristã). Depois foi o que se viu…

Mas pronto, lá vamos ter ser mais exigentes com Passos, menos complacentes com o  seu governo e menos piegas… quando nos mandam emigrar.

Temos homem!

Educação Visual

Detroit e Jeep:

Não é nada fácil conseguir bater o anúncio da VW/Star Wars do Super Bowl.

 

Porém, surpreendentemente, a Chrysler/Jeep conseguiu. E de que maneira. Bastou chamar Clint Eastwood e apelar ao mais puro sentimento de paixão. Muito bom. Podem ver AQUI.

Antoni Tàpies 1923/2012

Vais pintar a eternidade com a tua liberdade, Antoni Tapiès.

Antoni Tapiès

Ainda Graça Moura e o Acordo Ortográfico

Ainda que, para mim, as questões legais percam importância face ao direito de nos indignarmos, quando acreditamos que existem erros ou injustiças graves, é importante ler a resposta de João Roque Dias a Joana Amaral Dias, que criticou a decisão tomada por Vasco Graça Moura, tal como também fez aqui o nosso Pedro Correia.

60 anos no poder

chama-se ditadura.