A publicidade imita a realidade.
Metro de Lisboa para todo o dia
Aparentemente, segundo este título, o metro de Lisboa passará a funcionar 24 horas por dia. Lembrei-me imediatamente de uma notícia recente acerca do metro da minha terra: “O metro do Porto começa na sexta-feira, dia 11 de Julho, a funcionar 24 horas diárias nos fins-de-semana”.
Contudo, algo de extremamente grave terá acontecido entre o momento da redacção do título e o primeiro parágrafo do texto. Afinal, depois de nos darem a entender que o metro funcionaria durante todo o dia, agora dizem-nos que “O Metropolitano de Lisboa tem o seu serviço suspenso entre as 23h00 de ontem e as 00h15 do dia 26 de setembro [sic], sexta-feira“. Entendamo-nos: é para todo o dia ou está suspenso?
Ainda por cima, no Diário da República, a enxurrada de contatos e fatos não pára. Efectivamente: pára. Sim, hoje, no sítio do costume:
Na apresentação dos documentos comprovativos dos requisitos referidos nas alíneas a), b), c), d) e e) do n.º 9 do presente aviso, devem os candidatos declarar no requerimento, sob compromisso de honra e em alíneas separadas, a situação precisa em que se encontram, relativamente a cada um dos requisitos, bem como aos demais fatos constantes na candidatura.
(….)
Domicílio ou sede do requerente e contatos
(…)
Identificação completa, domicílio do requerente e contatos
(…)
A identificação completa, a residência do requerente e contatos
O azul não tem qualquer conotação clubística
Diz Eduardo Aires. Pois, sim, está bem. “Os típicos azulejos azuis e brancos que cobrem tantas igrejas da cidade”? Como escreveu o Krugman: “yuk-yuk-yuk (…) hahaha“.
Qual piropo?
Parece-me que anda por aí uma certa confusão, não exclusivamente masculina, quanto ao que significam “piropo” e “assédio sexual verbal”. Um piropo pode ser poético, pode arrancar um sorriso, porventura até pode ser o princípio de uma bela história de amor.
“Fodia-te toda”, babujado por um desconhecido aos ouvidos da mulher com quem se cruza na rua, não é um piropo, é uma agressão.
Dito isto, e quanto à criminalização do “assédio sexual verbal”, a minha mãezinha ensinou-me, através do seu enérgico exemplo, que duas chapadas bem dadas sabem muito melhor do que uma queixa na polícia.
Piropos (I)
Ó Catarina, o teu pai devia ter a régua torta para te fazer com curvas assim.
Secret Story 5
João Sérgio Reis
Ontem tentei (juro que tentei e vi) ver uns 15-20 minutos da xaropada da TVI que se chama Secret Story 5. Epá, eu peço desculpa a todos/as os que gostam de ver isto (incluindo aqueles milhares que dizem que não vem, mas sabem os nomes daquela Gente toda..) mas eu não aguento mesmo.. Descobri que há licenciados na casa e sabem tanto da vida e tem tanto nível que me deixam siderado. Ouvi pérolas que pensava não serem possíveis a gente de tal “gabarito”. Como disse uma amiga: “ao menos ainda conseguem escrever, já não é mau”. É mau, aquilo é tudo muito mau. Tinha de ver com os meus próprios olhos para tirar as minhas conclusões. [Read more…]
Estamos todos “***idos”
António José Seguro está rendido à sorte da chuva torrencial que inundou o castelo de Costa. António Costa sente-se pungido pelo temporal. O povo está esvaído em dívidas. E Manuel Alegre está quase ofendido com as propostas de Seguro para diminuir o número de deputados. O Governo está ressentido com quem esvaziou o Citius.
Entre rendidos, pungidos, esvaídos, ressentidos, e demais “***idos”, alguém há-de escapar.
Eu próprio, mesmo com pleonasmo, sinto-me, então, comedido. Abusar, abusei ao almoço: entre uma feijoada à transmontana, com um bagaço para compor, e o Manuel Alegre que me entrou pela casa dentro, aos gritos, ofendido (quase) num comício, só me faltava ouvir o Mário Soares a perorar contra a intempérie, que é culpa da Protecção Civil, que só a previu a destempo dos políticos em campanha eleitoral. Mas esse deve estará dormir a sesta, que é o que vou fazer, já a seguir.
