Inspiração não

Tendo perdido a maioria absoluta nas eleições legislativas de Junho passado, o AKP, partido conservador do presidente turco Erdogan, teria sido forçado a formar um governo de coligação. Ora o presidente deixou claro que essa não seria uma opção, referindo-se depois ao resultado como um erro, que os eleitores teriam de corrigir em novas eleições. E eis senão quando, nas eleições ontem realizadas, o AKP obteve a maioria absoluta que lhe permite formar um governo de partido único, tal como nos anos anteriores. Felizmente para Portugal, a situação e os métodos não são, de todo, comparáveis. Menos seguro seria porém que Cavaco Silva, se tivesse essa possibilidade, não se sentisse inspirado pela ideia de corrigir resultados eleitorais através de uma nova ida às urnas… Esperemos que o seu sucessor não se incline tanto para julgamentos próprios quanto a erros do eleitorado…

Os 100 (e tal) “nomeados” muito pré-eleitorais da coligação PSD/CDS-PP

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As nomeações políticas estão na ordem do dia. E se os governantes ontem nomeados parecem ter o seu posto de trabalho a prazo – maldita precariedade, não poupa ninguém – a verdade é que outros, cerca de uma centena, não tiveram igual sorte.

Falo nas nomeações feitas nos últimos dias de mandato do governo cessante – um clássico – que, por via das dúvidas, decidiu deixar uns quantos homens e mulheres de confiança em cargos-chave da Administração Pública, cargos esses que, em parte, foram criados uma semana antes das Legislativas e das próprias nomeações. Uma conveniente coincidência. [Read more…]

Números: 2085465<2744576

Estão inscritos para votar 9684922 portugueses. Só 5408092 decidiram expressar a sua opinião. Houve 4276830 que poderia ter ido apoiar a maioria e ficou em casa.

Dos que saíram de casa, 578051 escolheram os partidos “mais pequenos”, ou ficaram pelos votos nulos e em branco. Mais de meio milhão que foi votar e não apoiou a maioria.

Assim, já vamos em quase cinco milhões de portugueses que podiam ter apoiado a maioria e não o fizeram.

Os partidos PaF tiveram 2085465 (um pouco mais de dois milhões, para simplificar a linguagem) e os partidos de esquerda tiveram 2744576 – são 659111 de diferença.

Feitas as contas, houve 7599457 portugueses (mais de sete milhões e meio) que poderiam ter escolhido a Paf mas não o fizeram.

Cavaco Silva até pode ser Presidente. Pode até ter um governo. Mas, para completar a coisa, ao tentar criar uma imensa maioria, acabou por ficar com uma pequena minoria nas mãos – só 21,5% dos portugueses decidiu escolher a PaF o que, para um Presidente eleito com mais de metade dos votos, significa perder mais de metade da sua base de apoio. Ao contrário do mito da direita, a maioria do povo não escolheu a PaF e, como se viu hoje no parlamento, Portugal tem uma nova maioria.

Agora sim. Não temos Presidente. Não temos Governo. Mas, temos uma maioria – a do povo que votou e escolheu recusar a PaF: 7599457! É esta a maioria que tem de nos Governar.

 

 

Porque vou votar na Coligação

paf

Umas eleições deveriam ser, basicamente, a escolha de quem nos vai governar nos quatro anos seguintes. Ou seja, o juízo de valor que sustenta a decisão de um qualquer voto, definir-se-ia pelo resultado da análise de quem seria mais capaz para gerir os destinos do País. No entanto, e compreensivelmente, aquele processo mental sofre a influência de muitas outras variáveis, com uma acima das outras todas: o julgamento do Governo que esteve em funções na legislatura que termina. Legítimo e natural.

Deste modo, temos duas vertentes principais que determinam a escolha que se fará no próximo dia 4 de Outubro: quem preferimos que nos governe nos próximos 4 anos e se sancionamos o que o Governo fez nos 4 anos que agora terminam.

