Novo aeroporto em Elvas para aerocomboios em bitola europeia

Ícaro, o comboio alado
(clicar para ampliar)

Após ter fracassado o projecto do TGV, Passos Coelho já colocou a hipótese de se construir uma linha de bitola europeia para mercadorias, até Badajoz. Uma vez que a referida bitola europeia só recomeça em Barcelona, a cidade de Elvas irá ser dotada da primeira aeroestação de comboios do mundo. Quando as composições saídas de Sines chegarem àquela cidade alentejana, ser-lhes-ão acopladas asas que lhes permitirão percorrer pelo ar os mil quilómetros até regressarem à linha férrea. Trata-se de um projecto absolutamente pioneiro cujo estudo ficará a cargo de uma comissão de especialistas.

Para a construção da nova linha aéreo-férrea, da aeroestação e dos aerocomboios será aberto um concurso público de ajuste directo. Ciente dos problemas criados pelas Parcerias Público-Privadas, Miguel Relvas já veio declarar que “todo este processo terá como base um novo instrumento jurídico-financeiro, as Sociedades Estatais Particulares.”

Vagamente, o Estádio Nacional

Nunca viajei no ramal do Estádio Nacional.
Vagamente tenho memória do que não conheci.

Que Faças Muitas e Muitas Viagens, Aventar!

Trouxeram-me (por grande lapso, digo) para aqui por causa dos comboios.
Fui ficando…

Isabel Stilwell e o TGV

Isabel Stilwell tem todo o direito de, porventura, ter sido má aluna a História. Tem todo o direito de não perceber que, quando Salazar nasceu, já o comboio circulava em Portugal há 33 anos e seria, portanto, impossível que Salazar e Franco tivessem cometido o erro de optarem “por uma bitola (a largura entre os carris) diferente da dos outros países europeus (nós escolhemos a larga, eles usam a estreita), numa tentativa de isolar a Península Ibérica“. Dois erros numa só frase: nem Salazar ou Franco escolheram bitola alguma nem a Europa usa a bitola “estreita”, antes a “padrão“, “internacional” ou “UIC“, como também se pode dizer: 1435 mm entre o bordo interior dos carris em alinhamento recto, por oposição à “bitola ibérica”, 1668 mm.
A Tudologia é cada vez mais uma ciência exacta…

A parolada do TGV

A parolada que foi para a caixa de comentários deste post criticar a decisão do Governo de acabar com o TGV deve preocupar-se tanto com comboios como eu me preocupo com o Papa.
E não são parolos por serem a favor do TGV, são parolos pelos argumentos que utilizam. Para eles, o TGV é sinónimo de desenvolvimento. Ai que moderno, ai que prá frentex. Quase que apostava que são os primeiros a defender o fim da Linha do Tua para construir mais um empreendimento megalómano e desnecessário.
Sou o primeiro neste blogue a reconher a importância do comboio e a defender tudo o que a ele diga respeito. Bem, o primeiro não, que esse é o nosso Dario. Mas defendo MESMO o comboio: a construção de uma rede ferroviária eficaz e modernizada que sirva efectivamente as necessidades da população, quer do Litoral quer do Interior, e que seja uma alternativa fiável ao automóvel. Uma rede com uma extensão igual à que a Monarquia nos deixou. Uma rede onde o transporte de mercadorias seja um motor de toda a economia.
Defender o comboio é isto. Não é construir Alta Velocidade que não serve para nada a não ser para dar de ganhar aos mesmos de sempre. Não é enterrar biliões num projecto que não vai aumentar em nada a competitividade da economia portuguesa. Não, o desenvolvimento não é isto.

Fim do TGV: Uma excelente decisão

É uma excelente decisão acabar definitivamente com o projecto do TGV. Excelente decisão é também apostar no transporte de mercadorias a partir de Sines e de Aveiro.
Algum dia heveria de concordar com o Governo de Passos Coelho. Parece que chegou o dia.

A Ponte Sobre o Rio Ave

Em finais do séc. XIX, um comboio de via larga e raríssimas carruagens de dois pisos em madeira atravessa o rio Ave; esta ponte seria substituida por uma outra, mais robusta e ainda em serviço, em 1932.