A conta, por favor!
Companhia aérea de bandeira – III
-É absolutamente extraordinário que uma empresa decida criar uma filial e como reacção os seus trabalhadores convoquem greve. Mas verdadeiramente surreal é a empresa anunciar o recuo na decisão, obtendo como resposta dos sindicatos a manutenção da greve. Não me parecem estar em causa reivindicações salariais ou direitos laborais, que poderíamos concordar ou não, mas colocariam o assunto noutro tipo de discussão. A questão é uma corporação pretender afastar potencial concorrência em nome de privilégios. A aviação cívil, nomeadamente a europeia é cada vez mais um mundo à parte, causando prejuízos a contribuintes e consumidores…
Nova lei da cópia privada gerará 3.5 a 4.7 milhões de receita em IVA
Assine a petição contra esta lei da cópia privada
7.669 já a assinaram
Aos 15 a 20 milhões de euros que Barreto Xavier, Secretário de Estado do Loby, afirma que a nova lei da cópia privada irá buscar às vendas de equipamentos electrónicos, acresce IVA à taxa legal, algo que os defensores da lei, convenientemente, não referem. Este valor acresce àquele que os consumidores irão pagar e gerará para o Estado 3.5 a 4.7 milhões de euros. Talvez esta fonte de receitas explique porque é que o governo não se importe com algum prejuízo eleitoral.
Ao novo imposto incidirá um segundo imposto, o IVA, num óbvio caso de dupla taxação, ilegal à face da lei. Daí a activa defesa, por parte dos pró-lei, de que não está em causa um imposto mas sim uma taxa.
A forma mais fácil de travar esta versão da lei consiste em demonstrar que em causa está, de facto, um imposto e não uma taxa. Não acaba com a saga, já que bastaria outra versão da lei sem IVA, mas recolocaria o processo na estaca zero.
Aqui fica a ideia para quem tiver os meios.
Os Deuses devem estar loucos…
Vitória dos intermediários, derrota dos autores

Hoje na SPA festejou-se, enquanto o restante país se prepara para receber a factura (acresce IVA à taxa legal). Vitória do intermediário que fica para si mesmo com mais de 60% dos direitos dos autores. Será que um Parlamento com um diferente número de deputados já teria uma maioria de representantes que pensasse de facto pelas suas próprias cabeças?
O transtorno
Já assistimos há anos ao transtorno da justiça funcionar mal. Agora, simplesmente, acresce o transtorno de não funcionar, de todo, há quase um mês.
Deslocados climáticos

© Arif Ali/AFP
19 de Agosto de 2013: um grupo de paquistaneses caminhando por uma estrada inundada perto de Lahore. Segundo a ONG Norwegian Refugee Council, 2013 registou mais 22 milhões de pessoas deslocadas em razão de desastres naturais causados pelas alterações climáticas. Trata-se do dobro de ditos «refugiados climáticos» no Mundo relativamente aos anos 1970, e do triplo se comparados com os deslocados resultantes das zonas em guerra
A negação ao direito da cópia privada
Ontem houve programa sobre a cópia privada no Prós e Contras. É curioso que tenha sido este o tema de lançamento do programa, em vez dos temas quentes como o BES ou os desastres em curso na Justiça e na Educação mas isto é assunto para outra ocasião.
O facto é que houve debate e os autores fizeram claque. Curiosamente, de novo, pareciam mais numerosos do que os restantes mas, enfim, o programa foi o Prós e o Contras e as singularidades são frequentes. O debate era sobre a actualização da lei da cópia privada, com a introdução de um novo imposto sobre produtos que contenham capacidade de memória ou armazenamento. O pretexto? Dizem que os consumidores podem fazer cópia privada do produto comprado e que isso traz prejuízo para os autores. Se bem que esse prejuízo não foi demonstrado. Mas adiante.