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Da abstenção em particular e do desconhecimento das mulheres em geral

SUFRAGISTA PTMulheres em geral, avós e netas em particular, já vão perceber porquê, o que vos proponho é um prévio apelo à memória e uma solução para ajudar o minimizar o problema.

O problema é a abstenção. O problema é o “eles são todos farinha do mesmo saco”, o “isto já lá não ia nem com dois salazares”, os “claro, não sabias!?”. O problema somos nós!

O problema da abstenção é o tempo de antena que as experiências orwellianas têm tomado nas tv’s portuguesas, contribuindo assim para um esboroar contínuo da memória, mesmo que não seja assim tão longínqua. [Read more…]

Estes gregos devem estar loucos II

Tsipras

Depois de semanas de sondagens a anunciar empates técnicos entre Syriza e Nova Democracia, com a excepção da imprensa afecta aos senhores do regime que afirmavam mesmo que a Nova Democracia liderava, ainda que por uma margem residual, a sondagem à boca das urnas parece indicar mais uma vitória do partido liderado por Alexis Tsipras.

Ainda é cedo para comentar resultados mas há algo que me parece incontornável: para além de toda a chantagem e manipulação, os gregos estão fartos da corrupção, má gestão e clientelas do bloco central lá do sítio. Tsipras foi empurrado para o terceiro resgate, cedeu à chantagem, percebeu que tinha colocado em causa o mandato que lhe foi atribuído e devolveu a palavra aos gregos. Os gregos parecem continuar do seu lado.

Não voto Nuno Crato (II)

IMG_20140926_110431Nuno Crato foi um dos mais competentes Ministros de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. E, tal apreciação, é de fácil validação –  que Ministro despediu mais gente?

Quem foi o Ministro que conseguiu ser mais eficaz a exterminar trabalhadores da Função Pública? Acertou!

Nuno Crato.

O primeiro ano lectivo preparado pelo sr. do plano inclinado foi o de 2011/2012. Ora, nas Escolas Públicas portuguesas no ano anterior tinham trabalhado 162625 docentes (os números são do próprio MEC). Em 2013/2014, o último ano com número conhecidos estiveram a leccionar 141850. Em dois anos 20775 trabalhadores despedidos. Conhecem alguma empresa em que isto fosse possível?

A esta hora, estará a pensar na profunda demagogia deste texto porque não estou a considerar a descida no número de alunos. No mesmo período o número de alunos nas Escolas Públicas desceu 6,24 % enquanto o despedimento atingiu 12, 77%.

Não foi a natalidade que despediu professores. Foram duas convicções:

  • para Nuno Crato,  menos escola pública é suficiente para formar os portugueses, porque isso de ser Doutor é apenas para alguns;
  • a Escola Privada deve ser apoiada e receber mais dinheiro porque os patrões dos privados são nossos amigos.

Nunca, como nesta legislatura se assistiu ao desinvestimento na Escola Pública.

Nunca, como com Nuno Crato, o dinheiro passou da Escola Pública, de todos nós, para a Escola Privada, que é, apenas de alguns.

Pela Escola Pública, dia 4 não voto em Nuno Crato.

#naovotonunocrato

Grécia: O império contra-ataca

Bobolas

Era expectável. Há uma semana e meia, a minha bola de cristal avisou-me que as manipulações e as mentiras sobre o desenrolar do período que antecede o acto eleitoral grego deste mês estariam de volta e eis que, a poucos dias da votação, surge o primeiro do contra-ataque do império que controla a Grécia na sombra com a divulgação de uma sondagem que coloca a Nova Democracia 0,3% à frente do Syriza nas intenções de voto dos gregos. Os jornais portugueses apressaram-se a fazer eco deste estudo (JN, Jornal de Negócios, I e Diário de Notícias) encomendado pela cadeia televisiva MEGA ao instituto GPO, o tal que permitiu, pouco antes do referendo grego, que dados incompletos de uma sondagem por si feita, que colocava o SIM 4 pontos percentuais à frente do NÃO, tenham sido divulgados antes do tempo, dando origem a um espectáculo de manipulação de opinião pública. A realidade, essa, mostrou-nos o NÃO a esmagar o SIM numa relação 61,5%- 38,5%. [Read more…]