O contraditório ao jornalismo de retrete

O caso do artigo que Francisco Almeida Leite escreveu em papel higiénico preto, passe a publicidade, e que tem a lata de defender perante Oscar Mascarenhas armando-se em sénior (tem uma longa carreira como moço de fretes do situacionismo passista, isso é verdade) com o mirabolante argumento de que não era preciso exercer o contraditório, ou seja fazer jornalismo, porque se tratava de um argumentário do governo, tem dado muito comentário. Eui vou-lhe dar o contraditório, a partir de caixas de comentários à notícia espalhada online com pequenas correcções linguísticas, o estilo não será o melhor, mas a verdade não precisa de literatura:

FAL: “Descanso na CP para cada trabalhador é de 30 dias/ano. No metro de Lisboa, se gozados fora do período “normal”, pode também chegar aos 30 dias.”

 É verdade que os motoristas de carris têm 30 dias de férias enquanto os restantes têm 25 , só que nós motoristas temos dias corridos e não dias úteis, se eu tirar 30 dias de férias as minhas folgas contam como dia de férias e se fosse no regime dias úteis os fins de semana (folgas) não contam como dias de férias, então agora façam as contas para ver quem é que tem mais dias de férias , os que têm 25 dias uteis ou 30 dias seguidos. [Read more…]

Hoje dá na net: La Próxima Estación

Documentário de Pino Solanas, “La Próxima Estación” (2008) dá-nos uma clara visão do que já foi e no que se transformou o caminho-de-ferro na Argentina. Um espelho perfeito de um país que já bateu no fundo e desce mais baixo todos os dias…

O Luxo no Norte de Espanha. Sobre Carris.

Bilhetes a partir de 2.400 euros. É favor reservar com muita antecedência.

Estação de Lousado

Estação de Lousado, últimas luzes dos anos 70.
À esquerda, a Unidade Dupla Diesel série 400, então com dois motores Rolls Royce, ligava ainda o Porto a Monção (Linha do Minho); à direita, a recém-chegada UDD de via métrica de fabrico francês ligava então Porto Trindade, Trofa a Guimarães e Fafe (Linha de Guimarães).
O cenário é hoje bastante diferente mercê a modernização da via até Braga e Guimarães (electrificada e com sinalização electrónica).

Ir ao Futebol de Comboio

Ramal do Estádio Nacional: há alguns anos, ia-se ao futebol de comboio, ía-se a muitos sítios de comboio.

Banda Teorema junto à Linha do Sabor

O comboio que subia do Pocinho passava aqui antes da estação de Torre de Moncorvo.

Celorico de Basto, a Estação

Celorico de Basto e a Linha do Tâmega por volta de 1972.
Não havia democracia nesta terra!, nem Albertino Mota e Silva e Cavaco Silva tinham chegado ao poder.

 

Um dia de greve são 150 milhões de euros… na Mota Engil?

Ter razão antes do tempo é uma coisa que acontece com frequência no Aventar. Desta vez o JJC teve a lucidez de sugerir que Sérgio Monteiro deveria ser levado em conta…

Na altura, confesso, não lhe dei a devida atenção, mas nos últimos dias fiquei com pena do professor de matemática do senhor secretário de estado, que em tempos terá andado pela Mota Engil.

Diz ele que o dia de greve custa ao país 150 milhões de euros.

Vejamos: com 22 dias úteis por mês, temos 264 dias no ano. Isto a multiplicar por 150 milhões dá qualquer coisa como 39600 milhões de euros. Atentendo a que o nosso PIB é o que é, há aqui algo que não bate certo nas contas do governo… [Read more…]

“ARMAS” Abandonou

A MADEIRA ESTÁ MAIS LONGE
O navio “ARMAS” que durante cerca de seis anos (desde 2006) fez a ligação marítima de transportes regulares de passageiros entre o continente (Portimão) e a  ilha da Madeira (Funchal), deixou de o fazer.
Como não poderia deixar de ser, a culpa cai no Governo Regional, que não deu ao armador espanhol as condições que este entendeu por necessárias para efectuar esse serviço.
Também como não poderia deixar de ser, independentemente da razão que eventualmente lhes possa subsistir, a oposição política e algumas associções empresariais acusam igualmente os governantes  regionais de protegerem e beneficiarem o Grupo Sousa,  concessionário das operações portuárias do arquipélago e com o monopólio da ligação marítima entre as ilhas da Madeira e do Porto Santo.
Quem fica a perder é o arquipélago, cujos habitantes deixam de ter uma via mais económica de acesso ao continente e às Canárias, aumentando o nível de vida, fazendo diminuir o emprego e aumentando o isolamento (parte das conclusões de uma petição pública colocada na Internet subscrita por muitos cidadãos).
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Estação de Moura

