O programa dos inventores

imageFoi exibido na RTP2  no passado sábado o melhor (para mim, claro) programa da RTP. “Wallace e Gromit, o mundo das invenções” é um programa sobre engenhocas e inventos, com uma secção “Faz tu mesmo”. Algo semelhante ao fantástico instructables. No programa que vi falaram de Sinclar e das suas diversas e marcantes invenções, como a calculadora electrónica, o relógio digital com segundos, o computador ZX Spectrum e o carro eléctrico. Também falaram das experiências em curso no Brasil com um disco voador (sim, isso mesmo) movido a propulsão laser (sim, como nos filmes) para lançamento de satélites (ver vídeo;  site da IEAv; reportagem).

Quando era pequeno queria ser inventor, daí este meu fascínio. [Read more…]

A lírica da criminalização do piropo

Acabo de descobrir que a UMAR e a Madame Mubarak querem criminalizar o piropo. Se bem entendi: “comentários não solicitados por parte de absolutos estranhos sobre o meu [dela] aspecto e o meu [dela] potencial sexual” devem ser crime.

Estou inteiramente de acordo, desde que tenha efeitos retroactivos: das cantigas de amigo à lírica camoniana, tudo para tribunal. Os autores jazem mortos e talvez enterrados? não faz mal, encarcerem-se as obras.

Preservemos o direito de Leonor ir descalça para a fonte sem com isso servir de tema para motes e dichotes, tipo tão linda que o mundo espanta, ou comentários sobre a sua cinta de fina escarlata e o sainho de chamelote. 

Já chega. Acabemos de vez com esta pouca vergonha, embora alguns cam(i)onistas possam assegurar que Leonor “estava mesmo a pedi-las“. Deixem-nas em paz, formosas e não seguras. Haja respeito.

Politicamente morto

-Ninguém lhe deu um tiro na cabeça, mas também não foi para Belém, o próprio deu um tiro no pé, primeiro ao aceitar encabeçar a lista de candidatos a deputados pelo PSD em Lisboa, depois com as declarações em que afirmou renunciar ao mandato, caso não fosse eleito presidente da Assembleia da República. Cumpriu a palavra é certo, mas esquecendo o compromisso com os seus eleitores, Fernando Nobre passou de irrelevante deputado independente a politicamente morto.

Feche-se o Sud-Express pf

Ao contrário da ligação Porto-Vigo, as ligações Sud Express e Lusitânia são feitas com carruagens espanholas, com nivel superior de conforto. Estes dois comboios internacionais feitos a partir de Lisboa são explorados em regime de parceira (joint-venture). Porque razão, segundo se alega, é a ligação de Porto-Vigo integralmente sustentada por Portugal?

Os senhores que conseguem fazer horários de comboio deste género

Chega urbano do Porto às 7.44 mas partiu um regional às 7.42
Chega urbano do Porto às 8.44 mas partiu um regional às 8.33
Chega urbano do Porto às 10.44 e parte um regional às 10.45 (!!!))

e que por isso são recompensados com prémios destes

“José Benoliel, presidente do conselho de administração, Alfredo Vicente Pereira, vice-presidente, Nuno Moreira e Madalena Sousa, ambos vogais, contam cada um com um Mercedes E220CDI Elegance e Cristina Dias, que é também vogal, utiliza um Mercedes E 220CDI Avantgarde.”

resolveram tirar mais um coelho da cartola e vão fechar a ligação valença / vigo / valença.

Medida óbvia e sensata quando se opta pelo desinvestimento contínuo em infraestruturas com > 100 anos (a linha propriamente dita) ou > 20 (no caso dos comboios)

O que achei curioso foi que desta vez não foi preciso que acontecessem uma série de incidentes que nunca antes tinham acontecido (como no tua) ou que se usasse o eufemismo de dizer que vão fechar só temporariamente para melhorar as infraestruturas (como no caso do corgo) e também não se recorreu à vergonha do apagão e transporte às escondidas (esperavam eles) do material circulante (como no caso de bragança).