Acontece que o consumidor está proibido de fazer a sua cópia privada, como se pode ver na imagem abaixo de um dos DVD que comprei (e que é chapa sete nos DVD em geral). E como se pode ler nos CD áudio. Aliás, quanto a CD áudio, as editoras portaram-se tão mal quanto os produtores de vírus informáticos ao imporem sistemas anti-cópia, entretanto abandonamos devido à pressão mediática, os quais criaram sérios de problemas de segurança nos equipamentos informáticos.
O lado sombrio da emigração
Jornais de Lisboa fizeram-se eco do discurso assertivo que o deputado socialista Andrew Cash fez no parlamento federal, em Otava, contra sucessivos surtidas de agentes do CBSA (Serviço de Fronteiras do Canadá) em estaleiros de construção, centros comerciais, bilhares, padarias e cafés, em busca de emigrantes ilegais portugueses. O parlamentar, indignado, atribui estas acções a “discriminação racial” contra os portugueses. Compreendo o seu ponto de vista mas a minha experiência de 30 anos obriga-me a adiantar que o caso é ainda mais grave do que isso.
Na verdade, estas acções de força policial são sempre originadas por denúncias, muitas delas anónimas. E quem faz as denúncias? Pois aí é que está o grave e doloroso da situação: são sempre feitas por pessoas do mesmo país das pessoa que são denunciadas. Portanto, portugueses denunciam portugueses. Há mais mulheres denunciantes do que homens mas em ambos os casos, por infeliz coincidência que psiquiatras e sociólogos haviam de estudar para alertar as autoridades canadianas, trata-se de pessoas que foram sexualmente abusadas por familiares e/ou vítimas de violência doméstica. A perversão moral coze em caldo de inferioridade, despeito e inveja, saltando para o crime da denúncia quando apanha o mínimo pretexto. Vou dar-vos um exemplo. Uma jovem açoriana, a Ana, viu-se coagida pelo mau passadio e falta de trabalho em S. Miguel a entrar em Toronto como turista, deixando-se depois ficar e arriscar. Felizmente, encontrou trabalho de cozinha no restaurante dum português do continente. O processo de emigração foi iniciado, e demora sempre, mas ela trabalhava com gosto e ganhava bem a vida. Um dia, sentiu umas dores esquisitas no peito e como não tinha direito a assistência médica por ser ilegal, o patrão pagou generosamente essa assistência que se saldou, de imediato, por uma biopsia. Nessa mesma altura uma mulher da sua freguesia insistiu para que fosse viver em casa dela e do marido. De boa fé, Ana aceitou. Logo de seguida, a tal encostou-lhe facas ao peito: ia abrir um restaurante e contava com ela para ali trabalhar. Decente e bem formada, Ana recusou alegando que o patrão não merecia uma coisa dessas, pois lhe tinha dado trabalho, pagava-lhe bem e respeitava-a. A resposta da outra veio de recochete: ai era assim?, pois ela ia ver o que era bom. Ao amanhecer, a chamada polícia de imigração apareceu na casa, levou a Ana, em roupão e chinelos, para o hotel-prisão junto do aeroporto e deportou-a. Meia dúzia de dias depois desta brutalidade, o médico ligou para o restaurante à procura da Ana e ficou siderado quando lhe disseram que ela tinha sido deportada. Quis falar com o patrão e pediu-lhe que avisasse imediatamente a moça porque ela tinha um cancro da mama. Ana viveu o calvário da cirurgia nos Açores, da quimioterapia e radioterapia em Lisboa, tem uma saúde precária e vive dum magro subsídio da assistência social e de ajudas de pessoas de boa vontade, entre as quais se contam o antigo patrão e colegas do restaurante. Nada aconteceu à criminosa que a pôs nesta situação e é facil de calcular que esteja muito satisfeita com a façanha. [Read more…]
Obrigada por este bocadinho, François! (III)

Na montra de uma livraria em França onde o livro da ex de Hollande não está à venda, um poster de um filme imaginário com menção ao caso do tweet contra Ségolène Royal com que Trierweiler desafiou Hollande
Alguns livreiros recusam-se a vender o livro de Valérie Trierweiler, Merci pour ce moment, revoltados que estão com o fenómeno estapafúrdio gerado por um livro que, com justeza, consideram sem qualidades, apesar de ter vendido numa só semana o que a maior parte dos escritores franceses não consegue numa vida literária. [Read more…]
O Público e as Fotomontagens
O Público deu-se ao luxo de dispensar dezenas de bons profissionais, inclusive na área da imagem. Não é, portanto, de admirar que o diário de ex-referência português publique fotomontagens (via Flickr) como sendo ilustração de qualidade. Qual o próximo passo?
