É evidente que não se podem tomar decisões executivas sem se ter em conta os gastos, as despesas, sem se fazer contas, enfim, como acontece com qualquer um de nós, todos os dias. Este governo, no entanto, aproveitando, aparentemente contrariado, o desastre socrático, transformou a despesa no único critério das decisões. O resto é Carnaval, com máscaras de má qualidade. [Read more…]
Técnica revolucionária em Medicina: a caçadeira pode substituir o bisturi
Eu sou RTP
A “questão” RTP é comigo! Eu sou RTP!
E por isso partilho um texto que Roma de Oliveira publicou no seu Facebook:
“Faz esta semana 13 anos que trabalho na RTP. Já tive uma boa dose de lutas, e mais terei. Mas a que travamos agora, todos juntos, faz-me vir aqui partilhar o que penso. Leio e ouço muitas opiniões acerca do nosso grupo audiovisual. Grande parte delas em resultado da tremenda ignorância da nossa sociedade relativamente às inúmeras funções da RTP, enquanto serviço público.
Assim, e porque sou pragmática, vou elencar apenas algumas dessas funções. Para que se perceba porque é que a RTP é muitíssimo mais do que um canal de televisão:
O não lucro da RTP em 2010 e o valor errado da indemnização compensatória
Foi plantada na comunicação social uma notícia a dizer que a RTP deu lucro em 2010. Acontece que o relatado por essa notícia é falso.
Segundo o JN, «a estação pública registou um resultado líquido de 15,1 milhões de euros em 2010». E ainda segundo o JN, em 2010:
- os resultados operacionais foram de 22,6 milhões de euros,
- os gastos operacionais foram de 289,6 milhões de euros,
- as receitas de publicidade do grupo foram 49,9 milhões,
- e a indemnização compensatória que a RTP recebeu foi de 121,1 milhões de euros.
O primeiro erro na tese do lucro da RTP está no facto desta ter recebido uma indemnização compensatória pelo serviço público que prestou. Não se sabe ao certo o que é esse serviço público (se alguém quiser elucidar-me, use por favor a caixa de comentários) mas o valor dado à RTP correspondeu a 29% do total das indemnizações compensatórias atribuídas às empresas que prestam serviço público. Para comparação, o sector público dos transportes rodoviários, ferroviários e marítimos e fluviais receberam, respectivamente, 14,89%, 23,88% e 2,37% do total dessas indemnizações compensatórias. A acreditar que maior valor dessas indemnizações corresponde a mais serviço público, então a RTP prestou mais serviço público do que a CP. Mas é caso para perguntar onde é que ele está.
O segundo erro está em não se listar o valor recebido à conta da taxa da RTP. É uma receita, não é?
Por fim, o terceiro erro está em o valor da indemnização compensatória estar ele mesmo errado. O valor correcto é de 145 866 455 euros, como se pode constatar no Diário da República. Ou seja, a RTP recebeu mais 24.7 milhões de euros do que os 121.1 milhões que foram badalados para a comunicação social. Coincidência ou não, estes 24.7 milhões são mais do que o lucro declarado. Ó senhores da RTP, importam-se de refazer as contas, sff?
A seguir: cópia do Diário da República aqui citado
Regresso ao ruído hertziano
Boa noite, meus senhores, minhas senhoras, lindas flores
Que aqui estais neste salão,
Eu p’ra todos vou cantar e a todos quero saudar,
Do fundo do coração.
Conheceis esta charamba? Se não, ide ouvi-la aqui e lê-la aqui.
Andei uns tempos por lusas terras sem radiações e, confesso, sinto-me muito, muito, mais saudável. Mas olhem que não foi pela ausência das malvadas ondas hertzianas do wi-fi mas porque não vi televisão, não ouvi rádio, não li jornais e não tive net. E sabeis que mais? Não me fez falta nenhuma e, ao que parece, a vida continuou no seu habitual (e fadado) ritmo.
Mas voltei, voltei de lá. E descobri que anda tudo histérico com a RTP, com taxas e quejandos. Devem ser as saudades do Prós&Prós ou do Preço Certo. Disso ou de uma empresa que estoirou mais dinheiro do que os transportes públicos, é usada por todos os governos para propaganda e ainda para mais recebe um maravilhoso imposto cobrado na factura da luz, veja-se ou não a dita. Mas, é em prol da cóltura, logo, vale a pena – é isso, não é?