Não, desta vez é um simples “por não estarem reunidas as condições para a continuidade da exploração, a partir de 10 de Julho de 2011 o serviço no trajecto Valença / Vigo / Valença será suprimido”

E assim terminam 125 anos de ligações Porto-Galiza!!!!!!!!
Exportar é preciso… mas só se for de carro, e entretanto temos um aeroporto novinho em Beja que recebe meia dúzia de voos por semana

Ah, e a propósito do Sud-Express

variação pax 2010/2009
Variação PK* 2010/2009
Variação proveitos 2010/2009
Porto-Vigo
3,5%
4,5%
8%
Lisboa Irun/Madrid
3%
0,5%
6,4%

Temos gente!

Agora sim, com um Governo cheio de gente independente e tecnicamente apurada, chegaram as decisões que até hoje ninguém pensou tomar: aumentar impostos e vender activos que dão lucro.

Até que enfim que há coisas novas!

Energia: e se fechassem as portas?

Quanto é que pouparíamos em consumo energético se todas as portas de todos os estabelecimentos comerciais estivessem sempre fechadas, vá lá, encostadas?

No pico do Verão ou do Inverno irrita-me passar as portas escancaradas de uma loja e encontrar lá dentro uma temperatura completamente diferente. Pior só a mania de abrir janelas quando está calor “para arejar”, como se o calor não entrasse e fizessem o mesmo quando está frio.

Para que as lojas fechassem as portas, estando abertas ao público seria necessário impô-lo por lei: ninguém fecha a sua porque temos este hábito e porta fechada significa loja encerrada. É um código, e só se resolve com um novo código. Não sei quanto se pouparia em consumo de energia se um governo tomasse tal medida. Mas calculo que outra tanto perderia a EDP em lucros. Donde, assunto mesmo encerrado.

James Douglas Morrison, 8 de dezembro de 1943 – 3 de julho de 1971

We want the world and we want it…
Now
Now?
NOW!

No Externato Carvalho de Araújo, em Braga, é assim que os alunos tratam os professores

Há uns meses, foi notícia uma cena de tiroteio no Externato Carvalho de Araújo em Braga. Chamei a atenção para o facto e comparei com o forrobodó que teria sido na nossa Comunicação Social se a cena se tivesse passado numa escola pública.
Os alunos do Externato Carvalho de Araújo não gostaram e, tantos meses depois, continuam a mostrar a sua insatisfação. Ainda hoje, recebi mais dois comentários, típicos de alunos bem-formados que receberam uma educação que só pode ser considerada de excelência:

«ui tadinho, ta muito chatiadinho o professor de merda .!.
tu ca fora nao és stor nenhum, se tu fosses meu stor eu podia chegar ca fora e rebentarte a boca toda e nao era por seres professor que eu nao podia fazer isso»

«e tu deves ser daquelas chupa pissas que andam pra i .|.»

Já há algum tempo, recebera um outro comentário que reflecte bem a revolta que vai no seio da comunidade educativa do Externato Carvalho de Araújo em Braga:

«ya mete mesmo piada estes comentários fogo. ve-se mesmo que nao conhecem o externato… e qto aos meninos ricos , e aos bmw’s audis e mercedes ha algum problema ? dor de cotovelo talvez nao ? e crescer ? dava jeito (;»

Alunos do Externato Carvalho de Araújo em Braga, força, estou convosco! Defendam a vossa instituição até ao fim e rebentem a boca toda aos professores que se meterem convosco. Afinal, é para isso que os vossos pais pagam tanto dinheiro ao fim do mês.
Já agora, que mal pergunte, quem é o vosso professor de Português?

Depois do Corte Inglês, eis o corte português

corte no natal

 

Foi o Grinch!