“NOS é que somos burros”
Autor Identificado
Em Janeiro cessei contrato com a Zon. Pergunto se é preciso devolver o equipamento, porque não me faz falta. Dizem-me que não é preciso.
Dois meses depois recebo um telefonema da Zon a pedir para eu devolver o equipamento. Eu disponibilizo-me para fazer 50 km para fazer a entrega, porque na minha cidade não dá, mas digo que quando cessei contrato indicaram-me que não era preciso fazer a devolução. Reviram a ficha e afinal não era preciso mesmo. Das duas vezes fui muito bem atendido e desta vez até me pediram desculpa.
Mudo de casa e guardo tudo nas caixinhas respectivas, apesar de não me servir para nada. Hoje, recebo um sms da NOS a exigir a devolução do equipamento em 30 dias senão terei que pagar o valor correspondente. Vou à loja: tenho mesmo que devolver tudo, mas ao menos vêm-me buscar as coisas a casa.
Num país decente, estas indecisões são vistas como incompetência. E num país decente, com estas e com outras situações que lesam os clientes, iniciava-se uma acção colectiva nos tribunais contra a empresa que, ainda por cima, é má nos serviços que presta.
Para cúmulo, estou numa lista negra por dinheiro que não lhes devo e fui ameaçado o ano passado com um processo de dívida quando tinham 6 meses para o fazer, sobre um contrato cessado em 2005.
Não gosto de ameaças muito menos por empresas que ganham a vida a intrujar os clientes, com renovações sucessivas de fidelização a cada alteração do serviço, dificuldades no término do serviço com cobranças a surgir depois de não estar activo, com facturas perdidas de anos anteriores que muita gente paga para não ter chatices.
NOS é que somos burros em tolerar isto.
A cópia privada e a Lei de Moore
O vice-presidente da SPA é muito engraçadinho. Usou do “argumento” de que o iPhone 6 Plus custa mil euros e que uma taxa de 15 euros não é nada. Mais, acabou de sugerir que, com esta nova lei, deixam de andar a prevaricar, sem dizer como. Especialmente quando o direito à cópia privada existe.
A Maria João Nogueira esteve muito bem, pena que lhe tenham cortado a palavra para falar David Ferreira, o qual veio falar em roubo. Roubo de quê? E fala em aumento no máximo de 1.5%. A questão mesmo é que não lhe importa se é justo ou não eu pagar a porcaria da taxa só porque tenho um disco com conteúdos meus.
José Valverde, falando pela indústria, tocou num ponto sensível: esta malta que defende a cópia privada quer pretender, sem o assumir, que a cópia privada será uma forma de resolver o problema da pirataria.
Agora fala o SEC dizendo uma mentira. Sim, mentira, porque dizer que o montante a pagar é um valor nos dias de hoje, baixo, na ordem dos cêntimos, é falsear, a realidade. E é na parte da realidade que entra a Lei de Moore. Esta lei, postulada por Gordon Moore, diz que o número de transístores dos circuitos electrónicos duplica a cada 18 meses. É um estimador que tem previsto muito bem a evolução da tecnologia. É uma lei que também tem servido para prever a evolução de outras tecnologias tais como a capacidade de armazenamento e de memória em uso nos dispositivos. A mentira do SEC, mentira por omissão, consiste em não dizer que os valores máximos deste imposto serão atingidos em apenas 5 anos.
