Em Portugal, um carro incendiado é caso para espanto geral. Montras partidas por contestatários, são coisa mais própria de altercações entre regateiras que objecto de contendas políticas. Barricadas surgem uma vez por século, assim como as invasões de propriedade alheia, as vinganças físicas sobre opositores políticos e outros ademanes bem típicos de outras paragens. “Isto” não é a França, país velho mas numa eterna puberdade.
Há uns vinte e cinco anos, chegava a Lisboa uma esquadra da NATO. Os seus marujos tinham deixado um rasto de destruição noutros portos do norte da Europa e aqui atracando as suas naves, despreocupadamente desembarcaram com a intenção de realizarem as mesmas façanhas depredadoras. As unidades portugueses da RM Lisboa estavam de prevenção e o meu irmão reuniu os efectivos do quartel do Vale do Forno, encaminhando-os para a zona do Cais Sodré. A lição foi fulminante e magistral. Os hospitais de Lisboa tiveram uma noite de azáfama, pois os militares estrangeiros que pretenderam uma campanha de alegre destruição nas vielas e botequins da zona ribeirinha, não foram muito longe nos intentos. No dia seguinte, um bastante indignado almirante estrangeiro, queixava-se aos seus homólogos portugueses. A resposta deverá ter sido aquela que se esperava e na verdade, não me recordo de outra noite agitada por tropelias da NATO ou de qualquer outro conviva.
Às grandes ameaças, os portugueses normalmente reagem com a calma que a ponderação dita. É esta, a enorme vantagem de um povo já considerado antigo por quase um milénio de vicissitudes e esporádicos sucessos e que tem aquela certeza do há a fazer.
“Isto” não é uma novidade como Espanhas, Itálias e muito menos ainda, Grécias. Não é.




Um ensaio com semelhante título deveria constituir um debate alargado e aprofundado de várias centenas de páginas. Os conceitos de religião e de reprodução social são, por si só, controversos, estando a proposta de trabalho que o título encerra em desacordo com as melhores hipóteses de estudo do campo religioso. Desde que Tylor (1871) e Frazer (1887), na perspectiva evolucionista e positivista (racionalista) do século XIX, decidiram que a religião era o preâmbulo da ciência, o tema tem sido debatido no campo do ideológico. As próprias contribuições de Marx e Engels (1844, 1846, 1867, 1878, 1892) abordaram geralmente a religião enquanto um conjunto de representações que desaceleram a passagem de uma a outra forma de trabalho na história dos povos. Durkheim e a tradição que fundou, prolongada em Malinowski, Radcliffe-Brown, Mauss e Lévi Strauss, separam do campo do quotidiano os assuntos que constituem matéria de acções e pensamentos que são criados mas não entendidos.




A título de exemplo, ficam aqui partes do último programa, emitido no passado dia 5 de Julho, sobre as inquestionáveis vantagens do pepino:
Tenho ouvido cobras e lagartos por causa da Moody´s ter classificado a dívida portuguesa como lixo mas acho que estão todos errados e não vislumbram o bem que empresa fez à nação. Em primeiro lugar, o lixo deita-se fora ou recicla-se, levando a que algo incomodo deixe de chatear, ou até seja transformado em algo útil. Temos assim legitimidade para fazer desaparecer o buraco das nossas contas, algo que os governos anteriores procuraram fazer com os habituais truques de contabilidade mas sem que lhes fosse reconhecida legitimidade para tal. Agora, se um estrangeiro nos diz que podemos chapar fora este lixo, então é porque tal se pode de facto fazer.






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