Nasci um dia qualquer – a minha memória

 

Mascagni Cavaleria Rosticana Intermezzo

Parece-me que todo ser humano devia dizer e pensar esta frase. Há dois factos na vida que sempre andam ao pé de nos: o involuntário facto de nascer, o involuntário facto de falecer.

O começo da vida acontece em época incerta, pela vontade, amor e carinho que os nossos

[Read more…]

Tadelakt

Há centenas de anos que na região de Marraquexe se utiliza uma técnica de revestimento na construção, aplicada tanto em paredes, pavimentos e tectos, como em peças de mobiliário, como sejam banheiras, lavatórios, camas ou piscinas. Pelo facto de ser um revestimento impermeável, era inicialmente usado nas cisternas e nos hammam, ou banhos públicos, pensando-se que os Berberes já o utilizassem há cerca de 4.000 anos.

A sua grande qualidade estética, possibilidades plásticas, durabilidade e suavidade ao tacto, tornaram-no na imagem de marca dos interiores de Marraquexe, estando presente nos grandes hotéis e riads da Cidade, e fazendo a ponte entre o tradicional e o moderno.

Chama-se Tadelakt, designação que provém do Árabe “dlak”, que significa massajar ou amassar, dado que é uma argamassa tem de ser “apertada” para lhe ser retirado todo o ar existente no seu interior. O tadelakt é um reboco à base de cal da planície do Haouz, que utiliza o pó de mármore ou a areia fina como inerte, pigmentado, apertado à talocha, barrado com sabão diluído em água, polido com um seixo e, opcionalmente, finalizado com uma camada de cera.

É um revestimento da família dos nossos rebocos “estanhados”, “escaiolas” ou “queimados à colher”, que aliam o carácter estético e decorativo com a durabilidade e conforto do material.

[Read more…]

Como o Grinch roubou o Natal

grinch

 

É só por um ano… Ou não.

Votei PSD. Já me arrependi?

Fui dos que votou neste governo. E sim, sabia que estas e outras medidas aí viriam. A questão é se outro governo faria diferente. Veja-se o anterior executivo, por exemplo. Ao fazer o cortes que começaram em 5% nos vencimentos da FP e das empresas participadas pelo Estado (para valores salariais ilíquidos superiores a 1500 euros), o que é que isso significou? 5% x 14 meses = 70% de um ordenado. Podemos dizer que estas pessoas já tiveram um corte de 70% num dos subsídio de férias ou de Natal.

Não gosto e, acredito, que ninguém goste destas medidas. Eu nem sequer trabalho na FP mas uma coisa é certa sem estas e outras medidas não haveria salários para  que recebem do Estado. Há outras soluções? Eu diria que  houve outras soluções. Por exemplo, podia não se ter nacionalizado o BPN. Podia não se ter despejado dinheiro a rodos em pseudo-formação nas empresas. Podia ter-se recorrido a esta ajuda externa um ano antes, assim evitando o definhar que os juros altos nos trouxeram. Podia não se ter lançado dinheiro para empresas em pré-falência. O que que se ganhou com a anterior política? Dois bancos falidos e um gigantesco buraco nas contas públicas (um pela nacionalização, outro que é uma bomba armada pelo aval de 450 milhões); pessoas que acabaram na mesma no desemprego depois de passada a pseudo-formação (mas deu para adiar os maus números do desemprego); juros insuportáveis que iremos pagar nos próximos anos; empresas que faliram na mesma (veja-se a Qimonda, só para citar uma).

Os portugueses tiveram em 2009 uma hipótese de mudar o rumo do país. Em vez disse deram uma carta branca para Sócrates dar o passo em frente quando estávamos à beira do precipício. E isso teve um custo, sendo este corte apenas a primeira das facturas a pagar. Já me arrependi ter votado PSD? Na verdade, arrependo-me de ter precisado votar PSD, o que é algo diferente. Foi o que expliquei na altura oportuna.

editado

Carta aberta à Junta da Galiza.