Tabela ilustrando o crescimento de SD storage, segundo a Lei de Moore, partido do caso do iPhone 6 Plus
Letria, da SPA, acabou de confirmar o que já aqui foi escrito: nem 40% do imposto recolhido pela cópia privada chega aos autores. Esta é que esta. Na verdade, o valor que chega aos autores é, de facto, mais baixo. Letria fala das dificuldades dos autores. Mas acontece que, e isto Letria não o diz, muitos autores estão a ganhar um novo fôlego, precisamente, porque conseguem chegar directamente ao seu público através do digital e das novas tecnologias, sem intermediários como AGECOP e afins.
Pelo caminho, seremos todos taxados, com ou sem justa causa.
Adenda: petição “Impedir a aprovação da proposta de lei n° 246/XII, da Cópia Privada“
Editado (link para a Lei de Moore em inglês e legenda da tabela)
A lei da cópia privada no Prós e Contras
Está a começar o programa Prós e Contras na RTP1, desta vez sobre a proposta de lei da cópia privada. Eis algumas questões que gostaria de ouvir respondidas pelo SEC, pela AGECOP e pela SPA:
- Como é que demonstram que a cópia privada tem prejuízo para os autores?
- Como é que é possível exercer o direito de cópia privada se os DVD e CD vem protegidos tecnica e legalmente contra a possibilidade de fazer cópia privada?
- Qual é a percentagem de dinheiro recolhido pela cópia privada que chega aos autores?
- Como é que determinam que autores é que recebem dinheiro vindo da cópia privada?
- Porque é que quem não exerce o direito da cópia privada tem que pagar este imposto (sim, é um imposto)?
- Como é que quem paga o direito da cópia privada nos produtos digitais não irá pagar duas vezes o mesmo imposto?
- Com que base é que os meus equipamentos usados para fins profissionais e pessoais onde não irei exercer o direito da cópia privada terão que pagar esse imposto?
Obrigada por este bocadinho, François! (II)
A baixa política e o baixo jornalismo franceses geraram Valérie Trierweiler, uma cara bonita que aos 23 anos se agarrou com unhas e dentes (literalmente) à corda de ascender socialmente. Valérie era pobre mas aquilo não ía ficar assim. Ensombrada por essa infância de pobreza e por um casamento que não a tirou de lá, muito pelo contrário pondo no Mundo três filhos para criar, Trierweiler (nome do pai dos seus filhos, Massonneau de seu apelido de solteira) descreve no seu livro-vingança, escrito com a raiva do despeito, um começo de vida que evoca um famoso livro de Christiane Rochefort, Les petits enfants du siècle (1961): estimulado pelas ajudas estatais à natalidade, um casal em dificuldades esmifra-se por gerar a descendência que lhe permitirá comprar os electrodomésticos com que sonha. Despeito é a palavra que domina o livro, visando antes de mais François Hollande que, como a maior parte dos homens faz, trocou uma mulher na meia-idade por uma mais nova, mas talvez e sobretudo a mulher anterior: Ségolène Royal, mãe dos quatro filhos de Hollande a cujos poderosos calcanhares influentes Valérie tenta sem sucesso chegar.
Embora ciente da ironia do destino que expõe com crueldade o ciclo da infidelidade, a despeitada dedica longas passagens do seu livro-sensação Merci pour ce moment a desancar Ségolène. A actriz Julie Gayet, por quem Hollande se perdeu de amores, não está isenta de culpas, mas a pior de todas é Ségolène que, não satisfeita e tendo perdido a eleição presidencial anterior, se abalança em 2012 à presidência da Assembleia nacional de França, a câmara baixa do Parlamento francês. Supostamente em nome da defesa da separação dos poderes executivo e legislativo, Valérie lança no espaço do Tweeter 139 caracteres em defesa de outro candidato ao cargo, desafiando a paciência de Hollande que publicamente apoia Ségolène, «o símbolo supremo, a mãe, a intocável». Trierweiler também é mãe, «mas não a dos filhos do Presidente», e por isso não conta. Royal é uma espécie de Hillary Clinton, diz a dado passo a despeitada. O caso do tweet terá sido o começo do fim para Trierweiler.