Ai, ai, ai. Era para só para dar as boas noites e já me estou a esticar pela politiquice. Bem se vê que as férias já se foram.
PS: para evitar julgamentos por quem leia mais do que o que está escrito no post, desde já declaro que as notícias plantadas na comunicação social sobre a forma de vender a RTP demonstram uma enorme demência governativa.
Pergunta muito ingénua
Marques Mendes já foi preso ou ainda anda por aí a defender a privatização da RTP ?
Pergunta para a Procuradoria Geral da República
Destruir deliberadamente um bem público para benefício de privados não é crime? ou já prescreveu?
Pergunta para Marques Ganda Nóia Mendes
Quanto custou ao país o fim da taxa de radiodifusão?
RTP: sempre a diabolização do Estado
A febre de privatizar que atacou os governantes portugueses tem, aparentemente, origem no princípio básico e respeitável de que é necessário poupar. A verdade, no entanto, é que, escavando um bocadinho, descobre-se que o desperdício do dinheiro que é preciso, agora, poupar foi da responsabilidade de muitos amigos e conhecidos desses mesmos governantes. Diante destes factos, o governante esquece-se das pessoas e ataca o Estado, considerando-o um mau gestor, porque é mais fácil culpar abstracções do que companheiros de partido. [Read more…]
A Constituição é uma chatice
Agora por causa da RTP, ontem porque o Tribunal Constitucional funcionou, a direita volta a carga com as suas pieguices sobre a Constituição.
No intervalo passam à leitura selectiva (mais um que leu o artº 38º só até onde lhe interessou, esquecendo-se do nº 6), ou fingem não perceber .
Até compreendo que prefiram a de 1933, mas isso tem bom remédio: mesmo com os limites à sua própria revisão, dois terços dos deputados chegam perfeitamente para arrasar de vez com aquilo. Ah, não têm os tais dois terços e o PS ainda não optou pelo suicídio final… que chatice.
À boa maneira estalinista, há sempre outra opção: demitir o povo e eleger outro. Ou então emigrem.
Ora custou-nos 3,7 mil milhões
Venda-se a RTP por 100 milhões de euros. Cheira bem, cheira a BPN.
3,7 mil milhões depois…
Segundo os cálculos a RTP custou aos contribuintes, de 2003 até 2011, mais de 3,7 mil milhões de euros.
Numa época em que só se fala de milhões, este número até pode passar despercebido mas não deve. A pergunta que importa fazer, agora, é: em quê?
Qual a diferença entre a RTP1 e as restantes estações de televisão? Nenhuma. O mesmo tipo de concursos, de programas da manhã, de noticiários, de indiferença a tudo o que se passa para lá de Vila Franca a Norte e Setúbal a Sul, os mesmos debates sobre bola, etc. Se assim foi e é, qual o motivo para ter de pagar tanto dinheiro dos meus impostos num putativo serviço público de televisão?
O que deveria, nesta altura, preocupar a Impresa e a Media Capital era, isso sim, a concorrência desleal da RTP1 que os copia mas gastando o dinheiro dos outros – o nosso, para ser mais preciso.
E a RTP2? Passando ao lado daqueles que mais a defendem agora são os mesmos que se deliciam com o AXN, a FOX, o Discovery Channel e o Odisseia raramente vendo a RTP2, vamos ao que interessa. Os noticiários da RTP2 são diferentes dos da SICN ou da TVI24? Os programas culturais da 2 diferenciam-se daqueles que se pode ver na cabo? Tanto num caso como noutro, não me parece. Logo, a discussão deveria ser outra: defender que a SICN, a TVI24 e mais dois ou três canais culturais da cabo possam fazer parte do pacote da TDT.
O resto é conversa da treta.
Genial
O problema da RTP está no BE e no PCP que a querem controlar. Com Barras deste nível a apoiá-lo, o governo cai sózinho.
Agora que eu estava a ficar com saudades do exilado em Paris
Obrigado André Azevedo Alves. Passou-me num instantinho.