(c) Dario Silva , 2010 em Aventar

Há exactamente 125 inaugurou-se a ligação ferroviária entre Portugal (Minho) e a Galiza. Inaugurada a 25 de Março de 1886, a ponte internacional de Valença ditou mais de um século de viagens. Acaba a 10 de Julho deste ano essa união com a «supressão do trajecto Valença/Vigo/Valença». Segundo a CP «não [estão] reunidas as condições para a continuidade da exploração».

O que eu pergunto é: o que pensa disto a Junta da Galiza? O que pensam aqueles que têm inscrito nos seus planos estratégicos a famosa máxima de que o Norte de Portugal só pode aproximar-se à Galiza? Como é que neste clima de euforia institucional e regionalista se pode enquadrar esta decisão? Mais: como é que se pode querer justificar um comboio de alta velocidade quando, pelos vistos, a falta de passageiros actualmente força o encerramento dos serviços entre duas das maiores cidades do Noroeste da Península? (E, repare-se estamos a falar de uma distância de menos de 150 km que numa linha devidamente modernizada e electrificada poderia ser feita em menos de 2 horas). [Read more…]

A RTP e a privatização

O presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social defende, em entrevista ao Expresso, que uma possível privatização da RTP empurraria os outros operadores privados, SIC e TVI para uma concorrência feroz, não em busca do lucro, mas da sobrevivência. O responsável defende a manutenção do serviço público em tempo de crise económica e social. [no Público]

Como há dias escrevi, o papel do Estado não é garantir que o mercado dos privados existe. Isso é problema de quem investe. Mas ao longo dos anos temos visto justificado o persistente fecho do mercado de TV à conta do argumento “o mercado não chega para todos”. Esta lógica até se aplica quando em causa nem sequer está o limitado espectro radio-eléctrico, como no caso do cabo. Prova suficiente que as TV querem é proteccionismo, uma espécie de mercado farmacêutico dos remédios audiovisuais.

Se Passos continuar com a sua ideia de privatizar a RTP pode ter a certeza que SIC e TVI lhe moverão uma guerra sem quartel por causa do aumento de concorrência no mercado publicitário. Rapidamente, a agenda dos media se sobreporá à agenda do país.

Natal é…

Segundo Passos Coelho veremos no Natal o respectivo subsídio cortado a meio. A minha maior preocupação é que Natal é quando o homem quiser.

A liberdade de pensar – Uma história

descartes.jpg

Uma história

 A partir do Século XVI, começou a aparecer no Continente europeu uma forma de entender a vida, denominada liberdade de pensar. Quem começara com estas ideias, foi René Descartes- (La Haye en Touraine, 31 de Março de 1596Estocolmo, 11 de Fevereiro de 1650),  filósofo, físico e matemático francês. Foi corrigido por outros filósofos, mas persistiu, batendo com a teologia, ciência que imperava na forma de pensar ao longo desses tempos. Especialmente entre as crianças que deviam ser instruídas nas formas de pensar costumeiras, religiosas, para o seu bom comportamento conforme as crenças que professavam. A Igreja Católica, tinha sido reformada com as ideias de Martinho Lutero, Jean Calvin e John Knox, As crianças eram as mais cuidadas para aprenderem a doutrina que professavam, que incluía a catequeses.

[Read more…]

Serão da Província?

Tadim, Largo da Igreja. Hoje houve festa.