Pelo meio, a best-sellerista vai descrevendo a sua triste vida privada de “First Girl Friend”, como lhe chamavam os norte-americanos por não ser casada com Hollande, e os encontros com este e aquele, no âmbito das responsabilidades de Estado que, como mulher de Hollande, teve de acompanhar. O dia em que se encontrou pela primeira vez com Angela Merkel, por exemplo, que a convidou para ir ao festival de Bayreuth.
“O que tem valido ao SNS é a mãe, a Constituição”
Um balanço dos 35 anos do SNS por António Arnaut.
Obrigada por este bocadinho, François!

145 mil exemplares vendidos em 4 dias (de uma 1ª tiragem de 200 mil)

Valérie Trierweiler na noite da eleição de François Hollande, em Maio de 2012
[Resumo do 1º capítulo]
Valérie (Val) era feliz junto do seu François, organizando almoços de caridade e promovendo o bem em redor dela com a ajuda, designadamente, do seu chefe de gabinete – um antigo jornalista da RFI. Até que outra mulher (há sempre outra) lhe tirou o marido e o descanso. Interrogado certa tarde no apartamento conjugal, na sequência de algumas notícias que o davam como adúltero (um fotógrafo paparazzi apanhara-o a sair de motorizada pela manhã, da casa dessa outra mulher), François confessou: que sim, que andava a dormir com outra há um mês. Val conteve-se para não gritar com ele nem partir loiça, e propôs-lhe que fizesse sem mais demoras uma declaração pública pedindo-lhe desculpas e comprometendo-se a não voltar a ver essa outra mulher. Sucede que François estava afinal a mentir, e que já andava naquilo há mais tempo. Há quanto tempo François? perguntou Val. Há três meses. Não, há seis. Não, desculpa, há nove. Um ano, na verdade, disse finalmente François, antes de voltar para o seu gabinete. Val fica ali feita parva no apartamento e a sua tarde de trabalho vai para o galheiro.
À noite, François volta para jantar e Val vai dar com ele de joelhos no quarto, a cabeça entre as mãos. Como é que vamos fazer? pergunta perdido de todo. Durante o jantar, Val pergunta-lhe onde está afinal o presidente exemplar, que anda naquela vida durante a noite enquanto as fábricas fecham, o desemprego aumenta e a sua popularidade baixa todos os dias? [Read more…]
Aroma de Hitler

Cada vez estou mais convencida de que o mundo está a transformar-se na caricatura de si mesmo, ridícula e superficial até ao limite do suportável.
Numa época em que se vão fazendo evidentes as semelhanças entre o momento actual e a história recente, e em que por isso tão vital é conhecê-la, quanto mais não fosse como antídoto para a repetição do que ela teve de pior, reparem na promoção que um canal televisivo temático decidiu fazer de uma série de programas dedicados à II Guerra Mundial.
O perfumista Lourenço Lucena foi convidado a criar um aroma para cada um dos protagonistas da série: Winston Churchill, Adolf Hitler, Franklin D. Roosevelt, Hideki Tojo, Benito Mussolini e Josef Estaline. Conhecer os “aromas da história”, é a original metáfora, e enormíssimo desafio, porque os aromas desta história não são aqueles que costumam caber num frasquinho de essências: o sangue derramado, e “só o sangue cheira a sangue”, dizia Anna Akhmátova, o gás das câmaras de Auschwitz-Birkenau, a carne queimada em Hiroshima. Não era simpático, deve ter pensado o perfumista, e por isso inspirou-se nas características dos protagonistas, homens fortes, de aroma intenso. [Read more…]
In Memoriam
Luxo pago com o dinheiro do contribuinte é imoral
Não sei se o conteúdo deste vídeo é novo para quem o está a ouvir. Para mim não é mas mesmo assim senti a necessidade de o partilhar. Ele fala-nos de um juiz do Supremo Tribunal de Justiça da Suécia que todos os dias pedala até à estação de comboios da sua cidade – Uppsala – e dai segue, imagino, para Estocolmo, num comboio que faz o percurso, segundo o Google Maps, em 38 minutos (de carro seriam 53). Um juiz que, imaginem lá o maluco, é contra a corrupção e acredita que luxo pago com dinheiro dos contribuintes é imoral.















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