Carta do Canadá: Portugal desamparado
Com a lentidão meditativa a que obrigam as informações importantes, acabo de ler uma obra de Marc Roche que, nestes tempos incertos de Pátria e Europa, todos devíamos ler: O BANCO – Como o Goldman Sachs Dirige o Mundo. Ficamos a saber que, de forma secreta, praticamente de seita, laboriosamente, persistentemente, ao longo dos anos, o Banco Goldman Sachs adquiriu a configuração de um polvo monstruoso, cujos tentáculos, sob a forma de homens de mão, está infiltrado em toda a parte. Objectivo: empobrecer países mal governados e passar o seu património para o capital selvagem e sem pátria. Tudo isto o autor denuncia com grande pormenor e acervo de provas.
Na União Europeia, os homens principais do Goldman Sachs são Mario Draghi (presidente do BCE) e Mario Monti (primeiro ministro de Itália). O autor descreve, ao pormenor, as golpadas do banco sobre a Grécia, com a colaboração de governos da direita e da esquerda, para grande proveito e regozijo dos banqueiros alemães.
Em Portugal, segundo Marc Roche, os tentáculos do Goldman Sachs são António Borges, Carlos Moedas e, de forma sonsa, Victor Gaspar. Todos os figurantes da coisa pública que com eles colaboram servilmente, são a repetição gananciosa e sem escrúpulos dos que, em 1580, entregaram Portugal à Espanha a troco de fortunas e títulos. Toda uma elite negativa e traidora que,ontem como hoje, cabe no grito desesperado de Almada-Negreiros: “maquereaux da Pátria que vos pariu ingénuos / e vos amortalha infames”. [Read more…]
RTP: privatizar ou não privatizar, eis as questões
Pode o Estado renunciar à prestação de um serviço público de media?
Não. A Constituição incumbe o Estado de assegurar a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão (art.º 38.º, n.º 5).
O serviço público de rádio e de televisão (SPRTV) pode ser “privatizado”?
Em Portugal, o SPRTV não pode ser assumido, ainda que em regime de concessão, por entidades cujo capital seja maioritariamente privado. Isto é assim porque a lei fundamental prevê a existência de um sector público da comunicação social (art.º 38.º, n.º 6). Esta garantia institucional da liberdade de comunicação, último bastião na defesa do funcionamento de um sistema de media independente dos interesses políticos ou económicos, desapareceria com a opção de exploração ou gestão do SPRTV pelo sector privado. Constitucionalistas das mais diversas áreas políticas, como J.J Gomes Canotilho, Vital Moreira, Vieira de Andrade, Jónatas Machado ou Jorge Miranda, partilham a ideia de que o SPRTV não pode ser explorado senão por uma empresa pública. E a CRP é clara quando afasta qualquer modelo de gestão privada do sector público: “o sector público é constituído pelos meios de produção cujas propriedade e gestão pertencem ao Estado ou a outras entidades públicas” (art.º 82.º, n.º 2). Consciente do facto, o projeto de revisão constitucional 1/XI, publicado na 2.ª série A do DAR de 17 de Setembro de 2010, n.º 2/XI/2, supl., apresentado pelo PSD em 2010, tinha precisamente como objetivo permitir a abolição do sector público da comunicação social, propondo que “a estrutura e o funcionamento dos meios de comunicação social do sector público, quando exista, devem salvaguardar a sua independência perante o Governo, a Administração e os demais poderes públicos (…)”. [Read more…]
A TROIKA da Sporttv
Não há nada como o Estado para resolver o problema das empresas privadas.
Governo opta por não vender o tele-lixo
Governo opta por vender o único canal que não passa telenovelas, pirosas ou não (se bem que as primeiras dominam), que não tem concursos da tanga e que não faz dos espaços noticiosos um autêntico folhetim de fait-divers. O governo opta por vender o único canal que emite séries a horas decentes, que tem desporto sem ser bola e que passa filmes sem serem os repetidos e repetitivos blockbusters. Mas há-de querer que eu continue a pagar a mesma miserável taxa na factura da electricidade, os prós&prós do regime continuarão a ter tempo de antena e a concursomania não há-de parar.
Mais do mesmo
O estranho caso do governo suicida
Miguel Relvas avança com privatização da RTP. A falta que lhe faz um curso de Ciência Política.
A impossibilidade do acordo ortográfico
Em 30 de Setembro de 2010, o presidente do conselho de administração da RTP, Guilherme Costa, dizia à Lusa que a RTP iria adoptar o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) a partir de Janeiro de 2011.