O único troço de via férrea a leste do rio Guadiana chegou a Moura há cerca de 140 anos, num tempo em que a ponte ferroviária seria também rodoviária nas longas décadas a seguir. Da estação de Serpa-Brinches nunca o comboio haveria de chegar a Serpa nem de Moura a linha chegaria a Mourão, Reguengos  de Monsaraz ou Évora. Nem os girassóis da planície sabem quando o caminho-de-ferro de circunvalação do maior lago artificial da Europa voltará a ter comboios.

O Comboio na Póvoa

Em meados dos anos 70, um comboio traccionado pela mais poderosa locomotiva de via estreita portuguesa CP E144, e rebocando quatro carruagens de fabrico italiano, passa sob o aqueduto de Santa Clara. Esta locomotiva ainda hoje existe; o local também: é hoje atravessado pelo Metro do Porto.

A Trofa Há Pouco

À cabeça do comboio – vinha gente nele, e correio e tudo –  , a locomotiva CP 1429 reboca carruagens Schindler provavelmente desde Monção e com destino a Porto São Bento; a máquina foi montada na Sorefame (Amadora) sob licença da Vulcan Foundry algures entre 1966 e 1968 e ainda circula por aí. Das fabulosas e notáveis carruagens Schindler (pós-1956) restam apenas algumas para circulações eventuais na Linha do Douro. À esquerda, parece vislumbrar-se um ou dois vagões da via métrica (Linha de Guimarães) que ligava o centro do Porto (Trindade) a Guimarães e Fafe (até 1985). A Linha de Guimarães, que aqui tinha um ponto importante, foi alargada desde Lousado a Guimarães há cerca de uma década e recebe agora comboios directos de Porto São Bento e Lisboa Santa Apolónia (sim, o Intercidades). À direita, vêem-se ainda os carris da via métrica dentro da via larga junto do cais de mercadorias que ainda hoje subsiste. O tempo passou por nós todos e o comboio na Trofa passa agora noutro lugar a que se acede, pelo lado Sul, pelo 3.º mais extenso túnel ferroviário português (1404 metros), o 2.º maior a norte do Douro e o 1.º a ser construído no séc. XXI. Encontrei a foto aqui.

Sim betinhos, há pessoas que não têm carta, quanto mais carros

A direita está em polvorosa porque Ana Drago solicitou um carro e um motorista à Assembleia da República para se deslocar em serviço a um Parlamento dos Jovens.

Que horror, estão a ver? e chamam burgueses aos outros, os pindéricos!

Além de a própria AR confirmar ser isso perfeitamente legal e normal, o que os betinhos nem sequer conseguiram ler é que Ana Drago não tem carta. Sim, há portugueses que não têm carta, uns porque não podem e outros porque entenderam que não deviam ter, grupo em que orgulhosamente me incluo. Este horror faz parte do desprezo com que encaram os políticos de esquerda que usam diariamente transportes públicos. Ainda há dias, no Expresso, uma jornalista foi ter com Francisco Louçã para uma rubrica sobre poupanças porque o homem vai de autocarro para o parlamento.

– Não é uma questão de poupança, mas sim de conforto, não tenho de andar a procura de estacionamento, – explicou-lhe.

Pelos vistos na redacção não compreenderam. Na da Sábado também não lhes apeteceu.

Agora quando Assunção Esteves foi apanhada a fazer compras com motorista a transportar os sacos e segurança, não vimos a mesma indignação. Mas essa sim, é indigna.

Eles são como o Cavaco Silva

Adoram andar de comboio! e não sabem se o rendimento chega para pagar as despesas.

Estação de Torre de Moncorvo, anos 70

Era assim Torre de Moncorvo (Portugal) em meados dos anos 70. Linha do Sabor.

Os maquinistas, esses nababos

Tem vindo a ser desenvolvida uma campanha na comunicação social e através de intervenções de responsáveis políticos, que retrata os maquinistas e os funcionários das empresas de transportes como gente extremamente bem paga, beneficiários de regalias inusitadas e injustas quando comparados com o resto da população. De forma indirecta sugere-se que a situação de falência técnica actual da empresa se deve a estas enormes regalias dadas aos trabalhadores em geral e ao maquinistas em particular. É óbvio que esta é uma não questão que além de mesquinha, é odiosa.