Queremos erros novos

 Gervasélio Pimentão

Depois do 25 de Abril e do fim do fascismo o novo sistema político português assumiu o pressuposto fundamental das democracias liberais em que se inspirou: o poder deve estar em última instância nas mãos do povo que pode escolher a melhor proposta política apresentada pelos veículos privilegiados que são os partidos. Em democracia representativa a existência de uma multiplicidade de propostas é fundamental para que haja possibilidade de escolha e de mudança, se considerado necessário. Idealmente, os eleitores que não se revirem em nenhuma delas podem organizar-se livremente num novo partido e apresentá-lo a eleições. [Read more…]

Estamos cobertos

Custa à brava, mas lá vou aguentando o prof. Marcelo chafurdando na sua própria matéria fecal informativa. Nunca se foi tão longe neste jogo sujo e arrepia pensar que esta criatura manipulativa e amoral pode vir a ser presidente da República. É que há quem goste deste estilo entre o calinas intelectualizado e o vendedor de banha da cobra. Ontem a cloaca foi reforçada pelas informações vaidosas de Sérgio Figueiredo, director de “informação” da TVI. Descreveu-nos – orgulhoso, vá-se lá saber porquê – como vão decorrer os debates nos vários canais e como a corja televisiva se entendeu como um cartel; fiquei a perceber que a sua satisfação decorre do bom serviço feito aos patrões, tal como fui informado – por um jornalista com responsabilidades de direcção! – do facto de só haver dois candidatos a 1º ministro (então não são deputados o que vamos eleger?)! De resto, mantendo estes “comentadores”, o modo de cobertura da campanha é relativamente indiferente. A batota está montada à partida. Gostava de falar neste tema noutro tom, mas não há condições. É que me lembro de quando as eleições eram cobertas por um só e obediente canal; agora, é o mesmo. Só os distraídos pensam o contrário.

O marau

Ganhar 10.000 por mês para fazer na tv a sua própria campanha eleitoral e a da direita, rezar pela bipolarização – a bem ou a mal, se necessário – do país, queimar em lume brando adversários políticos, promover a proliferação de candidatos – da esquerda e da direita – à presidência da República para que o seu nome vá inchando, é obra só ao alcance de um marau espertalhão. Tem impacto popular? Tem. Como os programas da tarde, os anúncios de calcitrim, as telenovelas, a música pimba (não estou a fazer juízos de valor, estou a comparar estatísticas). Marcelo, repimpado e bem pago, vai fazendo pela vida. Cada vez mais rasteiro, é verdade, cada vez mais demagogo, é verdade, mas fazendo o seu caminho – movido a combustível caro – para Belém com a diligência de uma formiguinha e a elevação moral de uma minhoca.

A entrevista

Comecei, com toda a boa vontade, a ver a entrevista de António Costa. As primeiras perguntas andaram à volta de um “não ser”, a última sondagem. Independentemente da discussão que mereçam os resultados dessas operações, elas não podem ser discutidas como se representassem o ser, a realidade ela mesma. As sondagens – e não quero maçar-vos mais sobre o tema – reflectem apenas e muito vagamente uma sombra da realidade. Elas não têm estatuto ontológico. Estas perguntas atiram-nos para um lugar vazio e as que se lhe seguiram – malabarismos sobre números eleitorais – não são muito melhores. Já vi por onde isto vai e a presença de supostos representantes “do povo” não augura nada de bom. Assim, desliga-se a televisão e liga-se a música. Já está.