No primeiro dia de Julho de 2012, eis a adopção do AO90 na RTP.
Já escrevi e repito: os erros do AO90 não se limitam nem a gralhas nem a falhas de pormenor, antes o impossibilitam enquanto instrumento adequado para a ortografia do português europeu.
Este é tão-somente mais um exemplo.
O criminoso volta sempre ao local do crime
Ângelo Correia no Prós & Prós discutindo as nossas secretas. Para a semana Vale Azevedo e Duarte Lima falam sobre os problemas da justiça.
RTP1 – Edição Especial – As Cobaias
Quinhentas e sete crianças, da Casa Pia, foram utilizadas como cobaias num estudo para determinar os efeitos neurocomportamentais da utilização de amálgamas contendo mercúrio nos dentes. Não deixe de ver esta reportagem.
As Cobaias da Casa Pia
Quinhentas e sete crianças, da Casa Pia, foram utilizadas como cobaias num estudo para determinar os efeitos neurocomportamentais da utilização de amálgamas contendo mercúrio nos dentes. Este estudo durou 8 anos, de 1997 a 2005, as crianças teriam entre 8 a 10 anos em 1 de Janeiro de 1997. O estudo foi conduzido, em conjunto, por elementos da Universidade de Lisboa e da Universidade de Washington. O paper que descreve este estudo, Neurobehavioral Effects of Dental Amalgam in Children (PDF em inglês), foi publicado no “The Journal of the American Medical Association“, um jornal científico, com peer-reviewing, que é um dos mais conceituados do mundo na sua área.
À primeira vista este estudo seguiu todas as normas, no entanto, o facto de usarem crianças para testes clínicos é desde logo bastante duvidoso. Ainda mais estranho, quando são do conhecimento geral os riscos para saúde que o contacto com o mercúrio pode originar, existem inclusive campanhas para proibir o uso de mercúrio nos dentes.
É assim, com alguma expectativa e ansiedade, que espero pelas 21 horas para ver na RTP 1 a reportagem de Rita Marrafa de Carvalho, no programa Edição Especial – As Cobaias, sobre este estudo e a forma como foi feito.
Edição: A reportagem está disponível aqui.
A “geoestratégia” da Eurovisão
Claro que o “music-hall” Eurovision Song Contest é “coisa inferior e própria de países subdesenvolvidos”. Não tendo qualquer interesse ou substância, apenas os supra-pacóvios moradores de distantes tugúrios como a Suécia, a Alemanha, Noruega, Dinamarca, Holanda e alguns países do leste lhe poderão dar alguma atenção. Por mero e ardiloso acaso, são precisamente os países onde existe uma educação musical ministrada nas escolas, coisa por cá desaparecida há uns quarenta anos. Enfim, deixando desde logo este tranquilizador ponto de descanso da consciência dos nossos intelectuais do lacrimoso neo-realismo doutoral, vamos ao que interessa.
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Donos de Portugal
No meio de 24h que a RTP2 vai dedicar a documentários (privatiza-a, filho privatiza-a, que a malta depois nacionaliza e dá-te um cortador de relva) pela 1h 30 deverá estrear o documentário de Jorge Costa Donos de Portugal.
O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza. Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as grandes famílias cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins – afirmam-se sobre a mesma base.
Quando a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.
Esta noite não vou ver, é de festa. Mas amanhã estará num computador perto de todos nós (tás a ver, relvinhas, tu privatizas, nós nacionalizamos-te).
Todos os motivos
O estado está mesmo sem rumo! Vale tudo para despedir um trabalhador. Então agora só porque se festeja um GOLO do GLORIOSO vai para a rua! Não há condições.
Eis a prova do crime: [Read more…]
Otólinhos de todo
A direita fica tão tolinha quando vê qualquer coisa que refira uma otelice, que anda a publicitar esta sondagem (online) da RTP:
Consequência prática: a esta hora a votação está empatada, os leitores da direita adoram golpes de estado. Tendo a coisa a desimportância que tem mesmo assim sugiro aos nossos leitores que vão lá salvar a democracia, ou um dia destes ainda acordamos com a Helena Matos a secretariar uma Junta de Salvação Nacional (e limpavam logo o sebo ao Otelo Saraiva de Carvalho, o que também é chato).










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