 

Quando Eu For Grande Também Quero Ser Idiota


… que é como quem diz, ter grandes ideias e escrever grandes textos. Não importa ter que fazer prova de nada do que escreva ou ser importunado com direitos de resposta. O que importa é escrever, escrever, escrever. E se for no Expresso, então deve ser verdade…

Quando eu for grande, quero ser assim como o Henrique Raposo, vociferar que os revisores da CP têm um vencimento anual acima dos 30 mil euros mas não ter que provar o que digo. 

ps: segundo o Sol, são 50 mil…

Declaração de interesses: muitos dos meus amigos e amizades são, ou foram, maquinistas ou revisores da CP. Nenhum deles ganha “acima dos 30 mil euros” por ano. Nem lá perto…

Imposto Extraordinário

Não havia nexexidade
Quem ganhar mais do que o salário mínimo, vai pagar com língua de palmo no subsídio de Natal e ter de fazer mais e mais contas para que o magro orçamento de que dispõe lhe chegue.
Parece que o imposto vai ser progressivo, antes assim, mas mesmo assim, porque raio só os contribuintes particulares o fazem? E as empresas?
Onde param os bancos, as companhias de seguros e as outras grandes empresas que têm milhões de milhões de euros de lucros trimestralmente? Para essas não vai haver imposto extraordinário?
Para além destas medidas, sabe-se que nada vai ficar por aqui, e prevê-se que os sindicatos, sempre preocupados com o bem Nacional, não fiquem parados e encetem formas de luta. Vem aí uma nova Grécia?
Agradeçamos aos que os precederam.

Sérgio Monteiro, um secretário de estado a ter em conta

A ideia da troika para as obras públicas é simples: não se fazem; quem não tem dinheiro não tenha vícios, quanto mais desempregados melhor funciona o mercado de emprego, quanto mais parada estiver a economia mais depressa chegamos à bancarrota. No meio falava-se em rever as parcerias público privadas, há limites para a vergonha, até numa troika.

A ideia de nomear Sérgio Monteiro para Secretário de Estado Obras Públicas, Transportes e Comunicações é no mínimo curiosa. Não conheço o senhor de lado nenhum, mas um percurso profissional na banca onde se destaca “a participação no processo de refinanciamento da dívida da RTP e no recente plano de reestruturação da dívida da Carris e de racionalização de custos” e mais uma data de parcerias para financiar obra pública (Auto-Estradas Douro Litoral e Auto-Estradas do Marão e, pasme-se, TGV) levanta-me assim, sei lá, umas suspeitas. Ou o homem está arrependido, e conhecedor privilegiado dos meandros destas golpadas vai dar cabo delas num instante, ou não há mesmo vergonha nenhuma entre os representantes nacionais da troika.

Renegociação da dívida, mais uma voz

Enquanto por cá se instala o novo governo, se apresentam malabarismos vários e se jura a pés juntos que Portugal não reestruturará a sua dívida, crescem, noutras paragens, as opiniões de que tal será uma inevitabilidade.

Agora foi a vez de Mohamed El-Erian, CEO da PIMCO, o maior trader de títulos do mundo. Segundo ele a dívida grega é demasiado grande para permitir crescimento, situação que intoxicará o resto da economia europeia, comparando a situação a uma bola de neve que rola encosta abaixo, aumentando de tamanho e de velocidade de forma cada vez mais desordenada.

Assim continuamos a actualizar a lista de vozes que defendem – ou vêem como inevitável – e renegociação das dívidas dos países europeus intervencionados pela troika:

PCP

BE

Boaventura Sousa Santos

António Nogueira Leite, dirigente do PSD, economista

Thomas Mayer, economista-chefe do Deutsche Bank

Alberto Garzón Espinosa, Conselho Científico da ATTAC Espanha

Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia [Read more…]

Samuel, o Rei das Píbias


Enquanto o Samuel vai batendo umas pívias, supõe-se que no remanso do seu quarto, os professores vão arranjando forma de não o reprovarem e de o fazerem transitar, ano após ano, «só para fazer o 9.º ano» e, depois disso, «só para ficar com o 12.º».
Nos Conselhos de Turma, vale tudo, e para conseguirem que todos os alunos passem, alguns professores estendem a sua imaginação até ao limite. Recorrem a todo o tipo de argumentos e, se o aluno puder passar com 2 negativas, o aluno certamente passará.
Assim, se o aluno estiver com 12 negativas depois de serem atribuídos os níveis:

«E se fosse vosso filho, gostavam? Vocês não sabem o que é dar aulas!»

e se estiver com 11 negativas:

«Está tão bem integrado na turma que é inadmissível ter de ficar para trás. Não, este aluno não pode reprovar.»

e se estiver com 10 negativas:

«O pai é alcoólico, a mãe é vítima de violência. Não lhe vai fazer nada bem ficar outra vez no mesmo ano».

e se estiver com 9 negativas:

«Coitadinho! Tem tantas dificuldades. Ele nunca vai conseguir, deixem-no ao menos fazer o 9.º ano!»

e se estiver com 8 negativas:

«Não conseguiu agora, mas isso não significa que, se passar, não consiga no próximo ano.»

e se estiver com 7 negativas:

«Eu posso subir a minha nota, assim fica só com 6. Mais alguém pode?»

e se estiver com 6 negativas:

«Não querem reflectir sobre este caso?»

e se estiver com 5 negativas: [Read more…]

O farsola já começou a ir ao pote

Nos últimos tempos, não disse uma palavra que fosse sobre Pedro Passos Coelho e o PSD. Entendi que interessava em primeiro lugar despachar o outro. Teríamos, então, tempo para tratar deste.
Pela minha parte, as tréguas acabam já hoje. Dei-lhe o benefício da dúvida durante alguns dias, mas o seu estado de graça acabou. Os meus colegas PSD do Aventar que me perdoem, mas a partir de hoje guerra é guerra.
O farsola, como muito bem lhe chamou Miguel Portas, tem de ser desmascarado porque, no fundo, é igual a José Sócrates no que diz respeito às mentiras e à quebra das promessas eleitorais. Disse o que disse durante a campanha, mas a primeira medida que toma quando chega ao poder é assaltar o bolso dos contribuintes. Roubar descaradamente quem trabalha para entregá-lo ao capital. Já para não falar da forma como imediatamente se põe de cócoras perante os interesses económicos das televisões privadas, adiando a privatização da RTP e privatizando tudo o que dá lucro. Para quem tomou posse há apenas uma semana, não está nada mau!
O problema de Pedro Passos Coelho é que nunca passará de uma pálida imagem de José Sócrates. Tal como o anterior primeiro-ministro, nunca trabalhou, nunca fez nada na vida, limitando-se apenas a gerir uma carreira partidária que haveria de o levar directo ao pote. E ele aí está, cheinho e pronto a abocanhar. Na arte da mentira, Passos Coelho ainda tem muito para aprender com José Sócrates, mas os primeiros exemplos são bem encorajadores.
Não, a tomada de posse de Pedro Passos Coelho não representou o primeiro dia do resto das nossas vidas. Representou apenas mais do mesmo…

Camaradagem

Wagner Os maestros cantores Coro

Foi, para mim, um grande prazer um dia de receber um telefonema de um professor do secundário para me convidar a escrever com um grupo dos seus amigos, todos do Norte de Portugal. Eu apenas conhecia os meus livros escritos e publicados pelas casas editoras das casas deste, hoje em dia, o meu país, por gentileza do Estado e dos amigos do governo passado. Fiquei impressionado. Agradeci e aceitei. Desde esse dia, nunca mais parei de escrever para este grupo, denominado Aventar, útil para deitar as penas e desabafar ideias abstractas. Além dos textos, havia uma conversa entre os camaradas, no denominado diálogo. Toda ideia o facto, era ai comentado. Com simpatia e bom humor.

[Read more…]

Na Grécia, Tudo no Chão

Um comboio de via métrica na Grécia, com as rodas no chão, fotógrafo no chão, povo no chão. Corações ao alto…

 

Algumas contas por fazer, sobre o imposto extraordinário

-A prudência aconselharia a esperar duas semanas para perceber os contornos do imposto extraordinário anunciado hoje pelo 1º ministro hoje no Parlamento. No entanto, já que o Jorge em post anterior pega no tema, eu aproveito para acrescentar algumas questões técnicas.