Os desígnios insondáveis das sondagens

Tendo recebido um telefonema em que alguém se propunha sondar-me em matéria eleitoral e tendo eu declinado o convite – como sempre fiz – lá fui parar, mais uma vez, à coluna dos que “não sabem/não respondem”. Gostava que as palavras que aqui estou a escrever tivessem o efeito mágico de afastar estas abordagens de uma vez por todas. Notem que não consigo tratar mal ou ser indelicado para as pessoas que se encarregam destas tarefas, sobretudo as que nos abordam presencialmente. Geralmente são jovens a procurar ganhar um parco salário e, por isso, merecem-me, geralmente, simpatia e cordialidade. E não só os que fazem sondagens políticas, mas também comerciais – quando lhe perguntam que programas de televisão prefere, estão, de facto, a relacionar os seus dados pessoais com os seus gostos no sentido de escolher espaços de colocação da publicidade televisiva -, estas agora mais raras, sobretudo desde que as empresas aprenderam a piratear dados das redes informáticas (como esta…) e desenvolveram métodos mais fiáveis de medição de audiências. Mas lá que recuso, recuso. Agora que as sondagens – e, quando querem poupar dinheiro, as entrevistas sobre o valor das ditas – estão a ferver, devidamente comentadas por entrevistados conspicuamente parciais, quer sejam assumidamente pertencentes a partidos – quase sempre próximos do poder – quer sejam jornalistas sabujos e servis, espécie que abunda em todos os canais e jornais, ocorre-me deixar aqui esta nota. [Read more…]

O medo passou para o outro lado

grecia discoboloJá irrita ver a discussão em torno da Grécia e do acordo reduzida ao que não é, um problema entre o governo grego e os chamados credores, auxiliadores e outras tretas de propaganda.

O que se está a discutir é muito mais simples, e complexo: as eleições em Portugal e Espanha, para já, futuras eleições em França, na Irlanda e na Alemanha, a renovação do mandato da birrenta Lagarde.

Se Merkel e Hollande já perceberam que a saída da Grécia do Euro ia custar uma pipa de massa, e passaram à defensiva, os seus representantes nas províncias ibéricas estão numa compreensível aflição: qualquer acordo que não consigam vender como uma humilhação ao Syriza ser-lhes-á fatal.

O problema do pensamento único que nos governa é que acredita mesmo nas suas fantasias. Foi por aí que as coisas lhes correram mal.

Para eles, por exemplo, a História é feita por uns senhores que tomam decisões por sua livre e espontânea vontade. Ainda não perceberam que os povos existem, até porque negam a existência da própria sociedade. A ignorância é tanta que se esqueceram de dois detalhes do património histórico grego: foi por aqueles lados que no séc. XIX começou a Europa das Nações, que levou ao uma completa mudança do mapa por estes lados (e na América, por exemplo, também). Por ironia ou talvez não os liberais do tempo, os a sério, foram os grandes apoiantes da causa grega contra o império otomano que levou à sua independência. O outro respeita à resistência à besta anterior, a nazi, que em todos os Balcãs foi muito a sério, e não mais mito que outra coisa como viemos a descobrir por exemplo em França. [Read more…]

Vassalos

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Foto: PIERRE-PHILIPPE MARCOU

Repare-se na posição de Portugal e Espanha sobre a Grécia:

Governos ibéricos insistem nas “garantias” e “compromissos” do governo grego
Chefes de Governo de Portugal e Espanha aproveitam cimeira para manifestar posição concertada sobre a Grécia: rejeitam a extensão do apoio sem contrapartidas “claras”. [P]

E atente-se na acusação do sr. Rudolfo:

Assessor económico de Passos ataca liderança grega
Rudolfo Rebelo acusa Tsipras de confundir partido e Estado. E afirma que se a Grécia não pagar ao FMI, quem o vai fazer são “as ìndias e os Paquistãos”. [P]

E, por fim, lembremo-nos quais são os dois países que terão eleições a curto prazo, em particular naquele cujo primeiro-ministro declarou ir além da troika, para nos interrogarmos sobre quem perderia se a Grécia triunfasse neste braço de ferro.

Confundir partido com estado, sr. Rudolfo? Que bem prega frei Tomás. Explique lá o que é que tem Portugal a ganhar com a capitulação grega,  a tal ponto de assumir posições que os outros estados se coíbem de assumir?

Vergonha de governantes, que não se importam se exibir vassalagem para ganhar um argumento eleitoral.

Jangada de papel

As televisões portuguesas acabam de soprar a Espanha para um continente distante. Portugal continua no mesmo sítio.