 
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O Porto em 1956


Excerto do filme “O pintor e a cidade” de Manoel de Oliveira; para além de alguns comboios a vapor em São Bento e a caminho de Campanhã, surge também a ponte Maria Pia (então com 79 anos de idade) e as carruagens Schindler em início da sua carreira de meio século.

CP condenada a pagar milhares de euros a cada maquinista

Na sequência do acórdão do Supremo Tribunal de Justiça datado de 16/12/2010 o SMAQ, sindicato dos maquinistas, anunciou em comunicado datado de 14/12/2011 que “FACE À RECUSA DA CP EPE/CP CARGA DO PAGAMENTO DOS DÉBITOS SALARIAIS AOS MAQUINISTAS/TRACÇÃO, O SMAQ INDICOU BENS À PENHORA NA ACÇÃO DE EXECUTAÇÃO DA SENTENÇA DA RETRIBUIÇÃO VARIÁVEL, HOJE, 14DEZEMBRO 2011: OS BENS MÓVEIS E IMÓVEIS DA SEDE DA CP; TODOS OS VEÍCULOS AUTOMÓVEIS; CRÉDITOS DA CP PERANTE A ADMINISTRAÇÃO FISCAL; DEPÓSITOS BANCÁRIOS E TODAS AS RECEITAS DE BILHETEIRA DE Lx. ORIENTE, Stª. APOLÓNIA, ROSSIO, CAIS DO SODRÉ, CAMPANHÃ, S. BENTO E COIMBRA-B.
O montante em causa, nesta primeira fase, é 152.669,43 €; atingindo até 2006 o valor de 14.000.000 € para a totalidade dos associados, acrescendo ainda juros de mora e o pagamento dos anos seguintes a 2006. Quando o Presidente da CP EPE/CP Carga afirma que cumpre as Leis da República, deve cumprir também, num Estado de Direito Democrático as sentenças do Supremo Tribunal de Justiça, como é caso/acórdão – processo nº2065/07.5TTLSB”. PONTO!

Maquinistas.org

Personalidade bipolar – Conselho de Administração da CP

O Conselho de Administração da CP desmente-se a ele próprio com escassos dias de intervalo.
No número 2, 2º quadrimestre de 2011, da revista “Grupo CP em revista” (imagem acima) o presidente do Conselho de Administração da CP, em entrevista cedida a este órgão de informação interna, afirma peremptoriamente que “o pagamento atempado dos salários, o pagamento dos descontos para a Segurança Social e dos impostos ao Estado, bem como os pagamentos a fornecedores, não está nem nunca esteve minimamente em causa“. Mais ainda, José Benoliel diz que “as receitas obtidas na bilheteira são suficientes para liquidar essas responsabilidades”, garantindo inclusivamente que não vislumbra “razões que possam levar os trabalhadores da Empresa a ter preocupações com o pagamento atempado dos seus salários”. O responsável máximo da CP informa-nos também nesta entrevista que no primeiro semestre de 2011 a CP registou em comparação com o período homólogo de 2010 uma melhoria de cerca de 24,4 milhões de euros no Resultado Operacional.

«COMUNICADO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
Caros Colaboradores,
Face a gravidade da situação financeira da empresa e das insuficiências momentâneas [Read more…]

Vende-se a História

© automotora – o comboio a vapor da linha do Corgo (Régua-Vila Real) quando ainda tinha carris para percorrer os 25 km que uniam as duas cidades durienses. A linha foi encerrada “por razões de segurança” em 2009, aos 103 anos de vida. As obras de renovação da linha foram entretanto suspensas e todos os materiais foram já retirados.

Por MARIA DO CÉU MOTA

Acaba-se com feriados históricos e se se puder, também se vende o património histórico.
A CP tentou vender o comboio histórico estacionado na Régua. Foi a Federação Europeia das Associações de Caminhos-de-Ferro Turísticos que boicotou essa tentativa. O comboio, ainda operacional (!), é composto por uma locomotiva a vapor de 1923, uma composição de 1908 e outra construída no Porto em 1913, só para mencionar algumas das suas componentes. É, segundo o vice-presidente daquela Federação, ” um acervo único em Portugal e raro na Europa que deve ser preservado”.
Não se percebe que se queira fazer determinadas candidaturas à Unesco quando não se tem carinho por tudo o que diz respeito à nossa História.
É lamentável que seja uma entidade estrangeira a boicotar a tentativa de venda de património português!
Este caso fez-me lembrar o caso do nosso comboio real do final séc. XIX que transportou a rainha D. Maria II, D. Carlos e o rei D. Luis e que esteve em exposição na Holanda em Abril de 2010. Um êxito! Não pensem em vendê-lo!!
Deixo este alerta…

O estradismo: uma crónica sobre as últimas três décadas de asfalto.