-O IRS é um imposto anual, pelo que aumentar o valor da retenção na fonte num determinado mês, teria um efeito diluído no final do ano, quando se apuram a totalidade das contas. Criar outro imposto que não o IRS, fará pressupor que este não sofrerá alterações. Passemos à frente das pessoas que auferem baixos rendimentos e se encontram isentas, certamente que não será muito penalizador para alguém que tenha um salário de 500 Euros, pagar 7,50 Euros, aos que ganham 485 Euros a medida não será aplicável. Mas peguemos no exemplo de alguém que aufere 1000 Euros, já se encontra sujeito a IRS, que será retido na fonte, como em qualquer outro mês, mais segurança social, sofrendo ainda um corte de 257,50 Euros, irá receber cerca de metade do salário em termos práticos.

-À partida teremos assim grande parte da população a receber apenas um valor líquido aproximado ao SMN como subsídio de Natal. É fazerem contas. Mas aguardo pela apresentação da medida em concreto, para perceber se estarei enganado, temo que não.

-Devo no entanto acrescentar com o princípio de flat tax a partir de determinado rendimento, em sede de IRS, mas nunca 50% e sem dupla tributação, ao invés do que parece ser o caso.

É só por um ano…

Há uns anos, talvez se recordem, Manuel Ferreira Leite, quando era ministra das finanças em 2002, anunciou o aumento do IVA de 17% para 19% e prometeu que seria apenas por sete meses (de Maio de 2002 até ao fim do ano). Bom, errou no período (durou até 2005) mas acertou no ponto de a taxa ser temporária (deixou de ser 19% para ser 21%). Por acaso, é de referir que o genial governo que arrancou em 2005 também prometeu que seria uma mudança temporária e foi o que se viu. Hábitos.

Mas são estes padrões de promessas-aspirina, que parecem atenuar a dor mas só se ingeridas com queijo-de-fazer-esquecer, que me deixam preocupado. Passos anuncia corte do subsídio de Natal em 50%. Apenas vigorará este ano. Enfim, vamos ver.

Por outro lado, nem tudo é negativo. Ganhámos uma segunda central sindical, que havia estado em hibernação 6 anos. Fixe.

Nota: é só para recordar que em Março já houve um zum-zum quanto a este assunto. Passados quatro meses, eis chegado o que então ninguém admitia que pudesse acontecer.

Como alcançar rapidamente o estado de desgraça

Foi fácil: governar para os bancos, as grandes empresas e os donos da Europa. Verdade se diga que sem subterfúgios e mentiras, como fez o governo anterior.

Privatizar o que dá lucro, colocar as relações laborais ao nível da China (nalguns aspectos para pior), assaltar os ordenados (directa e indirectamente via IVA e IRS) e fazê-lo com o ar mais sério deste mundo, como se realmente se estivesse a combater a crise. Restaurar a caridadezinha,

Conhecendo um pouco do modo de funcionar português, para já isto passa. Depois virá a contestação institucional, sindicalizada, o pessoal fará umas grandes manifes, com piquenique, e voltará para casa animado.

E lá para o Outono / Inverno, nessa altura estarão a renegociar a dívida, é claro, porque até lá cada vez menos impostos serão cobrados; chegará a outra, a revolta espontânea, à revelia dos sindicatos e partidos.  É disso que eles têm medo, vários comentadores de direita avisadamente o vão repetindo, e será isso que lhes cairá em cima.

Tenham medo, muito medo.

A necessidade de subir a taxa máxima do IVA

Num altura em que o país precisa de aumentar as exportações e reduzir o consumo interno, para equilibrar a sua balança de pagamentos, e numa altura em que o Governo tem alguma margem derivada do seu estado de graça, é um erro político não subir de imediato a taxa máxima do IVA para 25% e aproveitar a folga orçamental para reduzir ao máximo a Taxa Social Única.