First they took Barcelona, then they almost took Madrid

15M

Foto: P3/Público

Em Espanha, mesmo aqui ao lado, acontecem coisas. Visto com determinado tipo de óculos, poderá parecer uma loucura utópica, um oportunismo ou mesmo uma qualquer experiência conspirativa bolivariana. Na realidade são pessoas normais. Os primeiros a abrir brechas no antigo regime. Em Barcelona, o bloco central espanhol ficou-se por um modesto terço. Em Madrid, foi fraco e à tangente. E agora Espanha?

Uma religião chamada Inglaterra

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Experimentem pisar a vaca a um hindu, desenhar Maomé em frente de um crente, ou dissecar o sistema eleitoral britânico estando ao alcance das direitas: a reacção será a mesma.

Compreende-se, porque a suposta superioridade da democracia inglesa quando tropeça lhes estraga todo um enredo, o da superioridade de um país que continua a colonizar outros, onde o princípio elementar de que todos os homens nascem livres e iguais ainda esbarra na persistência da nobreza, a pátria dos tablóides e de Alan Turing,

Vamos a factos: o sistema pode ser antigo, e foi muito avançado em seu tempo. Não o é hoje, porque invoca a criação de maiorias em detrimento da representatividade, fazendo do parlamento uma anedota (e vá lá, a Câmara dos Lordes, esse supremo exemplo da autoridade aristocrática, já não é o que foi). E porque há sondagens, que condicionam a votação.

Vamos a evidências: a contagem de votos na Venezuela é supervisionada por observadores internacionais: [Read more…]

PSD/CDS-PP insistem na instrumentalização da imprensa

“Os directores editoriais de rádios, jornais, revistas, televisões e da agência Lusa consideram que a nova proposta de lei do PSD e CDS sobre a cobertura eleitoral confunde jornalismo e propaganda política, “mantém a tentação de impor um freio às redacções” e ameaça a liberdade de informação.” (Público)

Uma farsa eleitoral

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Mais uma vez se demonstra a natureza anti-democrática da Venezuela. O herdeiro de Chavez obteve maioria absoluta nas eleições para o “parlamento” com apenas 37% dos votos. Partidos da oposição com 12,6% conseguiram eleger apenas um deputado, enquanto outro, com 4,8% ficou com 56 e um outro, agora afastado do governo, se ficou pelos 8 com 7,8%.

De referir, igualmente, a muito peculiar forma de identificar os eleitores, sem a obrigatoriedade de mostrar um documento com fotografia, ou o facto de o voto se exercer com um lápis, em plena campanha e a um dia de semana, algo que só poderia ocorrer na América Latina.

De imediato o vencedor reuniu com a monarca da Coreia do Norte, que obteve o cargo por herança depois de um familiar ter sido afastado da sucessão, num país onde continua em vigor uma lei que proíbe a propaganda republicana.

Ou isto dito de outro modo: [Read more…]

O referendo britânico e o futuro da União Europeia

Em 2012, David Cameron abria a porta a um referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE. Em 2013 reiterou a sua determinação em levar a cabo a consulta popular até 2017. No início deste ano, o primeiro-ministro britânico insistiu novamente na necessidade de consultar a população. Na recta final da campanha para as Legislativas que ontem reconduziram o líder dos conservadores para o nº 10 de Downing Street, o trabalhista e ex-capacho da violenta invasão que celebrizou Durão Barroso como um dos mordomos mais bem pagos do mundo, Tony Blair, apressou-se a profetizar a desgraça: a saída do pais da UE iria fragilizar ainda mais a economia do Reino Unido e diminuir o seu papel no mundo. Cameron acusou Blair de não confiar nos britânicos e no seu julgamento. Eu acusá-lo-ia de chantagem.

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Esta malta é doida

projecto de lei do PSD, PS e CDS que quer obrigar os media a apresentar planos prévios de cobertura de campanhas eleitorais a uma comissão mista, antes mesmo de terminar o prazo para entrega das candidaturas [P]

Isto já teve um nome: visto prévio.