Na foto um dos efeitos do estradismo: a proliferação de lixo. Estrada municipal em Cinfães.
Nos últimos 30 anos (e mesmo durante a longa noite do Estado Novo) os senhores governantes do concelho de onde sou natural debitaram um extenso relambório eleitoralista cujo tópico principal era a estrada. Segundo eles, eram necessárias estradas. Estradas em todos os sentidos, a ligar todos os pontos: A a B, B a C, BB a CC, etc etc. Com a chegada dos fundos comunitários construiu-se, então, um número ilimitado de estradas, estradinhas e estradões para todo o lado, mesmo antes de existir uma rede de saneamento, da própria electricidade e de água potável para todos. Onde havia uma casa, podia o seu proprietário contar com uma estrada à porta, apesar de não ter esgotos nem água canalizada. Entre asfalto e paralelípedos de granito, o investimento em vias suplantou o da educação, da cultura e do apoio ao comércio e à indústria locais. A grande justificação era a de que as estradas trariam progresso, aproximavam pessoas, tornavam as distâncias longas em percurso reduzidos e, portanto, geravam progresso. Tempo é dinheiro e, como tal, as estradas iriam supostamente constituir autênticas caixas multibanco do interior. Ao mesmo tempo que as câmaras municipais e os seus feudos distribuíam empreitadas a construtores “da sua confiança”, o Estado central gizava auto estradas para transformar Portugal num reticulado de asfalto e cimento. Foi o “estradismo”. [Read more…]

Os Carteiros São a Alma de Portugal

© Maria Amália Cidália Marques

Os Carteiros – que perifrasticamente a burocracia chama de “agentes de distribuição postal” – são os portugueses que melhor conhecem Portugal. Mais do que qualquer sociólogo ou turista acidental, muito mais do que qualquer político em campanha eleitoral. Os carteiros portugueses percorrem a pé, de bicicleta, de mota, de metro* ou de carro todos as avenidas, ruas, vielas, estradas, ladeiras e caminhos de Portugal, 260 dias por ano. Em todos esses muitos dias, os carteiros portugueses vão à procura e ao encontro de milhões de portugueses. Os carteiros estão em toda a parte, os carteiros são nossos amigos. Os portugueses confiam mais nos carteiros que nos advogados e nos juízes. 

Os Correios de Portugal organizaram um concurso de fotografia para carteiros. Chegaram (no correio?) de todo o país fotografias de todo o país. As mais bonitas estão em exibição em Lisboa. Espero que a exposição seja levada aos outros portugueses. Ficou claro que Portugal não é só Lisboa.

* noutros tempos, os carteiros viajavam de “ambulância“.

Como pagar as ex-scut sem comprar a via verde?

Um amigo que vai viajar pediu-me um favor: que lhe pagasse uma passagem numa ex-scut por se encontrar esse meu amigo ausente do país.

Eu conto. Informado de que tem cinco dias úteis após a passagem na ex-scut para proceder ao pagamento e efectuando a viagem precisamente para apanhar um avião para outro país onde permanecerá uma semana, o meu amigo dirigiu-se a uma estação de Correios – cuja fila de espera, entretanto, aumentou substancialmente – para tentar pagar antes da utilização da viagem, já que depois lhe seria impossível. Não pode. Ou seja, pode, mas tem que comprar um dispositivo que custa 27,5 €, além de ser obrigado a fazer um carregamento suplementar de 10€. Não viajando o número de vezes suficiente para justificar a compra e não querendo comprar um dispositivo de via verde, o meu amigo viu-se na situação de me pedir um favor que me vai causar o incómodo de satisfazer burocracias inúteis. Vá lá que tem amigos a quem pedir. Porque podia não ter e, nesse caso, ou era roubado por ser obrigado a comprar algo que não se justifica, ou teria que partir de véspera por estradas alternativas para apanhar um simples avião.