Depois do afastamento pré-eleitoral

Miguel Albuquerque expõe toda a sua admiração e vassalagem a Alberto João Jardim. Na Madeira, o regime será sempre o regime.

Contos para crianças III: que se lixem as eleições

Arranca hoje mais uma acção de campanha da coligação PSD/CDS-PP com os olhos postos nas Legislativas. Não admira que as sondagens favoreçam o regime.

O jardim tem um Alberto

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Alberto João Jardim não está politicamente morto; está é mal enterrado. Há pouco, perante a possibilidade de o Tribunal Constitucional promover uma recontagem (apoiada, agora, por quase todos os partidos), proferiu declarações absolutamente lamentáveis, abrindo guerra à CNE – com argumentos que visam colher nos habituais fans e fazer reviver o seu estilo “agarrem-me que me vou a eles” -, tentando fazer dela “bode expiatório” e propondo a sua extinção.

Assim, procura distrair os incautos do verdadeiro problema que é o das chapeladas a que certas mesas não resistem, se se julgarem impunes. Com isso, embaraça o seu próprio partido – se é que tal coisa, para ele, existe – já que este, com compreensível habilidade, subscreveu o pedido de recontagem ao TC promovido pela CDU. Jardim é o emplastro político que quer continuar a assombrar-nos a todos, incluindo os seus próprios apaniguados. Eles que tratem do assunto. Nós, para esse peditório, já demos.

Calma, isto ainda não acabou

O Alberto João não anunciou os votos das Ilhas Selvagens com que ganha as eleições.

Vieram mais cinco

Pelo estúpido método de Hondt se a CDU tivesse mais cinco votos o PSD perdia a maioria absoluta, fora a estrondosa subida da esquerda ser ainda maior. Alguma vez teria de calhar uma vigarice dar jeito.

Não lemos nada disto na segunda-feira. E é portanto tempo de devolver a toda a direita, não apenas ao PS, o recado: votaram, contrariaram as sondagens (que chatice, Paulo Portas): há ou não que tirar lições daqui para todo o país?

Não abusando, há e não há. O absolutismo madeirense acabou, o que até seria uma vitória liberal se estivéssemos no séc. XIX, a esquerda progride e…

…não volto a assinar este texto porque a malta de esquerda não faz batota. Unam-se, caralho, deixo o repto, agora em versão mais norte.

Adenda: parece que o erro nem estava nos votos nulos, mas numa acta falsificada. O 25 de Abril chegou hoje à Madeira.

Adenda seguinte: afinal o PSD continua com hilaridade absoluta.

Próximas adendas possíveis: O partido do Marinho não concorreu mas ganha por nulidade absoluta. Ronaldo assume a presidência do governo regional da Madeira. Cristiano demite-se, assumindo que não estava preparado para lances de bola parada.

Duarte Marques perdido entre regiões autónomas

Costa que correu a aparecer na selfie da vitória do Syriza escondeu-se da derrota do seu partido nos Açores.

Beijar o anel ao padrinho

Miguel Albuquerque: “Passos Coelho tem todas as condições para ganhar as eleições“.

O estrondoso crescimento da esquerda na Madeira

Não contando a família Coelho, a esquerda tinha um deputado na ARM, da CDU. Agora tem nove: dois da CDU, dois do BE e cinco do movimento Juntos pelo Povo.

O Juntos pelo Povo é um movimento de cidadania que derrotou o PSD em Santa Cruz, tem um programa simpático, de esquerda, embora não entenda a sua posição sobre o offshore. O presidente da câmara que elegeu é escriturário, vem do PS, e à boa maneira madeirense acaba de eleger o irmão, arqueólogo, e mais quatro que não estavam à espera. Nas autárquicas teve o apoio do BE.

Agora imaginem que o Juntos Pelo Povo concorre à Assembleia da República, juntando as diversas estruturas cidadãs que em várias cidades têm eleitos autárquicos…

Adenda: descubro agora que a CDU está a 5 votos do terceiro deputado, perdendo o PSD a maioria absoluta. Vamos ver a recontagem dos votos.